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Melhores discos internacionais de 2011

 

Ano muito bom de discos e de músicas. O critério é o mesmo da lista de melhores discos nacionais de 2011 (e de sempre): a ordem dos discos é baseada no volume de audições. Sem falar que ao longo de 2012, sempre se pode encontrar um disco de 2011 que não conhecia e a lista mudar, como já aconteceu com o Tame Impala.

Deixe suas dicas nos comentários.

10.

Radiohead, “The King Of Limbs”

 

9.

The Weeknd, “House of Ballons”

 

8.

James Blake, “James Blake”

 

7.

Girls, “Father, Son, Holy Spirit”

 

6.

Real Estate“Days”

 

5.

Toro Y Moi, “Underneath The Pine”

4.

The Rapture, “In The Grace Of Your Love”

3.

Metronomy, “The English Riviera”

2.

SBTRKT, “SBTRKT”

1.

Peaking Lights, “936″

Bônus: outros bons discos de 2011 que merecem ser mencionados:

Ducktails, “Arcade Dynamics III”

Danger Mouse & Daniele Luppi, “Rome”

Mayer Hawthorne, “How Do You Do”

Lykke Li, “Wounded Rhymes”

Com Truise, “Galactic Melt”

Youth Lagoon, “The Year Of Hibernation”

Mark McGuire, “A Young Person’s Guide”

Shit Computer, “”

2562, “Fever”

Seun Kuti & Egypt 80, “From Africa With Fury: Rise”

Cerulean Crayons, “_Batch2″

Frank Ocean, “Nostalgia/Ultra”

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Radiohead e Dr. Pepper

Vi no Lúcio.

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SBTRKT vai remixar Radiohead

Entrevista curtinha com o SBTRKT no Guardian, certamente um dos discos do ano, falando entre outras coisas, sobre o remix que está fazendo para o Radiohead:

Who would be a dream collaboration?
I’m a massive fan of Björk. It would be amazing to work with her – she’s really inspiring, but whether or not it would be great … I’m not sure. I’m doing a remix with Thom Yorke at the moment, for Radiohead – it’s been funny because normally when you do remixes it’s between you and the label, and the artist never gives a shit ‘cos it’s just promo for them, but Thom’s actually sent me feedback.

Desculpe não ter traduzido, não deu tempo.

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Radiohead, “Little by Little” (Caribou RMX)

Little By Little Caribou RMX by Radiohead

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Radiohead, “Staircase”

Na segunda a noite o Radiohead lançou uma música nova, “Staircase”, tocando ao vivo no programa “From the Basement”, criado pelo produtor de diversos discos da banda, Nigel Godrich.

Os primeiros minutos parece que o Hurtmold foi invadido por teclados do Kraftwerk. O troço vai tomando outro rumo quando o vocal entra. Bem boa.

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Pretty Lights, “Pretty Lights vs Radiohead vs Nirvana vs NIN”

Esse remix do Pretty Lights anda encabeçando a lista de mais populares do Hype Machine. Bem bom e na página deles tem coisas tão boas quanto.

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Weezer, “Paranoid Android” (Radiohead)

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Burial + Four Tet + Thom Yorke

Estrearam ontem a noite no programa do Flying Points na Rinse.FM as duas músicas da colaboração entre Burial, Four Tet e Thom Yorke. O vinil com as duas faixas, “Ego” e “Mirror”, esgotaram na pré-venda.

Ouça e diz se as andanças de Thom Yorke não explicam bastante a sonoridade do “The King Of Limbs”, disco recém-lançado pelo Radiohead.

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Radiohead, “Lotus Flower”

Escutando “Lotus Flower” (não o zilhões de mashups do clipe com qualquer música que pipocaram na rede) e o resto do novo disco do Radiohead, “The King of Limbs”, a influência de sons espaciais (com duplo sentido) é inegável.

Não é exatamente uma surpresa. As coletâneas que Thom Yorke fez para serem tocadas antes dos shows da turnê do “In Rainbows” (publicadas aqui no URBe em duas partes: “Einlass 1″ e “Einlass 2″) já apontavam nessa direção.

No mais, bom ver que “Give Up The Ghost” ganhou uma versão gravada. Pena que a versão é inferior a que foi mostrada ao vivo nos shows do Atoms for Peace, perde muito sem se ver Thom adicionando uma a uma as camadas e mais camadas que formam a música.

Um disco estranho, abaixo de “In Rainbows”. Não é ruim, mesmo que pudesse ser mais. Dizem que tem uma segunda metade a caminho. Pode ser apenas desespero de fã.

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Orquestra solo

Uma releitura YouTubeana do Antwan de “Time”, da trilha de “Inception”, composta por Hans Zimmer.

O rapaz gosta da brincadeira, já fez com músicas do Radiohead, Lady Gaga, do tema de “Laranja Mecânica”, entre outros.

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Radiohead do público

Filmado por fãs tchecos durante uma apresentação da banda em Praga, o DVD do show montado com as imagens captadas pelos público ficou bacana e impressionou tanto os integrantes do Radiohead que eles liberaram a master do áudio do show para sonorizar o projeto.


Trailer

“Fãs tchecos?”, você pode estar se perguntando, “já ouvi falar de algo assim antes”.  Pois é, o Projeto Raindown, de um brasileiro, fez a mesma coisa com o show do Radiohead em São Paulo, só não ganhou a benção oficial da banda.

Normalmente, a referência mais citada para esse tipo de projeto é o “Awesome! I Fucking Shot That”, do Beastie Boys, de 2006. O que raramente se lembra foi que o Skank fez isso muito antes, no clipe de “Balada do Amor Inabalável”, de 2000.

Indo totalmente contra a proposta inovadora do vídeo, a página oficial da banda mineira no YouTube não autorize que o clipe seja reproduzido em outros saites, o que ajuda a explicar porque não costuma ser citado como exemplo.

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Melhores shows de 2009

Esse deve ter sido o ano em que menos fui a shows em muito, muito tempo. Culpa do cronograma de gravações mais cruel que já enfrentei (sempre noturnas, sempre em dias de bons shows). Ainda assim, teve MUITA coisa boa. Segue a lista, em nenhuma ordem específica.

Paul McCartney (Coachella, EUA)

“John Lennon também foi  homenageado com “Here Today”. Obviamente, as músicas dos Beatles (”The Long and Winding Road”, “Blackbird”, “Eleanor Rigby”) causavam comoção. George Harrison também foi lembrado quando Paul tocou “Something” em um ukulele presenteado pelo próprio, seguida por “I’ve got a feeling”.”


Phoenix (Central Park, EUA)

“Lá pela metade da apresentação dos franceses no Rumsey Playfield, parte do Central Park Summerstage, pintou uma questão: como resenhar algo tão perfeito? Diante de tanto acerto, resta muito pouco além de elogios.”

Curumin (Cinemateque, Rio)

“Veio 2008 e Curumin lançou um dos melhores discos do ano. Ao filtrar melhor suas influências, “Japan pop show” acerta onde errou na estréia. O que antes era uma coleção de referências bem marcadas — seja samba-rock, afrobeat, dub — misturou-se com classe, começando a formar uma sonoridade própria, resultado da colisão disso tudo.”

TV On The Radio (Coachella, EUA)

“Cada vez que Kyp Malone dedilhava o baixo os sub-graves pareciam estar saindo de algum equipamento digital de tão fortes. Era cada catranco no peito que não era brincadeira. A densa massa servia de base para camadas e mais camadas de guitarra, num som que tinha que ser decifrado antes de fazer sentido.”

Lucas Santtana & Seleção Natural (Vale Open Air, Rio)

“Transpor essas músicas para o palco é complicado. Ainda mais porque algumas delas são bastante delicadas e bem resolvidas. Nesse sentido, Lucas Vasconcellos conseguiu uma façanha ao adicionar uma cama de teclados na balada “Nightime In The Backyard”, umas das melhores do disco, fazendo a canção crescer no palco.”

Radiohead (Apoteose, Rio)

“’Bom pra caralho’, como disse a banda em bom português ao final do show. Foi mesmo.”

Kraftwerk (Apoteose, Rio)

“Seja como for, toda vez que se assiste ao Kraftwerk o embasbacamento é o mesmo. É como se eles tivessem apertado e girado todos os botões de sintetizadores possíveis e imagináveis antes de todo o mundo.”

Franz Ferdinand (The Week, SP)

“Uma das poucas bandas de sua geração que não apenas conseguiram se estabelecer, mas também crescer, o Franz Ferdinand tem como trunfo um excelentes shows. Mostraram isso em suas visitas anteriores ao Brasil e dessa vez não foi diferente.”

Siba e a Fuloresta (Teatro Rival, Rio)

“O trabalho de Siba só surpreende dessa maneira aqueles que pouco conhecem o resto da história musical da região. Pasmos com a “modernidade”, a “contemporaneidade” do que lá se produz. É um tapa na cara, um belo “acorda aê”.”

Late Of The Pier (Coachella, EUA)

“Como se estivessem tocando num pub em Londres, fizeram o mesmo show de sempre, com as danças e roupas esquisitas, a gritaria, a quebra de andamento, as camadas de sintetizador e a programações esquisítissimas.”

M.I.A. (Coachella, EUA)

“O trabalho de pesquisa da estética dos países em desenvolvimento de M.I.A., tanto a visual quanto a musical, cresceu bastante em “Kala”. Provavelmente ciente de que sem o visual seu show não passava totalmente sua mensagem, M.I.A. se transformou numa Madonna do terceiro mundo.”

Dirty projectors (Teatro Odisséia, Rio)

“Quem lá esteve, no entanto, se encantou com a banda. Até os integrantes, conhecidos por sua postura fechada tanto no palco quanto fora dele, estavam soltinhos, fazendo piadas e rindo sem parar. É raro ter a chance de ver uma banda tão pouco preocupada com fórmulas pop tocando por aqui, ainda mais num lugar pequeno. Quando pinta, tem que aproveitar, inclusive para possibilitar novos eventos.”


Friendly Fires (Circo Voador, Rio)

“Se baixas expectativas são o combustível para uma grande surpresa, os ingleses fizeram sua parte. Confirmando a fama de bons de palco, os ingleses sacudiram a tenda sem parar com ótima presença de palco, principalmente do vocalista Ed MacFarlane, requebrando sem parar.”

Lykke Li (Coachella, EUA)

“a loirinha sentou a puia na galera que tostava sob o sol. Toda de preto e pulando sem parar, Lykke Li mostrou um show ainda melhor do que o usual, utilizando suas mil traquitanas e sem se preocupar em posar de gatinha.”

Little Joy (Circo Voador, Rio)

“Feliz, depois de tanto tempo sem tocar no Brasil, Amarante estava visivelmente contente e não cansava de agradecer, cumprimentar rostos conhecidos na platéia e dizer como era bom estar de volta em casa. No entanto, era Fabrizio Moretti, aparentemente doidaralhaço, quem ganhava os holofotes.”

Faith No More (Metropolitan, Rio)

“Quando um show dessas bandas parecem perder o sentido e essas reuniões ressoam como meros caça-níqueis, surge um outro fator. Servem também pra lembrar que um dia também fomos novos. E tome air-guitar (para os que já tinham parado, né), sacudida de cabeça e soco no ar.”

Skatalites (Circo Voador, Rio)

“Sempre exaltando Coxsone Dodd e o Studio One, casa da banda, os jamaicanos fizeram um show preciso, sem uma nota fora do lugar, perfeito, mesmo com arranjos complicados, viradas e quebras de andamento de entortar as costas.”

Nação Zumbi (Circo Voador, Rio)



“De uma tenda na Lapa, o Circo passou a melhor casa do Rio, com direito a uma longa crise, quando a casa foi fechada. De uma novidade em “Da Lama Ao Caos”, a Nação tem hoje o show mais poderoso do Brasil, sem esquecer do baque que foi a perda de Chico Science.”

Mexican Institute of Sound (Coachella, EUA)

“Os mexicanos presentes lotaram o segundo palco ao ar livre pra balançar ao som de cumbia digital, tirações de onda com “Macarena” e hip hop temperado com tequila.”

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Colaborativo

O Projeto Rain Down tinha como objetivo montar um DVD com a íntegra do show paulistano do Radiohead utilizando apenas imagens geradas pelos fãs durante o show. Exatamente o que um sujeito fez com o show do Daft Punk no Coachella 2006.

O conteúdo da edições, na íntegra, já está no YouTube há algum tempo. Agora o trabalho colaborativo vai se encaminhando para o final ao qual se propôs: o lançamento de um DVD com o material.


“Weird Fishes / Arpeggi”

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Thom Yorke – Einlass 2


a capinha caseira

Como prometido, “Einlass 2″ , aqui está a segunda parte da compilação feita por Thom Yorke para tocar na abertura dos portões dos shows da turnê “In Rainbows”, do Radiohead.

Novamente, confiei no Shazam para identificar as músicas. Correções e adendos nos comentários.

Einlass 2

1 – “Notwo” – Autechre
2 – “Altibzz” – Autechre
3 – “Arch Carrier” – Autechre
4 – “High Heels On Tile Floors” – Adult.
5 – “Over The Ice” – The Field
6 – “Korridor” – Plastikman
7 – “Ping Pong” – Plastikman
8 – “Hypokondriak” – Plastikman
9 – “Zoetrope” – Boards of Canada

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Thom Yorke – Einlass 1


a capinha caseira

Quando o Radiohead esteve no Brasil com a turnê do “In Rainbows”, algo ficou para trás. Precisamente, dois CD-R, ambos simplesmente entitulados “Einlass”.

Em alemão, einlass significa algo como “abertura dos portões”. Nos discos estão algumas músicas selecionadas por Thom Yorke para serem tocadas antes dos shows da banda.

Não pergunte como esses discos cairam no meu colo. Apenas aproveite. E participe. As músicas estão sem nome, então o repertório das coletâneas é uma surpresa.

Confiando apenas no Shazam identifiquei algumas músicas, faltam várias (Thom Yorke tá curtindo dubstep). Quem souber e quiser, complete as lacunas, faça correções e comentários — o Tranquera e o Flávio já mataram alguma, adicionadas a lista.

Fique com “Einlass 1″. Amanhã, “Einlass 2″.

Einlass 1

1 – “Smokes Quantity” – Boards of Canada
2 – “An Eagle In Your Mind” – Boards of Canada
3 – “Rushed” – 69
4 – “Dripping Like Water” – Zomby
5 – “The Lie” (LV remix) – Zomby
6 – “Digidesign” – Joker
7 – “Dirtbox” – Harmonic 313
8 – “Scorn” – Surgeon
9 – “The Lie” – Zomby
10 – “Offroad Camping” – Zander VT
11 – “Puppets Dream” – Thomas Muller
12 – “X Nights” – Thomas Muller
13 – “Fallin Up” (Carl Craig remix) – Theo Parrish

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Ainda Radiohead

Belo vídeo de “15 step”, a música da abertura do show do Radiohead, feito com imagens geradas no curto período de três músicas a qual os cinegrafistas e fotógrafos tem direito no início de shows internacionais para fazer seus registros.

Via Kakaos.

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Parece mas não é


Radiohead, “Fog”
(lado b do single de “Knives out”, do álbum “Amnesiac” em 2001)


Los Hermanos, “O velho e o moço”
(do disco “Ventura”, de 2003)

O Pedro mandou um e-mail, falando de como essas duas músicas se parecem. Parece mesmo.

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Legalize

Alguém assinando I Might Be Wrong deixou um comentário na resenha do show do Radiohead no Rio, reclamando de uma tentativa de extorsão dos seguranças quando foi flagrado fumando maconha, até um supervisor chegar, apreender o baseado e terminar a confusão.

Depois falou desse vídeo acima, feito durante o evento e postado na comunidade do Radiohead no Orkut, mostrando situação parecida (não é possível constatar se está ocorrendo algum tipo de extorsão, aparentemente não).

O autor do vídeo sem mostra revoltado com o fato do casal em questão não ter sido expulso do show. O fato despertou comentários diversos, a maior parte esculhambando a reclamação do repórter cidadão:

“O que incomodou foi a fumaça ou o cara tava plantando bananeira na sua frente?”

vo fumar um baseado do tamanho do meu braço aqui em sp, e se tiazinha me caguetar, é soco na boca”,

“que porra de reggae é esse?”

“Seria melhor ter filmado Paranoid Android e postado aqui”

“5 pratas uma cerveja e tu vem reclamar de quem tava fumando um baseado?!?”

“Porra, filma o show. Vai ficar filmando o casal lá fumando maconha, deixa eles cuidarem da vida deles e fumarem o que quiserem, virou Pedro Bial agora? “

E nessa se perdem várias discussões importantes. Mesmo assim, fica cada vez mais claro que as leis precisam ser discutidas.

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O Radiohead e o Rio


Radiohead
fotos e vídeos: URBe

Os deuses da músicas ouviram nossas preces e operaram um milagre na Apoteose. O show do Radiohead teve um som perfeito, como nunca se viu naquele lugar. O que um bom técnico de som não é capaz de fazer…

Thom Yorke não passou, segundo algumas fontes, duas horas fazendo aquecimento vocal em vão. Era indispensável que fosse assim para que as delicadas músicas do excelente “In rainbow” que ocupam boa parte do repertório soassem tão boas quanto aparecem no disco.

Infelizmente, o show perfeito em todos aspectos técnicos (a parte gringa da equação) contrasta com a produção capenga a que estamos acostumados (a parte brasileira).

Filas quilométricas para o banheiro, a impossibilidade de pegar bebidas com tranquilidade e a truculência dos seguranças justificam a percepção do público médio (aquele que se precisa conquistar para vender 35 mil ingressos) de que o programa é uma furada.

Ouvir um “vai se fuder” e outros poemas durante um show que custou a bagatela de R$200 (x2) só por ter perguntado se o armário iria ficar mesmo parado na minha frente bloqueando a visão não é uma furada, é um total desrespeito mesmo. Se a produção se interessar — o que eu duvido — anotei o número da camiseta do sujeito.


Los Hermanos, “Todo carnaval tem seu fim”
vídeo: marceloguy
(enquanto o do URBe não sobe)

Segunda atração mais esperada da noite, ou a principal para muitos dos que enfrentaram a fila desde cedo para garantir um lugar no gargarejo, o Los Hermanos fez seu primeiro show em dois anos para uma Apoteose ainda vazia.

Contratados a peso de outro, a missão dos Los Hermanos era esgotar os ingressos que teimavam em não sair das bilheterias. Falharam duas vezes: as entradas não esgotaram e o aguardado show foi frio, com a banda desentrosada no palco, mesmo com muitos fãs fazendo o tradicional coral.

A única novidade foi “Cher Antoine”, tocada ao vivo pela primeira vez. De resto, foi abaixo da expectativa (que, sim, eram altas demais), com o show sendo muito prejudicado pela má qualidade de som.


Kraftwerk, “Aero Dynamik”

Espremido entre duas bandas cultuadas como poucas, a reação ao público Kraftwerk era a incógnita da noite. A música eletrônica totalmente sintética foi bem recebida pela turma mais acostumada as guitarras.

A apresentação tem toda a elegância, eficiência e simplicidade que se espera dos alemães. Tem quem diga que a cada turnê o show cai um pouquinho, devido a substituição dos teclados por laptops e, provavelmente, pelo fato de cada vez menos integrantes originais façam parte do grupo, restando apenas um.

Seja como for, toda vez que se assiste ao Kraftwerk o embasbacamento é o mesmo. É como se eles tivessem apertado e girado todos os botões de sintetizadores possíveis e imagináveis antes de todo o mundo.

Você escuta “Trans Europe Express” e pensa “pô, parece baile funk”, ouve “Tour de France” e se questiona como o povo do trance conseguiu estragar e desgastar tantos timbres bonitos, olha pro telão e vê de onde o Daft Punk ou Etienne de Crecy tiraram algumas de suas idéias.

O show curto incluiu as músicas mais conhecidas, como “Radioactivity”, “Autobahn” e “Musique non stop”. Faltou mesmo “Pocket calculator”.

O Kraftwerk serve como matriz para boa parte do que se ouve em música eletrônica hoje, sem soar velho ou antiquado, como se mesmo depois de gravadas essas músicas continuassem sempre a olhar pra frente.

No intervalo antes do início do show do Radiohead, Maurício Valladares fez o que pode ter sido o set de dub com mais ouvintes da história dessa cidade. Certamente Jonny Greenwood, guitarrista/tecladista do Radiohead e conhecido dubhead, aprovou a seleção.


Radiohead, “Idioteque”

O Radiohead entrou em cena com apenas 10 minutos de atraso em relação ao horário divulgado, garantindo uma noite tranquila para todos que dali ainda teriam que voltar para casa. Thom Yorke já chegou apresentando o Radiohead em português.

Nos dias anteriores ao show comentou-se bastante sobre o show no México que, pelo que se sabe, deixou a banda impressionada. Como bom brasileiro, logo pareceu que o troço iria se tornar uma espécie de competição, para decidir o público mais quente.

Logo na abertura, com “15 step”, com a Apoteose bem mais cheia, deu pra perceber que o público era respeitoso com a banda. Cantou-se todas a músicas, mas não aos berros. Bateu-se palmas, mas sem estalar alto as mãos. Os desatentos conversaram durante as baladas (ah, mas como não…), porém menos do que se esperava.


Casa cheia

A relação beirava a cerimônia, ainda que os integrantes do Radiohead chamassem o público, como não é do costume deles. Era como se depois de tanta espera, todos quisessem guardar aquelas notas na memória e os próprios gritos fossem um obstáculo. As excessões foram os coros mais fortes em “Karma Police”, “No Surprises” e “Paranoid Android”.

Talvez o Radiohead tenha estranhado a calma da platéia, talvez tenham ficado mesmo decepcionados com o público carioca, conhecido pela empolgação. Sendo esse o caso, provavelmente eles jamais saberão o quanto esse pequeno cuidado dos fãs fala da admiração pela banda.


Radiohead: o telão

Foi uma beleza poder ouvir em detalhes as experimentações de Johnny Greenwood quando se afasta da guitarra e vai mexer nos pedais e nos teclados. As interferências de rádios locais que ele sintoniza durante o começo de “National Anthem” deixaram muita gente sem entender de onde vinha tanto português.

Já tendo visto outros dois shows do Radiohead ano passado, dessa vez resolvi me afastar do palco na parte final, para poder apreciar o cenário de longe. Bom, por isso e porque as costas já estava pedindo arrego mesmo.

Os telões laterais e do fundo do palco mostram a banda de tantas posições que daqui a pouco vai faltar ângulo pra filmar de maneira diferentes. Saturando cores ou fazendo meias fusões, os efeitos aplicados nas imagens são sempre simples e extremamente funcionais. Porque bom gosto, como se sabe, não vem instalado no seu Mac.

Visto de longe, do alto da arquibancada, o cenário ganhava uma moldura bem carioca. A direita brilhava o Cristo Redentor e a esquerda o Morro da Coroa, com seu luminoso “Coroa paz” saudando a platéia. Pena que a banda não teve essa visão, pois diz tanto da cidade.

Dessa distância, os efeitos luminosos do palco ganham outros contornos, assumindo formas imperceptíveis de muito perto. Conversando com Mateus Araújo, ele levantou a hipótese de que durante “Everything in it’s right place” um texto fica correndo pelo palco, em letras gigantescas. Conhecendo a banda, faria sentido. Fica aí mais um enigma para ser desvendado.

Como um presente para platéia, uma demonstração de carinho, o Radiohead encerrou o show com “Creep”, seu primeiro grande sucesso e música que eles raramente tocam.

Foram 25 músicas no total, ainda assim ficou faltando coisa. “Fake plastic trees” e “High and dry” para os fãs de novela, e “Climbing up the walls”, tocada na passagem de som.

“Bom pra caralho”, como disse a banda em bom português ao final do show. Foi mesmo.

As músicas:

“15 step”
“Airbag”
“There There”
“All I Need”
“Karma Police”
“Nude”
“Weird Fishes/Arpeggi”
“The National Anthem”
“The Gloaming”
“Faust Arp”
“No Surprises”
“Jigsaw Falling Into Place”
“Idioteque”
“I Might Be Wrong”
“Street Spirit (Fade Out)”
“Bodysnatchers”
“How To Disappear Completely”

Bis

“Videotape”
“Paranoid Android”
“House of Cards”
“Just”
“Everything In It’s Right Place”

Tris

“You And Whose Army?”
“Reckoner”
“Creep”

* Dá pra assistir boa parte da apresentaçãona página do cybertechno, um doido que tranformou em regra pessoal filmar na íntegra e colocar no YouTube todos os shows que vai (nesse ficaram faltando algumas).

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Radiohead – horários


Radiohead, “Weird Fishes/Arpeggi”

Radiohead, finalmente.

Los Hermanos: 19h as 20h15
Kraftwerk: 20h45 as 21h45
Radiohead: 22h30 as 0h30

Boa noite para os que ficam, nos vemos na Apoteose para os que vão. Que os deuses da músicas nos salvem da acústica medonha do lugar.

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Radiohead chega ao Brasil


“Climb up the walls” chapadaça, no Rock Werchter 2008, Bélgica.

O Radiohead já chegou ao Brasil, de madrugada, e não saiu do hotel.

Faltam dois dias para o primeiro show, no Rio. “E é tão bom quanto falam, Bruno?”, você me pergunta. Te respondo que sim, é bom demais.

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Los Hermanos – a volta dos que não foram


foto: Caroline Bittencourt

Os R$ 120 R$ 240 cobrados pelo ingresso do Radiohead vão se tornando cada vez mais em conta. Primeiro foi a adição do Kraftwerk ao evento. Agora chega a notícia de que o Los Hermanos também tocará no festival Just a Fest.

Ouvi falar disso a primeira vez ainda em dezembro, mas a fonte (pra lá de segura) pediu sigilo. Essa semana o assunto surgiu outra vez, através de outra pessoa, porém de maneira um pouco torta e achei melhor deixar quieto. Hoje recebi um telefonema contando a “novidade”, de uma terceira fonte, dessa vez sem restrições sobre divulgar a notícia.

Somadas as três fontes, a retomada do Los Hermanos (porque a banda nunca acabou) só não acontece em março se der alguma creca. Ainda restam ingressos para o show do Rio. Corra.

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Jaydiohead

Jay-Z + Radiohead. Para quem ainda aguentar mais um disco de mashup do Jay-Z com qualquer outro artista. Ê criatividade…

Dica do William.

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Melhores shows 2008

Como passei o ano fora, é uma seleção solitária, de shows que assisti longe de casa, portanto sem muita conexão com o que rolou por aqui. Foi tanta coisa boa que não deu pra encurtar a lista muito não. Em nenhuma ordem específica, segue a lista:

Radiohead (Victoria Park, Londres)

O show é muito simples e é justamente aí que está o truque. Das timbragens dos intrumentos a execução das canções — mesmo com as constantes mudanças de formação de palco, indo de guitarras, piano, baixo, bateria e programação para voz e violão de uma música para outra — não tem firula.

Vampire Weekend (Electric Ballroom, Londres)

“Bem mais pesados ao vivo do que em disco, o segredo do sucesso da banda talvez resida justamente em saber dosar as influências africanas.”

Late of the Pier (BarFly, Londres)

“O LOTP não parecia cansado do péssimo show da noite anterior, em Birmingham, como contou o baixista Andrew Faley. Elétricos e derretendo no palco, talvez movidos a MDMA, o quarteto fez a mesma bagunça que vem fazendo, misturando rock, metal, eletrônica, psicodelia e histeria adolescente.”

Friendly Fires (KCLSU,Londres)

“Vendo a banda em seu ambiente, tocando para o seu público, algo que havia passado despercebido nas outras apresentações ficou claro: a presença de palco expansiva do vocalista Ed MacFarlane. Como um Mick Jagger nerd, Ed rebola na frente do palco na abertura, com “Photobooth”, se requebra e faz caras para as meninas, que gritam de alegria.”

Stevie Wonder (O2 Arena, Londres)

“O show ia morno, correto, alternando uma música “esquenta o sovaco” com uma “mela cueca” — técnica preferida do grande Tim Maia, como bem lembrou um amigo. Até que no final, uma fila de hits, colados um no outro, mudou tudo. “Overjoyed”, “Signed, sealed, delivered, I’m yours”, “My cherie amour”, “You are the sunshine of my life”, “I just called to say I love you”, “Isn’t she lovely” e a infalível “Superstition” fizeram valer cada centavo.”

Casiokids (Hoxton Grill, Londres)

“Nem vale a pena tentar definir o som do Casiokids. Tem referências bem diversas, de música africana a eletrônica maximalista. A galera no palco e a quantidade de teclados lembra o Hot Chip; a pegada alucinada de pista o Soulwax; os ruídos eletrônicos o Late of the Pier; o teatro de sombras, as cabeças de papel machê e o monstro vermelho que invade a platéia, o Flaming Lips.”

Lykke Li (ICA, Londres)

“Imagine o susto que a M.I.A. tomaria se um dia acordasse presa no corpo da Britney aos 14 anos, de calcinha e com uma vontade incontrolável de se tornar um chanteuse. Taí uma possível descrição da Lykke Li.”

Kings of Leon (Brixton Academy, Londres)

“Sem se repetir e com coragem de experimentar, o mais interessante de acompanhar o KoL é que trata-se de uma das poucas bandas dessa geração que vem constantemente melhorando, seja em disco ou ao vivo.”

Bloc Party (Circo Voador, Rio)

“Contrariando todas as expectativas, o Bloc Party fez um show avassalador nessa segunda a noite, no Circo Voador. Já tinha visto uma vez, em 2006 no Coachella, e tinha achado frouxo. Quem viu em São Paulo nesse finde também comentou que foi morno. No Circo Voador não. O negócio foi sério.”

Cidadão Instigado (Jockey Club, Rio)

“Um dos mais talentosos compositores de sua geração, Fernando Catatau e seu Cidadão Instigado chaparam a tenda do Claro Cine com sua psicodelia, a base de Jovem Guarda, Santana, guitarrada, bagaceiras eletrônicas e letras insanas.”

Sigur Rós (Rock Werchter, Bélgica)

“Com um dos cenários mais bonitos do festival e chuva de papel picado no encerramento contra um céu rosado pelo pôr-do-sol, os islandeses domaram a platéia, conseguindo silêncio geral.”

Justice (Astoria, Londres)

“Fechando a noite no Astoria, o Justice sentou a mamona, no que deve ter sido uma de suas aparições mais, hmm…, metálicas. Podreira pura. Tanta, que em muitos momentos só dava pra se defender da chuva de cotovelos. Seria bom se tivesse sido um pouco mais dançante.”

Soulwax Nite Versions (Rock Werchter, Bélgica)

“Emendando “Gravity’s rainbow” (Klaxons), “NY Excuse” (deles mesmo, explodindo a tenda), “Robot Rock” (Daft Punk) e “Phantom Pt. II” (Justice) fizeram uma das apresentações mais legais da música eletrônica recente (tem notado como os live PAs andam sem graça? ou é comigo?).”

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O Pedro tá sem ingresso


foto: HelenaN

Os ingressos para o show do Radiohead vão se esgotando rapidamente (ou pelo menos é o que dizem os promotores dos shows). Só o Pedro não comprou ainda.

Pedro, no caso, é um grande fã brasileiro que não tem dinheiro para comprar a entrada. Chateado, ele escreveu uma carta reclamando do preço alto, argumentando que isso não esta alinhado com a filosofia da banda e enviou para o Radiohead e para o The Independent.

O jornal inglês publicou a carta, conforme escreveu o Lúcio.

A exposição do ponto é bem coerente. O que surpreende é o bom inglês, conhecimento midiático (na escolha do jornal) e articulação política de um menino duro como o Pedro. Não é deboche, o Brasil está mudando.

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