OEsquema

Arquivo: joão brasil

Corta e cola

A lenda João Brasil segue com seus experimentos com vídeo. A estréia do formato ao vivo da versão áudio-visual do seu show foi no Multiplicidade, no Espaço Oi Futuro, evento por onde sempre passa muita gente boa.

Foi um bom início, ainda que a execução do conceito tenha ficado um pouco bamba. Sampleando vídeos e áudios, João dividiu a apresentação em quatro movimentos.

Começou com sons e imagens dos primórdios da música eletro-acústica, passando por Stockhausen e Kraftwerk, até desembocar nas suas próprias influências musicais e visuais.

O quarto final da apresentação foi a mais bem resolvida. Calcada no que vem mostrando nas apresentações ao vivo do seu disco de mashups, o show “Big Forbidden Dance” ganhou muito com o acompanhamento de imagens para o que se escuta.

Esse tipo de trabalho não é novidade nenhuma. O DVJ está aí faz tempo, tem coisa criativas sendo feita por Mike Relm e as bobagens do DJ Yoda. O que pega é que grande parte desses artistas segue o mesmo caminho: ou sampleia hits cinematográficos e internéticos ou sublinhar o som com as imagens.

O que ainda não se vê esse tipo de artista fazer é produzir conteúdo próprio, em vez de simplesmente cortar e colar. A base do trabalho e o formato é sempre bastante similar, geralmente um telão ao fundo e um DJ/VJ a frente.

Nesse sentido, as colagens que João fez para o funk “Luana x Dado” (que se é musicalmente cansativo, é inteligente como forma de comunicação ao resenhar o assunto daquela semana) ou o  clipe de “Baranga” feito apenas com versões da músicas upadas por fãs no YouTube indicam um caminho, uma proposta.

No fim das contas, o legal do Multiplicidade é justamente servir de plataforma para esse tipo de tentativa e erro, onde muito mais do que um trabalho concluído, se assiste a várias possíveis conclusões.

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Corta & Cola

Oi Futuro
Multiplicidade – João Brasil Corta & Cola
10 de dezembro (quarta-feira)
20h
R$ 15

Como será a apresentação do Multiplicidade?

Eu fui convidado para fazer uma apresentação multimídia. Vai ser uma apresentação meio didática, meio artística, que tem o propósito de mostrar desde os primórdios da música eletro-acústica passando pelas minhas maiores influências e mostrando quem sou eu agora nesse universo de corta-cola digital.

Tudo que vou apresentar foi tirado da internet: vídeos de YouTube, mashups de músicas baixadas na rede… Dividi a apresentação em quatro movimentos baseado no disco “A love supreme”, do John Coltrane.

No terceiro movimento, vou interagir com as imagens, tocando minha MPC e meu controlador Wii. A internet, a Web 2.0, o Youtube e o Limewire são minhas fontes de conteúdo.

De que maneiras os vídeos tem influenciado o seu trabalho?

O poder de comunicação que a imagem proporciona junto com a música é impressionante. Agora que tenho acesso a edição de vídeo (pois uso o programa Ableton Live versão 7), minhas músicas virão acompanhadas de imagens. É um barato! E as meninas gostam.

Como você tem feito esses vídeos?

Baixo os vídeos, corto, faço edições e transformo em algo novo.

Mas você não era um cara engraçado? Agora está levando as coisas a sério?

Sempre levei as coisas a sério, as pessoas é que acham graça. Hahaha!

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Big Forbidden Video

João Brasil, trabalhando duro (ou seja, sem dinheiro) na versão ao vivo do seu disco de mashups, o “Big Forbidden Dance”.

Como no clipe oficial de “Baranga”, a direção é do Felipe Continentino, dessa vez editado pelo Glauber Vianna.

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João Brasil vs CSS


CSS – “Left behind” (João Brasil Tropical Mix)

Nosso herói João Brasil recebeu a acapela de “Left behind” diretamente do líder do Cansei de Ser Sexy, Adriano Cintra, e cometeu esse “Left Behind” (João Brasil Tropical Mix).

Adicionando a guitarra tocada por ele mesmo e refazendo a base do zero, João fez uma versão com um tiquinho assim, desse tamaninho assim, de carimbó. O vídeo-mashup acima também foi editado por João.

Adriano deixou comentário no vídeo, dizendo “nossa, apavorou, vamos tirar essa versão pra fazer ao vivo” e em seu blogue chamou de “best remix ever”.

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Resumo da ópera

O namoro que começou com o clipe que ele mesmo fez de “Baranga”, utilizando apenas versões da música encontradas no YouTube. Agora que João Brasil descobriu as funções de edição de vídeo do Ableton Live, o mundo nunca mais será o mesmo.

Pergunta pra Luana Piovani e pro Dado Dolabella.

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Barangueiros

A lenda João Brasil juntou todos os barangueiros em um só clipe. Não há prova maior de que “Baranga” é um hit do que quantidade de vídeos de fãs no YouTube (“Pau molão” também tem vários).

Depois ainda vem gente vir me encher o saco, dizendo que eu forço a barra porque o sujeito é meu amigo. Ahã.

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Folk-se


foto montagem: Bloody pop
(tão boa que voltei aqui e coloquei no lugar da que tava antes)

Vanguart, “Los chicos de ayer” (João Brasil Remix), diretamente do Buraco do Tatu Tecnológico.

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João Brasil e o jazz

“Outra influência foi o João Brasil, meu ex-namorado, que hoje faz um som maluco e pop, mas que tem uma incrível coleção de discos. Ouvi muito tudo o que havia na casa dele.”

A declaração acima é de Esperanza Spalding, um dos maiores nomes do jazz moderno, capa da JazzTimes de setembro numa matéria com o singelo título “The future is now! New jazz visionaires”. Por essa poucos esperavam.

A moça vem pro Tim Fest. Agora é ver se vai rolar uma colaboração com a lenda, o mito, o impublicável João Brasil.

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Essepê


João Brasil @ SP

O mito João Brasil passou por São Paulo, pra tocar na festa Gente Bonita e, segundo relatos, derrubou a casa. O Matias, dono da festa, fez esse vídeo no escuro, mas dá pra sentir o clima.

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“Álbum do ano”

Uma das funcões mais legais do Word Press, a ferramenta de publicação utilizada n’OEsquema, é que toda vez que alguém linka pra cá, rola um aviso. Dá pra acompanhar os caminhos que os textos fazem pela rede.

Foi nessa que encontrei o blogue Magrela Fever, falando do novo disco do João Brasil, a festa de bolso “Big forbidden dance”.

É um bom resumo das diferentes reações que o trabalho e o próprio João Brasil desperta. Nesse caso, a pessoa (que não assina) fala de preconceito, pressa e dessa suposta proximidade entre as pessoas através da internet, que nem de longe substitui o mundo real.

“Não é de hoje que eu ouço falar dos mashups do João, na verdade. Nunca dava muito crédito porque, ahn, pra mim ele era só o cara de Baranga, piada-hit da internet que eu nunca achei muito engraçada. Vai ver eu me identificava inconscientemente com a mocinha da letra ou coisa parecida, vai saber, mas o lance é que logo assim que eu recebi o “8 Hits”, por exemplo, despachei pro primeiro adolescente retardado que encontrei (ah, a arrogância dos jovens!). Logo depois, cruzei com o JB no trabalho por 3 segundos e ele foi tão gente boa e simpático e não-retardado que na minha cabeça até tocou uma daquelas musiquinhas no estilo Chaves-não-vai-para-acapulco: me senti muito mal por julgar sem conhecer. Daí que eu pirateei o cd (essa é a parte em que meu chefe que lê o blog me demite) e achei incrível, depois vi o clipe de Baranga e achei mais legal ainda e, por último, comi uma feijoada com o cara num lugar xexelento em Botafogo e ele ainda me serviu mais torresmo. Ganhou meu coração, HAHAH.”

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Nadadora

Que mané Michael Phelps, o grande fenômeno da natação atual é a atuação de João CALZONE Brasil, no clipe de “Nadadora”, da Banda Leme.

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João Brasil – “Big forbidden dance”

Para inaugurar o saite com festa, a lenda, o mito, o gênio João Brasil lança, com exlusividade pelo OEsquema, sua mixtape de mashups, a “Big forbidden dance”. É só clicar e baixar.

O novo projeto já virou um show, que estréia nessa sexta, em que João manipula as músicas utilizando um laptop e uma MPC.

Abaixo, a lista das músicas e dos samples utilizados em cada faixa do disco proibidão:

1 – Mia too sexy in the bathroom (4:03)

“Bucky done gun” – M.I.A.
“Wild thing” – Tone Loc
“Four minutes” – Madonna ft. Justin Timberlake
“Whoomp there it is” – Tag Team
“Montagem minigame” – Autor desconhecido
“Eu quero ver o oco” – Raimundos
“The beginning” (no further delay) – Run Dmc
“We care a lot” – Faith No More
“Everybody nose” – N.E.R.D.
“Maniac” – Michael Sembello
“I’m too sexy” – Right Said Fred
“I Like Chopin” – Gazebo
“Crazy in love” – Beyoncé
“Fear of the dark” – Iron Maiden
“Chorando se foi” – Kaoma

2 – Sensual roll (3:48)

“Sensual seduction” – Snoop Dogg
“Wild thing” – Tone Loc
“All falls down” – Kanye West
“Tootsee roll” – 69 Boyz
“Amigo” – Roberto Carlos
“Thriller” – Michael Jackson
“Hung up” – Madonna
“Ghostbusters” – Theme song
“Feira de Acarí” – Mc Batata
“Bittersweet symphony” – The Verve
“Hallowed be thy name” – Iron Maiden
“Are you gonna go my way” – lenny kravitz

3 – Orgasmadance (4:19)

“Orgasmatron” – Sepultura
“Everybody dance now” – C&C Music Factory
“D.A.N.C.E” – Justice
“Don’t stop till you get enough” – Michael Jackson
“Push It” – Salt-N-Pepa
“Drop the pressure” – Mylo
“Super sonic” – Salt-N-Pepa
“Alala” – CSS
“Rock your body” – Justin Timberlake
“Keep’em seperated” – The Offspring
“Don’t stop the rock” –Freestyle
“Feira de Acarí” – Mc Batata
“Smells like teen spirit” – Nirvana
“Drop It like it’s hot” – Snoop Dog

4 – This is how we dance (3:42)

“Good times” – Chic
“This is how we do” – The Game ft. 50 Cent
“Im free” – The Soup Dragons
“Shoop” – Salt-N-Pepa
“Pump up the jam” – Technotronics
“Epic” – Faith No More
“Jacaré” – Farofa Carioca
“XR2″ – MIA
“Dead embryonic cells” – Sepultura
“Don’t stop the music” – Rihanna
“Sweet dreams” – Eurythmics
“Zdarlight” – Digitalism
“Gimme more” – Britney Spears
“Sping love” – Stevie B

5 – Classic baby (3:19)

“Move” – CSS
“Ice ice baby” – Vanilla Ice
“Bonafied lovin” – Chromeo
“Rap da Cidade de Deus” – Cidinho e Doca
“Salmon dance” – The Chemical Brothers
“Bonde da CDD” – Cidinho e Doca
“Regulate” – Warren G
“Rap da morena” – Mc William
“Thriller” – Michael Jackson
“Rap do Salgueiro” – Claudinho e Buchecha
“The message” – Grandmaster Flash
“This is how we do” – The Game ft. 50 Cent
“Wild thing” – Tone Loc
“The sweater song” – Weezer
“Dreamin’ of love” – Stevie B
“Heaven can wait” – Iron Maiden
“Indiana Jones” – Theme song

6 – Square screw (3:44)

“Big in Japan” – Alphaville
“Girlfriend” – Avril Lavigne
“Take on me” – A-Ha
“North American scum” – LCD Soundsystem
“All rights reversed” – The Chemical Brothers
“Time to pretend” – MGMT
“Dança do créu” – MC Créu
“Dança do quadrado” – Sharon
“Starlight” – Muse
“Purple haze” – Jimi Hendrix
“Enter Sandman” – Metallica

7 – I want it now (3:49)

“Adultério” – Mr. Catra
“The sweater song” – Weezer
“Big In Japan” – Alphaville
“Losing my religion” – REM
“Hollaback girl” – Gwen Steffani
“Gangsta’s paradise” – Coolio version
“Som de preto” – Amilka e Chocolate
“Tchubaruba” – Mallu Magalhães
“Play that funky music white boy” – Average White Band
“Wonderwall” – Oasis
“Encore” – Jay-z
“Paradise city” – Guns N’ Roses
“I want it all” – Queen
“Bounce that” – Girl Talk
“Paris” – Friendly Fires

8 – Low money (5:32)

“Double pump” – Girl Talk
“Money for nothing” – Dire Straits
“Low” – Flo Rida ft. T-Pain
“Smooth” – Santanna
“Hunting high And low” – A-ha
“Planet rock” – Afrika Bambaataa
“Light my fire” – The Doors
“1, 2, 3, 4″ – Feist
“Insane in the brain” – Cypress Hill
“A-Punk” – Vampire Weekend
“Good times” – Chic
“True” – Spandau Ballet
“Smooth criminal” – Michael Jackson
“Man in the box” – Alice In Chains
“The party” – Justice
“Play that funky music white boy” – Average White Band

9 – Big lambada (5:36)

“Play that funky music white boy” – Average White Band
“Another one bites the dust” – Queen
“The message” – Grandmaster Flash
“Besame mucho” – Ray Conniff
“Country grammar” – Nelly
“Radio pirata” – RPM
“Daft Punk is playing in my house” – LCD Soundsystem
“You give love a bad name” – Bon Jovi
“Without me” – Eminem
“Prince” – Purple Rain
“Just another day (Without You)” – Jonh Secada
“Let’s get retarded” – Black Eye Peas
“Every little thing she Does Is Magic” – The Police
“Intergalactic” – Beastie Boys
“Dançando lambada” – Kaoma

Todas as batidas foram sampleadas de funks cariocas “Planet Rock” (Afrika Bambaataa) e Volt Mix.

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João Brasil – “8 hits”

Abaixo, o texto para imprensa que escrevi para o lançamento do disco do orgeiro da porra, João Brasil.

João Brasil“8 Hits” (zShare)

Nesses tempos de interatividade total, João Brasil enfileira dez músicas em seu disco de estréia, mas deixa para o ouvinte escolher quais são os “8 hits” que dão nome a bolacha. Modesto, o rapaz.

Pra desfazer qualquer desconfiança, o disco abre logo com o maior deles, aquele que estará em qualquer lista dos tais oito hits e será tocado em casamentos, batizados e churrascos por anos e anos: “Baranga”.

O swing eletrônico e apelo pop da declaração de amor à marra das meninas de “cintura de ovo” e que parecem “uma empadinha”, primeira composição do hitmaker, catapultou o nome de João Brasil.

Como não poderia deixar de ser, primeiro a música se espalhou por blogues. Depois, João ganhou o mundo “real”. Foi parar nas páginas da revista Rolling Stone e do jornal O Globo, fez várias participações nos programas do apresentador Marcos Mion na MTV, cantou no Domingão do Faustão e, por fim, fechou a distribuição do seu disco pela Som Livre.

O próprio João produz todas as bases, toca os instrumentos e canta em todas as faixas. É, portanto, um gênio, uma lenda, um mito. Fortemente inspirado pelo universo dos bailes funk, a influência é escancarada nas batidas de “Quero fazer amor” e “Cobrinha fanfarrona”, que já entrou nos sets do DJ Sany Pitbull.

O forte do compositor são mesmo as letras auto-biográficas.

Da sádica prostituta “Elisa” ao encontro apaixonado com a jornalista “Mônica Valvogeu” (escrito errado mesmo e aprovada pela musa inspiradora), passando pela dor de cotovelo “Don’t go to Austrália” (com a participação da amiga e atriz Maria Flor), as mulheres são tema recorrente.

Ele sabe também fazer graça de si mesmo. Da épica “O carnaval acabou com o meu fígado” e sua explosão de bumbos e pratos, à gafe num show do Mr. Catra em um inferninho em Copacabana na auto-explicativa “Pau-molão” (campeã de clipes caseiros no YouTube), João Brasil também descreve (ridiculariza?) seu próprio círculo de amigos em “Supercool”.

A confissão “Mamãe, virei capitalista” conta com a única parceria do disco. O rapper niteroiense De Leve duela com João num encontro que, depois de pronto, soa como se fosse a coisa mais lógica do mundo.

A parte gráfica do disco foi feita pelo diretor de arte Felipe Raposo, da Mustache Design, o mesmo que faz as elogiadas filipetas da festa carioca CALZONE, núcleo do qual também fazem parte o fotógrafo Lucas Bori, autor dos cliques do encarte, Pedro Seiler (produtor do João Brasil) e esse escriba. Ou seja, está tudo em casa.

Os oito hits cabe a cada um escolher, mas talvez seja melhor refazer as contas. Na verdade, são dez.

Bruno Natal
Março/2008

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Rolling Stone, Julho/2007

Matéria sobre o astro João Brasil e resenha do último show do Los Hermanos que escrevi para a Rolling Stone Brasil 10.

Com a edição fora das bancas, seguem os textos.

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foto: Lucas Bori
João Brasil e Seus 8 Hits

“Tipo de mulher predominante no mundo. Banida das capas de revistas, é a anti-heroína, o mal necessário. Elas sempre te divertem”.

Essa é a definição de baranga no dicionário do carioca João Brasil. “Baranga”, a música, foi lançada ano passado. Com o refrão hilário “Baranga / Cheia de marra / Cintura de ovo / Pega quem quiser / Mas tem que chegar”, transformou-se num sucesso na internet e aos poucos vai ganhando o mundo real.

“Fiz ‘Baranga’ e a turma foi gostando. A música foi parar em sites e blogs e começou a crescer. Depois fiz ‘Supercool’ e as pessoas pediram mais. ‘Mamãe virei capitalista’, com participação do De Leve, veio nessa leva”, explica o hitmaker.

A rede tem tido papel importante também na formatação de João Brasil como artista. Seu estilo musical foi definido por um fã, através de um comentário no YouTube, como ”Nova Guarda”. O complemento do nome artístico, João Brasil e Seus 8 Hits, também foi pescado do recado de um admirador no MySpace.

Os temas das letras são variados, tratados sempre com ironia, seja descrevendo os antenados (“Supercool”), paixonites por prostitutas (“Elisa”), fanfarronices (“Cobrinha fanfarrona”) ou bebedeiras (“O carnaval acabou com o meu fígado”). Sem falar nas brochadas (“Pau molão”). Todas, diz João, autobiográficas. “Quero fazer as pessoas rirem, se divertirem. Algo animado, pra relaxar. Acho que falta humor e mais músicas alegres, como o funk”.

As produções simples, misturando timbres eletrônicos do começo da década de 90 com batidas de funk e levadas de soul, soam calculadamente toscas, a atmosfera kitch servindo à perfeição as letras e as melodias grudentas.

Produtor de mashups, dono do estúdio Lontra, no Rio, com um diploma de publicidade e outro da prestigiada faculdade norte-americana Berklee College of Music pendurados na parede, João às vezes é cobrado por um material mais elaborado. Ele discorda.

“Faço minhas músicas de maneira séria. As pessoas imaginam Berklee como um antro de jazz, que o cara tem que sair de lá um virtuoso. Não é assim. Tem gente que vai lá pra aprender a fazer música pop, rock, eletrônica. Estudei várias linguagens, técnicas e instrumentos. Foi bom para ter a liberdade de ser auto-suficiente”.

Suas músicas chamaram a atenção de veículos como O Globo e ele já tocou ao vivo no cultuado programa de rádio de Maurício Valladares, Ronca Ronca. A aproximação com o grande público veio quando “Baranga” foi adotada como hino da campanha “faça uma encalhada feliz”, do programa “Mucho macho”, apresentado por Marcos Mion na MTV.

“Na primeira vez, o Mion anunciou a música dizendo que havia sido enviada por mim, só que eu não sabia de nada. Só depois, um garoto me escreveu contando que tinha sido ele quem tinha mandado falando que era eu!”, conta João.

Outro sucesso, “Mônica Waldvogel”, feita em homenagem a jornalista, foi elogiada pela própria musa inspiradora. “Ela me escreveu um e-mail falando que adorou e dizendo que ‘ia acabar ficando famosa’. Agora só falta tocar no ‘Saia Justa’! (risos)”.

Os planos para o futuro incluem participar dos festivais do circuito independente e enfrentar os roqueiros armado apenas com seu teclado e laptop. “Vou na cara e na coragem. Só estou conseguindo agradar ao público porque estou agradando a mim mesmo”, conclui Brasil.

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Samba a dois

Los Hermanos
Fundição progresso – Rio de Janeiro – 07, 08 e 09 de junho
5 estrelas

Do lado de fora da Fundição Progresso, os bares permaneceram vazios durante as três noites. A tradicional social, tão característica das noitadas cariocas, foi substituída por uma apreensão.

Ao invés de beber e conversar, o público preferiu aguardar o início das apresentações de pé, encarando um palco vazio das 22h até pouco depois da meia-noite, como se o Los Hermanos pudesse entrar a qualquer momento. Ansiosos, os fãs chegaram a vaiar a demora.

A tensão no ar, misto da tristeza de alguns, com a esperança de outros da separação não durar muito, era quebrada por um urro monstruoso, assim que as luzes de serviço se apagavam. O volume da gritaria, já bastante alto, crescia ainda mais quando a banda finalmente entrava em cena. Como se fosse a última vez.

Quando no dia 23 de abril, as vésperas de entrar em estúdio para gravar seu quinto disco, o Los Hermanos anunciou através do seu saite que entraria em um “recesso por tempo indeterminado”, pegou seus fervorosos admiradores de surpresa.

Sem saber se os dois shows divulgados no mesmo comunicado (que logo se tornaram três, tamanha a velocidade com que os ingressos se esgotaram) seriam a última chance de ver o quarteto na formação clássica, o evento foi tratado por fãs e imprensa como uma despedida oficial. Mesmo com os integrantes da banda declarando que o plano não seja esse.

Apesar da péssima acústica, a Fundição, na Lapa foi o único palco no Rio capaz de obedecer a dois critérios: ter feito parte da história da banda e capacidade de comportar um público estimado em cinco mil pessoas por noite. Foi ali que o Los Hermanos fez um dos seus shows mais importantes, no festival SuperDemo, em 1998, antes da crucial apresentação no Abril Pro Rock, que os revelaria para o Brasil.

O desespero dos seguidores dava lugar à alegria quando (de terno, gravata e sapato, como o pastor de um culto) Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante (de blazer branco), Bruno Medida e Rodrigo Barba pisavam o palco.

Era hora de aproveitar a chance de jogar mais uma vez serpentina e confetes para o alto durante “Todo carnaval tem seu fim”, de gritar “vai!” no final de “A flor” e de berrar cada palavra das letras. E foi isso que o público fez, em três noites em que foram maiores que a banda.

A platéia era o palco e o palco era a platéia. Emocionados, os hermanos riam e saudavam os fãs com “vocês são foda!” (Camelo) e “não dá pra se acostumar com isso não” (Amarante), além de comentar sobre as diversas bandeiras de outros estados, das pessoas que viajaram especialmente para esse encontro.

Embora a ênfase tenha sido nos três trabalhos posteriores, combinando o repertório dos três shows, mais da metade das músicas do primeiro disco foram tocadas, uma raridade. A supostamente renegada “Anna Julia” foi tocada todas as noites, recebida com a mesma empolgação dos outros sucessos do grupo.

Foram três shows históricos, de celebração da banda com seu público. Independente de a banda ter ou não acabado, seria até besteira falar do aspecto musical numa situação dessas. Mesmo porque, as canções, abafadas pelos gritos da torcida, eram praticamente inaudíveis.

Nessas três noites, nada disso importava. O lance era entre eles dois. O Los Hermanos e seus fãs.

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URBe, 4 anos


fotos e vídeo: URBe, Joca Vidal e Carol*

Mais um ano, mais uma festa, mais uma noitada e tanto. As festas do URBe são sempre bem diferentes uma das outras, principalmente pela escalação das atrações. Só tem uma coisa que é sempre igual: na noite da festa, chove.

Nessa edição, trocou-se o 00, casa das três primeiras festas, pelo Pista 3. A mudança não teve nenhum motivo especial, além da vontade de experimentar novos ares. Num lugar menor, prestigiaram a comemoração os leitores e os amigos, sem tantos “curiosos”, como das outras vezes.

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Ménage à Trois

Mantendo a tradição de se respeitar os horários divulgados na filipeta ao máximo, o show do Ménage à Trois abriu a noite com apenas 25 minutos de atraso.

Letícia Novaes (vocal), Donatinho e Pcatran (ambos comandando uma parafernália de teclados, bases e efeitos) mostraram, para os felizardos que chegaram cedo, a força da “resposta carioca ao Cansei de Ser Sexy”, como ouviu-se comentar durante a apresentação.

Enquanto Donatinho e Pcatran chamam atenção com ótimas bases — com destaque para as intervenções do filho do João Donato no teclado e em sua bateria virtual, controlada através de um joystick wi-fi do Nintendo Wii — é Letícia quem se destaca no trio.

Perfomática, a cantora/atriz/roteirista/show woman lança frases aparentemente desconexas, pedindo chupadas no umbigo e juntando a letra do seu potencial hit, “Fuck music”, com “Sexy back” (Justin Timberlake) e “Promiscuous girl” (Nelly Furtado), com a voz alterada por filtros, sobre uma batida de funk.

O BPM das músicas talvez seja muito baixo para as pistas de dança, local que parece adequado para as apresentações do trio. Acelerando as bases e ajustando as folgas, o Ménage pode ganhar mais pressão e ter um caminho surpreendente pela frente.

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A expo

A anunciada exposição “5 anos de palco”, de Joca Vidal, infelizmente acabou não acontecendo. Por problemas técnicos no projetor, a instalação criada pelo fotógrafo e curador da expo, Lucas Bori, não pode ser montada.

As fotos do Joca seriam projetadas em oito telas brancas presas na parede. Cada uma dessas telas exibiria cerca de quatro fotos diferentes, alternadamente, numa solução prática e criativa para a limitação de alguns arquivos digitais.

Tentaremos montar a exposição nessa quinta (17 de maio), no Cinematéque, quando haverá o show do Lucas Santtana & Seleção Natural. Assim que (e se) estiver confirmado, aviso aqui.

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MauVal

Num momento de honra para o URBe, Maurício Valladares assumiu os toca-discos quando a festa já estava cheia. MauVal desorientou a pista, como ele gosta de dizer, tocando de Coltrane a Curtis Mayfield.

Ouvi dizer que Maurício não havia levado discos “de pista”, porque pensou que iria abrir a festa, como se isso tivesse sido algum problema. Não fez a menor diferença. Foi uma discotecagem educativa e quem ouviu aprendeu um bocado. Só pérola.

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em cima: João Brasil e as PSG; a festa
em baixo: o público se diverte; Marcos Mion e João Brasil

Grande atração da noite, o mito João Brasil fez sua aguardada estréia nos palcos. E bota aguardada nisso. Seus novos fãs da MTV, Marcos Mion e cia, vieram de São Paulo especialmente para cobrir o acontecimento e as Pet Shop Girls causaram frenesi no Pista 3.

Abre parênteses.

Antes de mais nada, cabe aqui um adendo. Esses dias perguntaram se, apesar de muito legal, a cobertura dos passos do João não estaria um tanto excessiva no URBe. “Parece que ele é seu amigo”, disseram.

Já falei isso aqui, mas para evitar qualquer disse-me-disse, não custa relembrar: João é meu amigo sim, desde os 12 anos de idade. Além disso, minha produtora de vídeo fica no mesmo sobrado que o seu estúdio.

Nada disso, no entanto, interfere na quantidade de espaço dedicado ao João no URBe. Mesmo porque, ele não é meu único amigo que trabalha com música e nem todos eles passam por aqui. Se o que João faz não fosse genuinamente interessante, o URBe estaria falando sozinho. E, pelo que se vê, não é o que acontece.

Fecha parênteses.

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Voltando ao que interessa, João Brasil começou a milhão. Após a entrada ao som de “Carmina Burana” e uma vinheta exaltando a si mesmo, João abriu com “Baranga”, à pedidos da equipe de MTV, dançando com as loiras do programa Mucho Macho, enfiado num roupão de oncinha e de óculos escuros.

Não foi uma má idéia começar com seu grande sucesso. Com o público ganho, João emendou “Supercool” e contou a espetacular história do pau molão, para delírio dos presentes.

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Cantandoao vivo, João tocou teclado em algumas músicas, soltou as bases através de um laptop e os samples pelo midi.

Lidando com seu público cara-a-cara pela primeira vez, João falou bastante. Nervosismo de primeiro show, normal. O público entrou na onda, atendo o seu pedido e entoando “pau molão! pau molão!” entre todas as músicas.

Vieram “Elisa”, “O carnaval acabou com meu fígado” e a inédita “Cobrinha fanfarrona (ela vai te pegar)”. “Monica Valvogeu” teve direito a sample da jornalista e surpreendeu quem nunca tinha ouvido tão bela declaração de amor.

Brasil incluiu no repertório o mais recente sucesso internético, “VTNC”, de autoria desconhecida, que voou por e-mail essa semana, se consagrando em apenas três dias.

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Na parte final, João convidou seu ídolo De Leve, apresentando-o como seu rapper favorito, para juntos cantarem “Mamãe virei capitalista” e “O que que nego quer”, essa última do MC de Niterói e que tem base de João. Ao vivo, os dois funcionaram ainda melhor que nas gravações.

O encerramento triunfal veio com o bis de “Baranga”. Jogo ganho de goleada, João partiu pra festa com tudo e nunca mais foi visto.

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URBe SS

Com a pista fervendo após a catarse provocada por João Brasil, botei som por uma hora. Começando com “Pela orla dos velhos tempos” (na versão de Lucas Santanna) e partindo para “Outsiders” (Franz Ferdinand), “First gear” (Rapture), “Phanton” (Justice), “Zdarlight” (Digitalism), “Gravity’s rainbow (Soulwax remix)” (Klaxons), “Paris” (MSTRKRFT) fechando com “Fluorescent adolescent” (Arctic Monkeys).

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Mustache DJs

Na sequência, Filipe Raposo representou o Mustache DJs, desfalcado de sua metade, Breno Pineschi. E tome space disco, disco music e outros sacolejos, até as 3 e pouco da manhã, quando a pista continuava cheia.

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DJ Babão

Encerrando a festa, o DJ Babão deu um show de mixagens. A precisão de Babão é assustadora, virando músicas a cada minuto e meio, sempre acertando e fazendo a pista gritar.

Único da noite a tocar com vinis, Babão misturou “Tive razão” (Seu Jorge) com uma base de hip hop, “Bizarre love triangle” (New Order) com “Hollaback girl” (Gwen Stefani) e tocou a versão funk de “Sending all my love” (Linear) e “It’s automatic” (Freestyle).

No saldo final, a Letícia perdeu o casaco, o João os óculos, o Pcatran o suporte do teclado e muita gente perdeu a linha. O que só comprova que a jogação foi quente, a mais divertida festa do URBe até hoje. Ano que vem tem mais.

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5 perguntas – João Brasil

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João Brasil é um sujeito família

O mito João Brasil é figura conhecida do URBe. Com uma penca de hits lançados (“Baranga”, “Supercool”, “Mamãe virei capitalista” e “Elisa”), essa semana João lançou duas novas pérolas: “O carnaval acabou com o meu fígado” (sua melhor faixa em termos de produção) e “Monica Valvogeu”, uma ode à mulher madura.

Não bastasse isso, agora João está escrevendo um blogue e se prepara para encararar os palcos, estreiando na festa de 4 anos do URBe, nessa quinta, no Pista 3.

Quem é João Brasil?

João Brasil é cantor, compositor, multi-instrumentista, mito, hit-maker underground, natureza subversiva, gênio para alguns, viciado em comunicão e música pop, faz músicas bem-humoradas e sarcásticas, ouseja, um cara legal.

Uma palavra: baranga.

Tipo de mulher predominante no mundo, todos os homens já se engraçaram com uma, pelo menos uma vez. Mulher banida das capas de revistas femininas e masculinas. A anti-heroína, a anti-mídia, o mau necessário. Elas sempre te divertem.

Como será esse primeiro show?

O primeiro show, ah o primeiro show: eu, um laptop e algumas parafernálias midi. O rapper De Leve fará uma participação.

Quais as novidades?

Tem duas músicas novas que cantarei no show: “O carnaval acabou com meu fígado” e “Monica Valvogeu”. A primeira é meu primeiro trabalho para orquestra e a segunda é um ode a essa maravilha da meia-idade, uma celebração a inteligência femina!

Quais os próximos planos?

Meus planos para o futuro são: continuar compondo, fazer shows pelo Brasil, começar a fazer um programa de entrevistas chamado “João Brasil Show” e claro, tentar mostrar minha música para a Monica.

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“Quero bombar meu som na pista”

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“Baranga”, hit do inverno, ainda não deu tudo que tem pra dar. “Supercool”, considerada a melhor música de setembro segundo a “parada do leitor” da revista Bizz, vai se alastrando pela rede e assim João Brasil vai montando seu disco, um sucesso radiofônico por vez.

“Mamãe, virei capitalista” é o novo passo. A lontra psicopata acompanhada do rapper De Leve. Parceria histórica.

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