2 de setembro de 2008 às 14h15
Apelando
A Nokia encontrou uma maneira de competir com o iPhone: oferecer música de graça nos seus aparelhos.
A Nokia encontrou uma maneira de competir com o iPhone: oferecer música de graça nos seus aparelhos.
Em seu livro “17″, o fundador do KLF, ex-executivo de gravadora e ex-empresário do Echo & The Bunnymen, Bill Drummond, defende a tese de que que música, da maneira que conhecemos, já deu o que tinha que dar.
Para ele, toda música, uma vez gravada e executada em duas dimensões, perde o sentido de existir. Convencido disso, Bill forma corais de 17 pessoas, grava, toca uma vez para os integrantes e deleta a música logo depois, para sempre.
Esse experimento serve de premissa inicial do livro. O ponto que Bill quer provar é mais radical ainda: não adianta tentar achar solucões para crise de formatos, etc, é preciso parar tudo e começar de novo, do zero.
Lembrado que Bill Drummond é o sujeito que queimou um milhão de libras, referentes a royalties do KLF, apenas para provar que não o dinheiro não o controla.
Premiado pela audiência na edição de 2008 do festival de Sundance, “The Wackness” é um filme sobre um garoto (virgem) no último ano antes faculdade, levantando uma grana vendendo bagulho, que troca por sessões de terapia.
O interessante do filme é que uma dos principais eixos condutores é o ano de 1994, especificamente em Nova York, quando o rap passou o que (para alguns) foi seu último período relevante, pré-bundalização, enquanto o então prefeito Giuliani começava a implementar sua política careta, fechando clubes, perseguindo o hip hop e o grafite, etc.
Foi em 1994 que Kurt Cobain morreu, “Pulp Fiction” e “Forrest gump” (ambos com trilhas sonoras tão importantes quanto o filme) saíram, o Weezer lançou seu primeiro disco e que estreiaram nomes que viriam a dominar o cenário, como Notorious B.I.G., Outkast, Method Man e Nas, juntando-se a Snoop Dogg, A Trible Called Quest, De La Soul e outros.
No Brasil, 1994 também foi um ano importante, um ano chave até.
Tivemos a primeira eleição após o impeachment de Collor, o começo do Real, a morte do Senna, o tetra da Seleção, Chico Science & Nação Zumbi, O Rappa e Raimundos surgindo com seus primeiros discos e o Planet Hemp começando a dar bandeira…
Sempre tive interesse em 1994, especificamente no Brasil, por isso é interessante ver um filme feito sobre a época, ainda mais porque não faz tanto tempo assim (ou faz?). Coincidentemente, passei metade desse ano no Rio e a outra na Califórnia, pescando referências de lá e de cá.
Voltando ao filme, dizer que algo é wack, significa que é fraco, ruim. Wackness, portanto é a capacidade de produzir porcarias, numa tradução longa. A descrição do personagem principal talvez explique melhor o sentido do título.
Numa entrevista que começa com Method Man, parte do elenco, dando uma aula de falsa modéstia, o rapper fala algumas coisas interessantes — e numa boa — sobre o estado atual do hip hop nos EUA. O saite do filme tem uma rádio com uma bela seleção de clássicos da época.
Dr. Dre e sua “Still DRE”: escrita por… Jay-Z?
A autenticidade do hip-hop contemporâneo entra em discussão quando um mundaréu de letras pessoais é escrita por terceiros e os computadores são acusados de deixar os produtores preguiçosos e poucos criativos.

fotos: 99% de certeza de que são minhas mesmo, quando fiz uma
Joca Vidal, para matéria sobre o De Leve que escrevi para Revista da
MTV, em 2003, acho.
Há uns meses, o rapper De Leve publicou no Overmundo um texto interessante falando sobre o lobby das gravadoras e propriedade cruzada.
Uma das metades do Thievery Corporation, atualmente Rob Garza anda ocupado com seu projeto paralelo, o Dust Galaxy.
Influenciado pelo rock psicodélico, Rob saiu detrás da mesa de som para formar uma banda. Gravado em Londres, o disco foi produzido por Brendan Lynch (que já trabalhou com o Primal Scream) e conta com participações de Darrin Mooney (Primal Scream), Adam Blake (Cornershop), Didi Gutman (Brazilian Girls), Jerry Busher (French Toast, Fugazi) e outros.
Tem um clipe aqui (fica esperto no que você anda clicando pela rede, hein).
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo. Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.
Documentarista, jornalista, carioca, boto som mas não sou DJ e provavelmente passo tempo demais online.
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falaurbe [@] gmail.com

