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“OViolão” se espalha


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Leo Lichote fez uma matéria bacana sobre coletâneas online de novos artistas para o Segundo Caderno do jornal O Globo e falou da nossa  “OViolão”, organizada por mim e pelo Matias e lançada aqui no OEsquema.

Abaixo está a íntegra do papo que ele bateu com a gente por e-mail.

Por que fazer um projeto como “OViolão”? E por que só voz e violão?

Bruno Natal: Não tinha muita pretensão, era mais pra juntar num mesmo projeto artistas independentes que fazem parte do dia-a-dia das notícias dos nossos blogues. A idéia do voz e violão é o batido “valorizar a composição”. Alguns desses artistas tem trabalhos experimentais, o que as vezes dificulta o entendimento por um público menos paciente.

Alexandre Matias: Queríamos também registrar essa geração como tal – não é um “movimento” ou uma “cena”, mas uma safra de compositores que nasceram na mesma época, aprenderam a gostar de música de um jeito parecido e teve que aprender como lidar com a música pós-MP3. A própria natureza do projeto – das gravações informais ao fato de ter sido lançado em dois blogs, sem dinheiro envolvido – acaba abordando esse ponto também.

Qual a importância (documental, cultural) de um projeto desse tipo?

BN: Apresentar esses artistas de uma maneira mais intimista, o que raramente eles fazem, é interessante.

AM: E mostrar que não importa se um é DJ, o outro é do rock ou da MPB. É tudo música.

Há o desejo de lançá-la fisicamente?

BN: A coletânea não foi feita com essa intenção, sequer foi masterizada apropriadamente. Poderia ser legal até, porém acho que o público de um projeto desses é forte online mesmo.

AM: O apelo é imediatista, é quase uma polaróide, enquanto registro…

Quantas composições são inéditas, quantas são novas versões?

BN: Todas são versões inéditas de músicas já compostas e gravadas com outros arranjos.

Vocês se inspiraram em outras iniciativas do tipo? Aliás, quais são as outras iniciativas do tipo (gringas e daqui)?

BN: Esse formato acústico não é exatamente uma novidade, mas também não tivemos essa preocupação. Foi mais pela curtição mesmo, pra ver no que dava. Uma iniciativa parecida, só que em vídeo, muito bacana são os “Les Concerts A Emporte”, do blogue francês La Blogoteque. Tem também o Música de Bolso, de São Paulo e o Pitchfork promove algumas coisas inéditas em vídeo.

AM: Estamos testando esses formatos não como uma gravadora ou um selo, mas como jornalistas mesmo. Jornalistas podem lançar discos? Outro dia o New York Times botou o disco do National inteiro pra ser ouvido no site do jornal – não era widget de gravadora nem embed do MySpace, tava hospedado no jornal. Tá tudo mudando, né? Não dá pra ficar parado, esperando o que vai acontecer…

Que critérios vocês usaram para escolher os artistas?

BN: Gosto pessoal e relevância artística em sua geração.

AM: E a amizade. Somos amigos de quase todos os envolvidos – um abraço a eles, aliás.

Conversamos sobre a proximidade que há entre esse tipo de projeto (canções lançadas sozinhas, sem um álbum a uni-las) e os antigos compactos. Mas a lógica não é exatamente a mesma, não? Que diferenças e semelhanças você vê entre um projeto como “OViolão” e, os singles atuais e os velhos compactos de vinil?

BN: No caso do “OViolão”, apesar de todos os artistas terem contribuído com músicas avulsas, todos obedeceram o mesmo critério, de experimentar e brincar com arranjos mais crus para suas canções.

AM: Acho que também nenhuma música se propõe “single” no sentido “música de trabalho”. São músicas que cairiam bem no meio do disco, numa roda de violão, no meio do show.

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OEsquema apresenta: “OViolão”


foto: Caroline Bittencourt / design: Dimáquina

O pacote com a coletânea completinha: OEsquema apresenta: “OViolão”.

Pra saber mais detalhes do projeto é só ler os dois textos de apresentação escritos por mim e pelo Matias no dia que as músicas começaram a pingar por aqui.

1. Lulina – “Mentirinhas de Verão”
2. AVA – “Filha da Ira”
3. Lucas Santtana – “Nighttime In The Backyard”
4. Wado – “Frágil”
5. João Brasil – “Orgasmadance”
6. Burro Morto – “Navalha Cega (Violas)”
7. Frank Jorge – “São Tantas Tendências”
8. Momo – “Mas É o Fim”
9. Curumin – “Solidão Gasolina”
10. Kassin – “Pra Lembrar”
11. Nina Becker – “Polyester Tropical”
12. Gabriel Thomaz – “248-6279″
13. CéU – “Cangote”
14. Do Amor – “Mindingo”

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OViolão: CéU, “Cangote”


CéU, “Cangote” (OViolão)

Fechando a tampa da coletânea “OViolão”, vem a CéU, se derretendo nessa versão ainda mais intimistas de “Cangote”. Logo vem a coleta inteira em um arquivo só.

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OViolão: Gabriel Thomaz, “248-6279″


Gabriel Thomaz, “248-6279″ (OViolão)

Com esse nome esquisito, não teve como não perguntar ao Gabriel Thomaz (do Autoramas) o porquê (Matias, conterrâneo de Brasília, já tinha matado a charada):

“Esse prefixo 248 é o prefixo antigo do Lago Sul, bairro de Brasília que tem as QI (Quadra Interna) e as QL (Quadra do Lago). Poderia ser uma QL, mas o Matias acertou, era QI 5 conjunto 2. Fico feliz em saber que você entendeu tudo agora. :)”

Bem no começo, a idéia do projeto era que os artistas gravassem da maneira mais simples possível, o que valia era o registro. A turma foi se empolgando e quando todas as gravações chegaram, estavam todas tão bem acabadas em termos técnicos que perguntei ao Gabriel se ele queria refazer e a dele. A resposta foi:

“Imaginei que a galera ia caprichar quando vi quem ia entrar, mas eu quis fazer assim mesmo, bem primitivo, sou muito mais Mummies do que Muse. Não sou inseguro. Se você for masterizar, queria que puxasse só volume, pra ficar bem estourado e sujo.”

Rrrrock!

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OViolão: Kassin, “Pra Lembrar”


Kassin, “Pra Lembrar (OViolão)

Kassin faz uma releitura de uma música que já gravada anteriormente. Sai a guitarra, entra o violão. Ou quase isso.

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OViolão: Frank Jorge, “São Tantas Tendências”


Frank Jorge, “São Tantas Tendências (OViolão)

O rei do Sul, Frank Jorge, desce a lenha nos modismos, produzindo para isso um hit que brinca justamente com “tantas tendências”.

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OViolão: João Brasil, “Orgasmadance”


João Brasil, “Orgasmadance (OViolão)”

Refazendo o mashup “Orgasmadance” utilzando apenas um violão para produzir todos os ons, João Brasil mostra seu lado acústico.

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OViolão: Lucas Santtana & Seleção Natural, “Nighttime in the Backyard”


Lucas Santtana & Seleção Natural, “Nighttime in the Backyard

Antes do lançamento oficial do “Sem  Nostalgia”, o Lucas Santtana estava soltando as músicas, uma a uma, no seu próprio saite. Com a coletânea “OViolão” na agulha, pedi pra incluir essa belezura “Nighttime In The Backyard” no disco, o que foi autorizado. Com o atraso da coleta, perdemos a exclusividade. Mas não importa, continua sendo uma alegria ter uma faixa dessas na compilação.

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OViolão: Lulina, “Mentirinhas de Verão”


Lulina, “Mentirinhas de Verão (OViolão)

Invertendo a mão, começo hoje a postar as músicas que saíram no Trabalho Sujo antes de soltar a coletânea inteira, em um só link. Em clima de fim de verão, Lulina fez uma versão da sua própria “Mentirinhas”, lançada originalmente no disco “Aos 28 Anos Dei Reset Na Minha Vida”, de 2007.

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OViolão: Do Amor, “Mindingo”


Do Amor, “Mindingo (OViolão)”

Hoje é a vez Do Amor, a super banda formada por Ricardo Dias Gomes, Marcelo Callado, Gustavo Benjão e Gabriel Bubu, e essa versão descontraída de “Mindingo”.

Visite o Trabalho Sujo para baixar a outra música do dia: CéU, “Cangote (OViolão)”.

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OViolão: Nina Becker, “Polyester Tropical”


Nina Becker, “Polyester Tropical” (OViolão)

Composta para o seu disco solo, Nina Becker fez um arranjo totalmente diferente para essa versão de “Polyester Tropical”. Gravada na Fábrica de Monstros, estúdio do Benjão, Bubu e Marcos Thanus. Ficou muito fino.

Visite o Trabalho Sujo para baixar a outra música do dia: Gabriel Thomaz, “248-6279″.

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OViolão: Curumin, “Solidão Gasolina”


Curumin, “Solidão Gasolina” (OViolão)

Como disse, “OViolão” era para ter sido lançado há um ano atrás. Tendo participado do disco “Sem Nostalgia”, do Lucas Santtana nessa época e estando por dentro desse papo de reconstruir o formato voz e violão, Curumim foi um dos primeiros nomes que pensei pra essa coletânea.

O que o Curumin fez nessa versão de “Solidão Gasolina” só confirma que ele tinha mesmo que estar.  Uma reconstrução musical, onde não faltou disposição pra explorar o violão inteiramente.

Visite o Trabalho Sujo para baixar a outra música do dia: Kassin, “Pra Lembrar” (OViolão).

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OViolão: Momo, “Mas É O Fim”


Momo, “Mas É O Fim”

O Marcelo Frota, do Momo, foi um dos primeiros a responder ao convite para participar da coletânea “OViolão” e foi também o primeiro a enviar a sua faixa. Mais do que ver sua música circulando, ele estava curioso para ouvir as versões dos outros artistas, perguntando sempre. Com nossa demora pra lançar as músicas, a antes inédita “Mas É O Fim” acabou saindo numa compilação da revista +Soma. Como ele era um dos mais entusiasmados não deu nem pra ficar triste. Foi justo.

Visite o Trabalho Sujo para baixar a outra música do dia: Frank Jorge, “São Tantas Tendências”.

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OViolão: Burro Morto, “Navalha Cega”


Burro Morto, “Navalha Cega” (OViolão)

A psicodelia do Burro Morto corre solta, mesmo longe das tomadas e baseadas no violão. Os paraibanos praticamente inauguram um novo gênero, progressivo caipira, numa música ensaiadinha e ainda assim tão viva que soa como um improviso.

Visite o Trabalho Sujo para baixar a outra música do dia: João Brasil, “Orgasmadance” (OViolão).

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OViolão: Wado, “Frágil”


Wado, “Frágil (OViolão)”

O nome do Wado foi um dos primeiros a serem lembrados para coletânea. Figura totalmente d’OEsquema, sua participação era fundamental. Por isso, foi com muita tristeza que recebemos a negativa do Wado, que estava doente na época, sem poder gravar.

A tristeza foi tão grande que superou o bom senso. Mesmo sabendo que ele não podia, insistimos e insistimos. Até que ele se lembrou que tinha essa versão de “Frágil” ainda inédita e, com os vocais já gravados, era apenas questão de fechar o instrumental.

Felizmente, Wado já está melhor e sua música aqui na coletânea. Deu tudo certo, como sempre acontece com as boas coisas.

Visite o Trabalho Sujo para baixar a outra música do dia, Lucas Santtana,“Nighttime in the Backyard”.

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OViolão: AVA, “A Filha da Ira”


AVA, “Filha da Ira (OViolão)”

Começamos hoje a soltar as músicas da coletânea “OViolão”, d’OEsquema.

Eu e o Matias simplesmente convidamos alguns artistas que gostamos para produzirem versões cruas (baseado no voz e violão, mas não preso a isso) de uma de suas músicas, suavizando a produção e valorizando a composição. O Mini e o Arnaldo também colaboraram com idéias e contatos. Dá um pulo no Matias fala que ele mais um bocado dessa história.

É tanto uma chance de ouvir músicas com menos elementos quanto é uma boa trilha para esse fim de verão. Muita gente bacana participou, tem bastante música boa vindo por aí.

Chamamos a a Caroline Bittencourt para fazer a foto da capa e ela acabou fazendo um ensaio com um luthier, gerando uma imagem para cada música. A arte da capa e dos vídeos foi feito pelos amigos do estúdio Dimáquina.

Na verdade, o lançamento está atrasado que só. A coleta era pra ter sido lançada nessa mesma época, só que no ano passado. Ficamos esperando o lançamento da nova página inicial do portal (que esse ano finalmente vem!) e o resto é  história.

Vamos soltando as músicas a conta-gotas, de uma em uma, até o final, quando pinta um pacote com todas as músicas.

Abrindo a sequência, Filha da Ira (OViolão)”, da AVA, filha de Glauber Rocha, cantora de timbre muito peculiar, forte, contrastando com essa música delicada.

Visite o Trabalho Sujo para baixar a outra música do dia: Lulina, “Mentirinhas de Verão (OViolão)”.

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