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Super Taranta

Puxados pela energia infinita do amigo da Madonna, o violonista e vocalista Eugene Hütz, o Gogol Bordello fez uma apresentação tão bombástica quanto a de dezembro passado — novamente com ingressos esgotados — em Londres, dessa vez na Brixton Academy.

Comece a vestir roxo.

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The harder they come

Harder They Come4.jpg
foto: Carol*

Ao montar o musical “The harder they come”, baseado no filme homônimo de 1972, dirigido por Perry Henzell, a companhia Theatre Royal Stratford East se lançou numa tarefa arriscada.

Além de ser celebrado como o primeiro filme a retratar fielmente a dura vida nos guetos jamaicanos, “The harder they come” não apenas catapultou a carreira de seu protagonista, Jimmy Cliff, como a trilha sonora é considerada a responsável por apresentar o reggae para o mundo de forma massiva — até o lançamento da coletânea “Legend”, do Bob Marley, em 1984, era o disco mais vendido das história do gênero.

Portanto, transpor para o palco em todos os detalhes a história de Ivanhoe Martin, saído do interior para Kingston, em busca de uma carreira no disputada indústria musical jamaicana, não podia ser fácil.

Com um excelente elenco de atores-cantores-dançarinos, uma banda cravada no meio do palco, um cenário minimalista red-gold-green e a boa escolha do protagonista, a transformação do ingênuo Ivanhoe no rude bwoy Rhyging em cena funciona perfeitamente.

Naturalmente, com uma enorme comunidade na Inglaterra, jamaicanos e descendentes ocupam cerca de metade dos lugares do teatro, rindo sem parar das histórias de casa, provavelmente lembrando de suas dificuldades pessoais, quando trocaram seu país pela Inglaterra.

No entanto, a saga de Ivanhoe é uma história universal. Fala diretamente a quem precisa ou já precisou correr muito atrás pra fazer as coisas acontecerem (ou seja, todo mundo), embora o final nem sempre seja feliz.

Não é o caso da própria peça ou da própria colônia jamaicana na Inglaterra. Em sua segunda temporada, agora no cultuado Barbican Centre, o musical é um sucesso de crítica e público.

A platéia inteira de pé e dançando ao final do espetáculo — num lugar onde é proibido se levantar durante um espetáculo, mesmo os de música — é um espelho disso.

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G1, 11/Mar/2008

SanyPitbull_Fabric.jpg
foto e vídeo: URBe

Cobertura da passagem de Sanny Pitbull na Fabric, Londres, que escrevi para o G1.

Sany Pitbull leva funk carioca para templo da eletrônica em Londres

DJ se apresentou na Fabric, tradicional casa da capital britânica.
Ele também misturou hits do pop em sua apresentação.

Não é mais novidade que o funk anda entortando cinturas fora do Brasil. A apresentação do DJ Sany Pitbull na Fabric, uma das boates mais conhecidas de Londres (famosa pelas coletâneas que lança, mixadas pelos principais nomes da cena eletrônica mundial) é apenas o capítulo mais recente dessa invasão.

As batidas de Kraftwerk, Afrika Bambaataa e o Miami Bass pousaram nos bailes black dos subúrbios do Rio no início dos anos 80, sendo absorvidas e transfomadas no som simplesmente conhecido hoje como funk. Por volta de 2003, quando o DJ Marlboro já havia tocado no Central Park, em Nova York, o funk foi “descoberto” por nomes como o produtor norte-americano Diplo ou a cantora anglo-cingalesa M.I.A e ganharam o mundo.

O set de Sany Pitbull na Fabric, apesar de não ser um fato de todo inédito (o próprio Sany tem feito turnês por toda Europa), marca um momento importante. Não se trata mais de ser reconhecido por entendidos do assunto ou aparecer em eventos especializados fora do país. As sextas-feiras da Fabric atraem um público gigantesco, gente “normal”, que paga caro (cerca de R$ 50) simplesmente para escutar boa música eletrônica (e encher a cara).

Não é tarefa fácil lotar a pista principal de um lugar desses, que conta ainda com outras duas pistas. Mais difícil ainda se o seu som for estranho aos ouvidos do público, majoritariamente formado por ingleses e outros estrangeiros (a julgar pelos movimentos labiais de quem cantava clássicos como “Rap das armas”, de “Tropa de elite”, com direito a “bonde”, havia bem poucos brasileiros). Botar o lugar fervendo, com gente rindo até a orelha então, nem se fala.

Para ganhar o público, além de músicas de parceiros do Carioca Funk Clube (“Electro Bass”, do DJ Phabyo, entre elas) e “Popozuda rock n roll” (De Falla), como um 2ManyDJs tupiniquim, Sany fez uma mistureba funk pra lá de pop, emendando:

“Da Funk” (Daft Punk), “Sweet dreams” (Eurythmics), “We will rock you” (Queen), “Otherside”(Red Hot Chilli Peppers), “Seven Nation Army” (White Stripes), “Sweet child O’mine” (Guns n’ Roses), “Satisfaction” (Beni Benassi), “Come as you are” em que o baixo vibra como um berimbau (Nirvana), “Satisfaction” (Rolling Stones), “Owner of a lonely heart” (Yes), “Your love” (Outfield), “Rap das armas” (Cidinho e Doca) e uma seqüência de James Brown. Ufa

Sany tem se diferenciado de outros produtores de funk por estar apostando na vertente instrumental do gênero, utilizando pouco, ou quase nenhum, vocal em suas músicas. Em vez disso, tem experimentado com sonoridades pouco comuns ao universo do funk, utilizando de barulhos de construção a gongos orientais em suas produções. A bagunça foi batizada de “pós-baile funk” pelos alemães do selo que lança os discos do Pitbull.

O grande destaque foi o remix ao vivo assassino, na MPC (um sampler eletronico), de “We are your friends”, do Justice (que por sua vez é um remix de “Never be alone”, do Simian), um sucesso que já deve ter cansado os ouvidos, já que vem sendo tocado insistentemente há pelo menos três anos. Mas nunca desse jeito.

Sinden, DJ conhecido na cidade e que tocaria na seqüência, olhava embasbacado Sany batucar na MPC. Sério, como sempre, Pitbull permaneceu concentrado. Era só mais um baile e as cinco da manhã ele tinha que estar no aeroporto.

Abaixo assista o DJ Sany Pitbull entortando o remix de “We are your friends”:


DJ Sany Pitbull @ Fabric

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LOTP


URBeTV: LOTP, “The bears are coming”

Tocando para um público de universitários da ULU (centro de estudantes da universidade de Londres), o Late of the Pier mais uma vez bagunçou e criou o caos. A banda está apenas começando, não tem nem disco ainda, apenas singles, alguns deles produzido por Erol Alkan. Promete crescer.

O vídeo acima (“The bears are coming”, lançamento mais recente) foi feito utilizando os óculos caleidoscópicos distribuídos pela banda (o “tainbow trippy goggle”) como filtro. Para uma visão mais careta, assista “Bathroom Gurgle”.

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ET


Ellen Allien
URBe Fotos

A dona do eletechno (bom, talvez só tenha ela na jogada mesmo), Ellen Allien, fez um set assustadoramente influenciado pelo dub na festa Wet Your Self, domingo passado na boate Club Aquarium, em Londres.

Foi uma saraivada de efeitos, graves e batidas tortas tão desconcertante que, nas primeiras três músicas, a pista simplesmente não se mexeu. Depois de assimilados os golpes, ficou mais fácil entrar na onda proposta pela alemã.

Em comum, quase todas as músicas escolhidas tinham batidas eletrônicas com padrões percussivos tribais. Não era samples de atabaques ou nada que se assemelhasse a um tamborzão, era bem mais sútil, tem a ver com a programação das batidas.

Não teve nada da fase hippie viajandona dos discos “Thrills” ou “Orchestra of bubbles” (esse em co-produzido com Apparat). No entanto, teve algumas das mixagens mais estranhas já ouvidas.

Em vez das músicas se sobreporem de maneira quase imperceptível, as transições eram bem marcadas. Mal comparando, soava como dois ou três vídeos do YouTube tocando ao mesmo tempo acidentalmente (acontece…), misturando vozes, porém sem soar como um barulho desagradável.

A soma dos sons criava uma camada atmosférica, quase um mantra, que de repente era cortado por um bumbo, reto e macio, empurrado por porradas de grave. Como ela fez isso utilizando apenas dois toca-discos não ficou claro, talvez as faixas já tenham essas características.

Pouco importa. O resultado é que interessa.

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Roni Size de volta

Enquanto o retorno do Portishead monopoliza a mídia e o Massive Attack promete trabalho novo para esse ano, outra banda de Bristol corre por fora na disputa por atenção.

Comemorando dez anos do lançamento do clááássico “New Forms” (na verdade faz 11 anos, o disco é de 1997), o Roni Size Reprazent está de volta aos palcos, numa mini-turnê pela Inglaterra que pousou no Scala, em Londres.

Parece que foi ontem. E vai ver foi mesmo. Hoje em dia basta parar dois anos para já falarem em reunião.

Estão cantando essa bola há um tempo: o drum ‘n’ bass irá ressurgir. Não que tenha ido muito longe, não faz tanto tempo assim que o gênero estava no topo de qualquer lista. Na apresentação dessa terça (a melhor da estada londrina desse escriba, até aqui), Roni Size relembrou porquê.

Com o Reprazent de volta, pode ser mesmo que algo esteja borbulhando no submundo do drum ‘n’ bass.

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G1, 18/Fev/2008

A íntegra da entrevista em vídeo que fiz com o Friendly Fires foi publicada no G1.

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Friendly Fires tenta confirmar burburinho em torno da banda

G1 entrevista novo nome da cena londrina
Grupo é comparado a Rapture e a LCD Soundsystem

Desde que lançaram, no ano passado, o compacto com “Paris”, faixa com influência de pós-punk, tecladinho viajante e um refrão que não sai da cabeça, o Friendly Fires vem sendo apontado como a próxima grande banda da Inglaterra.

Vá lá que em Londres surge, em média, ao menos uma grande banda por semana. Ainda assim, o Friendly Fires parece estar acima da média.

Logo depois de um show gratuito – patrocinado por uma revista e uma loja de roupas – no 93 Ft. East (mesmo lugar onde o Radiohead tocou também de graça em janeiro), o trio topou se espremer no banheiro do camarim para uma entrevista. Era o único lugar disponível para gravar o papo sem intereferência dos sons do show do Black Kids.

Ed MacFarlane (vocal e guitarra), Edd Gibson (guitarra), Jack Savidge (bateria) falam sobre ser a banda da vez, tocar de graça e uma possível visita ao Brasil.

G1 – Como a banda está indo? Vocês têm recebido bastante atenção. Já tocaram no exterior?
Ed MacFarlane –
Tocamos na Europa e tem sido ótimo. Ainda não nos aventuramos nos EUA, mas estamos empolgados para fazer isso.
Edd Gibson – Estamos apostando no sonho de dar a volta ao mundo.

G1 – Está dando certo?
Gibson –
Sim, em 2008 estaremos na sua região.
Jack Savidge – Ou então em 2009.
MacFarlane – Provavelmente será em 2009!
Edd Gibson – Enviem suas doações e nós vamos economizar para comprar a passagem de avião.
Savidge – Nós ainda vamos existir.

G1 – Toda semana aparece uma nova banda da vez e vocês, aparentemente, são a próxima da fila. Como vocês lidam com isso?
Gibson – Hoje é quarta, estamos aproveitando ao máximo. Tivemos dois dias de fama total, ainda temos mais quatro!

G1 – Como isso pode afetar uma carreira? Boas bandas podem ser obrigadas a ceder a vez para uma próxima.
Ed MacFarlane – Tudo se resume a canções. Se você tiver boas canções, que ficam na cabeça das pessoas…
Savidge – Você vai levando. Uma hora você está por cima, outra está por baixo e eventualmente as coisas se acertam.
Gibson – Nós acabamos de começar, não vamos parar agora.

G1 – Há quanto tempo vocês estão juntos?
Gibson – Cerca de um ano [risos].
MacFarlane – Nós tocamos juntos desde que temos 13, 14 anos, mas montamos a banda há um ano… (pausa) Realmente está com cheiro de xixi aqui, não está?
Gibson – Sim, está!

Savidge – Nós formamos o Friendly Fires há um ano e meio, mas nos conhecemos e tocamos juntos há uns seis ou sete anos.

G1 – O show de hoje foi gratuito. Primeiro foram os downloads de graça, depois, há cerca de um mês, o Radiohead fez um show grátis nesse mesmo lugar e agora vocês estão aqui também tocando de graça. Aposto que vocês estão sendo pagos por alguém, mas o público entrou sem pagar. A música está perdendo valor, ao ponto que até os shows terão que ser gratuitos?

Savidge – Acho que o dinheiro está perdendo valor, está saindo de moda. A gratuidade vai tomar conta de tudo.
MacFarlane – Essa noite, por exemplo. Se uma grande companhia quer fazer um evento, ela vai pagar bandas para tocarem. E bandas querem dinheiro, não dá pra sobreviver sem.
Savidge – Bandas precisam de dinheiro!
MacFarlane – Exato. Nós estamos…
Gibson – No vermelho, basicamente.
MacFarlane – É deprimente, mas você tem que se virar com o que aparece.
Savidge – Não é tão deprimente assim [risos].

G1 – Vocês acham que o público está ficando mal acostumado? Eles só vão querer o que for de graça?
Savidge –
O público londrino está ficando mal acostumado. Os londrinos precisam…
Gibson – … apreciar o que têm. Talvez todos os shows deveriam ser banidos em Londres por um tempo, assim as pessoas apreciariam mais o que tocar na cidade. Há tantos lugares em que bandas raramente vão que, quando qualquer evento aparece, eles acham fantástico. É melhor ir para lugares onde as pessoas não são tão mal acostumadas. Se você for para mais longe, encontrar um público que dá mais valor.
MacFarlane – Os londrinos são mimados, é assim que as coisas são.

G1 – Quantas vezes vocês já foram confundidos com o Arcade Fire?
Gibson – Nenhuma! Você é o primeiro!
MacFarlane – Que bom que você tocou no assunto. Fantástico!
Savidge – Você pensou que fosse ver o Arcade Fire hoje?
Gibson – Você não vai conseguir espremer todos eles num banheiro [o Arcade fire tem sete integrantes].
MacFarlane – O empresário deles não os deixaria dar entrevista num banheiro fedendo a xixi.

G1 – Vocês são muito comparados ao Rapture ou The Killers?
MacFarlane – The Killers não, mas Rapture sim, ocasionalmente.
Savidge – Não tanto o Rapture.
MacFarlane – LCD Soundsystem, Rapture…
Savidge – Já escutamos tudo isso antes.

G1 – Para terminar, se a banda não der certo, vocês tem um plano B?
Gibson – Vou entrevistar bandas em banheiros.
MacFarlane – Minha mãe vai me levar sopa no quarto, vou ficar na cama o dia todo e chorar o resto da minha vida.

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Corta e copia

É o New Order? É o Hot Chip? É uma rave dos anos 90? Não, é o Cut Copy. Bem mais pesados ao vivo do que em disco, os australianos se apresentam tocando instrumentos e não samplers, diferente do que o som das gravações ou da coletânea para série FabricLive podem fazer parecer. Bom show, divertido, um tanto “chovendo no molhado”, mas tudo certo.

Depois deles, um dos grupos com os melhores nomes da atual leva tomaram conta do palco do Koko: Hadouken! — grito do Ryu ao soltar sua magia no jogo Street Fighter. Falta agora uma banda brasileira chamada Ataque das Corujas, para celebrar aquela voadora em rodopio do mesmo herói.

Pena que a criatividade pára por aí. O início do show com anúncio do vocalista de que iria “começar uma festa new rave“, desembocando num repertório de um sub-Klaxons (e isso não pode ser bom) com toques de Limp Bizkit afundam qualquer banda.

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Pancadas

Depois de abrir para o Chemical Brother e para Klaxons em suas duas últimas passagens pela cidade, finalmente o Justice fez um show como atração principal em Londres. O curioso é que, justo esse, foi o mais estranho dos três. Quem se destacou foi a molecada do Late of the Pier.

A banda já havia sido citada por um dos integrantes do Digitalism, em entrevista pro URBe”, no final do ano passado. Pouco depois, apareceram na coletânea Kitsuné Maison 5, com um remix do Fairy Lights para boa “Broken”.

Com integrantes na média de 21 anos, o Late of the Pier faz um rock dançante e sombrio, com fortes referências oitentistas, metal e uso de sintetizadores e, claro. No palco, o quarteto utiliza bateria, guitarra, baixo (esses dois se alternando seus intrumentos com sintetizadores Mini-Korg, com vocoder) e um sampler (MPC 1000) sendo tocado, em vez de simplesmente soltar bases e efeitos.


Late of the Pier

Totalmente alucinados, ao vivo o LOTP soa melhor que nas gravações. Talvez porque o grosso do que saiu até agora (com excessão de dois singles) são versões demo. O disco cheio está previsto para o primeiro semestre desse ano e está sendo produzido por Erol Alkan.

O evento era parte da NME Shockwave Tour, organizado pela revista mais desesperada em lançar candidatos a mais-nova-maior-banda-de-todos-os-tempos (no mínimo, uma por semana). Muito lida por adolescentes, estes eram maioria esmagadora do público.

A turma da frente não parecia simplesmente estar simplesmente esperando o Justice começar. Cantando as letras e pulando sem parar, a coisa beirava o tumulto. Principalmente por conta de uns óculos distribuídos de papel distribuídos antes do show (fazendo propaganda do próximo lançamento, “The bears are coming”), semelhantes aqueles de 3D.

As lentes produziam um efeito caleidoscópico, multiplicando os integrantes, distorcendo as luzes e as cores. A foto logo acima foi tirada utilizando os óculos como filtro e dão uma leve noção. Ninguém via nada direito, desorientação total.


Justice

Pra os que (ainda) acreditam que apresentações de artistas de música eletrônica são todas iguais — “o cara aperta play no computador e depois fica vendo e-mail” — uma sequência de shows do Justice mostra que não é bem assim.

Ainda que as variações possam ser sutis, com diferentes citações ou remixes, especialmente no caso da dupla francesa, barulhenta por natureza, um outro elemento pode fazer diferença: o peso.

Fechando a noite no Astoria, o Justice sentou a mamona, no que deve ter sido uma de suas aparições mais, hmm…, metálicas. Podreira pura. Tanta, que em muitos momentos só dava pra se defender da chuva de cotovelos. Seria bom se tivesse sido um pouco mais dançante.

A levada Jackson 5 de “D.A.N.C.E.” normalmente já vai para o espaço mesmo, via remix do MSTRKRT. Dessa vez, não sobrou nada, todas as músicas foram soterradas pelas pancadas. Coitado de quem vai parar no show levado por “D.A.N.C.E.”.

Não por acaso, o encerramento foi com um remix de “Master of puppets”, do Metallica. Vendo os dois de jaqueta de couro preta, cercados por pilhas de amplificadores Marshall, estava totalmente dentro do contexto.

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Friendly Fires – Entrevista

Entrevista exclusiva com a banda-da-vez-da-semana eleita pela volátil imprensa inglesa, o Friendly Fires.

Após o show gratuito em Londres, no 93 Ft. East — mesmo lugar onde o Radiohead também tocou de graça no começo do ano, do tamanho do Teatro Odisséia, no Rio — a banda se expremeu no banheiro e falou sobre o hype, Brasil e sobre apresentações grátis.

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Decapitator, o vídeo

O degolador de Londres atacou novamente. Dessa vez a ação foi registrada em vídeo e o alvo foi um pouco diferente.

Em vez de outdoors e anúncios em pontos de ônibus, The Decapitator escolheu um anúncio do London Paper, jornal de grande circulação e distribuído gratuitamente todo final de tarde nas entradas das estações de metrô.

O interessante é que uma das pessoas que recebeu uma cópia do jornal aleatoriamente, reconheceu o trabalho, guardou, tirou uma foto e publicou no seu Flickr no mesmo dia, antes mesmo do autor.

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Decapitando

Batizado pela imprensa como The East London Decapitator, esse artista gráfico anônimo tem decapitado personagens de peças de publicidade nas redondezas do mesmo bairro onde Jack, O Estripador cometeu suas barbaridades.

Apesar de estar acontecendo na região de Londres onde — dizem — a concentração de artistas é maior que a soma do resto da Europa, a ação tem chamado atenção da imprensa. As cabeças rolaram e foram parar nos saites da Wired, Complex, Wooster Collective e até em um vídeo da alemã Der Spiegel.

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Punk Cigano


URBe Fotos

Numa época que bandas inexperientes, ou pior que isso, sem a menor idéia do que se fazer ao vivo em cima de um palco (o que, em muitos casos, poderia resolver o problema), sob a justificativa da “revolução da internet” apresentam porcamente seus MP3s nas principais cidades do planeta, um SHOW, com letras maiúsculas, como o do Gogol Bordello colocam as coisas em perspectiva.

Houve um tempo — não tão distante — em que não bastava aparecer igualzinho ao fotolog debaixo dos holofotes para se protagonizar um espetáculo. Era preciso, no mínimo, um pouco mais de carisma e talento — coisa que muitos nomes dessa geração possuem, somente não se dão o tempo de desenvolvê-lo antes de se profissionalizar virtualmente.

Diferente do batalhão que têm o Coachella, a maior concentração de bandas pequenas do planeta, como olimpo e objetivo final (sem saber o que fazer depois que, rapidamente, chegam lá; vide Clap Your Hands Say Yeah, Peter, Bjorn & John e outros tantos), o Gogol Bordello, que já passou pelo deserto californiano sem que isso tenha significado seu auge, tem um plano mais bem traçado.


Gogol Bordello

Pode ser que o fato de assistir ao show sentado num teatro (Hammersmith Apollo) influencie na leitura de que a performance é metade da apresentação, como no caso dos brasileiros do Brasov, Móveis Coloniais de Acaju ou Cordel do Fogo Encantado.

Seja como for, a mistura de sonoridades do leste europeu, acordeon, punk, dub via The Clash, dançarinas, coreografias e a figura central do vocalista/violonista Eugene Hütz, cantando, pulando, brincando com os roadies em cena ou dando esporro no segurança que tenta o impedir de pular na platéia, atrai muito mais que os frequentadores do MySpace.

Famílias inteiras assistiam ao show, como se fosse uma ida ao teatro, em vez de um show de punk. Gente que não conhecia nada da banda, se divertia tanto quanto os fãs vestidos a caráter, com camisetas rasgadas e com desenhos de estiligues, o logo do Gogol, feitos a mão.

Na banquinha, os discos eram vendidos a 10 pounds, metade do preço da camiseta. O grande produto do Gogol Bordello é o seu show. Como andam repetindo muito por aí, a grande saída para crise no mercado.

A diferença é que eles, de fato, tem um para vender.

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Reuniões


Led Zeppelin, “Stairway to heaven”

Eu tentei. Fui até a porta, perambulei por duas horas num frio de 2 graus atrás de um ingresso, vi Dave Grohl, Noel Galagher, Ben Harper, Brian May, Arctic Monkeys circulando como se estivessem no Metropolitan (e a O2 Arena parece mesmo um shopping), mas não tive sorte. Mas eu tentei.


Portishead, “Glory box”

No sábado, o Portishead fez seu show de retorno (com disco novo programado pra abril de 2008) no festival All Tomorrow Parties. Teve até sample em português, como apontou o Diego Assis.

Enquanto isso, no Brasil, Joca Vidal e Christiano Calvet, apresentam visões bem diferentes do show do The Police, no Maracanã.

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Levando dura
por Joca Vidal

O show do The Police foi motivo para eu me despencar para aquele gigante branco que fica na Zona Norte do Rio, chamado Maracanã. Bobo que sou, me iludi que depois de tanto tempo sem pisar no templo do futebol as coisas iriam estar melhores. E o pior, achei que depois de tantos shows internacionais (tirando o Tim Festival) os produtores brasileiros enfim tinham aprendido a organizar grandes eventos, assim como foi o histórico show do Roger Waters alguns meses atrás na Apoteose.

A chegada ao estádio, como eu já esperava, foi caótica. Um (UM!) guarda de trânsito organizava o mesmo, até que consegui chegar do outro lado. O bate-cabeça era generalizado: ninguem sabia para onde ir, qual era a entrada do gramado, qual a do camarote, cadeiras e etc. Uma falta de informação absurda, sem placas indicastivas, ou seja, se vira! Mas vamos lá, topou ir, agora respira e vai!

Chegando ao portão 18, o único que dava acesso ao gramado (outro absurdo), vi que estava fechado (faltando 1 hora para o show) e uma muvuca gritando e se empurrando para entrar. Só não era pior do que final de Campeonato Brasileiro porque nesse caso a massa é composta de 99,345% de homens. Dessa vez eu tinha companhia feminina e não um bebum no cangote!

Passado o fardo, enfim entrei no estádio. A grandeza do Maraca hipnotiza, o show do Paralamas tava rolando, mas… sei lá, me parece datado. É claro que é impossível comprar uma cerveja ou um refri…. Dois caixas para o povo inteiro do gramado não foi uma coisa muito bem pensada/planejada.

Era mais jogo ir em direção ao banheiro (que estava funcionando, aêê!!) e comprar com ambulantes credenciados na grade por R$ 4 a lata. Tinha gente oferecendo R$ 10. Desisti. Não queria brigar com ninguem e já tinha mesmo pensado na possibilidade de passar o show a seco. E olha que o evento era patrocinado por uma marca de cerveja, que deixou de vender bastante.

Começa o show. Apesar de tudo, o gramado tinha uma visão legal, que dava até pra ver tranquilo, numa boa. Déjà vu: “Every little thing is magic” fez parte da minha infância/adolescência. Fazia parte daquelas coletâneas “Flash Hits” (ou algo parecido), que a Som Livre lançava de tempos em tempos. Eu adorava essa e “Human nature” do Michael Jackson. “Every breath you take”, chatinha que dói, mas lá, in loco (e tava bem “loco” mesmo) funcionou que foi uma beleza…

“Invisible sun”, “Walking on the moon”, “King of pain”… só pedrada. E com os três coroas (e só os três) destruindo tudo. Sting mostrando que melhora com o tempo, tocando muito, cantando perfeitamente bem e com um shape de causar inveja. Coppeland e Summers, apesar de mais baleados, eram muito simpáticos e competentes.

Depois de duas horas, o show acaba. Todos os problemas se dissiparam. Parecia que eu tinha transcendido e acabava de voltar. O que foi aquilo? Nem liguei quando uma atriz começou a cheirar cocaína na minha frente. Problema dela. Á minha volta, pessoas se abraçavam, rindo, assim como eu: consegui comprar três cervejas e a saída se deu sem maiores problemas.

Levei uma dura, mas esses puliça são dubem.

Formol
por Christiano Calvet

Assisti a um show de uma empresa e não uma banda de rock. Tudo muito burocrático, sem vida, previsível como uma palestra motivacional para grandes funcionários e seus grandes cargos e suas grandes vidas cheias de grandes coisas insignificantes.

Taí. O Sting daria um ótimo palestrante numa multinacional (ou no Projac…). Faz direitinho as caras, bocas, poses e trejeitos.

Salvaram-se os discos que tenho. Que discos! Que músicas! Que banda (a dos discos, não a do show)!

Por isso deixo uma esquizofrênica, solitária e mal-humorada palavra de ordem aqui, Bruno: não invoquemos o Led Zeppelin! Deixemos o Pete Townsend com as criancinhas (maldade minha…)! Enterremos os Rolling Stones! Exterminemos os Mutantes, proibiremos o Paul Mcartney de tocar os iê iê iês e não deixemos o My Bloody Valentine distorcer mais guitarra alguma!

Tem certas coisas que estragam com a passagem do tempo. A idéia da volta de uma grande banda de rock fazendo (ou não) algo “grandioso” pela sua vida, pela sua cabeça é uma delas. Principalmente nesse mundo de hoje. Não há museus para bandas de rock. Uma pena.

A banda deu uma clara mensagem a respeito disso, ignorada por milhares de pessoas: é pra ser diferente e por isso, indiferente. Não provoca coisa alguma porque não tem como ser de outro jeito. Pena que ninguém acredita nisso. Mas eu fui porque também queria acreditar. Eu fui como fui em outros shows querendo acreditar. Eu juro que quero acreditar mas quebro a cara. Tolice e teimosia. Vou continuar teimando, eu sei. Genética, sei lá.

Apesar das “palavras de ordem” acima, continuarei teimando. Que venha o Led Zeppelin e todos os filhos da eletrificação. Não quero perder a oportunidade de ir ao Museu também. Fazer o quê se sou colecionador de figurinhas, de selo, de bolinhas de gude? Genética, sei lá.

Não deixam o “rock” morrer. Não deixam o “rock” (entre aspas mesmo) entrar poste adentro com um Porshe conversível, virar mártir se acabar, se perdurar na eternidade da memória. E é por isso que não deixam o “rock” nascer de novo, se reconstruir, se reinventar. Deixam ele numa CTI (ou seria CPI?), a champanhe, dólar e choques elétricos e a (argh!), revivals.

Formol Years, Bruno. Formol Years…

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Digitalmente


Digitalism – Ismail Tüfekçi fala sobre o bolo no Brasil
fotos e vídeos: URBe

Seguindo o processo de construção da estética digital (assunto abordado na resenha do show do Justice), os alemães do Digitalism mostraram no Scala que, no que depender deles, o futuro será barulhento.

Ah, o barulho e seu poder de catarse… As explosões de graves distorcidos sobre batidas sujas, hora enquadradas no bumbo caixa do house, hora no 4×4 do techno — algumas vezes perigando resvalar no téquinôu, felizmente sem chegar a cometer tal desgosto — fritaram a platéia, transformada numa constante roda de pogo.

Para quem ficou chateado com o recente bolo da dupla nas datas brasileiras (por motivo de doença de um dos integrantes), o vídeo acima traz uma boa notícia.

O Scala é uma casa de pequeno/médio porte, com uma boa estrutura, qualidade de som e bem localizada, capaz de abrigar shows de bandas que, se ainda não são grandes, também já não deveriam estar tocando em qualquer muquifo. O tipo de lugar que falta no Rio, desde que, com todos os seus problemas, o extinto Ballroom deixou de desempenhar esse papel.


Midnight Juggernauts

A abertura da noite ficou por conta do Midnight Juggernauts. O show dos promissores australianos foi assistido por cerca de 50 pessoas, todas longe do palco.

O trio de baixo, bateria e teclados/vocal, pecou pela falta de graves, embora continue sendo interessante ver uma música com pegada eletrônica sendo tocada ao vivo. Apesar da ótima “Into the galaxy” e da bem boa “Road to recovery” (ambas do disco “Dystopia”), ainda falta um bocado para banda se destacar na vastidão de sósias no MySpace.

Digitalism

Quando chegou a vez do Digitalism tocar, a situação na platéia estava completamente diferente, com as pessoas se espremendo para ficar mais perto do palco.

Enquanto Jens “Jence” Moelle se ocupa dos sintetizadores e dos vocais, Ismail “Isi” Tüfekçi cuida da bateria eletrônica, tocada ao vivo, e da interação com o público, em alguns momentos beirando a fanfarronice.

O cenário é simples e eficaz. Dois telões retangulares horizontais ficam no fundo do palco e um terceiro fica a frente da dupla, escondendo o emaranhado de fios. Neles, são projetadas ilustrações minimalistas, combinado verde, branco e preto.

Há um que de Chemical Brothers na apresentação da dupla, não apenas pela disposição dos equipamentos no palco e pelos raios lasers. A menção a estética das raves (anos 90 mesmo, não a tal da new rave) e também uma certa tiração de onda, totalmente do bem, fazem o elo entre os dois de maneira mais forte do que com o Daft Punk, com quem são constantemente comparados.

As versões ao vivo não são muito difrentes do que se ouve no disco. O som alto, como num show de rock, não esconde o apelo pop das canções, apesar deles negarem essa inclinação.

Músicas como “Pogo” e “Anything new” (que voltou no bis) não deixam dúvida do potencial radiofônico da dupla, sem que isso desmereça o resultado final. A mistura é muito bem cozida.

O tech-house de “Digitalism in Cairo” (remix de “Fire in Cairo”, do The Cure), a citação a “Blue monday” em “Idealistic”, o electro-rock de “Pogo” e as linhas de baixo melódicas culminam na desorientação (alô Mauval!) de “Jupiter room”, melhor música do disco e um dos ápices da apresentação.

Pode não chegar a ser a “the biggest party ever” (maior festa de todos os tempos) alardeada em “Home zone” e frase repetida por Ismail diversas vezes durante o show. Mas é divertido pra cacete.

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DMZ, a principal festa de dubstep de Londres


fotos e vídeo: URBe
* Esse texto foi republicado na coluna Rio Fanzine, do jornal O Globo

A escada apontando para baixo logo na entrada da DMZ, bi-mestral e mais importante festa de dubstep , é sintomática do clima underground da cena.

Porém, com o dubstep ganhando mais e mais espaço, é natural que após entrar na The Mass, em Brixton, você tenha que subir quatro andares de uma escada em espiral. O efeito desorientador das paredes creme e circulares são apenas um aperitivo do que está por vir.


Rumo ao underground

Na fila para guardar o casaco, alguém pergunta “o que exatamente é dubstep?”, no que é respondido pela menina logo a sua frente com uma rima, tão enigmática quanto explicativa: “bass pace and space” (“graves, ritmo e espaço”).

Do lado de dentro, Mala (do Digital Mystikz) e Loefah, davam uma aula prática para cerca de 500 pessoas espremidas numa pista de dança escura, iluminada apenas de tabela pelas luzes do bar e por uma bola espelhada em algum lugar do teto.


Mala

As batidas lentas e quebradas na maior parte do tempo são encobertas por linhas de baixo monstruosas, que muitas vezes se transformam numa cortina de graves oscilantes. Não é exatamente a definição de um som dançante. No entanto, não é o que os urros da pista a cada rewind demonstram.

Toda vez que uma faixa arranca gritos de “pull up” assim que estoura, na melhor tradição jamaicana, a mão de uma dos diversos MCs e amigos amontoados na cabine — raramente a do próprio DJ — volta a música para o início, proporcionando outra gritaria e prolongando seu clímax.

Durante a noite, duas das faixas que mais geraram berros foram “Poison dart” (com vocais da The Warrior Queen) e “Skeng”, ambas do produtor The Bug, que assistia a tudo do bar, ao lado de Kode 9, outro expoente do dubstep (e que já esteve no Brasil).


Skream atacando

A estrela da noite, porém, é um rapaz de 21 anos que manda o próprios fã “tomar no cu” assim que assume os toca-discos, incomodado com assédio do sujeito que enfia um celular com alguma mensagem digitada na sua cara.

Quando Skream começou a tocar, as 2h45, a agitação foi tanta que começaram a jogar cerveja para o alto, molhando seus discos e fazendo com que o MC tivesse que pedir para as pessoas se acalmarem.

Autor de “Midnight request line”, até agora o maior sucesso do dubstep, transpondo as barreiras da própria cena, Skream realmente empurra as fronteiras do gênero. Seu set é mais dançante do que os dos seus parceiros, mesmo sem privilegiar as batidas ou perder a essência grave do som.

Skream mostra que sabe capitalzar a atenção que vem recebendo e, para isso, utiliza um dos mais velhos truques do livro dos DJs.

Remixes de músicas conhecidas não são ainda uma prática tão comum no dubsptep. Por isso, a versão em câmera lenta de “Not over yet”, dos queridinhos do Klaxons, é certeira e só pode render mais destaque para as produções de Skream, que já tem um disco lançado, “Skream!” (Tempa).

Checando o relógio várias vezes ao se aproximar do fim do set de uma hora (impressionante como a pontualidade britânica se manifesta até na cena alternativa), Skream olha para pista de dança pela primera vez.

Ri e bate palmas. Ele sabe que não tem pra ninguém.

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Casa


foto e vídeo: URBe

A participação do Sigur Rós no BBC Electric Proms foi pra satisfazer qualquer fã. Além de uma apresentação acústica do quarteto, as 300 pessoas presentes ao Cecil Sharp House, sede da English Folk Dance and Song Society, assistiram o documentário sobre a banda, “Heima”, com direito a perguntas aos integrantes ao final da exibição.

O show especial, sem dúvidas, era o grande motivo para se estar ali.

Apesar da delicadeza natural das composições, havia o risco da formação enxuta — com violão, baixolão, piano e bateria — pudesse sacrificar a sonoridade da banda, já que a guitarra, alta e distorcida, é um instrumento crucial nos discos e apresentações regulares do grupo.

Deu a lógica. As canções ficaram ainda mais suaves e introspectivas, o que não é pouca coisa em se tratando do Sigur Rós. Era preciso fazer força para lembrar como eram mesmo os arranjos originais, como se as músicas sempre tivessem soado suaves daquela maneira.

Os integrantes revezavam-se nos instrumentos, trocando de lugar algumas vezes, tocando “Untitled 1″, “Agaetis Byrjun”, “Hoppipolla” e outras. A partir da quarta ou quinta música, o quarteto recebeu o acompanhamento das cordas das meninas do Amina, completando o time.


Sigur Rós

Nas outras apresentações que fizeram antes de exibições do documentário sobre a banda em algumas sessões especiais, o Sigur Rós tocou, em média, três músicas. Como nesse caso tratava-se de um evento da BBC, televisionado inclusive, o show teve mais de 10 canções.

Em seguida, “Heima” foi exibido. O filme retrata a série de shows surpresa e gratuitos que a banda fez pela Islândia em 2006 (heima = em casa), logo após sua turnê mundial.

Apesar de estar repleto de clichês (como imagens de corredeiras exibidas de trás pra frente, a água voltando para as geleiras; paisagens geladas; e um certo exagero de planos fotográficos) e de ser um tanto longo, é interessante ver a banda em sua terra natal.

Estranho mesmo é o fato do documentário ser inteiramente falado em inglês, mesmo o Sigur Rós sendo uma banda que não se esforça para ser compreendida fora do seu contexto particular, cantando em islandês, em línguas inventadas ou dando títulos tão bizonhos para seus discos quanto “( )”.

Os que ficaram para a sessão de perguntas e respostas com a banda após três horas de música, não tiveram muita sorte. Com uma postura blasé nerd, os integrantes se esquivaram com piadinhas de quase todas as perguntas, mesmo das mais bobas, como sobre o que gostam de escutar.

Certas coisas, é melhor mesmo nem tentar explicar.

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Dubstep

pic: infinite

O dubstep é um das vertentes mais recentes da música eletrônica, conseguindo algum destaque inclusive internacionalmente. No Brasil, o coletivo Tranquera tem liderado as misturas das batidas tortas do UK garage, grime e linhas de baixo cavalares com os sons locais.

Em Londres, existem duas grandes festa do gênero. A DMZ é a principal delas e acontece a cada seis semanas, em Brixton. A FWD>> é mais constante, toda sexta-feira, na boate Plastic People, em Old Street.

Nessa semana, os residentes Benny Ill e Hijak amassaram a turma que se espremia na Plastic People, lugar que lembra bastante a nossa Casa da Matriz. Se, numa primeira audição, o dubstep parece um som que dificilmente funcionaria para dançar, na realidade sso não pode estar mais distante da verdade.

Aglomerados e enxarcados pela suadeira provocada pelo calor do lugar, os corpos tremiam como se um terremoto em câmera lenta tivesse atingido a pequena pista, completamente as escuras, sem uma luz sequer.

A molecada de boné e casaco preto — e as poucas meninas dispostas a enfrentar a situação — urravam a cada um dos muitos rewinds e ignorava solenemente a lei que proíbe o fumo em lugares fechados se tivesse motivo suficiente a mão.

A próxima DMZ é dia 13 de novembro e, dizem, é uma noitada especial. Daqui um mês vai dar pra dizer.

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O Globo, 17/09/2004

Matéria sobre viagem à Inglaterra, para filmar o documentário “Dub Echoes”, que escrevi para o Rio Fanzine (O Globo).

Clique na imagem para ler.

Maior viagem de eco

Após a bem sucedida passagem pela Jamaica, a Inglaterra era o destino lógico para a equipe do “Dub Echoes”, na verdade, uma dupla formada com o pesquisador e roteirista Chico “dub” Linhares. Num país apavorado com a possibilidade de um ataque terrorista e onde até as lixeiras do metrô foram substituídas por sacos plásticos transparentes, protestos pacifistas na porta do Parlamento não são o suficiente pra trazer o bem estar de volta. No “Verão da Psicodelia”, como foi apelidado pela revista Mixmag, os cogumelos alucinógenos aparecem como solução para escapar da realidade.

Desde que foi encontrada uma brecha na lei permitindo o cultivo e o comércio, os cogumelos estão por toda parte em Londres, vendidos livremente nas ruas e feiras como se fosse shitake. Os junkies de Brixton, praticamente uma atração turística da cidade, que se cuidem. Seus dias podem estar contados. Com os ingleses precisando desesperadamente relaxar, dub parecia mesmo o assunto perfeito.

O documentário pretende mostrar a importância do dub no desenvolvimento da música eletrônica e do hip hop. Para isso, depois de entrevistas com ícones do reggae dos anos 70, como o produtor Bunny Lee, o baterista Sly Dunbar e o cantor U-Roy, faltava falar com o outro lado da história, nomes atuais conscientes da influência dos experimentos jamaicanos nos seus trabalhos. Com o apoio da American Airlines, acreditando num projeto totalmente independente, e a ajuda de alguns amigos cedendo um cantinho na sala, mais rápido do que se possa dizer dubwise, a equipe cruzou o Atlântico em direção à ilha onde a libra corrói o bolso.

À caminho da Europa, uma passagem estratégica por Nova York e Los Angeles pra falar com três jamaicanos: os expatriados Scientist e Bullwackie e o visitante King Jammy. Scientist e Jammy foram aprendizes de ninguém menos que King Tubby. Além de entrevistas com Ticklah, produtor do “Dub Side of the Moon”, e Thievery Corporation, em Washington. E o caldo estava só começando a engrossar.

Logo na primeira entrevista na terra da rainha mãe, Mad Professor começou a turvar a água dizendo que, ao contrário do que se acredita, não há uma cena de dub e reggae na Inglaterra, o que existe são eventos isolados. A estranha afirmação, repetida algumas vezes por outros entrevistados, parecia querer se confirmar quando o festival Reggae in the Park foi cancelado. O motivo oficial foi a recente publicidade negativa em torno do reggae, tornando impossível encontrar um lugar disposto a correr o suposto risco de abrigar os shows de Sizzla, Gregory Isaacs, Freddie McGregor e Barrington Levy. Veio o final de semana e com ele o carnaval de Notting Hill, festança caribenha de dois dias que domina a cidade. Certamente deve ser uma questão de parâmetros, porque um lugar que tem uma festa dessas (sem falar nas muitas outras, nas lojas de disco especializadas, etc.) tem que ter uma cena forte.

Entre muitos trios elétricos de calipso, soca e salsa, os sound systems jamaicanos se destacavam. Apesar da festa originalmente ser de Trinidad e Tobago, pouco a pouco a Jamaica vai tomando conta, espalhando suas equipes de som por pontos estratégicos e colorindo a festa com as cores rasta. É espantoso o número de pessoas com camisetas, casacos, tênis e acessórios fazendo referência à ilha. Geralmente os sound systems mais disputados são os do Jah Shaka, que esse ano não tocou, e do Aba Shanti I, que quebrou logo no início. Restou correr para o Channel One, sem nenhuma relação com o lendário estúdio, pra curtir freqüências graves de engasgar. O grande problema é conseguir ir de um ponto ao outro. Com mais de um milhão de pessoas nas ruas, atravessar a massa de gente não é mole.

Em paralelo, em Liverpool, acontecia o Creamfields, evento que aterrisa no Brasil em novembro, só em São Paulo. Mesmo sendo um dos maiores festivais do mundo, a escalação desse ano estava mais caprichada que o normal: Plump DJs, Audio Bullys, Scissor Sisters (fraco…), Deep Dish, decepcionando com um set reto e sem groove, FC Kahuna, Scratch Perverts, Mark Farina, Josh Wink, Jeff Mills, Layo & Bushwacka, Dave Clarke, estavam todos lá.

Numa estratégia pra conseguir espalhar o público de 40 mil pessoas pelo espaço, as três principais atrações entraram em cena simultaneamente, no auge da noite: Darren Emerson, Sasha e o Chemical Brothers. Tom Rowlands e Ed Simmons fizeram uma apresentação avassaladora, irretocável. Sendo fã ou não da dupla, esqueça tudo que falaram de mal sobre a última passagem dos químicos por aqui e comece a juntar dinheiro pra ir pra São Paulo (de novo?! alô, alô, produtores cariocas!) em outubro pra conferir de perto. Papo sério.

Em meio a tanta coisa, a lista de entrevistados continuava crescendo. Simon Ratcliffe (Basement Jaxx), Adam Freeland, Audio Bullys, Congo Natty, Dennis Bovell, Dr. Das (Asian Dub Foundation), Dreadzone, Glyn Bush (Rockers Hi Fi), Groove Corporation, Kode 9 (do coletivo Dubstep), LTJ Bukem, Roots Manuva. Impressionante o que dá pra se conseguir apenas enviando o e-mail certo para os lugares corretos. Some a isso duas palavrinhas mágicas, Brasil e dub, e de uma hora pra outra você pode estar tomando um chá na casa de alguns dos artistas mais arredios a entrevistas de que se tem notícia.

Londres não pára. Um final de semana qualquer na cidade pode guardar uma escalação de djs digna de um grande festival, transformar a sexta e o sábado em uma verdadeira peregrinação a procura da batida perfeita. Na quinta você está na Movement conferindo o Artificial Intelligence, Flight, Ill Logic & Raf e Addiction, na sexta está na Fabric, curtindo a festa de lançamento do “Two Culture Clash” (já resenhado aqui no RF) com boa parte dos produtores que participaram do projeto (Howie B, Jon Carter, Kid 606, Switch, General Degree) botando som enquanto na pista ao lado, Randall, High Contrast, Fabio e Grooverider se revezam nas batidas quebradas.

Falando em batidas quebradas, mas não as do drum and bass, o onipresente breakbeat é sem dúvidas o estilo da vez. No mesmo sábado, Barry Ashworth (do Dub Pistols) e Matt Cantor (do Freestylers) bagunçavam a Rythm Factory praticamente na mesma hora em que Adam “We want your soul” Freeland sacudia a Fabric. É preciso se virar em dois pra conseguir acompanhar tudo.

Após quase 30 entrevistas, as malas voltaram mais pesadas. Chicodub ganhou mais de 100 discos, fora a pilha de CDs recebidas ao longo do caminho, incluindo 3/4 do catálogo da Blood & Fire. Ossos do ofício.

Box 1

Bizarrices

- O gente boa Dennis Bovell interrompeu a entrevista duas vezes para vomitar. A culpa foi do presente dado por sua mãe na noite anterior: uma garrafa de rum de Barbados

- Já Congo Natty ficou bem à vontade; só de cueca e camiseta.

- Depois da gravação o figuraça Howie B fez um set particular. Destaque para as músicas do “Last Bingo em Paris”, seu projeto paralelo, lançado apenas na França.

- Simon Ratcliffe, do Basement Jaxx, vai para Hong Kong com seu sound system de reggae, o Hometown Hi Fi, nome em homenagem ao ss do King Tubby

- O Thievery Corporation está com estúdio novo. O lugar parece uma casa mal assombrada.

Box 2

No forno

- O próximo disco do Thievery Corporation sai em fevereiro de 2005. Entre as participações, Sister “Bam bam” Nancy, Perry Farrel e Flaming Lips.

- Dando seqüência a série “Dubplates from the Elephant House”, o G-Corp prepara o terceiro volume, dessa vez com uma banda ao vivo, a “The Mighty Three”

- O Asian Dub Foundation também vai entrar em estúdio. Cada integrante produziu faixas individualmente e agora as idéias vão ser filtradas. Dr. Das está numa onda breakbeat.

- O Audio Bullys começou a gravar o sucessor de “Ego War”. Ao que parece vai tender ainda mais pro hip hop.

- Gorillaz, Chemical Brothers e Roni Size também estão trancados finalizando os novos trabalhos.

Box 3

Ingla is a bitch

- Libra 6 x 1 Real

- no país da noitadas, o transporte público pára as 0h

- tanta coisa pra fazer que sempre se perde alguma boa

Box 4

God save the queen

- mais discos de reggae do que na Jamaica

- o povo prestativo não te deixa se perder

- tanta coisa pra fazer que é difícil se meter em roubada

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