Esse deve ter sido o ano em que menos fui a shows em muito, muito tempo. Culpa do cronograma de gravações mais cruel que já enfrentei (sempre noturnas, sempre em dias de bons shows). Ainda assim, teve MUITA coisa boa. Segue a lista, em nenhuma ordem específica.
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Paul McCartney (Coachella, EUA)
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Phoenix (Central Park, EUA)
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Curumin (Cinemateque, Rio)

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TV On The Radio (Coachella, EUA)
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Lucas Santtana & Seleção Natural (Vale Open Air, Rio)
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Radiohead (Apoteose, Rio)
“’Bom pra caralho’, como disse a banda em bom português ao final do show. Foi mesmo.”
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Kraftwerk (Apoteose, Rio)
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Franz Ferdinand (The Week, SP)
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Siba e a Fuloresta (Teatro Rival, Rio)
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Late Of The Pier (Coachella, EUA)
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M.I.A. (Coachella, EUA)
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Dirty projectors (Teatro Odisséia, Rio)
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Friendly Fires (Circo Voador, Rio)
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Lykke Li (Coachella, EUA)
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Little Joy (Circo Voador, Rio)
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Faith No More (Metropolitan, Rio)
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Skatalites (Circo Voador, Rio)
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Nação Zumbi (Circo Voador, Rio)
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Mexican Institute of Sound (Coachella, EUA)
Um dos favoritos da casa, o Late Of The Pier anda meio sumido. O novo single, “Blueberry”/”Best In The Class”, será lançado somente em fevereiro de 2010, porém dia desses o produtor Erol Alkan tocou o lado A do compacto em seu set no programa BBC 6 Mix.
Via IM//UR.

Bem boa essa “It’s a Cosmic Disco Mixtape”, mixtape do Firas, produtor da festa londrina Filthy Few:
The Golden Filter - “Solid Gold” (Clouded Vision Remix)
Franz Ferdinand - “Ulysses” (Mickey Moonlight Remix)
The BPA - “Seattle” (Crazy P Remix)
Solo - “Congoloid”
Frank Music - “Better Off With Fan Death”
Den Haan - “Night Shift”
White Lies - “Farewell To The Fairground” (Rory Philips Remix)
Miike Snow - “Animal” (Treasure Fingers Remix)
La Roux - “In For The Kill” (Doesn’t Sound Like Skreams Remix)
Kano - “It’s War” (Serge Santiago Remix)
Zombie Disco Squad - “Eurovision”
Popof – “Serenity” (Noob Remix)
Pescada no ótimo Zarcorp blog, da rapaziada do Late of the Pier.

vídeos e fotos: URBe
Dois anos desde a última visita (três desde a primeira) e depois de ter passado por alguns dos festivais mais enxarcados da Europa, finalmente chegou a hora de partir novamente em direção ao deserto, onde o sol é uma certeza e o visual garantido.
O Coachella Music & Arts Festival é um dos maiores encontros das chamadas “bandas de internet” do planeta. Ser escalado para o festival é como receber um diploma que diz “no último ano você se destacou e agora é oficialmente uma banda, não mais um projeto online”.
É claro que nem todos os formandos vingam na profissão. Muitos dos artistas que passam com algum destaque pelo festival somem na poeira menos de um ano depois. Na turma de 2009, estranhamente ficaram de fora Metronomy e Lady Hawke, dois nomes muito elogiados em 2008.
Alguns outros voltam ao deserto maiores do que quando passaram por lá pela primeira vez, caso do The Killers, TV on the Radio e M.I.A. nesse ano.

A décima edição do festival talvez tenha sido uma das edições com a escalação mais fraca — certamente foi mais difícil manter a usual média de sete shows por dia. Obviamente, uma escalação frouxa do Coachella coloca no bolso boa parte dos festivais pelo mundo e ainda assim vale a pena.
Em 2009 houve menos conflitos de horários entre as principais atrações, tornando as decisões do que assitir (sempre a maior tortura do evento) mais fáceis. Você assistia um show sem aquela pontada de estar ausente de três outros imperdíveis.
Mesmo com a afirmação dos organizadores do evento de que essa provavelmente terá sido a terceira maior edição em termos de público (2007, com Rage Against the Machine, foi a maior), a sensação e comentário dos que estava lá foi de que estava mais vazio que o normal.
Os sinais eram claros: menos filas pro banheiro, pra água, pra entrar, menos engarrafamento e menos tumulto no estacionamento. Tirando sexta, com Paul McCartney, os ingressos do festival não esgotaram.
A culpa de tudo isso, é claro, é da crise. Uma caminhada pela Melrose Avenue, passando entre um set de gravação do seriado The Hills (afinal, é Los Angeles) e muitas lojas de roupa, assusta a quantidade de lojas em queima de estoque e placas informando sobre fechamentos.
Na América fascinada pelo novo presidente (é impressionante a quantidade de produtos relacionados a Obama, de camisetas a doces, máscaras e livros) o bicho está pegando. O que para muitos foi um motivo a mais para cavar os quase 300 dólares do passe para os três dias e esquecer.
Se a música não desse conta, certamente a ensolação faria o serviço.
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1o dia, sexta
Molotov, Los Campesinos, Franz Ferdinand, N.A.S.A., Beirut, Ghostland Observatory, Girl Talk e Paul McCartney

Um vôo de oito horas pra Miami + quatro horas de espera + seis horas até Los Angeles + uma hora até estar dentro do carro alugado + duas horas até Indio (santo GPS!) + check in no hotel + fuso horário configuram uma maratona que pede o mínimo de descanso.
Isso tudo pra dizer que chegar cedo no primeiro dia do festival logo no dia seguinte é uma perspectiva desanimadora, ainda mais sem nenhuma grande atração motivando o esforço a mais.
Chegando as 15h, ao som do chato We Are Scientists, foi o tempo de comprar água, encontrar os amigos e partir para o Molotov. As atrações mexicanas são uma marca do festival e quase sempre vem coisa boa. Surpresa foi ver o Molotov fazendo rock sobre batidas de Miami bass, soando bastante como “Popozuda Rock and Roll”, do De Falla.

Los Campesinos
As baixas expectativas em relação ao Los Campesinos foram confirmadas. Até músicas legais como “You! Me! Dancing!” ficam magrelas ao vivo. Alguma coisa ali lembra o Clap Your Hands Say Yeah, que também não convence ao vivo, só que mais bobo. O vocalista se esforça tanto na afetação que consegue tirar atenção do resto da banda, sem fazer disso algo positivo.
Ting Tings, “Great DJ”
De afetação para… mais afetação! O Ting Tings mostrou muita frescura e pouco som. Começaram 15 minutos atrasados, reduzindo bastante o tempo do seu show. O que pode ter sido proposital, visto que eles tem bem pouco pra mostrar.
Antes de subirem ao palco, veio um aviso, avisando que o público era bem vindo para tirar foos, mas não deveria usar flash, pois incomoda a banda. Era dia.
Como se vê, a dupla se leva a sério demais, a postura no palco confirma isso. É como se eles não entendessem que o público de “That’s not my name” ou “Great DJ” é majoritariamente adolescente. Ou pior que isso — é como se o Ting Tings visse algum demérito nisso.
De qualquer maneira, foi um dos shows mais disputados do dia, com gente tentando assistir do lado de fora da tenda (a Sahara, a maior delas), debaixo duma solaca que não é brincadeira não. O mesmo sol que foi o principal fator na decisão de assistir o Ting Tings e não o Black Keys no palco principal.
Grande erro. No jogo de apostas do Coachella, cada movimento deve ser calculado. Cada escolha envolve um custo, as vezes alto demais para valer o risco. Mais tarde isso ficaria ainda mais claro.

Alex Kapranos (Franz Ferdinand) e a blusa do George Harrison
A primeira grande escolha do dia envolvia duas atrações tocando exatamente no mesmo horário, uma nada a ver uma com a outra. Na disputa mental entre ouvir “Poison Dart” ou “Lucid Dreams”, terminei não ouvindo nenhuma.
Optei por assistir o Franz Ferdinand (pela sexta vez) em vez do The Bug & Warrior Queen (que nunca vi) pra poder ouvir ao vivo faixas do terceiro disco. Infelizmente justo a que mais queria ouvir, “Lucid Dreams”, ficou de fora.
O show foi morno, muito por conta da distância que o palco principal impõe entre os artistas e a platéia. A luz do dia também não ajudou muito o clima dançante e carregado nos sintetizadores das novas músicas.

No primeiro dia do festival era o show do Paul McCartney que centralizava as atenções, lógico. Tocando no mesmo palco, Alex Kapranos (do Franz Ferdinand) apareceu com uma camiseta escrita “George Harrison”. Desde cedo, fãs dos Beatles se expremiam na grade. E por fãs dos Beatles entenda-se pessoas acima dos 50, raramente o perfil de quem enfrente um dia inteiro debaixo do sol pra aguardar um show.
N.A.S.A., “Watchadoin”
Se o começo do dia foi calmo, a parte final foi corrida. Do Franz Ferdinadn direto pro N.A.S.A., já começado. Estava bem curioso pra saber que tipo de apresentação eles fariam. Fosse um mero live PA perigava ser meio xarope. Cada vez parece fazer menos sentido ficar olhando para um palco onde um sujeito faz coisas que você não pode ver.
A lição do Daft Punk e sua pirâmide parece ter sido assimilada em larga escala por artistas de música eletrônica, caminhando cada vez mais em direção de soluções visuais para suas apresentações, indo além de telões e apostando em cenários e até instalações.
Formado pelo brasileiro Zé Gonzales (ex-Planet Hemp) e Squeak E. Clean (irmão do cineasta Spike Jonze), o N.A.S.A. (North America South America) aterrisou no Coachella a bordo de uma nave retrô-tosco-futurista, acompanhado por duas dançarinas ETs, alguns monstros e um MC.
Funcionou. O set misturando músicas próprias e trechos de Daft Punk (olha eles aí de novo), Beni Benassi e hip hop levantou a tenda e fez a festa.
Beirut, “Nantes”
O primeiro artista a realmente arrastar uma quantidade grande de fãs foi o Beirut. Nem bem soaram as primeiras notas de “Nantes” e o coro e aplausos começaram, se extendendo por todo show.
A delicadeza das músicas se repete ao vivo. Projeto solo de Zachary Condon, o Beirut se transformou numa banda sem perder o clima intimista dos discos. Baixo acústico, acordeon, metais, bateria e teclado servem as canções sem exageros, priorizando os arranjos aos solos.
Teve até gente gritando “Leãozinho”, do Caetano Veloso, música as vezes tocada pelo Beirut. Dessa vez não teve, teria sido divertido. Foi um dos shows mais legals e bonitos do festival.

Instalações espalhadas pelo gramado
Na sequência, um pedaço do Ghostland Obervatory e do Girl Talk. O primeiro tava numa onda meio téquineira que desanimou e o segundo deu uma preguiiiiiça… A tenda estava lotadas, bem animada, só que as colagens do Girl Talk começam a cansar.
Não sou fã dos discos dele, muito por conta da predileção aos samples de hip hop. Essa onda de mashup está começando se tornar um tanto formulática, com a sonoridade de todos os produtores se assemelhando bastante.
Pior que isso, a volta se aproxima dos 360 graus, chegando ao ponto de partida, com alguns desses mashups soando como remixes, onde sobre a acapela e é feita uma nova base. Chegou a hora de um passo a frente, em outra direção? Pode ser.
Ou isso ou era simplesmente preguiça de dançar mesmo.
Paul McCartney, “Blackbird”
Chegada a hora do Paul McCartney o festival parou. Quase todo mundo foi em direção ao palco principal para conferir o grande nome do evento.
O começo foi meio estranho. Acompanhado por uma banda perfeitinha demais na execução, o show soava plástico demais. Os arranjos soavam comerciais demais, como se fosse um DVD genérico, bem chato.
Além disso, os integrantes faziam caras e bocas dignas dos piores clichês do rock, o que era um tanto contrangedor. O sujeito toca com o Paul McCartney e quer aparecer? Sei não…
A apresentação, ainda bem, guardava momentos memoráveis.
Quando Paul tocava violão ou piano sozinho a atmosfera mudava completamente. Com as canções que o sujeito tem, realmente não precisa de quase nada pra soar fantástico. Menos é mais, costumam dizer por aí. E nesse caso, é mesmo.

Paul estava comunicativo, falando das músicas e até da sua vida pessoal como se não estivesse diante de uma multidão. O momento mais emotivo foi quando ele lembrou que naquela data faziam 11 anos da morte de Linda McCartney antes de dedicar “My love does it good” para a ex-mulher.
Brincando com a platéia, Paul disse que as vezes era difícil se concentrar e tocar com tanta gente segurando placas com dizeres como “Beatles, estive lá!” e chamando a sua atenção.
John Lennon também foi homenageado com “Here Today”. Obviamente, as músicas dos Beatles (”The Long and Winding Road”, “Blackbird”, “Eleanor Rigby”) causavam comoção. George Harrison também foi lembrado quando Paul tocou “Something” em um ukulele presenteado pelo próprio, seguida por “I’ve got a feeling”.
Vendo Paul ao piano, vilolão ou ukulele faz pensar porque um compositor desses prefere tocar o baixo em quase todas as músicas. Seria de pensar que Paul fosse ter preferência pelo violão, mais harmônico, no lugar de um instrumento melódico e comumente usado ritmicamente.
Eis que chegou a hora do erro. Lembra que falei das escolhas, dos riscos envolvidos? Pois bem, um julgamento mal feito me assombrará pelo resto da vida (ou até o próximo show do Paul — vai ter no Rio, andam dizendo).
Com quase duas horas de show, perto da meia-noite, horário limite dado pelas autoridades locais para o término das apresentações, cansado, resolvi começar a andar para o carro, pra fugir do tumulto da saída. Em 2007, após o Rage Against the Machine, levei quase duas horas só pra sair do estacionamento e chegar na estrada.
Sendo Estados Unidos, terra da organização (ah, como eu gosto…), era razoável pensar que o show estava pra terminar. Certo?
Fui andando e escutando “Give Peace a Chance”, “Let it Be”, “Live and Let Die”, “Hey Jude”, o que animou a longa caminhada.
Até chegar no carro ainda tocaria “Can’t Buy Me Love”, “Yesterday”, “Helter Skelter”, “Get Back” e “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”. Foi praticamente um show inteiro, que se estendeu até quase uma da manhã, e eu ouvindo tudo de longe…
Um erro imperdoável. De novo: IM-PER-DO-Á-VEL!
Menos mal que por ter saído mais cedo ainda consegui comprar uma da últimas cópias numeradas e assinadas do pôster especial feito por Shepard Fairey para comemorar o show do Beatle no Coachella. Custou 75 dólares e hoje, quatro dias depois, já vãi passando de 200 dólares no eBay.
Toda vez que olhar para ele vou lembrar de uma das maiores lambanças da minha vida. Belo castigo.
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2o dia, sábado
Para one, Surkin, TV on the Radio, Fleet Foxes, Crookers, M.I.A., Chemical Brothers (DJ set) e Gang Gang Dance

Entre todos os acertos, se tem uma coisa na qual o Coachella erra a mão entra ano, sai ano é na programação eletrônica. Não dá pra entender o que acontece, porque apesar de muitos nomes legais entrarem na lista, quando chega a hora de tocar, só vem téquinôu.
Rara excessão foram os franceses Para One e Surkin. O primeiro até resvalou no pior do 4×4 farofento, enquanto o segundo passeou mais pelo electro, ainda que tenha sido um tanto reto e sem suinge. O horário, 15h, é que não ajudou muito.
Os anos 90 vão ressurgindo também nessa área. Do remix dos Crookers para “Day n Night” (KiD KuDi) as músicas dos DJ sets do Chemical Brothers e Groove Armada, aquelas sirenes de rave do começo da década surgiam picotadas ou inteiras. É o elemento da vez.
Da área VIP, onde também fica a tenda de imprensa, aguardando bananas e coca-cola reverterem o estrago feito por uma wrap de tofu e um café da manhã de ovos com bacon, deu pra ouvir o Michael Franti & Spearhead, mas não dá pra levar sua politização muito a sério, não convence.

A área VIP é puro LA, com pururucas, playboys e celebridades B, de David Hasselholf a Busy Phillips e modeletes como a inglesa Agyness Deyn. Muita gente vem de Los Angeles só pra ficar badalando por ali, sem de fato entrar no festival.
A princípio essas pessoas podem parecer descoladas num festival como o Coachella. Com o aumento do consumo de música na era digital, mudou também o público.
Hoje é difícil você encontrar alguém que não tenha um iPod ou no mínimo conheça meia dúzia de bandas da vez. Lembro que quando era adolescente era comum encontrar gente que simplesmente não escutava música.
No entanto, apesar do maior número de ouvintes, o consumo é feito de forma cada vez mais passiva. Claro que isso sempre foi assim, desde que as rádios e TVs dominaram a distribuição de conteúdo cultural.
O que é mudou é que atualmente bandas alternativas e independentes — o tipo de som que antes exigia um esforço dos interessados para conseguir — chegam de forma massificada via internet, celulares e MP3.

Essa turma não desce pro gramado e não anda pelas tendas, de forma que de certa maneira continua tudo igual. A turma do oba-oba distante, os mais interessados circulando atrás de bons sons. Bom pro festival, que consegue atingir dois públicos diferentes, gera mais mídia e se mantém economicamente viável.
Entre os que vão ao evento pelos shows — a grande maioria — esse ano houve um certo relaxamento em relação ao consumo de maconha. Nas outras duas edições vi pouquíssima pessoas fumando. Dessa vez tinha zilhões de pessoas desbelotando tranquilamente e dando dois em pipes coloridos.
A explicação para essa mudança é a maconha medicinal. Ao que parece (se alguém souber essa história melhor, dizaê), no ano passado houve um flexibilização na lei que permite o uso da cannabis para tratamento médico.
Antes era restrito a doenças mais sérias e agora um baseado pode ser receitado para distúrbios como insônia, depressão e outros problemas que não podem ser diagnosticados em exames.
Rapidamente surgiu uma indústria ao redor disso, de maneira que basta ir a um médico em Venice Beach e sair de lá com a autorização para comprar maconha (e consumir em público) numa loja ao lado.
TV on the Radio, “Staring at the sun”
Com a rapaziada devidamente frita pelo sol e embalada pela marola, o TV on the Radio não teve muito trabalho para chapar o público de vez com um show grosseiramente grave.
O TVOTR foi o primeiro dos graduandos a tocarem no final de semana. Assim como eles, retornaram ao festival para tocar no palco principal em vez de tendas o The Killers e M.I.A.
Cada vez que Kyp Malone dedilhava o baixo os sub-graves pareciam estar saindo de algum equipamento digital de tão fortes. Era cada catranco no peito que não era mole não.
A densa massa servia de base para camadas e mais camadas de guitarra, num som que tinha que ser decifrado para ser entendido.
Durante o show, Kyp perguntou quem iria ficar pra ver o Thievery Corporation logo depois (não deu pra perceber se foi deboche) e afirmou que esperaria para ver o Gang Gang Dance mais tarde.
E ficou mesmo. A noite, sentado no gramado perto da tenda onde o GGD tocaria, ao ouvir a palavra “Brasil” Kyp disse que o Rio era sua cidade favorita no mundo e que espera muito poder voltar para visitar. Uma pena que o GGD não emplacou, com um show esquisito, bem diferente do que “Princes” sugere ser a onda da banda.
O TVOTR foi uma curiosa escolha para tocar no famoso horário do pôr-do-sol, geralmente reservado para atrações mais melosas, como o Fleet Foxes que tocou a seguir.
O cenário é o grande diferencial do Coachella. O lugar é lindo e a luz da Califórnia, um eterno final de tarde dourado, faz maravilhas pelos shows. É tudo que os festivais de verão na Europa não conseguem ser, pelo simples fato de que lá não faz sol.
A beleza do lugar influencia diretamente nas apresentações e no astral do público. Impossível separar uma coisa da outra, o meio é de fato a mensagem. Não é a toa que diversos artistas que tocam no Coachella preparam algo especial pra mostrar. É um lugar mágico mesmo.
Fleet Foxes, “White Winter Hymnal”
Já ao anoitecer, no segundo palco ao ar livre, menor, o Fleet Foxes mostrou seu folk setentista para uma platéia hipnotizada. As harmonias vocias, os arranjos, as canções, tudo muito bem feito e bem tocado.
Só que pra mim, tirando “White Winter Hymnal”, não bate. É retrô e introspectivo demais, embora seja totalmente compreensível a adoração que a banda desperta, é muito bom. É só gosto pessoal mesmo.
M.I.A., “Galang”
vídeo: mattwong26
Como a evolução percebida entre seus dois discos sugere, a M.I.A. do “Arular” é muito diferente da M.I.A. do “Kala”.
Quem viu a apresentação da M.I.A. no TIM Festival em 2005 não guarda boa recordação. Muita gente inclusive se desinteressou por ela por conta do show sem graça. Era o mesmo show que ela apresentava na Fabric, em Londres, para um público bem menor, numa boate. Não transpunha bem para o palco.
No Coachella, no entanto, quando ela tocou na tenda mais cedo no mesmo ano (a abertura do vídeo é hilária) a impressão deixada foi muito boa. Até que M.I.A. teve seu pedido de visto de trabalho nos EUA negado em 2006.
Demorou um pouco até M.I.A. voltar ao festival, em 2008. Em sua segunda passagem pelo Coachella, a tenda já não conseguiu dar conta. Segundo relatos, teve pessoas desmaiando, gente saindo pelo ladrão.
O trabalho de pesquisa da estética dos países em desenvolvimento de M.I.A., tanto a visual quanto a musical, cresceu bastante em “Kala”. Provavelmente ciente de que sem o visual seu show não passava totalmente sua mensagem, M.I.A. se transformou numa Madonna do terceiro mundo.

Promovida ao palco principal, aproveitou o tamanho e encheu de gente, dançarinos, músicos, roupas fosforescentes, e não apenas um DJ como antes.
Do alto de um púpito repleto de microfones, M.I.A. apresentava os números e dava palavaras de ordem, enquanto o telão exibia imagens de um protesto, com placas onde se lia “M.I.A. is a terrorist”.
Marrenta que só, entrou cantarolando na melodia de “Rehab”, de Amy Winehouse (a grande ausência do festival, cancelada) “they tried to make me sing at the Oscars, but I said no, no, no!”. Tirou onda com o Grammy e depois da sexta música ameaçou a produção: “seis músicas, já posso ir embora.”
Como se sentisse culpada pelo próprio sucesso, M.I.A. faz questão de se afirmar não-cooptada pelo sistema, fazendo questão de manter a postura rebelde, com tanta vontade que, claro, parece falso.
Problema nenhum ela não ser mais a mesma menina desconhecida que gravava músicas em casa e coloca na internet. Seria mais honesto aceitar que os tempos mudaram e continuar inovando a partir de um novo lugar, em vez de querer repetir o que já fez.
Musicalmente essa crise não deve estar acontecendo e a inclusão de “20 dollar” no repertório taí pra confirmar. A não ser que ela esteja somente preocupada em manter a popularidade que mostrou ter durante o encerramento com “Paper Planes”.
Seria uma grande besteira. Esse caminho tem quer natural, tentar adivinhar o que vai agradar o público pucas vezes dá certo. Basta ela fazer o que ela faz, naturalmente, que o resultado vai continuar muito bom.
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3o dia, domingo
Mexican Institute of Sound, Friendly Fires, Sebastien Tellier, Lykke Li, Peter, Bjorn and John, Yeah Yeah Yeahs, Late of the Pier, My Bloody Valentine, Groove Armada (DJ set), The Orb e Etienne de Crecy

Nunca deixa de surpreender enorme o descompasso entre um dos maiores festivais de música do mundo e as grande mídia local. Ligar o rádio (mesmo a por satélite que pega até no carro) é ter a certeza de que o Coachella (e a interenet por extensão) ainda é um mundo paralelo.
Tirando obviedades como The Killers, não toca nenhuma das bandas do festival. Não que isso seja surpresa, claro. O que toca é hip hop comercial, atochado de auto-tune — Kanye West não está mesmo sozinho nessa.
Basta uma ida ao supermercado ou dirigir uns 20 minutos pra se ouvir Soulja Boy Tell`em e o chiclete “Kiss Me Thru The Phone” (falando nele, já viu a hilária troca de gentilezas do rapper mirim com Ice T?), a irritante “Blame it” (Jamie Foxx com participação do T-Pain) e a bizarra “I Know You Want Me (Calle Ocho)” (Pitbull, uma versão da medonha “75, Brazil Street”, do Nicola Fasano, sampleando Chicago ), ao menos duas vezes cada.
Ainda bem que o último dia trazia algumas das atrações mais esperadas por esse escriba. Era o dia de matar saudades de Londres com alguns shows vistos repetidas vezes por lá.
Mexican Institute of Sound
Pra entrar no clima caliente do deserto, nada melhor do que uma banda latina, no caso o Mexican Institute of Sound, conhecidos em casa como Instituto Mexicano del Sonido, um nome muito mais legal.
Os mexicanos presentes lotaram o segundo palco ao ar livre pra balançar ao som de cumbia digital, tirações de onda com “Macarena” e hip hop temperado com tequila.
Os gringos também entraram na dança e ao final da apresentação a platéia se transformou num grande trenzinho, daqueles dignos de festa de casamento. Energéticos no palco e uniformizados, o MIS fez bonito com as misturas a metaleira, bases eletrônicas e letras divertidas. Mais um pra lista de boas bandas do México.
Friendly Fires, “Paris”
Uma dos nomes mais elogiados em 2008, o Friendly Fires inexplicavelmente tocou num horário terrível (muito cedo) e na menor das tendas.
Mesmo torrando de calor, os ingleses justificaram a fama e fizeram a alegria dos que lotaram o local e de colegas da indústria que se espremiam na lateral do palco, como o dono da Ed Banger Busy P.
Era o tipo de apresentação que cairia melhor a noite, quando a batida disco e rock de pegada eletrônica faria mais sentido. Mesmo assim, o vocalista Ed MacFarlane dançava como se estivesse escutando um som sozinho no seu quarto, rebolando como um Mick Jagger nerd enquanto batia com o microfone na cabeça.
É um show que poderia vir pro Brasil. Difícil dar errado. Pelo que li, quem não tinha visto ao vivo gostou.
Lykke Li, “Knocked up” (KoL)
Sebasiten Tellier logo depois e, dessa vez, não agradou. Demorou um tempão pra começar, acertando o som e, quando entrou, estava tudo embolado. Vestindo uma roupa sem graça, faltou o deboche que marca seus shows. Menos pior, porque não iria dar pra ver inteiro, já que Lykke Li começava antes do fim do francês.
Novamente no palco aberto menor, a loirinha sentou a puia na galera que tostava sob o sol. Toda de preto e pulando sem parar, Lykke Li mostrou um show ainda melhor do que o usual, utilizando suas mil traquitanas e sem se preocupar em posar de gatinha.
Com o público na mão, se arriscou até a tocar balada, o que poderia ser um perigo, uma vez que sob aquele sol qualquer motivo era motivo pra debandar para alguma sombra. Que nada. O pessoal ficou onde estava até o final. A sueca surpreendeu ainda com sua versão de “Knocked up”, do Kings of Leon.
Enquanto isso, aviões passavam deixando mensagens publicitárias escritas com fumaça no céu. Embora tecnicamente executadas a perfeição, era a certeza de que não há mais limite para interrupções consumistas. Mesmo assim, com boa vontade e reenquadramento, ao menos rendeu uma boa foto.

Na caminhada para o show do Yeah Yeah Yeahs, uma passagem estratégica pelo espaço secundário Do Lab onde a água não parava de cair.
Ao som de um hip hop com batidas quase trance (não é o caso do vídeo acima), o cenário do lugar era daqueles que só se encontra nos EUA. A MC iCatching até que não era ruim não.
O palco era decorado com motivos tribais, em cima tinha uns caras fantasiados de sei lá o que, jogando água no povo, numa breguice digna da Disney.
Nessa escalação enigmática do Coachella 2009, pois não dá pra saber exatamente o que ela signfica até saírem os horários dos palcos (o que esse ano demorou muito, sendo divulgado a dias do evento), deu pra perceber desde o começo que haveria bastante repeteco.
Engraçado como isso parece algo ruim. Acostumados a ver as bandas uma vez na vida (ou então 800, quando os artistas adotam o país como segunda casa), nós aqui no Brasil estamos sempre atrás da novidade, do inédito.
Em tempos de internet esse sentimento é potencializado, tornando a perspectiva de ver uma banda pela segunda ou terceira vez em algo menor. Está longe de ser verdade.

Editada pelo criador de “Lost”, J.J. Abrams, a revista Wired desse mês (se você não leu, deveria) tem como tema o mistério. Em seu ensaio , Abrams fala de como, devido a pressa no consumo de informação, estamos perdendo o gosto por descobrir as coisas ao longo de um processo.
Isso pode se enquadrar a música de duas maneiras. No caso das novidades, poucas bandas são escutadas duas vezes. Abrams fala de como hoje se baixa discos que nunca são ouvidos, algo impensável quando se comprava os mesmos.
No caso das bandas repetidas, pode-se pensar no quanto se perde ao trocar uma audição do segundo disco daquela boa banda (ou show) que você já conhece pela pressa de ouvir algo novo, tentando se manter atualizado. Tarefa ingrata essa, se manter atualizado hoje em dia.
Nesse sentido, é legal notar que um festival que tem dez anos como o Coachella tem apenas um DVD lançado. Em vez de todo ano sair um, a organização esperar para ver quais bandas novas realmente vingaram antes de compilar os melhores momentos. O tempo é mesmo o melhor filtro.

Yeah Yeah Yeahs
Guardando energias e atrás de água, o show do Peter, Bjorn & John foi ouvido de longe. Mais um graduando, dessa vez tocando no palco principal, os suecos não decepcionaram e mantiveram a impressão de 2007, quando tocaram numa tenda: são chatos mesmo. Chega a ser inacreditável que um deles tenha produzido o disco da Lykke Li e que juntos tenham composto “Young Folks”.
No final de tarde, o YYY fez um show bom, sem empolgar o suficiente para valer uma caminhada até mais perto do palco. A boa era mesmo ficar sentado curtindo o som e dando uma espiada no telão. A essa altura, no terceiro dia, o julgamento começa a ficar nublado.
Late of the Pier, “The Enemy Are The Future”
Após jantar um taco ao som da massaroca de guitarras do My Bloody Valentine (o show todo soou como uma música só), a noite chegava perto do seu grand finale, que viria antes do final da noite propriamente dita.
As chances do Late of the Pier não emplacar eram grandes, afinal foram escalados pra tocar a noite na maior das tendas, a Sahara, quase exclusivamente dedicada a música eletrônica e derivados.
Os meninos nem ligaram. Como se estivessem tocando num pub em Londres, fizeram o mesmo show de sempre, com as danças e roupas esquisitas, a gritaria, a quebra de andamento, as camadas de sintetizador e a programações esquisítissimas.
O LOTP tem um lance bacana. É uma banda que você olha e imediatamente saca que tem um clima deles. E esse clima se espalha para o resto do que eles fazem, do som ao vestuário a postura no palco, e não o contrário. Numa época com tanta banda tentando se embalar pra parecer o que não é, isso por si só é um grande diferencial.
The Orb
Chumbado e fazendo hora pra conferir o Etienne de Crecy, passei pelo The Orb fugindo do farofento DJ set do Groove Armada (só de “Superstylin” foram umas três versões). No começo tava legal, bem dub, até descambar pra algo bem genérico entre o lounge e o house, tirando totalmente a vontade de continuar ali.
Etienne de Crecy
Botando a tampa, Etienne de Crecy e seu cubo luminoso. O electro do francês é muito bom não é de hoje e os vídeos do tal cubo no YouTube eram animadores. A verdade é que ao vivo o cenário perde um pouco do impacto, as duas dimensões das projeções ficam mais aparentes do que se pode perceber numa tela, vai entender.
Falta também um pouco de personalidade aquilo lá. Por algum motivo, tem mais cara de cenário de uma boate, onde todo DJ toca dentro daquele cubo, do que de um projeto visual feito sob encomenda para alguém.
Exausto, caminhando em direção ao carro, o primeiro assunto começou com a pergunta “e aí, voltamos ano que vem?”. Se tudo der certo, tomara que sim.
3o dia, domingo
Mexican Institute of Sound, Friendly Fires, Sebastien Tellier, Lykke Li, Peter, Bjorn and John, Yeah Yeah Yeahs, Late of the Pier, My Bloody Valentine, Groove Armada (DJ set), The Orb e Etienne de Crecy

Nunca deixa de surpreender enorme o descompasso entre um dos maiores festivais de música do mundo e as grande mídia local. Ligar o rádio (mesmo a por satélite que pega até no carro) é ter a certeza de que o Coachella (e a interenet por extensão) ainda é um mundo paralelo.
Tirando obviedades como The Killers, não toca nenhuma das bandas do festival. Não que isso seja surpresa, claro. O que toca é hip hop comercial, atochado de auto-tune — Kanye West não está mesmo sozinho nessa.
Basta uma ida ao supermercado ou dirigir uns 20 minutos pra se ouvir Soulja Boy Tell`em e o chiclete “Kiss Me Thru The Phone” (falando nele, já viu a hilária troca de gentilezas do rapper mirim com Ice T?), a irritante “Blame it” (Jamie Foxx com participação do T-Pain) e a bizarra “I Know You Want Me (Calle Ocho)” (Pitbull, uma versão da medonha “75, Brazil Street”, do Nicola Fasano, sampleando Chicago ), ao menos duas vezes cada.
Ainda bem que o último dia trazia algumas das atrações mais esperadas por esse escriba. Era o dia de matar saudades de Londres com alguns shows vistos repetidas vezes por lá.
Mexican Institute of Sound
Pra entrar no clima caliente do deserto, nada melhor do que uma banda latina, no caso o Mexican Institute of Sound, conhecidos em casa como Instituto Mexicano del Sonido, um nome muito mais legal.
Os mexicanos presentes lotaram o segundo palco ao ar livre pra balançar ao som de cumbia digital, tirações de onda com “Macarena” e hip hop temperado com tequila.
Os gringos também entraram na dança e ao final da apresentação a platéia se transformou num grande trenzinho, daqueles dignos de festa de casamento. Energéticos no palco e uniformizados, o MIS fez bonito com as misturas a metaleira, bases eletrônicas e letras divertidas. Mais um pra lista de boas bandas do México.
Friendly Fires, “Paris”
Uma dos nomes mais elogiados em 2008, o Friendly Fires inexplicavelmente tocou num horário terrível (muito cedo) e na menor das tendas.
Mesmo torrando de calor, os ingleses justificaram a fama e fizeram a alegria dos que lotaram o local e de colegas da indústria que se espremiam na lateral do palco, como o dono da Ed Banger Busy P.
Era o tipo de apresentação que cairia melhor a noite, quando a batida disco e rock de pegada eletrônica faria mais sentido. Mesmo assim, o vocalista Ed MacFarlane dançava como se estivesse escutando um som sozinho no seu quarto, rebolando como um Mick Jagger nerd enquanto batia com o microfone na cabeça.
É um show que poderia vir pro Brasil. Difícil dar errado. Pelo que li, quem não tinha visto ao vivo gostou.
Lykke Li, “Knocked up” (KoL)
Sebasiten Tellier logo depois e, dessa vez, não agradou. Demorou um tempão pra começar, acertando o som e, quando entrou, estava tudo embolado. Vestindo uma roupa sem graça, faltou o deboche que marca seus shows. Menos pior, porque não iria dar pra ver inteiro, já que Lykke Li começava antes do fim do francês.
Novamente no palco aberto menor, a loirinha sentou a puia na galera que tostava sob o sol. Toda de preto e pulando sem parar, Lykke Li mostrou um show ainda melhor do que o usual, utilizando suas mil traquitanas e sem se preocupar em posar de gatinha.
Com o público na mão, se arriscou até a tocar balada, o que poderia ser um perigo, uma vez que sob aquele sol qualquer motivo era motivo pra debandar para alguma sombra. Que nada. O pessoal ficou onde estava até o final. A sueca surpreendeu ainda com sua versão de “Knocked up”, do Kings of Leon.
Enquanto isso, aviões passavam deixando mensagens publicitárias escritas com fumaça no céu. Embora tecnicamente executadas a perfeição, era a certeza de que não há mais limite para interrupções consumistas. Mesmo assim, com boa vontade e reenquadramento, ao menos rendeu uma boa foto.

Na caminhada para o show do Yeah Yeah Yeahs, uma passagem estratégica pelo espaço secundário Do Lab onde a água não parava de cair.
Ao som de um hip hop com batidas quase trance (não é o caso do vídeo acima), o cenário do lugar era daqueles que só se encontra nos EUA. A MC iCatching até que não era ruim não.
O palco era decorado com motivos tribais, em cima tinha uns caras fantasiados de sei lá o que, jogando água no povo, numa breguice digna da Disney.
Nessa escalação enigmática do Coachella 2009, pois não dá pra saber exatamente o que ela signfica até saírem os horários dos palcos (o que esse ano demorou muito, sendo divulgado a dias do evento), deu pra perceber desde o começo que haveria bastante repeteco.
Engraçado como isso parece algo ruim. Acostumados a ver as bandas uma vez na vida (ou então 800, quando os artistas adotam o país como segunda casa), nós aqui no Brasil estamos sempre atrás da novidade, do inédito.
Em tempos de internet esse sentimento é potencializado, tornando a perspectiva de ver uma banda pela segunda ou terceira vez em algo menor. Está longe de ser verdade.

Editada pelo criador de “Lost”, J.J. Abrams, a revista Wired desse mês (se você não leu, deveria) tem como tema o mistério. Em seu ensaio , Abrams fala de como, devido a pressa no consumo de informação, estamos perdendo o gosto por descobrir as coisas ao longo de um processo.
Isso pode se enquadrar a música de duas maneiras. No caso das novidades, poucas bandas são escutadas duas vezes. Abrams fala de como hoje se baixa discos que nunca são ouvidos, algo impensável quando se comprava os mesmos.
No caso das bandas repetidas, pode-se pensar no quanto se perde ao trocar uma audição do segundo disco daquela boa banda (ou show) que você já conhece pela pressa de ouvir algo novo, tentando se manter atualizado. Tarefa ingrata essa, se manter atualizado hoje em dia.
Nesse sentido, é legal notar que um festival que tem dez anos como o Coachella tem apenas um DVD lançado. Em vez de todo ano sair um, a organização esperar para ver quais bandas novas realmente vingaram antes de compilar os melhores momentos. O tempo é mesmo o melhor filtro.

Yeah Yeah Yeahs
Guardando energias e atrás de água, o show do Peter, Bjorn & John foi ouvido de longe. Mais um graduando, dessa vez tocando no palco principal, os suecos não decepcionaram e mantiveram a impressão de 2007, quando tocaram numa tenda: são chatos mesmo. Chega a ser inacreditável que um deles tenha produzido o disco da Lykke Li e que juntos tenham composto “Young Folks”.
No final de tarde, o YYY fez um show bom, sem empolgar o suficiente para valer uma caminhada até mais perto do palco. A boa era mesmo ficar sentado curtindo o som e dando uma espiada no telão. A essa altura, no terceiro dia, o julgamento começa a ficar nublado.
Late of the Pier, “The Enemy Are The Future”
Após jantar um taco ao som da massaroca de guitarras do My Bloody Valentine (o show todo soou como uma música só), a noite chegava perto do seu grand finale, que viria antes do final da noite propriamente dita.
As chances do Late of the Pier não emplacar eram grandes, afinal foram escalados pra tocar a noite na maior das tendas, a Sahara, quase exclusivamente dedicada a música eletrônica e derivados.
Os meninos nem ligaram. Como se estivessem tocando num pub em Londres, fizeram o mesmo show de sempre, com as danças e roupas esquisitas, a gritaria, a quebra de andamento, as camadas de sintetizador e a programações esquisítissimas.
O LOTP tem um lance bacana. É uma banda que você olha e imediatamente saca que tem um clima deles. E esse clima se espalha para o resto do que eles fazem, do som ao vestuário a postura no palco, e não o contrário. Numa época com tanta banda tentando se embalar pra parecer o que não é, isso por si só é um grande diferencial.
The Orb
Chumbado e fazendo hora pra conferir o Etienne de Crecy, passei pelo The Orb fugindo do farofento DJ set do Groove Armada (só de “Superstylin” foram umas três versões). No começo tava legal, bem dub, até descambar pra algo bem genérico entre o lounge e o house, tirando totalmente a vontade de continuar ali.
Etienne de Crecy
Botando a tampa, Etienne de Crecy e seu cubo luminoso. O electro do francês é muito bom não é de hoje e os vídeos do tal cubo no YouTube eram animadores. A verdade é que ao vivo o cenário perde um pouco do impacto, as duas dimensões das projeções ficam mais aparentes do que se pode perceber numa tela, vai entender.
Falta também um pouco de personalidade aquilo lá. Por algum motivo, tem mais cara de cenário de uma boate, onde todo DJ toca dentro daquele cubo, do que de um projeto visual feito sob encomenda para alguém.
Exausto, caminhando em direção ao carro, o primeiro assunto começou com a pergunta “e aí, voltamos ano que vem?”. Se tudo der certo, tomara que sim.
Late of the Pier, “Heartbeat”
Friendly Fires, “Paris”
Paul McCartney, “Yesterday”
Fechando a tampa desse aquecimento Coachella 2009, três das bandas que mais quero ver.
Franz Ferdinand, “Ulysses” (ao vivo)
De brinde, o relato do Rodrigo sobre o show do Franz Ferdinand (que também toca no Coachella) em Seattle essa semana:
“O show em si continua seguindo a mesma estrutura do que a gente viu no Circo e na Fundição. “You’re so Lucky” e “Take Me Out” no inicio, “Jackeline” reabrindo o bis, “Outsiders” com o pessoal espancando a bateria (mas com uma entrada mais eletrônica do que o normal) e “This Fire” fechando a tampa. No meio disso tudo as novas entraram quase todas, com “No You Girls” bem no início, “Ulysses” fechando a primeira parte e “Lucid Dreams” no meio do bis. Agora, aquela coisa eletrônica no meio da “Lucid Dreams” que eu ficava pensando como seria no show… Bem, foi melhor que no álbum, com os caras trocando de posição, baterista vindo pra platéia, Alex Kapranos assumindo as baquetas, enfim, uma sonzera boa com um telão no fundo bem psicodélico pra dar o tom.”
Partiu Califórnia! Tentarei atualizar de lá, sem promessas.

Late of the Pier - “Fantasy black channel”: Rock e eletrônica em simbiose perfeita, chacoalhando referências de maneira inovadora, somado a melhor programação de bases do ano, há quilômetros de distância do segundo colocado (seja lá qual ele for). Pra não falar das letras alopradas.
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Friendly Fires - “Friendly Fires”: Alguns dos grooves mais ganchudos do ano, de fazer frente a clássicos da disco music, rock-eletrônica em embalagem pop para as massas. Só falta multidão ser avisada para os estádios lotarem.
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Vampire Weekend - “Vampire Weekend”: A bateria mais criativa em muito tempo faz valer cada segundo desse disco, assim como frases de guitarra pegajosas e camadas de teclado bagaceira. Ao vivo as músicas crescem tanto que levantam o próprio disco.
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MGMT - “Oracular spetacular”: Paradoxalmente, a psicodelia retrô dá um passo a frente com um dos nomes mais comentados de 2008, num disco viajandão e coeso, ao mesmo tempo conservador (nas referências), inovador (na forma) e doidão (na musicalidade).
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Lykke Li - “Youth novels”: É música de menina para as garotas e para os rapazes. A sueca Lykke Li atualiza o formato diva para geração 2000, recheanto a performance clássica de chanteuse com atitudes e elementos estranhos ao meio, seja na escolha dos instrumentos, no formato das cancões ou na personalidade carimbada nas músicas pela intérprete.
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Studio - “Yearbook 2″: O remix em sua melhor forma. O segundo disco da dupla sueca reúne trabalhos com tanta personalidade que não apenas ultrapassa as versões originais, como também fazem o conjunto soar como um álbum autoral. Não é pouca coisa.
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Beyond the Wizards Sleeve - “Ark1″: Constantemente envolvido na produção de alguns dos melhores lançamentos de rock e eletrônica (Late of the Pier nesse ano, por exemplo), Erol Alkan esconde-se sob o pseudônimo para experimentar em um projeto prório.
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Little Joy - “Little Joy”: Como diversos bons discos, a estréia do Little Joy desce quadrado nas primeiras audições. Normal. Ultimamente anda tudo tão parecido que quando algo se distancia, pouco que seja, causa estranhamento. E estranhamento é bom demais.
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Wado - “Terceiro mundo festivo”: Chegará o dia que um disco do Wado terá a repercussão que um dos melhores compositores de sua geração merece. Pena que isso acontecerá já após esse excelente “Terceiro Mundo festivo”, onde Wado passeou com muita manha pelo universo da eletrônica, transformando beats em canções.
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Curumin - “Japan pop show”: O primeiro disco era legal, só que não decolava. Nesse segundo, Curumin solta o freio e desce a ladeira samba-rock, esquina com dub, quase em frente ao afrobeat. Endereço complicado, mas fácil de encontrar se o motorista for bom.
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Guizado - “Punx”: Instrumental cabeçudão, esquisitão, bem tocadão, bem gravadão e bonzão.
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Orquestra Contemporânea de Olinda - “Orquestra Contemporânea de Olinda”: O mangue bit encontra os blocos de frevo. Pernambuco pulsa, como sempre.
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Kings of Leon - “Only by the night”: Em seu quarto disco, o KoL quebra a linha ascendente que vinha fazendo, sem no entanto cair, faz uma curva e adentra outro terreno. Menos country rock e mais pop, os elementos caipiras deixam de ser o elemento principal, sentam no banco de trás e enfeitam a paisagem, sem perder a essência rancheira. Pode ser a pressão para estourar em casa, já que “só” fazem sucesso na Europa.
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Essa é a lista, sem nenhum ordem específica além da imposta pela minha memória. Se for lembrando de outros discos (cite os seus favoritos nos comentários), adiciono.
Como passei o ano fora, é uma seleção solitária, de shows que assisti longe de casa, portanto sem muita conexão com o que rolou por aqui. Foi tanta coisa boa que não deu pra encurtar a lista muito não. Em nenhuma ordem específica, segue a lista:
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Radiohead (Victoria Park, Londres)
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Vampire Weekend (Electric Ballroom, Londres)
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Late of the Pier (BarFly, Londres)
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Friendly Fires (KCLSU,Londres)
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Stevie Wonder (O2 Arena, Londres)
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Casiokids (Hoxton Grill, Londres)
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Lykke Li (ICA, Londres)
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Kings of Leon (Brixton Academy, Londres)
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Bloc Party (Circo Voador, Rio)
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Cidadão Instigado (Jockey Club, Rio)
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Sigur Rós (Rock Werchter, Bélgica)
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Justice (Astoria, Londres)
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Soulwax Nite Versions (Rock Werchter, Bélgica)
Do blogue Ohh!Crapp vem uma mixtape singela, com OITENTA E UMA músicas para serem baixadas individualmente.
Basement Jaxx remixando Adele, Breakbot entortanto Late of the Pier, Phones mexendo no Bloc Party, Gui Borato relendo Bomb the Bass, Hot Chip versus Sister of Transistors, Ewan Pearson visitando Hot Chip, Calvin Harris bricando com o Primal Scream, Dissjokke desafiando o Metronomy e depois o Foals, Midnight Juggernauts encarando Damn Arms…
Logicamente, no meio de tantas faixas, tem muita besteira. As boas pode deixar que eu toco na próxima CALZONE.
Tinha certeza que já havia falado do Breakbot por aqui, depois de conhecer através de uma entrevista que o Late of the Pier fez com ele para revista gratuita londrinha The Fly.
Lembrei dele porque o francês remixou “Bathroom gurgle”, novo single do LotP. Sugiro ouvir tudo do cara, bem bom.
Logo mais vejo o Jape, abrindo pro Friendly Fires, show de saideira antes da volta (a despedida ideal seria com um do Late of The Pier). Nunca tinha ouvido falar, conferi o que tinha no MySpace e soou legal. Conto depois se segura ao vivo.
No seu projeto paralelo, LA Priest, Samuel Dust, vocalista do Late of the Pier foca em suas referência eletrônicas, produzindo músicas para pista, sem abandonar as tendências caóticas do seu grupo original.
A ótima “Engine” já ganhou um remix do Erol Alkan e saiu em vinil apenas, por enquanto.
A molecada do Late of the Pier manda avisar que seu disco de estréia “Fantasy black channel” sai em formato físico daqui a duas semanas, mas obviamente… Você já sabe.
E pinta um dos discos do ano. Comece por “The enemy are the future”, se quiser uma porta de entrada mais fácil para o bizarro mundo do LOTP. Mas a boa é cair dentro mesmo.
URBeTV: Late of the Pier
fotos e vídeo: URBe
A dica era quente, veio diretamente de um dos Digitalism, em uma mini-entrevista em novembro de 2007. Desde então, o estranho nome ficou na cabeça: Late of the Pier.
Levou alguns meses até aparecer o primeiro show, quando foram a grata surpresa da noite, abrindo para o Justice no Astoria, seguido por um como atração principal na ULU.
Com o lançamento do disco chegando perto, as apresentações começam a se tornar mais frequentes. E apesar de ainda bem pequenas, também estão ficando maiores e/ou mais relevantes. Essa semana foi a vez do Camden Barfly, um lugar para 200 pessoas. Do jeito que a gente gosta.

The Displacements; fitas demo;
Collapsing Cities; A Place to Bury Strangers
Foi-se o tempo em que bandas fazendo propaganda (seja na TV ou em turnês patrocinadas) era queimação de filme e certeiras acusações de vendida. Nesse estranho mundo novo, é quase um status, atestado de “grandeza”, um grupo estar envolvido em algo assim.
A noite era parte de uma turnê chamada “Levi’s: one’s to watch”, e teve ainda o Collapsing Cities (OK), The Displacements (fraco) e A Place to Bury Strangers (bizarro e bom). Na banquinha que vendia material das bandas, um passo adiante (ou atrás) na nostalgia dos compactos de vinil: fitas demo. Fazia tempo que essas não apareciam.

Late of the Pier
O LOTP não parecia cansado do péssimo show da noite anterior, em Birmingham, como contou o baixista Andrew Faley. Elétricos e derretendo no palco, talvez movidos a MDMA, o quarteto fez a mesma bagunça que vem fazendo, misturando rock, metal, eletrônica, psicodelia e histeria adolescente.
Dia 18 de maio sai o primeiro single, um Lado A duplo, com as músicas “Space and the Woods” e “Focker”. O disco cheio vem na sequência.

Matéria que escrevi sobre o Late of The Pier para a edição de maio de 2008 da revista XLR8R.
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Silver capes and sampler-mashing straight from Castle Donington’s fresh-faced upstarts.
words: Bruno Natal
Yes, Late of the Pier is another weirdly named band of British 20-somethings, totall hyped though they don’t even have a record out yet. Your first reaction might be just to ignore them. But praise from Digitalism, and Erol Alkan’s involvement in producing that yet-to-be-released album, might be enough to get you to one of their gigs. And that, my friend, may lead you to the center of a kaleidoscopic, psychedelic, noisy, stop-start dance-rock maelstrom, where you’ll find yourself surrounded by 18-year-olds and wearing a pair of band-distributed “rainbow trippy goggles”.
On stage, Late of the Pier has so much going on at the same time that it’s almost hard to describe: silver capes, metallic guitarr riffs and screams, frenetic, MPC-triggered 8-bit effects, post-punk drums, distorted disco basslines, and layers and textures from synthesizers that have been carefully placed in golden foil-wrapped boxes. And all of these elements are neatly rolled into recent singles on their Zarcorp label, including “Bears are coming” and “Bathroom Gurgle” (a remix of which shows up on the latest taste-making Kitsuné compilation).
“I think a lot of people that hear us are interested because it just sounds a little bit odd; familiar but… just slightly odd,” explains bassist Andrew Faley. “That confuses them into listening to us a bit more. And that’s when we sink our musical claws into them.”
The foursome’s live set-up — guitar, bass, drums, two synths, and one MPC — came naturally, says Faley. “We originally played just straight bass, drums and guitar. We all listened to a lot of electronic music, from Prodigy and Daft Punk to Lamb, Chris Clark, and Autechre, but never really thought about playing it as a band. Sam [Eastgate, the guitarist and lead vocalist] was sequencing, sampling, and producing electronic music himself and eventually the two collided.”
The Midlands-based band finally decided to add electronic elements into its sound after a group outing to Cut Copy’s first U.K. gig. “They were using a MPC-1000 sampler live. Next week, Sam bought one off eBay and [keyboardist Sam] Potter went from playing one key on a keyboard in one song to mashing a sampler [into everything we do," says Faley.
If it all falls apart, there is a plan B. "Ross [Dawson, the drummer], is going to be a gravedigger after LOTP, and Potter wants to be a glass blower,” explains Faley, who’s obviously been given the task of remembering the band’s retirement plans after some drunken night.
“Sam’s going to collect glass that Potter’s blow. We’ll all still be connected though — I’ll make a film about Ross’ grave-digging, for which I’ll use special glass lenses in the camera. These I’ll buy of Sam, who’ll have collected them from Potter. And the band played on…
URBeTV: LOTP, “The bears are coming”
Tocando para um público de universitários da ULU (centro de estudantes da universidade de Londres), o Late of the Pier mais uma vez bagunçou e criou o caos. A banda está apenas começando, não tem nem disco ainda, apenas singles, alguns deles produzido por Erol Alkan. Promete crescer.
O vídeo acima (”The bears are coming”, lançamento mais recente) foi feito utilizando os óculos caleidoscópicos distribuídos pela banda (o “tainbow trippy goggle”) como filtro. Para uma visão mais careta, assista “Bathroom Gurgle”.

Late of the Pier
vídeo e fotos: URBe
Depois de abrir para o Chemical Brother e para Klaxons em suas duas últimas passagens pela cidade, finalmente o Justice fez um show como atração principal em Londres. O curioso é que, justo esse, foi o mais estranho dos três. Quem se destacou foi a molecada do Late of the Pier.
A banda já havia sido citada por um dos integrantes do Digitalism, em entrevista pro URBe”, no final do ano passado. Pouco depois, apareceram na coletânea Kitsuné Maison 5, com um remix do Fairy Lights para boa “Broken”.
Com integrantes na média de 21 anos, o Late of the Pier faz um rock dançante e sombrio, com fortes referências oitentistas, metal e uso de sintetizadores e, claro. No palco, o quarteto utiliza bateria, guitarra, baixo (esses dois se alternando seus intrumentos com sintetizadores Mini-Korg, com vocoder) e um sampler (MPC 1000) sendo tocado, em vez de simplesmente soltar bases e efeitos.
Late of the Pier
Totalmente alucinados, ao vivo o LOTP soa melhor que nas gravações. Talvez porque o grosso do que saiu até agora (com excessão de dois singles) são versões demo. O disco cheio está previsto para o primeiro semestre desse ano e está sendo produzido por Erol Alkan.
O evento era parte da NME Shockwave Tour, organizado pela revista mais desesperada em lançar candidatos a mais-nova-maior-banda-de-todos-os-tempos (no mínimo, uma por semana). Muito lida por adolescentes, estes eram maioria esmagadora do público.
A turma da frente não parecia simplesmente estar simplesmente esperando o Justice começar. Cantando as letras e pulando sem parar, a coisa beirava o tumulto. Principalmente por conta de uns óculos distribuídos de papel distribuídos antes do show (fazendo propaganda do próximo lançamento, “The bears are coming”), semelhantes aqueles de 3D.
As lentes produziam um efeito caleidoscópico, multiplicando os integrantes, distorcendo as luzes e as cores. A foto logo acima foi tirada utilizando os óculos como filtro e dão uma leve noção. Ninguém via nada direito, desorientação total.
Justice
Pra os que (ainda) acreditam que apresentações de artistas de música eletrônica são todas iguais — “o cara aperta play no computador e depois fica vendo e-mail” — uma sequência de shows do Justice mostra que não é bem assim.
Ainda que as variações possam ser sutis, com diferentes citações ou remixes, especialmente no caso da dupla francesa, barulhenta por natureza, um outro elemento pode fazer diferença: o peso.
Fechando a noite no Astoria, o Justice sentou a mamona, no que deve ter sido uma de suas aparições mais, hmm…, metálicas. Podreira pura. Tanta, que em muitos momentos só dava pra se defender da chuva de cotovelos. Seria bom se tivesse sido um pouco mais dançante.

A levada Jackson 5 de “D.A.N.C.E.” normalmente já vai para o espaço mesmo, via remix do MSTRKRT. Dessa vez, não sobrou nada, todas as músicas foram soterradas pelas pancadas. Coitado de quem vai parar no show levado por “D.A.N.C.E.”.
Não por acaso, o encerramento foi com um remix de “Master of puppets”, do Metallica. Vendo os dois de jaqueta de couro preta, cercados por pilhas de amplificadores Marshall, estava totalmente dentro do contexto.
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