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Os melhores discos de 2008


Late of the Pier“Fantasy black channel”: Rock e eletrônica em simbiose perfeita, chacoalhando referências de maneira inovadora, somado a melhor programação de bases do ano, há quilômetros de distância do segundo colocado (seja lá qual ele for). Pra não falar das letras alopradas.


Friendly Fires“Friendly Fires”: Alguns dos grooves mais ganchudos do ano, de fazer frente a clássicos da disco music, rock-eletrônica  em embalagem pop para as massas. Só falta multidão ser avisada para os estádios lotarem.


Vampire Weekend“Vampire Weekend”: A bateria mais criativa em muito tempo faz valer cada segundo desse disco, assim como frases de guitarra pegajosas e camadas de teclado bagaceira. Ao vivo as músicas crescem tanto que levantam o próprio disco.


MGMT“Oracular spetacular”: Paradoxalmente, a psicodelia retrô dá um passo a frente com um dos nomes mais comentados de 2008, num disco viajandão e coeso, ao mesmo tempo conservador (nas referências), inovador (na forma) e doidão (na musicalidade).


Lykke Li“Youth novels”: É música de menina para as garotas e para os rapazes. A sueca Lykke Li atualiza o formato diva para geração 2000, recheanto a performance clássica de chanteuse com atitudes e elementos estranhos ao meio, seja na escolha dos instrumentos, no formato das cancões ou na personalidade carimbada nas músicas pela intérprete.


Studio“Yearbook 2″: O remix em sua melhor forma. O segundo disco da dupla sueca reúne trabalhos com tanta personalidade que não apenas ultrapassa as versões originais, como também fazem o conjunto soar como um álbum autoral. Não é pouca coisa.


Beyond the Wizards Sleeve“Ark1″: Constantemente envolvido na produção de alguns dos melhores lançamentos de rock e eletrônica (Late of the Pier nesse ano, por exemplo), Erol Alkan esconde-se sob o pseudônimo para experimentar em um projeto prório.


Little Joy“Little Joy”: Como diversos bons discos, a estréia do Little Joy desce quadrado nas primeiras audições. Normal. Ultimamente anda tudo tão parecido que quando algo se distancia, pouco que seja, causa estranhamento. E estranhamento é bom demais.


Wado“Terceiro mundo festivo”: Chegará o dia que um disco do Wado terá a repercussão que um dos melhores compositores de sua geração merece. Pena que isso acontecerá já após esse excelente “Terceiro Mundo festivo”, onde Wado passeou com muita manha pelo universo da eletrônica, transformando beats em canções.


Curumin“Japan pop show”: O primeiro disco era legal, só que não decolava. Nesse segundo, Curumin solta o freio e desce a ladeira samba-rock, esquina com dub, quase em frente ao afrobeat. Endereço complicado, mas fácil de encontrar se o motorista for bom.


Guizado“Punx”: Instrumental cabeçudão, esquisitão, bem tocadão, bem gravadão e bonzão.

Orquestra Contemporânea de Olinda“Orquestra Contemporânea de Olinda”: O mangue bit encontra os blocos de frevo. Pernambuco pulsa, como sempre.

Kings of Leon“Only by the night”: Em seu quarto disco, o KoL quebra a linha ascendente que vinha fazendo, sem no entanto cair, faz uma curva e adentra outro terreno. Menos country rock e mais pop, os elementos caipiras deixam de ser o elemento principal, sentam no banco de trás e enfeitam a paisagem, sem perder a essência rancheira. Pode ser a pressão para estourar em casa, já que “só” fazem sucesso na Europa.

Essa é a lista, sem nenhum ordem específica além da imposta pela minha memória. Se for lembrando de outros discos (cite os seus favoritos nos comentários), adiciono.

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Melhores shows 2008

Como passei o ano fora, é uma seleção solitária, de shows que assisti longe de casa, portanto sem muita conexão com o que rolou por aqui. Foi tanta coisa boa que não deu pra encurtar a lista muito não. Em nenhuma ordem específica, segue a lista:

Radiohead (Victoria Park, Londres)

O show é muito simples e é justamente aí que está o truque. Das timbragens dos intrumentos a execução das canções — mesmo com as constantes mudanças de formação de palco, indo de guitarras, piano, baixo, bateria e programação para voz e violão de uma música para outra — não tem firula.

Vampire Weekend (Electric Ballroom, Londres)

“Bem mais pesados ao vivo do que em disco, o segredo do sucesso da banda talvez resida justamente em saber dosar as influências africanas.”

Late of the Pier (BarFly, Londres)

“O LOTP não parecia cansado do péssimo show da noite anterior, em Birmingham, como contou o baixista Andrew Faley. Elétricos e derretendo no palco, talvez movidos a MDMA, o quarteto fez a mesma bagunça que vem fazendo, misturando rock, metal, eletrônica, psicodelia e histeria adolescente.”

Friendly Fires (KCLSU,Londres)

“Vendo a banda em seu ambiente, tocando para o seu público, algo que havia passado despercebido nas outras apresentações ficou claro: a presença de palco expansiva do vocalista Ed MacFarlane. Como um Mick Jagger nerd, Ed rebola na frente do palco na abertura, com “Photobooth”, se requebra e faz caras para as meninas, que gritam de alegria.”

Stevie Wonder (O2 Arena, Londres)

“O show ia morno, correto, alternando uma música “esquenta o sovaco” com uma “mela cueca” — técnica preferida do grande Tim Maia, como bem lembrou um amigo. Até que no final, uma fila de hits, colados um no outro, mudou tudo. “Overjoyed”, “Signed, sealed, delivered, I’m yours”, “My cherie amour”, “You are the sunshine of my life”, “I just called to say I love you”, “Isn’t she lovely” e a infalível “Superstition” fizeram valer cada centavo.”

Casiokids (Hoxton Grill, Londres)

“Nem vale a pena tentar definir o som do Casiokids. Tem referências bem diversas, de música africana a eletrônica maximalista. A galera no palco e a quantidade de teclados lembra o Hot Chip; a pegada alucinada de pista o Soulwax; os ruídos eletrônicos o Late of the Pier; o teatro de sombras, as cabeças de papel machê e o monstro vermelho que invade a platéia, o Flaming Lips.”

Lykke Li (ICA, Londres)

“Imagine o susto que a M.I.A. tomaria se um dia acordasse presa no corpo da Britney aos 14 anos, de calcinha e com uma vontade incontrolável de se tornar um chanteuse. Taí uma possível descrição da Lykke Li.”

Kings of Leon (Brixton Academy, Londres)

“Sem se repetir e com coragem de experimentar, o mais interessante de acompanhar o KoL é que trata-se de uma das poucas bandas dessa geração que vem constantemente melhorando, seja em disco ou ao vivo.”

Bloc Party (Circo Voador, Rio)

“Contrariando todas as expectativas, o Bloc Party fez um show avassalador nessa segunda a noite, no Circo Voador. Já tinha visto uma vez, em 2006 no Coachella, e tinha achado frouxo. Quem viu em São Paulo nesse finde também comentou que foi morno. No Circo Voador não. O negócio foi sério.”

Cidadão Instigado (Jockey Club, Rio)

“Um dos mais talentosos compositores de sua geração, Fernando Catatau e seu Cidadão Instigado chaparam a tenda do Claro Cine com sua psicodelia, a base de Jovem Guarda, Santana, guitarrada, bagaceiras eletrônicas e letras insanas.”

Sigur Rós (Rock Werchter, Bélgica)

“Com um dos cenários mais bonitos do festival e chuva de papel picado no encerramento contra um céu rosado pelo pôr-do-sol, os islandeses domaram a platéia, conseguindo silêncio geral.”

Justice (Astoria, Londres)

“Fechando a noite no Astoria, o Justice sentou a mamona, no que deve ter sido uma de suas aparições mais, hmm…, metálicas. Podreira pura. Tanta, que em muitos momentos só dava pra se defender da chuva de cotovelos. Seria bom se tivesse sido um pouco mais dançante.”

Soulwax Nite Versions (Rock Werchter, Bélgica)

“Emendando “Gravity’s rainbow” (Klaxons), “NY Excuse” (deles mesmo, explodindo a tenda), “Robot Rock” (Daft Punk) e “Phantom Pt. II” (Justice) fizeram uma das apresentações mais legais da música eletrônica recente (tem notado como os live PAs andam sem graça? ou é comigo?).”

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Os melhores filmes de 2008

“Man on wire”, de James Marsh, foi não apenas o melhor documentário do ano, como um dos melhores já feitos.

“Vicky Cristina Barcelona” foi mais uma aula de Woody Allen. Daqueles filmes que fazem você ficar agradecido pelo sujeito estar vivo e ainda filmando. E de brinde tem a Scarlett e a Penélope no auge.

Os 40 primeiros minutos de “Wall-e”, praticamente sem diálogo nenhum, são um marco, demostrando (para quem ainda tinha dúvidas) que animação 3D não é um gênero, apenas um estilo. Lindo, lindo.

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Current 2008

Em um e-mail enviado para seus colaboradores, a editora criativa da filial inglesa da Current TV elaborou uma lista informal, com categorias criadas por ela própria, com os melhores vídeos exibidos esse ano no canal (que veicula e remunera produções independentes geradas pelos próprios usuários/telespectadores):

Melhores imagens:

 
“Dubai BaseJump”

Melhor edição:


“Living with Narcolepsy”

Melhor conteúdo jornalístico:


“Monsters In Miami”

Melhor formato (um empate):


“This Will Help You Pull”


“And Sexy Girls Have it Easy” 

Melhor história focada em um personagem:


“I’m 80% Girl, 20% Boy”

Mais engraçado:


“I Love Stylophones”

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Tem gente que merece

Já já alguém faz uma versão brasileira desse People Who Deserve It, com personagens locais.

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Negócio duro

A loja Rough Trade separou 50 discos e colocou em votação popular para definir os melhores de 2008. Pena que dormiu no ponto bonito ao não incluir o excelente “Fantasy black channel”, do Late of the Pier, nessa pré-seleção. A lista pode ser um guia para você separar os seus melhores.

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Listas


foto: manu contreras

Tenho muito pouco saco (e talento) para fazer listas, de qualquer coisa, inclusive as de supermercado. Chega a hora de escolher os melhores do ano e esqueço exatamente o que saiu, seja filme, livro ou música.

De maneira geral, essas listas são sempre muito parecidas. Os artistas são os mesmos, só mudam as posições. Existe uma certa obrigação de ranquear os mesmos artistas, como se fosse necessário ter uma opinião sobre determinados lançamentos.

Acabo preferindo listas mais pessoais, sem preocupações de cobrir determinada área ou a obrigação de ouvir/ver/ler tudo. É mais mais legal saber o que diferentes pessoas conheceram naquele ano, principalmente quando as listas são bem diferentes.

O psicopata do Matias já começou com as suas, como a das 50 melhores músicase os 50 melhores discos de 2008.

Vou fazer a minha, sem pretensão ou obrigação de mostrar nada. Tendo passado a maior parte do ano fora, a lista de shows é mais complicada ainda, porque vai acabar ficando em cima de shows que vi sozinho mesmo.

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Choque

Um livro ilustrado, escaneado e organizado em um Flickr, mostrando 30 maneiras de se morrer eletrecutado. É bom evitar.

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2zin

Os maiores maconheiros do cinema.

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Obscuridade

Em tempos de uniformidade via internet, onde tudo vai virando uma coisa só, uma lista (com links para explicações) celebrando sub-gêneros musicais obscuros, do afro-prog ao d-beat, de funana a nonpop.

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Colorido

O primeiro clipe do Little Joy, “Next time around”.

Por falar em little, a palavra é citada na lista negra de nomes de bandas atuais pouco criativos compilada pelo Guardian (Little Jackie, Little Boots, Little Ones), junto com black (Black Lips, Black Affair, Black Mountain, Black Kids, Black Tide, Black Acid, Black Angels), white (White Lies, White Denim e White Rainbow) crystal (Crystal Castles, Crystal Antlers, Crystal Stilts), wolf (Wolfmother, Wolf Parade, We are Wolves, Wolf & Cub) , disco (Simian Mobile Disco, Shitdisco, Dead Disco) e as desbocadas (Holy Fuck, Fuck Buttons, Fucked Up, Jackie O Motherfucker).

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O rock é muito simples


foto: I’mBatman

É possível condensar 50 anos de música em uma única frase. Alguns exemplos:

The Beatles, “I Want to Hold Your Hand”

I want to do it with you.

Elvis Presley, “Hound Dog”

You’re doing it with everyone.

Frank Sinatra, “Strangers in the Night”

I’m drunk and I want to do it with you.

The White Stripes, “My Doorbell”

Using metaphor, I want to do it with you.

Little Richard, “Good Golly Miss Molly”

I’m doing it with Miss Molly, and she’s totally into it.

Duran Duran, “Rio”

I’d love to do that chick dancing on the sand.

Kings of Leon, “Sex on Fire”

I did it with you, and now it hurts when I pee.

Céline Dion, “My Heart Will Go On”

Even your death has not stopped me wanting to do it with you.

A lista continua.

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Wii

Esse e outros 9 outros grandes momentos de Kristen Wiig no Saturday Night Live, incluindo a mentirosa compulsiva, Penelope.

O dia que inserção de publicidade de produtos puder ser feita dessa maneira por aqui, a televisão vai longe.

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Dance


Stiffler, em “American Wedding”: inclusão injusta :)

As dez mais constrangedoras cenas danças do cinema. Dica do Rod.

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Pelo sim ou pelo não


Van Gogh, “Starry night”

Listas, sempre elas. O Guardian listou 1000 discos para NÃO ouvir e 1000 peças de arte para se admirar antes de morrer. Abra seu caderninho.

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Os 100 mais

A Rolling Stone Brasil publicou uma lista com os 100 maiores artistas da música brasileira, eleitos através do voto de 69 convidados.

Eis a minha lista de 25, dividida da maneira que me foi solicitada: os cinco primeiros em ordem de importância e os outros 20 em nenhuma ordem especial, apenas alfabética.

Foi ainda mais cruel do que participar da seleção dos 100 maiores discos da música brasileira.

- Noel Rosa
- Tom Jobim
- Chico Buarque
- João Gilberto
- Jorge Ben

- Caetano
- Cartola
- Chico Science
- DJ Marlboro
- Elis Regina
- Eumir Deodato
- Gilberto Gil
- Hermeto Paschoal
- Lulu Santos
- Maria Bethânia
- Milton Nascimento
- Moacir Santos
- Paulinho da Viola
- Raul Seixas
- Renato Russo
- Roberto Carlos
- Tim Maia
- Tom Zé
- Villa-Lobos
- Zeca Pagodinho

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O melhor de tudo


Juno na briga pelo título de melhor sequência de créditos do cinema. Hein?!

Comemorando 25 anos, a Vanity Fair está compilando listas de 25 melhores em tudo quanto é categoria imaginável, de melhor sequência de créditos do cinema a melhores frases políticas, com votos dos leitores. É uma lista de listas.

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Os 5 melhores discos de 2007 – Brasil

A lista do URBe dos cinco melhores discos brasileiros de 2007.

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Luiz Melodia, “Estação Melodia” (Biscoito Fino)

Pela madrugada, que disco. Luiz Melodia na ponta dos cascos em sua incursão pelo universo do samba, com repertório finíssimo (focado nas décadas de 30, 40 e 50, com algumas músicas de outras épocas) e arranjos classudos de doer. O Negro Gato não titubeia, abrindo logo com sua versão para “Tive sim”, pérola irretocável de Cartola, como quem diz “me garanto”. Depois dessa introdução, o resto é um passeio. Cantando como nunca, segue por composições de seu pai, Oswaldo Melodia (“Não me quebro à toa”) e rasga o peito em “Eu agora fou feliz” (Jamelão e Mestre Galo). É um disco de intérpret, mas com tanta personalidade que é como se não fosse.

Autoramas, “Teletransporte” (Mondo 77)

No atual mercado fonográfico (ou de MP3), é cada vez mais raro uma banda ter a chance de lançar um segundo disco, muito menos ter tempo de ver seu trabalho evoluir. O negócio é tiro curto. Nesse contexto, é muito bom ver que alguns grupos tem a garra de insistir, a coragem de amadurecer. Embora seus outros três trabalhos tivessem ótimos momentos, é com “Teletransporte” que o Autoramas se desprende totalmente do cruzamento de suas muitas referências e começa finalmente a soar… bem, como eles mesmos. Guitarras alucinadas, melodias grudentas e boas letras, envelopadas pela produção impecável da dupla Berna Ceppas & Kassin.

Leia a entrevista com a banda sobre o disco, feita em setembro de 2007.

China, “Simulacro” (Candeeiro)

Com apenas um EP lançado antes do seu primeiro disco, o nome de China quase sempre vem acompanhado de parênteses: ex-Sheik Tosado, parceiro do Mombojó, cantor da banda tributo a Roberto Carlos Del Rey. Com calma, sem pressa, o pernambucano foi lapidando esse “Simulacro”, produzido pelo baterista da Nação Zumbi, Pupilo. China mistura todas as referências pelas quais é conhecido, de Jovem Guarda a Iggy Pop, de João Gilberto a Portishead, rodeado pelos conterrâneos do Mombojó, Bonsucesso Samba Clube e o próprio Pupilo. Ao som de rock e sambas psicodélicos, um aviso: “Nunca mais vou te deixar, pois agora sou uma canção”. Suinga, suinga.

Hurtmold, “Hurtmold” (Submarine)

O disco homônimo é sempre um marco na carreira de um grupo. Espécie de síntese conceitual, é um trabalho que, pelo título, sempre chama atenção numa discografia, principalmente quando não é o primeiro. Enquanto algumas bandas se sentem confortáveis em fazer isso logo na estréia (o Rage Against the Machine é um bom exemplo), outras levam mais tempo. Em “Hurtmold” (título que torna cruel a missão de encontrar o disco para baixar), o quarto do septeto paulistano (descontando-se EPs e splits), o post-rock encontra percussões com acento africano, metais de afrobeat, linhas de baixo cavalares e ambientações enviezadas. Se era onde eles queriam chegar, só eles podem responder. Pra quem ouve do lado de cá, está bom demais.

Orquestra Imperial, “Carnaval só ano que vem” (Som Livre / Ping Pong Discos)

Bailes atrás de bailes, um gravação pirata de uma apresentação no Ballroom (RJ) e um EP depois, a Orquestra Imperial atende aos apelos e estréia oficialmente em disco. Contrariando a lógica de gravar o repertório de versões do shows, a banda optou por músicas próprias, fortemente influenciadas pela gafieira que une os integrantes, sutilmente atualizadas e com um pouco da personalidade dos zilhões de trabalhos individuais de cada um dos seus 18 componentes. Um disco novo que soa como antigo ou um disco antigo novo. Tanto faz. É um clássico.

+ Dicas dos leitores:

Lucio K:
Maria Rita, “Samba meu”
Teresa Cristina, “Delicada”

Pedro Seiler
Siba e a Fuloresta, “Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar”

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Rolling Stone, Outubro/2007

Fui convidado para votar e resenhar algumas bolachas para lista dos 100 maiores discos da música brasileira, publicada na Rolling Stone Brasil 13.

Com a edição fora das bancas, seguem os textos.

De brinde, a minha lista completa, sempre mutante.

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Os 20 (em nenhuma ordem específica):

“A tábua de esmeralda”, Jorge Ben

“Coisas”, Moacir Santos

“Da lama ao caos”, Chico Sciense & Nação Zumbi

“Bloco do eu sozinho”, Los Hermanos

“Nadadenovo”, Mombojó

“Disfarça e chora”, Cartola

“Lado B, Lado A”, O Rappa

“Ando meio Desligado”, Mutantes

“A bad Donato”, João Donato

“Prelude”, Deodato

“Racional”, Tim Maia

“Os afrosambas”, Baden Powell e Vinícius de Moraes

“Chega de saudade”, João Gilberto

“Construção”, Chico Buarque

“Estudando o Samba”, Tom Zé

“Transa”, Caetano Veloso

“A dança da solidão”, Paulinho da Viola

“Roberto Carlos (1970)”, Roberto Carlos

“Funk Brasil”, DJ Marlboro

“Edison Machado é samba novo”, Edison Machado

“Transa”

Caetano Veloso
1972 – Phillips

Gravado em Londres em 1971 e lançado no Brasil em 1972, “Transa” foi o terceiro e último disco gravado por Caetano Veloso no exílio e o primeiro a sair após seu retorno ao país (desconsiderando “Barra 69″, que saiu antes, mas foi gravado ao vivo com Gilberto Gil, antes dos compositores irem “passear” na Inglaterra, à convite da ditadura). Se pode-se dizer que algo de bom pode ser extraído de um exílio, o encontro de um tropicalista com uma cultura extrangeira, in loco, é um bom exemplo. Intercalando letras em inglês (cinco no total) com versos do poeta Gregorio de Mattos (“Triste Bahia”) e um samba de Monsueto de Arnaldo Passos (“Mora na filosofia”), “Transa” é auto-biográfico até o osso. Fala sobre estar sozinho e longe de casa (“You don’t know me”) e de como incorporar o choque cultural, como a citação ao reggae na Portobello Road, em “Nine out of ten”, que Caetano já afirmou ser a primeira gravação brasileira a citar os compassos do ritmo caribenho. Talvez pela distância, pela falta de olhares vigilantes, Caetano nunca tenha sido tão Caetano.

“Da Lama ao Caos”

Chico Science & Nação Zumbi
1994 – Chaos (Sony)

1994 foi um ano de renovação musical intensa, um momento chave para música brasileira. E o principal fato dessa renovação foi o lançamento do disco “Da lama ao caos”. Reza a lenda que a gravadora contratou Chico Science & Nação Zumbi no escuro, pensando ter encontrado, em Recife, uma resposta para o fenômeno de vendas do axé É o Tchan!, colocando no mapa não apenas uma das mais criativas bandas do país, mas boa parte da cena de Pernambuco, o Mangue Bit e seu manifesto. A mistura de maracatu, rock, hip-hop, dub e música eletrônica era tão inovadora e abrangente que continua repercutindo até hoje.

“A Bad Donato”

João Donato
1970 – Blue Thumb Records (EUA)

Morando nos EUA, Donato ganhou carta branca da gravadora para fazer o disco que quisesse, com direito a uma boa verba para adquirir equipamentos,. Decidiu então fazer experimentos com sintetizadores e pianos elétricos. Montou uma banda assustadora (incluindo Dom Um Romão, Emil Richards, Bud Shank e integrantes da orquestra de Stan Kenton), convidou o arranjador Eumir Deodato e gravou “A bad Donato”. Declaradamente influenciado por James Brown e Jimi Hendrix, o disco (tido como um marco do jazz fusion) faz uma fusão genial do funk com música brasileira.

“Bloco Do Eu Sozinho”

Los Hermanos
2001 – Abril Music

Após uma exposição nacional massiva e massificante, provacada pelo hit Anna Júlia, o Los Hermanos surpreendeu sua gravadora, a imprensa e, principalmente, seus fãs com a mudança de direção proposta pelo “Bloco do eu sozinho”. Em vez de seguir a fórmula do sucesso, que implorava por outra anna-qualquer-coisa, a sonoridade ska-hardcore-pop do primeiro disco deu lugar a andamentos quebrados, melodias intrincadas e letras reflexivas. Como num recomeço, voltaram a tocar em lugares pequenos e renovaram de seu público, que se cristalizaria no terceiro disco e tomaria proporções messiânicas no quarto. O culto começou aqui.

“Ando Meio Desligado”

Os Mutantes
Polydor – 1970

Não é tarefa fácil competir com discos como “Jardim Elétrico” ou o homônimo “Os Mutantes”, porém faixas como “Desculpe babe” e “Ando meio desligado” – talvez o maior clássico da banda – pesam a favor. Admirado no exterior por nomes como Beck, David Byrne e Kurt Cobain, o disco tem arranjos de Rogério Duprat e marca o distanciamento dos Mutantes do movimento tropicalista, aproximando-se mais do rock e da psicodelia, embora seja praticamente impossível definir um estilo, tamanha é a variaçao temática das canções. Você nunca mais verá seu refrigerador da mesma maneira.

“Quem é Quem”

João Donato
1973 – Odeon

O time reunido em “Quem é quem” por João Donato é forte, como quase sempre é em seus discos. Dori Caymmi e Laércio de Freitas assinas arranjos e Marcos Valle é o assistente de produção, enquanto o baixista Bebeto, o percussionista Naná Vasconcelos e outros músicos acompanham o pianista no estúdio. Donato finalmente se permite cantar, inaugurando um estilo inconfundível. Lançado um ano depois do retorno de Donato ao Brasil, após mais de uma década nos EUA, o disco é um reencontro do pianista com o samba-jazz, envenenado e entortado por seus experimentos elétricos no exterior.

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