Cumprindo a risca o seu projeto de um mashup por dia, João Brasil tem bancado o The Flash. Primeiro foi a colagem feita com a versão 2010 de “Umbabarauma” (Jorge Ben) e “Uma Partida de Futebol” (Skank) assim que a releitura saiu.
Na quarta, no mesmo dia que a Comunidade Ninjitsu lançou “Funk da Vuvuzela”, João juntou com a com a suposta música da Lady Gaga para a campanha para salvar os Galvão birds e montou a sua “Cala Boca Vuvuzela”.
Puritanos, tremei.
João Brasil, “Tom Jobim <3 Baile Funk”:
01 - “Garota do chefe” ( Tom Jobim, Astrud Gilberto and Stan Getz X Mc Max)
02 - “Anos de Dako” (Tom Jobim X Chico Buarque X Tati Quebra Barraco)
03 - “Só danço Vuk” (Tom Jobim, João Gilberto and Stan Getz X Pretinho Tenor)
04 - “Operadoras de Março” (Tom Jobim and Elis Regina X Gorila e Preto)
05 - “Eu sou wave” (Tom Jobim X Mc Marcelly)
06 - “Chega de rebolar” ( Tom Jobim X Gaiola da Popozudas)
07 - “Samba de uma adoleta só” (Tom Jobim X Bonde do Tigrão)
08 - “Bota a mão no passarim” (Tom Jobim X Mcs Maiquinho e Alexandre)
09 - “Funk do avião” (Montagem João Brasil)
Faixa bônus, “Aquarela Regulate” (Orquestra Tabajara x Schlachthofbronx):
Mais um disco saído do projeto 365 Mashups da lenda João Brasil. Dessa vez foi o LCD Soundsystem quem recebeu o tratamento de colagens em “This Is Mashing”.
1 – Dance Boom Clean (LCD Soundsystem X Black Eyed Peas)
2 – Drunk Shack (LCD Soundsystem X B-52s)
3 – One Poker Touch (LCD Soundsystem X Lady Gaga)
4 – All I want is thunder (LCD Soundsystem X AC/DC)
5 – I can medina (LCD Soundsystem X Tone-Loc)
6 – You wanted an anthem (LCD Soundsystem X C+C Music Factory)
7 – Pow Stan Bad (LCD Soundsystem X Eminem X Michael Jackson)
8 – Calling my poket (LCD Soundsystem X Alanis Morissette)
9 – Home night (LCD Soundsystem X Lily Allen)

foto: Caroline Bittencourt / design: Dimáquina
O pacote com a coletânea completinha: OEsquema apresenta: “OViolão”.
Pra saber mais detalhes do projeto é só ler os dois textos de apresentação escritos por mim e pelo Matias no dia que as músicas começaram a pingar por aqui.
–
1. Lulina - “Mentirinhas de Verão”
2. AVA - “Filha da Ira”
3. Lucas Santtana - “Nighttime In The Backyard”
4. Wado - “Frágil”
5. João Brasil - “Orgasmadance”
6. Burro Morto - “Navalha Cega (Violas)”
7. Frank Jorge - “São Tantas Tendências”
8. Momo - “Mas É o Fim”
9. Curumin - “Solidão Gasolina”
10. Kassin - “Pra Lembrar”
11. Nina Becker - “Polyester Tropical”
12. Gabriel Thomaz - “248-6279″
13. CéU - “Cangote”
14. Do Amor - “Mindingo”
João Brasil, “Orgasmadance (OViolão)”
Refazendo o mashup “Orgasmadance” utilzando apenas um violão para produzir todos os ons, João Brasil mostra seu lado acústico.

capinha feita pelo Dimáquina
Nosso astro João Brasil parece estar se divertindo com as reações extremadas aos resultados do seu projeto 365 Mashups.
Depois de chocar os puristas levando os Beatles para o baile funk, ele promove o encontro de Snoop Dogg e Miles Davis e se aventura pelos mini-mashups, colocando Prince e Ultraje a Rigor frente a frente com as músicas relâmpago da banda de trash metal S.O.D., em pepitas com dois segundos de duração.
E como a cada leva, sai um EP, o passeio do rapper De Leve pelas bases instrumenteais do Los Hermanos rendeu o “De Leve Ventura” , gerando pérolas como “Samba das mulhé” e “Camelin Vencedor”.

capa do Breno Pineschi
Seguindo a farra da empreitada 365 Mashups, João Brasil soltou mais um EP, o encontro entre Beatles e baile funk carioca, “Let It Baile”.
A próxima compilação deve reunir o passeio do De Leve pelo universo musical do Los Hermanos, soltas pelo saite do projeto.
1 – Two rinocerontes bill (The Beatles X MC Bill and MC Bolinho)
2 – Ela balança mais nao pony (The Beatles X MC Buiu)
3 – Descontroladas Universe (The Beatles X Bonde do tigrão)
4 – Bolete mine (The Beatles X MC Colibri)
5 -Dig Minigame (The Beatles X Montagem Minigame)
6 – Let it injeção be (The Beatles X Deize Tigrona)
7 – Maggie, bum bum se conquista (The Beatles X Mr. Catra)
8 – I’ve got a vacilão (The Beatles X Perlla)
9 – Atoladinha 909 (The Beatles X Tati Quebra Barraco)
10 – The Long and Salgueiro (The Beatles X Claudinho e Buchecha)
11 – Kuduro Blues (The Beatles X MC Andrezinho Shock)
12 – Get pet (The Beatles X MC Robinho)
É, a distância do carnaval está deixando João Brasil saudoso e o resultado é mais um EP saído do seu projetoatual, o 365 Mashups, despejando um mashup por dia durante 2010.
Juntando as recentes misturas de hits internacionais com samba e batucada, “Mash Mash Carnaval Hits” atinge o seu ápice ao botar os robôs pra rebolar em “One More Batucada” (Daft Punk x Sergio Mendes). A capinha sensacional foi feita pela Hardcuore.
A trilha perfeita para sua quarta-feira de cinzas.
–
1. “Batuque Single Ladies” (Beyonce X Fernando)
2. “Let’s dance samba” (Lady Gaga X Paulinho da Costa)
3. “One more batucada” (Daft Punk X Sergio Mendes)
4. “Mulata Tik Tok” (Ke$ha X Mocidade)
5. “Batuque 1901″ (Phoenix X Portinho)
6. “Music batucada” (Madonna X Dom Um Romão)
7. “I feel samba” ( Hot Chip X Portinho)
8. “Smells pra dançar” (Nirvana X Olodum)
9. “Blowing in Pelô” (Bob Dylan X Olodum)
10. “15 steps for Olodum” (Radiohead X Olodum)
11. “Girl from denúncia” (Tom Jobim X Bob Dylan)
Organizada e encomendada pela Agemda, a mixtape “Pizza Samba - Mashups de carnaval” é inspirada nos recentes mashups que João Brasil vem fazendo no seu projeto “365 Mashups”, misturando axé, samba e pop, pra garantir um carnaval eletrônico sem sair do compasso.
João Brasil continua mandando notícias de sua vida em Londres. Entre o mestrado, apresentações de Amsterdã a Berlim, a lenda encontrou tempo para um projeto ambicioso.
O nome é auto-explicativo: 365 Mashups, um por dia durante todo 2010. Passado o primeiro mês, João está mantendo a promessa.
Tem de tudo, colagens musicais de rap com música brasileira, Beatles com funk e sátiras, como as misturas da apresentação do Steve Jobs com Rage Against the Machine e Lady Gaga ou da mamada Darth Vader da Tessália do BBB ao som de Glen Gould.
Bolete mine
The Beatles X Mc Colibri
Vampire Weekend X Paralamas do Sucesso
Glenn Gould X Tessália

Dentro do projeto principal nascem outros paralelos. Os mashups do “Black Album” do Jay Z com músicas brasileiras viraram o disco “Black Album Brasil”.
O Chernobyl (pioneiro da mistura de baile funk com rock) pede pra avisar que o seu primeiro EP solo sai hoje, pelo selo Exploited Records, do alemão Shir Khan (do remix matador de “Office Boy”, do Bonde do Rolê).
São duas faixas, com três remixes cada: “Empina a Pipa” (feat. MC Gi e Cabal), com remixes de Toy Selectah, Samim e Dex; e “Balança” (feat. Praga), com remixes de João Brasil, Edu K, Reinassance Man e Beat Laden.
No Myspace do Chernobyl tem um megamix com as faixas do disco. Ele descolou o link pra baixar “Praga Balança” (Renaissance Man remix).

João Brasil, na CALZONE
foto: valeopenair
Morando em Londres, a lenda João Brasil fez uma passagem relâmpago pela terrinha para tocar nas edições do Vale Open Air da Dancing Cheetah e da CALZONE (bombástica, 3.300 pessoas, mais sobre a festa depois).
De brinde, deixou o EP “Party Mashups 2009″, feito especialmente para viagem. São quatro novas colagens musicais:
“Poker De Floor” (Major Lazer X Lady Gaga)
“Popozuda Dreams” (Edu K X Beyonce)
“Short Dick Caetano” (20 Fingers X Caetano)
“We will rain you” (Calvin Harris X Queen)
Os três primeiros a pedir banana nos comentários levam um par de convites cada (total de seis convites).
Em Shoreditch, coração do hype londrino, João Brasil tocou com Marina (ex-Bonde do Rolê) no pub Old Blue Last. O encontro rendeu uma colaboração, “Big Foot”, disponível no MySpace do mito.
Em dezembro tem edição da CALZONE e temporada da Dancing Cheetah, duas festas das quais ele faz parte. Será que ele pinta por aqui?
Bate forte o tambôôôr!
Você deve lembrar da primeira propaganda dos sucos Do Bem criada pelo Breno “HardCuore” Pineschi, com trilha do João Brasil e que repercutiu adoidado no exterior.
Pois bem. No segundo vídeo, seguindo o mesmo formato, todos se superaram. Design, animação, trilha, referências, tudo melhorou. Ficou demais.
Só agora eu vi o vídeo que o Joca Vidal fez da participação do Mr. Catra durante o set do João Brasil na festa do Prêmio Multishow. Histórico.
Falando em Dancing Cheetah, João Brasil parte amanhã para uma temporadas de no mínimo um ano em Londres (ele fala em dois), onde vai fazer um mestrado em artes visuais.
Largar tudo nesse momento é uma decisão arriscada e corajosa, daquelas que costumam render bons frutos quando acertadas.
Quero só ver o que um dos maiores GÊNIOS da música do planeta vai arrumar lá fora. Vai com tudo, meu irmão!
No sábado o Bonde do Rolê juntou uma rapaziada numa laje na comunidade de Tavares Bastos, no Rio, para levar versões de samba das músicas do seu próximo disco.
Os arranjos ficaram por conta do João Brasil e a bagunça foi filmada não se sabe ainda bem para que finalidade.
O grande Lucas Bori esteve lá e clicou.
O ídolo se apresentou ao vivo no programa Oi Novo som, onde mandou essa montagem Michael Jackson e outras coisas mais.
Não bastasse comparar a genialidade de Theo Becker com a capacidade criativa de João Brasil, dia desses Marcos Mion deu continuidade a sua história de amor com o hitmaker carioca, analisando o clipe de “Nadadora”, do qual ele é o protagonista.
A admiração é tanta que Mion sequer percebeu que João Brasil não tem nada a ver com a Banda Leme, projeto do De Leve, Flu e Luciano.
Jay-Z, “Death Of Autotune”
Existe um elemento comum entre todos os hits recentes do hip pop de T-Pain, Kanye West, Akon, Lil Wayne, Snoop Dogg ou Black Eyed Peas: o auto-tune, ferramenta digital para fazer pequenos ajustes e afinar vocais após gravados, auxiliando cantores a cravar todas as notas desejadas (platificando o processo, segundo alguns).
A sonoridade robótica produzida pelo uso “indevido” do auto-tune como um efeito de distorção tomou conta do hip hop. Há tempos não se via um elemento sozinho — seja instrumento, equipamento ou técnica de gravação — se tornar tão central nos estúdios.
T-Pain feat. Jamie Foxx, “Blame It (On The Alcohol)”
O auto-tune está em toda parte. Tem tutoriais no YouTube sobre como usar o efeito, tem app para iPhone, é motivo de piadas e mais piadas e foi matéria na New Yorker e na Time.
T-Pain vs. Vocoder, no Funny or Die
Marqueteiro que só ele, mesmo chegando atrasado na farra do auto-tune, Kanye West tentou puxar para si o título de desbravador da ferramenta, tendo gravado o disco “808 & Heartbreak” inteiramente com o efeito e fazendo bastante propaganda disso.
Kanye West, “Heartless”
Antes disso, Kanye já havia sampleado “Harder, Better, Faster, Stronger”, do Daft Punk, para servir de base para “Stronger”, reverenciando os franceses que vem usando tanto o vocoder quanto o auto-tune há muito tempo, de “Around The World” à “One More Time” à “Technologic”.
Antes disso, em 1998, dois anos depois da invenção do auto-tune, Cher fez muita gente querer rasgar os ouvidos com a sua “Believe”. Em 2005, Akon causou reação semelhante com “Mr. Lonely”. Expoente máximo do plugin, T-Pain diz que faz uso do autotune desde 2003.
Dentro do hip hop “tradicional” o uso de vozes robóticas não é inédita. Sem ir muito longe, basta ouvir os Beastie Boys em “Intergalactic”. A diferença é que o efeito utilizado, e já bem conhecido, é criado através do vocoder, um sintetizador que filtra a voz e altera as notas quando tocado enquanto se canta.
Como se vê, pode ser a moda da vez, mas está longe de ser novidade.
Afrika Bambaataa, “Planet Rock”
Até pouco mais de duas décadas atrás, “ano 2000″ era sinônimo de um tempo ainda distante, avançado tecnologicamente, onde robôs seriam parte integrante do cenário. A temática inspirou cineastas, escritores e, claro, músicos, todos buscando adiantar como seria esse futuro.
Em 1982, tentando imaginar como soaria algo feito duas décadas adiante, com a seminal “Planet Rock” Afrika Bambaataa desenhou o futuro da música, juntamente com o retro-futurismo do Kraftwerk e músicas como “Trans Europe Express”.
Passados tantos anos, esse modelo sobreviveu a vários outros que sumiram no tempo, justamente por ter vingado - as batidas, o uso do vocoder, os graves… estão todos aí.
Ciara feat. Chamillionaire, “Get up”
“Get up”, da Ciara (de 2006, produzida por Jazze Pha), junta várias referências de artistas que tentaram prever o som do presente em que vivemos, o tal anos 2000 — batidas de Bambaataa, teclados gelados do Kraftwerk, falsetes de Michael Jackson, citações jamaicanas a “Ring the alarm” (Tenor Saw). É um bom exemplo de como, ao tentar adiantar o futuro, esses artistas terminaram por determinar como ele seria.
O efeito robótico é até parecido, mas existe bastante diferença entre o uso do vocoder e o auto-tune. O segundo tem um resultado muito mais alucinado e eletrônico. Usado no talo, provoca uma oscilação brusca entre as notas, tão rápida que seria impossível ser executada por um humano.
O baile funk, sempre sedento por novidades tecnológicas ainda não fez uso do auto-tune (ou pelo menos nenhum hit surgiu ainda - no tecnobrega já tá rolando, lembrou JB nos comentários). João Brasil arranhou o assunto em “Cobrinha Fanfarrona”, mas utilizando o vocoder, não o auto-tune. Não vai demorar muito para a ferramentaganhar mais algum uso não previsto.
Black Eyed Peas, “Boom Boom Pow”
Essa proeminência da ferramenta vem alimentando a velha discussão sobre os caminhos do hip hop após ter se transformado no principal estilo musical em termos comerciais nos EUA.
Enquanto Nas declarou a morte do gênero em “Hip Hop Is Dead”, Ice-T protagonizou uma áspera (e constrangedora) troca de ofensas online com o menino Soulja Boy Tell’em por conta do sucesso de “Crank That”.
É o triunfo da estética seca e mais lenta do crunk e do hip hop produzido no sul dos EUA, onde a influência do Miami Bass continua gigantesca — e de onde vem boa parte dos produtores e rappers de maior sucesso hoje em dia, de Outkast a Lil Wayne.
O sempre esperto Jay-Z, só pra destoar, declarou a morte do auto-tune na música que acabou de lançar para promover o próximo disco (produzido por, veja só, Kanye). Ele não está sozinho na guerra contra o novo hip hop.
As coisas mudaram — sempre mudam — e certamente a eletrônica foi adicionada aos tradicionais quatro elementos (DJ, rap, b-boy e grafite). Se hoje o que se produz pode ser considerado hip hop ou não é uma discussão tão boba quanto interminável.
Se aprontando apra uma nova temporada todas as terças de julho na Casa da Matriz, a Dancing Cheetah põe pra jogo segunda mixtape da festa, “Tropicaliente”.
A capa foi feita pelo Breno Pineschi e sua Hardcuore.
Anote as datas:
7 de julho - Edu K
14 de julho - Marcelinho da Lua / La Rica
21 de julho - DJ Chernobyl
28 de julho - Go East/ Dj Vivi Caccuri
Ramones + Calypso + Passion Pit + Britney Spears = “Hey Ho Let’s Go Bahia”. João Brasil acelera atrás do trio, só falta vender abadá.
O divertido vídeo criado pel Hard Cuore para a campanha do sucos Do Bem, com trilha do João Brasil, funcionou que foi uma beleza. Apareceu no blog do Kanye West, no LikeCool e estará na próxima edição da revista International Designers Network.
Bem legal o vídeo da empresa de sucos Do Bem, criado por Breno Pineschi com trilha do João Brasil.
Só estranho o tanto que o conceito brasileiro se parece com a inglesa Innocent.
João Brasil, “Baile Parangolé”
E lá vem ele de novo. João Brasil apresenta sua nova peça, “Baile Parangolé”, um “baile-funk homenagem à Caetano Veloso, seu livro ‘Verdade Tropical’ e todo o movimento tropicalista”, como explicou na descrição do vídeo no YouTube.
Lista dos samples, dessa vez só de música brasileira:
“Tropicália” - Caetano Veloso
“Zanzibar” - Edu Lobo
“Nega do cabelo duro” - Luiz Caldas
“Swing da cor” - Daniela Mercury
“Por trás de Brás Pina” - Guinga
“Não se acabou” - João Donato
“Biotech is Godzilla” - Ratos de Porão
“Panis et circenses” - Mutantes
“Bocochê” - Viniciu de Moraes e Baden Powell
“Dançando Calypso” - Calypso
Abaixo, João fala sobre do novo projeto:
Essa música é parte de um novo disco? Como se chama?
João Brasil - Essa é primeira música/vídeo mashup do meu novo álbum, chamado “Tropical Baile Tech”. Foi feita inteira com samples de música brasileira e com o vídeo da Disney + Carmen Miranda + alguns ruídos visuais que remetem aos samples usados. É minha homenagem à Caetano Veloso, ao seu livro “Verdade Tropical” e a todo o movimento tropicalista.
Parangolé é a obra de Hélio Oiticica denominada de a “antiarte por excelência”. Quis fazer esse tipo de mashup que acho interessante, onde o vídeo não pertence a música, assim se cria mais uma dimensão. Música AxB sobre imagem CxD. Continuo com a estética de misturar musicalmente “alta” e “baixa” cultura, pois não acredito nessas barreiras. Guinga e Calypso para mim tem a mesmíssima importância musical.
Qual a diferença para o disco anterior, “Big Forbidden Dance”?
João Brasil - A diferença que esse não vai ser só de mashups. Quero produzir, tocar e criar música sem uma estética definida, vou misturar mashups com minha voz, vão ter mashups puros, remixes, vai ter de tudo. Quero também fazer uma ponte com a América Latina na minha música.
É menos voltado pra pista que o anterior?
João Brasil - Essa música é menos voltada para a pista, mas me aguarde para as próximas!
Quantas músicas já estão prontas e quantas mais devem vir?
João Brasil - Só tenho essa por enquanto, a segunda está quase e a terceira na cabeça. Vou lançando aos poucos na internet. Meio como foi o processo do “8 Hits”. Depois que achar que acabou, fecho num pacote e diponibilizo de graça para download. A próxima vai ser um tecnobrega produzido e cantado por mim, chamada “Chique-Chique Tech”.
Como esse novo trabalho se encaixa no que você vem produzindo recentemente, principalmente a série Tropical Mix, com remixes para o CSS e para o N.A.S.A.?
João Brasil - Acho que se encaixa no tropicalismo em si e na alegria de poder ser músico nesse país onde são produzidas as músicas mais fantásticas do mundo.
Você acredita que ao mexer em músicas brasileiras tão conhecidas pode apertar o cerco ao seu trabalho? Teme ser tirado do ar ou ser processado?
João Brasil - Não. Não estou ganhando dinheiro com isso e cito todos os samples que usei. Se quiserem tirar do ar acho besteira pois estou divulgando o nome desses artistas, inclusive para um público que possa até nunca tê-los ouvido antes.
O que acontecerá quando os principais samples, os mais conhecidos reconhecíveis, tiverem sido usados em mashups? Existe uma corrida pra usar primeiro essas fontes?
João Brasil - Acho impossível esgotar tudo, tem tanta coisa! Acho que a corrida maior é do artista com ele mesmo, de descobrir samples que traduzam seus gostos, seus ideais, sua percepção do mundo.
Nos comentários da entrevista aqui no URBe do Kutiman (responsável pelo projeto ThruYOU), o leitor Raul Costa levantou um ponto interessante, dizendo que via o mashup com muito foco no conceito e os jornalistas mais preocupados em analisar os paradigmas, com pouca atenção para as composições. Como você vê essa questão?
João Brasil - Acho os dois pontos igualmente importantes, o que não pode é deixar de fora um dos dois. O trabalho de composição do Kutiman é monstruoso, é hoje um dos maiores compositores do YouTube, o trabalho musical gigantesco dele não pode deixar de ser notado pelos jornalistas, pega mal mesmo.
N.A.S.A. - “Whachadoin” (João Brasil Tropical Mix)
Zégon cravou nos comentários do YouTube: “melhor remix de ‘Whachadoin?’ até hoje !!! genial!”
É, João Brasil parece mesmo disposto a ressucitar a lambada, a dança proibida.
Do jeito que vai, acaba conseguindo, até porque o momento é favorável, a julgar pela reação caliente as contantes inclusões de “Tic tic tac” (Carrapixo) e seu mashup “Over abelha luz o’mine” (Hot Chip, Guns N Roses, Luis Caldas) nos sets da melhor festa do país (a nossa CALZONE, claro) e na Dancing Cheetah (se liga na ampliação do império).
Não bastasse o “Left Behind” (João Brasil Tropical Mix), considerado o melhor remix de uma música do CSS pelo líder da banda Adriano Cintra; “We are swing da cor” (Justice, Daniela Mercury, Justin Timberlake), com vocais de Kassin; e da “Big Lambada”, do seu disco “Big Forbidden Dance”; o mito aprontou mais uma.
A vítima agora é “Whachadoin”, do N.A.S.A., projeto do brasileiro Zégon com Squeak E. Clean (irmão do diretor Spike Jonze), já confirmado no Coachella 2009. Os vocais da M.I.A., Spank Rock e Santogold foram tudo que sobrou do original. A base caliente foi toda tocada pela lenda João Brasil.
Fã-clipe de “Don’t go to Australia”
Invertendo o fluxo natural desse tipo de coisa, João Brasil entrevistou a baiana Ana Carol, sua fã número um e fundadora do fã-clube no Orkut:
Como vc ficou me conhecendo? O que mais te surprende em mim?
ahh..fiquei te conhecendo como a maioria das pessoas te conheceram…pela boa e velha MTV :) mas acho que foi destino, porque eu quase nunca assisto os programas… ah não ser o lab que só passa clipe… especialmente o mucho macho que passava na época…eu d-e-t-e-s-t-a-v-a!! mas como eu sempre gostei do mion, certa vez eu me forcei a assistir, sabe lá deus porque, e foi justo no dia em que tocou pela primeira vez a sua música… daí quando eu ouvi eu pirei…acho que eu liguei pras meninas na hora pra contar pra elas que eu tinha acabado de ouvir uma música que era nossa cara hahahaha o que mais me surpreende em você é a sua humildade (como pessoa)…como músico, eu adoro seu jeito de escrever , sua habilidade e conhecimento profundo de música…
Mais artistas poderiam fazer isso. Não dá pra imaginar o que eles gostariam de saber sobre quem escuta seu som.
© OESQUEMA/ 2008 | Reprodução permitida após consulta | Os textos desta página nem sempre são revisados | Créditos