11 de agosto de 2009 às 12h04
Carrosel holandês
Esse curta produzido sob encomenda da Philips (uma propaganda, claro) é sensacional. O making of mata a curiosidade, mas não explica metade das dúvidas.
Esse curta produzido sob encomenda da Philips (uma propaganda, claro) é sensacional. O making of mata a curiosidade, mas não explica metade das dúvidas.
Esses dias estava assistindo as entrevistas após um jogo do Flamengo e me deparei com essa cena patética.
Os patrocinadores investem em eventos, times, etc, exatamente na esperança de pegar carona na mídia expontânea espontânea que um sucesso pode gerar. As televisões, por outro lado, só querem botar uma marca no ar recebendo por isso.
O saldo dessa briga, no caso do esporte, são enquadramentos cada vez mais fechado nos rostos dos atletas, resultando em saídas bizonhas, como colocar o anúncio no meio da cara do entrevistado.
Tom Jobim, via patrikschulze
O caso Burguer King apareceu na 9a posição no ranking dos 10 assuntos mais importantes do dia 15 de maio, compilado pela revista Época, que também publicou nota sobre o assunto (onde felizmente sou citado dizendo que isso tudo é uma grande bobeira), e outros blogueiros comentaram o assunto.
Quero só ver quando as histórias da edição dedicada ao Brasil da Vice chegarem por aqui (não sei se a versão nacional, prestes a estreiar, vai republicar essas matérias).
Algo me diz que o humor corrosivo da revista para contar histórias, como a do repórter obrigado a entrevistar Oscar Niemeyer de bermudas após um assalto BIZARRO na noite anterior, não vai cair bem por aqui.
Pra encerrar a discussão iniciada pelo incidente do hamburguer, Tom Jobim (a partir de 3:54) comenta sobre a recorrente acusação de que falava mal do Brasil no exterior.
A histeria midiática e política que viria quando a campanha do Burguer King veiculada na Inglaterra se tornasse conhecida por aqui era prevista.
Comentários insandecidos, repletos de ufanismo barato, também. Era esperado até mesmo que a piada da campanha (sem graça e desrespeitosa, sim) fosse descontextualizada ou má interpretada.
Não é novidade. Foi assim com o episódio dos Simpsons passado no Rio ou com a campanha de moda italiana com PMs.
A peça da lanchonete faz referência ao conhecido (lá e cá) caso do inglês Ronald Biggs, que assaltou um trem pagador e fugiu para o Rio, onde viveu em liberdade. Seu filho inclusive integrou a Turma do Balão Mágico.
Impunidade e corrupção no Brasil são fatos, não é invenção. Preste atenção na notícia que estava na capa, publicada ao lado do incidente do hambúrguer.
Agora, uma canelada dessas não dava para prever. Difícil imaginar algo tão gratuito e oportunista quanto essa peça da Ediouro (alô, alô, W/Brasil!).
Em vez de atacar a lanchonete — o que já seria uma besteira — viraram o canhão contra… Londres! Que vergonha.
Pior mesmo é ver meu nome (creditando a foto da matéria) misturado na peça de publicidade. Não coloquei a foto no URBe como manifesto, muito menos um tão baixo quanto esse, apenas como notícia.
Quanto a generalização do título (“para quem mora no Rio nunca passou pela cabeça comprar uma passagem só de ida para Londres”), respondo: pela minha não apenas já passou a idéia, como inclusive já coloquei em prática e adorei. Repetiria a experiência feliz da vida.
Se como diz o ditado “a verdade dói”, em vez de perder tanto tempo combatendo um anúncio bobo desses, bem que os ultrajados poderiam redirecionar essa energia para fazer daqui um lugar melhor.
Como previsto, a foto do anúncio do Burguer King que tirei em Londres foi parar na grande mídia e os políticos já falam em manifestar repúdio.
Mais rápido do que eu esperava. E as matérias seguem saindo:
Lembra que falei de como quando estava morando em Londres, ano passado, toda vez que falava que era do Brasil as pessoas perguntavam se era de São Paulo? Pois bem, em 2009 o Rio está de novo em alta na Inglaterra!
Veja que legal essa campanha do Burguer King anunciando seus preços imbatíveis:
“Não é necessário uma passagem só de ida para o Rio”
E a assinatura: “Você se sentirá como se tivesse nos roubado”
Tá brabo… Se bem que essa fama de terra sem lei, onde nada tem maiores consequências, na verdade não é só do Rio, é do país todo.
Avante Brasil!
(Aposta: quanto tempo você acha que leva até essa foto parar em algum grande veículo e a Secretaria de Turismo do Rio – se não for o Ministério das Relações Exteriores – processar a lanchonete?)
Bem legal o vídeo da empresa de sucos Do Bem, criado por Breno Pineschi com trilha do João Brasil.
Só estranho o tanto que o conceito brasileiro se parece com a inglesa Innocent.
A nova campanha contra pirataria da indústria cinematográfica inglesa, chamada You Make the Movies, muda a abordagem usual de generalizar e chamar todo espectador de um ladrão em potencial. Sem falar da antipadia que são aqueles avisos anti-pirataria que você é obrigado a assistir quando COMPROU um DVD.
A nova abordagem, bem mais simpática, trata o espectador como parte da indústria, como o financiador dos filmes que tanto gosta de assistir. Pegando carona na onda faça você mesmo do “Rebobine Por Favor”, de Michel Gondry, a campanha incentiva usuários a recriar suas próprias versões de filmes conhecidos.
O furo fica por conta do saite não oferecer os códigos das peças publicitárias para colar os vídeos em outras páginas. Deve ser preocupação com direito autoral, o que seria no mínimo irônico.
Enquanto isso, nos EUA, até o FBI foi acionado para investigar o caso do vazamento de uma versão de “Wolverine”, um mês antes do lançamento.
Tendo como ponto de partida essa bizarrice aí de cima, o Mini escreveu sua segunda análise sobre a Lógica do Fiasco, iniciada com o caso da sátira de Ronald Rios a campanha de uma marca de cerveja que acabou saindo do ar.
Ah, os paradoxos da publicidade. Se não se tratasse de uma campanha publicitária exatamente de uma rede de telefonia (mais uma vez criada pela Droga5), esses vídeos falado da exploração absurda dos usuários de celular poderia passar com uma espécie de manifesto da Arte de Perder Negócios.
Que isso… Que troço bonito. Outra vez, da Droga5.
Essa fecha o dia, vou assistir Watchmen antes que saia de cartaz.
Esse vídeo é o estudo de caso da ação bolada pela Droga5 para Ecko. Dá pra assistir no saite da agência ou clicando aqui (não há como inserir no blogue).
Olha o tamanho da repercussão que isso teve. A partir de agora só respeito viral daí pra cima. Hahaha!
A onda de repetir analogicamente o que se habituou a ver no mundo digital segue forte.
Se liga nessa propaganda do Guitar Hero, da agência australiana Droga5.
Um dos pilares do universo das comunicações, o mercado publicitário está tão perdido quanto o resto em relação as mudanças provocadas pela revolução digital.
Veja esses dois exemplos recentes — e totalmente diferentes — de posturas e soluções para anunciar no mundo virtual.
Enquanto 27 editores gigantes dos EUA (responsáveis por 66% do tráfego de internet nos país) demonstram preguiça e falta de visão ao pretender extinguir os banners e substituí-los por formatos mais intrusivos de anúncio (como é na TV), o jornal inglês Guardian sai na frente e estréia uma plataforma open source.
Em vez de trancar o seu conteúdo, o jornal permitirá os usuários criar aplicativos e ferramentas explorando o mesmo para ser utilizados em outros saites, com inclusão automática de publicidade. Com isso o jornal aumenta o seu alcance e se valoriza como veículo frente aos anunciantes.
Esse anúncio da Peta teve sua transmissão durante o Superbowl vetada pela rede NBC por ser caliente demais. A organização defensora dos direitos dos animais colocou o filme em seu saite junto de diversas outras de suas propagandas que foram gongadas.
Assista na ordem:
O comediante Ronald Rios fez essa versão surreal da campanha da Skol.
Apesar de algumas pessoas estarem entendendo isso como parte oficial da campanha, mesmo sem Ronald ter declarado tratar-se de uma brincadeira no seu Badalhoca, não vejo chance de isso ter sido aprovado pelo cliente.
De qualquer jeito, de uma maneira torta, o sucesso da sátira empurra a campanha oficial. Mesmo que o motivo seja simplesmente servir de escada para Ronald brilhar.
Via Mr. Manson.
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ATUALIZAÇÃO: A versão satirizada foi tirada do ar após um e-mail “com ameaça velada” da empresa em questão, informa o próprio Ronald Rios. O comediante disponibilizou uma versão censurado do seu vídeo, sem as artes originais e sem menções a marca em questão.
A versão para TV das propagandas da VW com Marcelo Adnet estavam sub-aproveitando o talento do rapaz, isso era meio óbvio. Surpreendentemente, alguém teve a boa idéia de fazer versões para web. Ainda falta coragem, mas logo, logo o padrão alternativo será o principal.
MacGyver visita MacGrubber, nesse comercial feito para o Superbowl 2009.
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo. Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.
Documentarista, jornalista, carioca, boto som mas não sou DJ e provavelmente passo tempo demais online.
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