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Melhores shows 2008

Como passei o ano fora, é uma seleção solitária, de shows que assisti longe de casa, portanto sem muita conexão com o que rolou por aqui. Foi tanta coisa boa que não deu pra encurtar a lista muito não. Em nenhuma ordem específica, segue a lista:

Radiohead (Victoria Park, Londres)

O show é muito simples e é justamente aí que está o truque. Das timbragens dos intrumentos a execução das canções — mesmo com as constantes mudanças de formação de palco, indo de guitarras, piano, baixo, bateria e programação para voz e violão de uma música para outra — não tem firula.

Vampire Weekend (Electric Ballroom, Londres)

“Bem mais pesados ao vivo do que em disco, o segredo do sucesso da banda talvez resida justamente em saber dosar as influências africanas.”

Late of the Pier (BarFly, Londres)

“O LOTP não parecia cansado do péssimo show da noite anterior, em Birmingham, como contou o baixista Andrew Faley. Elétricos e derretendo no palco, talvez movidos a MDMA, o quarteto fez a mesma bagunça que vem fazendo, misturando rock, metal, eletrônica, psicodelia e histeria adolescente.”

Friendly Fires (KCLSU,Londres)

“Vendo a banda em seu ambiente, tocando para o seu público, algo que havia passado despercebido nas outras apresentações ficou claro: a presença de palco expansiva do vocalista Ed MacFarlane. Como um Mick Jagger nerd, Ed rebola na frente do palco na abertura, com “Photobooth”, se requebra e faz caras para as meninas, que gritam de alegria.”

Stevie Wonder (O2 Arena, Londres)

“O show ia morno, correto, alternando uma música “esquenta o sovaco” com uma “mela cueca” — técnica preferida do grande Tim Maia, como bem lembrou um amigo. Até que no final, uma fila de hits, colados um no outro, mudou tudo. “Overjoyed”, “Signed, sealed, delivered, I’m yours”, “My cherie amour”, “You are the sunshine of my life”, “I just called to say I love you”, “Isn’t she lovely” e a infalível “Superstition” fizeram valer cada centavo.”

Casiokids (Hoxton Grill, Londres)

“Nem vale a pena tentar definir o som do Casiokids. Tem referências bem diversas, de música africana a eletrônica maximalista. A galera no palco e a quantidade de teclados lembra o Hot Chip; a pegada alucinada de pista o Soulwax; os ruídos eletrônicos o Late of the Pier; o teatro de sombras, as cabeças de papel machê e o monstro vermelho que invade a platéia, o Flaming Lips.”

Lykke Li (ICA, Londres)

“Imagine o susto que a M.I.A. tomaria se um dia acordasse presa no corpo da Britney aos 14 anos, de calcinha e com uma vontade incontrolável de se tornar um chanteuse. Taí uma possível descrição da Lykke Li.”

Kings of Leon (Brixton Academy, Londres)

“Sem se repetir e com coragem de experimentar, o mais interessante de acompanhar o KoL é que trata-se de uma das poucas bandas dessa geração que vem constantemente melhorando, seja em disco ou ao vivo.”

Bloc Party (Circo Voador, Rio)

“Contrariando todas as expectativas, o Bloc Party fez um show avassalador nessa segunda a noite, no Circo Voador. Já tinha visto uma vez, em 2006 no Coachella, e tinha achado frouxo. Quem viu em São Paulo nesse finde também comentou que foi morno. No Circo Voador não. O negócio foi sério.”

Cidadão Instigado (Jockey Club, Rio)

“Um dos mais talentosos compositores de sua geração, Fernando Catatau e seu Cidadão Instigado chaparam a tenda do Claro Cine com sua psicodelia, a base de Jovem Guarda, Santana, guitarrada, bagaceiras eletrônicas e letras insanas.”

Sigur Rós (Rock Werchter, Bélgica)

“Com um dos cenários mais bonitos do festival e chuva de papel picado no encerramento contra um céu rosado pelo pôr-do-sol, os islandeses domaram a platéia, conseguindo silêncio geral.”

Justice (Astoria, Londres)

“Fechando a noite no Astoria, o Justice sentou a mamona, no que deve ter sido uma de suas aparições mais, hmm…, metálicas. Podreira pura. Tanta, que em muitos momentos só dava pra se defender da chuva de cotovelos. Seria bom se tivesse sido um pouco mais dançante.”

Soulwax Nite Versions (Rock Werchter, Bélgica)

“Emendando “Gravity’s rainbow” (Klaxons), “NY Excuse” (deles mesmo, explodindo a tenda), “Robot Rock” (Daft Punk) e “Phantom Pt. II” (Justice) fizeram uma das apresentações mais legais da música eletrônica recente (tem notado como os live PAs andam sem graça? ou é comigo?).”

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Forma amigável

E “On board”, do Friendly Fires, na propaganda do Wii Fit?

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Na amizade


O finalzinho de “Your love” (versão da música de
Frankie Knuckles que não entrou no disco), com o
URBe TV: vocalista no meio da platéia, seguida por “Skeleton boy”

Ficou faltando o vídeo do show de saideira de Londres, dos gente boas do Friendly Fires, no Kings College (KCLSU).

Dos quatro que vi, esse foi o primeiro em que a banda era a atração principal, donos da noite. Os outros três foram na festa da revista Vice (antes do Black Kids), no NME Awards (antes do Simian Mobile Disco) e na Pure Groove (um show pequeno, de lançamento do disco, numa loja).

Vendo a banda em seu ambiente, tocando para o seu público, algo que havia passado despercebido nas outras apresentações ficou claro: a presença de palco expansiva do vocalista Ed MacFarlane. Como um Mick Jagger nerd, Ed rebola na frente do palco na abertura, com “Photobooth”, se requebra e faz caras para as meninas, que gritam de alegria.

É como se estivesse apenas esperando a banda crescer o suficiente e lotar arenas para sua postura fazer sentido. A julgar pela chuva de boas resenhas e potencial pop do disco de estréia, o Friendly Fires pode chegar lá.

Como sempre, os integrantes e empresários pedem pelo amor de Deus que alguém os leve ao Brasil. E se você acha que é papo pra agradar, dá uma olhada no encerramento do show, com “Jump in the pool”, igualzinho ao que fizeram no Reading Festival.


“Jump in the pool”

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De Dublin

Logo mais vejo o Jape, abrindo pro Friendly Fires, show de saideira antes da volta (a despedida ideal seria com um do Late of The Pier). Nunca tinha ouvido falar, conferi o que tinha no MySpace e soou legal. Conto depois se segura ao vivo.

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Simpatia


Friendly Fires, “Ex Lover”

Divulgando o disco de estréia, o Friendly Fires (já entrevistado aqui no URBe) fez um show na loja Pure Groove, em Londres.

Após a apresentação, os integrantes contaram sobre a apresentação no Reading Festival, em que contrataram percussionistas brasileiros para tocar com eles em “Jump in the pool” e falaram um por um, inclusive o empresário, que estão desesperados pra tocar no Brasil.

O show foi cedo, deixando tempo suficiente para correr para o Koko e conferir a Santogold.

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FF

Cai na rede a belezura de estréia do Friendly Fires, simplesmente intitulada “Friendly Fires” e lançada pela bacanuda XL Recordings (não por acaso a gravadora escolhida pelo Radiohead para lançar a cópia física de “In rainbowns”).

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G1, 18/Fev/2008

A íntegra da entrevista em vídeo que fiz com o Friendly Fires foi publicada no G1.

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Friendly Fires tenta confirmar burburinho em torno da banda

G1 entrevista novo nome da cena londrina
Grupo é comparado a Rapture e a LCD Soundsystem

Desde que lançaram, no ano passado, o compacto com “Paris”, faixa com influência de pós-punk, tecladinho viajante e um refrão que não sai da cabeça, o Friendly Fires vem sendo apontado como a próxima grande banda da Inglaterra.

Vá lá que em Londres surge, em média, ao menos uma grande banda por semana. Ainda assim, o Friendly Fires parece estar acima da média.

Logo depois de um show gratuito – patrocinado por uma revista e uma loja de roupas – no 93 Ft. East (mesmo lugar onde o Radiohead tocou também de graça em janeiro), o trio topou se espremer no banheiro do camarim para uma entrevista. Era o único lugar disponível para gravar o papo sem intereferência dos sons do show do Black Kids.

Ed MacFarlane (vocal e guitarra), Edd Gibson (guitarra), Jack Savidge (bateria) falam sobre ser a banda da vez, tocar de graça e uma possível visita ao Brasil.

G1 – Como a banda está indo? Vocês têm recebido bastante atenção. Já tocaram no exterior?
Ed MacFarlane –
Tocamos na Europa e tem sido ótimo. Ainda não nos aventuramos nos EUA, mas estamos empolgados para fazer isso.
Edd Gibson – Estamos apostando no sonho de dar a volta ao mundo.

G1 – Está dando certo?
Gibson –
Sim, em 2008 estaremos na sua região.
Jack Savidge – Ou então em 2009.
MacFarlane – Provavelmente será em 2009!
Edd Gibson – Enviem suas doações e nós vamos economizar para comprar a passagem de avião.
Savidge – Nós ainda vamos existir.

G1 – Toda semana aparece uma nova banda da vez e vocês, aparentemente, são a próxima da fila. Como vocês lidam com isso?
Gibson – Hoje é quarta, estamos aproveitando ao máximo. Tivemos dois dias de fama total, ainda temos mais quatro!

G1 – Como isso pode afetar uma carreira? Boas bandas podem ser obrigadas a ceder a vez para uma próxima.
Ed MacFarlane – Tudo se resume a canções. Se você tiver boas canções, que ficam na cabeça das pessoas…
Savidge – Você vai levando. Uma hora você está por cima, outra está por baixo e eventualmente as coisas se acertam.
Gibson – Nós acabamos de começar, não vamos parar agora.

G1 – Há quanto tempo vocês estão juntos?
Gibson – Cerca de um ano [risos].
MacFarlane – Nós tocamos juntos desde que temos 13, 14 anos, mas montamos a banda há um ano… (pausa) Realmente está com cheiro de xixi aqui, não está?
Gibson – Sim, está!

Savidge – Nós formamos o Friendly Fires há um ano e meio, mas nos conhecemos e tocamos juntos há uns seis ou sete anos.

G1 – O show de hoje foi gratuito. Primeiro foram os downloads de graça, depois, há cerca de um mês, o Radiohead fez um show grátis nesse mesmo lugar e agora vocês estão aqui também tocando de graça. Aposto que vocês estão sendo pagos por alguém, mas o público entrou sem pagar. A música está perdendo valor, ao ponto que até os shows terão que ser gratuitos?

Savidge – Acho que o dinheiro está perdendo valor, está saindo de moda. A gratuidade vai tomar conta de tudo.
MacFarlane – Essa noite, por exemplo. Se uma grande companhia quer fazer um evento, ela vai pagar bandas para tocarem. E bandas querem dinheiro, não dá pra sobreviver sem.
Savidge – Bandas precisam de dinheiro!
MacFarlane – Exato. Nós estamos…
Gibson – No vermelho, basicamente.
MacFarlane – É deprimente, mas você tem que se virar com o que aparece.
Savidge – Não é tão deprimente assim [risos].

G1 – Vocês acham que o público está ficando mal acostumado? Eles só vão querer o que for de graça?
Savidge –
O público londrino está ficando mal acostumado. Os londrinos precisam…
Gibson – … apreciar o que têm. Talvez todos os shows deveriam ser banidos em Londres por um tempo, assim as pessoas apreciariam mais o que tocar na cidade. Há tantos lugares em que bandas raramente vão que, quando qualquer evento aparece, eles acham fantástico. É melhor ir para lugares onde as pessoas não são tão mal acostumadas. Se você for para mais longe, encontrar um público que dá mais valor.
MacFarlane – Os londrinos são mimados, é assim que as coisas são.

G1 – Quantas vezes vocês já foram confundidos com o Arcade Fire?
Gibson – Nenhuma! Você é o primeiro!
MacFarlane – Que bom que você tocou no assunto. Fantástico!
Savidge – Você pensou que fosse ver o Arcade Fire hoje?
Gibson – Você não vai conseguir espremer todos eles num banheiro [o Arcade fire tem sete integrantes].
MacFarlane – O empresário deles não os deixaria dar entrevista num banheiro fedendo a xixi.

G1 – Vocês são muito comparados ao Rapture ou The Killers?
MacFarlane – The Killers não, mas Rapture sim, ocasionalmente.
Savidge – Não tanto o Rapture.
MacFarlane – LCD Soundsystem, Rapture…
Savidge – Já escutamos tudo isso antes.

G1 – Para terminar, se a banda não der certo, vocês tem um plano B?
Gibson – Vou entrevistar bandas em banheiros.
MacFarlane – Minha mãe vai me levar sopa no quarto, vou ficar na cama o dia todo e chorar o resto da minha vida.

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Friendly Fires – Entrevista

Entrevista exclusiva com a banda-da-vez-da-semana eleita pela volátil imprensa inglesa, o Friendly Fires.

Após o show gratuito em Londres, no 93 Ft. East — mesmo lugar onde o Radiohead também tocou de graça no começo do ano, do tamanho do Teatro Odisséia, no Rio — a banda se expremeu no banheiro e falou sobre o hype, Brasil e sobre apresentações grátis.

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