10 de fevereiro de 2012 às 14h29
Os bastidores da greve da polícia do Rio
Legal, legal… Enquanto isso, desçam o cacete em Pinheirinho – em todos Pinheirinhos do Brasil.
Legal, legal… Enquanto isso, desçam o cacete em Pinheirinho – em todos Pinheirinhos do Brasil.
Autor do filme-denúncia sobre as desocupações em Pinheirinho “Eu queria matar a presidenta: depoimentos da guerra civil brasileira em Pinheirinho”, bastante compartilhado no Facebook essa semana, Pedro Rios algemou-se na frente da sede da TV Globo em protesto contra o silêncio da grande mídia em relação a esses fatos.
Ainda que isso dificilmente vá resultar em alguma coisa – e pela rede, a boca pequena, comentem sobre outros “surtos” do rapaz – os acontecimentos em Pinheirinho foram noticiados até no Guardian, em vídeos no YouTube mas, salvo raras excessões como a fala do Boechat, está passando em branco por aqui.
Pra quem acha que a principal consequência da especulação imobiliária insana é aumento do aluguel, é só esperar. A bagunça está só começando. Ou você acha que Rio Cidade, UPP e distribuição de posse (todas ótimas ideias) está mesmo sendo feita com os pobres em mente? Numa cidade como o Rio, sem um palmo para se construir, os espaços “disponíveis” nos morros fazem as construtoras babar.
Projeto que vai sair do papel através do financiamento coletivo, pois já levantou R$ 13 mil além dos R$ 114 mil necessários para conclusão, se propõe uma voz independente nesse verdadeiro Fla x Flu ambiental que se transformou a discussão sobre Belo Monte. Tomara que cumpra a promessa.
Boni toca a real sobre o famoso debate de 1989 na TV Globo – e isso na Globo News.
Os artistas da Globo contra a Belo Monte. É, turma, protestar está pop. E isso pode ser bom.
ATUALIZAÇÃO: transmissão ao vivo da manifestação, 10 mil pessoas nas ruas
Após o desmanche do acampamento no parque Zuccotti, o clima esquentou no #OccupyWallSt, com enfrentamento entre manifestantes e a polícia. Hoje, aniversário de dois meses do movimento, foi marcado o Day Of Action.
Já voltei, mas o fotógrafo Lucas Bori está bem perto e subindo vídeos em tempo real no YouTube, começando por essas convocações para se juntar ao movimento que estão sendo feitas no metrô, agora no final de tarde em Nova York.
Nessa segunda passei pelo Occupy Wall Street e dei uma volta por lá para ver de perto. Impressionante o que está acontecendo aqui em Nova York. Sem saber, visitei a manifestação na última noite antes da invasão da polícia desmontar o acampamento no parque Zucotti.
O deputado estadual Marcelo Freixo - futuro prefeito do Rio, se tudo der certo – ESCULHAMBOU o Secretário de Transportes, Júlio Lopes, em plenário, por conta de suas atitudes em relação ao acidente com o Bondinho de Santa Teresa.
Será que com essa postura o Freixo consegue ir longe? Será que se conseguir, mantém a postura? Aguarde os próximos capítulos. Porque seria bom demais, viu.
Ah, os políticos brasileiros… O que eles não fazem pra levantar um cascalho para si? Se aprovada a divisão, serão criados mais dois Estados, com governos, funcionários, cargos… Já viu, né.
Só pra lembrar que a data do plebiscito desse absurdo está chegando. Adivinha quem vai pagar a conta?
Estava demorando: premiê inglês David Cameron sugere um controle sobre as redes sociais para conter os tumultos em Londres.
Como disseram, conflitos urbanos existiam antes das redes sociais, o que não existia era mutirões de limpeza comunitários organizados em poucas horas.
Querer culpar as redes sociais é atacar a consequência, não a causa, como foi muito bem explicado pelo sociólogo Silvio Caccia Bava no belo sabão que passou nos apresentadores da Globo News.
Enquanto isso, o coro come no Chile, aqui do ladinho. Vai vendo.
Vários links e infos desse texto foram garimpandas na excelente filtrada das notícias de Londres feita pelo Matias.
Inspirados pelas recentes mobilizações no mundo árabe e na Espanha (talvez até pelas de Londres, vai saber), os americanos do grupo Culture Jammers, através da revista Adbusters, marcaram uma ocupação de Wall Street, em Nova York.
Os próprios organizadores do #occupywallstreet sintetizaram o espírito do movimento nas palavras do manifestante espanhol Raimundo Viejo, durante os eventos na universidade Pompeu Fabra, em Barcelona:
“O movimento anti-globalização foi o primeiro passo. Antes nosso modelo de ação era atacar o sistema como uma alcatéia. Havia um macho alfa, um logo que liderava o grupo, e aqueles que seguiam. O modelo evoluiu. Hoje somos uma grande massa de pessoas”
Via @antonioengelke.
“Everyone from all sides of London meet up at the heart of London (central) OXFORD CIRCUS!!, Bare SHOPS are gonna get smashed up so come get some (free stuff!!!) fuck the feds we will send them back with OUR riot! >:O Dead the ends and colour war for now so if you see a brother… SALUT! if you see a fed… SHOOT!”
Os tumultos em Londres, iniciados após a morte pela polícia de um rapaz armado, espalharam-se para além de Tottenham, estão fortes em Hackney (onde morei), Lewisham (ao lado de onde estudei) e Peckham.
Liderados por adolescente de baixa renda, chamados hoodies por andarem sempre com casacos de gorro escondendo o rosto, os eventos são reflexo do corte de verba para os centros comunitários para jovens, decisão equivocada e que deixa lições para todos, inclusive no Brasil.
A mídia foi rápida em atribuir a velocidade com que os tumultos se espalharam a redes sociais (deve haver um botão com essa frase pronta nos teclados das redações), citando bastante Twitter e Facebook. Acontece que enquanto a polícia monitorava as redes, dessa vez esses não foram os canais principais.
Com baixo custo em relação ao iPhone, o BlackBerry, aparelho utilizado por 37% dos jovens londrinos, tem sido a ferramenta mais utilizada para comunicação. Além da rede de mensagens instantâneas gratuita conhecida como BBM (BlackBerry Messenger), pesa a impossibilidade de serem traceados em tempo real pelas autoridades.
Ano passado estudantes protestaram nas ruas, esse ano esquentou ainda mais. As coisas andam mesmo borbulhando na Inglaterra. E a crise está só começando.
Quando sentou de frente para o computador para gravar um rap de protesto contra o aumento de 73% que os deputados deram a si próprios, Tonho Crocco (ex-vocalista do Ultramen, agora solo) não poderia imaginar a repercussão que sua música “Gangue da Matriz” teria.
Ofendido, o deputado Giovani Cherini (PDT) encaminhou ao Ministério Público uma representação e Tonho foi intimado e indiciado por “crimes contra a honra”.
É difícil até listar em quantos níveis essa ação está equivocada: trata-se de censura, uma arbitrariedade que fere a liberdade de repressão e o direito de protesto do artista – e de todos nós. Crime contra a honra é esse aumento obsceno.
Felizmente, Tonho não tremeu e está enfrentando a situação. Surpreso agora deve estar o deputado, com a repercussão que o caso está tomando.
Ex-integrante de um partido de extrema direita sueco, Camilla Ragfors era amiga no Facebook de Anders Behring Breivik, terrorista norueguês autor dos atentados de sexta em Oslo. Ela escreveu um artigo para o Guardian com visão interna (repleta de culpa e ingenuidade) do círculo de ódio.
A barra anda pesada na Europa, repetindo o mesmo ciclo que já nos levou a duas guerras mundiais: economia cambaleante, a busca por bodes espiatórios e a violência. Imigrantes são o alvo preferencial, é muito tão fácil apontar para os “estrangeiros se aproveitando dos recursos”.
No Brasil imigração ainda não é uma questão polêmica – migração é, há muito tempo. Basta o aumento da população de peruanos, bolivianos e angolanos, sobretudo em São Paulo, encontrar uma crise econômica para um problema aparentemente distante cair no seu colo. Todos temos o que aprender com o que aconteceu na Noruega.
“Não importa o que vai acontecer, importa o que está acontecendo.”
O escritor uruguaio Eduardo Galeano visitou os acampamentos de Madri e Barcelona durante a #spanishrevolution.
Via @antonioengelke.
A Finlândia foi um dos países que mais se opôs a uma ajuda financeira da União Européia a Portugal, amargando uma pindaíba séria. Descontente, o português Carlos Carreiras encerrou sua apresentação na Conferência de Estoril com um vídeo-sabão para os finlandeses – eles começaram a mudar de opinião sobre o empréstimo.
Tem uma versão resumida do vídeo aqui.
“O filme que fizemos, fazemos e faremos expõe um problema ao público mas não propõe alternativas para soluciona-lo. Isso é tarefa de quem nos assiste. Para nós a mudança não é uma grande mudança, não é um grande trauma, não é nada revolucionário ou radical, não se trata nem de uma grande ideia. É na verdade algo muito simples, algo que já está no ar para quem quiser pegar; o açaí dos igarapés, o óleo de Piqui, Amdiroba, Copaíba, Noni (o antibiótico da Amazônia), madeira de manejo, ecoturismo e assim vai…”
Não é bem isso que se vê nesse trailer – ainda bem. Aliás, não há nenhuma informação sobre o filme completo na página do projeto. Belo Monte é assunto sério. Tão sério que não recebe cobertura decente pela imprensa.
Foram proibir a Marcha da Maconha em São Paulo… Deu nisso: a Marcha da Liberdade se espalha pelo país.
O povo vai tomando gosto e quer protestar sobre TANTA coisa estranha que tem acontecido.
A Marcha da Liberdade no Rio é no sábado, 18 de junho, 14h, acontece no Rio (falta definir e divulgar o local).
FHC entrando no clássico Dampkring
Nos últimos dias a cannabis sativa tem estado no centro do noticiário – ao menos online. Na noite de domingo, #maconha chegou ao topo da lista de assuntos mais comentados no Twitter no Brasil.
Mais do que uma reportagem equilibrada sobre o assunto no Fantástico, não pensava que veria uma enquete sobre regulamentação da maconha ter o apoio de 57% dos telespectadores.
Após o baixo astral de dias de acontecimentos estranhos, a Marcha da Liberdade iniciou a virada e essa semana começa bem.
A guerra contra as drogas fracassou. Não há mais dúvidas. Não se engane: os principais beneficiados pela mudança da política de drogas serão os não-usuários, não os “maconheiros”.
Personagem do documentário comentado outro dia, Bill Hicks tem opinião relevante sobre a proibição da maconha:
A MTV fez um programa sobre o assunto. A primeira parte está abaixo e o resto dá pra assistir você sabe onde.
– se o vídeo não carregar, clique aqui –
Após a pancadaria propiciada pela PM de São Paulo na Marcha da Maconha semana passada, a população se reúne na Marcha da Liberdade.
Clima tenso no ar. Mesmo podendo ir adiante, a Marcha da Liberdade, uma metamanifestação, acontece censurada, já que não se pode pedir abertamente o direito de se manifestar pela discussão da proibição da maconha. Mencionou o tema, a porrada vai cantar.
Isso é MTO maior do que legalização da maconha. É pelo direito de se manifestar, por qualquer tema. Pena que muitos artistas e personalidades que poderiam dar ainda mais visibilidade a isso tudo ficam em casa. Cadê o coxinha do FHC, nosso renascido libertário?
Força, SP! Precisamos da resistência de vocês.

Ao contrário das revoluções por democracia no norte da África e nos países arábes que receberam ampla cobertura da imprensa mundial, as manifestações em Madri são tratadas como nota de rodapé nos veículos de comunicação, mesmo com o hashtag #spanishrevolution frequentando os TTs do Twitter sem parar.
Revolução boa é lá longe. Quem tem medo do que? De quem?
Chamado Democracia Real, a mobilização é apolítica apartidária, capitaneada por jovens em busca de melhores condições de vida – a Espanha anda numa pindaíba braba, com 45% dos jovens desempregados em algumas regiões. As manifestações se espalham pela Espanha (praça Catalunya tomada) e pelo mundo, com espanhóis se juntando em frente as embaixadas.
A ocupação da praça (sempre a praça) Puerta del Sol, em Madri, iniciou-se dia 15 e não tem hora pra acabar. Ou melhor, tem: domingo tem eleições na Espanha e por lei manifestações são proibidas a partir desse sábado. Vem coisa quente por aí.
Enquanto isso, aqui no Brasil, confunde-se crescimento econômico – acesso ao crédito e posterior escravização pelos bancos – com crescimento social – educação, cultura, que poderiam gerar movimentos como o espanhol.
A estrada é longa, e como é. E esse silêncio todo é inspirador.
promo_democraciapb from Democracia O Filme on Vimeo.
O documentarário sobre a democracia corintiana, projeto do grande Gustavo Gama Rodrigues com Pedro Asbeg, só sai se você colaborar, sendo corintiano ou não.
Um filme sobre democracia fora da esfera política sendo financiado democraticamente. Tome metalinguagem.
Quem podia botar dinheiro nisso era o próprio Corinthians e o Ronaldo, que diz gostar tanto do time.
Esse ano não filmei, fique com o registro do cabrón Matias Maxx.
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo. Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.
Documentarista, jornalista, carioca, boto som mas não sou DJ e provavelmente passo tempo demais online.
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falaurbe [@] gmail.com
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