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Balanço 2011 Queremos!

Dia 27 de janeiro tem The Rapture + Breakbot, dia 03 de fevereiro tem a volta do Mayer Hawthorne. Cai dentro.

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Transcultura # 056: Little Roy, Best Coast

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Little Roy faz pequena homenagem ao Nirvana
por Bruno Natal

Se existe uma certeza no universo da música, é que a Jamaica nunca decepciona. No aniversário de 20 anos de lançamento de “Nevermind”, o veterano do rock steady Little Roy (não confundir com U-Roy) preparou uma homenagem: um disco com dez clássicos do Nirvana em versão reggae. O resultado é similar ao obtido em projetos da gravadora Easy Star, como “Dub side of the moon”, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Dub Band” e “Radiodread”, releituras que respeitam as duas frentes, o rock e o reggae.

Além dos vocais do Little Roy – figurinha fácil no Studio One nos anos 1960 e 70, tendo trabalhado também com Lee Perry – o disco conta com o guitarrista Junior Marvin, dos Wailers. As músicas escolhidas foram “Dive”, “Come as you are”, “Sliver”, ”Heart-shaped box”, “Very ape”, ”Polly”, “On a plain”, “About a girl”, “Son of a gun” e “Lithium”.

Gravado com equipamentos analógicos, em fita, “Battle For Seattle”, ideia do produtor Prince Fatty, será lançado em setembro pela Ark Recordings, selo de um ex-agente do Nirvana, Russel Warby. A foto da capa foi feita por Charles Peterson, mesmo fotógrafo do primeiro disco do Nirvana, “Bleach”.

Já existem duas apresentações ao vivo marcadas, nos festivais de Reading e Leeds, este mês, na Inglaterra. No texto de divulgação do projeto, Little Roy fala sobre as dificuldades com as letras.
“As letras ficavam muito escondidas no meio da música. Para mim soava como se ele estivesse se lamentando. Você tem que ouvir profundamente para sacar. A melodia sempre estava lá. Então enxerguei a chance de trazer as letras para o primeiro plano para as pessoas realmente escutarem o que Kurt falava.”

Tchequirau

A atriz Drew Barrymore dirigiu o clipe novo do Best Coast. Com a participação da Chloë Moretz, do filme “Kick Ass”, narra a triste história de um amor entre integrantes de gangues rivais.

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Transcultura # 055: Dorgas, Faria & Mori, Pélico, indie deals

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Três artistas, três novas histórias pra contar
Conheça as bandas Pélico, Dorgas e Faria & Mori
por Bruno Natal

A indústria do disco pode definhar, a disputa por atenção pode ficar mais difícil na infinita discoteca on-line, e ainda assim haverá gente querendo montar uma banda. Com o sonho de riqueza e fama cada vez menos provável, abrem-se as portas da criatividade e da experimentação. Assim, todo dia pinta um artista novo que vale a atenção, entortando o samba, o rock ou o que seja. Sem a preocupação de falar com muita gente, os papos ficam mais interessantes. Não por acaso, Pélico e Faria & Mori, de São Paulo, e Dorgas, do Rio, citam suas cidades como influência. Todo mundo tem uma história para contar.

Dorgas:

O que são Dorgas?

Dorgas - É a gente. Somos quatro garotos do Rio que se juntam para fazer música, e o que sai é o esforço coletivo de nossas cabeças.

Defina como quiser, pra quem nunca ouviu o som ficar curioso.

Trilha sonora de filme pornô, música para fazer amor sem camisinha, e acima de tudo, É CLIMA.

Quem são os pares do Dorgas?

Não pensamos em pares, pensamos em amigos. O pessoal do Inverness e do Holger, de São Paulo, são os nossos mais próximos. E tem toda essa galera boa aqui do Rio e do resto do Brasil, e todas aquelas bandas que já se foram e que nos inspiram. Acho que é aí que nos encaixamos, no meio de nossos amigos.

Vocês pretendem viver de música?

Comercial é um conceito variável. Cada época tem a sua noção de comercialidade, e não é tão simples e direto dizer qual é. Acho que cada banda tem o seu público. Não pretendemos viver de música, mas com certeza gostaríamos.

Se qualquer coisa fosse possível, qual seria o projeto mais ambicioso do Dorgas?

Tocar no Madison Square Garden junto com o Stevie Wonder.

Pélico:

Pélico por Pélico.

Pélico – Paulistano da Zona Leste, filho de uma costureira e um contador. Mas fiquem tranquilos, não vou levantar aquela bandeira da origem pobre, infância cheia de privações, adolescência incompreendida e um suposto futuro de glória.

Onde você estava, porque só agora um disco?

Estava por aí me divertindo, ouvindo causos, discutindo filosofia de balcão e cantando uns versos. Então resolvi parar e gravar um disco. Em 2008 “O Último Dia De Um Homem Sem Juízo” saiu, quem quiser pode baixar. Agora um novo disco, “Que Isso Fique Entre Nós”. Novas quadras, novas melodias e um pouco mais de amores mal resolvidos.

Qual a novidade?

Nunca pensei que pudesse me expor de tal forma como faço nesse novo disco. Confesso, perdi o medo do ridículo e fiz 16 confissões em cinquenta e dois minutos.

Quem é sua banda e de que maneira eles participam e influenciam o resultado final do disco?

Minha banda é: no baixo Jesus Sanchez (Los Pirata), na guitarra Régis Damasceno (Cidadão Instigado), na bateria Richard Ribeiro (SP Underground) e na sanfona e piano elétrico Tony Berchmans. Quando posso, tenho o auxílio luxuoso de uma tuba, fagote, clarinete, trombone e trompete. A influencia é total. Meus discos seriam bem sem graça sem a contribuição deles. Especificamente neste novo disco, o maestro Bruno Bonaventure foi primoroso nos arranjos de sopros e violino.

No texto de divulgação escrito pela Tulipa, a cantora define sua amplitude de vozes como uma esquizofrenia. Que papo é esse?

A Tulipa entendeu minha história. Não dá pra cantar o amor de salto alto.

Onde o Pélico se encaixa?

Eu me encaixo onde há canção. Divido meus passos com Rafael Castro & Os Monumentais, Bazar Pamplona, Tulipa Ruiz, Tatá Aeroplano, Lulina, Apanhador Só, Marcelo Jeneci, Juliano Gauche, Trupe Chá de Boldo e o poeta Paulo César de Carvalho.

Faria & Mori:

O que é o Faria & Mori?

Faria& Mori – É um projeto independente de rock alternativo cantado em português, liderado por mim, André Faria.

Onde você estava esse tempo todo, porque só agora um disco?

Numa sala de reunião, tentando me convencer que conseguiria viver sem tocar. Fiquei 10 anos sem compor, fazendo apenas participações/gravações em bandas de amigos, tipo Tchucbandionis (Recohead), Labo e Burt (projeto punk junto com o baterista Daniel Setti). Mas a música foi mais forte do que eu. Uma quarta-feira, larguei tudo, parcelei uma passagem, fui até Nova York, na Rivington Guitars, comprei um violão Martin 76, voltei na sexta-feira já escrevendo no avião. Compus e toquei o disco em 6 meses, junto com alguns amigos.

Qual foi o resultado?

Faria & Mori são de São Paulo, sua maior influência, e acreditam na língua portuguesa. Acreditam que é sim possível fazer rock nacional sem soar brega, morno ou datado. Acreditam em uma música orgânica e autoral, acreditam e investem em distorção, texturas e pegada. Faria & Mori adoram Yo La Tengo, Sonic Youth, Sebadoh e Tom Jobim. Acreditam que a beleza está nos olhos de quem vê, e nos ouvidos de quem ouve. E amam São Paulo.

Qual sua ocupação e como a música se encaixa nisso?

Eu não sou músico profissional, mas toco desde os 12 anos de idade. Toquei com muita gente em São Paulo. Atualmente trabalho em uma agência de propaganda. E muito dos filmes publicitários que eu crio, eu mesmo faço a trilha.

Quem são os contemporâneos do Faria & Mori?

Gosto e acredito no som do Fábio Goes. É um dos poucos caras que dão a cara para bater, com coragem, talento, postura e sensibilidade. Hoje existe uma invasão de fofura nas bandas/projetos de rock-pop nacional. Aqui no Faria & Mori a gente tenta fazer algo diferente, um pouco mais coerente com a nossa realidade. Aqui em São Paulo não vejo ninguém feliz, fofo ou de bem com a vida. Vejo as pessoas mais introspectivas, reclusas, ou simplesmente conformadas. Outro dia um cara puxou uma arma e ameaçou me matar no trânsito. Não tem como ser muito fofo.

Tchequirau

Sob o nome “Indie Music Deals”, está rolando uma promoção violenta de discos na Amazon. O melhor é que pra divulgar os descontos, tem várias coletâneas pra baixar de graça, com músicas do Yeasayer, Beady Eye, TV on The Radio, Nortec Collective, Ariel Pink, El Perro Del Mar, Memory Tapes, Light Pollution, Toro Y Moi, Dan Deacon… Puro garimpo digital.

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Transcultura # 054: Instamission, Beastie Boys

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Com a missão de fotografar
Projeto criado no aplicativo Instagram vira mania e ganha destaque em festival em SP
por Bruno Natal

Totalmente viciadas no Instagram, aplicativo de fotografia que roda exclusivamente no iPhone e funciona como rede social (um Twitter de fotos que através de filtros pré-estabelecidos transforma cliques desastrosos em belas imagens), as amigas Daniela Arrais e Luiza Voll transformaram a brincadeira numa missão, literalmente.

- Começamos a usar muito a ferramenta e a acompanhar o dia dos amigos através de fotos, em vez de textos. Passamos a seguir outras pessoas interessantes e pensamos se não daria pra juntar toda essa empolgação e criar um projeto para que as pessoas fotografassem coisas legais – explica Daniela. – Criamos missões que ajudam a exercitar a criatividade a cada semana, para que todo mundo se inspire cada vez mais. Assim surgiu o Instamission.

Semanalmente uma missão é publicada no @instamission, anunciada com uma imagem no próprio Instagram. “Fotografe um sorriso”, “fotografe a coisa mais gostosa do seu dia”, “fotografe um bigode”, “fotografe um ‘planking’ (ser retratado de bruços, com os braços rentes ao corpo e o rosto virado para superfície).

A partir disso, basta você tirar uma foto dentro do tema e postá-la no Instagram, no Facebook ou no Twitter usando a hashtag #instamission com o número da missão. Lançado em janeiro, o projeto está na 26 missão e recebeu mais de cinco mil fotos, de toda parte: São Paulo, Recife, Nova York, Paris, Londres, Israel…

- No início, espalhamos a novidade para os amigos e contatos nas redes sociais. Logo nas primeiras missões percebemos que uma galera que não conhecíamos começou a participar. E essa é uma das coisas mais legais da internet, né? O projeto se espalha, fica maior do que a gente imagina – comemora Daniela.

O Instamission tem 2.400 seguidores no Instagram, 1.520 fãs no Facebook e 680 no Twitter. Até aqui, a missão de maior sucesso foi a #instamission14: “fotografe a vista da sua janela”, com mais de 500 colaborações. A repercussão do projeto foi ainda maior e mais rápida do que Daniela esperava.

- Tivemos duas grandes surpresas ao longo dessa trajetória. Um dia postei uma foto do meu pai, que faleceu no ano passado. Encontrei uma foto dele, nos anos 1970, cheio de estilo, postei e recebi um comentário de uma pessoa que tinha trabalhado com ele, dizia que ele era um excelente profissional, que era muito divertido e que fazia falta. Fiquei tão emocionada. Jamais poderia imaginar que uma foto iria desencadear um encontro assim – conta.

Boa surpresa foi saber que duas pessoas se conheceram por causa do Instamission. A missão era “fotografe objetos que contem uma história”. A @mawa postou uma foto da avó dela. O @olhosvestidos delunetas reconheceu a senhorinha, que era amiga da avó dele. Os dois começaram a se falar e acabaram se conhecendo fora da rede, em um jantar recheado de lembranças e de histórias.

Agora, o Instamission virou a instalação “Invente um sorriso” no File, Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, que acontece até agosto, no Centro Cultural Ruth Cardoso, em São Paulo, levando a experiência on-line para um espaço público, por onde passam milhares de pessoas por dia.

Quem passa pelo evento é convidado a inventar um sorriso (uns ficam tímidos, outros se posicionam diante da câmera na mesma hora, alguns desenham, outros fazem coraçãozinho etc.), os fotógrafos registram, e a as imagens aparecem na vitrine da Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Um sorriso, só pra deixar o dia mais alegre e feliz, segundo a dupla.

- Já ouvimos coisas como “quero ter um iPhone só para poder participar das missões” – conta Daniela. – Pensamos em fazer outras exposições também. Algumas pessoas que participam das missões já nos perguntaram se haverá “Invente um sorriso” em Recife, em Manaus etc. Adoraríamos viajar, inventando missões e buscando a colaboração de pessoas que amam fotografia como a gente.

Tchequirau

O Beastie Boys anda animado com as filmagens. Depois do curta “Fight For Your Right To Party (revisited)”, essa semana pintou um clipe de 11 minutos de “Don’t Play No Game I Can’t Win”, produção de ação lo-fi com bonecos, dirigida por Spike Jonze. Belezura tosca.

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Transcultura # 053: Baleia, Pessoas e computadores

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Baleia na onda do jazz
Em busca da sua praia, banda Baleia une Justin Timberlake a Chet Baker

por Bruno Natal

Junte um monte de filhos de peixe e forme um cardume. Misture todos e tenha uma Baleia. Trazendo música no DNA, Luiza Jobim (voz e, sim, filha do maestro), David Rosenblit (piano, filho do também pianista Alberto Rosenblit), Cairê Rego (baixo, filho do saxofonista Paulo Rego), os irmãos Gabriel e Sofia Vaz (voz), Felipe Pacheco (violino e guitarra) e João Pessanha (bateria) montaram um grupo para enveredar por um caminho pouco escolhido pelas novas bandas: o jazz.

- Não sabemos como isso aconteceu. Surgiu provavelmente do interesse de tocar velhas canções de jazz, lá no início da Baleia, o que acabou se refletindo na nossa maneira de compor e tocar. Hoje, definitivamente, não estamos presos ao jazz – diz Cairê.

- As pessoas acham estranho a gente, tão novo, tocando jazz. É uma grande mistura com pop também – completa Luiza.

Apresentando standards e versões de música contemporânea, o repertório da Baleia não deixa dúvidas das pretensões pop da banda. Eles são amigos desde os tempos de escola e de outros projetos musicais. E se encontraram para tocar músicas de que gostam.

- O repertório é bastante amplo, vai desde Louis Armstrong a Justin Timberlake, passando por Chet Baker, Nina Simone e Radiohead. Gostamos de fazer versões, o que acaba caracterizando o grupo. Trazemos essas canções para o nosso estilo, e o resultado é algo diferente do esperado. Tocamos “Toxic” (Britney Spears) e “Blue angel” (Squirrel Nut Zippers) – lista Sofia.

- As versões normalmente são aquelas músicas que gostaríamos de ter feito, mas não deu, fizeram primeiro – explica Cairê.

Sem enxergar uma cena para se encaixar, a Baleia nada sozinha. Para Luiza, a relação com as outras bandas se dá mais pela admiração, uns frequentando os shows dos outros, esse hábito que anda meio perdido nos palcos cariocas.

- Tem uma grande leva de bandas novas de que a gente gosta muito. Adoro o Letuce. Alice Caymmi é uma grande amiga. A gente tocou com os Ganeshas no Espaço Sérgio Porto. O Felipe tem uma outra banda de rock, chamada Los Bife, e o David, uma de samba chamada Novíssimos – diz a cantora.

Com algumas poucas músicas gravadas, a banda está no processo de produção do seu primeiro EP. Enquanto isso, vai disponibilizando algumas faixas na rede, esquentando para o próximo show, no dia 28, no Teatro Café Pequeno.

- Acabamos de gravar uma versão para uma música do Justin Timberlake, “What goes around comes around”, para a divulgação da festa Cover Flow. O primeiro clipe de uma música nossa, “Killing cupids”, dirigido por Nicolas Bro, está quase pronto.

Tchequirau

Intrigado com o tempo que passmos encarando a tela do computador, o artista digital Kyle McDonald instalou um aplicativo nas máquinas de livre uso de uma loja da Apple, disparando fotos dos usuários a cada minuto. Ele reuniu as fotos no peoplestaringatcomputers.tumblr.com e agora enfrente problemas legais por invasão de privacidade. Questão espinhosa, só fez fortalecer o projeto.

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Transcultura # 052: SBTRKT, WDYL

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Conheça o DJ e produtor inglês SBTRKT
por Bruno Natal

A trajetória é aquela de sempre: produtor remixa uma penca de artistas conhecidos – Radiohead, M.I.A., Darwin Deez, Goldie, Underworld, Modeselektor, Mark Ronson – antes de lançar um disco com material próprio. O inglês SBTRKT (pronuncia-se Subtract) não fugiu a essa regra, porém as obviedades param por aí.

Como Mount Kimbie, Jamie Xx ou James Blake, ele é mais um a dar o passo adiante e se distanciar da parcela modorrenta do dubstep que domina a cena inglesa, formatando o tal post-dubstep com seu disco homônimo. Saem os pooooowonnn towonnnn intermináveis, entram batidas quebradas herdadas do drum’n’ bass (cada vez mais perto de voltar à tona), graves macios com uma influência de Miami bass, vocais de R&B e uma certa melancolia.

A prévia do disco no Hype Machine deveria ter se encerrado na segunda, mas até quarta continuava funcionando. Camas de sintetizadores, vocais, efeitos – é som pra ouvir de fone, menos pista, mais viagem. Mesmo assim, tem música fazendo sucesso. “Wildfire” deixou de ser um hit da internet depois de ser remixado por Drake – o rapper usou a base pra cantar em cima, substituindo o vocal original de Yukimi Nagano.

Nas apresentações ao vivo, pegando emprestado o retro-futurismo do Daft Punk e o anonimato do Burial, SBTRKT costuma tocar com uma máscara africana escondendo o rosto. De vergonha é que não pode ser.

Tchequirau

O que você ama? É essa pergunta que faz o novo serviço de buscas do Google, What Do You love, apresentando os resultados numa página com vídeos, estatísticas, imagens e outros dados relacionados ao tema escolhido. Um tanto frio ainda, mas deve melhorar, a proposta é boa.

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Transcultura # 051: Turntable.FM, Nicolas Jaar

Meu texto da semana retrasada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Uma festa cheia de social
por Bruno Natal

Está para surgir uma proposta com mais pinta de fracasso do que a do Turntable.fm: uma página em que os usuários podem realizar uma festa virtual. Soa como uma desgraça até você entrar e entender o funcionamento dos mecanismos que estão fazendo o serviço ser apontado nos meios digitais como potencial novo sucesso das redes sociais.

Uma vez cadastrado, o usuário pode entrar numa das salas disponíveis, onde vai encontrar uma mesa com cinco toca-discos e muitas pessoas ouvindo a mesma música. Os DJs tocam alternadamente, cada um escolhendo uma música, e todos ouvem a mesma, ao mesmo tempo. Se todos os espaços para tocar estiverem tomados, o usuário ouve o som e conversa no chat com as outras pessoas presentes na festa. Sim, chat. Os anos 1990 estão voltando mesmo.

As músicas podem ser escolhidas numa busca pelo arquivo do Turntable.fm ou, se não encontrar o que queria, há a opção de subir suas faixas, aumentando o acervo da página. As questões de direitos autorais, se já não estiverem resolvidas, certamente serão o principal entrave ao crescimento do serviço.
Ainda em lançamento, por enquanto o acesso é limitado via Facebook Connect, e, mesmo assim, você precisa ter ao menos um amigo já cadastrado no Turntable.fm (com o volume de gente falando sobre o serviço, provavelmente você tem algum amigo bancando o DJ).

O motivo do sucesso é a facilidade oferecida para compartilhar uma música com um grande número de pessoas, em tempo real e de forma interativa, como um Instagram de músicas. Por mais simplório que pareça, não havia ainda um serviço assim. Qualquer usuário pode também criar sua própria sala e convidar os amigos. Fiz exatamente isso no domingo passado, quando soube do serviço. Divulguei pelo Twitter e rapidamente havia cerca de 30 pessoas na festa, que foi até as 4h. Todo dia têm surgido salas de blogues, festas conhecidas, funcionando como uma prévia do que se pode encontrar no ambiente real.

Há muitas possibilidades à vista, como um aplicativo de celular que permita a uma festa caseira ter o som alimentado pelos convidados, sem ninguém precisar ficar na função de tomar conta da seleção (é, em plena era do “todo mundo é DJ”, ainda existem momentos assim). O receio de que a maior parte das pessoas vá estar simplesmente aguardando sua vez de colocar sua música – muita gente querendo tocar, poucas querendo ouvir – não se confirmou. O fato é que a música pode nem ser o foco principal do usuário. A graça está no rodízio, e a maior atração é o bate-papo.

ATUALIZAÇÃO: Agora o serviço está disponível apenas nos EUA, tendo sido bloqueado no resto do mundo.

Tchequirau

CSP04 ∆ NICOLAS JAAR for XLR8R by Clown and Sunset

O set que o Nicolas Jaar preparou para revista XLR8R, parte da sua série de podcasts do seu selo Clown & Sunset, é ótima trilha pra descansar no feriado. Uma atualização do downtempo, principalmente através dos remixes do próprio Jaar.

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AfroCubismo

Concebido em 1996 e lançado apenas em 2010, o AfroCubism junta músicos de Cuba e de Mali e tem uma história curiosa.

O disco era o projeto inicial de uma viagem a Cuba, porém as gravações acabaram canceladas devido a dificuldade dos músicos africanos viajarem para ilha. Como já estavam na terra de Fidel, aproveitaram para gravar algo com os músicos locais.

O resultado foi o clássico “Buena Vista Social Club”.

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Doc: “O som do morro”

Um curta-documentário produzido por um aluno da UFRJ, sobre a ONG Atitude Social, no Santa Marta, a mesma que visitei em 2008, logo após a instalação da UPP na comunidade.

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Looking at Music: Side 2


fotos: URBe

Falando na “Looking at Music: Side 2″, mesmo sendo muito mais modesta e menos abrangente, a exposição do MoMA consegue ser mais interessante do que a grandiosa British Music Experience.

Tratando da intercessão entre a arte conceitual e minimalista produzido em Nova York nos anos 70 e o punk, a mostra aborda trabalhos de artistas como Patti Smith, Blondie, Ramones e muitos outros.

Daria pra adaptar o formato e fazer algo parecido por aqui, mole, mole.

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Poder de escolha

Consegui rodar o Spotify por aqui e é espetacular, tão bom quanto propagandeado.

Fácil de usar, rápido e abrangente. Com acordo assinado com as principais gravadoras e selos do planeta, dá pra encontrar quase tudo. Não é difícil imaginar que com tanta praticidade exista bastante gente disposta a cair dentro.

Claro que coisas independentes muito obscuras ainda estão de fora, mas não deve demorar até serem incluídas.

O serviço já se destacou, criando uma onda de otimismo na indústria, embora alguns velhos tubarões questionam se o valor que será gerado pelos anúncios (um a cada 20 minutos para os usuários gratuitos, zero para os pagos, a 9,99 libras por mês) será o suficiente para a indústria.

Como é que é? Suficiente? Bom, compara com ZERO que é o que está se tornando a regra das pessoas pagarem e me diz se 1 centavo te adianta. É essa arrogância que faz as coisas andarem tão devagar.

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Organizando sons

Vídeo pescado na Garagem.

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Rough Trade doc

Essa semana estreiou um documentário com a história da loja e selo Rough Trade, produzido pela BBC.

No saite da emissora o conteúdo dos últimos sete dias está sempre a um clique de distância. O lance é que o conteúdo é bloqueado para endereços IP de fora do Reino Unido. Se alguém souber como driblar isso, avisa.

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A geração do meio


O horizonte é digital e, por agora, essa é a única certeza
foto: _ares_

Espremido entre duas eras — a passada e a que se desenha — os que hoje tem aproximadamente entre 20 e 30 anos são os que mais sofrem com a transição do formato analógico para o digital. Tateando o mundo novo, a geração do meio paga o preço de viver num tempo de inovações, correndo o risco de ser resumida a um elo entre duas épocas prósperas.

O leque é amplo, mas provavelmente afeta mais aqueles que trabalham na área de cultura/informação/tecnologia. Não à toa, o embate analógico vs digital ocupa tanto espaço no imaginário desses indivíduos .

Os que trabalharam na indústria fonográfica até um pouco além da metade dos anos 90, sentiram na pele (e ainda sentem) o baque dessa transformações. Nos nem tão distantes tempos pré-digitalização, disco era um negócio que dava dinheiro. Muito. Com as mudanças impostas pela novas mídias esse mercado encolheu, e hoje definha.

Uma coisa, porém, é um fato: bastante gente acima dos 40, de artistas a executivos e lojistas, costurou seu pé de meia nos tempos de fartura. Não se trata de uma “crise” de formatos. O que se atravessa é uma crise de continuidade, de perpetuação, da insistência por um modelo com o qual se está acostumados.

O futuro é digital, não adianta espernear. O que começou com os discos, hoje atinge a indústria do cinema, os grandes jornais, os produtores de software, enfim, se alastrou. Não há dúvida de que, em termos objetivos, essas mudanças são para o melhor.

Mais pessoas tendo condições de produzir e distribuir seu trabalho é bom para quem cria. A facilidade de acesso a esses trabalhos é bom para quem consome. O encontro dessas duas pontas, faz com que o trabalho encontre mais púbico, sem (ou com menos) intermediários, o que é bom para ambos.

Muito do que é distribuído on line voluntariamente por seus criadores tem em vista os chamados ganhos laterais. Espera-se que com a exposição surjam outras oportunidades. Para os músicos pode ser mais shows; para os jornalistas, convites para escrever em grandes publicações; para os cineastas, novos trabalhos; e assim segue.

Hoje há quem resista aos torrents, esmurrando a ponta da faca e tentando impedir a troca de arquivos. Isso não vai acontecer. O que ocorrerá, muito em breve, é justo o contrário.

Tanto os grandes conglomerados de mídia quanto os independentes brigarão por um lugar nesses espaços, simplesmente porque é ali que as pessoas estão indo buscar entretenimento. Será difícil se destacar. Estar presente no catálogo de um ripador de filmes (o sujeito que digitaliza e disponibiliza o filme on line) como o  aXXo, um dos mais respeitados e seguidos no meio (segundo me disse o Mateus), será indispensável.

A grande falha desse sistema é que ele ainda não se definiu como um formato de negócios. Se no futuro o ripador puder até vir a ser pago pelos estúdios para hospedar e distribuir seus filmes e o público tiver livre acesso ao conteúdo (o que, de fato, já tem), quem paga a conta? Porque o filme (ou o disco, o livro, fotografia, etc) continuará tendo custos para ser produzido, isso não muda.

Para estúdio de Hollywood, com dinheiro em caixa, esse modelo até pode ser viável num primeiro momento. Para os independentes, nem tanto, visto que o investimento para entrar no mercado é muito alto e nem sempre os ganhos laterais são palpáveis. Um filme, por exemplo, não tem a opção de se apresentar ao vivo.

Sendo assim, corre-se o risco de se replicar as falhas do modelo anterior, onde só quem tinha recursos financeiros próprios (ou acesso a eles) podia produzir. Seria um retrocesso. Outras opção seria essas atividades culturais tornarem-se hobbies, um tanto incerto se isso seria algo positivo ou negativo.

As primeiras respostas para essas questões normalmente passam pela publicidade, anúncios e patrocínios. É um pensamento imediatista, que faz sentido num primeiro momento. Porém, torna toda a cadeia dependente de uma única fonte de recursos, que logicamente é limitado.

O ideal, claro, seria que os consumidores pagassem diretamente aos criadores, mas isso não parece realista. Mesmo porque, devido a facilidade de acesso, por menor que fosse a quantia a ser paga, a quantidade de produtos que se consome aumentou muito, tornando inviável equilibrar essa conta. Seria ingênuo imaginar que o consumidor estará disposto a aumentar os seus gastos ou que consumirá menos para se adequar.

A solução chegará, é inevitável. O problema é para quem vive entre esses dois momentos, o passado e o futuro. São pessoas que não usufruíram dos benefícios do velho modelo e que agora esperam resistir até um novo formato de negócio se estabelecer.

É a geração do meio, a generation in between pra intercionalizar, cujo símbolo bem poderia ser o CD, uma mídia transitória, que provocou modificações tão grandes que terminaram por decretar seu próprio fim. É uma ambiguidade sem tamanho viver numa época de tantas mudanças positivas, onde coisas antes inimagináveis hoje são possíveis e, ainda assim, não enxergar perspectivas concretas.

Enquanto as resposta não vem, batuco textos nesse saite, produzo filmes de maneira independente. É tudo uma enorme aposta, onde os ganhos podem ser tão grandes quanto o prejuízo. Dedos cruzados.

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Fonte de inspiração

Bush iPod by misterbisson.

ilustração: Schubart

O jornal inglês Guardian disseca o legado musical deixado por George W. Bush.

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Junta

A versão web 2.0 de “We are the world”. Coisorrososa. E faz parte de um documentário.

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Nova droga


Munhequeira? No carnaval isso só pode ser loló!

Surge uma nova droga, novamente graças ao exército, é o que diz a Vice.

Trata-se de munhequeiras ensopadas de morfina, e a onda passa tão logo o sujeito as desenrole do pulso. Começou a aparecer em estúdios de gravação de Londres.

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70 neles!

Para sublinhar o quão ultrapassado é a relação da indústria musical com a questão dos samples, Johannes Kreidler compôs um música de 33 segundos utilizando a besteira de 70.200 samples.

De acordo com a lei alemã, para a música ser registrada, cada um desses samples tem que ser declarado em uma folha de papel separado. Em uma van abarrotada de papéis, Kreidler garantiu algumas horas de trabalho para os funcionários do órgão responsável pelo registro.

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Pelo sim ou pelo não


Van Gogh, “Starry night”

Listas, sempre elas. O Guardian listou 1000 discos para NÃO ouvir e 1000 peças de arte para se admirar antes de morrer. Abra seu caderninho.

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Burka band

Debaixo da burka tem uma banda.

Via Dimáquina.

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TV, rádio e mp3

Em seu quarto disco o TV on the Radio facilitou as coisas para os ouvintes, fazendo um disco bem menos cabeçudo que os anteriores. Isso não significa que “Dear science” seja aguado, pelo contrário, é bem consistente.

O TVOTR finalmente encontrou uma maneira de equilibrar suas idéias avançadas com uma forma mais organizada de apresentá-las. O bom e velho caminho do meio.

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More cowbell

Piada é parecida com o nosso “toca Raul!”, pedir “more cowbell!” (algo como “mais agogô!”) em shows está se tornando um clássico na gringolândia. A frase se tornou popular após um esquete do Christopher Walken no Saturday Night Live, zoando o Blue Oyster Cult, em que Will Ferrel surta no cowbell.

Agora o saite More Cowbell possibilita você adicionar o instrumento percussivo em qualquer música. Ouça “Paper Planes”, da M.I.A., assassinada pelo programa pra ver o estrago que isso pode fazer.

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Musical

O Van Halen não gostou de ver sua música “Right now” sendo utilizada, sem autorização, pelo candidato John McCain na convenção republicana e reclamaram publicamente. E não foram só eles, John Mellencamp e Nancy Wilson também andaram chiando pelo mesmo motivo.

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Apelando

A Nokia encontrou uma maneira de competir com o iPhone: oferecer música de graça nos seus aparelhos.

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17

Em seu livro “17″, o fundador do KLF, ex-executivo de gravadora e ex-empresário do Echo & The Bunnymen, Bill Drummond, defende a tese de que que música, da maneira que conhecemos, já deu o que tinha que dar.

Para ele, toda música, uma vez gravada e executada em duas dimensões, perde o sentido de existir. Convencido disso, Bill forma corais de 17 pessoas, grava, toca uma vez para os integrantes e deleta a música logo depois, para sempre.

Esse experimento serve de premissa inicial do livro. O ponto que Bill quer provar é mais radical ainda: não adianta tentar achar solucões para crise de formatos, etc, é preciso parar tudo e começar de novo, do zero.

Lembrado que Bill Drummond é o sujeito que queimou um milhão de libras, referentes a royalties do KLF, apenas para provar que não o dinheiro não o controla.

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