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quinta-feira, 24 de dezembro, 2009

Melhores shows de 2009

Esse deve ter sido o ano em que menos fui a shows em muito, muito tempo. Culpa do cronograma de gravações mais cruel que já enfrentei (sempre noturnas, sempre em dias de bons shows). Ainda assim, teve MUITA coisa boa. Segue a lista, em nenhuma ordem específica.

Paul McCartney (Coachella, EUA)

“John Lennon também foi  homenageado com “Here Today”. Obviamente, as músicas dos Beatles (”The Long and Winding Road”, “Blackbird”, “Eleanor Rigby”) causavam comoção. George Harrison também foi lembrado quando Paul tocou “Something” em um ukulele presenteado pelo próprio, seguida por “I’ve got a feeling”.”


Phoenix (Central Park, EUA)

“Lá pela metade da apresentação dos franceses no Rumsey Playfield, parte do Central Park Summerstage, pintou uma questão: como resenhar algo tão perfeito? Diante de tanto acerto, resta muito pouco além de elogios.”

Curumin (Cinemateque, Rio)

“Veio 2008 e Curumin lançou um dos melhores discos do ano. Ao filtrar melhor suas influências, “Japan pop show” acerta onde errou na estréia. O que antes era uma coleção de referências bem marcadas — seja samba-rock, afrobeat, dub — misturou-se com classe, começando a formar uma sonoridade própria, resultado da colisão disso tudo.”

TV On The Radio (Coachella, EUA)

“Cada vez que Kyp Malone dedilhava o baixo os sub-graves pareciam estar saindo de algum equipamento digital de tão fortes. Era cada catranco no peito que não era brincadeira. A densa massa servia de base para camadas e mais camadas de guitarra, num som que tinha que ser decifrado antes de fazer sentido.”

Lucas Santtana & Seleção Natural (Vale Open Air, Rio)

“Transpor essas músicas para o palco é complicado. Ainda mais porque algumas delas são bastante delicadas e bem resolvidas. Nesse sentido, Lucas Vasconcellos conseguiu uma façanha ao adicionar uma cama de teclados na balada “Nightime In The Backyard”, umas das melhores do disco, fazendo a canção crescer no palco.”

Radiohead (Apoteose, Rio)

“’Bom pra caralho’, como disse a banda em bom português ao final do show. Foi mesmo.”

Kraftwerk (Apoteose, Rio)

“Seja como for, toda vez que se assiste ao Kraftwerk o embasbacamento é o mesmo. É como se eles tivessem apertado e girado todos os botões de sintetizadores possíveis e imagináveis antes de todo o mundo.”

Franz Ferdinand (The Week, SP)

“Uma das poucas bandas de sua geração que não apenas conseguiram se estabelecer, mas também crescer, o Franz Ferdinand tem como trunfo um excelentes shows. Mostraram isso em suas visitas anteriores ao Brasil e dessa vez não foi diferente.”

Siba e a Fuloresta (Teatro Rival, Rio)

“O trabalho de Siba só surpreende dessa maneira aqueles que pouco conhecem o resto da história musical da região. Pasmos com a “modernidade”, a “contemporaneidade” do que lá se produz. É um tapa na cara, um belo “acorda aê”.”

Late Of The Pier (Coachella, EUA)

“Como se estivessem tocando num pub em Londres, fizeram o mesmo show de sempre, com as danças e roupas esquisitas, a gritaria, a quebra de andamento, as camadas de sintetizador e a programações esquisítissimas.”

M.I.A. (Coachella, EUA)

“O trabalho de pesquisa da estética dos países em desenvolvimento de M.I.A., tanto a visual quanto a musical, cresceu bastante em “Kala”. Provavelmente ciente de que sem o visual seu show não passava totalmente sua mensagem, M.I.A. se transformou numa Madonna do terceiro mundo.”

Dirty projectors (Teatro Odisséia, Rio)

“Quem lá esteve, no entanto, se encantou com a banda. Até os integrantes, conhecidos por sua postura fechada tanto no palco quanto fora dele, estavam soltinhos, fazendo piadas e rindo sem parar. É raro ter a chance de ver uma banda tão pouco preocupada com fórmulas pop tocando por aqui, ainda mais num lugar pequeno. Quando pinta, tem que aproveitar, inclusive para possibilitar novos eventos.”


Friendly Fires (Circo Voador, Rio)

“Se baixas expectativas são o combustível para uma grande surpresa, os ingleses fizeram sua parte. Confirmando a fama de bons de palco, os ingleses sacudiram a tenda sem parar com ótima presença de palco, principalmente do vocalista Ed MacFarlane, requebrando sem parar.”

Lykke Li (Coachella, EUA)

“a loirinha sentou a puia na galera que tostava sob o sol. Toda de preto e pulando sem parar, Lykke Li mostrou um show ainda melhor do que o usual, utilizando suas mil traquitanas e sem se preocupar em posar de gatinha.”

Little Joy (Circo Voador, Rio)

“Feliz, depois de tanto tempo sem tocar no Brasil, Amarante estava visivelmente contente e não cansava de agradecer, cumprimentar rostos conhecidos na platéia e dizer como era bom estar de volta em casa. No entanto, era Fabrizio Moretti, aparentemente doidaralhaço, quem ganhava os holofotes.”

Faith No More (Metropolitan, Rio)

“Quando um show dessas bandas parecem perder o sentido e essas reuniões ressoam como meros caça-níqueis, surge um outro fator. Servem também pra lembrar que um dia também fomos novos. E tome air-guitar (para os que já tinham parado, né), sacudida de cabeça e soco no ar.”

Skatalites (Circo Voador, Rio)

“Sempre exaltando Coxsone Dodd e o Studio One, casa da banda, os jamaicanos fizeram um show preciso, sem uma nota fora do lugar, perfeito, mesmo com arranjos complicados, viradas e quebras de andamento de entortar as costas.”

Nação Zumbi (Circo Voador, Rio)



“De uma tenda na Lapa, o Circo passou a melhor casa do Rio, com direito a uma longa crise, quando a casa foi fechada. De uma novidade em “Da Lama Ao Caos”, a Nação tem hoje o show mais poderoso do Brasil, sem esquecer do baque que foi a perda de Chico Science.”

Mexican Institute of Sound (Coachella, EUA)

“Os mexicanos presentes lotaram o segundo palco ao ar livre pra balançar ao som de cumbia digital, tirações de onda com “Macarena” e hip hop temperado com tequila.”

Postado por Bruno Natal às 13:13 | 1 Comentário | Permalink

terça-feira, 22 de dezembro, 2009

10 melhores discos internacionais de 2009

Certeza que esqueci um monte de coisa, das que ouvi e, principalmente, do que não deu tempo de escutar. Não gosto muito de lista por isso, fico agoniado, mas é isso aí. Esses são os melhores discos internacionais de 2009 do URBe. Deixe seus escolhidos nos comentários.

10.

Julian Casablancas, “Phrazes For The Young”

9.

El Remolón, “Pibe Cosmo”

8.

Fuck Buttons, “Tarot Sport”

7.

Passion Pit, “Manners”

6.

6. Air, “Love 2″

5.

Mayer Hawthorne, “A Strange Arrangement”

4.

King Creosote, “Flick The Vs”

3.

The xx, “xx”

2.

Franz Ferdinand, “Tonight: Franz Ferdinand”

1.

Phoenix, “Wolfgang Amadeus Phoenix”

Postado por Bruno Natal às 13:12 | 12 Comentários | Permalink

terça-feira, 6 de outubro, 2009

Franz Ferdinand para poucos em São Paulo


Franz Ferdinand: entrevista sobre Circo vs The Week
vídeo e fotos: URBe

A passagem do Franz Ferdinand por São Paulo tinha como objetivo promover a turnê que o grupo fará pela América do Sul em 2010. Ao decidirem fazer um show fechado e escolherem a pequena The Week como palco, um elefante branco surgiu.

Não era o assunto principal — esse era como conseguir um ingresso — mas devido as semelhanças de condições (como a lotação de pouco mais de 1.000 pessoas), começou-se a falar em um repeteco do clássico show da banda no Circo Voador, em 2006.

Muitos do que estavam no Circo naquela noite dizem ter sido um dos melhores shows de suas vidas. A própria banda concorda, tendo citado diversas vezes em entrevistas esse como o melhor apresentação da história deles. Entrou num panteão além da realidade, imbatível portanto.

Por todos esses motivos a comparação seria tão desnecessária quanto injusta. Mesmo porque, passado três anos, há um terceiro disco no catálogo dos escoceses, o repertório mudou. Se bem que com a qualidade do “Tonight”, esse poderia ser o fator crucial.

Sem se preocupar com nada disso, o Franz Ferdinand simplesmente aproveitou e curtiu o momento, assim como os sortudos que conseguiram conferir uma apresentação tão especial. A pegada mais dançante do que rock das novas músicas caíram bem na The Week, ajudadas por um som redondinho, pecando apenas pela bateria um pouco baixa. Bem diferente do Coachella desse ano, ao ar livre e de dia.

Uma das poucas bandas de sua geração que não apenas conseguiram se estabelecer, mas também crescer, o Franz Ferdinand tem como trunfo um excelentes shows. Mostraram isso em suas visitas anteriores ao Brasil e dessa vez não foi diferente.

Em março eles voltam pra fazer tudo outra vez.

Postado por Bruno Natal às 14:05 | 1 Comentário | Permalink

quinta-feira, 1 de outubro, 2009

De volta

Quatro dias em NY devem equivalr culturalmente a dois anos no Rio.

O show do Phoenix valeu cada centavo, bom demais, assustador de tão perfeito.

Por enquanto fica essa fotinho chulé. Estou em SP pro VMB (e ontem ainda teve o Franz Ferdinand matador na The Week), chegando em casa subo vídeos, fotos melhores, resenhas, aquele esquema que você já conhece.

Postado por Bruno Natal às 15:02 | 3 Comentários | Permalink

terça-feira, 29 de setembro, 2009

Entrevista - Dan Carey (produtor de “Tonight” e “Blood” do Franz Ferdinand)


“Backwards On My Face” (Twilight Omens Dub Version)

Quando o disco “Tonight: Franz Ferdinand” estava prestes a ser lançado, veio a surpreendente notícia de que haveria também uma versão dub do disco.

Historicamente o punk e o dub tem uma relação estreita, principalmenten os anos 70, culminando com o The Clash chamando Lee “Scratch” Perry pra produzir o disco triplo “Sandinista”.

No entanto, fazia tempo que uma banda de rock não se aventurava por esse caminho, ao menos não de maneira tão radical. “Blood: Franz Ferdinand”, um disco inteiro do Franz Ferdinand ganhando o tratamento jamaicano, gerou expectativas.

O nome que assinava as versões era Mr. Dan, pseudônimo de Dan Carey, que além da versão original “Tonight” e a dub “Blood” do Franz Ferdinand, já produziu faixas e discos do Cansei de Ser Sexy, Roisin Murphy, Ladyhawke e remixou Massive Attack e Sebastien Tellier, entre outros.

Na época pedi uma entrevista, que acabou não respondida. Com a vinda da banda ao Brasil essa semana, entrei em contato novamente e dessa vez Dan Carey respondeu as perguntas.

URBe - De quem foi a idéia de fazer uma versão dub do disco, você ou a banda?

Dan Carey - Produzi a versão original do disco, “Tonight”. Enquanto estávamos gravando eu fazia vários pré-mixes das faixas pra testar, enquanto as coisas iam acontecendo. Sempre passo algum tempo nesses testes para ter idéia para a mixagem final. Sempre que mixo uma faixa, faço uma versão dub, por hábito e por diversão. Quando eu mostrava as versões dub a banda sempre amava o som e rapidamente eles tiveram a idéia de eu fazer uma versão dub do disco todo.

URBe - Como a banda chegou a você?

Dan Carey - Sempre fui fã da banda e o Lawrence [Bell], da [gravadora] Domino me apresentou para o  Nick [McCarthy] e o Alex [Kapranos].

URBe - Quais outros artistas você havia produzido antes? No que está trabalhando agora?

Produzi e mixei discos para Emiliana Torrini, Garrison Hawk, Joe Lean and the Jing Jang Jong, CSS, M.I.A. e no momento estou produzindo o disco da Alice McLaughlin.


Dan Carey com o maior baixista da música jamaicana, Robbie Shakepeare

URBe - Qual sua relação com o dub?

Dan Carey - Fui guitarrista do Nick Manasseh, que m e deixava passar bastante tempo em seu estúdio e ensinou-me a fazer discos. Porque fazia somente dub, tudo que faço vem dessa perspectiva.

Também passei um tempo na Jamaica com Sly and Robbie. Uma noite fiz um dub de uma faixa, eles amaram e me trouxeram várias gravações originais para eu fazer versões dub delas. Gravei muitas coisas com ele que gradualmente estou transformando num disco de dub.

Também tive uma noite estranha na casa do Lee Perry, na Suíca, onde ele me contou muitas coisas interessantes.

URBe - E a relação do Franz Ferdinand com o dub?

Dan Carey - Todos nós compartilhamos o amor pelo eco.

URBe - Recentemente eles tiveram um documentário sobre a turnê deles na América do Sul feito pelo Don Letts, que nos anos 70 apresentou o reggae e o dub para os punks, como o The Clash, influenciando totalmente o som deles. Você acha que essa convivência possa ter algum papel no interesse da banda pelo dub?

Dan Carey - Com certeza deve ter tido, mas nunca falei disso com eles.


A lenda Lee Perry e Dan Carey

URBe - A sonoridade de “Blood”, a versão dub do “Tonight”, se aproxima mais ao que é entendido como dub no meio da house music, um remix sem vocais. Você concorda?

Dan Carey - Não muito (a não ser por “Die On The Floor”, que realmente era pra ser um club mix). A abordagem — em termos de como os efeitos foram arranjados, o fato de que todos eles são sessões de dub “ao vivo” editadas juntas — é o mesmo. Tentei evitar efeitos que soassem muito “antigos”, então não tem tanto eco de fita, reverb de mola quanto poderia ter. Acho que reestruturei algumas faixas, o que não é tão tradicional.

Postado por Bruno Natal às 12:05 | 4 Comentários | Permalink

sexta-feira, 25 de setembro, 2009

P, PP, FF 2


Passion Pit, “The Reeling”


Franz Ferdinand, “Lucid Dreams”


Phoenix, “Liztomania”

Postado por Bruno Natal às 15:34 | Sem comentários | Permalink

P, PP, FF


Franz Ferdinand, “Ulysses”


Passion Pit, “Sleepyhead”


Phoenix, “1901″

Postado por Bruno Natal às 10:34 | Sem comentários | Permalink

terça-feira, 28 de abril, 2009

Coachella 2009, formatura no deserto (completo)


vídeos e fotos: URBe

Dois anos desde a última visita (três desde a primeira) e depois de ter passado por alguns dos festivais mais enxarcados da Europa, finalmente chegou a hora de partir novamente em direção ao deserto, onde o sol é uma certeza e o visual garantido.

O Coachella Music & Arts Festival é um dos maiores encontros das chamadas “bandas de internet” do planeta. Ser escalado para o festival é como receber um diploma que diz “no último ano você se destacou e agora é oficialmente uma banda, não mais um projeto online”.

É claro que nem todos os formandos vingam na profissão. Muitos dos artistas que passam com algum destaque pelo festival somem na poeira menos de um ano depois. Na turma de 2009, estranhamente ficaram de fora Metronomy e Lady Hawke, dois nomes muito elogiados em 2008.

Alguns outros voltam ao deserto maiores do que quando passaram por lá pela primeira vez, caso do The Killers, TV on the Radio e M.I.A. nesse ano.

A décima edição do festival talvez tenha sido uma das edições com a escalação mais fraca — certamente foi mais difícil manter a usual média de sete shows por dia. Obviamente, uma escalação frouxa do Coachella coloca no bolso boa parte dos festivais pelo mundo e ainda assim vale a pena.

Em 2009 houve menos conflitos de horários entre as principais atrações, tornando as decisões do que assitir (sempre a maior tortura do evento) mais fáceis. Você assistia um show sem aquela pontada de estar ausente de três outros imperdíveis.

Mesmo com a afirmação dos organizadores do evento de que essa provavelmente terá sido a terceira maior edição em termos de público (2007, com Rage Against the Machine, foi a maior), a sensação e comentário dos que estava lá foi de que estava mais vazio que o normal.

Os sinais eram claros: menos filas pro banheiro, pra água, pra entrar, menos engarrafamento e menos tumulto no estacionamento. Tirando sexta, com Paul McCartney, os ingressos do festival não esgotaram.

A culpa de tudo isso, é claro, é da crise. Uma caminhada pela Melrose Avenue, passando entre um set de gravação do seriado The Hills (afinal, é Los Angeles) e muitas lojas de roupa, assusta a quantidade de lojas em queima de estoque e placas informando sobre fechamentos.

Na América fascinada pelo novo presidente (é impressionante a quantidade de produtos relacionados a Obama, de camisetas a doces, máscaras e livros) o bicho está pegando. O que para muitos foi um motivo a mais para cavar os quase 300 dólares do passe para os três dias e esquecer.

Se a música não desse conta, certamente a ensolação faria o serviço.

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1o dia, sexta
Molotov, Los Campesinos, Franz Ferdinand, N.A.S.A., Beirut, Ghostland Observatory, Girl Talk e Paul McCartney

Um vôo de oito horas pra Miami + quatro horas de espera + seis horas até Los Angeles + uma hora até estar dentro do carro alugado + duas horas até Indio (santo GPS!) + check in no hotel + fuso horário configuram uma maratona que pede o mínimo de descanso.

Isso tudo pra dizer que chegar cedo no primeiro dia do festival logo no dia seguinte é uma perspectiva desanimadora, ainda mais sem nenhuma grande atração motivando o esforço a mais.

Chegando as 15h, ao som do chato We Are Scientists, foi o tempo de comprar água, encontrar os amigos e partir para o Molotov. As atrações mexicanas são uma marca do festival e quase sempre vem coisa boa. Surpresa foi ver o Molotov fazendo rock sobre batidas de Miami bass, soando bastante como “Popozuda Rock and Roll”, do  De Falla.


Los Campesinos

As baixas expectativas em relação ao Los Campesinos foram confirmadas. Até músicas legais como “You! Me! Dancing!” ficam magrelas ao vivo. Alguma coisa ali lembra o Clap Your Hands Say Yeah, que também não convence ao vivo, só que mais bobo. O vocalista se esforça tanto na afetação que consegue tirar atenção do resto da banda, sem fazer disso algo positivo.


Ting Tings, “Great DJ”

De afetação para… mais afetação! O Ting Tings mostrou muita frescura e pouco som. Começaram 15 minutos atrasados, reduzindo bastante o tempo do seu show. O que pode ter sido proposital, visto que eles tem bem pouco pra mostrar.

Antes de subirem ao palco, veio um aviso, avisando que o público era bem vindo para tirar foos, mas não deveria usar flash, pois incomoda a banda. Era dia.

Como se vê, a dupla se leva a sério demais, a postura no palco confirma isso. É como se eles não entendessem que o público de “That’s not my name” ou “Great DJ” é majoritariamente adolescente. Ou pior que isso — é como se o Ting Tings visse algum demérito nisso.

De qualquer maneira, foi um dos shows mais disputados do dia, com gente tentando assistir do lado de fora da tenda (a Sahara, a maior delas), debaixo duma solaca que não é brincadeira não. O mesmo sol que foi o principal fator na decisão de assistir o Ting Tings e não o Black Keys no palco principal.

Grande erro. No jogo de apostas do Coachella, cada movimento deve ser calculado. Cada escolha envolve um custo, as vezes alto demais para valer o risco. Mais tarde isso ficaria ainda mais claro.


Alex Kapranos (Franz Ferdinand) e a blusa do George Harrison

A primeira grande escolha do dia envolvia duas atrações tocando exatamente no mesmo horário, uma nada a ver uma com a outra. Na disputa mental entre ouvir “Poison Dart” ou “Lucid Dreams”, terminei não ouvindo nenhuma.

Optei por assistir o Franz Ferdinand (pela sexta vez) em vez do The Bug & Warrior Queen (que nunca vi) pra poder ouvir ao vivo faixas do terceiro disco. Infelizmente justo a que mais queria ouvir, “Lucid Dreams”, ficou de fora.

O show foi morno, muito por conta da distância que o palco principal impõe entre os artistas e a platéia. A luz do dia também não ajudou muito o clima dançante e carregado nos sintetizadores das novas músicas.

No primeiro dia do festival era o show do Paul McCartney que centralizava as atenções, lógico. Tocando no mesmo palco, Alex Kapranos (do Franz Ferdinand) apareceu com uma camiseta escrita “George Harrison”. Desde cedo, fãs dos Beatles se expremiam na grade. E por fãs dos Beatles entenda-se pessoas acima dos 50, raramente o perfil de quem enfrente um dia inteiro debaixo do sol pra aguardar um show.


N.A.S.A., “Watchadoin”

Se o começo do dia foi calmo, a parte final foi corrida. Do Franz Ferdinadn direto pro N.A.S.A., já começado. Estava bem curioso pra saber que tipo de apresentação eles fariam. Fosse um mero live PA perigava ser meio xarope. Cada vez parece fazer menos sentido ficar olhando para um palco onde um sujeito faz coisas que você não pode ver.

A lição do Daft Punk e sua pirâmide parece ter sido assimilada em larga escala por artistas de música eletrônica, caminhando cada vez mais em direção de soluções visuais para suas apresentações, indo além de telões e apostando em cenários e até instalações.

Formado pelo brasileiro Zé Gonzales (ex-Planet Hemp) e Squeak E. Clean (irmão do cineasta Spike Jonze), o N.A.S.A. (North America South America) aterrisou no Coachella a bordo de uma nave retrô-tosco-futurista, acompanhado por duas dançarinas ETs, alguns monstros e um MC.

Funcionou. O set misturando músicas próprias e trechos de Daft Punk (olha eles aí de novo), Beni Benassi e hip hop levantou a tenda e fez a festa.


Beirut, “Nantes”

O primeiro artista a realmente arrastar uma quantidade grande de fãs foi o Beirut. Nem bem soaram as primeiras notas de “Nantes” e o coro e aplausos começaram, se extendendo por todo show.

A delicadeza das músicas se repete ao vivo. Projeto solo de Zachary Condon, o Beirut se transformou numa banda sem perder o clima intimista dos discos. Baixo acústico, acordeon, metais, bateria e teclado servem as canções sem exageros, priorizando os arranjos aos solos.

Teve até gente gritando “Leãozinho”, do Caetano Veloso, música as vezes tocada pelo Beirut. Dessa vez não teve, teria sido divertido. Foi um dos shows mais legals e bonitos do festival.


Instalações espalhadas pelo gramado

Na sequência, um pedaço do Ghostland Obervatory e do Girl Talk. O primeiro tava numa onda meio téquineira que desanimou e o segundo deu uma preguiiiiiça… A tenda estava lotadas, bem animada, só que as colagens do Girl Talk começam a cansar.

Não sou fã dos discos dele, muito por conta da predileção aos samples de hip hop. Essa onda de mashup está começando se tornar um tanto formulática, com a sonoridade de todos os produtores se assemelhando bastante.

Pior que isso, a volta se aproxima dos 360 graus, chegando ao ponto de partida, com alguns desses mashups soando como remixes, onde sobre a acapela e é feita uma nova base. Chegou a hora de um passo a frente, em outra direção? Pode ser.

Ou isso ou era simplesmente preguiça de dançar mesmo.


Paul McCartney, “Blackbird”

Chegada a hora do  Paul McCartney o festival parou. Quase todo mundo foi em direção ao palco principal para conferir o grande nome do evento.

O começo foi meio estranho. Acompanhado por uma banda perfeitinha demais na execução, o show soava plástico demais. Os arranjos soavam comerciais demais, como se fosse um DVD genérico, bem chato.

Além disso, os integrantes faziam caras e bocas dignas dos piores clichês do rock, o que era um tanto contrangedor. O sujeito toca com o Paul McCartney e quer aparecer? Sei não…

A apresentação, ainda bem, guardava momentos memoráveis.

Quando Paul tocava violão ou piano sozinho a atmosfera mudava completamente. Com as canções que o sujeito tem, realmente não precisa de quase nada pra soar fantástico. Menos é mais, costumam dizer por aí. E nesse caso, é mesmo.

Paul estava comunicativo, falando das músicas e até da sua vida pessoal como se não estivesse diante de uma multidão. O momento mais emotivo foi quando ele lembrou que naquela data faziam 11 anos da morte de Linda McCartney antes de dedicar “My love does it good” para a ex-mulher.

Brincando com a platéia, Paul disse que as vezes era difícil se concentrar e tocar com tanta gente segurando placas com dizeres como “Beatles, estive lá!” e chamando a sua atenção.

John Lennon também foi  homenageado com “Here Today”. Obviamente, as músicas dos Beatles (”The Long and Winding Road”, “Blackbird”, “Eleanor Rigby”) causavam comoção. George Harrison também foi lembrado quando Paul tocou “Something” em um ukulele presenteado pelo próprio, seguida por “I’ve got a feeling”.

Vendo Paul ao piano, vilolão ou ukulele faz pensar porque um compositor desses prefere tocar o baixo em quase todas as músicas. Seria de pensar que Paul fosse ter preferência pelo violão, mais harmônico, no lugar de um instrumento melódico e comumente usado ritmicamente.

Eis que chegou a hora do erro. Lembra que falei das escolhas, dos riscos envolvidos? Pois bem, um julgamento mal feito me assombrará pelo resto da vida (ou até o próximo show do Paul — vai ter no Rio, andam dizendo).

Com quase duas horas de show, perto da meia-noite, horário limite dado pelas autoridades locais para o término das apresentações, cansado, resolvi começar a andar para o carro, pra fugir do tumulto da saída. Em 2007, após o Rage Against the Machine, levei quase duas horas só pra sair do estacionamento e chegar na estrada.

Sendo Estados Unidos, terra da organização (ah, como eu gosto…), era razoável pensar que o show estava pra terminar. Certo?

Fui andando e escutando “Give Peace a Chance”, “Let it Be”, “Live and Let Die”, “Hey Jude”, o que animou a longa caminhada.

Até chegar no carro ainda tocaria “Can’t Buy Me Love”, “Yesterday”, “Helter Skelter”, “Get Back” e “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”. Foi praticamente um show inteiro, que se estendeu até quase uma da manhã, e eu ouvindo tudo de longe…

Um erro imperdoável. De novo: IM-PER-DO-Á-VEL!

Menos mal que por ter saído mais cedo ainda consegui comprar uma da últimas cópias numeradas e assinadas do pôster especial feito por Shepard Fairey para comemorar o show do Beatle no Coachella. Custou 75 dólares e hoje, quatro dias depois, já vãi passando de 200 dólares no eBay.

Toda vez que olhar para ele vou lembrar de uma das maiores lambanças da minha vida. Belo castigo.

2o dia, sábado
Para one, Surkin, TV on the Radio, Fleet Foxes, Crookers, M.I.A., Chemical Brothers (DJ set) e Gang Gang Dance

Entre todos os acertos, se tem uma coisa na qual o Coachella erra a mão entra ano, sai ano é na programação eletrônica. Não dá pra entender o que acontece, porque apesar de muitos nomes legais entrarem na lista, quando chega a hora de tocar, só vem téquinôu.

Rara excessão foram os franceses Para One e Surkin. O primeiro até resvalou no pior do 4×4 farofento, enquanto o segundo passeou  mais pelo electro, ainda que tenha sido um tanto reto e sem suinge. O horário, 15h, é que não ajudou muito.

Os anos 90 vão ressurgindo também nessa área. Do remix dos Crookers para “Day n Night” (KiD KuDi) as músicas dos DJ sets do Chemical Brothers e Groove Armada, aquelas sirenes de rave do começo da década surgiam picotadas ou inteiras. É o elemento da vez.

Da área VIP, onde também fica a tenda de imprensa, aguardando bananas e coca-cola reverterem o estrago feito por uma wrap de tofu e um café da manhã de ovos com bacon, deu pra ouvir o Michael Franti & Spearhead, mas não dá pra levar sua politização muito a sério, não convence.

A área VIP é puro LA, com pururucas, playboys e celebridades B, de David Hasselholf a Busy Phillips e modeletes como a inglesa Agyness Deyn. Muita gente vem de Los Angeles só pra ficar badalando por ali, sem de fato entrar no festival.

A princípio essas pessoas podem parecer descoladas num festival como o Coachella. Com o aumento do consumo de música na era digital, mudou também o público.

Hoje é difícil você encontrar alguém que não tenha um iPod ou no mínimo conheça meia dúzia de bandas da vez. Lembro que quando era adolescente era comum encontrar gente que simplesmente não escutava música.

No entanto, apesar do maior número de ouvintes, o consumo é feito de forma cada vez mais passiva. Claro que isso sempre foi assim, desde que as rádios e TVs dominaram a distribuição de conteúdo cultural.

O que é mudou é que atualmente bandas alternativas e independentes — o tipo de som que antes exigia um esforço dos interessados para conseguir — chegam de forma massificada via internet, celulares e MP3.

Essa turma não desce pro gramado e não anda pelas tendas, de forma que de certa maneira continua tudo igual. A turma do oba-oba distante, os mais interessados circulando atrás de bons sons. Bom pro festival, que consegue atingir dois públicos diferentes, gera mais mídia e se mantém economicamente viável.

Entre os que vão ao evento pelos shows — a grande maioria — esse ano houve um certo relaxamento em relação ao consumo de maconha. Nas outras duas edições vi pouquíssima pessoas fumando. Dessa vez tinha zilhões de pessoas desbelotando tranquilamente e dando dois em pipes coloridos.

A explicação para essa mudança é a maconha medicinal. Ao que parece (se alguém souber essa história melhor, dizaê), no ano passado houve um flexibilização na lei que permite o uso da cannabis para tratamento médico.

Antes era restrito a doenças mais sérias e agora um baseado pode ser receitado para distúrbios como insônia, depressão e outros problemas que não podem ser diagnosticados em exames.

Rapidamente surgiu uma indústria ao redor disso, de maneira que basta ir a um médico em Venice Beach e sair de lá com a autorização para comprar maconha (e consumir em público) numa loja ao lado.


TV on the Radio, “Staring at the sun”

Com a rapaziada devidamente frita pelo sol e embalada pela marola, o TV on the Radio não teve muito trabalho para chapar o público de vez com um show grosseiramente grave.

O TVOTR foi o primeiro dos graduandos a tocarem no final de semana. Assim como eles, retornaram ao festival para tocar no palco principal em vez de tendas o The Killers e M.I.A.

Cada vez que Kyp Malone dedilhava o baixo os sub-graves pareciam estar saindo de algum equipamento digital de tão fortes. Era cada catranco no peito que não era mole não.

A densa massa servia de base para camadas e mais camadas de guitarra, num som que tinha que ser decifrado para ser entendido.

Durante o show, Kyp perguntou quem iria ficar pra ver o Thievery Corporation logo depois (não deu pra perceber se foi deboche) e afirmou que esperaria para ver o Gang Gang Dance mais tarde.

E ficou mesmo. A noite, sentado no gramado perto da tenda onde o GGD tocaria, ao ouvir a palavra “Brasil” Kyp disse que o Rio era sua cidade favorita no mundo e que espera muito poder voltar para visitar. Uma pena que o GGD não emplacou, com um show esquisito, bem diferente do que “Princes” sugere ser a onda da banda.

O TVOTR foi uma curiosa escolha para tocar no famoso horário do pôr-do-sol, geralmente reservado para atrações mais melosas, como o Fleet Foxes que tocou a seguir.

O cenário é o grande diferencial do Coachella. O lugar é lindo e a luz da Califórnia, um eterno final de tarde dourado, faz maravilhas pelos shows. É tudo que os festivais de verão na Europa não conseguem ser, pelo simples fato de que lá não faz sol.

A beleza do lugar influencia diretamente nas apresentações e no astral do público. Impossível separar uma coisa da outra, o meio é de fato a mensagem. Não é a toa que diversos artistas que tocam no Coachella preparam algo especial pra mostrar. É um lugar mágico mesmo.


Fleet Foxes, “White Winter Hymnal”

Já ao anoitecer, no segundo palco ao ar livre, menor, o Fleet Foxes mostrou seu folk setentista para uma platéia hipnotizada. As harmonias vocias, os arranjos, as canções, tudo muito bem feito e bem tocado.

Só que pra mim, tirando “White Winter Hymnal”, não bate. É retrô e introspectivo demais, embora seja totalmente compreensível a adoração que a banda desperta, é muito bom. É só gosto pessoal mesmo.


M.I.A., “Galang”
vídeo: mattwong26

Como a evolução percebida entre seus dois discos sugere, a M.I.A. do “Arular” é muito diferente da M.I.A. do “Kala”.

Quem viu a apresentação da M.I.A. no TIM Festival em 2005 não guarda boa recordação. Muita gente inclusive se desinteressou por ela por conta do show sem graça. Era o mesmo show que ela apresentava na Fabric, em Londres, para um público bem menor, numa boate. Não transpunha bem para o palco.

No Coachella, no entanto, quando ela tocou na tenda mais cedo no mesmo ano (a abertura do vídeo é hilária) a impressão deixada foi muito boa. Até que M.I.A. teve seu pedido de visto de trabalho nos EUA negado em 2006.

Demorou um pouco até M.I.A. voltar ao festival, em 2008. Em sua segunda passagem pelo Coachella, a tenda já não conseguiu dar conta. Segundo relatos, teve pessoas desmaiando, gente saindo pelo ladrão.

O trabalho de pesquisa da estética dos países em desenvolvimento de M.I.A., tanto a visual quanto a musical, cresceu bastante em “Kala”. Provavelmente ciente de que sem o visual seu show não passava totalmente sua mensagem, M.I.A. se transformou numa Madonna do terceiro mundo.

Promovida ao palco principal,  aproveitou o tamanho e encheu de gente, dançarinos, músicos, roupas fosforescentes, e não apenas um DJ como antes.

Do alto de um púpito repleto de microfones, M.I.A. apresentava os números e dava palavaras de ordem, enquanto o telão exibia imagens de um protesto, com placas onde se lia “M.I.A. is a terrorist”.

Marrenta que só, entrou cantarolando na melodia de “Rehab”, de Amy Winehouse (a grande ausência do festival, cancelada) “they tried to make me sing at the Oscars, but I said no, no, no!”. Tirou onda com o Grammy e depois da sexta música ameaçou a produção: “seis músicas, já posso ir embora.”

Como se sentisse culpada pelo próprio sucesso, M.I.A. faz questão de se afirmar não-cooptada pelo sistema, fazendo questão de manter a postura rebelde, com tanta vontade que, claro, parece falso.

Problema nenhum ela não ser mais a mesma menina desconhecida que gravava músicas em casa e coloca na internet. Seria mais honesto aceitar que os tempos mudaram e continuar inovando a partir de um novo lugar, em vez de querer repetir o que já fez.

Musicalmente essa crise não deve estar acontecendo e a inclusão de “20 dollar” no repertório taí pra confirmar. A não ser que ela esteja somente preocupada em manter a popularidade que mostrou ter durante o encerramento com “Paper Planes”.

Seria uma grande besteira. Esse caminho tem quer natural, tentar adivinhar o que vai agradar o público pucas vezes dá certo. Basta ela fazer o que ela faz, naturalmente, que o resultado vai continuar muito bom.

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3o dia, domingo
Mexican Institute of Sound, Friendly Fires, Sebastien Tellier, Lykke Li, Peter, Bjorn and John, Yeah Yeah Yeahs, Late of the Pier, My Bloody Valentine, Groove Armada (DJ set), The Orb e Etienne de Crecy

Nunca deixa de surpreender enorme o descompasso entre um dos maiores festivais de música do mundo e as grande mídia local. Ligar o rádio (mesmo a por satélite que pega até no carro) é ter a certeza de que o Coachella (e a interenet por extensão) ainda é um mundo paralelo.

Tirando obviedades como The Killers, não toca nenhuma das bandas do festival. Não que isso seja surpresa, claro. O que toca é hip hop comercial, atochado de auto-tuneKanye West não está mesmo sozinho nessa.

Basta uma ida ao supermercado ou dirigir uns 20 minutos pra se ouvir Soulja Boy Tell`em e o chiclete “Kiss Me Thru The Phone” (falando nele, já viu a hilária troca de gentilezas do rapper mirim com Ice T?), a irritante “Blame it” (Jamie Foxx com participação do T-Pain) e a bizarra “I Know You Want Me (Calle Ocho)” (Pitbull, uma versão da medonha “75, Brazil Street”, do Nicola Fasano, sampleando Chicago ), ao menos duas vezes cada.

Ainda bem que o último dia trazia algumas das atrações mais esperadas por esse escriba. Era o dia de matar saudades de Londres com alguns shows vistos repetidas vezes por lá.


Mexican Institute of Sound

Pra entrar no clima caliente do deserto, nada melhor do que uma banda latina, no caso o Mexican Institute of Sound, conhecidos em casa como Instituto Mexicano del Sonido, um nome muito mais legal.

Os mexicanos presentes lotaram o segundo palco ao ar livre pra balançar ao som de cumbia digital, tirações de onda com “Macarena” e hip hop temperado com tequila.

Os gringos também entraram na dança e ao final da apresentação a platéia se transformou num grande trenzinho, daqueles dignos de festa de casamento. Energéticos no palco e uniformizados, o MIS fez bonito com as misturas a metaleira, bases eletrônicas e letras divertidas. Mais um pra lista de boas bandas do México.


Friendly Fires, “Paris”

Uma dos nomes mais elogiados em 2008, o Friendly Fires inexplicavelmente tocou num horário terrível (muito cedo) e na menor das tendas.

Mesmo torrando de calor, os ingleses justificaram a fama e fizeram a alegria dos que lotaram o local e de colegas da indústria que se espremiam na lateral do palco, como o dono da Ed Banger Busy P.

Era o tipo de apresentação que cairia melhor a noite, quando a batida disco e rock de pegada eletrônica faria mais sentido. Mesmo assim, o vocalista Ed MacFarlane dançava como se estivesse escutando um som sozinho no seu quarto, rebolando como um Mick Jagger nerd enquanto batia com o microfone na cabeça.

É um show que poderia vir pro Brasil. Difícil dar errado. Pelo que li, quem não tinha visto ao vivo gostou.


Lykke Li, “Knocked up” (KoL)

Sebasiten Tellier logo depois e, dessa vez, não agradou. Demorou um tempão pra começar, acertando o som e, quando entrou, estava tudo embolado. Vestindo uma roupa sem graça, faltou o deboche que marca seus shows. Menos pior, porque não iria dar pra ver inteiro, já que Lykke Li começava antes do fim do francês.

Novamente no palco aberto menor, a loirinha sentou a puia na galera que tostava sob o sol. Toda de preto e pulando sem parar, Lykke Li mostrou um show ainda melhor do que o usual, utilizando suas mil traquitanas e sem se preocupar em posar de gatinha.

Com o público na mão, se arriscou até a tocar balada, o que poderia ser um perigo, uma vez que sob aquele sol qualquer motivo era motivo pra debandar para alguma sombra. Que nada. O pessoal ficou onde estava até o final. A sueca surpreendeu ainda com sua versão de “Knocked up”, do Kings of Leon.

Enquanto isso, aviões passavam deixando mensagens publicitárias escritas com fumaça no céu. Embora tecnicamente executadas a perfeição, era a certeza de que não há mais limite para interrupções consumistas. Mesmo assim, com boa vontade e reenquadramento, ao menos rendeu uma boa foto.

Na caminhada para o show do Yeah Yeah Yeahs, uma passagem estratégica pelo espaço secundário Do Lab onde a água não parava de cair.

Ao som de um hip hop com batidas quase trance (não é o caso do vídeo acima), o cenário do lugar era daqueles que só se encontra nos EUA. A MC iCatching até que não era ruim não.

O palco era decorado com motivos tribais, em cima tinha uns caras fantasiados de sei lá o que, jogando água no povo, numa breguice digna da Disney.

Nessa escalação enigmática do Coachella 2009, pois não dá pra saber exatamente o que ela signfica até saírem os horários dos palcos (o que esse ano demorou muito, sendo divulgado a dias do evento), deu pra perceber desde o começo que haveria bastante repeteco.

Engraçado como isso parece algo ruim. Acostumados a ver as bandas uma vez na vida (ou então 800, quando os artistas adotam o país como segunda casa), nós aqui no Brasil estamos sempre atrás da novidade, do inédito.

Em tempos de internet esse sentimento é potencializado, tornando a perspectiva de ver uma banda pela segunda ou terceira vez em algo menor. Está longe de ser verdade.

Editada pelo criador de “Lost”, J.J. Abrams, a revista Wired desse mês (se você não leu, deveria) tem como tema o mistério. Em seu ensaio , Abrams fala de como, devido a pressa no consumo de informação, estamos perdendo o gosto por descobrir as coisas ao longo de um processo.

Isso pode se enquadrar a música de duas maneiras. No caso das novidades, poucas bandas são escutadas duas vezes. Abrams fala de como hoje se baixa discos que nunca são ouvidos, algo impensável quando se comprava os mesmos.

No caso das bandas repetidas, pode-se pensar no quanto se perde ao trocar uma audição do segundo disco daquela boa banda (ou show) que você já conhece pela pressa de ouvir algo novo, tentando se manter atualizado. Tarefa ingrata essa, se manter atualizado hoje em dia.

Nesse sentido, é legal notar que um festival que tem dez anos como o Coachella tem apenas um DVD lançado. Em vez de todo ano sair um, a organização esperar para ver quais bandas novas realmente vingaram antes de compilar os melhores momentos. O tempo é mesmo o melhor filtro.


Yeah Yeah Yeahs

Guardando energias e atrás de água, o show do Peter, Bjorn & John foi ouvido de longe. Mais um graduando, dessa vez tocando no palco principal, os suecos não decepcionaram e mantiveram a impressão de 2007, quando tocaram numa tenda: são chatos mesmo. Chega a ser inacreditável que um deles tenha produzido o disco da Lykke Li e que juntos tenham composto “Young Folks”.

No final de tarde, o YYY fez um show bom, sem empolgar o suficiente para valer uma caminhada até mais perto do palco. A boa era mesmo ficar sentado curtindo o som e dando uma espiada no telão. A essa altura, no terceiro dia, o julgamento começa a ficar nublado.


Late of the Pier, “The Enemy Are The Future”

Após jantar um taco ao som da massaroca de guitarras do My Bloody Valentine (o show todo soou como uma música só), a noite chegava perto do seu grand finale, que viria antes do final da noite propriamente dita.

As chances do Late of the Pier não emplacar eram grandes, afinal foram escalados pra tocar a noite na maior das tendas, a Sahara, quase exclusivamente dedicada a música eletrônica e derivados.

Os meninos nem ligaram. Como se estivessem tocando num pub em Londres, fizeram o mesmo show de sempre, com as danças e roupas esquisitas, a gritaria, a quebra de andamento, as camadas de sintetizador e a programações esquisítissimas.

O LOTP tem um lance bacana. É uma banda que você olha e imediatamente saca que tem um clima deles. E esse clima se espalha para o resto do que eles fazem, do som ao vestuário a postura no palco, e não o contrário. Numa época com tanta banda tentando se embalar pra parecer o que não é, isso por si só é um grande diferencial.


The Orb

Chumbado e fazendo hora pra conferir o Etienne de Crecy, passei pelo The Orb fugindo do farofento DJ set do Groove Armada (só de “Superstylin” foram umas três versões). No começo tava legal, bem dub, até descambar pra algo bem genérico entre o lounge e o house, tirando totalmente a vontade de continuar ali.


Etienne de Crecy

Botando a tampa, Etienne de Crecy e seu cubo luminoso. O electro do francês é muito bom não é de hoje e os vídeos do tal cubo no YouTube eram animadores. A verdade é que ao vivo o cenário perde um pouco do impacto, as duas dimensões das projeções ficam mais aparentes do que se pode perceber numa tela, vai entender.

Falta também um pouco de personalidade aquilo lá. Por algum motivo, tem mais cara de cenário de uma boate, onde todo DJ toca dentro daquele cubo, do que de um projeto visual feito sob encomenda para alguém.

Exausto, caminhando em direção ao carro, o primeiro assunto começou com a pergunta “e aí, voltamos ano que vem?”. Se tudo der certo, tomara que sim.

Postado por Bruno Natal às 10:05 | 7 Comentários | Permalink

quarta-feira, 22 de abril, 2009

Coachella 2009, formatura no deserto (parte 2/4)

1o dia, sexta
Molotov, Los Campesinos, Franz Ferdinand, N.A.S.A., Beirut, Ghostland Observatory, Girl Talk e Paul McCartney


vídeos e fotos: URBe

Um vôo de oito horas pra Miami + quatro horas de espera + seis horas até Los Angeles + uma hora até estar dentro do carro alugado + duas horas até Indio (santo GPS!) + check in no hotel + fuso horário configuram uma maratona que pede o mínimo de descanso.

Isso tudo pra dizer que chegar cedo no primeiro dia do festival logo no dia seguinte é uma perspectiva desanimadora, ainda mais sem nenhuma grande atração como motivação.

Chegando as 15h, ao som do chato We Are Scientists, foi o tempo de comprar água, encontrar os amigos e partir para o Molotov. As atrações latinas são uma marca do festival e quase sempre vem coisa boa. Surpresa foi ver os mexicanos fazendo rock sobre batidas de Miami bass, soando bastante como “Popozuda Rock and Roll”, do De Falla.


Los Campesinos

As baixas expectativas em relação ao Los Campesinos foram confirmadas. Até músicas legais como “You! Me! Dancing!” ficam magrelas ao vivo. Alguma coisa ali lembra o Clap Your Hands Say Yeah, que também não convence ao vivo, só que mais bobo. O vocalista se esforça tanto na afetação que consegue tirar atenção do resto da banda, sem fazer disso algo positivo.


Ting Tings, “Great DJ”

De afetação para… mais afetação! O Ting Tings mostrou muita frescura e pouco som. Começaram 15 minutos atrasados, reduzindo bastante o tempo do seu show. O que pode ter sido proposital, visto que eles tem bem pouco pra mostrar.

Antes de subirem ao palco, veio um aviso, avisando que o público era bem vindo para tirar fotos, mas não deveria usar flash, pois incomoda a banda. Era dia.

Como se vê, a dupla se leva a sério demais e a postura no palco confirma isso. É como se eles não entendessem que o público de “That’s Not My Name” ou “Great DJ” é majoritariamente adolescente. Ou pior que isso — é como se o Ting Tings enxergasse algum demérito nisso.

De qualquer maneira, foi um dos shows mais disputados de sexta, com gente tentando assistir do lado de fora da tenda (a Sahara, a maior delas), debaixo duma solaca que não é brincadeira não. O mesmo sol foi o principal fator na decisão de assistir o Ting Tings e não o Black Keys no palco principal.

Grande erro. No jogo de apostas do Coachella, cada movimento deve ser detalhadamente calculado. Cada escolha envolve um custo, as vezes alto demais para valer o risco. Mais tarde isso ficaria ainda mais claro.


Alex Kapranos (Franz Ferdinand) e a blusa do George Harrison

A primeira grande escolha do dia envolvia duas atrações tocando exatamente no mesmo horário, uma nada a ver uma com a outra. Na disputa mental entre ouvir “Poison Dart” ou “Lucid Dreams”, terminei não ouvindo nenhuma.

Optei por assistir o Franz Ferdinand (pela quarta vez) em vez do The Bug & Warrior Queen (que nunca vi) pra poder ouvir ao vivo faixas do terceiro disco. Infelizmente, justo a que mais queria ouvir, “Lucid Dreams”, ficou de fora.

O show foi morno, muito por conta da distância que o palco principal impõe entre os artistas e a platéia. A luz do dia também não ajudou muito o clima dançante e carregado nos sintetizadores das novas músicas.

No primeiro dia do festival era o show do Paul McCartney que centralizava as atenções, lógico. Tocando no mesmo palco, Alex Kapranos (do Franz Ferdinand) apareceu com uma camiseta escrita “George Harrison”. Desde cedo, fãs dos Beatles se expremiam na grade. E por fãs dos Beatles entenda-se pessoas acima dos 50, raramente o perfil de quem enfrenta um dia inteiro debaixo do sol para aguardar um show.


N.A.S.A., “Watchadoin”

Se o começo foi calmo, a parte final da sexta-feira foi corrida. Do Franz Ferdinand direto pro N.A.S.A., já começado. Estava bem curioso pra saber que tipo de apresentação eles fariam. Fosse um mero live PA perigava ser meio xarope. Cada vez parece fazer menos sentido ficar olhando para um palco onde um sujeito faz coisas que você não pode ver.

A lição do Daft Punk e sua pirâmide parece ter sido assimilada em larga escala por artistas de música eletrônica, caminhando cada vez mais em direção de soluções visuais para suas apresentações, indo além de telões e apostando em cenários e até instalações.

Formado pelo brasileiro Zé Gonzales (ex-Planet Hemp) e Squeak E. Clean (irmão do cineasta Spike Jonze), o N.A.S.A. (North America South America) aterrisou no Coachella a bordo de uma nave retrô-tosco-futurista, acompanhado por duas dançarinas ETs, alguns monstros e um MC.

Funcionou. O set misturando músicas próprias e trechos de Daft Punk (olha eles aí de novo), Beni Benassi e hip hop levantou a tenda e fez a festa. Kanye West faria uma participação via telão, se o equipamento de transmissão não tivesse “falhado”. Tudo teatro.


Beirut, “Nantes”

O primeiro artista a realmente arrastar uma quantidade grande de fãs foi o Beirut. Nem bem soaram as primeiras notas de “Nantes” e o coro e aplausos começaram, se extendendo por todo show.

A delicadeza das músicas se repete ao vivo. Projeto solo de Zachary Condon, o Beirut se transformou numa banda sem perder o clima intimista dos discos. Baixo acústico, acordeon, metais, bateria e teclado servem as canções sem exageros, priorizando os arranjos aos solos.

Teve até gente gritando “Leãozinho”, do Caetano, música as vezes tocada pelo Beirut. Dessa vez não rolou, teria sido divertido. Foi um dos shows mais legais e bonitos do festival.


Instalações espalhadas pelo gramado

Na sequência, um pedaço do Ghostland Obervatory e do Girl Talk. O primeiro tava numa onda meio téquineira que desanimou e o segundo deu uma preguiiiiiça… A tenda estava lotada, bem animada, só que as colagens do Girl Talk começam a cansar.

Não sou fã dos discos dele, muito por conta da predileção aos samples de hip hop. Essa onda de mashup está começando se tornar um tanto formulática, com a sonoridade de todos os produtores se assemelhando bastante.

Pior que isso, a volta se aproxima dos 360 graus, chegando ao ponto de partida, com alguns desses mashups soando como remixes, utilzando acapelas sobre uma nova base. É hora de um passo a frente, em outra direção.

Ou isso ou então foi simplesmente falta de disposição pra dançar mesmo.


Paul McCartney, “Blackbird”

Chegada a hora do Paul McCartney o festival parou. Quase todo mundo foi em direção ao palco principal para conferir o beatle.

O começo foi meio estranho. Acompanhado por uma banda perfeitinha demais na execução, o show soava plástico, certinho além da conta. Os arranjos soavam comerciais, como se fosse um DVD genérico de “rock n roll”, bem chato.

Além disso, os integrantes da banda de apoio faziam caras e bocas dignas dos piores clichês do rock, o que era um tanto contrangedor. O sujeito toca com o Paul McCartney e quer aparecer? Sei não…

A apresentação, ainda bem, guardava momentos memoráveis.

Quando Paul tocava violão ou piano sozinho a atmosfera mudava completamente. Com as canções que o sujeito tem, realmente não precisa de quase nada pra soar fantástico. Menos é mais, costumam dizer por aí. E nesse caso, é mesmo.

Paul estava comunicativo, falando das músicas e até da sua vida pessoal como se não estivesse diante de uma multidão. O momento mais emotivo foi quando ele lembrou que naquela data faziam 11 anos da morte de Linda McCartney, antes de dedicar “My love does it good” para a ex-mulher.

John Lennon também foi homenageado com “Here Today”. George Harrison também foi lembrado quando Paul tocou “Something” em um ukulele presenteado pelo próprio, seguida por “I’ve got a feeling”. Obviamente, as músicas dos Beatles (”The Long and Winding Road”, “Blackbird”, “Eleanor Rigby”) causavam comoção.

Ver Paul ao piano, violão ou ukulele faz pensar porque um compositor desses prefere tocar o baixo em quase todas as músicas. Seria de pensar que Paul fosse ter preferência pelo violão, mais harmônico, no lugar de um instrumento melódico e comumente usado ritmicamente.

Eis que chegou a hora do erro. Lembra que falei das escolhas e dos riscos envolvidos? Pois bem, um julgamento mal feito me assombrará pelo resto da vida (ou até o próximo show do Paul — vai ter no Rio, andam dizendo).

Com quase duas horas de show, perto da meia-noite, horário limite dado pelas autoridades locais para o término das apresentações, cansado, resolvi começar a andar para o carro, pra fugir do tumulto da saída. Em 2007, após o Rage Against the Machine, levei quase duas horas só pra sair do estacionamento e chegar na estrada.

Sendo Estados Unidos, terra da organização (ah, como eu gosto…), era razoável pensar que o show estava pra terminar. Certo?

Não. Fui andando e escutando “Give Peace a Chance”, “Let it Be”, “Live and Let Die”, “Hey Jude”, o que animou a longa caminhada. “Raras vezes na vida pode-se procurar o carro pelo estacionamento com uma trilha dessas”, dizia para me consolar.

Até chegar ao carro ainda tocaria “Can’t Buy Me Love”, “Yesterday”, “Helter Skelter”, “Get Back” e “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”. Foi praticamente um show inteiro, que se estendeu até quase uma da manhã, e eu ouvindo tudo de longe.

Um erro imperdoável. De novo: IM-PER-DO-Á-VEL!

Menos mal que, por ter saído mais cedo, ainda consegui comprar uma da últimas cópias numeradas e assinadas do pôster especial feito por Shepard Fairey para comemorar o show do Beatle no Coachella. Custou 75 dólares e hoje, quatro dias depois, já vai passando de 200 dólares no eBay.

Toda vez que olhar para ele vou lembrar de uma das maiores lambanças da minha vida. Belo castigo. Literalmente.

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quarta-feira, 15 de abril, 2009

Aquecimento Coachella ‘09 25


Late of the Pier, “Heartbeat”


Friendly Fires, “Paris”


Paul McCartney, “Yesterday”

Fechando a tampa desse aquecimento Coachella 2009, três das bandas que mais quero ver.


Franz Ferdinand, “Ulysses” (ao vivo)

De brinde, o relato do Rodrigo sobre o show do Franz Ferdinand (que também toca no Coachella) em Seattle essa semana:

“O show em si continua seguindo a mesma estrutura do que a gente viu no Circo e na Fundição.  “You’re so Lucky” e “Take Me Out” no inicio, “Jackeline” reabrindo o bis, “Outsiders” com o pessoal espancando a bateria (mas com uma entrada mais eletrônica do que o normal) e “This Fire” fechando a tampa.  No meio disso tudo as novas entraram quase todas, com “No You Girls” bem no início, “Ulysses” fechando a primeira parte e “Lucid Dreams” no meio do bis.  Agora, aquela coisa eletrônica no meio da “Lucid Dreams” que eu ficava pensando como seria no show… Bem, foi melhor que no álbum, com os caras trocando de posição, baterista vindo pra platéia, Alex Kapranos assumindo as baquetas, enfim, uma sonzera boa com um telão no fundo bem psicodélico pra dar o tom.”

Partiu Califórnia! Tentarei atualizar de lá, sem promessas.

Postado por Bruno Natal às 15:18 | 4 Comentários | Permalink

sexta-feira, 6 de março, 2009

Aquecimento Coachella ‘09 09


Gui Boratto, “Beautiful Life”


Franz Ferdinand, “Ulysses”

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quarta-feira, 18 de fevereiro, 2009

Franz Ferdinand inna dub style

Finalmente apareceu o “Blood: Tonight”, a aguardada versão dub do terceiro disco do Franz Ferdinand, “Tonight”. As mixagens são assinadas por Mr. Dan, segundo informa o Discogs.

Trata-se do pseudônimo do produtor do disco oficial, que em seu Myspace declara o dub como grande influência e traz fotos dele trabalhando com Lee Perry e Robbie Shakespeare (metade do Sly & Robbie). Mesmo assim, algo não saiu como esperado.

A prometida influência do reggae foi substituída pelo significado dub como é conhecido no universo da house music, um remix com menos vocais. Antes mesmo de ouvir, a curta duração das faixas já dava a dica de que alguma coisa estava fora do lugar.

Apesar de uns delays aqui, ecos acolá, de pegada dub, dub mesmo, só tem duas, “Backward on my face” (Twilight Omens dub version) e “Feel the envy” (”Send Him Away” dub version).

1 - “Feel the Pressure” (”What She Came For” dub version) – 3:28
2 - “Die on the Floor” (”Can’t Stop Feeling” dub version) – 6:35
3 - “The Vaguest of Feeling” (”Live Alone” dub version) – 3:50
4 - “If I Can’t Have You Then Nobody Can” (”Turn It On” dub version) – 3:54
5 - “Katherine Hit Me” (”No You Girls” dub version) – 3:43
6 - “Backwards on My Face” (Twilight Omens dub version) – 3:48
7 - “Feeling Kind of Anxious” (”Ulysses” dub version) – 6:31
8 - “Feel the Envy” (”Send Him Away” dub version) – 3:32

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sexta-feira, 23 de janeiro, 2009

+remix 04


foto: URBe

Hot Chip - “Transmission” (Joy Division)

Franz Ferdinand - “Ulysses” (Beyond The Wizard’s Sleeve Remix)

David Bowie - Rebel Rebel (Soulwax Re-Edit)

Bloc Party - Where is home (Burial remix)

* no blogue Le Blog du Baron tem uma coletânea de remixes do Bloc Party, separadas por álbuns, feitos por MSTRKRFT, CSS, Phones e vários outros.

Postado por Bruno Natal às 15:02 | Sem comentários | Permalink

quarta-feira, 21 de janeiro, 2009

Franz


Franz Ferdinand, “Ulysses” na Rough Trade East

O Franz Ferdinand tocou na Rough Trade East na segunda passada e, como sempre, tinha brasileiro na parada. O sujeito comentou com eles que eles deveriam ir ao Brasil, mencionando o antológico show do Circo Voador, no Rio. Cordial, a banda disse que “definitivamente” tem que voltar:

Postado por Bruno Natal às 11:25 | Sem comentários | Permalink

segunda-feira, 19 de janeiro, 2009

Saudades de Londres - mesmo!

Chegou o e-mail avisando do show “surpresa” do Franz Ferdinand na Rough Trade East, para o lançamento do compacto de “Ulysses”. É hoje, grátis — e eu, certamente estaria lá.

Postado por Bruno Natal às 9:27 | 1 Comentário | Permalink

domingo, 11 de janeiro, 2009

“Tonight: Franz Ferdinand”

Franz Ferdinand - “Tonight: Franz Ferdinand”.

A tal de “Lucid dreams” e seus quase oito minutos de duração é uma PANCADA. Pode botar desde já na lista de melhores músicas de 2009.

Só falta vazar a versão dub do disco.

Via Tecla Music > In New Music We Trust.

Postado por Bruno Natal às 22:21 | Sem comentários | Permalink

segunda-feira, 5 de janeiro, 2009

+remix 02


foto: Word Freak

MGMT (em versão chapadex) - “Electric Feel” (Aeroplane Remix)

Franz Ferdinand - “Ulysses” (Beyond The Wizard’s Sleeve Re-Animation)

Chemical Brothers - “Battle Scars” (Beyond The Wizards Sleeve Mix)

Todos pescados no Schitz Popinov.

Postado por Bruno Natal às 13:39 | Sem comentários | Permalink

quinta-feira, 18 de dezembro, 2008

Dub sangrento

Prestes a lançar seu terceiro disco, “Tonight”, o Franz Ferdinand fala em uma forte influência do dub na produção da bolacha, com linhas de baixo e bateria inspiradas na dupla Sly & Robbie e muitos efeitos.

Deve ser resultado da temporada filmando com Don Letts, que acompanhou a banda em sua primeira viagem a América do Sul para realizar o documentário “Rock it to Rio”.

Não bastasse isso, será lançada uma versão dub do disco, chamada “Blood: Tonight”, nomezinho fazendo referência escancarada a série de discos do Scientist.

Postado por Bruno Natal às 9:32 | 3 Comentários | Permalink

terça-feira, 4 de novembro, 2008

Lykke remix


Lykke Li - “I’m good, I’m gone” (Black Kids remix)


Lykke Li - “I’m good, I’m gone” (Metronomy Remix)


Lykke Li - “Little bit” (CSS remix)

BÔNUS


Franz Ferdinand - “Do you want to” (Metronomy remix)

Postado por Bruno Natal às 12:07 | Sem comentários | Permalink

terça-feira, 14 de outubro, 2008

Artistas

Integrantes de várias bandas foram convidados para colaborar no livro “Bands on the Road: The Tour Sketchbook”.  Abaixo, Belle & Sebastian, Racounteurs e Franz Ferdinand desenham seus lugares memoráveis.


Chris Geddes, Belle & Sebastian: “DJ night in Glasgow”


Brendan Benson, The Raconteurs: “Amsterdam”


Bob Hardy, Franz Ferdinand: “My parents house”

Postado por Bruno Natal às 13:21 | Sem comentários | Permalink

sexta-feira, 22 de agosto, 2008

Franz

Para quem está desesperado atrás de informações sobre o aguardado terceiro disco do Franz Ferdinand, o jornal Guardian organizou uma lista com links para vídeos e trechos de todas músicas que vazaram até agora.

Postado por Bruno Natal às 12:15 | Sem comentários | Permalink

terça-feira, 2 de maio, 2006

Coachella 2006

Coachella 2006 Daft Punk.jpg
Daft Punk

Você tem certeza de que uma viagem vai ser boa quando as coisas se encaixam sem muito esforço. A ida para Los Angeles, para conferir o Coachella Music & Arts Festival , foi premiada logo na chegada ao aeroporto.

No desembarque, um sujeito com pinta de rapper passou carregando uma bolsa de laptop com o logotipo do Ozomatli bordado na frente. Como não se vê esse logo toda hora, mesmo em Los Angeles, fui perguntar. Não deu outra, era Jabu, MC que substituiu Chali 2na (hoje no Jurassic 5) , seguido pelos outros integrantes.

Não bastasse a saraivada de shows que viriam no sábado e domingo, uma das bandas latinas mais bacanas de todos os tempos (top 5 na minha lista pessoal de shows mais desejados) tocava em Los Angeles na sexta-feira que antecedia o festival. Contando com a simpatia gratuita que a palavra “brazilian” desperta no exterior, conseguir ingressos foi moleza.


Ozomatli: “Cumbia de los muertos”

Não era um show comum. O grupo se apresentou na Hollywood Race Track, pista de corridas de cavalos em Inglewood, servindo de entretenimento entre um páreo e outro. Na platéia, praticamente apenas mexicanos e decedentes e um ou outro curioso cansado de perder dinheiro apostando em pangarés.

O despojamento da situação somado ao público receptivo garantiu um show especial, relaxado, com clima de apresentação para amigos. Com naipe de metais, DJ, MCs, baixo, bateria, guitarra e percussão e dois vocalistas, o Ozomatli enche qualquer palco e a mistura de hip hop, cumbia, salsa, dub, rock e letras em spanglish serviu para aliviar a tensão da manifestação hispânica (com adesão dos brasileiros e chineses) que viria no dia 1 de maio, o “Dia sem imigrantes”.

Comandado pelos cantores Asdrubal Sierra e Raul Pacheco, o Ozomatli tocou músicas de seus três discos, indo de “Cumbia de los muertos” até a balada “Cuando canto mi canción”, sem esquecer de “Como ves”, “Saturday night”, “Street signs”, fechando a fiesta com a incendiária “La misma canción” e o palco cheio de crianças brincado de percussionistas.

Antes mesmo de chegar a Indio (cidade onde acontece o Coachella) e um show pra coleção de favoritos. A viagem prometia.

Coachella, primeiro dia

Coachella 2006 entrada.jpg
Entrada

O cenário do Coachella, que esse ano reuniu 97 nomes em dois dias de show, é o belo gramado de um campo de pólo, cercado por montanhas e pelo deserto da região de Palm Springs. As atrações se dividem entre dois palcos (Coachella e Outdoor stage) e três tendas (Gobi, Mojave e Sahara), além de outros espaços com programação feita por rádios e revistas locais. A quantidade de gente que invade a cidade no final de semana do festival é grande, cerca de 60 mil por dia.

Após um leve engarrafamento no estacionamento e de uma fila na entrada, deu tempo de pegar o finalzinho do The Walkmen (com uma música com metais bem legal) e correr para pegar também a rainha do grime, Lady Sovereign. Talvez pela semelhança com o hip hop, a inglesa agradou o público, arrancando gritos com “Public warning” e pedidos de bis.

Com destaque para a saxofonista e segunda vocalista da banda, o Zutons misturou músicas dos dois discos. O vocalista, também muito carismático, segurou bem a platéia e o calor (eles tocaram debaixo de um sol violento). Ao vivo, a banda cresce muito, até dub teve. “Valerie” foi a música mais cantada.

Uma boa surpresa foi o My Morning Jacket. Bom do início ao fim, principalmente quando tocaram “Wordless chorus”. Eles vão abrir a turnê do Pearl Jam nos EUA, o que pode ajudar o MMJ, que está em seu quarto disco, a deslanchar.

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Wolfmother

Até então os shows não eram dos mais disputados e estavam fáceis de ver. Isso mudou quando foi hora de assistir o Wolfmother, numa das tendas. O show serviu pra explicitar um dos poucos problemas do festival.

Apesar de aproximarem público e artistas, num evento para 60 mil pessoas as tendas lotam rápido e bastante gente não consegue entrar. Quem fica longe não vê muito bem, não apenas porque a estrutura das tendas bloqueia a visão, mas também porque os palcos são baixos (poderiam ter ao menos 1,5 metro a mais de altura para facilitar a vida de quem está mais atrás).

Influenciados por Black Sabbath, Led Zeppelin, Mars Volta por stoner rock, o trio australiano fez uma apresentação visceral. A voz do vocalista e guitarrista Andrew Stockdale lembra Ozzy Osbourne e Jack White (Stripes) e a mão pesada do rapaz arranca riffs secos e poderosos.

O toque de psicodelia fica a cargo do baixista e tecladista Chris Ross. É ele quem controla os efeitos através de pedais preso em cima do seu teclado, distorcendo, prolongando e alterando os riffs de Stockdale, garantindo que o som da banda não seja apenas um pastiche do rock setentista. A eletrônica está lá, ainda que discreta.

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Clap your hands say yeah

Saíram os australianos, veio o combo nova-iorquino Clap Your Hands Say Yeah. Com meros dois minutos de atraso, o CYHSY ouvia palmas ansiosas. Com cinco, quando entrou no palco, ensaiavam-se as primeiras vaias. Num festival com tantas atrações, cada minuto é precioso e, por isso, o público não tolera demora.

Bastou o show começar para a turma esquecer da espera. Bom exemplo da moda que se tornou ouvir música nesses tempos pós-MP3 e iPod, o CYHSY cresceu através da internet, sem divulgação na grande mídia e conta com público fiel. Difícil dizer o que vai ser dessas bandas quando não for mais tão bacana saber qual a última novidade vinda dos porões de qualquer lugar.

A sonoridade do Clap Your Hands é interessante. Chata mesmo é a voz do cantor Alec Ounsworth, desafinado além do ponto do que pode ser considerado um estilo. Pelo menos em uma das músicas, “Is this love?”, Alec consegue controlar os defeitos de sua voz e faz parecer uma estranheza pensada. Pena que seja só nessa.

Às 17h45, no palco principal, Kanye West foi o primeiro peixe fora do áquario independente a dar as caras no festival. Seu disco mais recente, “Late registration”, faturou um Grammy e vendeu, até agora, 2,5 milhões de cópias. Com um sucesso comercial totalmente fora do padrão do resto da escalação, teve gente temendo que recepção ele teria.

Vestindo uma camiseta com uma foto de Miles Davis e pedindo para o público colocar os “diamonds in the sky” (diamantes no céu) — com um gesto juntando a ponta dos indicadores e dos polegares, lembrando outra coisa — Kanye não demorou nem meia música pra ganhar a platéia.

Acompanhado por bons músicos, incluindo cordas e cantores de apoio, reproduziu-se ao vivo os samples e programções dos seus discos. Antes de cantar o hit “Gold digger”, o rapper brincou, dizendo que o “Grammy está errado, essa é a melhor música do ano”, em referência ao título perdido em 2005 para “Boulevard of broken dreams”, do Green Day.

Como na versão radiofônica, que lima palavrões e insultos, Kanye substituiu o “nigger” (palavra agressiva usada para se referir aos negros) do refrão “she ain’t messing with no broke nigger” por um segundo “broke”. Sem perder a oportunidade de dar uma zoada num público majoritatiamente branco, o cantor mudou de idéia no meio da música e resolvou falar a letra sem censura, avisando: “brancos, essa é a sua chance de falar nigger“!

Depois de cantar “All falls down”, Kanye pediu ao DJ A-Trak para colocar algumas músicas que ele ouvia em casa, na adolescência. Vieram “Let’s stay together” (Al Green), “Rock with you” (Michael Jackson) e, acreditem, “Take on me”, do A-Ha (”isso não é uma piada, gosto mesmo dessa música”, fez questão de dizer), enquanto Kanye dançava como se estivesse sozinho em seu quarto.

Guardando o melhor pro final, a última música foi “Touch the sky”, feita em cima de um sample matador de “Move on up”, do Curtis Mayfield. Nem precisava, o jogo já estava ganho.

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TV on the Radio

Correndo de um lado pro outro, ainda deu tempo de ver um pouco do TV on the Radio, antes de voar de volta para o palco principal atrás do Sigur Rós. Com várias pessoas assistindo o show deitadas no gramado, os islandeses coroaram o final de tarde com músicas do “( )” e “Takk”, em versões um pouco mais barulhentas e pesadas do que as dos discos.

A noite, Cat Power fez um bom show. Com aquela voz, fazendo passinhos de dança e acompanhada de 14 músicos (a Memphis Rythm Band) no palco, tinha sopro, cordas, vocais de apoio, enfim, completo. Cat focou mais músicas do seu último disco, “The greatest”, abrindo com a faixa título, mas também executando outras de discos anteriores.

O Franz Ferdinand enfrentou uma multidão disposto a mostrar que pode ir além dos 15 downloads de fama tão habituais hoje em dia. No entanto, depois do que foi o show no Rio, não tinha nem graça ver de novo. A melhor opção era conferir a metade final da apresentação de Damian “Jr. Gong” Marley.

Exagerando nas homenagens ao pai, Damian carimbou “Exodus” e “Could you be loved”, praticamente na sequência. Logo ele que, ao contrário dos irmãos, resolveu seguir uma linha de reggae atual, um dancehall com o pé fincado no roots and culture e uma boa dupla de baixo e bateria pra manter a casa em pé. Ainda bem que ele encontrou um espaço para mandar “Road to Zion” e a crássica “Welcome to Jamrock”.

Da Jamaica pra Áustria, sem perder o eco, o Tosca estava programado pra tocar as 22h15. Horário perigosíssimo, perto demais da principal atração da noite, Daft Punk. O resultado é que, como aconteceu com outros nomes, só daria pra ver o começo do show do projeto de Richard Dorfmeister.

A situação ficou mais grave com a demora pra começar o show. Quando começou, o pianista e segunda metade do Tosca, Rupert Huber, resolveu fazer uma introdução de uns 10 minutos no Fender Rhodes, espantando quem queria ao menos ter um visto um pouco do show. Quem não ficou até o final, teve que se contentar com a passagem de som, com o MC cantando “The model”, do Kraftwerk, sem parar.

O Depeche Mode também tocou nesse horário, tendo como garantia hits como “Walking in my shoe”, “Personnal Jesus”, “Enjoy the silence”, “Behind the wheel” e “Stripped”, além de faixas do disco novo e seis telões caprichados.

Quem se deu bem foi a dupla Audio Bullys, atração anterior ao Daft Punk e que, com isso, acabou tocando pra uma grande quantidade de pessoas, a maioria apenas aguardando os franceses.

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Daft Punk e a pirâmide

Há seis anos sem tocar e fazendo a estréia de sua turnê mundial (de apenas oito shows), o Daft Punk encerrou a noite e atraiu todas as atenções.

Um pano preto escondia o palco até o início do set. Quando a cortina caiu, viu-se a dupla dentro de uma pirâmide negra, vestido com as roupas de robô e começando a um zilhão por hora, com “Robot rock”. As pessoas gritavam sem parar, sem nem ter ouvido nada, só pela alegria da cena. O painel de led atrás dos dois piscava.

Apenas os sucessos da dupla seriam suficientes pra garantir uma noite de diversão. Mas eles queriam mais. A pirâmide era a grande surpresa.

Três músicas depois do início, quando todos estavam satisfeitos com o que viam, a pirâmide acendeu pela primeira vez. Ficou branca. Depois azul. Daí em diante, música a música, o triângulo negro (coberto de telas de plama) e a estrutura metálica que o emoldurava iam ganhando algo a mais, cores, movimentos. A cada vez que algo novo acontecia, a platéia urrava.

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Robô

Fazendo mash ups deles mesmos, o Daft Punk não negou nada. Teve “Around the world” em cima da base de “Harder, better, faster, stronger”, “Da funk” (essa e qualquer outra com uma pegada hip hop acertavam em cheio os americanos), “Technologic” e uma explosão coletiva com “One more time” misturada à “Aerodynamic”, como no remix que eles próprios fizeram para o disco “Daft Club”.

No final, após “Human after all”, os robôs fizeram jus ao nome da música, se renderam e bateram palmas pro público. Enquanto a pirâmide não se apagou, ninguém parou de berrar ou deixou a tenda, esperando a dupla pra um repeteco que, infelizmente, não houve.

Um show de música eletrônica perfeito, tanto visualmente quanto musicalmente, rivalizando com o Kraftwerk — e provavelmente ganhando — o título de melhor apresentação da praça. Sem essa de “precursores”, “sem um não teria o outro”, blá, blá, blá. Se as coisas fossem assim, nada andava pra frente.

E evolução, bem, esse não é exatamente um problema para o Daft Punk.

Coachella, segundo dia

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Coachella

Mal deu tempo de dormir. O segundo e último dia do Coachella Music and Arts Festival, ainda mais quente que o anterior, começou com o funk latino dos venezuelanos Los Amigos Invisibles. Bandeiras da terra de Hugo Chávez pipocavam na platéia. De lá para a apresentação de Amadou & Mariam, dupla de Mali que mistura ritmos africanos, blues, afrobeat e violões e que fez um bom show por aqui, no Rock in Rio 3, em 2001.

No palco principal, a banda-de-menina Magic Numbers fez um bom show, servindo de trilha sonora para um espreguiçada debaixo do sol, vendo as bolinhas de sabão passar no céu. Fazendo seu último show antes de entrar em estúdio para gravar o próximo disco, o grupo aproveitou pra mostrar duas músicas novas.

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Público

Enquanto isso, músicos promoviam sessões de autógrafo na Virgin. Passaram por lá Matisyahu, She Wants Revenge e Seu jorge, entre outros. A interação com o público, no entanto, é limitada. Um atendente pega o disco (ou DVD, ou poster) das mãos do fã e entrega pro artista. Não há contato algum.

A loja de discos é um ponto de encontro, vendendo títulos de todos artistas do evento por, em média, apenas 10 dólares, bem mais barato que as camisetas, que chegavam a custar US$ 30. Não é fácil resistir a tentação. Lembrar que uma garrafa d’água custa 2 dólares e uma boa refeição vegetariana chega aos US$ 9 ajuda bastante.

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Carrossel

Pelo menos passear pelas lojinhas de bugingangas (uma sombrinha em estilo japonês fez sucessos entre as meninas), estandes de revistas e andar nos brinquedos era de graça. Também, pudera, o carrossel era formado por biciletas e só girava se todos pedalassem! Tinha também roda-gigante em miniatura funcionando no mesmo esquema.

A organização impressiona, sobretudo pela qualidade do som em todos os palcos. Boa parte do mérito do festival, entretanto, é o astral dos frequentadores. Americanos (lógico), mexicanos (óbvio), espanhóis, cubanos, ingleses, convivendo num clima ótimo. Pessoas bem educadas, muitos “por favor”, “desculpe” e “obrigado”, palavrinhas bobas, pequenas, mas que podem fazer toda a diferença quando 60 mil pessoas estão reunidas no mesmo lugar.

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Matisyahu

No meio da tarde, o reggae man judeu Matisyahu foi um dos primeiros a arrastar uma boa quantidade de gente para o palco principal. Ao contrário do disco, em que baixo e bateria ficam bem à frente, ao vivo a guitarra é muito alta. O rock, o hip hop, beat box e vocalizes predominam sobre o reggae, levando o som mais pro lado do Sublime do que do Sizzla. Bom, mesmo assim, embora diferente do que se esperava a julgar pelas gravações.

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Bloc Party

Pelo horário, 18h, dava impressão de que a ordem do Bloc Party e do The Go! Team na escalação havia sido invertida. Mesmo sendo mais conhecido, o BP tocou mais cedo que o TG!T, que só entrou às 21h40. Após o show das duas bandas, ficou provado que a ordem estava correta.

Um belo pôr-do-sol serviu de fundo para o show do Bloc Party, enquanto o vocalista Kele Okereke reclamou do calor (”dá pra fritar um ovo aqui no palco”, disse) e agradeceu ao público a disposição de ficar debaixo do maçarico pra conferir a banda.

Ainda que tenha faltado pressão no som — não ficou claro se por culpa da banda ou dos equipamentos — e a guitarra estivesse baixa, o Bloc Party foi bem, muito por conta da presença de palco de Kele. “Banquet” e”She’s hearing voices” continuam funcionando e a boa notícia é que aparentemente a banda finalmente começa a se coçar pra gravar outro disco e chegaram a mostrar uma das músicas novas.

A disputa por um bom lugar para assistir a Madonna obrigou quem quisesse assistir a estréia da Confessions Tour a sacrificar vários shows. Entre as vítimas estavam Yeah Yeah Yeahs, Mogwai e Digable Planets (e também Seu Jorge e Editors). Pior mesmo foi ter que aturar a farofada do Paul Oakenfold antes dela.

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Madonna: telão

Em seu primeira apresentação em um festival, a rainha do pop ofereceu apenas um aperitivo da turnê que está por vir. Foram poucas músicas, abrindo com “Hung up”. Teve ainda “Everybody”, “Get together”, “Ray of light” e “I love New York”, deixando de fora a atual música de trabalho, “Sorry”.

Mestre em dominar as massas, Madonna conversou com o público (”does my ass look ok?” ["minha bunda tá legal?], perguntou), tocou guitarra, dançou com seus bailarinos, tirou a roupa e fez a festa da multidão. Era gente a perder de vista, muito, muito além da capacidade de 8 mil pessoas da tenda. A cantora saiu do palco sem dar tchau ou agradecer. Quem quiser mais, só pagando os US$ 300 do ingresso mais barato da turnê.

No caminho para conferir o The Go! Team, uma parada estratégica para escutar um pouco do Coldcut, sacudindo a tenda com drum ‘n’ bass, jungle, vídeos bem sacados no telão e protestos contra Bush e Tony Blair. No palco principal, o Massive Attack, acompanhado de Horace Andy, chapava os ouvintes.

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The Go! Team

O The Go! Team surpreendeu. Se transpor para o palco um disco repleto de samples e colagens não é tarefa fácil, mais difícil ainda é conseguir animar um público já cansado de horas e mais horas de show. Pois o TG!T conseguiu. Agitados e carismáticos, o grupo conquistou o público com “Ladyflash”, “Phanter dash” e “Everyone’s a VIP to someone”.

A banda é formada por brancos, negros, japoneses e cada integrante desempenha múltiplas funções, todos fazem um pouco de tudo. Seguindo a filosofia da internet, ferramenta de divulgação de quase todos os novos nomes atualmente, o trabalho coletivo é quase um pré-requisito numa banda atualmente, e o The Go! Team não é diferente.

Fechando a tampa, às 23h de domingo (um dia antes do lançamento do novo disco, “10,000 days”), o Tool voltou aos palcos, após muitos anos. A banda conta com uma legião de fãs na California, de todas as idades e incluindo muitas mulheres, coisa rara nesse estilo de som.

Os comentários sarcásticos do vocalista Maynard James Keenan destoavam do clima soturno do Tool. Brincando, saudou a platéia com um “e aí, hippies!” e fez comentários como “espero que vocês tenham conseguido desfrutar a área VIP. Claro que conseguiram, isso é Los Angeles, todo mundo é VIP”.

A pouca luz do palco, iluminado praticamente apenas por lâmpadas azuis, destaca o visual dos telões e seus vídeos sombrios. É praticamente tudo que se pode ver do show, Keenan fica o tempo todo no fundo, escondido perto da bateria. Boa ambientação para as viagens de “The patient”, “Laterallus” ou “Sober”.

Postado por Bruno Natal às 14:29 | 1 Comentário | Permalink




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