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Cícero e o amadurecimento (O Globo, Janeiro/2012)

A íntegra do texto da matéria que publiquei no Segundo Caderno, do jornal O Globo hoje.

Amadurecimento forçado pelo sucesso na internet e no palco
Objeto da paixão por fãs de todo o Brasil, o jovem Cícero canta hoje no Rio

por Bruno Natal

No final do ano passado, a porta do centro cultural Solar de Botafogo estava lotada de jovens disputando ingressos para a atração da noite. Muita gente ficou de fora, algumas choraram. Do lado de dentro, mais de 200 pessoas se espremiam pelos corredores do pequeno teatro, aguardando com ansiedade o início de um show em que cantariam todas as músicas.

Seria uma cena comum de idolatria, não fosse um detalhe: tratava-se apenas da quinta apresentação da carreira solo de Cícero, 25 anos, tocado as músicas de um disco lançado há apenas seis meses. O disco “Canções de Apartamento” é um fenômeno online, baixado mais de 50 mil vezes (segundo o artista) e gradativamente ganhando o mundo real.

- Essa rápida identificação veio do fato de eu ter me desarmado e falado de mim – diz Cícero, que toca hoje no Teatro Odisséia, às 21h, com as banda Mohandas e as festas Mambembe e This Is Indie, numa noite produzida por ele próprio. – Todos andam muito combativos, perfumados, maquiados, o tempo todo. A gente anda precisando de ar, de sair de si mesmo. De se ver nos outros. A solidão já deu no saco. Tenho recebido muito mais carinho do que jamais pensei. As pessoas se identificaram mesmo com as músicas e querem deixar isso claro pra mim. Se desarmaram porque eu me desarmei. Estou adorando ver isso acontecendo – explica Cícero.

Solidão é o tema central das composições, misturando bossa nova e rock independente. A foto da capa, uma imagem das estantes do apartamento onde o disco foi gravado, entregam algumas das referências: o livro “Noites Tropicais”, de Nelson Motta; um compacto de uma faixa do disco “In Rainbows”; um submarino amarelo; um tamborim. Nas músicas, citações verbais a Tom Jobim e musicais a Caetano (“You Don’t Know Me” em “João e o Pé de Feijão”), porém o ponto alto são as letras intimistas, sobre relacionamentos amorosos e conflitos comuns à idade.

Em alguns momentos, a sonoridade ainda soa derivativa de nomes como Radiohead e Los Hermanos (“essa comparação é constante, mas não me incomoda. Fico feliz, admiro a banda, fico envaidecido”, diz) e ao vivo a banda recém-formada está se encontrando, fatos admitidos abertamente pelo compositor. Parte da uma geração que opera constantemente em modo beta, Cícero está se formando como artista diante de seu público, atendendo demandas por vezes precoces, com tudo que isso traz de bom e de ruim. Leva-se tempo até amadurecer, mesmo que muitos já estejam assistindo.

- Aconteceu tudo rápido demais. A velocidade das coisas com a internet é outra. O primeiro show com a banda foi no final de outubro do ano passado. Dois meses pra uma banda amadurecer não é nada se você não puder se enfurnar em um lugar e ensaiar. Mas mesmo assim lá vamos nós tocar pelo Brasil todo. As pessoas querem o show agora, elas têm o direito, fizeram tudo chegar até aqui.

Gravado e tocado inteiramente por ele próprio (à excessão das sanfonas) no quitinete que morava em Botafogo, “Canções de Apartamento” foi disponibilizado gratuitamente na página cicero.net.br e rapidamente encontrou seu público. Com mais de 5 mil fãs no Facebook e mil seguidores no Twitter, suas músicas tem sido tocadas em algumas rádios e o disco entrou em diversas listas de melhores de 2011, da MTV a blogues como Rock N Beats, Miojo Indie, Rock In Press e Trabalho Sujo [N.E. e também na daqui do URBe], quase sempre no topo ou perto disso. Com isso ampliou a base de fãs, rendendo convites para participar das coletâneas “Is This Indie” (em homenagem aos 10 anos do disco de estréia do The Strokes) e “Re-Trato” (celebrando os 15 anos do Los Hermanos).

Cícero aconteceu no novo modelo, totalmente alheio a indústria do disco e da grande mídia, escolado pela experiência com outros projetos.

- Com 16 anos montei uma banda chamada Alice e fui com ela até os 22, quando fui pra Nova York trabalhar e comprar os equipamentos para gravar o terceiro disco do grupo. Quando voltei, o tempo passou e o pessoal dispersou. Fiquei com os equipamentos e solo, no sentido literal da palavra. Larguei o diploma de Direito, comecei a produzir umas festas e comecei a gravar o “Canções” no apartamento pra onde me mudei em Botafogo, vindo de Santa Cruz. Os meses foram passando e eu compondo, gravando, mixando, regravando… O disco é mais o retrato de um processo do que um projeto propriamente dito.

A intensidade da relação com o público também foi acelerada, com fãs vindo de Belém, Belo Horizonte e Goiânia vindo ao Rio ou de Tocantins para São Paulo somente para conferir um show.

- Está sendo bem doido, choradeira, gritaria, uma coisa bem inesperada pra mim, em todos os lugares a comoção vem sendo bem grande e bonita. Estou lidando como posso, conversando com quem acho que pode me ajudar a ver melhor as coisas, procurando manter o foco nos meus valores, tentando viver tudo que está vindo. Estou um pouco assustado com isso, mas tento ver tudo como carinho. Essas fichas não caíram pra mim até agora. Nem sei se vão cair tão cedo.

Vindo de uma temporada de shows esgotados em São Paulo essa semana, em casas de mil pessoas, o compositor planeja os próximos passos.

- Escutar minha música e artistas que admiro muito, como o Moska, falando bem na rádio, dar entrevista em programas de televisão que assisto, agora dando entrevista para o jornal que assino… Fico feliz com tudo que tá rolando, mas principalmente porque a música chegou nas pessoas. Começo, meio e fim de tarefa comprida. Agora é retribuir, ir onde as pessoas querem que eu vá, tocar pra elas, mostrar as músicas. Fazer essa “coisa” ganhar o mundo real. Não foram computadores, servidores ou sites que fizeram o disco explodir, foram pessoas.

O sucesso tem atraído gravadoras e selos. Por enquanto, nenhuma proposta seduziu Cícero.

- Ainda não topei nada porque quero saber o que vou estar topando. Seja lá o que for, quero ir consciente. No geral, as propostas são mais de gente querendo sugar o momento do que contribuir efetivamente para uma carreira. Faço questão do disco de graça, para ser baixado. O mundo tem muita pressa, eu nem tanto.

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Transcultura # 051: Turntable.FM, Nicolas Jaar

Meu texto da semana retrasada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Uma festa cheia de social
por Bruno Natal

Está para surgir uma proposta com mais pinta de fracasso do que a do Turntable.fm: uma página em que os usuários podem realizar uma festa virtual. Soa como uma desgraça até você entrar e entender o funcionamento dos mecanismos que estão fazendo o serviço ser apontado nos meios digitais como potencial novo sucesso das redes sociais.

Uma vez cadastrado, o usuário pode entrar numa das salas disponíveis, onde vai encontrar uma mesa com cinco toca-discos e muitas pessoas ouvindo a mesma música. Os DJs tocam alternadamente, cada um escolhendo uma música, e todos ouvem a mesma, ao mesmo tempo. Se todos os espaços para tocar estiverem tomados, o usuário ouve o som e conversa no chat com as outras pessoas presentes na festa. Sim, chat. Os anos 1990 estão voltando mesmo.

As músicas podem ser escolhidas numa busca pelo arquivo do Turntable.fm ou, se não encontrar o que queria, há a opção de subir suas faixas, aumentando o acervo da página. As questões de direitos autorais, se já não estiverem resolvidas, certamente serão o principal entrave ao crescimento do serviço.
Ainda em lançamento, por enquanto o acesso é limitado via Facebook Connect, e, mesmo assim, você precisa ter ao menos um amigo já cadastrado no Turntable.fm (com o volume de gente falando sobre o serviço, provavelmente você tem algum amigo bancando o DJ).

O motivo do sucesso é a facilidade oferecida para compartilhar uma música com um grande número de pessoas, em tempo real e de forma interativa, como um Instagram de músicas. Por mais simplório que pareça, não havia ainda um serviço assim. Qualquer usuário pode também criar sua própria sala e convidar os amigos. Fiz exatamente isso no domingo passado, quando soube do serviço. Divulguei pelo Twitter e rapidamente havia cerca de 30 pessoas na festa, que foi até as 4h. Todo dia têm surgido salas de blogues, festas conhecidas, funcionando como uma prévia do que se pode encontrar no ambiente real.

Há muitas possibilidades à vista, como um aplicativo de celular que permita a uma festa caseira ter o som alimentado pelos convidados, sem ninguém precisar ficar na função de tomar conta da seleção (é, em plena era do “todo mundo é DJ”, ainda existem momentos assim). O receio de que a maior parte das pessoas vá estar simplesmente aguardando sua vez de colocar sua música – muita gente querendo tocar, poucas querendo ouvir – não se confirmou. O fato é que a música pode nem ser o foco principal do usuário. A graça está no rodízio, e a maior atração é o bate-papo.

ATUALIZAÇÃO: Agora o serviço está disponível apenas nos EUA, tendo sido bloqueado no resto do mundo.

Tchequirau

CSP04 ∆ NICOLAS JAAR for XLR8R by Clown and Sunset

O set que o Nicolas Jaar preparou para revista XLR8R, parte da sua série de podcasts do seu selo Clown & Sunset, é ótima trilha pra descansar no feriado. Uma atualização do downtempo, principalmente através dos remixes do próprio Jaar.

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Transcultura # 050: Avec Silenzi,

Meu texto da semana re-retrasada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O silêncio do Avec Silenzi
por Bruno Natal

Mal começou e o promissor Avec Silenzi (www.avecsilenzi.com) honrou o nome e silenciou. Deixa para trás dois discos, lançados pela Manifesto Discos. O último show da banda instrumental foi na segunda-feira, no festival Aúdio Plural. Tocando com na Audio Rebel, em Botafogo. Sem alarde, na maciota, num dos palcos que mais honram o espírito alternativo no Rio. O tamanho reduzido do lugar, por onde já passaram Hurtmold e o Burro Morto tocou na mesma noite, obriga a um intimismo.

Formada por ex-integrantes de bandas de som pesado – Eduardo Souza, Rafael Ferreira (do Itsari) e Renan Vasconcelos (do Cyuss) – o motivo não foram as “diferenças musicais” de sempre. Foi diferença de endereço mesmo.

- Um dos integrantes vai mudar da cidade e começar um trabalho que ocupará todo final de semana. Para ter uma banda que não faz shows e não produz, resolvemos terminar – explica Eduardo.

Em tempos em qualquer bandeca utiliza todas as ferramentas para parecer profissional (soar profissional fica em segundo plano, muitas vezes), parece não haver mais espaço para simplesmente tocar por diversão com os amigos.

- Será que somos mais uma dessas bandecas? – brinca Eduardo. – Espaço sempre tem, espaço você cria. Foram mais de 10 anos tocando só em buraco, 90% furada. Amávamos isso. Num certo momento resolvemos montar o Avec Silenzi para vivenciar a música de uma outra maneira, para tocarmos em outros ambientes. E conseguimos. Tocamos em livrarias, boates, bares… Nossa listinha de afazeres para 2011 incluia agitar uma turnê européia. Acabou ficando só nos planos mesmo.

Vai-se a banda, ficam as páginas online.

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Transcultura # 049: A Banda Mais Bonita Da Cidade, Código Florestal

Meu texto da semana retrasada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

A banda mais falada da cidade
Vídeo “fofinho” de grupo de Curitiba qu explodiu na internet gera homenagens e paródias
por Bruno Natal

Muito provavelmente, na última semana você deve ter recebido um link por e-mail, Facebook ou Twitter para o clipe de “Oração”. Em menos de uma semana, A Banda Mais Bonita da Cidade passou de um grupo desconhecido de Curitiba para um dos nomes mais comentados do Brasil. O principal motivo do sucesso foi o clipe: um plano-sequência de seis minutos, em que a banda e seus amigos repetem a letra simples em uma festa particular numa casa, lembrando bastante o clipe de “Nantes”, do Beirut, feito por Vincent Moon.

Em uma semana, o vídeo ultrapassou, com folga, a barreira de dois milhões de visualizações no YouTube (a banda sonhava com três mil) e foi motivo de textos inflamados – defendido pela alegria, atacado pela felicidade de comercial de manteiga e, claro, parodiado. Para Leo Fressato – que não é integrante do grupo, mas compôs a música e dirigiu o clipe -, as pessoas estavam carentes de amor.

- As pessoas queriam assistir a um vídeo que não fosse trash e que também não fosse violento. Quando se depararam com essa explosão de alegria, seus corações foram tomados, e aí repercutiu – acredita ele.

- Alguns não gostaram porque acharam muito fofo. É direito deles ir contra essa ideia de “comercial de margarina”. Tem pessoas que não querem essa fantasia sobre a vida, que tanto o clipe quanto esses comerciais transmitem.

Bem-humorado, Leo comenta para a Transcultura as principais homenagens feitas ao vídeo que estão circulando pela internet, como A Banda Mais Repetitiva da Cidade, A Banda Mais Bonita da InternetA Segunda Banda Mais Bonita da CidadeI, uma versão Chaves (assista também o original) e até A Bunda Mais Bonita da Cidade.

- Não só adoro as paródias, como acho que elas refletem a dimensão do que está acontecendo. As pessoas não se contentam em assistir. Elas querem fazer parte daquilo, mesmo que criticando, o que é o caso de algumas delas – diz ele.

- Ri muito das paródias, em especial a da repetição, pela substituição da letra, mantendo métrica e rima. A pessoa que fez isso merecia um abraço. Outras como as do Chaves não precisa nem comentar, todos assistimos na infância. Não tem como não ser uma bela homenagem.

Tchequirau

Semana triste par as florestas com o assassinato do casal de ambientalistas no Pará e a aprovação do Código Florestal e da emenda que anistia os desmatadores pelo Congresso. Plante uma árvore. Vamos precisar.

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Transcultura #047 (O Globo): Eltron John, Chet Faker, Com Truise, Trabalhe 4 horas por semana

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo (vou publicar também a íntegra das entrevistas com Chet Faker e Eltron John):

A diferença está nas letras
De Tom Cruise a Michael Jackson, artistas famosos se embaralham com homônimos bizarros
por Bruno Natal

Não dá pra contabilizar quantas vezes escreveu-se ou falou-se Obama no lugar de Osama (e vice-versa) nas últimas semanas. Uma letrinha faz toda diferença. Falando de nomes de banda a coisa também não anda fácil pra ninguém. No witch house a situação é crítica. Prince na fase o-artista-antes-conhecido-como-Prince, quando trocou o nome por um símbolo, fez escola e nomes impronunciáveis (e ingoogláveis) pipocam: oOoOO, pyr▲mids of ▲▲, Gr†ll Gr†ll, ℑ⊇◊⊆ℜ ou †33†H. E tinha gente achando complicado os títulos dos discos do Justice e da M.I.A., respectivamente “†” e  “/\/\/\Y/\”.

No universo chillwave (e do jeito que o termo vem sendo colado em tudo, bota universo nisso) as coisas não são tão radicais. O que impera é a sensação de dislexia ao ler o nome dos artistas: Com Truise, Jichael Mackson e Hype Williams são alguns deles.

Responsável pelo Chet Faker, cuja versão do hit dos anos 90 “No Diggity” (Blackstreet) ocupou o topo da parada do Hype Machine essa semana, o australiano Nick (pra completar assina os emails com James Murphy), se inspirou no cinema para escolher seu nome artístico:

- Chet Baker é o James Dean do jazz, muito talentoso, porém mais interessado em manter a fama de bad boy do que em tocar trumpete. O nome é para me lembrar de fazer uma música  que atenda uma imagem, o que é uma piada para mim mesmo. Sou fã de música orgânica e sem amarras, iniciar um projeto com o objetivo oposto soa um pouco falso pra mim, por isso o “faker” (fingidor).

O polonês Marek, mais conhecido como Eltron John, tirou seu nome de antigos amplificadores onipresentes em praças e escolas nos tempos do comunismo, o Eltron 100. Abandonados em depósitos após o fim do regime, eram utilizados por jovens para embalar suas festas, mesmo com a qualidade duvidosa do som. Fã de dub, adotou o nome Eltron John Soundsystem antes de simplificar e se tornar um quase homônimo do artista inglês.

- Sou fã do Elton John e se tivesse que fazer comparações, seria a pegada soul e funk. Ele criou algo próprio, sem tentar soar como os artistas negros, gostaria de criar uma sonoridade pessoal também. Ao contrário dele, não sou inglês, não sei tocar piano ou cantar muito (apesar de que gostaria) e não tenho um marido.

Para Marek, a chuva de nomes estranhos não passa de coincidência:

- Quando adotei esse nome, não era ligado em internet, acessava muito pouco, não pensei nisso como nenhum tipo de estratégia para ser notado ou encontrado facilmente online. Quando descobri outros artistas com nomes parecidos com outros mais famosos não dei muita atenção a isso. Os nomes remetem a outros artistas, mas não necessariamente a música. Não vejo um comportamento interligando esses artistas.

Com a quantidade de bandas que surgem todo dia, os bons nomes vão rareando. Nick oferece uma explicação para a escolha de nomes tão estranhos pela safra de artistas atuais, baseada no excesso de informação de hoje em dia:

- A música pop tem uma conotação tão negativa atualmente que é uma progressão natural as pessoas evitarem a acessibilidade, dificultando ser encontrado. No entanto, acho que é uma onda que vai passar rápido.

Tchequirau

O comentado livro “Trabalhe 4 Horas Por Semana”, do Timothy Ferris, promete ensinar a organizar o seu fluxo de trabalho nesses dispersivos tempos digitais, de maneira a restar tempo de sobra para todo resto. Resta saber se dá pra ler em 4 horas.

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Transcultura #046 (O Globo): The Weeknd, Rome, Mayer Hawthorne & Friendly Fires, Google Music Beta

Meu texto da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo (e completou um ano essa semana!):

Trailer musical completo
Três Quatro artistas permitem audição na íntegra dos seus novos discos
por Bruno Natal

O tempo em que o lançamento de um disco era um evento exclusivo vai, ainda bem, ficando para trás. Também comem poeira o pinga-pinga de faixas avulsas e a bisonha “sacação” de liberar alguns segundos de determinada canção – algo que pode funcionar no cinema, na literatura, porém totalmente sem sentido na música. Cientes de que a audição prévia tem o poder de alavancar as vendas, cada vez mais artistas oferecem uma audição completa do disco antes do lançamento para os fãs decidirem se gostam o suficiente antes de comprar, sem a necessidade de baixar as músicas ilegalmente.

Esta semana, os novos trabalhos do Friendly Fires e do produtor Danger Mouse foram disponibilizados no Hype Machine (onde também foi lançado o segundo disco de Lykke Li) e na NRP Music, respectivamente. Além deles, há um mês o estreante The Weeknd fez o mesmo no Soundcloud, além de permitir baixar o disco todo. Também de presente para os fãs, Mayer Hawthorne lançou um EP de versões pra baixar de graça na página de sua gravadora, Stones Throw Records.

“Rome”, Danger Mouse & Danielle Luppi (participação especial de Jack White e Norah Jones): Numa época em que todo ser humano parece ter um trabalho artístico, observar o tamanho e a quantidade de projetos do Danger Mouse nos últimos anos (um produtor que chamou a atenção inicialmente com um disco de mashups de Beatles com Jay Z, montou o Gnarls Barkley e produziu o Gorillaz), é ter certeza que da quantidade pode vir qualidade. E viva as facilidades digitais. Seu mais recente projeto é uma parceria com Daniele Luppi e conta com a participação de Jack White e Norah Jones nos vocais. Produzido ao longo de cinco anos e inspirado nas trilhas de Ennio Morricone, “Rome” foi gravado em… Roma, em formato analógico, com músicos originais das trilhas de Morricone, incluindo Edda Dell’Orso, uma das cantoras prediletas do compositor, presente também nas trilhas dos três principais filmes de Sergio Leone, mestre do western spaghetti. O resultado serviria perfeitamente para uma trilha de Tarantino. Bem contemplativo, “Rome” lembra em alguns momentos “Dark night of the soul”, outro projeto de Danger Mouse, sempre em boa companhia, com David Lynch e Sparklehorse. Os músicos disseram em entrevista que uma turnê está nos planos. É aguardar pra ver se conseguem juntar tanta gente num mesmo palco.

“House of balloons”, The Weeknd: A influência da estética do dubstep, mais do que o próprio estilo surgido na Inglaterra, vai cada vez mais longe, se distorcendo e se transformando, como mostram os recentes discos de James Blake ou Mount Kimbie. No caso do novato The Weeknd, que é formado pelo cantor Abel Tesfaye e os produtores Doc McKinney and Illangelo, as pancadas graves no vazio e os reverbs secos do dubstep encontram o r&b, resultando num melado trip hop de derreter a orelha e dançar devagarinho, como sugere a psicodelia soft porn da capa.

“Pala”, Friendly Fires: O trio inglês chegou de mansinho com “Paris”, acelerou com “Skeleton boy” e explodiu com “Jump in the pool”, rapidamente passando de aposta da semana para banda da vez, título que o Friendly Fires pretende consolidar com o segundo disco. O mais próximo do que se conhecia do Friendly Fires é “True love”, dançante, com bateria “disco” e baixo pulsando. “Pull me back to earth” e “Show me lights” também não passam tão longe. De resto, “Pala” (nome da ilha utópica do livro “A ilha”, de Aldous Huxley) é muito diferente, o que é ótimo. Muito influenciado pelos anos 80, às vezes de forma direta, outras perto da releitura da década proposta pelo hypnagogic/ chill wave e seus vocais filtrados e camadas de teclado, o trio pula a furada nu-rave e vai direto de rave, acid-house e tudo mais. O clipe da música que abre o disco, “Live those days tonight”, ganhou uma versão editada pela banda só com imagens de festas na virada dos anos 1980 para os 1990 encontradas no YouTube. Como todo bom disco, cresce a cada audição.

“Impressions”, Mayer Hawthorne: Com apenas um disco, Mayer Hawthorne conseguiu uma boa base de fãs para o seu soul retrô, com uma leve atualizada via hip hop. Bom de palco, um dos seus trunfos são as versões – a interpretação de “Gangsta Love”, do Snoop Dogg, faz frente a original. Por isso, enquanto o segundo disco não vem, Mayer dá uma acalmada oferecendo de graça um EP só de covers. São seis músicas: “Work To Do” (Isley Brothers), “Don’t Turn The Lights On” (Chromeo), “You’ve Got The Makings Of A Lover” (The Festivals), “Fantasy Girl” (Jon Brion), “Little Person” (Steve Salazar) e “Mr. Blue Sky” (Electric Light Orchestra). Fino.

Tchequirau

O Google lançou seu serviço de música, no qual o usuário hospeda sua discoteca de graça e pode acessá-lo de qualquer lugar, incluindo celulares rodando o sistema Android. É basicamente um Spotify gratuito com pontencial pirata, já que aparentemente não questiona a procedência das músicas.

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Transcultura #045 (O Globo): Kids & Explosions, Combo Percussivo

Texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Mashup Psicodélico
Cineasta indicado ao Oscar troca os filmes por projeto musical

por Bruno Natal

Na página do Kids & Explosions, o artista descreve a si próprio como “um garoto que faz música roubando música dos outros e tornando-as piores”. Sobre a parte visual do projeto, feita pelo colega de apartamento Justin Broadbent, diz que é formada “basicamente por gatos e pornografias, assim como o disco”, estimulando a audição das faixas “enquanto se navega por uma grande variedade de imagens ofensivas”.

A auto-ironia encaixa bem no projeto de mashups com pegada glitch e seus ruídos digitais. O disco de estreia, “Shit Computer”, lançado em novembro passado e baixado no esquema “pague quanto quiser”, popularizado pelo Radiohead em “In Rainbows”.

- O disco foi baixado mais de 10 mil vezes diretamente da minha página. Um terço das pessoas pagou, uma média de 3 dólares. A variação foi muito grande, alguns pagaram 20 dólares, outros um centavo. Fico lisonjeado e encantado quando alguém pagar a quantia que seja – explica o canadense Josh Raskin, canadense, indicado ao oscar pelo curta de animação “I Met The Walrus”, feita em cima do áudio de uma entrevista de John Lennon.

Se num mashup usual identificar as músicas sampleadas por vezes é complicado, nas composições do Kids & Explosions a tarefa é dificultada pelo método de desconstrução e reconstrução dos trechos, criando uma charada dentro da charada. Em vez de “simplesmente” contrapor dois ou mais hits, Josh picota as músicas, em muitos casos rearranjando as notas, evitando modificar o andamento ou o ritmo para facilitar os encaixes.

A primeira audição não é macia, o cérebro frita com a quantidade de referências embaralhadas. Em “Everything”, as letras de “Lose Yourself” (Eminem) encontram as de Biggie, ambas totalmente alteradas, com palavras fora de lugar, a base montada com trechos da introdução de “Sweet Child O’Mine” (Guns N Roses) com as notas da guitarra em outra ordem, mas ainda assim facilmente reconhecíveis. “Swear Words” é construída utilizando apenas palavrões ditos em diversas músicas, numa base feita em cima de samples de “Such Great Heights” do Iron & Wine. Como o nome do projeto sugere, a abordagem lembra uma criança brincando de explodir coisas: mais preocupada com o resultado plástico do que com as consequências.

- Começo cortando as melhores partes de músicas que amo. Depois ataco esses pedaços num teclado MIDI até encontrar algo que funcione. Você sabe que está funcionando quando sente vontade de chorar ao mesmo tempo que quer engravar as coisas – explica Josh.

Os sons que fazem Josh querer “engravidar coisas”, o que quer que isso signifique, são encontrados nos pianos do Radiohead, riffs The Strokes, Cindy Lauper, Feist, 2Pac, Iron & Wine, M.I.A., Sigur Rós, Destiny’s Child, MGMT, Massive Attack, entre outros. Com tanta coisa junta, dançar fica meio difícil.

- As pessoas dão um jeito de dançar qualquer coisa. Dependendo da música, as vezes parece mais que estão se segurando para não mijar do que dançando mas quando as pessoas gostam de uma música, elas tendem a se mover pelo espaço. Ainda não toquei essas músicas ao vivo, então vou saber em algumas semanas.

A sonoridade do Kids & Explosions está mais para Kid Koala do que Girl Talk, comparação insistente e da qual Josh não foge, embora não veja o que faz exatamente como mashups:

- Penso em mashups como juntar duas músicas sem afetar muito nenhuma das duas. Não é exatamente o que eu faço. Acho que meu som está mais próxmo de gente como DJ Shadow e Prefuse 73 do que do 2ManyDJs ou Girl Talk. O Girl Talk é demais, é como um DJ de festa com mil braços. Perfeito para levar uma pista de dança ao orgasmo. Mas o que fazemos é bem diferente. Ele sampleia músicsa para fazer as pessoas se acabarem nas festa. Eu sampleio porque não sei cantar.

Já prometendo um novo disco, Josh não abandonou os filmes. As necessidades de cada ideia determinam o caminho a seguir.

- Ainda quero fazer filmes, mas não animações especificamente. Gosto de usar o formato que melhor servir a ideia. Por agora tem sido roubar música dos outros e fazer algo novo a partir delas. A indicação ao Oscar provavelmente vai ajudar muito algum projeto de filme quando a hora certa chegar. Não quero me apressar a fazer algo até encontrar algo que realmente me excite. Só sou bom em alguma coisa quando fico obcecado por elas. Senão, só faço besteira.

O fato de vender o disco, transformando a atividade artística em atividade comercial com ganho financeiro, pode complicar o cenário numa eventual ação de um dos detentores dos direitos autorias. Josh não se preocupa.

- As pessoas sempre criaram roubando coisas dos outros e as combinando para criar algo novo. Eventualmente as leis de direito autoral vão aceitar esse fato como parte essencial da criação de qualquer coisa. Não acho que ninguém se importe de ter suas coisas roubadas, a não ser que você esteja faturando milhões de dólares com isso. E se isso um dia acontecer, estarei ocupado demais substituindo partes do meu corpo por diamantes para me preocupar com processos.

Enquanto os mashups evoluem no universo musical, no áudio-visual o formato ainda engatinha, tendo ido muito pouco além das colagens rítmicas vistas no trabalho de VJs como o AddictiveTV ou as apresentações áudio visuais do Coldcut, DJ Yoda ou Mike Relm, em que o som é mais importante do que as imagens. A tarefa não é fácil. Um dos expoentes da não-linearidade, o beatnik William S. Burroughs tentou aplicar a técnica dadaísta de cut-ups utilizada em seus textos (literalmente cortando e colando trechos aleatórios) ao vídeo, sem o mesmo sucesso. Vindo do cinema, Josh enxerga alguns diretores buscando novos caminhos.

- Filmes são feito de coisas que as pessoas conseguem se relacionar: lugares, relações, histórias… No momento que você retira essas coisas, as pessoas perdem o interesse. Música, pra começar, é algo totalmente abstrato, é mais fácil forçar os limites sem assustar as pessoas. Não importa o quanto você bagunçar, ainda vai ser apenas ar se movendo. Nomes como Charlie Kaufmann e Paul Thomas Anderson estão empurrando o cinema numa direção boa. Eles estão fazendo coisas que nunca haviam sido feitas, mas dentro do contexto narrativo, então as pessoas não querem esfaquear os próprios olhos quando assistem seus filmes. Essa é a direção que gostaria de seguir.

Tchequirau

Acostumado a fazer intervenções vocais no show das sua Nação Zumbi, o percussionista Gilmar Bola 8 assume o microfone de vez no seu novo projeto, Combo Percussivo.

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Transcultura #044 (O Globo): apostas Coachella 2011, Wado

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo (vou publicar também a íntegra das entrevistas com Chet Faker e Eltron John):

O futuro no Coachella
Listamos dez emergentes nomes do festival que começa hoje nos EUA

por Bruno Natal

Não é fácil conseguir tocar em um dos mais influentes festivais de música do mundo. Ser escalado para o Coachella aumenta a visibilidade de muitos artistas; porém, essa é apenas metade da tarefa. Uma vez lá, uma banda precisa despertar a atenção do público, entre mais de cem atrações.

Na edição 2011, que acontece de hoje a domingo, no deserto da Califórnia, os brasileiros Emicida (com problemas com visto, não está confirmado), The Twelves e DJ Marky disputarão espaço com os arrasta-multidões The Strokes, Arcade Fire, Chemical Brothers, Kings of Leon, Kanye West e outros. Segue, então, uma seleção com dez nomes menos comentados do festival – e que podem fazer os melhores shows do evento. Afinal, quanto menos testemunhas, mais histórico.

1) Tame Impala: Sendo justo, os australianos também não estão exatamente escondidos no mapa, mesmo que ainda faltem muitos e muitos degraus até o topo. Psicodelia setentista de interferências oitentistas. Ouça: “Alter ego”

2) Menomena: Indie rock experimental (pode falar isso?), os integrantes trocam de instrumentos e funções em cada música, feitas num programa de computador desenvolvido por um dos integrantes. Soa mais complicado do que de fato é. Ouça: “Taos”

3) Brandt Brauer Frick – O Kratwerk ressucita após uma noitada disco. Ouça: “Bop”

4) Foster The People: Os vocais do MGMT, as bases do Passion Pit, ainda engatinhando, rock dançante e fofo, para agradar aos meninos e às meninas. Ouça: “Pumped Up Kicks”

5) TOKiMONSTA: Em tempos de hits comerciais, o hip-hop ainda pode ser instrumental. Na chapação do Flying Lotus, só que feito por uma mulher. Ouça: tudo!

6) Here We Go Magic: Mais uma do Brooklyn, mais uma banda dando o passinho à frente do chatoide nu-folk, adicionando sintetizadores e programação eletrônica. Ouça: “Tunnelvision”

7) OFWGKTA: É injusto dizer que o Odd Future Wolf Gang Kill Them All, muitas vezes chamado apenas de Odd Future, está sendo pouco comentado. O polêmico coletivo de hip-hop, formado por uma molecada californiana, vem sendo apontado como o que de mais diferente surgiu no gênero recentemente. Ouça: “Yonkers”

8) Mount Kimbie: Pós-dubstep, se é que existe algo assim. A dupla inglesa sai na frente, sem o apelo pop de James Blake. Ouça: “Before I move off”

9) Ramadanman: Com o iminente resgate dos anos 1990, a volta do drum ‘n’ bass é certa. A presença dos DJs Marky, Andy C e Hype na escalação do Coachella aponta que o retorno das batidas quebradas começou. Parte da nova geração, Joy Orbison também toca, assim como os primos do dubstep Kode9, Roska e Caspa. Destaque para o Ramadanman misturando as duas coisas. Ouça: “Don’t Change For Me”

10) Black Joe Lewis & The Honey Bears: O soul e o funk parecem mesmo eternos. Mais uma banda surge fazendo o dever de casa do mestre James Brown direitinho. Ouça: “Sugarfoot”

Tchequirau

Catarinense radicado em Alagoas e agora morando no Rio, Wado comemora os dez anos do seu disco de estreia tocando “O Manifesto da Arte Periférica”na íntegra, no Oi Futuro Ipanema, com participações do Momo (hoje), Domenico (sábado) e Kassin (domingo).

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Transcultura #043 (O Globo): LCD Soundsystem // Friday


Eles não estavam lá sozinhos
foto: Alexander Stein (Pitchfork)

Texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Show de despedida do LCD Soundsystem transmitido pela rede reduz a fronteira entre online e offline
por Bruno Natal

Sábado passado, o LCD Soundsystem fez seu último show, em Nova York, num Madison Square Garden lotado. Os ingressos se esgotaram em minutos, muitos indo parar na mão de cambistas, o que desagradou o líder da banda, James Murphy. Decidido a dividir o momento com os muitos fãs espalhados pelo mundo que ficaram de fora, Murphy topou a transmissão on-line ao vivo e gratuita proposta pelo site Pitchfork.

O resultado foi histórico, tanto em termos musicais quanto tecnológicos. Principalmente porque a transmissão desafiou a constante diferenciação entre a vida real (das ruas) e a vida conectada (“dentro” do computador). Apesar dos números da audiência não terem sido revelados, o comentário foi intenso nas redes sociais antes, durante e depois das 3h40m da apresentação, levando, por exemplo, o nome da banda à lista de assuntos mais comentados no Twitter.

O LCD é a primeira banda da geração 00 cujo fim teve tanta repercussão, e a comoção provocada pela dissolução do grupo foi comprovada na madrugada do show. Os relatos em texto e fotos de fãs se reunindo para conferir a apresentação em bares ou em casa, ligando o computador em televisores e aparelhos de som para melhorar a experiência, mostraram que “assistir na internet” não é mais uma experiência menor, muito menos solitária.

As imagens pixeladas e as pequenas travadas, em vez de atrapalhar, contribuíram para a sensação de imediatismo do momento. Cerca de 12 horas depois, arquivos com o áudio e o vídeo do show apareceram na rede. Não é a mesma coisa, mas a sensação de “eu estava lá” já estava impregnada no evento. Mesmo para quem assistiu a milhares de quilômetros de Nova York.

Conhecido pelos vídeos da série “Take away shows”, divulgados na rede, o diretor Vincent Moon fez um caminho aparentemente inverso com seu filme “An island”. Em vez de buscar salas para exibir o registro sobre a banda dinamarquesa Efterklang para o público em sessões para 300 pessoas, Vincent descentralizou o processo ao oferecer a possibilidade de qualquer pessoa baixar o filme em alta definição e produzir uma sessão, desde que fosse gratuita, aberta ao público e para ao menos cinco pessoas (mesmo que isso significasse apenas os seus amigos). Ao pulverizar as sessões, o projeto, encerrado no dia 31 de março, contabilizou 1.178 desses encontros, em diversos países.

A relação entre o mundo on-line e off-line nem sempre é tão fácil. O documentário “Catfish” retrata um jovem que resolve desmascarar uma família quando descobre que o perfil de uma menina com quem estava se relacionando no Facebook não era real. O filme fala mais sobre as relações digitais do que “A rede social” jamais conseguirá, ao revelar quão delicadas e frágeis são essas redes. Mesmo quando os encontros se dão prioritariamente on-line, o “mundo real” está sempre rondando, cercando, derrubando a barreira invisível que separa os dois planos.

Nos três casos vemos o mundo on-line e off-line se fundindo, gerando histórias que não poderiam existir há alguns anos, discutindo, cada um a seu modo, a importância e necessidade de se estar presente para vivenciar algo. Inegavelmente, a realidade mudou. Vidas on e off-line não estão em conflito, são complementares. Nada vai substituir o olho no olho, porém cada vez mais o que importa são os encontros, aconteçam onde acontecerem.

Tchequirau

Interpretada pelo apresentador Stephen Colbert, acompanhado pelo The Roots, no programa do Jimmy Fallon, o hit  mais grudento do ano,”Friday”, da Rebecca Black, ganha sua versão definitiva.

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Transcultura #042 (O Globo): Rap, mamilos


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Texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Rap sem mistérios
Rap Genius, site que traduz as intrincadas letras do rap americano
por Bruno Natal

O sujeito faz curso de inglês, estuda bastante, tudo para conseguir entender as letras das suas músicas favoritas do rap dos EUA. Quando finalmente domina o idioma, a surpresa: mais da metade das letras tem tantas piadas e referências internas que se tornam incompreensíveis até para os nativos da língua. Por isso existem diversas páginas com “traduções” do inglês para o próprio inglês de músicas conhecidas. Poucos tão completos e interativo quando o Rap Genius.

Quando o fundador da página, Mahbod Moghadam, foi explicar a letra de “Family Ties”, do Cam’ron, para o amigo Tom, descobriu que estava completamente enganado sobre o significado de uma frase sobre “80 buracos numa blusa e está vestido como um jamaicano” (referência a um tipo de camiseta muito usada na ilha, não a farrapos como pensava) e pronto, nascia o Rap Genius, cuja programação foi feita pelo Tom. A página conta hoje com 10 mil colaboradores, 200 dos quais são editores, aprovando o conteúdo gerado pelos usuários.

O formato é parecido como a Wikipedia, permitindo a cada usuário cadastrado dar seus pitacos sobre as letras. Cada frase tem um link próprio e é constantemente debatida pela comunidade. Basta clicar em cima para descobrir os segredos do rap. Mahbod diz que não foi difícil constuir a base inicial e que muitos dos colaboradores iniciais continuam participando como editores.

- Difícil é manter o crescimento, já que todo mundo que ser o pioneiro e perde o interesse em seguida – explica. – Editar o Rap Genius é muito trabalhoso, espeicamente quando você fuma maconha todo dia.

As explicações são tão precisas que tem admiradores entre os próprios rappers.

- O Lupe Fiasco disse qeu adora as explicções das suas letras, o Lil B e Childish Gambino já elogiaram e o Crooked explicou algumas de suas próprias letras.

Nem todos entram na brincadeira. Tyler The Creator, do Odd Future, polêmico e comentado coletivo de rap de Los Angeles, seguindo a risca sua marra, usa seu Formspring para dar respostas sarcásticas que não explicam nada. Ninguém liga, faz parte da mítica não entregar tudo tão fácil. A comunidade do Rap Genius se vira com o que tem.

Utilizando as redes sociais, a ideia vai se espalhando e já surgiu a versão francesa, o Rap Genius France. Em português há letras do rapper angolano Knowledge Kappa. Mahbod aguarda a versão brasileira.

- Ouvi dizer que o hip hop brasileiro é muito bom. Mal posso esperar para a comunidade brasileira do Rap Genius decolar. Se tiver algum fã brasileiro de rap pronto para começar esse trabalho, por favor escreva para mim: mahbod@rapgenius.com Se der certo, me mudo para o Brasil com certeza!

Tchequirau

Um assunto polêmico.

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Transcultura #041 (O Globo): CALMA, mais YouTube


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Texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Muita Calma nessa hora
Depois de pintar uma cidade inteira, artista prepara exposição em NY e curta
Por Bruno Natal

Entre 2006 e 2008, Stephan Doitschinoff, mais conhecido com Calma, se mudou para Lençois, na Bahia, com o objetivo de pintar a cidade inteira. O processo, documentado no livro “Calma” (publicado pela respeitada editora alemã de livros de artes visuais Gestalten) e no documentário “Temporal”, de Bruno Mitih. Inspirado pelo folclore afro-brasileiro, utlizando elementos sagrados e pagãos, Stephan pintou murais, lápides e até uma capela com elementos religiosos. Com participação direta da população e artistas locais, juntou duas escolas distante: a contemporaneidade urbana do grafite e a tradição arte sacra, consolidando um caminho artístico para Stephan. Agora ele prepara sua primeira exposição solo em Nova York, e também um curta de um de seus trabalhos.

- Expus em Nova York, mas era na sala de projetos da Jonathan LeVine Gallery. Dessa fez será na galeria principal. Vou trabalhar 2011 inteiro numa série de sete telas bem grandes, a menor vai ter 2m x 1,5m, uma escultura e uma série de gravuras e desenhos – conta o artista.

O codinome de Stehpan, Calma, pode ser lido também como a contração de “com alma”, o que faz ainda mais sentido. A inspiração para os novos trabalhos continua sendo os motivos religiosos, explorando e misturando traços de diversas crenças, realizando a tão sonhada coexistência ao menos com tinta.

- Tenho ido cada vez mais a fundo na pesquisa, fazendo também instalações nessa linha. Minha base, até porque é o que tenho mais experiência a respeito, é a arte sacra cristã, mas também pego emprestado de outras religiões que tem a mesma base do cristianismo, do oriente médio, traços do islamismo, símbolos judaicos… Gosto de estudar. Minha vontade é fazer templos ecumênicos – diz Stephan.

A Igreja tem uma longa de ligação com o mundo das artes, comissionando trabalhos de alguns dos principais pintores e escultores ao longo dos séculos para enfeitar seus templos. Engana-se porém quem pensa que Stephan pode um dia ser visto embelezando as paredes da Santa Sé. A crítica social, base do grafite, é o motor da arte de Stephan.

- Conceitualmente, meu trabalho é um comentário contra a corrupção das instituições. Uso a Igreja como um símbolo de uma instituição corrupta, como tantas outras como o governo ou a mídia. Em algumas obras isso é mais sutil, em outras está mais explícito. Não gostaria de me envolver com essa instituição. A capela que pintei em Lençóis já havia sido abandonada pela diocese, era pobre, não interessava. Estava abandonada, mas ainda era usada pelo povo, então fui lá e pintei porque estava a serviço da fé. Como as pessoas vão lá pra rezar para Santa Luzia e Santa Bárbara, não coloquei temas agressivos e não distorci as imagens das santas, porque não queria incomodar os moradores e a fé deles. Guardo minha crítica para meu trabalho pessoal – explica.

Para Stephan existem diferenças cruciais entre o grafite, sua porta de entrada nas artes há mais de dez anos, e seu trabalho atual, principalmente na questão do tempo que cada um demanda.

- Desde o momento que passei a me interessar pelo folclore, arte sacra, em pensar e projetar cada obra, não me considero mais grafiteiro e sim um artista plástico. Meu direcionamento é outro. Não faço trabalhos ilegais, até porque não conseguiria, demoro uma semana por mural. Em Lençois conversava com os moradores, pra saber o santo protetor, a história de vida de cada um, antes de pintar suas casas.

A escultura, como “A Mão”, “feita para Bienal de São Paulo e exposta no parque do Ibirapuera, é outra faceta que Stephan pretende explorar. Nos próximos meses ele tem uma mostra de gravuras agendada na galeria Choque Cultural, em São Paulo, e pretende lançar seu primeiro filme.

- Estou terminando meu primeiro curta, em parceria com as produtoras da Dínamo e Movie Art. Terá 3 minutos e meio, retratando uma performance que fiz e se chama “Tudo é Vaidade”. Fiz uma procissão, com quatro atrizes (Tainá Müller, Carolina Manica, Kika Martinez e a Marina Diaz), numa rua na zona oeste de São Paulo. Já está pronto, estão terminando a tipografia, efeitos. Será lançado daqui um mês, primeiro em um cinema e depois na minha página.

Tchequirau

Um vídeo com um passo a passo completo ensina o que fazer quando o YouTube suspende a sua conta por acusações indevidas de quebra de direito autoral. Segui e salvei a minha conta.

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Transcultura #040 (O Globo): Charlie Sheen, Metronomy


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Texto da semana retrasada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

#Winning!
A face oculta de Charlie Sheen
Por Bruno Natal

De máscara de carnaval e infográficos a legendas em fotos de gato, alusões a “Scarface”, remix dubstep e mashups com os filmes “O discurso do rei”, “Guerra nas Estrelas” e Charlie Brown, as frases inspiraram infinitas homenagens. Sem querer (será?), Sheen também gerou admiração com sua sinceridade. “Ele está apenas botando o dedo na cara de quem vive conformado sua vidinha sem graça e cuja única ação que consegue por em prática é falar mal da vida alheia. Especialmente da vida de quem vive como quer”, resumiu o Trabalho Sujo.

Relembrando: o que era pra ser mais uma conversa com uma ator de Hollywood em crise, porém Charlie Sheen aproveitou os holofotes pro conta da sua demissão do seriado “Dois Homens e Meio” devido a uma briga com os produtores e transformou sua entrevista no programa “20/20″, exibido semana passada nos EUA pela emissora ABC, no maior manancial de frases de efeito, auto-afirmação e memes do passado recente. Sheen bateu o recorde do Twitter ao conseguir 1 milhão de seguidores em um menor espaço de tempo do que qualquer outro usuário.

Sheen abriu o verbo sobre sua vida em declarações sobre usar “uma droga chamada Charlie Sheen, não está disponível, se você experimentar você vai morrer”, que “morrer é para os otários” e vangloriar-se de sua épica disposição para festas deixando “Frank Sinatra, Keith Richards, Mick Jagger no chinelo”, ter sangue de tigre, concluindo qualquer questão cabeluda com um “winning” (vencendo!) e um sorriso no rosto.

Obedecendo a velocidade dos tempos atuais, a brincadeira, também em tempo recorde, vai dando sinais de desgaste. Jornais como o nova-iorquino Village Voice, já reclamam de como essa atenção inflou a arrogância de Sheen e programadores criaram uma extensão para os navegadores Firefox e do Chrome que bloqueiam as palavras “Charlie Sheen” na sua tela . Seja como for, foi uma semana histórica na vida de Sheen.

Tchequirau

O terceiro disco só sai em abril e julgando pelas duas músicas que o Metronomy botou na roda até agora, vem coisa quente: “She Wants” e “Look”. 2011 nem embalou e está bom demais em lançamentos.

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Transcultura #039 (O Globo): Lykke Li, Belo Monte

Texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O lado sombrio de Lykke Li
Musa sueca deixa de lado a imagem de boa moça e lança disco com letras tristes e sons pesados
por Bruno Natal

Cansada do frio sueco, Lykke Li se mudou para Los Angeles para gravar “Wounded Rhymes” (mesmo destino escolhido pelo LCD Soundsystem para registrar seu derradeiro trabalho, “This Is happening”). Aproveitando a riqueza de paisagens disponível nos arredores, aproveitou para filmar um curta, dirigido por Moses Berkson e lançado meses antes do disco ficar pronto.

“Solarium” indicava visualmente o que estava por vir sonoramente, e não apenas pela aridez do cenário. No filme experimental, preto & branco, a loirinha aparece enterrando espelhos no deserto californiano, como se tentasse esconder as diversas leituras feitas dela mesma por tantas pessoas, e se apresentar como de fato ela mesmo se vê.

Faz sentido. O sucesso da estreia, “Youth Novels”, trouxe junto um entendimento da sua personalidade que não batia muito com algumas das letras e, principalmente, com a atitude de Lykke Li no palco. Empurrada por arranjos delicados e a fofura do seu hit “Little Bit”, a cantora era constantemente classificada como “menininha”, mesmo que ao vivo mostrasse ser uma artista inquieta, quase agressiva, tanto nas postura quanto no gestual. Aos 24 anos (tinha apenas 19 quando compôs as músicas do primeiro disco), para acabar com essa esquizofrenia, Lykke Li tomou uma decisão firme sobre que caminho seguir.

Enquanto essa semana vimos trechos de 30 segundos de todas as músicas do novo disco do The Strokes e de uma das faixas do segundo disco solo do Marcelo Camelo circularem pela rede (quem quer ouvir 30 segundos de uma música? Pra que serve isso?), “Wounded Rhymes” esteve disponível, inteiro, para audição online dias antes do lançamento oficial, essa semana.

Produzido pelo conterrâneo Björn Yttling (do Peter, Björn and John), em “Wounded Rhymes” Lykke Li assume seu lado mais sombrio. Os arranjos fofos dão lugar a uma sonoridade mais seca, cheia de espaços, pesada, marcada por percussão, stacatos, camas de órgão, reverb e distorções, envoltas numa nuvem, mesmo que rala, de psicodelia sessentista. O motivo, claro, foi um coração quebrado. A menina que antes encarava o amor, mesmo que deslocada, agora passou por ele e fala da perda. “Wounded Rhymes” tem uma personalidade que não permite momentos de leve distração como o anterior. O ouvinte é sugado para o universo proposto.

Com técnica limitada, Lykke sabe trabalhar a textura da própria voz, criando climas e conquistando na interpretação. Os momentos coloridos são poucos na tensão de “Get Some”, na discreta influência do hip hop em “I Follow Rivers” e a inclinação surf music “Youth Knows No Pain” (até onde isso é possível para Lykke Li). Entre as outras tantas canções densas, Lykke Li se permite dois momentos intimistas, cantando a tristeza acompanhada por guitarra e um vocal de apoio na minimalista “Unrequited Love” (“Amor Não Correspondido”) e apenas por um violão em “I Know Places”, até o final em que entram bateria, guitarra, teclados fazendo efeitos.

Tivesse aceito os rótulos que tentaram impor após o primeiro disco, o caminho de Lykke Li poderia ter sido mais fácil. Mais fácil, porém, raramente está ligado a melhor. Ainda bem que ela não quis. Esse disco não teria saído de outra maneira.

Tchequirau

Acostumados com a arte de montar apresentações para influenciar marcas e clientes, um grupo de publicitários se organizou para criar um movimento contra a construção da Usina de Belo Monte, na Amazônia. Tudo bem explicado – claro! – num power point e em planners4good.posterous.com

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Transcultura #038 (O Globo): YouTube, Likke Li

Rain Clouds, Rain Clouds

Texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Nuvens carregadas no YouTube
por Bruno Natal

“Sua conta foi finalizada devido a múltiplas notificações de infração de direitos autorais”. Com essa mensagem seca fui avisado pelo YouTube que mais de 200 vídeos, upados desde fevereiro de 2005, primeiro mês de funcionamento do serviço, haviam ido para o vinagre. Sem aviso prévio, sem conversa, sem recurso. E não foram deletados apenas os vídeos com “problemas”. Foram todos, mesmo os meus próprios, inclusive aqueles sobre os quais tenho os direitos.

A tolerância proposta pelo YouTube de até três infrações antes do cancelamento irrestrito da conta prevê também um aviso prévio a cada uma delas. Não recebi nenhuma. A única informação disponível após o cancelamento era o nome da banda inglesa autoKratz como responsável por uma dessas reclamações. Filmei uma apresentação da banda numa loja de discos, vazia e em vez do vídeo ser tido como um registro capaz de ampliar o alcance daquele show, o resultado foi esse. Tentando iluminar o ocorrido, tuitei o nome dos “culpados” e, no dia seguinte, o empresário da banda escreveu, pedindo desculpas, dizendo que não era culpa deles, que era uma postura do selo que os distribuia e com o qual não tinham mais nenhuma relação (ainda que, ao se associar ao selo, tenham mesmo que indiretamente, concordado com a visão do mesmo).

Se até aqui a história toda já não estivesse suficientemente bizarra, piora. Ao pesquisar, descobri que os outros dois vídeos que receberam reclamações eram trailers de documentários da minha própria produtora, feitos sob encomenda de uma gravadora, que muito provavelmente ataca qualquer vídeo que esteja associado ao seu catálogo. Ou seja, fui punido por divulgar o meu próprio trabalho, sob o qual detenho os direitos autorais.

Em meio as discussões no Ministério da Cultura e da disputa Creative Commons x Ecad, esse caso serve para ilustrar o tamanho da zona cinza da lei de direitos autorais, no Brasil ou no mundo. O jogo mudou e ninguém parece querer, ou conseguir, enxergar. Não se trata de caso isolado, o problema é bem maior. Existem casos de cancelamentos de contas no Facebook e no Flickr, como a de um fotógrafo que publicava imagens de bundas clicadas na praia num álbum chamado “Rio”. Na delicada interpretação do caráter artístico das fotos versus o teor supostamente pornográfico das imagens – uma discussão eterna – prevaleceu o bom senso e a conta foi reativada.

Cada serviço tem os seu termos de uso e em cada um desses casos citados algum deles foi desrespeitado, ao menos em parte. Se está na regra, faz parte do jogo e é necessário estar atento a esses termos. O que não está na regra, e portanto não se sabe onde encaixar no jogo, é o estímulo cada vez maior para que utilizemos as facilidades da nuvem – o armazenamento remoto de nossos textos, fotos, vídeos, mensagens em servidores externos. Sem uma definição mais clara, e sobretudo justa, de direitos e deveres de cada parte (provedores de serviço, usuários e detentores de direitos autorais), fica impossível jogar – como as vezes parece igualmente impossível essas definições. Até lá, espera-se que o bom senso ainda tenha lugar nas decisões finais.

Quem confia na nuvem para salvar seus arquivos pode, de uma hora pra outra, descobrir que devido a esses dados, o acesso a seu próprio conteúdo poderá ser negado. Enquanto nada se resolve, o HD externo é ainda o melhor amigo do usuário.

Tchequirau

A loirinha Lykke Li deixou de lado a fofura que enfeitava suas letras densas e partiu para um caminho mais sombrio em “Wounded Rhymes”, seu segundo disco, disponibilizado oficialmente na íntegra no Hype Machine, antes do lançamento.

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Transcultura #037 (O Globo): Blogues de MP3, Toro Y Moi mixtape

Texto da semana retrasada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Fácil como 1, 2, 3
A segunda geração de blogues de MP3 facilita ainda mais as coisas
por Bruno Natal

Quando o MP3 surgiu, o que havia para ser baixado eram discos regulares sendo convertidos para arquivos digitais, o que desaguou em zilhões de ações da indústria fonográfica contra o irrefreável hábito dos usuários de compartilhar os arquivos e, logo depois, na decadência galopante do formato físico. Enquanto caía um gigante, surgia outro. A troca de arquivos virou o padrão de compartilhamento de música e não apenas artistas vindo do formato antigo queriam participar, como, principalmente, novos artistas surgiram e se estabeleceram a partir disso.

Hoje existem músicas que saem exclusivamente no formato digital, feitas exatamente para ser baixadas gratuitamente, tanto de bandas independentes lançando material original, como de remixes feitos por produtores em busca de atenção – e as vezes se arriscando com material protegido por direito autoral. O Hype Machine tornou-se o principal agregador desse tipo de conteúdo, reunindo em uma só página as músicas publicadas nos principais blogues dedicados a disponibilizar MP3. É possível escutar e encontrar links para os lançamentos mais recentes e, não por acaso, a página foi chamada de “a Billboard da nossa geração” pelos caras do Chromeo.

O formato prático do Hype Machine, reunindo tudo em um só lugar, deu cria e hoje existem diversos blogues, dedicados a gêneros e estilos específicos, para encontrar música nova. E boa, já que as páginas costumam ter curadoria e não aceitam qualquer entrada. Exemplos bem organizados são o Amaxing FM, o We Are Hunted e o Punkreas, são apenas três de quase infinitas opções. Uma ótima maneira de baixar músicas gratuitamente sem correr o risco de infringir a lei.

Tchequirau

FACT mix 219 – Toro y Moi (Feb ’11) by factmag

Vi no Party Busters o link para mixtape que o Toro Y Moi, responsável pelo disco do verão 2011, “Underneath the Pine”, fez para Fact Magazine, mais dançante do que o tal chillwave dos seu trabalho original:

Harvey Mason – “On and On”
Advance – “Take Me to the Top”
The Field – “Little Heart Beats So Fast”
Eddie C – “Space Cadet”
Petter – “Untight”
Harald Björk – “Sunsets”
Mount Kimbie – “Carbonated”
Jayson Brothers – “The Game”
Motor City Drum Ensemble – “Raw Cuts #6″

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Transcultura #035 (O Globo): Optimo DJs, Everybody Loves Reggae

Texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

DJs da festa Ritmos Digitais entrevistam a dupla escocesa Optimo, que toca tocou no Rio este sábado
por Bruno Natal

“Amamos seus ouvidos”, esse é o lema dos escoceses do Optimo (Espacio). A dupla é responsável por uma das noitadas mais conhecidas do mundo, baptizada em homenagem a uma música do Liquid Liquid, desde 1997 no Sub Club, em Glasgow. Lá, JD Twitch e JG Wilkes receberam convidados como LCD Soundsystem, The Rapture, Franz Ferdinand e Peaches e o sucesso das festas e dos mixes levou a dupla a viajar com a festa pelo mundo. Nesse sábado, o Ritmos Digitais recebe o Optimo, no Fosfobox. Para explicar melhor o que vai acontecer, pedi para os anfitriões entrevistarem JD Twitch, metade do Optimo.

Yugo: Como DJ as vezes vivo o conflito de ser ecléctico sem perder a unidade do set. Você também? Como lida com isso?

JD: Não muito. Não penso conscientemente em ser ecléctico, mudo o set de direção porque meu pico de atenção é curto e porque gosto de muitos estilos. Só passo por isso quando estou (raramente) tocando apenas techno e fico na dúvida se o público quer ouvir coisas mais variadas. Mas isso acontece cada vez menos e geralmente me sinto a vontade pra tocar o que quiser (com um olho na pista, claro). Equilibrar expectativas enquanto divertimos o público é talvez a melhor maneira de descrever o que fazemos, mais do que “ecléctico”.

Millos: Você planeta o que vai tocar com antecedência? E o que é mais importante, mixar bem ou sua seleção musical?

JD: Posso pensar sobre que músicas quero levar, mas escolho o que tocar dependendo do momento. Tentamos ser bons tecnicamente, mas sem dúvidas a seleção musical é o mais importante.

Salim: Após 13 anos da fester, os vídeos de vocês tocando em Glasgow fazem parecer que o público vibra com qualquer coisa que vocês toquem. Como é tocar longe de casa?

JD: Varia bastante e depende de onde estamos tocando. Geralmente sacamos bem rápido o que o público está curtindo e partimos daí. Se estiver óbvio que vão tacar coisas na gente se tocarmos sete minutos de música clássica, não vamos fazer isso. O clube em Glasgow era nosso playground. Era uma noite de domingo, então as pessoas estavam mais abertas a sons diferentes e sabiam que se tocássemos coisas malucos que eles não gostassem, não seria a noite toda, já que 90% do que tocamos é pra dançar. Também tínhamos a oportunidade de tocar algo que não era obviamente feito para dançar até o público sacar. Isso é algo difícil de se conseguir em uma noite. Mas já tocamos em vários lugares do mundo onde o público tinha a cabeça bem aberta e topam qualquer coisa.

Millos: Vocês já estiveram no Brasil duas vezes. O que acham do país? Aguma história interessante?

JD: Nós amamos o Brasil, a comida, as pessoas, a atitude, o espírito, a alegria de viver, a música e o clima. Nada muito maluco aconteceu com a gente, fora enchentes e ouvir barulhos de tiro em favelas, mas acho que isso é normal. Da última vez que viemos passamos a semana com o MC5 e foi bem bacana.

Yugo: Vocês gostam ou conhecem artistas e produtores brasileiros?

JD: Amo music brasileira, especialmente a Tropicália e psicodelias setentistas. Tenho diversos discos do Tom Zé, Os Mutantes (com quem já colaborei), Gal Costa, Rita Lee, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Rogerio Duprat, Milton Nascimento, Novos Baianos, Secos e Molhados, Tim Maia, Ney Matogrosso, etc. Entre os DJs e produtoers, além do Gui Boratto, DJ Marky, DJ Patife e do nosso amigo Augusto, não conhecemos muito, lamento dizer.

Salim: Se você pudesse escolher estar numa festa, em qualquer lugar e qualquer tempo, qual seria?

JD: Amaria ter visto o Larry Levan na Paradise Garage, em Nova York, no final dos anos 70 e 80. Minha irmã teve a sorte de ter ido e diz que é exactamente tão bom quanto todos que foram costumam dizer que era.

Tchequirau

Poucos gêneros musicais são tão influentes quanto o reggae, todo bom músico ama os sons da Jamaica. Dúvida? Dá um pulo no www.everybodylovesreggae.tumblr.com.

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Transcultura #034 (O Globo): Burro Morto, Rikki Ililonga


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Texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Baptista conduz o Burro Morto
“Baptista virou máquina” é o primeiro lançamento nacional a vazar na rede em 2011
por Bruno Natal

Baptista vive num lugar onde as pessoas, graças a avanços médicos, apenas trabalham. Ele não dorme, não tem vida, não sente nada. Até que um dia, graças a um acidente, Baptista desmaia e sonha com todas as capacidades perdidas pelos seres humanos: amor, arte, alegria. Essa é a premissa do roteiro que inspirou “Baptista Virou Máquina”, do grupo nordestino instrumental de afrobeat, rock e psicodelia Burro Morto, primeiro lançamento nacional a vazar na rede este ano.

- O disco foi feito em cima desse roteiro e da vida desse personagem, o Baptista – conta Haley, tecladista do grupo paraibano. – O disco se divide em dois momentos, antes e depois dessa descoberta do Baptista.

No disco anterior, “Varadouro”, as músicas foram compostas livremente, cada uma numa onda. Desta vez, as composições nasceram juntas, em estúdio, tendo mais unidade entre si. Isso porque o disco tinha como objetivo representar musicalmente o roteiro não filmado que motivou a gravação. Cada música conta uma parte dessa história. Depois de pronto, o cineasta Carlos Downling fez um filme para ilustrar as músicas, invertendo a ordem usual desse tipo de colaboração, quando a trilha serve às imagens.

- Nesse caso, o filme é uma trilha visual para o disco – explica Haley. – No estúdio, discutíamos sobre o roteiro e como faríamos para representar aquilo musicalmente. Além de pensar sempre na interligação dessas faixas, como se fossem uma linha de tempo.

A banda vê com bons olhos a divulgação e o burburinho causados pela estreia antecipada do trabalho, tanto é que eles mesmos tuitaram o link para quem quiser baixar. Mesmo porque o lançamento oficial do disco trará também um DVD, com o filme inspirado no disco e um registro das gravações.

Tchequirau

“Dark Sunrise” é uma antologia do mestre do zamrock, o zambiano Rikki Ililonga, a frente da sua banda, Musi-O-Tunya, lançada pelo selo de Now Again e vendida na página da gravadora Stones Throw.

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Transcultura #032 (O Globo): Exaltatumblr, Paul McCartney


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Texto da semana retrasada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Subversão nonsense ataca redes sociais
por Bruno Natal

Com menos de dez dias de funcionamento, o Exaltatumblr se espalhou como uma praga pelo Twitter e Facebook. O motivo é muito simples: ao contrapor passagens memoráveis de clássicos do axé, pagode e funk, a fotos de celebridades, passagens de filmes ou imagens absolutamente non-sense, a brincadeira tocou no incosciente coletivo.

- Geralmente penso nas letras no ónibus, ou meu namorado começa a cantar e eu me recordo delas. É só abrir o photoshop, procurar uma imagem legal, escrever a música em cima e adicionar coisas “hipsters” na edição, como camadas de constelações ou triângulos” – explica Marina Duarte, uma das editoras.

A ação atravessa fronteiras também no mundo real. Além de Marina, 20, de Taubaté, a página é editada pela paulistana Tati Criscione, 22, pelo carioca Paulo Portugal, 20, e Eloise Garcia, 24, de Maringá, no Paraná.

Tchequirau

Semanas após a turnê pela América do Sul, Paul McCartney divulgou um vídeo de agradecimento as cidades que hospedaram os shows (São Paulo, Porto Alegre e Buenos Aires) cheio de imagens de bastidor de sua passagem por aqui. Presentão.

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Transcultura #031 (O Globo): Scientist, La Cofradia de Los Corazones Solitarios


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Texto da semana passada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Aplicando ciência ao dubstep
O dub do dub que vem de londres
por Bruno Natal

O dubstep é o filho mais recente e comentado do dub. Crescido nas regiões tidas como casca-grossa de Londres, como Brixton e Hackney, as frequências graves e pesadas vão se tornando pop, tocando nas rádios inglesas, ainda que em formatos diluídos, e nomes como Rusko têm sido convidados para produzir faixas para gente como Britney Spears.

Porém, o bom dubstep é mesmo aquele curtido em clubes alternativos, escuros e enfumaçados, sem preocupações comerciais, por gente como Mala, Skream, Digital Mystic, Kode 9, Burial e tantos outros.

Curiosamente, mesmo carregando o dub no próprio nome, afora as participações de alguns toasters jamaicanos, havia pouca interação entre os universos do dubstep e dos nomes clássicos do dub. Nesse sentido, o disco “Scientist launches dubstep into outer space” é um marco (troque seu e-mail por duas faixas no saite da gravadora).

Nele, um dos principais dubmasters da História, pupilo de King Tubby (pai da coisa toda), conhecido mundialmente como Scientist, aplica a ciência da mesa de som a 12 músicas exclusivas de grandes nomes do dubstep.

A proposta é muito simples: Scientist pegou as músicas com todas as faixas separadas, abriu numa mesa de som e fez uma nova mixagem, ao vivo, adicionando efeitos como delay e reverb, valorizando ainda mais os graves e criando novas versões da gravações originais. É um dub de músicas que já nasceram dub. É quase redundante, e, em alguns casos, é mesmo. Até porque faz tempo que o mestre perdeu a pegada. Só pelo encontro, vale a audição.

Tchequirau

Niña Dioz & Li Saumet – La Cumbia Prohibida (Prod. by El Remolón & Villa Diamante) by villadiamantezzk

Formada pelos argentinos Niña Dioz, Villa Diamante e El Remolón, e pela colombiana Li Saumet (Bomba Estéreo), La Cofradia de Los Corazones Solitarios é um projeto integrado por um time de estrelas da nova cumbia.

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Transcultura #030 (O Globo): Anões em Chamas, Beach House


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Texto da semana passada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O novo humor que usa a internet como palco
Site ‘Anões em chamas’ leva para a internet um tipo de humor diferente do convencional
por Bruno Natal

Sentado em uma poltrona, rodeado por livros e vestindo um pulôver sobre a camisa social, o ator Gregório Duvivier empunha um violão e entoa a impublicável letra do funk “Chatuba de Mesquita”, detalhando as peripécias de um rapaz auto-entiulado “máquina de sexo”. Renomeada “História de Nanar”, a leitura mimosa de uma registros mais punk rock do funk (na versão original dá pra sentir o calor do baile) é um resumo do Anões em Chamas: humor sem preocupação com o politicamente correto, feito por amigos e tendo a internet como palco.

Há apenas nove meses na rede, o saite tem uma média de 40 mil visitas diárias, 24 mil seguidores no Twitter e alguns recordistas de audiência, como a série “Amanda”, em que a atriz Leticia Lima, uma feminista as avessas, cuja estreia com “dicas” sobre como lidar com violência doméstica, passou das 750 mil visualizações.

- Criei o Anões em Chamas para ser um braço na internet da minha produtora, Fondo Filmes. A ideia era fazer vídeos que não poderia fazer ou exibir em outro lugar. Só eu dirigia os vídeos, mas há três semanas o Gustavo Chagas começou a dirigir e escrever roteiros também. O caminho é começar abrir cada vez mais, até pra quem quiser veicular seus vídeos no Anões, como estamos fazendo com a série “Birizon”. O único parâmetro é se gostei ou não do vídeo – conta o idealizador Ian SBF.

Os números de acesso são ajudados por alguns nomes conhecido no elenco. Além de Gregório, Fábio Porchat (no ar na TV Globo no herdeiro do “TV Pirata”, “Junto e Misturado”) e Thalita Werneck são alguns dos que participam dos vídeos.

- Temos nossos atores, mas é dificil dizer quais são os principais, até porque abrimos pra muitos e gostamos de chamar gente nova. São todos grandes amigos e que ajudaram muito a gente. Adoro chamar gente nova e talentosa, mesmo que os canais de TV comecem a tirar alguns de nós (risos). Viramos uma vitrine pra ótimos atores que ninguém conhecia – comenta Ian.

A inspiração no saite College Humor, fundado pelo comediante Will Ferrel, é inegável. Citando outros saites brasileiros, como Galo Frito, Jacaré Banguela e Screaptease, Ian acredita que o mercado ainda é novo.

- Com certeza a internet estava carente de produções brasileiras. Infelizmente o que mais temos, tanto em vídeo quanto em qualquer outra coisa, são traduções de material de fora. O College Humor sempre foi a inspiração e vamos ficar cada vez mais parecidos com eles, um formato que deu certo e que me espelho.

O caminho escolhido não é dos mais simples, produzir vídeo dá bastante trabalho. O Anões estão de olho no futuro.

- Estamos apostando tudo no saite. Ninguém trabalha em outro lugar, fazemos integralmente isso da vida e vamos ver no que vai dar. Financio o Anões pela Fondo Filmes e estou movimentando algumas coisas pra que no começo do ano que vem o Anões possa andar sozinho. Isso vai começar com o saite novo, ainda esse ano.

O Anões em Chama já foi procurado por canais de TV e no momento estão produzindo um programa para o Multishow, com estreia em dezembro. O grande projeto é um filme chamado “Teste de Elenco”, com Fábio Porchat e Thalita Werneck que, Ian diz, “será o primeiro longa brasileiro lançado exclusivamente na internet”, além de “Podia Ser Pior”, já filmado, com Fernando Caruso, Danilo Gentili – além, claro, de Gregório, Porchat e Thalita.

- Ainda existe muita coisa inexplorada no Brasil, mas eu acho que o maior obstáculo é fazer com que as empresas entendam que a internet não é um “meio alternativo” de comunicação, é a nova TV – conclui Ian.

Esses anões estão com papo de gente grande.

Tchequirau

Descobri “Teen Dream”, do Beach House, na lista de 100 melhores discos de 2010, um clássico da loja/selo londrino Rough Trade. Bem bom, um passinho além do chatóide nu-folk.

ERRATA: O texto sobre o Anões em Chamas saiu publicado com erros na edição impressa. Aqui no URBe e na versão online da coluna saiu o correto. Abaixo, a errata publicada na semana seguinte.

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Transcultura #029 (O Globo): Proibido Parar, Aloe Blacc


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Texto da semana passada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Pediu pra parar… parou?
Filmado com um celular, incidente no Centro vira documentário
por Bruno Natal

Jornalista de formação e editor de vídeo, Christian Caselli caminhava pela Carioca, no Centro da cidade, quando uma situação o fez parar, observar e filmar o que viu com a câmera que tinha à mão, no caso, a do celular: a Guarda Municipal tentando impedir um homem de trabalhar como estátua viva.

Ao mesmo tempo, pessoas questionavam a arbitrariedade da ação, visto que tudo que o artista fazia era estar parado numa praça. O resultado transformou-se no curta-documentário “Proibido Parar”, cuja as cerca de 30 mil visualizações no YouTube não dão conta da importância do retrato do Choque de Ordem batendo de frente com as vontades dos cidadãos.

É algo especialmente relevante quando se pensa na importância de se refletir a respeito da eficácia de políticas baseadas no confronto como estratégia de ordem. Abaixo, o diretor conta os bastidores da filmagem de um documentário que simplesmente aconteceu, feito sem planejamento, como apenas hoje seria possível.

Qual a sua formação?

Christian – Sou formado em jornalismo na UFF, mas não exerço. Quer dizer, trabalhei na Tribuna da Imprensa entre 2000 a 2004, mas parei por aí. Puxei também a cadeira de Cinema e Vídeo na mesma faculdade, mas não me formei. Em compensação, hoje trabalho com cinema e vídeo. Ou melhor, prefiro a palavra “audiovisual”. Mais precisamente o audiovisual independente. Nunca passei em um edital, nunca fiz publicidade nem campanha eleitoral. Também nunca trabalhei num longa, mas faço bastante curtas autorais e me aventuro em todos os gêneros. Meu filme mais conhecido até agora é o desenho desanimado “O Paradoxo da Espera do Ônibus”, com umas 430 mil exibições no YouTube. Também trabalho na Mostra do Filme Livre e sou autor do projeto Foto-Celular, que esse ano ganhou uma exposição no Centro Cultural da Justiça Eleitoral.

O que você fazia na Carioca aquele dia? Como percebeu que uma história estava se desenrolando ali?

Christian – Sabe que nem me lembro? Sou autónomo, então faço os meus horários. Tenho adoração pelo Centro do Rio e vivo passeando por lá. Na hora estava até escutando música no mesmo celular que eu filmei, quando vi a muvuca. Deu preguiça de filmar, pois a música era muito boa (acho que era o disco “Rattus Norvegicus”, do Stranglers). Mas vi o que se tratava e percebi que aquilo merecia ser documentado.

A Guarda Municipal tentou impedir?

Christian – Logo quando comecei a filmar, notei que era uma situação muito paradigmática sobre liberdade de expressão. Também me interessou muito o contraste entre o rapaz parado e aquela situação tensa. Eu também estava tenso, pois cogitei a hipótese daquilo dar merda, de tomarem minha câmera ou algo assim. Mas bastou pensar que não se pode ter medo desse tipo de coisa, se não a gente vai sempre se fuder nessa porra. Tem que dar a cara a tapa mesmo. E eu teria o respaldo do povo caso desse algum problema – mas nada houve, pois éramos, no mínimo, uns três caras filmando lá. Teve um que foi mais atrevido e um Guarda Municipal tentou pegar a câmera do sujeito, mas o público imediatamente se manifestou. Cara, foi lindo ver as pessoas indignadas, tomando partido do estátua. Que bom que ninguém se acovardou.

Como foi feito o registro?

Christian – Optei por me manter o mais neutro possível e ouvindo o que as pessoas tinham a dizer. Um momento do qual particularmente me orgulho foi logo depois que tentaram pegar a câmera do “atrevido”. Criou-se uma discussão atrás do artista e, nesse momento, me fixei nele, testando o quanto ele resistiria. E, para a minha “alegria”, foi quando ele deu uma “chorada” (se é que ele chorou de fato).

O que foi falado pós o incidente, quando a GM partiu?

Christian – As pessoas conversaram mais um pouco com ele, que saiu de sua posição imóvel para uma maior discussão. Documentei isso também, mas não me pareceu importante pro vídeo. O conflito já tinha sido solucionado, pelo menos por hora. Depois, tudo voltou ao normal e o povo se dispersou, “cada qual no seu canto, em cada canto uma dor”.

Você conseguiu o contato do artista?

Christian – Consegui, mas burramente esqueci de perguntar o nome dele. Peguei seu e-mail, mas ele não me respondeu. Promova uma campanha pra achar o cara! Pode ser uma boa! Manda o vídeo pro Fantástico.

Qual repercussão que o vídeo teve?

Christian – O vídeo está tendo repercussão. Essa entrevista, por exemplo, é uma prova disso. Em pouco mais de quatro semanas, ou seja, desde quando foi publicado, o vídeo teve cerca de 30 mil acessos e mais de 100 comentários, e foi selecionado para os festivais Visões Periféricas e MOLA, do Circo Voador.

Tchequirau

Soul man contemporâneo, Aloe Blacc, da excelente “I Need a Dollar”, utilizada na abertura do seriado “How To Make It In America”, lançou seu segundo disco, “Good Things”. Coisas boas mesmo.

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Transcultura #028 (O Globo): Gant-Man, Segredo


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Texto da semana retrasada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Ponte-aérea Chicago Rio
Ritmo vindo de Chicago, o juke tem muito mais a ver com o funk carioca do que aparenta
por Bruno Natal

A música opera no inconsciente coletivo. Não raro, os estilos vão se transformando e as mudanças reverberam em todas a cenas associadas directa ou indirectamente. Nesse domingo, 14, a festa Shake Your Santa, promovida pelo Apavoramento Sound System no terraço do clube náutico Santa Luzia, dá provas de que Chicago e Rio de Janeiro são mais próximas do que parecem ser.

Parte do selo Fool’s Gold, o mesmo de A-Trak e Chromeo, produtor do hit “Switchboard”, da Kid Sister e pupilo dos pioneiros do house, a principal atracão da festa é o DJ americano Gant-Man, criador do estilo conhecido como juke (o DJ Zégon também toca). Chamado de ghettohouse em Detroit, o juke nasceu em festas alternativas, cresceu nas pistas de rollerskate e se espalhou através do footworkz, uma atualização da dança break, só que muito mais acelerado.

Enquanto muita gente no hip hop olha torto para o house, sem perceber que o rap compartilha as batidas da disco como matriz, Grant-Man é um entusiasta de ambos, e o sucesso da mistura é a prova de que está dando certo. O que ele não deve saber é o quanto poderá se sentir em casa por aqui.

Espécie de houve mais safado e sacana, o Juke, como todos os bons sons, é fundado nos graves. E grave é o que não falta nas redondezas do Santa Luzia. O local fica atrás do MAM, ao lado do aeroporto Santos Dumont, na mesma área onde ficam outros três clubes esportivos com tradição de bailes Funk, o Boqueirão hospeda semanalmente o baile da CurtisomRio. Grant está nos toca-discos desde 1989, mesmo ano de lançamento do pioneiro “Funk Brasil”, do DJ Marlboro. Começam as coincidências.

Combinando a tradição antropofágica do funk, onde o Miami bass virou o pancadão, com o poder do inconsciente coletivo, o juke e o baile funk tem mais em comum do que essas meras coincidências. Os fãs de ambos sacodem na mesma pegada. Basta comparar o frenético footworkz com a coreografia campeã de acessos no YouTube, o “Passinho do Menor da Favela”, a “dancinha do frevo com funk”.

A semelhança entre as danças é impressionante e o Apavoramento está prometendo levar um grupo de dançarinos para festa, para a ponte ser testada no único lugar que importa: a pista de dança.

Tchequirau

Você sabe guardar segredo?

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Transcultura #027 (O Globo): iTunes U, Q3HD


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Texto da semana passada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Aprenda com Zuckerberg
Plataforma distribui conhecimento gratuitamente online

Contando a história da criação do Facebook, “The Social Network” foi lançado recentemente no exterior, numa época considerada perfeita para angariar indicações ao Oscar – e pelo o que a crítica estrangeira vem falando, o filme pode mesmo levar a estatueta. É de se imaginar que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, não devia desconfiar que a história da empreitada poderia se tornar num sucesso de bilheteria, muito menos que em um espaço tão curto de tempo figuraria entre as 35 pessoas mais ricas dos EUA (segundo a revista Forbes).

Em 2005, apenas um ano após a fundação do Facebook, sem saber ainda exatamente como ganhar dinheiro com aquilo, Zuckerberg dava uma palestra na Universidade de Stanford sobre a ferramenta que iria transformar (não apenas) a sua vida, explicando para a plateia o que o saite fazia exatamente. Através do iTunes University, plataforma que oferece acesso ao conteúdo exclusivo das universidades cadastradas, é possível escutar essa e muitas outras palestras.

Fundada em 2007, aproveitando a estrutura da loja virtual e do tocador de mp3 de mesmo nome, a Apple reúne em sua ferramenta aulas, palestras e seminários em arquivos de áudio, vídeo e texto de mais de 600 universidades cadastradas, entre elas Oxford, UC Berkley, MIT, Stanford e Yale. É como se você pudesse ser ouvinte em algumas das cadeiras mais disputadas de diversas especialidades. Apesar do destaque para as universidades dos EUA, instituições do Canadá, França, Alemanha, Dinamarca e vários outros países estão presente. Assuntos relacionados a cultura, digital ou analógica, são abundantes.

É possível aprender sobre o impacto do quarteto de Liverpool na cultura popular mundial no curato “The Beatles: Popular Music and Society”, da Universidade de Illinois ou escutar os depoimentos de Krist Novoselic (Nirvana), Henry Rollins (Black Flag), Tony Alva (Z-boy) e outros para o projeto “Oral Histories: artists tell their stories”, do acervo do Experience Music Project/Sciense Fiction Museum, em Seattle, que também oferece um curso direcionado a estudantes do Ensino Médio sobre Blues de Chicago e a história dos afro-americanos.

Para os cineastas, a Universidade de Minnesota disponibiliza vídeo-aulas do curso “The Art of Stop Motion Cinema”, uma entrevista com Spike Lee, uma palestra com a fotógrafa Dorthea Lange, enquanto a conceituada New York University ajuda a enteder melhor a política dos gêneros no cinema francês e Gorgia State University oferece uma oficina de documentários. Também de Nova York, o MoMA discute design no “Design and the Elastic Mind” e o Metropolitan Museum fala de moda, assim como o inglês Victoria and Albert Museum.

É preciso prestar bastante atenção quando a indústria da música tenta demonizar a circulação de arquivos online como um todo, tentando bloquear redes e sistemas de troca. MP3 são apenas uma das coisas que se pode encontrar na rede – e nem todos circulam ilegalmente. Como se pode ver, tem coisa muito mais importante pra se encontrar.

O único empecilho é que a maior parte do conteúdo é em inglês. Mas não esquenta, está repleto de cursos de idiomas na própria iTunes University.

Tchequirau

Finalmente surge uma câmera digital com um microfone de verdade, perfeita para registrar shows. É até estranho dizer que a Q3HD é uma câmera que capta áudio com boa qualidade, está mais para o contrário: um microfone que filma.

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Transcultura #026 (O Globo): Caribou, Gregory Isaacs

Texto da semana retrasada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Caribou ao vivo em até 140 caracteres
por Bruno Natal de São Paulo, via @URBe

@URBe No Clash Club, SP, pra assistir Gold Panda e Caribou. Como queria um lugar desses no Rio. 2 mil pessoas, som bonzão.

@URBe Peguei só um pedacinho do Gold Panda, bem bom. Camadas de ruído pulsando com vocais mântricos.

@URBe Enquanto o Caribou não comeca aqui em LondreSP, “Bitte Orca”, do Dirty Projectors, inteiro tocando.

@URBe Começa Caribou. Batera, baixo, guitarras e um teclado, por enquanto quieto. Indie desde 1900 e Manitoba.

@URBe Folktronica, eletronica, shoegaze, psicodélico, do que não foi chamado Daniel Snaith e seu Caribou?

@URBe O teclado chegou e disse pros dedos do Caribou: “Insomnia! Tan tan tch tan tan…”

@URBe Teclado e bateria na frente, baixo e guitarra atrás. A disposição do Caribou no palco também desenha o som, um pouco reto demais.

@URBe Enquanto o Caribou não pousa, Diogo 1 x 1 Ronaldo, é isso?

@URBe Snaith manda um alô pro Four Tet, vai se distanciando do experimentalismo e reconduz o show para o lado mais “pop” do disco “Swim”.

@URBe Distorcao, guitarras cheias de efeito, ruídos, o Caribou pede pra avisar: os anos 90 tão em cima.

@URBe Entao blz: a volta da eletrônica anos 90 será o retorno de estacatos de cordas synth. Os hip hops de academia estão entupido disso tbm.

@URBe Pensei que tinha me distraído no show do Field Day, mas ao vivo Caribou é dispersivo mesmo. Bastante gente já partiu.

@URBe Pra encerrar o show, “Sun”. A galera gostou. Solta o freio de mão, Caribou!

@URBe Caribou: nota dos presentes: @tcompagnoni 7,5; @pedroseiler 6,5; @fcontinentino 7; xarope 7. Dou 6,5, lugar muito melhor que o show.

Tchequirau

A semana começou muito mal, com a notícia de que Gregory Isaacs foi cantar pra Jah. Aproveite o final de semana para ouvir a discografia do Cool Ruler, ou apenas o clássico “Night Nurse”, de de 1982.

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Transcultura #025 (O Globo): swUS, Tron Legacy


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Texto da semana passada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Começou com o SWU
Grupo de amigos cria uma versão alternativa e miniatura do festival
por Bruno Natal

Antigamente, se um grupo de amigos se reunisse pra organizar uma farra numa fazenda, regada a muito som e alegria, isso era apenas mais uma festa. Hoje em dia, pode virar um festival. Foi isso que aconteceu com o grupo de mineiros do coletivo I Love Bubble. O que começou como frustração com a aplicação prática dos conceitos do festival paulista SWU, repercutiu, atraiu 210 pessoas de maneira informal e tornou-se em algo maior: um festival com curadoria e produzido pelo próprio público.

Dispostos seguir a risca a sigla do SWU (que significa Starts With You – “Começa com você”), Bernardo Biagioni (jornalista, 22), Ricardo Villela (pilot de avião, 22), Gregorio Kuwada (estudante de comunicação, 21) e Raul Sampaio (estudante de direito, 21) chegaram a Fazenda Maeda, em Itu, local do festival, dois idas antes do início do evento. Sem ingressos, sem credenciais e sem muito dinheiro, armados com uma barraca de acampar, 100 discos, duas vitrolas, um mixer e uma caixa de som, estavam na disposição de fotografar, filmar e colocar um som para quem estivesse trabalhando.

- Estávamos com muita vontade de contribuir da nossa maneira com o festival, quatro malucos documentando tudo, profetizando um tanto de coisas sobre a importância de um evento como este nos registros da história da música, de uma geração. E ninguém lá colocou fé nas nossas palavras sinceras – explica Bernardo.

Apesar da iniciativa ousada ter ganho a simpatia inicial de um dos produtores do evento, eles acabaram empurrados de um assessor para o próximo até serem esquecidos. Ainda assim, acamparam numa pousada em Sorocaba em troca de atuar como DJs no café da manhã, conseguiram assistir aos dois primeiros dias do festival e na volta pra casa, trouxeram a semente do seu festival.

- Nossa frustração não era com o sistema de funcionamento do festival, mas com o fato dos organizadores não acreditarem nas nossas palavras e esforços de querer contribuir e registrar esse momento histórico de outra perspectiva. Provavelmente pensaram que éramos apenas jovens malucos querendo assistir meia dúzia de shows sem gastar um centavo – lamenta Ricardo.

Chegando em casa, empolgados com os shows e por terem conhecido pessoas de várias partes do país, decidiram organizarar uma festa de três dias na fazenda do Ricardo, em Nova Lima, nos arredores de Belo Horizonte, no final de semana seguinte. Assim, nasceu o swUS (Starts With Us – “Começa com a gente”).

O único requisitido para ser um das 100 pessoas a participar do evento era mandar um e-mail e seguir as instruções que chegavam, junto com o endereço, logo em seguida: criar (“fique a vontade para levar filmes, plantas, discos, essências para sauna, fotos e roupas coloridas”), acampar e pagar o valor do ingresso para os três dias, com preços diferentes para homens (R$50) e mulheres (R$ 30) – uma estranha prática das piores festas.

Divididas em três tendas (Vampire Weekend, Trouble e Cinema, com exibição de filmes), as atracões eram eles mesmos e amigos, tocando, expondo fotografias e interagindo.O que deveria ter sido uma festa para amigos chamou atenção  da cidade, com o número de interessados ultrapassando em muito o limite de públco proposto. O formato despertou interesse e pode, se afinado, tornar-se num modelo diferente de evento, lembrando o californiano Burning Man.

- Fomos coerentes com o nome do nosos festival e deixamos  todo mundo se expressar à sua maneira – diz Bernardo.

Agora há uma expectativa de uma segunda edição mais elaborada. Os organizadores dizem que vão continuar e que a ideia é crescer.

- No mês que vem faremos um festival modesto, com poucas bandas, queremos o Tio Lúcio de DJ – conta Bernardo, em referência ao jornalista Lúcio Ribeiro, um dos primeiros a divulgar o resultado da iniciativa. – Nós vamos mudar o mundo – completa.

Pretensioso, sem dúvida.  Ao menos eles já começaram.

Tchequirau

Os produtores de “Tron: Legacy” continuam regulando informações sobre a trilha do filme, composta pelo Daft Punk. Esses dias soltaram um pedacinho de 1 minuto e 30 segundos de “The Game Has Changed” no Facebook, o trecho mais longo liberado até agora. Também não é pra tanto.

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