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Arquivo: humaitá pra peixe

Finalizando o HPP 2009

Festival encerrado, ficaram faltando esses dois registros do Humaitá Pra Peixe 2009:


João Ferraz Grupo

Em toda sua mineirice, chegando devagarinho, o João Ferraz Grupo vai tomando forma. Projeto do compositor e violonista João Ferraz, o grupo foi uma consequência de dois bons discos, que precisavam ganhar o palco. Não são arranjos fáceis de se executar ao vivo, o que atrasou bastante a empreitada. Bom ver que a espera valeu a pena.


Momo

A frente do Momo, Marcelo Frota fez um show bacana com seu folk brasileiro de pitadas indies. O som cresce bastante ao vivo. O violão de Marcelo corta o som da banda com precisão, ajudando a conduzir o transe a que as levadas das canções vai submetendo o público. Destaque para o teclado Casiotone de Fabio Pizzo e para participação de Régis Damasceno (Cidadão Instigado) no violão de 12 cordas.

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Estraga supresa

A banda surpresa que encerrará o Humaitá Pra Peixe (sábado, 31) será a nova-iorquina Wax Poetic, com diversos convidados (não confundir com Wax PoeticS, a revista).

O preço do ingresso é decidido pelo público, que paga quanto achar justo para ver o “show surpresa”.

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Hoje tem + Entrevista – João Ferraz

Humaitá pra Peixe (Sala Baden Powell)
João Ferraz Grupo e Momo
23 de janeiro (sexta-feira)
19h
R$ 24, R$ 12 (meia-entrada)

Violonista e líder de um grupo instrumental, é difícil imaginar que João Ferraz tenha um sócio tão improvável quanto a lenda João Brasil. Após se conhecerem na Berklee College of Music, nos EUA, os dois montaram o Estúdio Lontra, no Rio.

As vésperas do show de lançamento de seu segundo disco, “Mineiro bão”, no Humaitá Pra Peixe, o tímido Sapo (como é chamado pelos amigos) concedeu uma entrevista por e-mail para o URBe.

Como começou sua história com a música?

João Ferraz – Comecei tocando violão com 12 anos tirando músicas de revistinhas. Tinha muita revistinha de música caipira na minha casa porque o meu pai curtia e pedia pra minha mãe, que tocava violão, tocar pra ele. Escutava minha mãe tocando Clube da Esquina e bossa nova também e gostava muito.

Meu avô me punha pra escutar muitos discos de  música instrumental, isso antes, mais novo, e isso tudo meio que se misturou dentro de mim. Na adolescência a música se manifestou na forma que estava mais próxima de mim, que foi através do rock. Como a música alternativa me atraía muito, me aproximei do rock mais pesado. Tive bandas de metal e hardcore pesado [Minquis] até por volta dos 18, 19 anos.

Vindo do hardcore, como você começou a se interessar por fazer música de raízes brasileiras?

Antes de me interessar em estudar música necessariamente brasileira, como o choro que tenho estudado hoje em dia, eu quis estudar música e ponto. Durante a gravação do disco da minha banda de rock fui apresentado no estúdio ao César Santos, que morava nos EUA na época e estudava musica por lá. Eu não tinha nenhuma exigência quanto a estudar nos Estados Unidos ou aonde fosse. Eu queria aprender a tocar pra valer, aprender a produzir também. E aí, com a ajuda do César, consegui bolsa parcial na Berklee e me mudei pra lá.

Sempre gostei, sempre ouvi direta ou indiretamente música brasileira. Muito Clube da Esquina, por ser mineiro, muita música caipira por influência do meu pai, samba, bossa! Só o choro é que não tive muito contato, o que é uma pena por que é uma maravilha. Tinha que ser ensinado nas escolas, mas enfim…

A mistura se manifestou de novo na forma do meu primeiro disco, “Sapo”.  Foi a forma mais natural que eu consegui falar musicalmente. Tem muita influência do jazz e funk americano também, por eu ter convivido muito com essa música no tempo que fiquei fora. Mas a minha tendência natural é estar cada vez mais próximo de coisas brasileiras.

Seu primeiro disco foi gravado com músicos de Berklee. Como vocêvmontou a banda para o segundo? Como conheceu os integrantes, etc?

Quando cheguei aqui no Rio, com meu primeiro disco debaixo do braço, tinha aquela insegurança de lançar ou não.  Quando decidi lançar, a primeira coisa a fazer foi montar um grupo. Tive muita sorte nessa parte porque logo de cara eu já tinha um baixista e um baterista de primeira e dois grandes amigos, o Rike e o Marcelo.

Quando falei do projeto eles logo se animaram e sempre me apoiaram, desde o começo. Como tenho um estúdio, sou engenheiro de som, conheci muita gente, fiz muitos amigos o que facilitou ainda mais. Conheci o Marco Tomaso e o Fael Mondego gravando o projeto autoral dos dois. O Marco é um monstro. Já tocou com muita gente boa, tem uma experiência enorme e ele estar junto é motivo de muito orgulho. O Fael também, apesar de ser mais novo.

O desafio seria achar uma cantora que cantasse música instrumental, que conhecesse a onda mineira e que quisesse vestir a camisa de um trabalho instrumental autoral,  sem verba, aquela coisa toda. Não é que a primeira pessoa que eu convidei pra cantar com o grupo, através de indicação de um amigo, era a cantora perfeita para minha música! A Marcela Velon fehou a tampa que faltava pra dar início aos ensaios. Ela também trouxe o Yuri que toca sax soprano que é um parceiro de longa data e um músico maravilhoso também.

A partir dai as coisas começaram a acontecer, muitas críticas positivas, amigos chegando junto pra ajudar, e ai foi rolando. Nesse processo nasceu o segundo filho, o “Mineiro Bão”.

Que tipo de repercussão o disco tem tido?

O disco realmente acabou de sair. Ela tá quente do forno. As críticas que tem saído  de quem já conhece o trabalho anterior mencionam uma evolução natural do primeiro e uma abrasileirada natural do som.

Estou agora vendendo o disco pela internet, via CD Baby. Eles, além de venderem pro mundo todo, ainda tem um sistema de distribuição digital para todos os sites de venda de música digital, como iTunes, Napster, Amazon, Rhapsody, etc.

Pra minha surpresa, o disco tem vendido bastante. Assim, uma distribuidora japonesa já comprou alguns exemplares pra vender diretamente no Japão. Blogs no Brasil, Europa  e Japão já estão soltando resenhas. Isso tudo expontaneamente. Fico muito feliz .

A internet, nesse sentido, é uma ferramenta maravilhosa! Todo mundo diz que o meu som tem mais saída lá fora. Espero que não, mas pra mim o que rolar tá ótimo. O convite pra participar do Humaitá pra peixe foi muita alegria. Um festival muito legal, grande e de respeito. A galera nos ensaios está muito empolgada! Esperamos fazer um show muito bom.

Já está preparando o terceiro?

Tenho tentado não pensar em terceiro disco por enquanto, o segundo acabou de sair. Quero me dedicar bastante ao “Mineiro Bão” e ao estudo do choro e do samba, me aperfeiçoar mais no violão. Acho que o estudo constante é crucial.

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O HPP 2009 (até aqui)


Junio Barreto


Comadre Fulozinha


3namassa

Mais uma vez, o Humaitá Pra Peixe aportou na Sala Baden Powell, em Copacabana, em vez do tradicional Espaço Sérgio Porto (no Humaitá, obviamente).

Essa mudança transforma o festival de uma maneira interessante. Em Copa você encontra todo tipo de gente, de turistas a idosos, e isso se reflete no evento.

Se no Sergio Porto o público é majoritariamente composto de profissionais da área (jornalistas, músicos, produtores), amigos e fã dos artistas, em Copacabana poucas dessas pessoa aparecem. Porquê, é difícil explicar.

A Baden Powell tem ficado lotada de pessoas atrás de um bom programa, de conhecer novos artistas. Nesse sentido, a impressão é de que o trabalho de construção de público — o grande mérito do festival — se dá em uma escala maior em Copa do que acontecia no Humaitá.

Esse ano, porém, a tarefa de montar um festival de novas bandas foi mais difícil do que antes. A safra, inegavelmente, está bem fraca, principalmente no Rio, principal celeiro do HPP.

O próprio criador/curador do festival, Bruno Levinson disse em uma entrevista para a revista Programa, do Jornal do Brasil, que não pode “trazer todos os grupos de fora do Rio que gostaria. Foi o ano mais fraco em relação a qualidade dos artistas”.

Deve ser uma pedrada para os participantes ler uma declaração dessas (salvo que tenha sido citado de maneira incorreta), porém Levinson está sendo transparente. Realmente o festival não tem grandes destaques.

Isso não significa que não tenha alguns bons nomes que valha a pena conferir. Nas duas primeiras semanas passaram pelo palco o projeto 3namassa, Junio Barreto e Comadre Fulozinha, todos com raízes pernambucanas.

A noite de abertura foi por conta do projeto paralelo de Pupilo e Dengue, da Nação Zumbi com participação de várias cantoras e atrizes. O 3namassa faz um show temático, sob todos os aspectos.

O clima é de inferninho, com as mulheres interpretando de maneira sensual os temas tocados pela banda. Está mais para uma peça do que para um disco, as músicas dependem muito do estímulo visual para se sustentar.

Na semana seguinte, sem Isaar, que gravou dois discos com a banda, o Comadre Fulozinha mostrou que segue forte, criando intrincados arranjos percussivos que servem de cama para toada das quatro meninas, pontuadas por um sax e ocasionalmente um violão.

Compositor respeitado, gravado por nomes como Gal Costa, Maria Rita e Roberta Sá, Junio Barreto também gosta de cantar suas próprias músicas.

A presença de palco de Junio é estranha e cativante ao mesmo tempo. Ele circula pelo espaço, como se estivesse nervoso, ao mesmo tempo que estimula a banda com sinais de OK.

As ótimas letras e melodias mereciam arranjos mais interessantes. Não que a banda seja ruim — não é mesmo — porém soa tudo correto demais, perfeitinho demais, um tanto de emplastificado. Fala-se em improviso durante todo o show, só que a impressão é de uma banda ensaiada além da conta, perdendo a espontaneidade.

O festival continua por mais duas semanas.

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Hoje tem

Começa hoje o Humaitá pra Peixe 2009, com o show do 3namassa, projeto paralelo do Pupillo, Dengue (Nação Zumbi) e Rica Amabis, com diversos convidados/as nos vocais.

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HPP 2009

Saiu a programação completado Humaitá pra Peixe 2009:

SALA BADEN POWELL (sexta, sábado e domingo – 19hs)

09 – 3 na Massa
10 – Luisa Mandou um Beijo / Supercordas
11 – Catch Side / SuperGalo

16 – Paraphernalia / Vitor Araujo
17 – Comadre Fulozinha / Junio Barreto
18 – Doces Cariocas / Mané Sagaz

23 – João Ferraz Grupo / MOMO
24 – Anna Luisa / Luis Carlinhos
25 – Bebeto Castilho / Wilson das Neves

30 – Aline Duran e El Niño
31 – Show surpresa

ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO (terças – 19hs)

13 – Fuzzcas / Daniel Lopes
20 – Nayah / Stereo Maracanã + Tonho Crocco
27 – Madame Machado / Escambo

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No caminho do bem

De passagem pelo Rio, ainda que esse ano o festival esteja acontecendo em Copacabana (quebrando o trocadilho famoso), a oportunidade de comparecer ao menos a uma noite do Humaitá pra Peixe, e assim não quebrar a sequência de anos ininterruptos sempre presente, era imperdível. A escalação ajudava: Do Amor e Vanguart.

O Do Amor é a banda-paralela-que-quer-virar-principal de músicos conhecidos do circuito carioca. O baixista Ricardo Dias Gomes, o baterista Marcelo Calado (ambos tocando com Caetano hoje em dia) e os guitarristas Bubu (músico de apoio do Los Hermanos) e Benjão (ex-Carne de Segunda e o menos conhecido dos quatro) se juntaram para se divertir e tirar uma onda.

As letras divertidas, levadas de guitarra com a baianidade do axé (uma das músicas se chama “Pepeu baixou em mim”) e uma despretensão contagiante disfarçam arranjos elaborados e uma musicalidade difícil de se perceber sem prestar muita atenção. O produtor Berna Ceppas, amigo da banda, classificou o show de clássico. Muita gente não entendeu, incluindo o escriba aqui.

De Cuiabá para para o Rio, o Vanguart, ao vivo, apresenta os mesmos problemas do seu disco de estréia.

A banda é azeitada e a voz de Hélio Flanders se destaca nas ótimas canções folk. O problema é uma falta de coragem, ou estrada mesmo, para acreditar neles próprios, soltar o corrimão e andar para longe das referências.

O vocal emula demais Thom Yorke e Bob Dylan e a postura calculadamente desleixada atravanca o caminho, como a trapalhada do baixista e do guitarrista, desnecessariamente dividindo os coros no mesmo microfone e acabando por derrubar o equipamento, podem exemplificar.

Problemas pequenos para uma banda com muito potencial. Acompanhando-se no violão e na gaita, sozinho no palco, Hélio colocou o a Sala Baden Powell no bolso num dos momentos mais bacanas do show, o que não é pouca coisa.

Fica cada vez mais difícil entender o porquê da insistência nas letras em inglês e algumas em espanhol, se as feitas em português funcionam bem melhor. Mesmo porque a pronúncia (o sotaque nem é problema) não é das mais perfeitas.

Como algumas das melhores canções do grupo são justamente as que recebem as letras em idioma estrangeiro (como a cantada no momento solo de Hélio no palco), fica o palpite que talvez o Vanguart esteja almejando uma carreira internacional. O que é um desejo justo e justificaria a insistência.

Se a idéia não for essa, por favor, português, porque devem ter mais uns cinco “Semáforo”, sucesso alternativo do grupo, no meio daquelas músicas, esperando pra acontecer.

Demonstrando muita presença de espírito, o grupo encerrou o show atendendo os pedidos de “toca Raul!” com uma versão de “Medo da chuva” que de improviso não tinha nada. Era o mesmo arranjo que o Vanguart tocou no programa Som Brasil, da TV Globo, dedicado a Rauzito.

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Gran finale

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HPP 2007
fotos: Joca Vidal

E lá se foi o Humaitá pra Peixe 2007. Numa edição que sofreu os reflexos da fraca safra de novidades de 2006, o HPP mais mapeou a cena do que apresentou novos talentos, dando espaço para algumas das diversas vertentes culturais que se espalham pela cidade.

No novo formato, com shows nos finais de semana, o festival recebeu um público diferente do habitual. Não que antes, quando os shows eram às terças e quartas, fosse muito diferente, mas a ausência de gente das ditas grandes gravadoras e veículos de imprensa ficou ainda mais óbiva dessa vez. O desinteresse pelo novo chega a ser engraçado, não fosse trágico.

Quem pensava que o Brasov seria imbatível e levaria fácil o título de melhor show do HPP 2007, se enganou. O Móveis Coloniais de Acaju chegou atropelando — o que era até previsível — no final de semana de encerramento, com uma programação mais próxima da cara do festival.

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Duplexx

Na sexta, o Duplexx criou um clima de ficção científica, prejudicado por problemas técnicos no próprio equipamento. Alguns curiosos ficaram pra conferir as estranhezas eletrônicas da dupla, mas grande parte preferiu esperar do lado de fora.

Difícil dizer se foi falta de ensaio ou de proposta, mas tudo soou um tanto frouxo. A guitarra e bateria ao vivo não acrescentaram muito, ao contrário dos metais, notadamente o trombone, que ajudou a amarrar os ruídos gerados pelos sintetizadores. Timbres e programações legais apontam para um caminho que pode ser interessante, principalmente quando se souber que caminho é esse.

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Vulgue Tostoi

Ultimamente parece que toda banda extinta está voltando à ativa, por um show apenas ou para retomar a carreira. São tantas que chega a confundir. Afinal, quanto tempo uma banda precisa ficar afastada para se caracterizar uma reunião? Nessa verdadeira volta dos que não foram, o Vulgue Tostoi se apresentou no festival onde havia estado em 2000.

Jr. Tostoi tem se destacado como guitarristas de apoio de Lenine, assim como Guila, também baixista do Vulgue. Tecnicamente muito boa, a banda se perde em referências pouco disfarçadas. Dá pra ouvir um Jane’s Addicition e seu “Ritual de lo habitual” numa introdução em espanhol, AC/DC em riffs que lembram “Thunderstruck” e Mogwai, no clima soturno presente em quase todas as músicas, mesmo na pegada reggae de uma delas.

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Turbo Trio

Apesar da presença de BNegão nos vocal, o Turbo Trio, que conta também com Tejo Damasceno (Instituto) e Alexandre Basa (ex-Mamelo Sound System e produtor do disco do Black Alien), é presença rara no Rio.

Abrindo a última noite do HPP 2007, o combo provou que o lugar deles é mesmo por aqui. Misturando Miami bass, baile funk, ragga e muita pressão nos graves, por vezes lembrando o Apavoramento Sound System, o Turbo Trio começou com “Terremoto”, cuja letra dá um passo além de “Rio 40 graus”, de Fernanda Abreu: “Riô 50 graus / quem não aguenta passa mal”.

Entre as participações virtuais de Deise Tigrona e trechos de Tim Maia (“Energia racional”), o vocal agressivo de BNegão deixa pouco espaço para as excelentes bases, o que pode dificultar o sucesso do projeto nas pistas, ao mesmo tempo que pode fortalecer o trio num baile. Já passa da hora, aliás, desse intercâmbio deixar de ser de mão única e artistas influenciados pelo funk se apresentarem nos bailes, devolvendo algumas referências para o batidão.

BNegão cantou a sua “Dança do patinho”, enquanto o telão mostrava trechos de “Rize”, documentário sobre uma dança, o krump, dirigido pelo fotógrafo David Lachapelle. Um remix de “Do robô”, outra do repertório do Seletores de Frequência, teve sample de “Big in Japan”, do Alphavile. Tomara que não demore mais um ano para o Turbo Trio retornar ao Rio.

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Móveis Coloniais de Acaju

Móveis Coloniais de Acaju. Isso lá é nome de banda? Pra esse ter sido aprovado, imagina o que não ficou de fora. A falta de preocupação em soar moderninho e bacanudo, desde a decisão pelo nome da banda, é justamente o motivo do Móveis soar… bacanudo, moderninho e, sobretudo, relevante.

A desprentensão com que o Móveis Coloniais de Acaju mistura ska, samba, rock, samba-rock, sonoridades de big band dos anos 50, sem soar referencial ou respeitoso demais, é o segredo da banda. O clima de encontro de amigos (nada menos que 10!) pra tocar parece sincero, resultando num som com o frescor que se espera de todas as bandas novas.

Não foi a primeira vez dos brasilenses por aqui, ainda assim a recepção quase histérica do público foi além da melhores previsões. Sem se espantar com nada disso, os integrantes continuaram tranquilos, literalmente desviando dos confetes e serpentinas jogados pelos fãs para fazer um show histórico.

O Móveis é uma banda de palco. Embora sejam as músicas tocadas sejam as mesmas presentes no único disco gravado até hoje, “Idem”, a bolacha não consegue captar a catarse que são os shows do grupo. Será necessário um produtor muito competente pra fazer essa transposição.

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A banda toca no meio do público

Além das músicas do disco de estréia e de algumas inéditas, o Móveis ainda encontrou espaço para versões de “Glory box” (Portishead), e de “Um, dois, três, quatro” (Little Quail and the Mad Birds), crássico alternativo dos anos 90, que contou com a participação do autor, o também brasiliense Gabriel Thomaz, hoje no Autoramas.

Gabriel aproveitou para anunciar que lançará pelo seu selo, Gravadora Discos — além de um compacto do Bnegão e os Seletores de Frequência e do novo disco do Autoramas — um EP intitulado “Vai Thomaz no Acaju”, como integrante da banda.

Por falar em BNegão, o MC deve ter batido o recorde de canjas em um só HPP. Depois de subir ao palco com A Filial, Curumim e com o próprio Turbo Trio, o rapper participou da versão de “Se essa rua fosse minha”, subvertendo o refrão e cantando”Se essa rádio, se essa rádio fosse minha / Eu botava o Acaju pra tocar / Se essa rádio, se essa rádio fosse minha / Não ia ter, não ia ter nenhum jabá“.

Ainda deu tempo de tocar “Copacabana”, que era pra ter sido a última. Porém, atendendo aos pedidos não só da platéia, assim como da própria banda, a produção liberou a saideira, com “E agora, Gregório?”.

Nem precisa perguntar pro tal Gregório. O futuro do Móveis Coloniais de Acaju está bem claro.

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