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Arquivo: kanye west

Jay-Z e Kanye West de olho no trono

Por essa não esperava: “Watch The Throne” disco conjunto do Jay-Z e Kanye West, é bonzão. Fato admirável, não vazou antes do lançamento.

Com os dois longe do dia-a-dia das ruas que fizeram sua fama – Kanye transformado num container tamanho a malice – era de se esperar muita ostentação. Pois bem, uma piscadela na direção do clipe de “Otis” dá mesmo essa impressão.

Se antes o assunto era as agruras das ruas, as letras dessa vez falam das dificuldades de ser negro e bem sucedido nos EUA. Pode parecer balela, mas é mesmo um assunto – talvez o único que eles tenham hoje em dia. A capa dourada (uma edição limitada leva mesmo ouro) não esconde que os tempos são outros.

As batidas dessa primeira colaboração num disco inteiro da dupla são assassinas, produção do próprio Kanye, além de RZA, Swizz Beatz, Q-Tip, Pharrel, Neptunes (algumas faixas com vários deles) e participações da primeira dama Beyoncé e Frank Ocean, o cantor R&B do Odd Future.

Surpreende porque, apesar do histórico de ambos, tinha tudo pra dar errado, ainda mais com um tema central desses. Exatamente por isso, a satisfação é ainda maior.

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“Doggumentary” e os gatos


Snoop Dogg feat. Gorillaz, “Sumthin Like This Night”

O novo disco do Snoop Dogg é a cristalização musical do conceito “balaio de gatos”. Com 21 músicas, 25 produtores e 22 participações especiais (Kanye, Wiz, Guetta, Willie Nelson, Bootsie Collins, T-Pain, Too Short…), “Doggumentary” é quase uma mixtape, das bem preguiçosas.

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Coachella 2011, acertando o passo (completo)

Sunset
fotos: URBe (Instagram)
+ no flickr.com/URBeFotos e urbemicro.tumblr.com

O caos do ano passado foi uma visão triste. Filas por toda parte, dificuldade para assistir os shows, gente demais no lugar. Em uma de suas edições de atracões mais quentes (todo mundo estava tocando), o Coachella aparentava ter ficado grande demais. Ficou no ar a questão: valeria a pena voltar em 2011?

Mas… que outro festival do mundo tem esse sol, essa escalação e esse clima tranquilo (mesmo no ano do tumulto)? A praticidade conta e, chegada a hora (e “a hora” é meses antes da data), a esperança de melhora, confiando no histórico do evento, transportaram a mente até o deserto. Como se sabe, a mente decide, o corpo só obedece. Em abril, o destino era Indio.

Checkpoint

Com a proximidade do festival, as notícias eram boas. A organização arrochou a segurança para evitar invasões, aumentou muito a área do evento e redistribui as praças de alimentação, vendeu menos ingressos, diminui os convites, o credenciamento de imprensa e instituiu um controle mais rigoroso na entrada, com pulseiras com chips. Com a importância que tem hoje, o Coachella não poderia mais mesmo liberar entrada com ingresssos impressos em casa.

vista aérea / airview

A grande diferença em relação a 2010 foi a própria escalação. Num consciente passo atrás, o Coachella deu uma segurada no tamanho das atrações, ou na quantidade de nomes muito grandes. O que foi visto por alguns como enfraquecimento, provou-se uma decisão acertada. Era necessário esfriar as coisas um pouco.

ants / formigas

Quem já foi sabe, não adianta ler a lista de mais de 100 atrações e achar que conseguirá assistir tudo. frustração certa. No Coachella existem diversos caminhos e, uma vez escolhido o seu, é melhor esquecer todo o resto.

Como uma das coisas mais legais é a oportunidade de assistir justamente os shows menores, mais difíceis de se ver em outros lugares ou mesmo em casa, os medalhões não fizeram tanta falta. E olha que tinha bastante gente grande.

Foi muito bom ver o festival retomar o seu espírito inicial. Muita gente atrás de música boa, bem menos pessoas na badalação e a oportunidade de se poder assistir tranquilamente tudo que se escolhesse. Abaixo, um remix da cobertura por twiter, agora com bem mais do que 140 caracteres, que fiz das minhas escolhas (sem revisão, depois faço adendos, links e acerto os eventuais erros).

Dia 01
Black Joe Lewis & The Honeybears, Brant Brauer Frick, The Drums, Odd Future, Warpaint, Tame Impala, Lauryn Hill, Sleigh Bells, Black Keys, Kings of Leon, Emicida

A saga de três dias começou com o Black Joe Lewis & The Honeybears, pegando bem mais pesado do que o groove de sua música mais conhecida, “I’m Broke”. Com uma metaleira funk, o que se destacava mesmo eram os riffs de guitarra, fugindo das expectativas. Saindo de lá, ainda deu tempo de conferir o finalzinho do Brant Brauer Frick, filhotes de Kraftwerk tocando eletrônica.

The Drums
The Drums

Primeira atração mais conhecida do dia, o The Drums confirmou a fama de ruim de palco, com um show bem morno, apesar da força que o vocalista faz para emular Ian Curtis. O som brilha demais ao vivo, perdendo um pouco da introspecção. Ruim não é, só não empolga.

O que prometia empolgar era a polêmica molecada do Odd Future. Nomes da vez do hip hop (ao menos o undergrond), estava numa marra sem tamanho antes antes mesmo do show começar. Com 10 minutos de atraso (gigantesco para pontualidade do Coachella), xingando o técnico de som, entraram com um sub-grave chacoalhando a tenda aos gritos de “Wolf Gang! Wolf Gang!”.

O cenário estava promissor, não fosse o fato de não haver uma banda no palco (não que se esperasse uma) e a correria para pegar o Warpaint do começo. Quem também atrasou foi o Cee-lo Green, tendo tempo de cantar apenas quatro músicas antes do som ser cortado e sair sob reclamações do público.

Warpaint
Warpaint

O do Warpaint arrastou bastante gente para o palco aberto menor e fez valer a pena, com o primeiro bom show do Coachella. As harmonias vocais, com camadas de guitarras ao fundo, fazem delas um Fleet Foxes  indie, com momentos delicados, hora lembrando The xx,  hora o Explosions In The Sky.

Fez muito sentido uma banda só de mulheres no festival com um público de maioria feminina. É praticamente um desfile. Falando na mulherada, ia fazer vários vídeos com elas resenhando os show, chamaria “Hot Chicks Review Coachella”, com grande potenciarl viral. A preguiça não deixou.

Tame Impala. Showzão!
Tame Impala

O pôr-do-sol é o momento mágico do Coachella e o shows escolhidos para essa hora nos palcos ao ar livre são sempre especiais. Os do palco menor, mais aconchegante e melhor posicionado para o visual, costumam ser os melhores.

Não por acaso, foi justamente nessa hora e local que o Tame Impala fez o melhor show do festival.  Falar em mistura de rock setentistas (Led Zeppellin, Floyd, Beatles, Cream, King Crimson) faz soar pouco inspirado, quase óbvio. O diferencial é o que os australianos adicionam.

Como se todas as influências passassem obrigatoriamente por um filtro pós-stoner (não esqueçamos que os garotos tem 20 e poucos anos, os anos 70 estão lá atrás), as guitarras se arrastam, enquanto o baixista olha para a bateria com um faminto para um prato de comida, mantendo o encaixe perfeito, e o vocal voando em efeitos pelo ar seco.

A chapação psicodélica debaixo do sol desértico foi uma experiência e tanto. Não poderia haver lugar melhor.

Duck Sauce
Sleigh Bells

Pausa para o almoço ao som da Lauryn Hill, bem disposta e com um bandão, mandando “Ready Or Not” e outros sucessos dos Fugees, antes de conferir o Sleigh Bells.

Ao vivo, a podridão da dupla faz muito mais sentido do que em disco. Com apenas a vocalista e um guitarrista em frente a uma parede de amplificadores Marshall, não sei qual dos dois soltando as bases eletrônicas, o Sleigh Bells abriu logo entregando as referências, ao som de “Iron Man” (Black Sabbath).

A blusa da cantora era uma réplica da 23 do Jordan no Chicago Bulls, com o nome da banda no lugar do jogador, dava mais senhas. Os anos 90 se (re)aproximam e o Sleigh Bells consegue ser ao mesmo tempo metal, hip hop e Miami bass, lembrando em vários momentos o NIN ou um Prodigy  mais lento.

Prontinha pra estourar, até um hit mais calminho eles tem, uma fofurinha na onda de “Paper Planes” (M.I.A.) que não encontrei ainda pra escutar outra vez. Esse troço no Brasil ia ser bom demais.

No palco principal, o Black Keys fez um show correto, bastante prejudicado pelo som, baixo e falhando. O problema se repetiu em outros shows por ali, algo fora do normal para o Coachella.

KoL
KoL

De banda que mal sabia passar de uma música pra outra, a banda grande (com “super” telão, horrorendo, com todos os efeitos que o operador pudesse encontrar), fechando uma noite do Coachella, foi um longo caminho, no qual o Kings of Leon perdeu bastante do que a fazia interessante.

“Vamos tocar coisa antigas, estamos cansados das novas”, disse Caleb Followill, para melhorar as coisas. Assim, o show foi bem mais legal do que poderia ter sido e ainda acendeu a esperança de que o caminho poser atual possa estar com os dias contados. Quem sabe, com os bolsos cheios, talvez eles mesmos queiram retomar o caminho anterior.

Emicida
Emicida

Depois dos problemas com o visto, Emicida teve dor de cabeça na imigração, perdeu a conexão para Los Angeles em Atlanta, se atrasou e perdeu o horário do próprio show. Na hora marcada, a tarde, um DJ botava som na tenda Oasis.

Remarcado para as 23h30, a apresentação foi para uma dezena de testemunhas. Fora do horário – na realidade tocando num horário em que a tenda já deveria estar fechada – visivelmente incomodado com a situação, Emicida tocou para quase ninguém. Uma pena.

Fechando a noite, o Chemical Brothers atrasou mais de meia-hora (muitos atrasos, como se vê) e não deu pra esperar. Tinha mais dois dias da maratona pela frente e era preciso descansar. No caminho para o carro deu pra ouvir “Star Guitar”, alto pra cacete, uma belezura que só.

penas / feathers

Dia 02
The Twelves, Bomba Estereo, Here We Go Magic, Foals, Radio Dept, Two Door Cinema Club, Erykah Badu, Broken Social Scene, The Kills, One Day As A Lion, Big Audio Dynamite, Animal Collective, Arcade Fire

Dormiu, acordou, começou o Coachella de novo. Sol a pino no dia mais quente do festival. Zooey Deschanel deu uma volta pelo gramado e até Paul McCartney passeou pelas tendas – vi o tumulto na área de imprensa e quando disseram que era ele, pensei que era pilha.

Aproveitando que o trânsito estava colaborando, foi dia de chegar cedo, a tempo de pegar o The Twelves na Sahara, a maior das tendas, 13h30.

The Twelves
12s

No dia anterior, João e Luciano estavam preocupados. Tiveram o laptop roubado na Colômbia e por isso, além de ter que usar com um computador reserva, inferior ao original, teriam que tocar a partir de uma versão mais antiga dos arquivos do seu show.

Fora isso, havia outra nóia: de que tocando tão cedo, não haveria ninguém para assisti-los. Nenhum dos receios se confirmou. O set rolou perfeito no computador substituto e a tenda estava muito cheia, até o fundo. Melhor do que isso, o público embarcou bonito no repertório de remixes de M.I.A., Daft Punk e Black Kids.

Não é fácil sacudir o povo debaixo de um calor insano e de dia. Os niteroienses do The Twelves não apenas conseguiram, como saíram ovacionados, aos gritos de “olê olê, olê olê” (gringolês para “viva sulamericanos”) e gente levantando a bandeira do Brasil. Tarefa cumprida, com louvor.

Sombra

No palco principal, o Bomba Estereo tocava o zaralho para os que estavam aguentando o sol na moleira. No palco menor, o Here We Go Magic fez um show correto e xoxo. A banda embarca num lance sub-Yo La Tengo, sub-su- Wilco, longe do folk com efeitos da ótima “Tunnelvision”, última música do show, em versão mais carregada nas guitarras e esporros.

Logo depois, o líder do Gogol Bordello protagonizou uma das cenas mais feias da história do Coachella. Claramente sabotado, foi obrigado a subir ao palco com uma blusa do Fluminense, para horror do público, sem entender a bizarra combinação de cores, mesmo num show do Gogol.

Do they really?
We Put Out

Foals
Foals

A aposta no Here We Go Magic custou metade do show do Foals, que com apenas metade da apresentação botou muitas outras atrações no bolso. Com suas melodias, bateria quebrada e guitarras fraseadas, o Foals poderia se tornar uma banda de estádio se tivesse mais exposição. O público cantava tudo, fazia coro e batia palma.

Vendo esse tipo de resposta do público ao Foals é a certeza de que todos ali baixam músicas e só conhecem a banda por isso. É uma constatação besta e lógica, porém não se pode perder de vista que ainda há bastante gente que não baixa (por medo, por não saber, por culpa).

O Foals ainda não foi mastigado e digerido pelo grande público talvez por conta disso, por não ter chegado a eles ainda. Se chegasse a mais gente, o sucesso poderia ser proporcional. A questão é: isso é desejado/desejável? No ano passado, com a escalação repleta de bandas do indiestream, foi o pandemônio que foi.

Na tenda menor, Gobi, o Radio Dept. fez um show sonolento, baixo e sem sal. O som estava uma desgraça, como se os integrantes tivessem esquecido cobertores sobre os amplificadores.

Two Door Cinema Club: saudades do @queremos
2DCC

De volta a tenda Mojave, o Two Door Cinema Club teve público e recepção de bandas que tem bem mais estrada com eles. Sem economia,  ”Something Good Can Work” apareceu como terceira música, levantando de vez a plateia. Mesmo sem a mesma pressão do show no Circo Voador, até por conta do tamanho do espaço, deu saudades do verão Queremos.

Eryka Badu
Erykah Badu

Pausa para o almoço, ao som de Erykah Badu. A diva escolheu um repertório um tanto irregular e, ao estourar o tempo, teve o seu som cortado no meio de uma música. Bandão, tudo no lugar, só o horário atrapalhou, e também o palco. Como era dia ainda, em uma das tendas poderia ter dado mais liga.

BSS, "7/4 Shoreline"
Broken Social Scene

A hora mágica, dessa vez no palco grande, foi reservada para o lindo show do Broken Social Scene. Mesmo pra quem não é fã da banda, daqueles de saber todas as músicas, o show foi uma beleza. Difícil era decidir entre assitir ao show ou simplesmente escutá-lo, observando o por do sol e curtindo a tranquilidade do gramado, relaxando e pensando na vida. A segunda opção é um dos grande diferencias do Coachella, um festival que se basta, independente das atrações.

The Kills
The Kills

Já de noite, quase pulei o The Kills, que fazia um show bem bom, até dar a hora de conferir o One Day As A Lion e ser deixado no meio.

One Day As A Lion
One Day As A Lion

Projeto de Zack De La Rocha, vocalista do Rage Against the Machine, o One Day As A Lion é feroz. Acompanhado de um baterista (Jon Theodore, ex-Mars Volta) e dois sintetizadores fazendo os riffs linhas de baixo e porradas de graves, com Zack tocando um deles algumas vezes.

A estrutura das músicas do combo de synth metal lembram as do RATM muito mais nas versões gravadas do que tocadas ao vivo, quando ficaram bem mais barulhentas e pesadas. A frente da tenda virou uma roda de pogo de 45 minutos, com a pancadaria comendo solta e bastante fair play, com os nocauteados sendo levantados pelos participantes.

Em meio as cotoveladas e ombradas, um casal destoava. Ele de blusa branca e calça jeans, ela de vestidão azul meio hippie, curtiam o show da primeira fila, enquanto eram lançados de uma lado para o outro. Deu gosto ver.

Animal Collective
Animal Collective

Embicando para a reta final, o Big Audio Dynamite, com Don Letts pulando e cantando animadaço, divertiu na mesma proporção que o Animal Collective constrangeu. Com iluminação especial da estrutura do palco e telão feito pelo Black Dice, a sequência de ruídos que nunca formavam uma música era de uma pretensão e chatice tão grande que faziam até desejar que o Arcade Fire começasse logo.

Nada contra os canadenses, questão de gosto mesmo. Fora “The Suburbs” e “Ready To Start” – dois musicaços – aquele clima Iron Maiden de “ôôô” que não acabam não é pra mim. A afetação de alguns integrantes, um excesso de uma “garra” forçada, cansam. Ainda assim, o show é inegavelmente bom e vale a pena se assistido nem que apenas pelo espetáculo.

Nesse quesito, o Arcade Fire não decepcionou. Começou com um filme, projeto abaixo de um letreiro de cinema com o nome da banda. Durante o show a briga entre as imagens do telão do palco (do festival, sempre classe) e do telão no palco (do Arcade Fire) foi bem boa.

Perto do final, uma caixa enorme foi içada por um guindaste acima do palco e ficou claro que a prometida surpresa estava próxima. Quando começou a cair bolas e mais bolas brancas lá de cima, pensei que o Arcade Fire fosse conseguir se superar no nível chatice, ao multiplicar por dezenas a pentelhice daquelas bolas que só atrapalham quem quer ver o show.

Que nada. Quando as bolas começaram a piscar e mudar de cor, coordenamente, revelando um sistema remoto de controle dos LEDs embutidos em cada uma delas, a coisa literalmente mudou de figura. Fato que atrapalhou um bocado a visão do palco, porém para quem estava atrás apenas do espetáculo, foi um lindo encerramento.

Assim, o show do Arcade Fire, contra todos os prognósticos URBísticos, entrou no top 5 do Coachella 2011. Isso quer dizer muito de um festival que, mesmo com uma escalação supostamente mais fraca que a do ano anterior, conseguiu superá-lo. O Coachella é mais do que os shows.

Zzzzz...
Cansou? Levanta que ainda tem mais!

Dia 03
Menomena, Delorean, Nas & Damian Marley, Wiz Khalifa, Best Coast, Foster The People, Duck Sauce, The National, The Strokes, Kanye West, Leftfield, The Presets

O terceiro e derradeiro dia foi também o mais devagar em termos de atração, o que caiu bem para as costas e pernas chumbadas. O clima era de sábado, com o maior público dessa edição, culpa do Kanye West.

Hipsterdom is safe, next generation is

Nova geração: os hipsters estão salvos

Delorean
Delorean

O dia começou logo com duas decepções, a mesmice do Menomena e o aguardado Delorean. Com baixo, dois sintetizadores e batera com pad no lugar dos tons, o Delorean focou no “som dançante” e conforme o show foi caminhando, passou a atirar cada vez para mais lados. Falta alguma coisa, a banda ainda é bem crua e falha na unidade.

Nas & Damian Marley
Nas & Damian Marley

Iniciando os trabalhos do hip hop, Wiz Khalifa tentou demais agradar a platéia bem cheia da área principal, mas o pessoal não entrou na dele não. Show de hip hop sem banda é um negócio complicado pra funcionar num festival. MCs e DJs num palcão daqueles fica muito magrinho, some na imensidão.

Pra comprovar a teoria, Nas & Damian Marley vieram logo na sequência, com um bandão e provocaram uma catarse com o projeto que une rap e reggae. Além das músicas originais da dupla, Nas levantou o gramado primeiro, com a sua ”If I ruled the world”, antes de Damian lançar “Welcome To Jamrock” e juntos mandarem “Could You Be Loved” (Bob Marley). Clichê, sem dúvidas, só que funcionou que só vendo.

A despedida do por do sol foi com o Best Coast, num show chato. A vocalista tem uma falsa modéstia irritante para falar de si própria, atestada pela quantidade exagerada de vezes que fez isso, ainda mais no curto tempo do show. O som vira uma espécie de Hole mais lento, o que pode ter certeza, não é um elogio.

O Foster The People fez mais um show chato (escrevendo agora não há duvidas, domingo foi o pior dia), um troço meio brega, querendo ser arena ou sei lá o que. A essa altura, o festival já migrava para Sahara para conferir o Duck Sauce, cuja “Barbara Streisand” foi ouvida cantarolada o dia todo.

Se existe um atalho rumo ao sucesso eletrônico no Coachella ele é o 4×4 com toques de farofa. O Duck Sauce não fugiu a receita, ainda que tenha surpreendentemente regulado a farofinha.

Na hora do jantar, The National de trilha. Hora mais tarde, no aeroporto, o guitarrista Bryce Dessner falou que o show do Rio dificilmente será superado e que havia falado do Queremos para diversas bandas, entre elas o Sufjan Stevens, que gostou muito da ideia. Veja só.

The Strokes
The Strokes

O show do Strokes foi um caso a parte. O cenário simples, seis setas de tecido iluminadas por cores alternadas era simbólico. Com três setas apontando para um lado e três para o outro, era como se representassem forças opostas, puxassem a banda em diferentes direções, tal e qual os recentes relatos da convivência do grupo.

Se isso é o Strokes brigado, está ótimo. Mesmo com as músicas novas funcionando meio mal e a banda meio desconectada e burocrática, o show foi divertido. Julian Casablancas perdeu a linha nos papos com o público (pensamentos em voz alta define melhor) entre as músicas.

Numa viagem “artista artomentado”, zoou o público, Kanye West, Duran Duran, os integrantes e técnicos da própria banda… Não sobrou nada de pé. Lá pelas tantas mandou ”Aê, Kanye depois, hein!”, ao que a galera responde aos gritos de “Ééé!” até ser interrompidos com um “vocês estão de sacanagem? Como ousam?”, de Julian, rindo de si mesmo.

Sentindo-se obrigado a fazer o papel de estrela do rock e atração principal do festival, fazia perguntas idiotas ao público, como “vocês acreditam no amor?”. O deboche parecia mais voltado a própria banda, como se estivessem ali cumprindo uma obrigação. O que, sendo esse o caso, fizeram com qualidade.

Se o Julian chegar no Planeta Terra com metade das piadas do show no Coachella, esse show do Strokes já esta valendo.

Finito
Acabou

Na saideira, deu pra pegar a parte final do Leftfield, de volta e meio fora de prumo, utilizando Theremin e batidas quase techhouse. Quando as músicas antigas tiveram vez, como “Phat Planet”, as coisas iam bem. Fechando a tampa, duas músicas do Presets foram o suficiente.

Um último dia bem morno em termos musicais, porém feliz ao se constatar que o Coachella atual ainda pode ser o Coachella de alguns anos atrás. Agora que o caldo deu uma esfriada, é esperar para ver o que acontece no ano que vem. Abril de 2012 já está pré-reservado para a ida ao deserto.

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Coachella 2011, acertando o passo (parte 3/3)

Zzzzz...
Cansou? Levanta que ainda tem mais!
fotos: URBe (Instagram)
+ no flickr.com/URBeFotos e urbemicro.tumblr.com

O terceiro e derradeiro dia foi também o mais devagar em termos de atração, o que caiu bem para as costas e pernas chumbadas. O clima era de sábado, com o maior público dessa edição, culpa do Kanye West.

Dia 03
Menomena, Delorean, Nas & Damian Marley, Wiz Khalifa, Best Coast, Foster The People, Duck Sauce, The National, The Strokes, Kanye West, Leftfield, The Presets

Hipsterdom is safe, next generation is

Nova geração: os hipsters estão salvos

Delorean
Delorean

O dia começou logo com duas decepções, a mesmice do Menomena e o aguardado Delorean. Com baixo, dois sintetizadores e batera com pad no lugar dos tons, o Delorean focou no “som dançante” e conforme o show foi caminhando, passou a atirar cada vez para mais lados. Falta alguma coisa, a banda ainda é bem crua e falha na unidade.

Nas & Damian Marley
Nas & Damian Marley

Iniciando os trabalhos do hip hop, Wiz Khalifa tentou demais agradar a platéia bem cheia da área principal, mas o pessoal não entrou na dele não. Show de hip hop sem banda é um negócio complicado pra funcionar num festival. MCs e DJs num palcão daqueles fica muito magrinho, some na imensidão.

Pra comprovar a teoria, Nas & Damian Marley vieram logo na sequência, com um bandão e provocaram uma catarse com o projeto que une rap e reggae. Além das músicas originais da dupla, Nas levantou o gramado primeiro, com a sua ”If I ruled the world”, antes de Damian lançar “Welcome To Jamrock” e juntos mandarem “Could You Be Loved” (Bob Marley). Clichê, sem dúvidas, só que funcionou que só vendo.

A despedida do por do sol foi com o Best Coast, num show chato. A vocalista tem uma falsa modéstia irritante para falar de si própria, atestada pela quantidade exagerada de vezes que fez isso, ainda mais no curto tempo do show. O som vira uma espécie de Hole mais lento, o que pode ter certeza, não é um elogio.

O Foster The People fez mais um show chato (escrevendo agora não há duvidas, domingo foi o pior dia), um troço meio brega, querendo ser arena ou sei lá o que. A essa altura, o festival já migrava para Sahara para conferir o Duck Sauce, cuja “Barbara Streisand” foi ouvida cantarolada o dia todo.

Se existe um atalho rumo ao sucesso eletrônico no Coachella ele é o 4×4 com toques de farofa. O Duck Sauce não fugiu a receita, ainda que tenha surpreendentemente regulado a farofinha.

Na hora do jantar, The National de trilha. Hora mais tarde, no aeroporto, o guitarrista Bryce Dessner falou que o show do Rio dificilmente será superado e que havia falado do Queremos para diversas bandas, entre elas o Sufjan Stevens, que gostou muito da ideia. Veja só.

The Strokes
The Strokes

O show do Strokes foi um caso a parte. O cenário simples, seis setas de tecido iluminadas por cores alternadas era simbólico. Com três setas apontando para um lado e três para o outro, era como se representassem forças opostas, puxassem a banda em diferentes direções, tal e qual os recentes relatos da convivência do grupo.

Se isso é o Strokes brigado, está ótimo. Mesmo com as músicas novas funcionando meio mal e a banda meio desconectada e burocrática, o show foi divertido. Julian Casablancas perdeu a linha nos papos com o público (pensamentos em voz alta define melhor) entre as músicas.

Numa viagem “artista artomentado”, zoou o público, Kanye West, Duran Duran, os integrantes e técnicos da própria banda… Não sobrou nada de pé. Lá pelas tantas mandou ”Aê, Kanye depois, hein!”, ao que a galera responde aos gritos de “Ééé!” até ser interrompidos com um “vocês estão de sacanagem? Como ousam?”, de Julian, rindo de si mesmo.

Sentindo-se obrigado a fazer o papel de estrela do rock e atração principal do festival, fazia perguntas idiotas ao público, como “vocês acreditam no amor?”. O deboche parecia mais voltado a própria banda, como se estivessem ali cumprindo uma obrigação. O que, sendo esse o caso, fizeram com qualidade.

Se o Julian chegar no Planeta Terra com metade das piadas do show no Coachella, esse show do Strokes já esta valendo.

Finito
Acabou

Na saideira, deu pra pegar a parte final do Leftfield, de volta e meio fora de prumo, utilizando Theremin e batidas quase techhouse. Quando as músicas antigas tiveram vez, como “Phat Planet”, as coisas iam bem. Fechando a tampa, duas músicas do Presets foram o suficiente.

Um último dia bem morno em termos musicais, porém feliz ao se constatar que o Coachella atual ainda pode ser o Coachella de alguns anos atrás. Agora que o caldo deu uma esfriada, é esperar para ver o que acontece no ano que vem. Abril de 2012 já está pré-reservado para a ida ao deserto.

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Kanye West, “Runaway”

Quando você pensava que Kanye West já tinha exaltado seu ego em todas as mídias conhecidas, eis que o rapper surge com um curta. “Runaway”, mesmo nome da primeira música (um pedido de desculpas para Taylor Swift, dizem) a surgir do seu próximo disco.

Como um cara com dois bons discos no currículo, joga tudo pro alto e vira uma mala desse tamanho é digno de estudos – se levar a sério demais é um dos problemas. E quanto mais tenta explicar – e como ele tenta! – pior fica.

Melhor seria se fizesse como Joaquin Phoenix no seu documentário (ainda que, a exemplo de “Borat” ou “Exit Through The Gift Shop” do Banksy, documente uma farsa,) “I’m Still Here”,

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Kanye West e o peixe gay

O mico do Kanye West no VMA domingo passado (verdade ou armado?) continua rendendo (o Matias está reunindo as melhores repercussões do chamado Kanyegate). O Lucas Bori assistiu ao South Park que foi reprisado essa semana nos EUA e explica o motivo:

O “incidente” com Kanye West no VMA 2009 era o assunto da semana seguido pela sua participação no programa de estréia do Jay Leno (que aconteceu nessa segunda, um dia após a premiação da MTV). No Leno ele se desculpou, se ofereceu para “ajudar a carreira” da iniciante, etc. Fato é que semana passada ele foi o “convidado especial” no South Park e ontem resolveram repetir o programa duas vezes seguidas com o titulo de “Fishsticks Night”.

Resumindo, Jimmy e o Cartman inventam a “melhor piada do mundo” (sendo que o segundo não faz nada, mas tem certeza que criou a piada porque seu “ego” é grande demais para aceitar a verdade) e vira uma febre em todos os talk shows e programas de TV. O único problema é que o Kanye West (genious, a voice of a generation, fashionable…etc) não entende a piada e acha que é um insulto pessoal… tudo coroado com o clipe “Gay Fish”.

A piada (detalhe para o vocoder)?

Q: Do you like fishsticks?
A: Yes.
Q: Do you like putting fishsticks in your mouth?
A: Yes.
Q: What are you, a gay fish?

obs: “fishsticks” sendo pronunciado “fish dicks”

Magoadinho, Kanye na época caiu na pilha e comentou a zoada em seu blogue, prometendo melhorar seu comportamento. Mentiu, obviamente:

SOUTH PARK MURDERED ME LAST NIGHT AND IT’S PRETTY FUNNY. IT HURTS MY FEELINGS BUT WHAT CAN YOU EXPECT FROM SOUTH PARK! I ACTUALLY HAVE BEEN WORKING ON MY EGO THOUGH. HAVING THE CRAZY EGO IS PLAYED OUT AT THIS POINT IN MY LIFE AND CAREER. I USE TO USE IT TO BUILD UP MY ESTEEM WHEN NOBODY BELIEVED IN ME. NOW THAT PEOPLE DO BELIEVE AND SUPPORT MY MUSIC AND PRODUCTS THE BEST RESPONSE IS THANK YOU INSTEAD OF “I TOLD YOU SO!!!” IT’S COOL TO TALK SHIT WHEN YOU’RE RAPPING BUT NOT IN REAL LIFE. WHEN YOU MEET LITTLE WAYNE IN PERSON HE’S THE NICEST GUY FOR EXAMPLE. I JUST WANNA BE A DOPER PERSON WHICH STARTS WITH ME NOT ALWAYS TELLING PEOPLE HOW DOPE I THINK I AM. I NEED TO JUST GET PAST MYSELF. DROP THE BRAVADO AND JUST MAKE DOPE PRODUCT…
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Hip hop, auto-tune e futurismo Y2K


Jay-Z, “Death Of Autotune”

Existe um elemento comum entre todos os hits recentes do hip pop de T-Pain, Kanye West, Akon, Lil Wayne, Snoop Dogg ou Black Eyed Peas: o auto-tune, ferramenta digital para fazer pequenos ajustes e afinar vocais após gravados, auxiliando cantores a cravar todas as notas desejadas (platificando o processo, segundo alguns).

A sonoridade robótica produzida pelo uso “indevido” do auto-tune como um efeito de distorção tomou conta do hip hop. Há tempos não se via um elemento sozinho — seja instrumento, equipamento ou técnica de gravação — se tornar tão central nos estúdios.


T-Pain feat. Jamie Foxx, “Blame It (On The Alcohol)”

O auto-tune está em toda parte. Tem tutoriais no YouTube sobre como usar o efeito, tem app para iPhone, é motivo de piadas e mais piadas e foi matéria na New Yorker e na Time.


T-Pain vs. Vocoder, no Funny or Die

Marqueteiro que só ele, mesmo chegando atrasado na farra do auto-tune, Kanye West tentou puxar para si o título de desbravador da ferramenta, tendo gravado o disco “808 & Heartbreak” inteiramente com o efeito e fazendo bastante propaganda disso.


Kanye West, “Heartless”

Antes disso, Kanye já havia sampleado “Harder, Better, Faster, Stronger”, do Daft Punk, para servir de base para “Stronger”, reverenciando os franceses que vem usando tanto o vocoder quanto o auto-tune há muito tempo, de “Around The World” à “One More Time” à “Technologic”.

Antes disso, em 1998, dois anos depois da invenção do auto-tune, Cher fez muita gente querer rasgar os ouvidos com a sua “Believe”. Em 2005, Akon causou reação semelhante com “Mr. Lonely”. Expoente máximo do plugin, T-Pain diz que faz uso do autotune desde 2003.

Dentro do hip hop “tradicional” o uso de vozes robóticas não é inédita. Sem ir muito longe, basta ouvir os Beastie Boys em “Intergalactic”. A diferença é que o efeito utilizado, e já bem conhecido, é criado através do vocoder, um sintetizador que filtra a voz e altera as notas quando tocado enquanto se canta.

Como se vê, pode ser a moda da vez, mas está longe de ser novidade.


Afrika Bambaataa, “Planet Rock”

Até pouco mais de duas décadas atrás, “ano 2000″ era sinônimo de um tempo ainda distante, avançado tecnologicamente, onde robôs seriam parte integrante do cenário. A temática inspirou cineastas, escritores e, claro, músicos, todos buscando adiantar como seria esse futuro.

Em 1982, tentando imaginar como soaria algo feito duas décadas adiante, com a seminal “Planet Rock” Afrika Bambaataa desenhou o futuro da música, juntamente com o retro-futurismo do Kraftwerk e músicas como “Trans Europe Express”.

Passados tantos anos, esse modelo sobreviveu a vários outros que sumiram no tempo, justamente por ter vingado – as batidas, o uso do vocoder, os graves… estão todos aí.


Ciara feat. Chamillionaire, “Get up”

“Get up”, da Ciara (de 2006, produzida por Jazze Pha), junta várias referências de artistas que tentaram prever o som do presente em que vivemos, o tal anos 2000 — batidas de Bambaataa, teclados gelados do Kraftwerk, falsetes de Michael Jackson, citações jamaicanas a “Ring the alarm” (Tenor Saw). É um bom exemplo de como, ao tentar adiantar o futuro, esses artistas terminaram por determinar como ele seria.

O efeito robótico é até parecido, mas existe bastante diferença entre o uso do vocoder e o auto-tune. O segundo tem um resultado muito mais alucinado e eletrônico. Usado no talo, provoca uma oscilação brusca entre as notas, tão rápida que seria impossível ser executada por um humano.

O baile funk, sempre sedento por novidades tecnológicas ainda não fez uso do auto-tune (ou pelo menos nenhum hit surgiu ainda – no tecnobrega já tá rolando, lembrou JB nos comentários). João Brasil arranhou o assunto em “Cobrinha Fanfarrona”, mas utilizando o vocoder, não o auto-tune. Não vai demorar muito para a ferramentaganhar mais algum uso não previsto.


Black Eyed Peas, “Boom Boom Pow”

Essa proeminência da ferramenta vem alimentando a velha discussão sobre os caminhos do hip hop após ter se transformado no principal estilo musical em termos comerciais nos EUA.

Enquanto Nas declarou a morte do gênero em “Hip Hop Is Dead”, Ice-T protagonizou uma áspera (e constrangedora) troca de ofensas online com o menino Soulja Boy Tell’em por conta do sucesso de “Crank That”.

É o triunfo da estética seca e mais lenta do crunk e do hip hop produzido no sul dos EUA, onde a influência do Miami Bass continua gigantesca — e de onde vem boa parte dos produtores e rappers de maior sucesso hoje em dia, de Outkast a Lil Wayne.

O sempre esperto Jay-Z, só pra destoar, declarou a morte do auto-tune na música que acabou de lançar para promover o próximo disco (produzido por, veja só, Kanye). Ele não está sozinho na guerra contra o novo hip hop.

As coisas mudaram — sempre mudam — e certamente a eletrônica foi adicionada aos tradicionais quatro elementos (DJ, rap, b-boy e grafite). Se hoje o que se produz pode ser considerado hip hop ou não é uma discussão tão boba quanto interminável.

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Copa West


Just Do It from copacabana club on Vimeo.

Do Paraná para o mundo: “Just do it”, do Copacabana Club, foi parar no blogue do Kanye West.

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Auto fail

Durante sua apresentação no Saturday Night Live, Kanye West ficou na mão e quando esqueceram de ligar o auto-tune, efeito que ele vem usando exageradamente, pelo estético, nos vocais do seu novo disco. Para quem achava que era justamente o efeito que estava estragando a música, uma surpresa: o troço é ruim do mesmo jeito.

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Pleiba


foto: URBe Fotos

Do Globo On, sobre Kanye West no TIM:

(…) alguns músicos brasileiros teriam sido contratados para encenar a pseudo banda que, dizem, tocou atrás do cenário, onde, pelo menos na produção carioca, instrumentos foram montados. Mas a verdade é: a banda dele não veio (…) Como a imprensa paulistana levantou a suspeita do uso de playback, a produção do evento teria armado essa encenação para a noite carioca.

Acreditou na tal banda quem quis. Com aquele som, só podia ser base pré-gravada ou, no máximo, um DJ.

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Take 2


Versão 1: clique por sua conta e risco

Desde que divulgou sua nova música “Love lockdown”, Kanye West tomou tanta pancada on line devido a falta de batidas, de rap e pelo exagero no uso auto tune (produzindo um efeito parecido com aquele na voz da Cher em “Believe” – e isso não é bom), que o sujeito resolveu regravar a faixa. São o novos tempos.

O problema é que continou ruim de doer.


Vesão 2: clique por sua conta e risco, outra vez

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Chilique

Taí o vídeo do piti do Kanye West no aeroporto de Los Angeles, estapeando fotógrafos.

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Lá vem


foto: Lawrence K. Ho, LA Times

De fonte inusitada e inesperada, porém confiável, sopraram após um show ontem que Kanye West toca no Brasil. Em qual festival, não sabiam dizer.

ATUALIZAÇÃO: Algumas horas atrás a organização do TIM Festival soltou um comunicado, confirmando o rapper em seu cartel.

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Coachella 2006

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Daft Punk

Você tem certeza de que uma viagem vai ser boa quando as coisas se encaixam sem muito esforço. A ida para Los Angeles, para conferir o Coachella Music & Arts Festival , foi premiada logo na chegada ao aeroporto.

No desembarque, um sujeito com pinta de rapper passou carregando uma bolsa de laptop com o logotipo do Ozomatli bordado na frente. Como não se vê esse logo toda hora, mesmo em Los Angeles, fui perguntar. Não deu outra, era Jabu, MC que substituiu Chali 2na (hoje no Jurassic 5) , seguido pelos outros integrantes.

Não bastasse a saraivada de shows que viriam no sábado e domingo, uma das bandas latinas mais bacanas de todos os tempos (top 5 na minha lista pessoal de shows mais desejados) tocava em Los Angeles na sexta-feira que antecedia o festival. Contando com a simpatia gratuita que a palavra “brazilian” desperta no exterior, conseguir ingressos foi moleza.


Ozomatli: “Cumbia de los muertos”

Não era um show comum. O grupo se apresentou na Hollywood Race Track, pista de corridas de cavalos em Inglewood, servindo de entretenimento entre um páreo e outro. Na platéia, praticamente apenas mexicanos e decedentes e um ou outro curioso cansado de perder dinheiro apostando em pangarés.

O despojamento da situação somado ao público receptivo garantiu um show especial, relaxado, com clima de apresentação para amigos. Com naipe de metais, DJ, MCs, baixo, bateria, guitarra e percussão e dois vocalistas, o Ozomatli enche qualquer palco e a mistura de hip hop, cumbia, salsa, dub, rock e letras em spanglish serviu para aliviar a tensão da manifestação hispânica (com adesão dos brasileiros e chineses) que viria no dia 1 de maio, o “Dia sem imigrantes”.

Comandado pelos cantores Asdrubal Sierra e Raul Pacheco, o Ozomatli tocou músicas de seus três discos, indo de “Cumbia de los muertos” até a balada “Cuando canto mi canción”, sem esquecer de “Como ves”, “Saturday night”, “Street signs”, fechando a fiesta com a incendiária “La misma canción” e o palco cheio de crianças brincado de percussionistas.

Antes mesmo de chegar a Indio (cidade onde acontece o Coachella) e um show pra coleção de favoritos. A viagem prometia.

Coachella, primeiro dia

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Entrada

O cenário do Coachella, que esse ano reuniu 97 nomes em dois dias de show, é o belo gramado de um campo de pólo, cercado por montanhas e pelo deserto da região de Palm Springs. As atrações se dividem entre dois palcos (Coachella e Outdoor stage) e três tendas (Gobi, Mojave e Sahara), além de outros espaços com programação feita por rádios e revistas locais. A quantidade de gente que invade a cidade no final de semana do festival é grande, cerca de 60 mil por dia.

Após um leve engarrafamento no estacionamento e de uma fila na entrada, deu tempo de pegar o finalzinho do The Walkmen (com uma música com metais bem legal) e correr para pegar também a rainha do grime, Lady Sovereign. Talvez pela semelhança com o hip hop, a inglesa agradou o público, arrancando gritos com “Public warning” e pedidos de bis.

Com destaque para a saxofonista e segunda vocalista da banda, o Zutons misturou músicas dos dois discos. O vocalista, também muito carismático, segurou bem a platéia e o calor (eles tocaram debaixo de um sol violento). Ao vivo, a banda cresce muito, até dub teve. “Valerie” foi a música mais cantada.

Uma boa surpresa foi o My Morning Jacket. Bom do início ao fim, principalmente quando tocaram “Wordless chorus”. Eles vão abrir a turnê do Pearl Jam nos EUA, o que pode ajudar o MMJ, que está em seu quarto disco, a deslanchar.

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Wolfmother

Até então os shows não eram dos mais disputados e estavam fáceis de ver. Isso mudou quando foi hora de assistir o Wolfmother, numa das tendas. O show serviu pra explicitar um dos poucos problemas do festival.

Apesar de aproximarem público e artistas, num evento para 60 mil pessoas as tendas lotam rápido e bastante gente não consegue entrar. Quem fica longe não vê muito bem, não apenas porque a estrutura das tendas bloqueia a visão, mas também porque os palcos são baixos (poderiam ter ao menos 1,5 metro a mais de altura para facilitar a vida de quem está mais atrás).

Influenciados por Black Sabbath, Led Zeppelin, Mars Volta por stoner rock, o trio australiano fez uma apresentação visceral. A voz do vocalista e guitarrista Andrew Stockdale lembra Ozzy Osbourne e Jack White (Stripes) e a mão pesada do rapaz arranca riffs secos e poderosos.

O toque de psicodelia fica a cargo do baixista e tecladista Chris Ross. É ele quem controla os efeitos através de pedais preso em cima do seu teclado, distorcendo, prolongando e alterando os riffs de Stockdale, garantindo que o som da banda não seja apenas um pastiche do rock setentista. A eletrônica está lá, ainda que discreta.

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Clap your hands say yeah

Saíram os australianos, veio o combo nova-iorquino Clap Your Hands Say Yeah. Com meros dois minutos de atraso, o CYHSY ouvia palmas ansiosas. Com cinco, quando entrou no palco, ensaiavam-se as primeiras vaias. Num festival com tantas atrações, cada minuto é precioso e, por isso, o público não tolera demora.

Bastou o show começar para a turma esquecer da espera. Bom exemplo da moda que se tornou ouvir música nesses tempos pós-MP3 e iPod, o CYHSY cresceu através da internet, sem divulgação na grande mídia e conta com público fiel. Difícil dizer o que vai ser dessas bandas quando não for mais tão bacana saber qual a última novidade vinda dos porões de qualquer lugar.

A sonoridade do Clap Your Hands é interessante. Chata mesmo é a voz do cantor Alec Ounsworth, desafinado além do ponto do que pode ser considerado um estilo. Pelo menos em uma das músicas, “Is this love?”, Alec consegue controlar os defeitos de sua voz e faz parecer uma estranheza pensada. Pena que seja só nessa.

Às 17h45, no palco principal, Kanye West foi o primeiro peixe fora do áquario independente a dar as caras no festival. Seu disco mais recente, “Late registration”, faturou um Grammy e vendeu, até agora, 2,5 milhões de cópias. Com um sucesso comercial totalmente fora do padrão do resto da escalação, teve gente temendo que recepção ele teria.

Vestindo uma camiseta com uma foto de Miles Davis e pedindo para o público colocar os “diamonds in the sky” (diamantes no céu) — com um gesto juntando a ponta dos indicadores e dos polegares, lembrando outra coisa — Kanye não demorou nem meia música pra ganhar a platéia.

Acompanhado por bons músicos, incluindo cordas e cantores de apoio, reproduziu-se ao vivo os samples e programções dos seus discos. Antes de cantar o hit “Gold digger”, o rapper brincou, dizendo que o “Grammy está errado, essa é a melhor música do ano”, em referência ao título perdido em 2005 para “Boulevard of broken dreams”, do Green Day.

Como na versão radiofônica, que lima palavrões e insultos, Kanye substituiu o “nigger” (palavra agressiva usada para se referir aos negros) do refrão “she ain’t messing with no broke nigger” por um segundo “broke”. Sem perder a oportunidade de dar uma zoada num público majoritatiamente branco, o cantor mudou de idéia no meio da música e resolvou falar a letra sem censura, avisando: “brancos, essa é a sua chance de falar nigger“!

Depois de cantar “All falls down”, Kanye pediu ao DJ A-Trak para colocar algumas músicas que ele ouvia em casa, na adolescência. Vieram “Let’s stay together” (Al Green), “Rock with you” (Michael Jackson) e, acreditem, “Take on me”, do A-Ha (“isso não é uma piada, gosto mesmo dessa música”, fez questão de dizer), enquanto Kanye dançava como se estivesse sozinho em seu quarto.

Guardando o melhor pro final, a última música foi “Touch the sky”, feita em cima de um sample matador de “Move on up”, do Curtis Mayfield. Nem precisava, o jogo já estava ganho.

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TV on the Radio

Correndo de um lado pro outro, ainda deu tempo de ver um pouco do TV on the Radio, antes de voar de volta para o palco principal atrás do Sigur Rós. Com várias pessoas assistindo o show deitadas no gramado, os islandeses coroaram o final de tarde com músicas do “( )” e “Takk”, em versões um pouco mais barulhentas e pesadas do que as dos discos.

A noite, Cat Power fez um bom show. Com aquela voz, fazendo passinhos de dança e acompanhada de 14 músicos (a Memphis Rythm Band) no palco, tinha sopro, cordas, vocais de apoio, enfim, completo. Cat focou mais músicas do seu último disco, “The greatest”, abrindo com a faixa título, mas também executando outras de discos anteriores.

O Franz Ferdinand enfrentou uma multidão disposto a mostrar que pode ir além dos 15 downloads de fama tão habituais hoje em dia. No entanto, depois do que foi o show no Rio, não tinha nem graça ver de novo. A melhor opção era conferir a metade final da apresentação de Damian “Jr. Gong” Marley.

Exagerando nas homenagens ao pai, Damian carimbou “Exodus” e “Could you be loved”, praticamente na sequência. Logo ele que, ao contrário dos irmãos, resolveu seguir uma linha de reggae atual, um dancehall com o pé fincado no roots and culture e uma boa dupla de baixo e bateria pra manter a casa em pé. Ainda bem que ele encontrou um espaço para mandar “Road to Zion” e a crássica “Welcome to Jamrock”.

Da Jamaica pra Áustria, sem perder o eco, o Tosca estava programado pra tocar as 22h15. Horário perigosíssimo, perto demais da principal atração da noite, Daft Punk. O resultado é que, como aconteceu com outros nomes, só daria pra ver o começo do show do projeto de Richard Dorfmeister.

A situação ficou mais grave com a demora pra começar o show. Quando começou, o pianista e segunda metade do Tosca, Rupert Huber, resolveu fazer uma introdução de uns 10 minutos no Fender Rhodes, espantando quem queria ao menos ter um visto um pouco do show. Quem não ficou até o final, teve que se contentar com a passagem de som, com o MC cantando “The model”, do Kraftwerk, sem parar.

O Depeche Mode também tocou nesse horário, tendo como garantia hits como “Walking in my shoe”, “Personnal Jesus”, “Enjoy the silence”, “Behind the wheel” e “Stripped”, além de faixas do disco novo e seis telões caprichados.

Quem se deu bem foi a dupla Audio Bullys, atração anterior ao Daft Punk e que, com isso, acabou tocando pra uma grande quantidade de pessoas, a maioria apenas aguardando os franceses.

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Daft Punk e a pirâmide

Há seis anos sem tocar e fazendo a estréia de sua turnê mundial (de apenas oito shows), o Daft Punk encerrou a noite e atraiu todas as atenções.

Um pano preto escondia o palco até o início do set. Quando a cortina caiu, viu-se a dupla dentro de uma pirâmide negra, vestido com as roupas de robô e começando a um zilhão por hora, com “Robot rock”. As pessoas gritavam sem parar, sem nem ter ouvido nada, só pela alegria da cena. O painel de led atrás dos dois piscava.

Apenas os sucessos da dupla seriam suficientes pra garantir uma noite de diversão. Mas eles queriam mais. A pirâmide era a grande surpresa.

Três músicas depois do início, quando todos estavam satisfeitos com o que viam, a pirâmide acendeu pela primeira vez. Ficou branca. Depois azul. Daí em diante, música a música, o triângulo negro (coberto de telas de plama) e a estrutura metálica que o emoldurava iam ganhando algo a mais, cores, movimentos. A cada vez que algo novo acontecia, a platéia urrava.

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Robô

Fazendo mash ups deles mesmos, o Daft Punk não negou nada. Teve “Around the world” em cima da base de “Harder, better, faster, stronger”, “Da funk” (essa e qualquer outra com uma pegada hip hop acertavam em cheio os americanos), “Technologic” e uma explosão coletiva com “One more time” misturada à “Aerodynamic”, como no remix que eles próprios fizeram para o disco “Daft Club”.

No final, após “Human after all”, os robôs fizeram jus ao nome da música, se renderam e bateram palmas pro público. Enquanto a pirâmide não se apagou, ninguém parou de berrar ou deixou a tenda, esperando a dupla pra um repeteco que, infelizmente, não houve.

Um show de música eletrônica perfeito, tanto visualmente quanto musicalmente, rivalizando com o Kraftwerk — e provavelmente ganhando — o título de melhor apresentação da praça. Sem essa de “precursores”, “sem um não teria o outro”, blá, blá, blá. Se as coisas fossem assim, nada andava pra frente.

E evolução, bem, esse não é exatamente um problema para o Daft Punk.

Coachella, segundo dia

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Coachella

Mal deu tempo de dormir. O segundo e último dia do Coachella Music and Arts Festival, ainda mais quente que o anterior, começou com o funk latino dos venezuelanos Los Amigos Invisibles. Bandeiras da terra de Hugo Chávez pipocavam na platéia. De lá para a apresentação de Amadou & Mariam, dupla de Mali que mistura ritmos africanos, blues, afrobeat e violões e que fez um bom show por aqui, no Rock in Rio 3, em 2001.

No palco principal, a banda-de-menina Magic Numbers fez um bom show, servindo de trilha sonora para um espreguiçada debaixo do sol, vendo as bolinhas de sabão passar no céu. Fazendo seu último show antes de entrar em estúdio para gravar o próximo disco, o grupo aproveitou pra mostrar duas músicas novas.

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Público

Enquanto isso, músicos promoviam sessões de autógrafo na Virgin. Passaram por lá Matisyahu, She Wants Revenge e Seu jorge, entre outros. A interação com o público, no entanto, é limitada. Um atendente pega o disco (ou DVD, ou poster) das mãos do fã e entrega pro artista. Não há contato algum.

A loja de discos é um ponto de encontro, vendendo títulos de todos artistas do evento por, em média, apenas 10 dólares, bem mais barato que as camisetas, que chegavam a custar US$ 30. Não é fácil resistir a tentação. Lembrar que uma garrafa d’água custa 2 dólares e uma boa refeição vegetariana chega aos US$ 9 ajuda bastante.

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Carrossel

Pelo menos passear pelas lojinhas de bugingangas (uma sombrinha em estilo japonês fez sucessos entre as meninas), estandes de revistas e andar nos brinquedos era de graça. Também, pudera, o carrossel era formado por biciletas e só girava se todos pedalassem! Tinha também roda-gigante em miniatura funcionando no mesmo esquema.

A organização impressiona, sobretudo pela qualidade do som em todos os palcos. Boa parte do mérito do festival, entretanto, é o astral dos frequentadores. Americanos (lógico), mexicanos (óbvio), espanhóis, cubanos, ingleses, convivendo num clima ótimo. Pessoas bem educadas, muitos “por favor”, “desculpe” e “obrigado”, palavrinhas bobas, pequenas, mas que podem fazer toda a diferença quando 60 mil pessoas estão reunidas no mesmo lugar.

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Matisyahu

No meio da tarde, o reggae man judeu Matisyahu foi um dos primeiros a arrastar uma boa quantidade de gente para o palco principal. Ao contrário do disco, em que baixo e bateria ficam bem à frente, ao vivo a guitarra é muito alta. O rock, o hip hop, beat box e vocalizes predominam sobre o reggae, levando o som mais pro lado do Sublime do que do Sizzla. Bom, mesmo assim, embora diferente do que se esperava a julgar pelas gravações.

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Bloc Party

Pelo horário, 18h, dava impressão de que a ordem do Bloc Party e do The Go! Team na escalação havia sido invertida. Mesmo sendo mais conhecido, o BP tocou mais cedo que o TG!T, que só entrou às 21h40. Após o show das duas bandas, ficou provado que a ordem estava correta.

Um belo pôr-do-sol serviu de fundo para o show do Bloc Party, enquanto o vocalista Kele Okereke reclamou do calor (“dá pra fritar um ovo aqui no palco”, disse) e agradeceu ao público a disposição de ficar debaixo do maçarico pra conferir a banda.

Ainda que tenha faltado pressão no som — não ficou claro se por culpa da banda ou dos equipamentos — e a guitarra estivesse baixa, o Bloc Party foi bem, muito por conta da presença de palco de Kele. “Banquet” e”She’s hearing voices” continuam funcionando e a boa notícia é que aparentemente a banda finalmente começa a se coçar pra gravar outro disco e chegaram a mostrar uma das músicas novas.

A disputa por um bom lugar para assistir a Madonna obrigou quem quisesse assistir a estréia da Confessions Tour a sacrificar vários shows. Entre as vítimas estavam Yeah Yeah Yeahs, Mogwai e Digable Planets (e também Seu Jorge e Editors). Pior mesmo foi ter que aturar a farofada do Paul Oakenfold antes dela.

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Madonna: telão

Em seu primeira apresentação em um festival, a rainha do pop ofereceu apenas um aperitivo da turnê que está por vir. Foram poucas músicas, abrindo com “Hung up”. Teve ainda “Everybody”, “Get together”, “Ray of light” e “I love New York”, deixando de fora a atual música de trabalho, “Sorry”.

Mestre em dominar as massas, Madonna conversou com o público (“does my ass look ok?” ["minha bunda tá legal?], perguntou), tocou guitarra, dançou com seus bailarinos, tirou a roupa e fez a festa da multidão. Era gente a perder de vista, muito, muito além da capacidade de 8 mil pessoas da tenda. A cantora saiu do palco sem dar tchau ou agradecer. Quem quiser mais, só pagando os US$ 300 do ingresso mais barato da turnê.

No caminho para conferir o The Go! Team, uma parada estratégica para escutar um pouco do Coldcut, sacudindo a tenda com drum ‘n’ bass, jungle, vídeos bem sacados no telão e protestos contra Bush e Tony Blair. No palco principal, o Massive Attack, acompanhado de Horace Andy, chapava os ouvintes.

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The Go! Team

O The Go! Team surpreendeu. Se transpor para o palco um disco repleto de samples e colagens não é tarefa fácil, mais difícil ainda é conseguir animar um público já cansado de horas e mais horas de show. Pois o TG!T conseguiu. Agitados e carismáticos, o grupo conquistou o público com “Ladyflash”, “Phanter dash” e “Everyone’s a VIP to someone”.

A banda é formada por brancos, negros, japoneses e cada integrante desempenha múltiplas funções, todos fazem um pouco de tudo. Seguindo a filosofia da internet, ferramenta de divulgação de quase todos os novos nomes atualmente, o trabalho coletivo é quase um pré-requisito numa banda atualmente, e o The Go! Team não é diferente.

Fechando a tampa, às 23h de domingo (um dia antes do lançamento do novo disco, “10,000 days”), o Tool voltou aos palcos, após muitos anos. A banda conta com uma legião de fãs na California, de todas as idades e incluindo muitas mulheres, coisa rara nesse estilo de som.

Os comentários sarcásticos do vocalista Maynard James Keenan destoavam do clima soturno do Tool. Brincando, saudou a platéia com um “e aí, hippies!” e fez comentários como “espero que vocês tenham conseguido desfrutar a área VIP. Claro que conseguiram, isso é Los Angeles, todo mundo é VIP”.

A pouca luz do palco, iluminado praticamente apenas por lâmpadas azuis, destaca o visual dos telões e seus vídeos sombrios. É praticamente tudo que se pode ver do show, Keenan fica o tempo todo no fundo, escondido perto da bateria. Boa ambientação para as viagens de “The patient”, “Laterallus” ou “Sober”.

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