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17 de maio de 2011 às 11h03
Transcultura #046 (O Globo): The Weeknd, Rome, Mayer Hawthorne & Friendly Fires, Google Music Beta
Meu texto da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo (e completou um ano essa semana!):
Trailer musical completo
Três Quatro artistas permitem audição na íntegra dos seus novos discos
por Bruno Natal
O tempo em que o lançamento de um disco era um evento exclusivo vai, ainda bem, ficando para trás. Também comem poeira o pinga-pinga de faixas avulsas e a bisonha “sacação” de liberar alguns segundos de determinada canção – algo que pode funcionar no cinema, na literatura, porém totalmente sem sentido na música. Cientes de que a audição prévia tem o poder de alavancar as vendas, cada vez mais artistas oferecem uma audição completa do disco antes do lançamento para os fãs decidirem se gostam o suficiente antes de comprar, sem a necessidade de baixar as músicas ilegalmente.
Esta semana, os novos trabalhos do Friendly Fires e do produtor Danger Mouse foram disponibilizados no Hype Machine (onde também foi lançado o segundo disco de Lykke Li) e na NRP Music, respectivamente. Além deles, há um mês o estreante The Weeknd fez o mesmo no Soundcloud, além de permitir baixar o disco todo. Também de presente para os fãs, Mayer Hawthorne lançou um EP de versões pra baixar de graça na página de sua gravadora, Stones Throw Records.
“Rome”, Danger Mouse & Danielle Luppi (participação especial de Jack White e Norah Jones): Numa época em que todo ser humano parece ter um trabalho artístico, observar o tamanho e a quantidade de projetos do Danger Mouse nos últimos anos (um produtor que chamou a atenção inicialmente com um disco de mashups de Beatles com Jay Z, montou o Gnarls Barkley e produziu o Gorillaz), é ter certeza que da quantidade pode vir qualidade. E viva as facilidades digitais. Seu mais recente projeto é uma parceria com Daniele Luppi e conta com a participação de Jack White e Norah Jones nos vocais. Produzido ao longo de cinco anos e inspirado nas trilhas de Ennio Morricone, “Rome” foi gravado em… Roma, em formato analógico, com músicos originais das trilhas de Morricone, incluindo Edda Dell’Orso, uma das cantoras prediletas do compositor, presente também nas trilhas dos três principais filmes de Sergio Leone, mestre do western spaghetti. O resultado serviria perfeitamente para uma trilha de Tarantino. Bem contemplativo, “Rome” lembra em alguns momentos “Dark night of the soul”, outro projeto de Danger Mouse, sempre em boa companhia, com David Lynch e Sparklehorse. Os músicos disseram em entrevista que uma turnê está nos planos. É aguardar pra ver se conseguem juntar tanta gente num mesmo palco.
“House of balloons”, The Weeknd: A influência da estética do dubstep, mais do que o próprio estilo surgido na Inglaterra, vai cada vez mais longe, se distorcendo e se transformando, como mostram os recentes discos de James Blake ou Mount Kimbie. No caso do novato The Weeknd, que é formado pelo cantor Abel Tesfaye e os produtores Doc McKinney and Illangelo, as pancadas graves no vazio e os reverbs secos do dubstep encontram o r&b, resultando num melado trip hop de derreter a orelha e dançar devagarinho, como sugere a psicodelia soft porn da capa.
“Pala”, Friendly Fires: O trio inglês chegou de mansinho com “Paris”, acelerou com “Skeleton boy” e explodiu com “Jump in the pool”, rapidamente passando de aposta da semana para banda da vez, título que o Friendly Fires pretende consolidar com o segundo disco. O mais próximo do que se conhecia do Friendly Fires é “True love”, dançante, com bateria “disco” e baixo pulsando. “Pull me back to earth” e “Show me lights” também não passam tão longe. De resto, “Pala” (nome da ilha utópica do livro “A ilha”, de Aldous Huxley) é muito diferente, o que é ótimo. Muito influenciado pelos anos 80, às vezes de forma direta, outras perto da releitura da década proposta pelo hypnagogic/ chill wave e seus vocais filtrados e camadas de teclado, o trio pula a furada nu-rave e vai direto de rave, acid-house e tudo mais. O clipe da música que abre o disco, “Live those days tonight”, ganhou uma versão editada pela banda só com imagens de festas na virada dos anos 1980 para os 1990 encontradas no YouTube. Como todo bom disco, cresce a cada audição.
“Impressions”, Mayer Hawthorne: Com apenas um disco, Mayer Hawthorne conseguiu uma boa base de fãs para o seu soul retrô, com uma leve atualizada via hip hop. Bom de palco, um dos seus trunfos são as versões – a interpretação de “Gangsta Love”, do Snoop Dogg, faz frente a original. Por isso, enquanto o segundo disco não vem, Mayer dá uma acalmada oferecendo de graça um EP só de covers. São seis músicas: “Work To Do” (Isley Brothers), “Don’t Turn The Lights On” (Chromeo), “You’ve Got The Makings Of A Lover” (The Festivals), “Fantasy Girl” (Jon Brion), “Little Person” (Steve Salazar) e “Mr. Blue Sky” (Electric Light Orchestra). Fino.
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Tchequirau
O Google lançou seu serviço de música, no qual o usuário hospeda sua discoteca de graça e pode acessá-lo de qualquer lugar, incluindo celulares rodando o sistema Android. É basicamente um Spotify gratuito com pontencial pirata, já que aparentemente não questiona a procedência das músicas.
15 de março de 2011 às 12h03
Doc trailer: “Sound It Out”
Um filme sobre a última loja de discos de vinil do norte da Inglaterra. Elas estão acabando.
Muita atenção ao canto inferior esquerdo aos 2m17seg, tem um outro documentário muito especial na bancada da loja.
8 de setembro de 2010 às 12h02
Transcultura #017 (O Globo): Spotify, Sleep Cycle
Com um belo atraso, o texto da semana retrasada daa coluna coletiva “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:
Música no ar
Saite sueco Spotify conquista o público com seus dez milhões de arquivos em “streaming”
por Bruno Natal
O hábito de escutar música online, iniciado com a explosão das trocas de arquivos no Napster no ano 2000, vai rapidamente migrando para os serviços de streaming. A exemplo de como funciona o MySpace, nesse tipo de transmissão o usuário nunca recebe o arquivo com a música, simplesmente aciona o fluxo de dados em um servidor a partir do seu computador. Exatamente por essa facilidade, ainda que as gravadoras briguem por melhores remunerações, uma das principais plataformas para escutar músicas atualmente é o YouTube.
Com um catálogo gigantesco, estimado em mais de 10 milhões de músicas, o sueco Spotify (spotify.com) despontou como a estrela desse tipo de negócio. Lançado no final de 2008, já conta com mais de 700 mil usuários, dos quais 250 mil são assinantes (segundo dados da revista Wired). Esse é o grande diferencial do Spotify. Se o serviço em si não é uma novidade – há outros mais antigos, como Rhapsody, Last.Fm, Mog, Zune – ele se diferencia porque seu modelo de negócio está se sustentando mesmo com o crescimento.
Enquanto outros tentaram se sustentar principalmente através de anúncios para os usuários gratuitos, mesmo com acordos com as grandes gravadoras e principais selos, a base de assinantes não se expandiu como esperado, o alto número de usuários gratuitos estouraram o limite de anúncios e as contas não fecharam na hora da divisão.
Com esse tipo de serviço se popularizando, um acordo padrão para esse tipo de execução online fica cada vez mais próximo. Resta resolver a complicada matemática entre o direito das gravadoras, editoras e artistas. Embora especialista apontem que anúncios ou assinaturas não são suficientes para cobrir os custos, o We7 (we7.com), fundado por Peter Gabriel, recentemente conseguiu fechar no azul utilizando esse modelo de negócio.
Dois fatores pesam para o sucesso do Spotify. O primeiro, dizem, é uma comentada participação das principais gravadoras no negócio, aliviando nas exigências nesse primeiro momento (e gerando acusações de não oferecer bons acordos para os independentes). O outro são os aparelhos celulares. O grande salto financeiro do Spotify veio quando foi lançado o aplicativo para telefones, disponível apenas para assinantes. Quem paga também ouve arquivos com melhor qualidade de compressão. A possibilidade de ter a discoteca mundial no bolso por cerca de 28 reais mensais, sem precisar ocupar espaço no HD, perder tempo procurando na rede ou esperar pra baixar, é irrestível. O número de páginas dedicadas apenas a distribuir as coletâneas feitas por usuários é a prova disso (spotifyplaylists.co.uk é um deles), com o serviço apostando cada vez mais em características de redes sociais e interacção.
Como sempre, não há nada dos Beatles ou do Pink Floyd. Apesar de muita coisa brasileira – Cidadão Instigado, Marcelo Camelo, Wado ou Mombojó, com discografias desatualizadas. Tim Maia e Jorge Ben, por exemplo, só estão disponíveis em coletâneas. Por enquanto o serviço está restrito aos usuários de alguns países da Europa. A limitação é feita baseada nos dados do cartão de crédito utilizado para o pagamento e no endereço IP de quem estiver contratando o serviço, portanto isso significa que quem tiver um amigo em um dos países ativos pode usá-lo para contratar o serviço.
Os fundadores do Spotify dizem que a disputa deles é com a livre troca de arquivos, oferecendo facilidades semelhantes mediante um pagamento justo. Nos EUA, mercado onde o Spotify sequer entrou ainda, o Grooveshark (grooveshark.com) cresce sem parar. Sem precisar de cadastro e disponível em qualquer país, os próprios usuários sobem as músicas, garantindo que se encontre quase tudo e fazendo com que o saite execute mais de 60 milhões de músicas por mês. Também há um acordo com gravadoras, porém esse método gera diversas músicas duplicadas, triplicadas e nem sempre com a melhor qualidade. É o preço da gravidade.
A dificuldade então é análoga ao ditado “Quem tem tudo, não nada tem”. Com todas as músicas do mundo no seu bolso, saber o que e por onde começar. Dar conta de escutar tanta coisa será a grande tarefa.
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Tchequirau
Através do acelerômetro do iPhone o aplicativo Sleep Cycle monitora a vibração do colchão provocada pelos seus movimentos, determina o estágio do sono e dispara o alarme durante o sono leve, garantindo um despertar suave.
18 de março de 2010 às 13h38
YouTube Disco
Lançando o YouTube Disco, o gigante dos vídeos online assume seu papel de vitrola e tira o Spotify e similares pra dançar.
Sem dúvida, existem diferenças gigantescas e a qualidade dos arquivos de áudio é uma delas. Em compensação, o alcance do YT é infinitamente maior que o do Spotify.
24 de fevereiro de 2010 às 15h42
Grooveshark
O Grooveshark oferece um serviço parecido com o do Spotify, serviço sueco de músicas que está revolucionando a indústria.
A diferença é que não precisa baixar um programa proprietário e (pelo menos por enquanto) roda no Brasil tranquilamente.
Aliás, tem gente descobrindo maneiras de utilizar o Spotify aqui na terrinha, fazendo uma conta com um cartão de crédito europeu e assinando o serviço de viagem, que permite acessar as músicas de qualquer lugar do mundo, não importa o IP.
15 de outubro de 2009 às 14h19
Brega S/A
Os produtores do documentário sobre a cena tecnobrega do Pará, “Brega S/A”, dos diretores Vladimir Cunha e Gustavo Godinho, lançaram o filme para baixar sem custo no saite oficial do filme. Imperdível é pouco. Corre, corre, corre!
14 de maio de 2009 às 11h16
A crise e os discos
Desde janeiro o aviso continua pregado na porta do ponto que um dia abrigou uma das mais populares(cas) lojas de discos de Londres, a Virgin/Zavvi cravada no epicentro turístico da cidade, Piccadilly Circus.
Hoje parece tudo óbvio, porém há nem tanto tempo assim coisas assim pareciam bem improváveis.
7 de maio de 2009 às 16h02
Poder de escolha
Consegui rodar o Spotify por aqui e é espetacular, tão bom quanto propagandeado.
Fácil de usar, rápido e abrangente. Com acordo assinado com as principais gravadoras e selos do planeta, dá pra encontrar quase tudo. Não é difícil imaginar que com tanta praticidade exista bastante gente disposta a cair dentro.
Claro que coisas independentes muito obscuras ainda estão de fora, mas não deve demorar até serem incluídas.
O serviço já se destacou, criando uma onda de otimismo na indústria, embora alguns velhos tubarões questionam se o valor que será gerado pelos anúncios (um a cada 20 minutos para os usuários gratuitos, zero para os pagos, a 9,99 libras por mês) será o suficiente para a indústria.
Como é que é? Suficiente? Bom, compara com ZERO que é o que está se tornando a regra das pessoas pagarem e me diz se 1 centavo te adianta. É essa arrogância que faz as coisas andarem tão devagar.
31 de março de 2009 às 12h11
Hermeto livre

foto: Marcos Amend
“Hermeto Pascoal libera sua música para fluir ao vento, como pétalas
Gênio alagoano cede seus direitos autorais para disponibilizar toda a discografia em seu site”
Via Trabalho Sujo.
26 de março de 2009 às 14h01
Na marca
O Spotify é um serviço de músicas que mistura a organização do iTunes com as funcionalidades de rede social do LastFM e a flexibilidade do Pandora.
Você escolhe o que quer ouvir e o programa toca instantaneamente, possibilitando ao usuário criar listas e compartilhar com os amigos. Grátis. Quer dizer, ainda está indisponível no Brasil, mas existem maneiras de driblar a restrição.
16 de março de 2009 às 11h05
Rough Trade doc
Essa semana estreiou um documentário com a história da loja e selo Rough Trade, produzido pela BBC.
No saite da emissora o conteúdo dos últimos sete dias está sempre a um clique de distância. O lance é que o conteúdo é bloqueado para endereços IP de fora do Reino Unido. Se alguém souber como driblar isso, avisa.
12 de janeiro de 2009 às 15h28
Ressaca?

foto: Rick Bowmer/AP
Tá todo mundo esperando a maré virar para o lado do Obama. Assim que assumir o cargo, começam as pressões para corresponder as expectativas irreais e com elas, inevitavelmente, as decepções.
Veja o caso da cultura digital. Queridinho dos defensores do livre compatilhamento de arquivos na internet, Obama escolheu para seu departamento de Justiça dois tubarões, antigos advogados Recording Industry Association of America (RIAA), uma das entidades mais agressivas na maneira de lidar com as questões e responsáve pela maior parte dos processos contra usuários de redes P2P.














Documentarista, jornalista, carioca, boto som mas não sou DJ e provavelmente passo tempo demais online.

















