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Arquivo: música eletrônica

SupaTrigga

Lá de Belzonte vem o Retrigger, o mesmo sujeito responsável pelo Arrebite (já comentado por aqui).

A pesada “Reckless driving is not a sin”, do clipe acima, não é muito representativa do som produzido por Raul Costa. Ouça a metaleira de “Jeanie and Caroline”, o frevo de “Don Augusto Shitlife remix” ou o rock “Mean a swing”. Grosseria pura.

O ponto de ligação entre tudo são batidas quebradas e uma produção esquizofrênica, misturando, como lista o próprio sujeito, breakcore, psicodelia sessentista, drill and bass, surf music, rock e hip hop.

Fica um set ao vivo desse psicopata. Prendam esse rapaz.

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Digitalmente

O Digitalism passou pelo Astoria e dessa vez fez um show um pouco diferente dos anteriores, testando algumas coisas que provavelmente estarão no disco novo.

O duo funciona melhor em disco do que ao vivo. Com uma certa tendência a fanfarronice, o show é irregular, por vezes exagerando nos ruídos. As produções são bem boas, de qualquer maneira e garante bons momentos com “Zdarlight”, “Pogo” e “Anything new”.

Foi um dos últimos shows do Astoria, que será demolido no final do ano como parte das obras de ampliação da estação de metrô de Tottenham Court Road. Os abaixo assinados e o fato do prédio ter mais de 100 anos não foram capazes de altera a decisão.

Com 2 mil lugares, ao longo dos anos foi um um dos lugares favoritos de bandas estabelecidas para fazerem shows menores. Passaram pelo palco nomes como: Radiohead, Nirvana, Rage Against the Machine, Amy Winehouse, Justice, Kaiser Chiefs, Metallica, Arctic Monkeys, Muse, Blur, Franz Ferdinand, Supergrass, Foo Fighters, Kasabian, The Libertines, Megadeth, Oasis, , Green Day e muitos outros.

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Berlin


Panoramabar

Pergunte para qualquer europeu ligado as artes de maneira geral qual é a capital cultural do continente e a resposta invariavelmente será a mesma: Berlim. Muito do que tem pintado de interessante no circuito alternativo nos últimos anos têm saído da capital alemã, um dos destinos favoritos de artistas atualmente.

Uma visita a cidade, seja durante a loucura da Copa do Mundo ou mesmo por apenas um final de semana, basta para concordar. Berlim é uma constante contradição, onde em qualquer esquina misturam-se o novo e o antigo, heranças capitalistas e comunistas, ruas impecavelmente limpas com grafites e pixações em toda parte, mais uma tonelada de imigrantes, mesmo com a barreira que a língua impõe.

Na história recente a Alemanha foi invadida, invadiu, dividiu, foi dividida, unificada e re-unificada trocentas vezes e em diferentes circunstâncias. Quase 20 anos após a queda do muro, tantas mudanças se refletem na sociedade e, consequentemente, na cultura.

Para um lugar machucado por duas guerras mundiais e marcado pela intolerância racial e religiosa o caminho para superar essas marcas é justo o oposto: dentro da rigidez germânica, pode (praticamente) tudo. Prostitutas nas ruas, clubes em casas abandonadas, grafite em prédios históricos…

Essa liberdade é a explicação de tanta coisa acontecendo por lá. Mais do que isso, ajuda a entender porque tanta coisa criativa, diferente e fora dos padrões aparecem em Berlim. Só numa cidade assim é possível um lugar como o Panoramabar ser uma das principais boates.

Fincado numa antiga estação de força, em Friedrichshain-Kreuzberg, o Panoramabar não tem lista vip, não tem critério de entrada (embora muita gente seja barrada sem maiores explicações por um sujeito com metade do rosto tatuado) e não permite entrar com câmeras, confiscadas na porta.

O que o panorama tem é um público bem misturado, um som perfeito e uma escalação monstruosa. Para se ter uma idéia, no último sábado, a programação considerada sem graça pelos locais incluia um set de três horas do Phonique.

O espaço gigantesco é tido por muita gente, com razão, como uma das boates mais bacanas do mundo. Mesmo com o tamanho e com a fama, o lugar não tem clima de super-clube de Ibiza. Pelo contrário. Uma vez lá dentro, a sensação é de estar numa festa fechada, divulgada no boca-a-boca. Muito parecido com Berlim, por sinal.

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Música à metro

Meu sócio-fundador na maior festa do Brasil, a CALZONE, Filipe Mustache, vulgo Metro, tomou vergonha na cara e um ano após a quarta, lança sua quinta mixtape, a “One year simphony”.

Irmão de um dos Twelves, responsável pelas capas do “8 hits” e “Big forbidden dance”, do também CALZONE João Brasil, Filipe assina o visual ararárico da própria mixtape.

Na descrição do próprio Filipe, o set “tem melancolia, frenesi, swing, tem a fase bagaceira (música 07), nervosismo, glória, equilíbrio e calmaria. Mas tudo sem o perder o jogo de cintura e o rebolado!”.

As músicas:

01 – “Alan vs Gary” – Hedford Vachal
02 – “For You” – Pol Rax
03 – “Solid Ground” (Crazy P remix) – Eddy Meets Yannah
04 – “Robolove” (original mix) – Loud E
05 – “Fantasy” (Faze Action ’79 disco edit) – Johnny Hammond
06 – “Don’t Let Go” (Pete Herbert Edit) – Tony Orlando
07 – “Areia” – Rotciv
08 – “Afterski” – Ytre Rymden Dansskola
09 – “Bisco” (Original Mix) – Golden Bug
10 – “Lasagne For 10″ – Phantom Slasher
11 – “Shake-n-Skate” – Dr. York
12 – “21st Century Disko” (Original Arpeggio Mix) – Rob Webstar
13 – “Shulme” – Smith & Mudd

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Todo dia é sábado

O documentário “Part of the weekend never dies”, sobre o Soulwax, estava programado para ser exibido no mesmo dia que o “Dub Echoes”, no Sónar Barcelona 2008, mas por algum problema com a cópia, acabou não passando.

O trailer é bem bacana e dá muita vontade de assistir.

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Soltando bolhas

orchestra of bubbles.jpg

Bate-estaca e marreta são alguns dos termos nada elogiosos utilizados para descrever o techno. Muitas vezes é verdade mesmo, princpalmente no “sub-gênero” téquinôu, praticamente sinônimo de eletrônica entre fanfarrões e que serve bem pra descrever toda e qualquer farofada digital.

Ainda que aqui o techno esteja diluído e infiltrado por diversas influências, o excelente “Orchestra of bubbles” é um belo cala-a-boca para os que gostam de música eletrônica e ainda tem preconceito com o gênero.

Depois de remixarem um ao outro, Ellen Allien, dona do selo BPitch Control, e Apparat, cabeça do Shitkatapult (esse nome é fantástico) decidiram se juntar para produzir em conjunto. Deu certo.

O techno minimalista de Ellen Allien (que impressiona desde antes do seu último disco solo, “Thrills”) misturou-se as ambientações e entortadas de Apparat, conhecido por suas produções IDM (Inteligent Dance Music, ô sigla…). O resultado é uma espécie de deep techno, um 4×4 menos massante e mais viajandão.

É, de certa maneira, um techno mais acessível que o normal e isso não é pejorativo. Pra curtir sozinho, de fone de ouvido ou pra dançar pequenininho, sem grandes explosões. As músicas nunca estouram, pelo menos não com a força que se costuma ver nas pistas.

É tudo sútil, uma virada, um break, a entrada de um elemento novo. Do dubstep/dancehall abaixo de zero em “Metric”, passando pela quebradeira em “Do not break”, pelo chill out “Edison”, até as pancadas de “Jet” e “Turbo dreams”, tem música pra todos os gostos. Até pra quem não gosta de techno.

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