28 de abril de 2011 às 13h09
mario maria, “Belém” (EP)
Três músicas novas do mario maria no EP “Belém”. Só fechra os olhos e deixar os sons lo-fi se formarem na sua cabeça.
Três músicas novas do mario maria no EP “Belém”. Só fechra os olhos e deixar os sons lo-fi se formarem na sua cabeça.

fotos: Party Busters e I Hate Flash (tem bem mais aqui e aqui)
A festa de 7 anos do URBe (e 10 meses) foi mesmo de ventar a peruca. Aprontada as pressas, quase emendando no aniversário de oito anos do saite, foi uma ação entre amigos e para os amigos, pra data não passar em branco.

Expo Nhozias
As coisas andam tão corridas por esses lados, que como em um dos quadros da exposição que o Leonardo “Nhozias” Uzai montou especialmente para ocasião, as vezes não a cabeça vira o pé.
A mistura da escalação dessa edição da festa foi uma das mais abrangentes em termos de estilo, e por isso também uma das mais interessantes. O início da noite foi pura transgressão.
mariomaria
Passavava de meia-noite quando o mario maria começou o seu show. Sozinho com o violão, iluminado por um abajur, o clima era tão intimista que Mario queria que desligassem o ar-condicionado do salão para diminuir o ruído (o que transformaria o resto da noite numa sauna, impossibilitando o pedido ser atendido).
O 00 estava enchendo, as pessoas buscando a pista de dança e, do lado de dentro, o público e o músico pediam silêncio para executar as delicadas canções lo-fi. Dadas circunstâncias, contra todos os prognósticos, o show ficou cheio e agradou.

João Brasil e Aori
Do clima banquinho e violão, o público foi lançado para a primeira apresentação conjunta de João Brasil com MC Aori, executando ao vivo alguns dos mashups de rap nacional com pop brasileiro do projeto 365 Mashups do João, com um foco nas que já tinham a participação de Aori.
A química entre os dois foi boa. A cancha de Aori como MC, no mais amplo sentido do termo, combinou perfeitamente com a farra das produções do João. O MC falou a beça entre as músicas, sintonizando a pista com o que acontecia no palco, facilitando o entendimento.
Abri a pista propriamente dita logo depois. Fui pego de surpresa – achava que começaria dali a 20 minutos – e tomando uma rasteira, uma vez que antes de terminarem o set deles, a dupla largou “Like a G6 tocando”, exatamente o que tinha pensado em usar pra fazer a transição.

Corre daqui, corre dali, fui apelando pra um hit atrás do outro, a turma foi gostando e fui indo por esse caminho mesmo. Divertido.
Coube a Filipe Raposo e Gustavo MM cozinhar a pista com o Ajax e seu set de disco africana. Belezura de set desse projeto inesperado, filhote da Cheetah, que promete.

DJ Nepal
Fechando a noite, o Nepal aprontou mais um dos seus bailes, tocando de revival 90 à uma sequência de quatro reggaes sem perder a pista. Não é mole não, ver o Nepal tocar é lembrar da grande diferença entre DJ e bota som.
A essa altura da noite, já estava tudo borrado e rodando. Bela comemoração, que não podia deixar de acontecer. Daqui a dois meses tem mais, na festa de 8 anos.
Uma conversa com mario maria, uma das atrações da festa de 7 anos do URBe, nessa quinta, 10 de fevereiro:
URBe – O que é e como começou o mario maria?
mario maria – Começou da possibilidade de gravar minha voz em casa. eu já tocava guitarra e violão, compunha pra/na banda e pra violão-solo, e aí veio essa chance de montar canções ouvindo minha voz, coisa que eu ainda to relativamente começando a fazer. Então começou mesmo de ter o computador/gravador em casa, das oportunidades que ele abriu. Ao mesmo tempo não queria ser tão central, tão trovador da história, e assumi esse apelido como forma de abrir pra outras pessoas participarem ou no mínimo tratar de algo coletivo.
URBe – Por que esse formato? Já pensou em ter uma banda?
mario maria – Sinto falta de tocar acompanhado, mas quando gravo não sinto tanto porque as pessoas participam de alguma forma, dando opiniões, fazendo sons, videos, compondo, pessoas com quem conto pra várias coisas no projeto. No ao vivo tenho assumido o velho voz e violão, que é de onde as músicas vêm e também incorpora o ambiente em torno, gerando um clima talvez parecido com o do disco.
URBe – O lo-fi é uma opção de linguagem ou uma necessidade?
mario maria – É uma opção. Tem a ver sim com reduzir custos, mas hoje em dia você pode fazer um disco hi-fi em casa pelo mesmo preço, praticamente. O meu “lo-fi” talvez venha de não exigir certa “quantidade de informação” pras minhas gravações, e testar os sons até que fiquem de um jeito que me agrade, e sem horários regulares de trabalho. O que não é necessariamente tão minucioso… Acho que no EP isso casa bem com o tema das músicas, quase sempre caseiras, interioranas. Talvez case até demais…
URBe – Como vai ser a apresentação na festa do URBe?
mario maria – Será um show curto de músicas novas na maioria, minhas e versões pra músicas de outros (um cover da “Take it Back”, do Pink Floyd, tá garantido). Vai ser uma apresentação mais sobre o que está por vir no projeto e considerando muito o fato de tocar numa festa de DJs, num salão. Tem uma prévia do que pode rolar no site, uma música.
URBe – Alguma gravação nova a caminho? um disco completo?
mario maria – Tenho gravado e tocado muito violão, usando a afinação aberta que aprendi só agora lendo a biografia do Keith Richards. Virou um instrumento novo, acho que isso estará no show. Não sei se as gravações vão gerar um disco, mas espero que sim. E tem agora um video pra “Eclipse”, feito pelo Rafael Salim, a Maya Dikstein e eu.
Com dez meses de atraso, lá vem a festa! Vamos nessa? Deixe seu nome no ListaAmiga ou confirme seua presença no Facebook.
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00
URBe, 7 anos
23h mario maria (ao vivo)
0h João Brasil x MC Aori (“Rap Nacional” ao vivo)
1h Bruno Natal
2h Ajax (Filipe Raposo + Gustavo MM)
3h Nepal
Expo: Leonardo Uzai
10 de fevereiro
23h
R$ 20 (na lista amiga, até 0h), R$ 30 (na lista amiga, após 0h), R$ 40 (penetra)
Texto da semana retrasada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:
Música lo-fi
Banda de um homem só, Mario Maria lança disco com jeito de rascunho
por Bruno Natal
A capa do único EP do Mario Maria, “All the way to professora Núbia”, disponível apenas em formato digital, não existe. Não que o disco não tenha capa, porque tem: uma foto antiga de uma senhora (será a professora Núbia?) em frente a jarros de plantas, com o título grafado em uma fonte sem nenhum apelo gráfico. O que não há é um arquivo em alta definição, para impressão em jornais e revistas, ou mesmo um encarte. Não podia estar mais em sintonia com o espírito lo-fi do projeto.
- A foto original até é em alta, mas fui fazendo a capa gerando imagens na própria tela do computador, no Word. Então a qualidade se perdeu – explica Mario, cujo real sobrenome é Cascardo.
Mario não tem uma Maria. Ele é o único integrante da “banda”, toca e grava todos os violões, teclados, vozes e ruídos lo-fi. A onda é simplificar. Desde que descolou um computador que permitisse fazer tudo isso em casa, melodias, trechos já usados em bandas anteriores e composições para violão começaram a tomar forma e a se transformar em músicas que, em comum, tinham o fato de serem feitas sem saber bem no que iriam dar.
Hoje em dia, todos são artistas, ao mesmo tempo que ninguém é artista. As pessoas soltam suas obras na rede para ver o que acontece, simplesmente para se expressar. Carreiras podem ou não acontecer. É pura consequência. Nesse contexto, Mario Maria é um típico exemplo da forma como a música independente circula atualmente, grande parte em forma de rascunhos, divulgados antes de finalizados. É um grande ensaio aberto, no qual a baixa qualidade, ao mesmo tempo que pode prejudicar o resultado final, gera curiosidade.
Em tempos de Pro Tools e do afinador Autotune deixando muitas gravações perfeitas demais, a opção de Mario foi pelo Garage Band, programa pré-instalado em todos os computadores da Apple. Cada falha é explorada e transformada em opção estética, a baixa qualidade sonora transformada em proposta. O som do violão vem e vai, a voz treme, ruídos ambientes passam a fazer parte da composição. Tudo isso soaria terrível, se não fosse um processo cuidadoso.
- O principal dessa sonoridade é o microfone, que é o que vem embutido no computador. Ele não é direcional e nitidamente não capta com muita definição. Quando você junta duas ou mais trilhas, os ruídos aparecem, sem dó. As músicas são exportadas direto em mp3. Nem eu tenho arquivos de melhor qualidade de todas as músicas – explica Mario. – Do lado pessoal, é continuar gravando quando está rolando uma obra ao lado, como em “Quissamã rules”, quando o telefone toca, quando alguém fala. É querer gravar transitando pelos lugares. A sonoridade lo-fi é causa e consequência desse processo experimental.
Em “Eclipse”, umas das sete faixas do recém-lançado EP, o sujeito repete versos inteiros de “Lua de cristal” (da Xuxa), oferecendo outra leitura aos versos “Tudo que eu quiser/Eu vou tentar melhor do que eu já fiz /Esteja o meu destino onde estiver/Eu vou tentar a sorte e ser feliz”.
De alguma maneira torta, essa excentricidade faz sentido na sua proposta. As apresentações ao vivo ainda são raras e foram poucas. Num projeto em que o som ambiente é tão importante nas gravações, a maior dificuldade é transpor o processo orgânico para o palco, sem uma banda e conseguindo integrar os sons de cada lugar às músicas.
Mesmo formado em comunicação, cursando mestrado em cinema e trabalhando como câmera em produtoras de vídeo, o primeiro clipe (“Shine, Levine” e seu assobiozinho grudento) dispensou recursos mais elaborados e foi feito em compasso com o disco.
Numa espécie de artesanato digital, Mario convidou amigos para uma festinha em casa, usou o computador como saída de áudio e câmera, gravou um plano-sequência da transmissão pelo ustream.tv e finalizou o clipe. Ainda assim, ele garante que o Mario Maria é um projeto levado a sério, independentemente de se vai vingar ou não.
- Gasto energia, mas atualmente não há muita regularidade ou disciplina. Mas isso pode mudar. A música me acompanha porque eu não faço questão de esquecer as melodias que me surgem e em algum ponto tenho vontade de gravá-las. Então, é sério, ainda mais pensando que isso chega a outras pessoas. Acho que vingar é poder manter isso enquanto fizer sentido pra mim. Mas não penso em ter a música como ganha-pão.
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Tchequirau
Quem tem contas em oitocentas redes sociais, blogues, Flickr, Vimeo, YouTube, etc, vai adorar o Flavors.Me, agregador que reúne em uma só página suas atualizações em mais de 20 serviços online.
Eis que surge o primeiro EP do Mario Maria.
Com o curioso título de “All The Way To Professora Núbia” (põe esse disco num link de Mediafire, Mario), entre as sete faixas o sujeito teve a manha de tungar versos inteiros de “Lua de Cristal” (sim, da Xuxa) na sua “Eclipse”. Mais do que isso, de alguma maneira torta essa excêntricidade faz sentido no seu voz, violão e ruídos lo-fi.
Belezura de disco.
“Shine, Levine”
“Irmão”
“Eclipse”
O Mario Maria mandou esse vídeo da sua primeira — e até agora, única — apresentação microfonada. Entre as músicas próprias, teve “Wild Combination”, do Arthur Russell. Essa eu queria ter ouvido.
Para fazer um clipe de divulgação da música “Shine, Levine”, o carioca Mario Maria simplificou o processo. Chamou os amigos para uma festinha em casa, usou o computador como saída de áudio e câmera, gravou um plano sequência da transmissão pelo ustream.tv e pronto, taí o clipe.
Típico exemplo da maneira com que a música independente circula hoje em dia, grande parte em forma de rascunhos, divulgadas antes de finalizadas. Vivemos num grande ensaio aberto. Ao mesmo tempo que a baixa qualidade pode prejudicar o resultado final, gera também curiosidade.
Ou vai dizer que esse assobiozinho não grudou na sua cabeça?
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo. Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.
Documentarista, jornalista, carioca, boto som mas não sou DJ e provavelmente passo tempo demais online.
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falaurbe [@] gmail.com
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