Esse deve ter sido o ano em que menos fui a shows em muito, muito tempo. Culpa do cronograma de gravações mais cruel que já enfrentei (sempre noturnas, sempre em dias de bons shows). Ainda assim, teve MUITA coisa boa. Segue a lista, em nenhuma ordem específica.
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Paul McCartney (Coachella, EUA)
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Phoenix (Central Park, EUA)
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Curumin (Cinemateque, Rio)

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TV On The Radio (Coachella, EUA)
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Lucas Santtana & Seleção Natural (Vale Open Air, Rio)
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Radiohead (Apoteose, Rio)
“’Bom pra caralho’, como disse a banda em bom português ao final do show. Foi mesmo.”
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Kraftwerk (Apoteose, Rio)
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Franz Ferdinand (The Week, SP)
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Siba e a Fuloresta (Teatro Rival, Rio)
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Late Of The Pier (Coachella, EUA)
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M.I.A. (Coachella, EUA)
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Dirty projectors (Teatro Odisséia, Rio)
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Friendly Fires (Circo Voador, Rio)
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Lykke Li (Coachella, EUA)
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Little Joy (Circo Voador, Rio)
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Faith No More (Metropolitan, Rio)
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Skatalites (Circo Voador, Rio)
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Nação Zumbi (Circo Voador, Rio)
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Mexican Institute of Sound (Coachella, EUA)

Nação Zumbi no Circo Voador
foto: leojorge
Num final de semana disputado, repleto de shows internacionais em São Paulo (com os festivais Planeta Terra e Maquinária), Belo Horizonte (festival Eletrônica) e mesmo no Rio (Ellen Allien na Moo), um dos melhores programas não foi exatamente uma novidade: Nação Zumbi no Circo Voador.
Som redondinho, graves pesados, repertório infalível e casa cheia. Não tinha como dar errado.
Com o Circo abarrotado para ouvir um dos discos mais importantes da música brasileira, “Da Lama Ao Caos”, ser tocado na íntegra e na ordem, pintou até um elemento surpresa. Não se pode chamar exatamente de pontualidade, já que estava marcado para as 22h, mas um show no Circo começar as 0h30 merece comemoração.
“Rio 40 graus, quem não aguenta passa mal”, cantou o guitarrista Lúcio Maia, citando “Terremoto”, do Turbo Trio. Originalmente a letra fala em 50 graus, temperatura mais próxima da realidade.
Em meio a suadeira intensa, a banda foi saudada com uma adaptação do canto da torcida do Flamengo para o goleiro Bruno (”Puta que pariu / É a maior banda do Brasil / Nação!). “Só se for porque tem oito caras no palco”, brincou Jorge Du Peixe.
Além da formação original, Fred Zero Quatro, pedra fundamental do mangue beat e figura central até mesmo no disco da Nação em questão, participou de quase todo o show, curtindo justamente a celebração. Seu Jorge e Pitty também deram canja.
O Circo Voador e da Nação Zumbi tem histórias paralelas que se confundem. Como a própria banda ressaltou, eles evoluíram junto com o espaço.
De uma tenda na Lapa, o Circo passou a melhor casa do Rio, com direito a uma longa crise, quando a casa foi fechada. De uma novidade em “Da Lama Ao Caos”, a Nação tem hoje o show mais poderoso do Brasil, sem esquecer do baque que foi a perda de Chico Science.
De onde uma banda que canta que “computadores fazem arte” e que “os artistas pegam carona” foi parar no centro de uma confusão sobre compartilhamento de arquivos na internet é difícil de entender. A julgar pela molecada que comparecu ao circo, a rede criou as carreiras e os artistas levam a fama. Felizmente.
O que fica muito claro vendo a celebração desse disco (não que já não fosse) é que a banda não é só o Chico Science. ÓBVIO que ele foi elemento catalisador, a liga de tudo, porém o discurso musical e sonoro do manguebit é tão importante quanto as letras.
Tanto é assim que não apenas a banda continuou tocando após a morte de seu líder, como não se esconde de mostrar as músicas desse disco e de “Afrociberdelia”. E não tem medo de dar sequência a festa com material feito após o trágico acidente que matou Chico.
Mais do que celebrar “Da Lama Ao Caos”, o show comemorativo dos 15 anos de seu lançamento exaltam a própria Nação Zumbi. Apesar do clima nostálgico, é pra frente que se anda. Poucos sabem disso tão bem quanto eles.

Caranguejo: a capa foi feita pelo DJ Dolores
Pra comemorar os 15 anos do lançamento desse que foi o disco brasileiro mais influente dos anos 90, “Da Lama Ao Caos”, do Chico Science & Nação Zumbi, o Leo Lichote convidou uma penca de gente pra dar depoimentos sobre o disco no blogue MPB Player.
Só a diversidade da lista de depoimentos já dá idéia de como o disco atingiu praticamente todo mundo: Arthur Dapieve, Mauro Ferreira e John Ulhoa (Pato Fu), Silvério Pessoa e MV Bill, Kassin e Tom Leão, Bruno Levinson e Rodrigo Lariú, Adilson Pereira, Pedro Sá e Berna Ceppas, Jam da Silva, Esdras Nogueiras (Móveis Coloniais de Acaju) e Henrique Portugal (Skank).
Toda vez que lembro que tive a sorte de ver a banda com essa formação ao vivo dou graças a Deus. Convidado para falar do disco, abaixo está o texto que escrevi.
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O disco que apresentou Chico Science e Nação Zumbi para o mundo saiu em um ano que a música brasileira passava por uma renovação forte. Foi em 1994 que os Raimundos, O Rappa e Mundo Livre S/A lançaram seus primeiros trabalhos, o Skank estourava com seu segundo disco e o Planet Hemp estava as vésperas de chocar os mais sensíveis com seu discurso pró-legalização.
Foi também um ano agitado no país, com a morte do Senna, o tetra da Seleção e o início do Plano Real. O fato de “Da Lama ao Caos” ter se destacado em meio a tanta coisa fala muito da força da mistura de rock, maracatu, hip-hop, dub e música eletrônica proposta pelo CSNZ.
Difícil acreditar nisso hoje, mas numa época em a internet engatinhava e as mudanças no cenário musical ainda era ditadas pelas gravadoras e grande mídia, “Da Lama ao Caos” ter saído pela Sony foi um acontecimento importante tanto para o incipiente movimento mangue beat, quanto para toda geração que estava chegando a cena.
A lenda (confirmada por alguns integrantes da banda) conta que a gravadora acertou sem querer, pois ao contratar uma banda comentada de Recife esperava ter encontrado uma resposta ao fenômeno É o Tchan!, estouro de vendas do axé.
As marcas deixadas pelo disco são visíveis até hoje. “Da Lama ao Caos” envelheceu muito bem, soando moderno e contemporâneo mesmo 15 anos depois. Mais do que isso, a inovadora proposta sonora trouxe luz para longe do desgastado eixo cultural Rio-São Paulo.
Acelerou-se um processo em que artistas de outras regiões não mais dependem de estar em uma das duas cidades para acontecer nacionalmente, o que por si só é um grande mérito e uma evolução incalculável. Como dizia Chico Science: “um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar”.
“Rios, Pontes e Overdrives”, no Hollywood Rock 1996. Perdi uma clássica apresentação no Ballroom, mas graças ao bom Deus, essa eu vi.
Quem perdeu tem ao menos a chance de baixar o áudio do show.
Comemorando 15 anos de lançamento de “Da Lama Ao Caos”, quando ainda eram liderados por Chico Science, a Nação Zumbi faz um show hoje em Garanhuns, tocando o disco na ordem. Quem não estiver em Pernambuco poderá assistir online, ao vivo.
O Mundo Livre S/A, responsável por outro pedra fundamental do Mangue Bit lançada no mesmo ano, “Samba Esquema Noise”, se preparara para turnê “Samba Esquema Dub”, em que o disco será apresentado ao vivo devidamente filtrado por Buguinha Dub.
Ambos os shows devem acontecer no mesmo final de semana, em setembro, no Circo Voador.

Semana que vem sai o “Surf Adventures 2″. Dizem que o filme está bem bom, mas só pela trilha já vai valer a ida ao cinema. A produção musical é do Pedro Seiler, com colaboração dos editores do filme, Julio Adler e Sergio Mekler. Sente a lista:
1. “Maggot brain” – Funkadelic
2. “Quilombo groove” – CSNZ
3. “Trance” – A Roda
4. “Scarlet begônias” – Greatful dead
5. “Deixe-se acreditar” – Mombojó
6. “Forró esferográfico” – Cabruêra
7. “A Flor” – Los Hermanos
8. “Angelita” – Pata de elefante
9. “Jingo” – Santana
10. “Tinindo trincando” – Novos Baianos
11. “Música política para Maradona cantar” – Hurtmold
12. “Office boy” – Bonde do rolê
13. “Fucking long time” – Burnt Friedman
14. “Meu Maracatu pesa uma tonelada” – Nação Zumbi
15. “Meu Mar” – Erasmo Carlos
16. “Maracatu atômico” – Jorge Mautner
17. “Suzuka” – Chelpa Ferro
18. “In memory of Elizabeth Reed” – Allman Brothers
19. “Awô dub” – Lucas Santana
20. “Bat macumba” – Mutantes
21. “Miniatura Chelpa” – Chelpa Ferro
22. “Meiufiu” – Moraes Moreira
23. “Carimbó” – Do Amor
24. “A espuma” – DJ Dolores
25. “If you want me stay” – Sly and Family Stone
26. “Os urubus só pensam em te comer” – Cidadão Instigado
27. “Theme from Konono” – The Ex
28. “Three little birds” – Bob Marley
Nação Zumbi, “No olimpo”
Começou a sequência de shows do Claro Cine no Rio e, com isso, a chance de assistir tantos bons shows brasileiros que apareceram pela cidade espalhados durante o ano.
Pra começar, na primeira noite, a Nação Zumbi destroçou o palco, como de habitual, ainda que as músicas do último disco, “Fome de tudo”, não tenham a mesma força do anterior, “Futura”. A excessão é a excelente “No olimpo”, que entra direto pro repertório de clássicos da banda.
Na mesa de som, Buguinha Dub entortava tudo, fazendo dub mixes ao vivo e sendo co-responsável por uma versão assassina de “Coco dub”.
Moptop, “Aonde quer chegar”
O Moptop fez um de seus melhores shows. Já que passavam de uma da manhã quando os cariocas começaram o show e a tenda permaneceu cheia e atenta até o final.
A banda está melhor no palco e a boa qualidade do som do evento (uma surpresa e tanto) ajudou bastante. Ouvia-se tudo, bem equalizado e sem distorções em todos os shows até aqui (tirando o da Ana Cañas, mas nesse caso, definitivamente não foiculpa do equipamento). Bem que podia ser assim sempre.
Tem gente que implica com o Moptop, por achar derivativo de outras tantas bandas gringas (o que de fato é, muito bem feito por sinal), porém o mais legal ali fica escondido entre as guitarras, baixo e bateria.
As letras de Gabriel Marques estão acima da média, mesmo que as vezes tanto papo de coração partido possa ser cansativo. É o segundo disco e a banda vai crescendo, tomara que tenham tempo de evoluir ainda mais.
Canastra: “Sociedade alternativa” + “Dois dedos de conhaque”
Antes do Moptop, tocou o Canastra . Atendendo ao clássico pedido da platéia, o grupo mandou “Sociedade alternativa”, do Raul Seixa, e seguiu com a sua própria “Dois dedos de conhaque”.
Há quase um ano, Lucio Maia tocava a real sobre as bandas de internet (a partir de 04:03).
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