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Arquivo: Imprensa

Transcultura #026 (O Globo): Caribou, Gregory Isaacs

Texto da semana retrasada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Caribou ao vivo em até 140 caracteres
por Bruno Natal de São Paulo, via @URBe

@URBe No Clash Club, SP, pra assistir Gold Panda e Caribou. Como queria um lugar desses no Rio. 2 mil pessoas, som bonzão.

@URBe Peguei só um pedacinho do Gold Panda, bem bom. Camadas de ruído pulsando com vocais mântricos.

@URBe Enquanto o Caribou não comeca aqui em LondreSP, “Bitte Orca”, do Dirty Projectors, inteiro tocando.

@URBe Começa Caribou. Batera, baixo, guitarras e um teclado, por enquanto quieto. Indie desde 1900 e Manitoba.

@URBe Folktronica, eletronica, shoegaze, psicodélico, do que não foi chamado Daniel Snaith e seu Caribou?

@URBe O teclado chegou e disse pros dedos do Caribou: “Insomnia! Tan tan tch tan tan…”

@URBe Teclado e bateria na frente, baixo e guitarra atrás. A disposição do Caribou no palco também desenha o som, um pouco reto demais.

@URBe Enquanto o Caribou não pousa, Diogo 1 x 1 Ronaldo, é isso?

@URBe Snaith manda um alô pro Four Tet, vai se distanciando do experimentalismo e reconduz o show para o lado mais “pop” do disco “Swim”.

@URBe Distorcao, guitarras cheias de efeito, ruídos, o Caribou pede pra avisar: os anos 90 tão em cima.

@URBe Entao blz: a volta da eletrônica anos 90 será o retorno de estacatos de cordas synth. Os hip hops de academia estão entupido disso tbm.

@URBe Pensei que tinha me distraído no show do Field Day, mas ao vivo Caribou é dispersivo mesmo. Bastante gente já partiu.

@URBe Pra encerrar o show, “Sun”. A galera gostou. Solta o freio de mão, Caribou!

@URBe Caribou: nota dos presentes: @tcompagnoni 7,5; @pedroseiler 6,5; @fcontinentino 7; xarope 7. Dou 6,5, lugar muito melhor que o show.

Tchequirau

A semana começou muito mal, com a notícia de que Gregory Isaacs foi cantar pra Jah. Aproveite o final de semana para ouvir a discografia do Cool Ruler, ou apenas o clássico “Night Nurse”, de de 1982.

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Transcultura #025 (O Globo): swUS, Tron Legacy


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Texto da semana passada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Começou com o SWU
Grupo de amigos cria uma versão alternativa e miniatura do festival
por Bruno Natal

Antigamente, se um grupo de amigos se reunisse pra organizar uma farra numa fazenda, regada a muito som e alegria, isso era apenas mais uma festa. Hoje em dia, pode virar um festival. Foi isso que aconteceu com o grupo de mineiros do coletivo I Love Bubble. O que começou como frustração com a aplicação prática dos conceitos do festival paulista SWU, repercutiu, atraiu 210 pessoas de maneira informal e tornou-se em algo maior: um festival com curadoria e produzido pelo próprio público.

Dispostos seguir a risca a sigla do SWU (que significa Starts With You – “Começa com você”), Bernardo Biagioni (jornalista, 22), Ricardo Villela (pilot de avião, 22), Gregorio Kuwada (estudante de comunicação, 21) e Raul Sampaio (estudante de direito, 21) chegaram a Fazenda Maeda, em Itu, local do festival, dois idas antes do início do evento. Sem ingressos, sem credenciais e sem muito dinheiro, armados com uma barraca de acampar, 100 discos, duas vitrolas, um mixer e uma caixa de som, estavam na disposição de fotografar, filmar e colocar um som para quem estivesse trabalhando.

- Estávamos com muita vontade de contribuir da nossa maneira com o festival, quatro malucos documentando tudo, profetizando um tanto de coisas sobre a importância de um evento como este nos registros da história da música, de uma geração. E ninguém lá colocou fé nas nossas palavras sinceras – explica Bernardo.

Apesar da iniciativa ousada ter ganho a simpatia inicial de um dos produtores do evento, eles acabaram empurrados de um assessor para o próximo até serem esquecidos. Ainda assim, acamparam numa pousada em Sorocaba em troca de atuar como DJs no café da manhã, conseguiram assistir aos dois primeiros dias do festival e na volta pra casa, trouxeram a semente do seu festival.

- Nossa frustração não era com o sistema de funcionamento do festival, mas com o fato dos organizadores não acreditarem nas nossas palavras e esforços de querer contribuir e registrar esse momento histórico de outra perspectiva. Provavelmente pensaram que éramos apenas jovens malucos querendo assistir meia dúzia de shows sem gastar um centavo – lamenta Ricardo.

Chegando em casa, empolgados com os shows e por terem conhecido pessoas de várias partes do país, decidiram organizarar uma festa de três dias na fazenda do Ricardo, em Nova Lima, nos arredores de Belo Horizonte, no final de semana seguinte. Assim, nasceu o swUS (Starts With Us – “Começa com a gente”).

O único requisitido para ser um das 100 pessoas a participar do evento era mandar um e-mail e seguir as instruções que chegavam, junto com o endereço, logo em seguida: criar (“fique a vontade para levar filmes, plantas, discos, essências para sauna, fotos e roupas coloridas”), acampar e pagar o valor do ingresso para os três dias, com preços diferentes para homens (R$50) e mulheres (R$ 30) – uma estranha prática das piores festas.

Divididas em três tendas (Vampire Weekend, Trouble e Cinema, com exibição de filmes), as atracões eram eles mesmos e amigos, tocando, expondo fotografias e interagindo.O que deveria ter sido uma festa para amigos chamou atenção  da cidade, com o número de interessados ultrapassando em muito o limite de públco proposto. O formato despertou interesse e pode, se afinado, tornar-se num modelo diferente de evento, lembrando o californiano Burning Man.

- Fomos coerentes com o nome do nosos festival e deixamos  todo mundo se expressar à sua maneira – diz Bernardo.

Agora há uma expectativa de uma segunda edição mais elaborada. Os organizadores dizem que vão continuar e que a ideia é crescer.

- No mês que vem faremos um festival modesto, com poucas bandas, queremos o Tio Lúcio de DJ – conta Bernardo, em referência ao jornalista Lúcio Ribeiro, um dos primeiros a divulgar o resultado da iniciativa. – Nós vamos mudar o mundo – completa.

Pretensioso, sem dúvida.  Ao menos eles já começaram.

Tchequirau

Os produtores de “Tron: Legacy” continuam regulando informações sobre a trilha do filme, composta pelo Daft Punk. Esses dias soltaram um pedacinho de 1 minuto e 30 segundos de “The Game Has Changed” no Facebook, o trecho mais longo liberado até agora. Também não é pra tanto.

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Transcultura #024 (O Globo): Vincent Moon, Lil’ Wayne

Texto da semana passada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O antidiretor de clipes
Vincent Moon faz vídeos inovadores para nomes como Phoenix, Arcade Fire e The National
por Bruno Natal

O primeiro contato com Vincent Moon foi estranho. Responsável pelo início (e por boa parte do acervo) da elogiada série de vídeos “Take Away Shows” do saite francês La Blogotèque, iniciada em 2006 e com a qual ainda colabora esporadicamente, o sujeito recusou a entrevista por e-mail, pedindo para procurar as respostas “pela rede”, antes de propor um papo via Skype pra falar da sua visita ao Brasil para ministrar oficinas em São Paulo, conhecer o Rio e viajar pelo nordeste por dois meses. Enquanto falava, era possível escutar do outro lado o estalar do seu teclado, respondendo emails e conversando ao mesmo tempo, sem perder a atenção.

A hiperatividade ajuda a explicar como esse francês conseguiu, em poucos anos, realizar vídeos com alguns dos principais nomes do pop contemporâneo, numa lista de respeito: Phoenix, Yo La Tengo, Fleet Foxes, Yeasayer, Animal Collective, Tom Jones, Sigur Ros, The National, Arcade Fire, The Shins, Of Montreal, Sufjan Stevens, Bon Iver… Iniciada por acaso, a série já retratou mais de 100 artistas mostrando suas músicas em situações intimistas e pouco usuais, como o Phoenix tocando num ônibus de turistas por Paris ou os artistas da argentina ZZK Records se apresentando em sequência nos cômodos de um casebre em Buenos Aires, realizando uma mixtape visual.

- Não gosto de vídeoclipes, a interação com a banda não é interessante – explica Vincent.

Falando sobre o mais recente projeto da Blogotèque, “Le Soirés de Poche”, do qual também participou no início, Vincent não demonstra muita empolgação:

- É muito ruim, totalmente oposto a filosofia do que eu que gosto, é muito formal, um formato muito parecido com o da TV. Não tenho falado mais muito com eles, não estou focado em indie rock e folk, não quero ficar preso a isso, quero mudar. Estou fazendo coisas com outras pessoas. Ainda envio alguns filmes para eles, mas vou parar em breve. É bom demais para eles.

Mudanças parecem mesmo fazer parte do processo de Vincent. Em sua página no Vimeo vai publicando os filmetes com os artistas que conhece nos países que visita. Falando do Brooklyn, em Nova York, a caminho do país para a série de oficinas na Academia Internacional de Cinema, o cineasta não faz planos. Adepto do improviso, nem mesmo o que vai filmar no Brasil está definido. Utilizando a rede de contatos construída com a exposição de seus vídeos na rede, a forma de trabalho tem tudo a ver com a própria internet, onde a informação circula livre, sem fronteiras ou impeditivos comerciais.

- Trabalho na base da troca com os artistas. Estou há dois anos viajando pelo mundo a convite de festivais e oficinas, não tenho casa. As pessoas me convidam para comer ou beber porque são minha amigas, basicamente, dinheiro não está envolvido. Embora as vezes receba por palestras e exibições, pra mim não é trabalho, é diversão, aprendo muito nesses eventos. Tento manter meus filmes longe dessas questões financeiras, trabalho com poucas pessoas, não preciso de muito. Dinheiro é um pé no saco. Mas se eu for pago, melhor, pois me possibilita realizar mais coisas.

Fissurado na Tropicália, Vincent quer filmar Tom Zé, Caetano e também Hermeto Paschoal. De novos nomes, citou Kassin +2, Garotas Suecas, Orquestra Imperial e Holger. Ao ouvir que um encontro com Caetano não era algo impossível, ficou empolgado:

- Sério? Cara, se você conseguir armar essa podemos fazer esse filme juntos!

É o método de Vincent em resumo, agregando colaboradores oferecendo participação em suas ideias. Funciona que é uma beleza.

Tchequirau

Chamado pela revista Variety de “‘Don’t Look Back’ do rap”, em referência ao clássico do cinema direto de D.A. Pennebaker sobre Bob Dylan, o documentarário “The Carter”, de Adam Bhala Lough, esmiuça o rapper Lil Wayne, um dos principais nomes do gênero.

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Transcultura #023 (O Globo): mario maria, Flavors.me

Texto da semana retrasada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Música lo-fi
Banda de um homem só, Mario Maria lança disco com jeito de rascunho
por Bruno Natal

A capa do único EP do Mario Maria, “All the way to professora Núbia”, disponível apenas em formato digital, não existe. Não que o disco não tenha capa, porque tem: uma foto antiga de uma senhora (será a professora Núbia?) em frente a jarros de plantas, com o título grafado em uma fonte sem nenhum apelo gráfico. O que não há é um arquivo em alta definição, para impressão em jornais e revistas, ou mesmo um encarte. Não podia estar mais em sintonia com o espírito lo-fi do projeto.

- A foto original até é em alta, mas fui fazendo a capa gerando imagens na própria tela do computador, no Word. Então a qualidade se perdeu – explica Mario, cujo real sobrenome é Cascardo.

Mario não tem uma Maria. Ele é o único integrante da “banda”, toca e grava todos os violões, teclados, vozes e ruídos lo-fi. A onda é simplificar. Desde que descolou um computador que permitisse fazer tudo isso em casa, melodias, trechos já usados em bandas anteriores e composições para violão começaram a tomar forma e a se transformar em músicas que, em comum, tinham o fato de serem feitas sem saber bem no que iriam dar.

Hoje em dia, todos são artistas, ao mesmo tempo que ninguém é artista. As pessoas soltam suas obras na rede para ver o que acontece, simplesmente para se expressar. Carreiras podem ou não acontecer. É pura consequência. Nesse contexto, Mario Maria é um típico exemplo da forma como a música independente circula atualmente, grande parte em forma de rascunhos, divulgados antes de finalizados. É um grande ensaio aberto, no qual a baixa qualidade, ao mesmo tempo que pode prejudicar o resultado final, gera curiosidade.

Em tempos de Pro Tools e do afinador Autotune deixando muitas gravações perfeitas demais, a opção de Mario foi pelo Garage Band, programa pré-instalado em todos os computadores da Apple. Cada falha é explorada e transformada em opção estética, a baixa qualidade sonora transformada em proposta. O som do violão vem e vai, a voz treme, ruídos ambientes passam a fazer parte da composição. Tudo isso soaria terrível, se não fosse um processo cuidadoso.

- O principal dessa sonoridade é o microfone, que é o que vem embutido no computador. Ele não é direcional e nitidamente não capta com muita definição. Quando você junta duas ou mais trilhas, os ruídos aparecem, sem dó. As músicas são exportadas direto em mp3. Nem eu tenho arquivos de melhor qualidade de todas as músicas – explica Mario. – Do lado pessoal, é continuar gravando quando está rolando uma obra ao lado, como em “Quissamã rules”, quando o telefone toca, quando alguém fala. É querer gravar transitando pelos lugares. A sonoridade lo-fi é causa e consequência desse processo experimental.

Em “Eclipse”, umas das sete faixas do recém-lançado EP, o sujeito repete versos inteiros de “Lua de cristal” (da Xuxa), oferecendo outra leitura aos versos “Tudo que eu quiser/Eu vou tentar melhor do que eu já fiz /Esteja o meu destino onde estiver/Eu vou tentar a sorte e ser feliz”.

De alguma maneira torta, essa excentricidade faz sentido na sua proposta. As apresentações ao vivo ainda são raras e foram poucas. Num projeto em que o som ambiente é tão importante nas gravações, a maior dificuldade é transpor o processo orgânico para o palco, sem uma banda e conseguindo integrar os sons de cada lugar às músicas.

Mesmo formado em comunicação, cursando mestrado em cinema e trabalhando como câmera em produtoras de vídeo, o primeiro clipe (“Shine, Levine” e seu assobiozinho grudento) dispensou recursos mais elaborados e foi feito em compasso com o disco.

Numa espécie de artesanato digital, Mario convidou amigos para uma festinha em casa, usou o computador como saída de áudio e câmera, gravou um plano-sequência da transmissão pelo ustream.tv e finalizou o clipe. Ainda assim, ele garante que o Mario Maria é um projeto levado a sério, independentemente de se vai vingar ou não.

- Gasto energia, mas atualmente não há muita regularidade ou disciplina. Mas isso pode mudar. A música me acompanha porque eu não faço questão de esquecer as melodias que me surgem e em algum ponto tenho vontade de gravá-las. Então, é sério, ainda mais pensando que isso chega a outras pessoas. Acho que vingar é poder manter isso enquanto fizer sentido pra mim. Mas não penso em ter a música como ganha-pão.

Tchequirau

Quem tem contas em oitocentas redes sociais, blogues, Flickr, Vimeo, YouTube, etc, vai adorar o Flavors.Me, agregador que reúne em uma só página suas atualizações em mais de 20 serviços online.

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Transcultura #022 (O Globo): Vimeo Festival, YouTube Play, X Na Cara

Texto da semana re-retrasada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Festivais da rede
YouTube e Vimeo promovem as suas primeiras competições de vídeos
por Bruno Natal

Não faz muito tempo, assistir a vídeos via internet era uma experiência desagradável, repleta de engasgadas, emperradas e imagens de qualidade desprezível. Passados alguns poucos anos, o panorama mudou. Transmissões de vídeo já são o principal responsável pelo tráfego de dados na rede, e é difícil imaginar tanto a internet sem vídeos quanto a propagação de vídeos sem a internet. O mundo aprendeu a se comunicar através do audiovisual.

Exemplo disso é que, com meia década de existência, os dois principais repositórios de vídeo da rede, o YouTube (com o maior acervo de vídeos on-line) e o Vimeo (devido à boa qualidade de compressão, o favorito dos profissionais para exibir seus portfólios e trabalhos inéditos) organizam quase simultaneamente seus primeiros festivais. Ambos tiveram os seus finalistas anunciados e divulgam seus vencedores em outubro.

A primeira edição do Vimeo Awards opta por um caminho mais usual. Dividido em nove categorias (narrativa, remix, série original, documentário, videoclipe, animação, grafismos, experimental e captura), com cinco indicados cada. Além da exposição, um deles receberá o grande prêmio, de US$ 25 mil, para produzir um novo trabalho. Os finalistas, de 12 países, foram escolhidos entre 6.500 inscrições e todos podem ser vistos na página do festival.

Favoritos de blogs em todo o mundo, clipes do Justice (o remix de “Let love rule”, de Lenny Kravitz), Metronomy (“On the motorway”) e Yeasayer (“Ambling alp”) estão na disputa. A série “Take away shows” (www.bit.ly/tashows), do site francês La Blogoteque, que registra bandas como Phoenix e Wilco tocando em lugares inusitados, como um ônibus de turismo em Paris, ou fazendo um pré-show atrás do palco, também concorre.

A escolha dos vencedores caberá a um júri de 27 notáveis, entre eles M.I.A., DJ Spooky, David Lynch, Roman Coppola, Lucy Walker e Morgan Spurlock (diretor de “Super size me”). O resultado será anunciado em grande estilo, no dia 9 de outubro, em Nova York, numa cerimônia num prédio desenhado por Frank Gehry (tão imponente que tem uma página própria), sede da IAC (dona de Vimeo, Ask.com, College Humor, Match.com, Dictionary.com).

A parceria do YouTube com a Fundação Guggenheim promete o acesso direto dos aspirantes a artistas ao museu. Em sua estreia, o YouTube Play atraiu 23 mil inscrições, de 91 países. Os 120 finalistas agora disputam o direito de estar entre os 20 ganhadores que serão anunciados no dia 21 de outubro. Os trabalhos vencedores ficarão em exposição na sede do Guggenheim, em Nova York, e nas filiais de Berlim (Alemanha), Bilbao (Espanha) e Veneza (Itália). O restante continuará sendo exibido na página do concurso.

O YouTube já havia promovido a aproximação entre o mundo dos “amadores” e o erudito em 2008, com o projeto YouTube Symphony Orchestra, que selecionou músicos para participar de um concerto no Carnegie Hall. O formato do festival de vídeos, abrindo as portas do extremamente fechado mercado das artes para desconhecidos sem treinamento formal, causou desconforto num meio ainda pouco acostumado a esse tipo de intromissão.

É melhor irem se acostumando. Com a velocidade com que a rede vai derrubando paradigmas, é difícil imaginar algum setor que esteja imune às mudanças impostas pelos novos tempos. O fato de existir volume suficiente de trabalhos com qualidade para a realização de dois festivais desse porte é prova disso.

Tchequirau

Domingo termina o circo das eleições e poderemos novamente, enfim, olhar a cidade sem ter alguém impedindo a visão com um sorriso falso e amarelo na sua direção. Enquanto não chega esse glorioso dia, um pessoal começou a “Operação X Na Cara” e tem feito interferências nos horrendos galhardetes de políticos espalhados pelas calçadas.

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Transcultura #021 (O Globo): Mashups, One Day On Earth


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Texto da semana passada da coluna coletiva “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Improvisos no YouTube
Músicos tranformam saite em uma jam coletiva virtual
por Bruno Natal

Quando o sujeito se filma tocando um instrumento e publica no YouTube – tanto faz se é uma música própria, uma versão ou alguma improvisação – ele pode até não saber, mas existem caçadores sedentos por esse tipo de material para montar as suas próprias composições. Esse tipo de apropriação para criar algo novo começou com os samples e hoje se estende a. bom, se estende a quase tudo. Na era do corta e cola, tudo é reaproveitado, reconstruído, reeditado e recriado.

No fim do ano passado, Darren Solomon convidou 20 músicos para gravarem vídeos improvisando com um instrumento, a única regra sendo que todos deveriam ser no tom de si bemol. O projeto chama-se In B Flat (Em Si Bemol) e, entre todas as colaborações, apenas um vibrafone tem marcação rítmica. Assim é possível combiná-los em qualquer ordem, aumentando ou diminuindo o volume ao seu gosto, compondo uma obra ambiente. O resultado é espetacular.

No início do ano, Kutiman, um israelense até então mais conhecido na cena alternativa de seu país, foi parar em um zilhão de páginas na rede. O motivo foi o projeto ThruYou , no qual criou músicas inéditas apenas sampleando passagens de músicos desconhecidos. E não estamos falando de uma colagem interessante do ponto de vista “artístico-experimental”. Não. O cara criou faixas que fariam um belo álbum, como a >ita

Os coautores foram todos listados e contactados posteriormente, com o direito de pedir para serem excluídos dos vídeos, o que ninguém fez. O ThruYou toca em tantas questões relativas à era digital que fica complicado listar: compartilhamento de informação, criação coletiva, troca de arquivos de áudio e vídeo, direito autoral, disponibilidade das ferramentas. Tudo condensando o momento crucial que a indústria do entretenimento atravessa.

Este mês, a estrela é Andy Rehfeldt, de Los Angeles. Inspirado por outros vídeos a que assistiu, ele pegou um disco de músicas cantadas a capela da banda de metal Lamb of God e criou versões jazz, bem calminhas, para usar sob os vocais agressivos da banda.

O resultado agradou, se espalhou e Rehfeldt continuou produzindo mais e mais vídeos, sempre pegando os vocais de uma música conhecida e criando uma base irreverente, na qual toca todos os instrumentos. Ele sempre utiliza imagens de apresentações ao vivo, o que torna tudo ainda mais bizarro.

O repertório em seu canal no YouTube é extenso e inclui “Enter Sandman” (Metallica) em versão smooth jazz, a autoexplicativa “Polka face” (Lady Gaga), “Smells like teen spirit” (Nirvana) em reggae, “I gotta a feeling” (Black Eyed Peas) na levada dos violinos de “Psicose” e até a banda dos filhos de Rehfeldt tocando “Blitzkrieg bop” (Ramones) numa apresentação da escola sobre uma base gravada por ele.

A versão Disney do Slipknot rendeu ameaças de morte (ah, os corajosos comentaristas da internet…) a Rehfeldt. Sem dar bola para isso, ele confessa que a sua grande dúvida é como ganhar dinheiro com isso. Ah, Rehfeldt, isso todos nós estamos tentando descobrir. Enquanto isso, sigamos nos divertindo.

Tchequirau

One Day on Earth Participant Trailer from One Day On Earth on Vimeo.

Parecido com o “Life In A Day” (Vida Em Um Dia) do YouTube, já sendo finalizado, o projeto “One Day On Earth” (Um Dia Na Terra) do Vimeo convida os usuários a registrarem o dia 10/10/10 em todo planeta para fazer parte de um documentário montado pelo saite.

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Transcultura #020 (O Globo): Roots Manuva, novo Twitter

Texto da semana passada da coluna coletiva “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O rapper Roots Manuva tem a sua obra remixada em estilo dub
por Bruno Natal

Já se vão dois anos desde que Roots Manuva lançou um disco de inéditas. O último foi “Slime & reason”, de 2008, um hiato bem grande para um rapper que sempre teve bastante coisa para falar. Rodney Smith, a pessoa por trás do Roots Manuva, não é nenhum estranho para a música jamaicana. O rapper londrino tem como hábito lançar versões dub de seus discos, sempre ensopadas de linhas de baixo e graves na pressão.

Assim, “Run come save me” virou “Dub come save me” e “Awfully deep” tornou-se “Alternately deep”. “Slime & reason” veio acompanhado de um EP bônus chamado “Slime & version”. Satisfeito com o resultado do trabalho de Wrongtom (mais conhecido pelas colaborações com o Hard-Fi), neste último Roots Manuva convidou o produtor para fazer versões reggae a partir do seu catálogo.

Surgiu, então, “Roots Manuva meets Wrongtom: duppy writer”, disco que aproxima o rapper ainda mais dos sons da ilha mais marrenta do Caribe. O resultado é tão original que é como se “duppy writer” fosse um disco de inéditas – e, em muitos aspectos, realmente é.

A capa foi feita por Tony McDermott, autor dos clássicos desenhos que enfeitavam os álbuns do produtor Scientist na gravadora Greensleeves e também do Mad Professor. Isso indica que o caminho das produções é o rub-a-dub e o dubtronic. O título faz referência tanto ao clássico “King Tubby meet rockers uptown”, colaboração entre King Tubby e Augustus Pablo, e ao apelido de Lee “Scratch” Perry, também conhecido como Duppy Conqueror.

No patois jamaicano, “duppy” significa fantasma, o que define bem o papel de “escritor-fantasma” de Wrongtom na produção do disco, ajudando Rodney a se expressar a partir do material de arquivo. As novas versões, mais suaves, valorizaram as letras, tornando-as mais fáceis de serem compreendidas do que nas bases originais.

Cada faixa foi reimaginada como se tivesse sido produzida em uma década diferente do reggae, com uma predileção pelo dancehall oitentista e fazendo referências a produtores consagrados, de diversas épocas, como King Jammy, Junjo Lawes, Duke Reed e Dennis Bovell. Como Rodney nunca se preocupou em estar na moda, não há nada de dubstep (vertente mais moderna do dub) nas versões.

Mesmo quem não é familiarizado o suficiente com a discografia do Roots Manuva para perceber as mudanças dos títulos da músicas (“Juggle tings proper” ressurge como “Proper tings juggled”, “Motion 5000?” vira “Motion 82?”, “Buff Nuff” é “Rebuff”) encontrará um disco bacana. A única inédita é a parceria entre Roots Manuva e Ricky Ranking, em “Jah Warriors”.

Se esse trabalho veio só pra esquentar, fica a expectativa do disco de inéditas de Roots, que deve estar a caminho. Enquanto ele não chega, ouça ‘Duppy writer’ inteiro.

Tchequirau

O lançamento mundial da nova cara do Twitter foi dia 14 e vem sendo implementado em cada país pouco a pouco. As informações de cada perfil foram reorganizadas e será possível visualizar fotos e vídeos sem abandonar a página, reforçando o papel de agregador de notícias multimídia do saite. Não é necessário tuitar para a ferramenta ser útil para você.

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Transcultura #019 (O Globo): FourSquare, “Tik Tok Trek”


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Pegadas na web
Com três milhões de seguidores, saite que dá a localização dos usuários faz sucesso por aqui

“Diga por onde andas e te direi quem és”. O ditado não é bem esse mas serve pra descrever a onda da geolocalização. Enquanto a privacidade segue sendo a principal preocupação quando se fala em redes sociais, o FourSquare (www.foursquare.com), serviço que oferece a possibilidade de que todas as pessoas que você conhece saibam, em tempo real, exatamente onde você está, é uma das que mais cresce atualmente.

Com 3 milhões de usuários pelo mundo, o FourSquare – criado por Dennis Crowley e Naveen Selvadurai – utiliza as informações de localização prestada por seus cadastrados para desenhar um mapa de atividades e interação entre outros adeptos. O funcionamento é simples: toda vez que você está em um lugar, tem a opção de fazer um check in, informando para seus amigos que passou por ali. É possível também deixar dicas sobre determinado local para serem pescadas para seus amigos (ou para todos, dependendo de como se configurar a ferramenta) quando também passarem por lá.

Com o aumento de aparelhos celulares com acesso a rede, o Brasil comprova sua vocação para capital mundial do uso desenfreado de redes sociais e já começa a popular o FourSquare e o Rio vai sendo mapeado por frequentadores de diversos lugares. Prova disso é que uma busca por locais menos óbvios no saite traz resultados no mínimo interessantes, revelando que aos poucos o FourSquare vai saindo do nicho dos geeks.

Na página do Trapiche da Gamboa a sugestão é o escondidinho de carne seca. As “termas” Centaurus, em Ipanema, já tem um mayor (prefeito, honraria dada ao principal frequentador de determinado local) e um usuário indica o “excelente sashimi de salmão preparado pela Kelly”. Na Vila Mimosa, a recomendação é “cerveja gelada, barata e muita mulher! can’t go wrong! (não pode dar errado!)”.

Lugares mais acostumados a check ins, como o Aeroportos Tom Jobim, Copacabana Palace, o hospital Miguel Couto ou o Motel Fair Play também figuram no FourSquare, com seus respectivos prefeitos. Outros em que se espera adiar a entrada ao máximo, como IML ou cemitério São João Batista, tem frequentadores assíduos. Um salão de depilação tem uma frequentadora que lá esteva mais de 20 vezes em poucos meses, a Rio Sampa e a Via Show tem seus mayors e até o engarrafamento da Rocinha (que também tem seu prefeito, e nem é quem você está pensando) está lá, assim como as casas Rio Sampa, Via Show e Castelo das Pedras. Fechado para obras, o Maracanã tem seu prefeito, que provavelmente não muda até a Copa de 2014. Quer dizer, se o FourSquare resistir até lá, claro.

Toda essa informação é pública, podendo ser acessada por qualquer um que se cadastrar no serviço, o que sem dúvida pode causar alguns constrangimentos, como falar para alguém que estava em um lugar enquanto estava em outro. Com tantos contras, é de se pensar quais os prós, qual utilidade de ter alguém seguindo seus passos. O sucesso do FourSquare se deve ao fato de seu uso ser muito maior do que uma simples central da fofoca – embora para muitos usuários esse possa ser o que interessa.

Semelhante ao Twitter, a utilidade depende do uso que cada um faz da ferramenta. Inicialmente percebido como uma página onde se publica inutilidades, como o que comeram no café da manhã, o Twitter provou-se uma plataforma de informação tão ágil que mesmo os mais resistentes o têm adotado. O @LeiSecaRJ começou como um guia para evitar as biltzes, passou a informativo de trânsito e em momentos de crise, como no último apagão ou arrastão, transforma-se num guia para saber da movimentação na cidade.

Hoje em dia existem cerca de 15 mil ofertas especiais oferecidas a usuários do FourSquare por estabelecimentos que premiam seus principais frequentadores. Como ainda há relativamente poucos usuários, para se tornar o mayor de algum lugar bastam poucos acessos, o que num futuro próximo promte ganhos diretos. Aplicativos como o “Who’s here” (quem está aqui) ajudam a encontrar amigos na multidão de uma praia ou de um show, o Fare/Share foi feito para nova-iorquinos encontrarem pessoas para compartilhar os escassos táxis da cidade e existem outros que tornam possível saber quem está solteiro num bar.

Quanto mais você torna suas informações públicas, maiores as possibilidades. Esse é o risco, pois um desconhecido pode facilmente levantar dados o suficiente sobre você para fazê-lo desistir do serviço. Em troca de algumas facilidades e promoções, entretanto, segue-se indo bem além do pesadelo proposoto por George Orwell em “1984″. O Big Brother está observando e fomos nós quem convidamos.

Tchequirau

O mashup da música “Tik Tok”, da Ke$ha, com imagens de Star Trek é sensacional. O autor pegou imagens de Spok e Kirk exatamente nas mesmas situações descritas na letra e montou um clipe sobre uma noitada espacial com bebedeira, brigas e pegação.

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Transcultura #018 (O Globo): Clipes no século 21, “B1″


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Texto da semana passada da coluna coletiva “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

A renascença do clipe
Vídeos de música ganham fôlego com ótimas experiências interativas online
por Bruno Natal

Quando em 2006 a MTV brasileira decretou que os clipes deixariam de ser exibidos nos principais horários da sua programação, para muitos o formato parecia estar vivendo seus últimos dias. O simples fato dos vídeos de música serem responsáveis por uma imensa parcela dos acessos ao YouTube serve para mostrar que, não apenas o formato continua vivo, como vem tomando outros caminhos.

Tanto é que existem bandas atualmente que sobrevivem mais pelos vídeos interessantes do que pela própria música, caso do Ok Go. Ao se decretar o fim do clipe, o principal erro (além da própria noção de se decretar o fim de qualquer coisa) foi não pensar além. O clipe on-line lançado pelo grupo canadense Arcade Fire no início dessa semana provou que o momento é de transição, não de encerramento.

As super produções resistem, vide os clipes recentes da Lady Gaga e do Black Eyed Peas, porém a tendência de se realizar pequenos filmes para cada música anda em baixa. Grande parte dos vídeos serve mesmo para preencher a tela enquanto se houve música no computador e cada vez mais tem sido feitos pelos próprios artistas, as vezes de maneira caseira

Com um alto investimento numa ideia simples, o Arcade Fire inovou com o clipe de The “Wilderness Downtown”. Devido ao formato inédito, o vídeo só pode ser assistido no saite criado em parceria com o Google e chamado de um “experimento Chrome”, nome do navegador do gigante das buscas.

Antes de assistir o clipe o vídeo é preciso preencher um campo com o nome da rua onde você cresceu. De posse dessa informação, o vídeo, focado num personagem encapuzado correndo por uma rua, acessa o Google Maps para localizar a rua em questão e inserir imagens captadas através das câmeras do o Google Street View. Diversas janelas começam a abrir simultaneamente, combinando as imagens do clipe com as da sua rua, criando uma experiência íntima. Isso, claro, se sua rua já tiver sido mapeada pelo serviço – e no Brasil poucas foram.

No final, pede-se que escreva uma mensagem para o seu “eu do passado” (ah, o Arcade Fire…) e você pode enviar o seu vídeo por e-mail para amigos. Haverá uma segunda fase, com detalhes ainda sem segredo, em que cartões postais digitais se materializarão no mundo físico na forma de sementes de árvore (não estou dizendo?).

O projeto serve também como um portifólio das capacidades do HTML5, linguagem de programação que vem ganhando o espaço antes ocupado pelo Flash, padrão até ser bloqueado pela Apple, em favor da sua própria linguagem iOS, motivo pelo qual o Google deve ter se interessado tanto por isso. Isso explica a aparência rústica das muitas janelas que se abrem, com abas aparentes, ainda que seja válida pela experiência com novos formatos de exibição, além dos tradicionais 4:3 e 16:9 (modo cinema, widescreen).

Há outras tentativas. Dirigido pelo mesmo Chris Milk, o “The Johnny Cash Project” convida fãs para criarem o clipe de “Ain’t No Grave” criando desenhos e ilustrações em cima de fotografas originais de Cash ,utilizando ferramentas disponibilidades na próprio página. Foram mais de 5 mil contribuições. Os resultados são então classificados como “abstrato”, “desenho”, “realista” ou “pontilismo”. Dá pra assistir diferentes versões do vídeo, baseadas – em cada uma dessas categorias – pelas colaborações mais recentes ou pelos fotogramas mais bem votados por outros usuários.

A banda Cold War Kids optou por ago mais funtional, além de muito bem executado, para o clipe de “I’ve Seen Enough”. Na página www.coldwarkids.toolprototype.com você enxerga os quatro membros da banda e pode selecionar quais instrumentos entram e saem da faixa, mixando a música em tempo real. Outro fenómeno foi “Soy Tu Aire”, da espanhola Labuat. Mesmo com a breguice, espalhou-se pela web por conta da força do clipe, que é uma pintura, literalmente, permitindo o usário criar desenhos baseados em pinceladas enquanto escuta a música.

O vídeolipe morreu. Viva longa ao vídeoclipe.

Tchequirau

Após vários festivais, incluindo o prestigiado canadense HotDocs, o documentário “B1, Tenório em Pequim”, de Felipe Braga e Eduardo Hunter Moura, finalmente estreia no Brasil, hoje. A jornada do tetracampeão paraolímpico de judô, cego, em busca da sua quarta medalha é uma aula de vida: b1ofilme.com.br

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Transcultura #017 (O Globo): Spotify, Sleep Cycle


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Com um belo atraso, o texto da semana retrasada daa coluna coletiva “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Música no ar
Saite sueco Spotify conquista o público com seus dez milhões de arquivos em “streaming”
por Bruno Natal

O hábito de escutar música online, iniciado com a explosão das trocas de arquivos no Napster no ano 2000, vai rapidamente migrando para os serviços de streaming. A exemplo de como funciona o MySpace, nesse tipo de transmissão o usuário nunca recebe o arquivo com a música, simplesmente aciona o fluxo de dados em um servidor a partir do seu computador. Exatamente por essa facilidade, ainda que as gravadoras briguem por melhores remunerações, uma das principais plataformas para escutar músicas atualmente é o YouTube.

Com um catálogo gigantesco, estimado em mais de 10 milhões de músicas, o sueco Spotify (spotify.com) despontou como a estrela desse tipo de negócio. Lançado no final de 2008, já conta com mais de 700 mil usuários, dos quais 250 mil são assinantes (segundo dados da revista Wired). Esse é o grande diferencial do Spotify. Se o serviço em si não é uma novidade – há outros mais antigos, como Rhapsody, Last.Fm, Mog, Zune – ele se diferencia porque seu modelo de negócio está se sustentando mesmo com o crescimento.

Enquanto outros tentaram se sustentar principalmente através de anúncios para os usuários gratuitos, mesmo com acordos com as grandes gravadoras e principais selos, a base de assinantes não se expandiu como esperado, o alto número de usuários gratuitos estouraram o limite de anúncios e as contas não fecharam na hora da divisão.

Com esse tipo de serviço se popularizando, um acordo padrão para esse tipo de execução online fica cada vez mais próximo. Resta resolver a complicada matemática entre o direito das gravadoras, editoras e artistas. Embora especialista apontem que anúncios ou assinaturas não são suficientes para cobrir os custos, o We7 (we7.com), fundado por Peter Gabriel, recentemente conseguiu fechar no azul utilizando esse modelo de negócio.

Dois fatores pesam para o sucesso do Spotify. O primeiro, dizem, é uma comentada participação das principais gravadoras no negócio, aliviando nas exigências nesse primeiro momento (e gerando acusações de não oferecer bons acordos para os independentes). O outro são os aparelhos celulares. O grande salto financeiro do Spotify veio quando foi lançado o aplicativo para telefones, disponível apenas para assinantes. Quem paga também ouve arquivos com melhor qualidade de compressão. A possibilidade de ter a discoteca mundial no bolso por cerca de 28 reais mensais, sem precisar ocupar espaço no HD, perder tempo procurando na rede ou esperar pra baixar, é irrestível. O número de páginas dedicadas apenas a distribuir as coletâneas feitas por usuários é a prova disso (spotifyplaylists.co.uk é um deles), com o serviço apostando cada vez mais em características de redes sociais e interacção.

Como sempre, não há nada dos Beatles ou do Pink Floyd. Apesar de muita coisa brasileira – Cidadão Instigado, Marcelo Camelo, Wado ou Mombojó, com discografias desatualizadas. Tim Maia e Jorge Ben, por exemplo, só estão disponíveis em coletâneas. Por enquanto o serviço está restrito aos usuários de alguns países da Europa. A limitação é feita baseada nos dados do cartão de crédito utilizado para o pagamento e no endereço IP de quem estiver contratando o serviço, portanto isso significa que quem tiver um amigo em um dos países ativos pode usá-lo para contratar o serviço.

Os fundadores do Spotify dizem que a disputa deles é com a livre troca de arquivos, oferecendo facilidades semelhantes mediante um pagamento justo. Nos EUA, mercado onde o Spotify sequer entrou ainda, o Grooveshark (grooveshark.com) cresce sem parar. Sem precisar de cadastro e disponível em qualquer país, os próprios usuários sobem as músicas, garantindo que se encontre quase tudo e fazendo com que o saite execute mais de 60 milhões de músicas por mês. Também há um acordo com gravadoras, porém esse método gera diversas músicas duplicadas, triplicadas e nem sempre com a melhor qualidade. É o preço da gravidade.
A dificuldade então é análoga ao ditado “Quem tem tudo, não nada tem”. Com todas as músicas do mundo no seu bolso, saber o que e por onde começar. Dar conta de escutar tanta coisa será a grande tarefa.

Tchequirau

Através do acelerômetro do iPhone o aplicativo Sleep Cycle monitora a vibração do colchão provocada pelos seus movimentos, determina o estágio do sono e dispara o alarme durante o sono leve, garantindo um despertar suave.

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Transcultura #015 (O Globo): Grime, Mayer Hawthorne


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Texto da semana passada da coluna coletiva que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Um gênero musical que sobrevive online
O grime conta com festas transmitidas ao vivo
por Bruno Natal

Passando pela porta do clube The Alibi, em Dalston, Londres, ninguém diria que ali acontece a Just Jam, uma das noites mais respeitada da cena de grime local. Descer as escadas e entrar também não ajuda muito a mudar essa percepção. Numa terça a noite cerca de 40 pessoas ocupavam o pequeno lugar. Na pista de dança, a proporção entre o número de MCs e câmeras em relação ao público era desigual. A impressão é que todos que estavam ali para se apresentar ou para registrar as apresentações. O rapaz com um laptop rodando o Final Cut não deixava dúvida: estavam mesmo. A festa era transmitida ao vivo, um fato normal para um gênero que (sobre)vive on-line.

Quando o Grime explodiu em 2003 e todas as grandes gravadoras estavam atrás do seu próprio Dizzee Rascal, grande expoente do gênero, o estilo parecia destinado ao sucesso comercial. Entretanto, apesar de referências ao estilo estarem presentes em trabalhos de artistas que repercutiram, como o de M.I.A., até mesmo Dizzee se afastou da sonoridade áspera, indo em busca de algo mais suave aos ouvidos, atingindo o primeiro lugar das paradas de sucesso em dois verões seguidos, com “Dance Wiv Me” e “Bonkers”.

Sem espaço nas rádios e ofuscado pelo estouro do filho bastardo dubstep, o grime retraiu-se. De volta as pequenas festas, apoiou-se na enorme base de fãs para continuar existindo. O caminho encontrado, é claro, foi a internet. Divulgar música online é algo trivial hoje em dia, a diferença é que no caso do grime, além dos artistas possuírem sua próprias páginas e perfis, surgiram canais independentes cobrindo o estilo de maneira ampla, atuando em rede e utilizando YouTube, Twitter e Facebook como ferramentas, não como plataforma. Mais do que forma de divulgação, coisa feita por tantos outros, o grime utilizou esses canais para sobreviver. Passou a existir online.

Enquanto páginas como grimepedia.co.uk, grimeforum.com facilitam o entendimento da cena, biografando artistas e mapeando gírias, saites e blogues especializados dão conta das resenhas e da agenda, as rádios online, notoriamente a Rinse.fm, tocam o som e saites dedicados a produção e divulgação de vídeos, como sbtv.co.uk (entre os 100 canais mais assistidos do YouTube) e dontwatchthat.tv, fazem os registros áudio-visual. Tão importante quanto uma boa atuação no mundo real, é ela estar bem coberto na rede.

Com o tempo, novas páginas surgiram (hyperfrank.blogspot.com, kidsoftheunderground.wordpress.com, grimedaily.com, butterz.co.uk, rwdmag.com) e a equação entrou em modo exponencial e o resultado foi uma segunda geração de artistas de sucesso. Tinchy Strider e Chipmunk atingiram o topo das paradas comerciais, ainda que para isso tenham adicionado bling e, como Dizzee, amaciado o som. Não importa. Donos dos seus próprios canais, somente os fãs podem decidir o que é grime.

Tchequirau

Dono de um dos discos mais legais do ano pasado, Mayer Hawthorne andou tuitando que deve vir ao Brasil em janeiro de 2011. Infelizmente muitas bandas estrangeiras vem ao país e pulam o Rio, por falta de público. Se ninguém sai de casa ou quer pagar ingresso, não dá mesmo pra reclamar.

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Transcultura #014 (O Globo): Field Day, bateria


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Texto da semana passada da coluna coletiva que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Um dia no campo
Um dia de sol em Londres para conferir o festival Field Day
por Bruno Natal

Num país onde festivais de música são verdadeiras instituições (Glastonbury já é praticamente um rito de passagem adolescente), após um início tímido o Field Day Festival começa a se destacar entre tantos outros eventos. Em sua quarta edição, realizada semana passada no Victoria Park, em Londres, conseguiu fugir das obviedades das repetitivas escalações dos concorrentes, quase sempre com os mesmos chamarizes, sem com isso comprometer seu apelo pop. Uma tarefa que soa mais fácil do que de fato é.

Ainda que não seja um festival de bandas independentes, a escolha do Phoenix como principal atração da noite definiu o tamanho do resto das bandas presentes no evento. Num país saturado de shows, o principal acerto do Field Day é ser fiel a própria proposta de ser médio, não apenas em termos de público (cerca de 20 mil), mas também das atrações que oferece.

Com curadoria de conhecidos grupos promotores de festas e shows londrinos (Adventures in the Beetroot Field, Bloggers Delight, Bugged Out, Eat Your Own Ears), as cinco tendas trouxeram bandas que talvez fossem atrações intermediárias em algum outro festival tendo a chance de se apresentar para um público atento, não apenas contando as horas para ver quem quer que fosse.

O dia de sol começou devagar e bandas como Is Tropical e Egyptian Hip Hop (que não tem nada de egípicio ou de hip hop, apenas uma molecada de Manchester mandando meio mal ao vivo) tocaram pra pouca gente. Ambas com integrantes mascarados, o que deve ser alguma nova tendência sem sentido.

Com o recém lançado “Crooks & Lovers” entre os discos mais elogiados do ano, o Mount Kimbie foi o primeiro a encher uma tenda, ainda que minúscula. Utilizando o dubstep como plataforma, a dupla expande a sonoridade, adicionando guitarras, percussão digital e analógica ao vivo, construindo bases atmosféricas e seguindo uma estrada ensolarada, paralela a aberta por Burial. Em seguida o Memory Tapes fez um show negando o que tem de mais interessante, substituindo as experimentações eletrônicas por uma formação guitarra e bateria sem graça.

Apresentado-se como “gênio musical”, o pianista Chilly Gonzales, colaborador de Feist, Peaches e Jamie Lidell, subiu ao palco de roupão e acompanhado por dois bateristas. Irreverente, o canadense autor da mixtape “Pianist Envy”, com versões ao piano de Daft Punk a 50 Cent e Beyoncé, mostrou habilidade no instrumento e ainda mais na interação performática com o público.

No momento brasileiro da noite, Gruff Rhys (do Super Furry Animals) se apresentou com o brasileiro Tony Da Gatorra. O californiano Dâm Funk, acompanhado de um baterista e de um tecladista, emulou o G-Funk de George Clinton – influência que não faz questão nenhuma de esconder, chegando a mostrar uma bandeira do Parliament Funkadelic no palco – e a marra do Prince, trocando o visual entre cada música.

Formada por oito irmãos, filhos do trompetista da Sun Ra Arkestra, Phil Cohran, os americanos do Hypnotic Brass Ensemble fizeram o melhor show do festival. Composta apenas por metais e uma bateria, a big band conquista assim que entra em cena, só pelo visual inusitado. Quando começam a tocar isso vira um detalhe e o que chama atenção é a tuba fazendo as vezes de baixo, a coreografia dos integrantes e o fato de tocarem perfeitamente encaixados sem partitura ou maestro. Caminhando pelo gramado, um dos integrantes afirmou que o HBE toca no Brasil, no Rio e em São Paulo, em outubro.

Líder da banda Deerhunter, Bradford Cox mostrou seu projeto parelelo, Atlas Sound, de músicas densas, tão delicada quanto seu físico, alterado por consequência de uma doença conhecida como síndrome de Marfan, que faz com que braços e pernas fiquem desproporcionalmente longos. Sozinho no palco, multiplicou seu violão através de loops, mostrando que folk não precisa ser apenas imitar o Bob Dylan.

No mesmo horário, o antes experimental Caribou mostrou as músicas de “Swim”, mais macias sem perder a psicodelia. O Phoenix entrou logo depois, herdando os problemas de som (baixo e abafado) que haviam prejudicado o Caribou. Com as guitarras baixinhas, a banda fez uma apresentação apagada, sem a pegada de sempre. É torcer pra durante o(s) show(s) do Brasil estarem perfeitos.

Nas saída o Moderat, projeto paralelo misturando Modeselektor e Apparat, sacudia a tenda. Ninguém se importando se esse não era o maior festival de todos os tempos, apenas ouvindo boa música. Estavam exatamente como sugeria a faixa acima do palco principal: como a formiga nos dias de verão.

Tchequirau

Chocalho e ovinho é coisa do passado, viciei nessa bateria eletrônica online, encontrada por acaso, pra tocar usando o teclado. Perfeita pra você participar (e estragar?) a rodinha de violão dos seus amigos mais talentosos.

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Transcultura #013 (O Globo): Londres aos 18, The Doors


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Texto da semana passada da coluna coletiva que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Em Londres, aos 18
Caímos numa festa de aniversário ao som de dancehall na capital inglesa
por Bruno Natal

Cenário dos crimes de Jack o estripador no século 19 e desde então considerada uma das áreas mais casca-grossa de Londres, Hackney passa por uma grande trasformação. Refúgio de imigrantes árabes e caribenhos nas últimas décadas, o fato de boa parte dos aparelhos esportivos das Olimpíadas de 2012 serem na região apenas sedimenta um processo de revitalização que vem ocorrendo há tempos.

A exemplo do que aconteceu no Village, em Nova York, dos anos 60 e 70 (e atualmente no Brooklyn) ou na Berlim Oriental após a queda do muro, artistas de todas áreas se mudaram pra região em busca de moradia e grandes espaços para montar seus estúdios a preços acessíveis numa grande capital. Com os artistas vieram o os bares, casas de show, restaurantes, o público tomou gosto, passou a querer morar por perto e o que antes era um lugar que ninguém queria visitar, tornou-se o centro cultural contemporâneo de Londres, onde a arte independente respira.

Diferente do Brasil, na Inglaterra todo bairro tem moradias subdsdiadas pelo governo, chamados council flats, ocupados por pessoas de baixa renda. Atualmente, as novas construções residenciais particulares devem reservar alguns apartamentos para esse fim, gerando uma integração ainda maior e importante para uma cidade com tantas etnias.

Hospedado em um desses prédios, numa quinta-feira a noite a vizinha veio correndo avisar que era seu aniversário de 18 anos e que estava dando uma festa, se desculpando antecipadamente pelo “barulho”. A filha de imigrantes jamaicanos não fazia ideia de que ouvir dancehall alto estava longe de ser um transtorno para mim. Os urros de animação a cada mixagem foram tantos que pedi para a aniversariante Lee-Anne Edwards e mais duas amigas listarem suas favoritas e falarem um pouco do que se passa na cabeça de três meninas londrinas.

Lee-Anne Edwards, 18 (a aniversariante)

Top 5:

Vybz Kartel – “Beg You A Fuck”
Movado – “Overcome”
Mavado – “Inna Car Back”
Vybz Kartel & Beenie Man” – “Gaza Mi Sey”
Machel Montano – “Craziness”

O que você acha da Lady Gaga, um dos nomes mais comentados atualmente?

Acho legal, eu gosto, botei o nome do meu gato em homenagem a ela. Mas é pra tocar mais no começo da festa, né.

Qual importância de fazer 18 anos?

Agora posso sair legalmente! (risos). Para clubes como The Hill (em Muswel Hill), Stratford Rex (em Stratford) e Murphius (em Old Street), onde tocam o tipo de música que gosto: bashment, hip hop, R&B e baladinhas.

E o que você acha das bandas indie da área?

Não ouço isso, não é meu tipo de música. Mas se estiver tocando, eu danço. Danço ouvindo qualquer coisa!

E quais novos nomes tem chamado sua atenção?

Justin Bieber, ele é legal, ainda não é grande aqui. E também minha amiga de colégio, Alexandra Burke, que ganhou o programa de TV X Factor 2008.

Como você vê a integração entre os antigos e novos moradores de Hackney?

Sempre morei aqui perto. Acho legal, faz as pessoas se conhecerem, fazerem novos amigos. Não dá pra saber quem mora aqui há mais tempo, então não faz diferença. As pessoas se falam. E se não se falassem, teriam que falar, porque somos vizinhos.

Kirsty William, 18

Top 5

Vybz Kartel – “Tek Buddy Gal”
RDX – “Bend Over”
RDX – “Skip”
Usher – “Oh My Gosh”
Justin Bieber (participação de Ludacris) – “Baby”

Qual foi a importância de ter feito 18 anos?

Tornei-me adulta.

Onde você e suas amigas gostam de comprar roupas?

H&M (uma rede sueca)

Quais seus planos para o futuro?

Ficar famos como cantora. Faço parte de uma dupla, chamada Kirsty & Ashanti.

Qual artista novo você tem escutado?

Ellie Goulding, “Stary Eyed”

Como você consome música? Já comprou um CD?

Baixo ilegalmente, é claro. A última vz que comprei um CD foi há dois anos atrás, um da Spice Girls. Ouço mais música no YouTube, procurando por artistas que ouço no rádio ou através de amigas.

Angela Beckins, 19

Top 5

Busy Signal – “Tightest”
Mr. Vegas – “Hot Fuck”
Ding Dong – “Skip To My Lou”
JLS – “The Club Is Alive (With The Sound of Music)”
Beres Hammond – “Live it Up”

Qual é a melhor coisa de Hackney?

É muito divertido, tem muita gente jovem, festas e ninguém se mete em confusão. Passo tempo com minhas amigas, saímos pra dançar.

Quais seus planos para o futuro?

Trabalhar como dançarina para artistas famosos. Faço parte de um grupo chamado Perpetual Odissey.

Se você pudesse ser qualquer pessoa do mundo, quem seria?

Beyoncé.

E quem você não seria?

Michael Jackson, porque ele está morto.

Tchequirau

Dirigido por Tom DiCillo e narrado por Johnny Depp, “When You’re Strange: a film about The Doors” é um documentário sobre a banda californiana eternizada na figura de Jim Morrison, repleto de imagens inéditas da banda em começo de carreira e filmes caseiros. Mesmo sem ser extraordinário é interessante.

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Transcultura #009 (O Globo): K7, Fifa Fan Fest


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Texto da semana da coluna coletiva que publico as sextas no jornal O Globo:

Fitas cassete voltam carregadas
Gravadoras do Brasil e do exterior se especializam em lançamentos no antigo formato

por Bruno Natal

O passado nem tão distante permite lembrar perfeitamente das fitas cassete e todo o ritual que as envolvia: carregar o (hoje) trambolhudo walkman pra cima e pra baixo, rebobinar as fitas girando-as presas a uma caneta pra economizar pilha, o prazer de fazer uma seleção pra dar de presente e a glória que era fazer as músicas caberem de maneira exatata em cada lado, sem sobrar nem faltar um minutinho sequer, tudo milimetricamente pensado. Numa época em que se pode  carregar a discografia planetária dentro do bolso, é até difícil enxergar algo de positivo nessa trabalheira.

Acreditando no poder do romantismo e de olho no mercado analógico puxado pelo ressurgimento do interesse do grande público pelos discos de vinil, selos estrangeiros e nacionais especializados em lançamentos no formato K7 vem se espalhando. No Brasil a Pug Records (www.pugrecords.com), criada em Juiz de Fora pelos estudantes Amanda Dias, André Medeiros e Eduardo Vasconcelos, está operando desde janeiro desse ano. Em acordo com a mídia que elegeram, sem a pressa dos tempos virtuais, a Pug esperou até formar um catálogo próprio mínimo antes de começar a divulgar os lançamentos próprios e os títulos que distribuem de selos estrangeiros especializados nas fitinhas, como a K Records e a Elephant 6.

Por enquanto foram dois lançamentos, “Eu, eu mesmo e os vários beijos cafeinados”, da Coloração Desbotada, e “Everything Must Go”, estréia da Top Surprise, banda do André.  Na fila está o “Complete Recordings” da banda Duplodeck, que acabou 2005 sem deixar nenhum material oficial. As tiragens são limitadas e as cópias são feitas na munheca, uma a uma, e metade da produção é distribuída nos EUA, pela Lost Sound Tapes (www.lostsoundtapes.com). Por aqui as vendas são modestas. Sem medo de parecer esquizofrênica, a Pug Records também lança versões em MP3 de alta qualidade (ou a melhor possível) e comemora os mais de 3 mil downloads de seus lançamentos, a maior parte feito através de blogues de MP3, os principais parceiro na divulgação. O público das fitinhas é formado por colecionadores, jovens que se identificam com o pefil do selo e alguns europeus que fazem questão de adquirir a cópia física, mesmo tendo que importar uma fita do Brasil.

Ao mirar nos internautas que baixam mp3 e ainda valorizam tiragens limitadas e cópias artesanais e estão dispostos a pagar R$ 7 por um produto exclusivo, a escolha pelas fitas cassete funcionou. Primeiro porque chama a atenção, trazendo uma visibilidade para Pug Records que de outra maneira levaria mais tempo. O diferencial também facilitou os acordos de distribuição no exterior. Tem também a questão do custo. Enquanto os CDs exigem uma prensagem alta para valer a pena, os vinis são muito caros e CD-Rs não valem quase nada no mercado, as fitas K7 podem ser produzidas de maneira caseira, de acordo com a necessidade, além de complementar a estética do selo,  afeito aos sons lo-fi, gravados em quatro canais, com microfonias e ruídos vazando.

Uma das maiores dificuldades do selo, quem diria, é conseguir as fitas virgens pra fazer as gravações. Os K7 não são mais produzidos no Brasil e tem que ser importados.

Tchequirau

A Copa do Mundo da África vai chegando ao fim e a próxima é no Brasil. Pra ir entrando no clima pra 2014 vale visitar o FIFA Fan Fest, em Copacabana. Nos dias de jogos do Brasil fica bem lotado, no outros dá pra entrar tranquilamente e assistir os jogos numa boa com os torcedores de outros países. Programão.

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Transcultura #008 (O Globo): Tulipa, iPad


foto: CGauer
(sem PDF dessa vez…)

Texto da semana retrasada da coluna coletiva que publico as sextas no jornal O Globo:

Fique de olho em Tulipa Ruiz
por Bruno Natal

Com a quantidade de novas cantoras que têm surgido ultimamente, dá até uma certa preguiça de conhecer a fundo cada uma. Principalmente porque boa parte delas soa exatamente igual. Tulipa Ruiz, santista que vive na capital paulista, quebra a mesmice com seu disco de estreia, “Efêmera”. Ao mesmo tempo retrô e olhando para a frente, mesmo repleto de participações especiais (Kassin, Tiê, Céu, Donatinho…), é a despretensão que norteia o trabalho, sem as afetações e modernices gratuitas que vêm estragando uma safra inteira. Não à toa, o disco aconteceu quase por acaso, como a própria Tulipa conta nesta entrevista.

Quem é você?

TULIPA: Nasci em Santos, cresci no sul de Minas e atualmente moro em São Paulo. Trabalhava em uma agência de comunicação e levava a música junto, até que chegou uma hora em que tive que optar. Resolvi parar de escrever sobre o mundo corporativo e fui tentar só cantar e desenhar. Isso foi em 2008, dezembro. Mais tarde, ganhei um computador com um “Garage Band”, que é um tipo de “Paintbrush”, só que de som. Comecei a gravar umas coisas em casa. Estreei essas músicas no ano passado, em um festival no Teatro Oficina. Aí formei uma banda, e foi um ano de experimentação desse repertório. O disco foi uma consequência dos shows. Posso dizer que “Efêmera” é meu primeiro projeto.

Como foi a gravação do disco?

Tocamos muito no ano passado e estávamos com o repertório no gatilho. Gravamos rápido, em um mês. O Gustavo Ruiz, guitarrista da banda e meu irmão, foi quem produziu o disco. Gravamos em dois dias as bases. Nos dias seguintes fizemos as participações.

Muita gente diz que o mercado anda saturado de cantoras. O que você tem de diferente?

Tem muita cantora legal por aí, eu gosto de várias. Elas me inspiram, assim como as cantoras consagradas. Não tenho distanciamento para destacar uma diferença específica no meu trabalho. As minhas músicas surgem contemporâneas porque foram feitas hoje, mas no fundo não há uma preocupação de unidade estética. O que me move é o que está na minha frente

Você também desenha?

O desenho veio a partir da música. Quando me mudei para São Paulo, fui fazer faculdade de Comunicação em Multimeios na PUC, que foi o jeito que eu achei de experimentar de tudo um pouco. Meus desenhos sempre têm títulos musicáveis, e minhas músicas sugerem imagens. Na hora de gravar o disco foi a chance de misturar tudo, as minhas referências musicais e plásticas. Fiz a capa, que é uma cabeça de tulipa com um corpo-caule. E chamei amigos para desenhar tulipas no encarte. Afinal, eu tive a sorte de ter sido batizada com um nome que tem um correspondente gráfico.

Tchequirau

O texto “Porque eu devolvi o meu iPad”, de Peter Bregman se espalhou pela rede e foi traduzido para o português.Excelentes pontos para se pensar sobre o modo como administramos o nosso tempo nessa era em que tanto conteúdo está disponível na palma da mão.

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Transcultura #004 (O Globo): Caroline Bittencourt, Copa da Música


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Meu texto da coluna coletiva que publico as sextas no jornal O Globo:

Caroline Bittencourt
Fotógrafa expõe na rede a intimidade dos maiores nomes da música da geração 00
por Bruno Natal

Dedicada a fotografar bandas há dez anos, Caroline Bittencourt vem montando, pouco a pouco, uma coleção com os mais importantes nomes da geração 00 da música brasileira. Num passeio por sua página no Flickr , você encontra cliques de Cidadão Instigado, + 2, Céu, Mombojó, Hurtmold, Mallu Magalhães, Los Hermanos, Marcelinho da Lua, Nina Becker e toda a Orquestra Imperial, Do Amor, Nação Zumbi, Cibelle… Sem falar na penca de shows estrangeiros que passam por sua São Paulo.

Frequentadora dos porões de shows alternativos dos anos 90, a brincadeira começou quando fotografou seu grande amor musical, a banda americana Fugazi, em 1994, com a câmera emprestada do pai. Aos poucos, foi construindo uma relação de amizade com os fotografados, o que influi diretamente no resultado do seu trabalho. Seus retratos têm uma atmosfera intimista, de cumplicidade, fazendo com que muitas vezes Caroline consiga imagens impagáveis dos artistas mais retraídos: registros de Kassin maquiado como um dos músicos do Kiss, Pitty à vontade em casa e outros momentos muitas vezes reservados para os mais chegados.

A impressão não é à toa, Caroline realmente se tornou amiga de muitos do seus retratados e hoje não é raro ela ser escolhida pelas próprias bandas para seus registros oficiais. Muitos dos trabalhos são encomendas dos próprios artistas, fotos para serem distribuídas para a imprensa e utilizadas na divulgação de discos e shows. Quanto mais esses artistas se estabelecem, maior fica o valor artístico da moça. Com o fim do monopólio das gravadoras na construção de ídolos e a quantidade de artistas espalhados pela rede, fica difícil enxergar o que é relevante e sobreviverá ao infalível teste do tempo. Mas Caroline tem a mira precisa.

O saite copadamusica.wordpress.com está promovendo uma versão alternativa da Copa do Mundo. Toda semana 16 seleções pré-selecionadas, representadas por bandas de seu país se enfrentam numa batalha musical. O resultado é escolhido pelo público. Essa semana, já nas oitavas de final, está rolando Brasil (Curumin) x França (Phoenix).

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Transcultura #003 (O Globo)


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Mais uma edição da coluna coletiva que estou publicando as sextas no jornal O Globo.

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Transcultura #002 (O Globo): Digitaldubs, Gil Scott-Heron


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Meu texto da semana para coluna coletiva que publico as sextas no jornal O Globo:

Digitaldubs em estado grave
por Bruno Natal

A situação do Digitaldubs Sound System era grave. Gravíssima. Para dar conta da gravidade da situação, só mesmo construindo seu próprio sistema de som. Cansados da magreza sonora encontrada na maioria das casas onde toca do Rio (o problema recorrente da cidade), o grupo honrou o nome e a tradição jamaicana e fez justamente isso. Desde então, as caixas de som são as estrelas das apresentações.

As baixas frequências são uma questão central no reggae. São elas que pontuam os lamentos, amaciam as pancadas da vida e emprestam peso ao discurso. Ouvir reggae sem a força dos graves é perder mais da metade da mensagem. Nesse sentido, o sistema de som do Digitaldubs presta um serviço maior que simplesmente incrementar o próprio show. Elas possibilitam ao público ouvir reggae e dub como foram pensados: com o grave bombando no peito, numa experiência tão auditiva quanto fisíca.

Projetada por eles mesmos e feita sob encomenda, as caixas cospem 4 mil watts de potência só pro grave, mais 2 mil e pouco para médios e agudos, feitas especialmente pra tocar reggae. Enquanto na Europa é normal os grupos de reggae e dub terem suas próprias caixas de som, por aqui ainda são poucos os que tem. Além do Digitaldubs, o Dubversão (de São Paulo) e o Interferência SS (também do Rio), tem as suas.

Só mesmo presenciando isso ao vivo para entender a diferença que isso faz. As ondas de grave amassam o público, atraído passo a passo, cada vez para mais perto para fonte. Próximo das caixas a pressão é tão grande que faz tremer os ossos, a pulsação chacoalha seus órãos internos, não dá pra aguentar muito tempo. Esse poder de atração e repulsão impulsiona um ciclo que movimenta a pista de dança: quem está longe quer chegar mais perto, quem está no epicentro precisa se afastar.

Até outro dia, ouvir reggae e dub de maneira apropriada era complicado. Tem que se aproveitar noites como a de hoje, em que as caixas de som se apresentam no Bar da Rampa, em Botafogo. Com participação do Digitaldubs.

Tchequirau

O disco “Bridges”, do Gil Scott-Heron e Brian Jackson, de 1977 emperrou por aqui há semanas. Uma aula de funk soul, só groove violento, Rhodes na maciota e um Scott-Heron mansinho, alviando até no discurso político.

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Transcultura #001 (O Globo): Mixtapes, skate em Uganda

Estreiou hoje a coluna “Transcultura” que estou publicando coletivamente no Segundo Caderno, do jornal O Globo:


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Resumindo bastante, “Transcultura” abre as portas do jornal para falar de assuntos que você acompanha principalmente pela internet (em espaços como o URBe e tantos outros). É a cultura sob um ângulo atual, em que uma filipeta é uma peça de arte, uma mixtape equivale a um disco, uma tuitada é a frase da semana e público e artistas são uma coisa só.

Do ponto de vista pessoal, sabendo-se o quanto abomino tabaco, essa matéria principal dá uma boa dimensão da abrangência dos assuntos da coluna.

Ter participado diretamente do processo de concepção e formação da equipe (que inclui também Gregório Duvivier, Carol Luck, Antonio Pedro Ferraz e Fabiano Moreira) desde o início com a nova editora do Segundo Caderno, Isabel De Luca (com quem já havia colaborado na Revista), já foi um grande aprendizado.

Isso pra não falar a benção que é, após sei lá quantas colaborações para o Rio Fanzine, finalmente ser editado oficialmente pela dupla Calbuque (meu guru pessoal) e o grande Tom Leão.

Ainda tem mais coisa pra vir. Os tais novos tempos chegaram.

Abaixo, o primeiro texto que escrevi para coluna.

Internet trouxe de volta a moda das mixtapes
por Bruno Natal

Na transição da fita cassete para o CD uma arte quase se perdeu. Antes dos gravadores e CD-Rs finalmente baratearem, organizar uma compilação de músicas para presentear alguém ou divulgar o trabalho de DJs e produtores era tão complicado que elas foram sumindo. Felizmente, as facilidades do compartilhamento digital trouxeram as “fitinhas” de volta. O que não falta é mixtape na rede para baixar. Nos últimos dias, André Paste e Sany Pitbull soltaram as suas novas.

Chateado com a qualidade dos funks que fazem sucesso ultimamente, Sany reúne no primeiro volume da série “Made in favela” músicas de produtores que recebe diariamente por e-mail e que não encontra espaço para tocar em outro lugar. A mixtape foi uma maneira de divulgar uma outra cara do funk, com abordagem menos comercial, com um discurso próximo do hip-hop, sem necessariamente seguir a temática da revolta.

A “Cid Moreira on the dancefloor” abre com a voz do apresentador lendo a Bíblia, grave e solene: “Deus então disse”, ecoa, imediatamente complementado por um “todo mundo aqui vai dançar!”. A pérola é de autoria de André Paste. Aos 18 anos, dividindo-se entre o primeiro período da faculdade de publicidade e a vida de DJ, o menino-prodígio dos mashups mistura Phoenix, Roberta Kelly, Alice Deejay e baile funk. O sample do Jonathan Costa funciona como alter ego, para desabafar: “De segunda a sexta esporro na escola/Sábado e domingo eu solto pipa e jogo bola”.

As mixtapes têm sido a forma de divulgação preferida dos artistas. Como as rádios estão devagar, e quase todos carregam um iPod ou celular com muitos giga de música no bolso, é a melhor forma de estar mais próximo do ouvinte. Espalhadas principalmente via Twitter, onde as pessoas que seguem os artistas já curtem o trabalho, facilita muito.

Tchequirau

Num curta-documentário, Yann Gross mostra os skatistas de Uganda e como os locais estão construindo as próprias rampas e desenvolvendo o esporte. Na raça.

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Blogues, assessoria de imprensa e zona de influência


imagem tungada daqui

O guia para uma boa asssessoria de imprensa online escrito por Lindsay Robertson é indispensável para quem trabalha em qualquer uma das pontas do ramo.

O tópico “escolha oito saites” foi destacado no saite Kottke e interessa a todos que trabalham com mídias digitais. Nele, Lindsay fala do método de trabalho de uma assessora de imprensa que conquistou o seu respeito:

“Ela escolheu oito blogues que cobriam o assunto relacionado ao seu cliente, TV, que ela gostava num nível  pessoal e lia religiosamente, enviando para seus editores apenas conteúdo que ela imagina que fosse os interessar. Enquanto o resto do assessores de imprensa da companhia em que ela trabalhava estavam mandando e-mails para listas enormes na esperança de conseguir um espaço no Perez Hilton, Gawker, HuffPo ou onde fosse, essa assessora focava no segmento de saites com baixo tráfego, entendendo (corretamente) que hoje em dia conteúdo vem de baixo pra cima tanto quando de cima pra baixo e que regularmente saites menores, com sua habilidade de vasculhar mais fundo na rede e de maneira mais ágil, agem como fazendeiros para os saites grandes. Um saite pode ser muito influente sem necessariamente ter um número de acesso gigantesco, porque nem todo par de olhos são iguais.”

Bingo.

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Clipe oficial e remix de “VCR”, do The xx

Dirigido por Marcus Söderlund, taí o clipe oficial de “VCR”, do The xx. De quebra, um remix do Matthew Dear pra mesma música.

Via Pitchfork.

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O Globo, Maio/2009

Nesse domingo tem cumbia digital no Rio, na festa Dancing Cheetah, a cargo do argentino El Remolon.

A matéria abaixo sobre cumbia digital foi escrita para o Rio Fanzine (O Globo).

Pra fechar a tampa, a assessoria de imprensa do sujeito mandou uns links de MP3 pra botar na roda:

Matias Aguayo – “Minimal” (El Remolón Remix)

El Remolón – “Veridis Quo” (Daft Punk reprise) vs De La Soul

Animal Collective – “My Girls” (El Remolón Cumbia Mix)

Alcides – “Violeta” (El Remolón Remix)

Vou perder porque estou em Londres, para festa de lançamento do DVD do “Dub Echoes”. Mas como queria conferir isso de perto…

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¡Tiempo de cumbia digital!

Existe uma barreira invisível separando o Brasil de nuestros hermanos quando o assunto é música. Embora a língua atrapalhe a comunicação, o maior obstáculo é o estigma de cafonice associado a letras cantadas em espanhol. Grande engano.

Embora o sucesso de Manu Chao (ou mesmo os fãs que Café Tacuba e Ozomatli colecionam no Brasil), ainda tem muita coisa pra passar por essa ponte. Felizmente, como tudo atualmente, as coisas começam a se misturar.

Não por acaso, essa ligação tem se reforçado através dos ritmos eletrônicos produzidos nas periferias. O produtor argentino El Remolon – que toca no domingo na festa Dancing Cheetah no 69 –  por exemplo, juntou duas das mais conhecidas batidas terceiro mundistas quando convidou a ex-vocalista dos funkeiros Bonde do Rolê, Marina, para cantar sobre uma base de cumbia digital na sua “Vem que tem”.

Cubia o quê? Explica aí, Remolon.

- A cumbia digital é uma mistura de sons e culturas, não tem uma característica única, com influências de minimal, hip hop, IDM, dancehall, dubstep, electro, dub e, claro, a cumbia tradicional. A palavra cumbia era praticamente proibida na cena eletrônica. Começou a mudar lentamente, há uns cinco anos, com produtores como Fauna e Marcelo Fabian tocando em eventos alternativos.

O preconceito com esse ritmo tradicional (nascido na Colômbia e hoje presente em diversos países latinos, cada um com sua leitura própria) era tanto que até El Remolon já olhou torto pro gênero popular.

–  Se escuta cumbia em toda parte da cidade, de maneira que sempre se é ao menos um “ouvinte passivo”. Quando me pediam pra tocar cumbia comercial, me recusava. Mas percebia que havia algo de interessante, hipnótico ali e passei a incorporar samples em minhas produções de electro, minimal e IDM pra ver no que dava.

Deu no som que está se espalhando pelo mundo. Foi nas favelas de Buenos Aires que surgiu a cumbia villera, versão eletrônica do gênero, capitaneada pelo Damas Grátis e Pibes Chorros. O catalisador dessa cena foi a festa do selo Zizek na capital argentina, fundado pelos argentinos Villa Diamante e Nim e pelo americano El G, o ZZK foi se expandindo até encontrar ecos no exterior, tendo se apresentado no badalado festival californiano Coachella desse ano.

O alemão radicado no chile Señor Coconut, sempre ligado, também embarcou, os holandeses Sonido del Príncipe e Dick el Demasiado também, assim como Toy Selectah, membro do grupo de hip hop Control Machete, responsável pelo primeiro hit a fazer barulho fora da cena, “Cumbia sobre el rio”, incluída na trilha do filme “Babel”.

Um dos DJs da Dancing Cheetah, junto com João Brasil e Pedro Seiler, Chicodub é um apaixonado pelas batidas latinas e um dos pioneiros no som por aqui. Ele define a cumbia digital como “super tropical, meio reggae, meio forró, meio lambada, meio tecnobrega, com sintetizadores irados e um grave poderoso”. Para ele, o incipiente fenômeno musical pode se tornar ainda maior que o baile funk que dominou a Europa.

- O momento é favorável para os gêneros latinos em geral e de outros lugares ditos periféricos. O mundo está mais aberto nesse sentido. A cumbia já é ouvida em toda a América Latina e evidentemente os latinos estão em todos os cantos do mundo, se você renova o gênero com um namoro super esperto com a eletrônica, as chances de emplacar ficam ainda maiores.

Enquanto a explosão não vem, El Remolon vem quente pra tocar no Rio.

- Toco com um laptop e um teclado, fazendo versões ao vivo do meu disco “Pibe Cosmo” e alguns remixes e mashups. A idéia é botar o pessoal pra bailar introduzindo o groove da cumbia. As relações musicais entre Argentina e Brasil sempre foram distantes demais para o meu gosto. O que estamos fazendo com a cumbia e os brasileiros com o baile funk abre uma porta de diálogo. Espero que as relações se estreitem.

Ojala. Quer dizer, tomara.

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João Gilberto, repercussão, blogues e créditos


Folha: chamada na capa

O vazamento das demos de João Gilberto na rede continua a se espalhar e, de quebra, vai se tornando um importante marco, simbolizando algumas mudanças que a cultura digital vem impondo a imprensa.

Agora foi a Folha de S.Paulo que fez matéria (de Luiz Fernando Vianna) e um box (da Bruna Bittencourt) dando os devidos créditos e links para os blogues diretamente envolvidos no assunto: Toque Musical (que foi retirado do ar) e Vitrola e também para o Trabalho Sujo.

Coisa que o programa Metrópolis, da TV Cultura, inexplicavelmente não fez, preferindo utilizar o termo “blogosfera” e chegando ao cúmulo de cortar os cabeçalhos dos saites nas imagens utilizadas na reportagem.

No mundo virtual, creditar fontes é algo trivial, até porque seria difícil disfarçar a origem das informações. Atrasado, como tudo por aqui, os blogues começam a seriamente pautar a grande mídia. Já vem acontecendo há um tempo e é um movimento que ganha força. Um caminho sem volta, pode anotar.

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Folha de S.Paulo, 27/03/03

Matéria sobre disco de inéditas do Renato Russo que escrevi para Folha de S.Paulo.

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CD traz músicas inéditas de Renato Russo
BRUNO NATAL
da Folha de S. Paulo

Quase sete anos após sua morte, e aproveitando a data em que Renato Russo completaria 43 anos, nesta quinta-feira, a EMI lança “Renato Russo Presente”, disco que traz cinco composições inéditas e cinco raridades do vocalista da Legião Urbana, além de trechos de três entrevistas concedidas ao tablóide musical carioca “International Magazine”.

A coletânea é fruto do trabalho do jornalista Marcelo Fróes, que, a pedido da gravadora e da família do cantor, vem desde 2000 vasculhando os arquivos pessoais de Renato, Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá, em um levantamento de material inédito da Legião Urbana para um lançamento futuro.

Entre as raridades, algumas nunca haviam sido lançadas em CD, como o dueto de Renato e Flávio Venturini em “Mais uma Vez”, parceria só disponível antes no LP “Sete”, do 14 Bis. Outras, como a parceria virtual com Zélia Duncan em “Cathedral Song/Catedral”, são truques de estúdio. Em 1994, sem que um soubesse do outro, os dois regravaram a música de Tanita Tikaram.

“Faltou o olho no olho, mas temos em comum o fato de termos gravado sozinhos. Ele gravou a versão dele e eu a minha. Não existiu a intenção de um dueto, não cantei para acompanhá-lo ou vice-versa”, disse Zélia.
O maior achado da pesquisa, no que se refere à carreira solo de Renato, foi a parceria com Leila Pinheiro. Gravada na casa da cantora, em 1993, “Hoje” já era tida como perdida por Leila.

“Depois que gravamos, ele levou a fita e eu nunca mais ouvi essa gravação. Certa vez perguntei ao Renato e ele disse que a fita estava com Cássia Eller, mas não cheguei a falar com ela. Quando o Marcelo encontrou a fita fiquei emocionada”, disse a cantora.

A organização criteriosa de Renato Russo para seu material demo impressionou Fróes: “As fitas estavam com data, havia anotações e letras datilografadas”.

Apesar da organização, nem tudo pôde ser aproveitado. Uma letra intitulada “Para Rita Lee ou Made in Brazil” ficou de fora, pois não estava musicada.
O lançamento póstumo de material inédito de Renato Russo levanta uma questão: será que ele gostaria de ver essas músicas editadas? Fróes acredita que sim.

“Pelo nível de organização, uma coisa fica clara: se ele não quisesse que esse material fosse ouvido, teria apagado. Renato gostava de gravações piratas e de raridades. Numa das entrevistas do CD, quando eu pergunto se ele gravou determinada canção, ele diz, ‘fica para as caixas da vida’.” Produtor de três músicas do disco, Nilo Romero concorda e diz que a produção das faixas foi fiel ao espírito dos solos de Renato.

Ao que tudo indica, “Renato Russo Presente” é o começo de uma série de lançamentos envolvendo o cantor e a Legião Urbana. A pesquisa continua e espera-se conseguir mais material inédito por intermédio de fãs e gravações piratas. O baú está aberto.

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