OEsquema

Arquivo: reggae

Rodolfo Vaz, “Waves” (mixtape)

Recebi esse reggae mix do Rodolfo, que se apresentou e explicou a seleção:

“Sou Rodolfo Vaz, DJ, cineasta, ouvinte de formação, obcecado por novos estilos e ritmos sonoros. Através de uma pesquisa musical intensa, construí um set mostrando diferentes estilos, fases e versões, misturando relíquias perdidas com produções recém lançadas sintetizando o reggae do século XXI. ‘Waves’ consiste numa viagem sonora rodeada por vocais, baixos, riffs e muito delay, mostrando tudo que o dub contribuiu para a música e o que a música mundial agregou nessa jornada.”

Chico Science e Nação Zumbi – “‘Risoflora” (Remix_ BID)
Nightmare on Wax – “Still Yes”
Seeed – “Slowlife”
Kultiration – “Seen and gone”
Dub Incorporation – “Fear”
Bamba Dois – “World Cry” (Al Fayah Mix)
DubXanne – “Walking On The Moon” (Walking On The Dub)
Peter Tosh – “Buk-In-Hamm Palace”
Seeed – “Tide Is High”
Alborosie – “International Drama”
Freestylers – “Signs” (feat. Tenor Fly and Spanner Banner)
Kana – “Nouveau Systeme” (Rebellion Mystique)
Fat Freddys Drop – “Roady” (Original Mix)
The Fugges – “Fu-Gee-La” (Sly & Robbie Mix)
Criolo – “Lion Man”
Bob Marley & The Wailers – “Gonna Get You”
Fat Freddys Drop – “This room” ( King Size Dub Mix)
Bamba Dois – “Little Johnny”
Nas & Damian Marley – “Patience”
Midnite – “Native Story”
Rhombus – “Onward”
Joy Rider – “Roaring Lion”

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Peter Tosh e Mick Jagger no SNL, em 1978

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Doc: “Reggae Britannia”

Parte da série “Britannia”, produzida pela BBC de onde também saiu “Synth Britannia”, a influência do reggae na música inglesa é dissecada em “Reggae Britannia”.

É uma espécie de “Dub Echoes” focado em um lugar. Dá pra assistir na íntegra nessa página francesa.

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Transcultura # 056: Little Roy, Best Coast

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Little Roy faz pequena homenagem ao Nirvana
por Bruno Natal

Se existe uma certeza no universo da música, é que a Jamaica nunca decepciona. No aniversário de 20 anos de lançamento de “Nevermind”, o veterano do rock steady Little Roy (não confundir com U-Roy) preparou uma homenagem: um disco com dez clássicos do Nirvana em versão reggae. O resultado é similar ao obtido em projetos da gravadora Easy Star, como “Dub side of the moon”, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Dub Band” e “Radiodread”, releituras que respeitam as duas frentes, o rock e o reggae.

Além dos vocais do Little Roy – figurinha fácil no Studio One nos anos 1960 e 70, tendo trabalhado também com Lee Perry – o disco conta com o guitarrista Junior Marvin, dos Wailers. As músicas escolhidas foram “Dive”, “Come as you are”, “Sliver”, ”Heart-shaped box”, “Very ape”, ”Polly”, “On a plain”, “About a girl”, “Son of a gun” e “Lithium”.

Gravado com equipamentos analógicos, em fita, “Battle For Seattle”, ideia do produtor Prince Fatty, será lançado em setembro pela Ark Recordings, selo de um ex-agente do Nirvana, Russel Warby. A foto da capa foi feita por Charles Peterson, mesmo fotógrafo do primeiro disco do Nirvana, “Bleach”.

Já existem duas apresentações ao vivo marcadas, nos festivais de Reading e Leeds, este mês, na Inglaterra. No texto de divulgação do projeto, Little Roy fala sobre as dificuldades com as letras.
“As letras ficavam muito escondidas no meio da música. Para mim soava como se ele estivesse se lamentando. Você tem que ouvir profundamente para sacar. A melodia sempre estava lá. Então enxerguei a chance de trazer as letras para o primeiro plano para as pessoas realmente escutarem o que Kurt falava.”

Tchequirau

A atriz Drew Barrymore dirigiu o clipe novo do Best Coast. Com a participação da Chloë Moretz, do filme “Kick Ass”, narra a triste história de um amor entre integrantes de gangues rivais.

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Nirvana no reggae

Veterano do rocksteady, Little Roy produziu um disco de versões reggae do Nirvana, na linhado que faz a Easy Star com suas reinterpretações do “Dark Side of the Moon” (“Dub Side of the Moon”), “Ok Computer” (“Radiodread”) e “Sgt. Pepper Lonely Heart’s Club Band” (“Sgt. Pepper Lonely Heart’s Dub Band”).

Vi no Lucio, com mais alguns detalhes:

Little Roy vai lançar em setembro o álbum “Battle for Seattle”, uma reggaetização malemolente e e cheio de requebro e sensualidade dos hinos porradas do Nirvana. Little Roy vai ser atração do Reading Festival agora no final do mês, tocando o disco em homenagem reggae ao Nirvana. O Reading e seu festival-irmão Leeds vão armar uma série de tributos ao Nirvana em 2011 por conta do aniversário de 20 anos do álbum “Nevermind”.

Além dessa versão chapada de “Come As You Are”, já dá pra ouvir as interpretações do Little Roy para “Sliver” e “Dive”. As três são melhores que aquela versão reggae de “Smells Like Teen Spirit”.

Ah, a Jamaica.

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Digitaldubs, “Digitaldubs apresenta YT” (mixtape)

O seletor MPC, do Digitaldubs, fala sobre essa mixtape recheada de jingles, dubplates e sons exclusivos:

“Um dos melhores MCs da Inglaterra, YT (pronuncia-se “uai-tí” – um trocadilho com a palavra white – branco em inglês) vem à anos mostrando sua versatilidade, tanto em sua carreira solo, como nas colaborações com Zion Train, Mungo’s Hi Fi, Iration Steppas, entre outros.

“Indo do dancehall ao dub, passando pelo new roots, seu vocal sempre impressiona e suas letras se destacam pelo conteúdo e forma. O lendário DJ e radialista David Rodigan se refere à YT como “um comentarista social original e inspirador”.

“YT esteve no Brasil em 2007 fazendo turnê como vocalista do Zion Train. Em setembro ele volta ao Brasil pra mostrar seu trabalho solo acompanhado pelo Digitaldubs.”

Mais infos sobre YT no blogue do MPC, Roots & Future.

mixtape DIGITALDUBS apresenta YT by digitaldubs-tapes

01- “Saved my life” (Peackings)
02- “Tribute to Smile Culture ft Mr Williamz” (promo)
03-”Wicked act” (Digitaldubs dubplate version)
04- “Heat seeking camera” (Necessary Mayhem)
05- “Born inna babylon” (Sativa Records)
06- “Hustler” (Sativa Records)
07- “Foward to life” (Necessary Mayhem)
08- “Precious diamond” (unreleased Mungos Hi-Fi production)
09- “Real music” (Necessary Mayhem)
10- “Champion sound” (Digitaldubs dubplate version)
11- “Write some lyrics” (Necessary Mayhem)
12- “World news” (Digitaldubs dubplate exclusive)

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BiD fala sobre “Bambas Dois”

Projeto de música brasileira nordestina e jamaicana, gravado na ilha com a participação de muita gente boa do reggae.

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Doc: “Sound System”

Um documentário feito para TV em 1994 sobre a cena inglesa de sound systems, dirigido por Enda Murray, com trilha sonora remixada pelo Graeme Hamilton, do Fine Young Canibals. Tem um momento “Dub Echoes” lá pelo final.

Dica do MPC.

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Dub literatura

O documentário “Dub Echoes” continua surpreendendo:

Resolvi dar uma renovada na biblioteca sobre reggae e fui atrás do “Dub in Babylon: Understanding the evolution and significance of dub reggae in Jamaica and Britain from King Tubby to post-punk”. Ainda não comecei a ler, mas dei uma boa olhada nele no final de semana passado.

Livro acadêmico, muito bacana, de um professor de estudos religiosos do departamento de política, filosofia e religião da Lancaster University.

Para a minha grata surpresa, logo nos reconhecimentos iniciais, o escritor Christopher Partridge menciona o Dub Echoes de forma extremamente positiva. O documentário, pra quem não sabe, foi idealizado por mim e pelo Bruno Natal (que também dirigiu o filme). Além de ter passado em uma porrada de festivais lá fora (Transmediale, Sónar, WMC Miami, CPH:DOX), o filme foi exibido na 28ª Bienal de São Paulo e foi lançado pela histórica Soul Jazz.

Copiado na íntegra do blog do Chico Dub.

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30 anos sem Bob Marley

Em 11 de maio de 1981 o mundo perdia Bob Marley. O funeral, dias depois, foi um acontecimento histórico. Faz falta demais. Parabéns pra você que viu o homem ao vivo. Inveja máxima.

Nunca vou esquecer a primeira vez que ouvi Bob Marley. Depois da escola, aos 11 anos, fui para casa de um amigo, João Paulo. Aproveitando que o irmão mais velho estava pegando onda, ele me levou ao quarto dele pra me mostrar a capa de “Catch a Fire”. Tomei um susto com a imagem do Bob Marley com um baseado giga na boca. O irmão dele chegou, tomamos um leve esporro e depois ouvimos “Stir It Up”. Fui ouvir mais reggae (Yellow Man, Steel Pulse, Black Uhuru) uns três anos depois, com a minha irmã.

Acendam as velas.

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Hoje tem: Eu Amo Sound System

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Twilight Circus Dub Sound System no Rio (entrevista)

O Twilight Circus Sound System e seu picadeiro de um homem só, o canadense Ryan Moore, toca no Circo Voador no dia 22 (sábado), com o lendário toaster jamaicano Eek-A-Mouse, Sozales Dub, Cidade Verde e os anfitriões do Digitaldubs.

MPC, do DD, conversou com Ryan e mandou o papo para ser publicado no URBe:

Em suas produções Ryan é capaz de tocar todos os instrumentos, além de gravar e mixar suas músicas. As raras exceções são quando ele deixa alguns cargos para músicos do naipe de Sly & Robbie, Chinna Smith, Style Scott, Mafia & Fluxy, etc.

Os primeiros lançamentos de Twilight Circus foram disco de dub bem experimentais e psicodélicos que chamaram a atenção pela linguagem old scholl e ao mesmo tempo uma sonoriadae nova e original. Com cerca de 20 álbuns solo, o projeto foi se popularizando pelas parcerias com artistas como Michael Rose, Gregory Isaacs, Big Youth e DJ Spooky.

Depois de apresentações pela Europa, EUA, México e Japão, Twilight Circus agora chega ao Brasil.

Envolvimento com reggae, dub e sound system:

Comecei a me envolver com música, bandas e reggae em 1981, quando eu estava ouvindo uma grande quantidade de roots e comecei a aprender contrabaixo tocando ao som dos discos. Isso foi durante a era de ouro da música jamaicana, pegando ainda o fim do roots dos anos 70, então eu tive a sorte de estar imerso nessa vibe quando era um novo acontecimento. É por isso que você ouve elementos da velha escola em minhas produções.

Também comecei a me interessar por dub na mesma época – quando ouvi pela primeira vez, pensei “uau, este é o meu tipo de música!”. Durante toda a década de 80 eu costumava colecionar todo LP de dub que eu podia encontrar e tentava promover essa música para qualquer um que se interessasse, fazendo mixtapes em fita cassete.

Fiquei espantado, mais tarde, na década de 90 quando houve um total aumento de interesse sobre dub em todo o mundo, e como o estilo, e King Tubby, em particular, teve uma grande influência sobre a produção musical além do reggae, como na música eletrônica, a cultura do remix e assim por diante.

Eu finalmente consegui ver Jah Shaka sound system, pela primeira vez no clube Rocket em Londres em 1997. Foi uma mudança de vida! Eu não podia acreditar que no efeitos poderoso das vibrações do som, dos feitos e da seleção.

Isso causou uma impressão muito grande em mim e desde então tenho sido um viciado em sound system! Uma vez você já experimentou isso, é difícil voltar a apreciar bandas ao vivo e coisas dessa natureza. Eu amo a cultura sound system!

Processo de criação e produção:

É sempre uma atividade divertida criar música e eu tento olhar para isso como “ir à procura da música”. Eu uso o meu instinto e experiência para tentar chegar com idéias e indicações que pareçam interessantes. Às vezes, é como se tudo que você faz é ligar a sua antena e se conectar a uma grande nuvem de idéias flutuando acima de você.

Quando se trata de produzir realmente um artista, então o foco tornar-se mais sobre o que eu acho que representa o artista da melhor maneira possível. Por exemplo, os álbuns que eu fiz com Michael Rose, eu trabalhei duro para escrever o material adequado para seu estilo e status icónico.

Analógico vs digital:

Hoje em dia eu uso uma mistura de ambas as tecnologias. Sendo “old school”, a minha referência é mais pros instrumentos ao vivo, fita analógica e válvulas. Eu tive sorte o suficiente para pegar alguns desses anos, da tecnologia antiga de estúdio – mas isso tem um preço, sob a forma de muit dor de cabeça e os custos extras! Eu ainda mixo usando fita, pessoalmente acho agradável. Porém, definitivamente, a facilidade e menor custo de trabalhar digitalmente hoje em dia, é algo a ser levado em conta. Então o que conta é o resultado final e realmente não importa como você chegou lá.

Multi-instrumentista vs músicos convidados:

Eu posso tocar quase todos os instrumentos – menos os metais – mas, ao mesmo tempo, acho que é emocionante ouvir o que outras pessoas podem trazer pra música. Eu realmente gosto das contribuições e novas idéias de outras pessoas.

Uma das coisas que mudou nos últimos anos foi que comecei a trabalhar mais com grandes bateristas como Sly Dunbar, Style Scott e Mafia (da dupla Mafia & Fluxy). Esses caras podem tocar tão bem, uma batida muito sólida – o que ajuda a tomar as produções para outro nível. Eu costumo tocar a maioria das linhas de baixo e muitas vezes os outros instrumentos também, mas tenho trabalhado com grandes pessoas que realmente agregam grandes toques e experiências para a música como Dean Fraser, Chinna Smith, Skully por exemplo.

Para as gravações, eu tive pessoas no meu estúdio na Holanda e também em sessões na Jamaica e em Londres. Uma das sessões mais memoráveis que posso pensar foi a primeira vez que trabalhei com Dean Fraser, onde ele e Bobby Ellis (com mais de 70 anos) haviam dirigido direto da Suécia, depois de um show de 3 horas e vieram ao meu estúdio para gravar os metais até cerca de 4 horas da manhã. Foi incrível ver esses caras apenas focados na música e tentando atender as músicas – sem queixas sobre cansaço ou qualquer coisa. Foi uma coisa inspiradora para ver.

Gravações na Jamaica:

Esta é sempre uma experiência interessante, tratando todos os tipos de situações e personalidades. Adoro a magia que acontece quando um artista atinge seu ápice e você pode apenas dizer o que está passando pelo microfone não tem preço.

As gravações com Lutan Fyah era assim – ele fez sua lição de casa, entrou no estúdio e colocou sua voz em um único take em “We Can Make It Work”. Normalmente as pessoas querem fazer um bom trabalho. Às vezes você tem de encontrar formas de incentivar ou inspirá-los a obter os resultados desejados.

Eu fiz sessões em estúdios realmente básicos nos guetos de Kingston e também em alguns dos melhores estúdios como Tuff Gong. Em algumas situações você vê que as coisas podem ficar descontroladas, mas você tem que lembrar você está só de passagem e então tem que ir com o fluxo.

Outra coisa é que, sendo um fã de música, às vezes há uma barreira mental para superar quando se trabalha com artistas de alto nível – como o tempo que fiz sessões com Sly and Robbie. Em um certo ponto eu estava pensando comigo mesma “isso é loucura – aqui estou eu com esses grandes pilares, meus maiores heróis de quando eu era criança e eu devo estar dizendo a eles o que eu quero que eles façam?”.

Um selo independente com catálogo impressionante:

Obrigado pelas gentis palavras! Houve muito trabalho desde que comecei a lançar discos em 95. Obviamente, a maior mudança no negócio tem a ver à queda mundial da vendas de discos. Eu tive sorte o suficiente para experimentar o histórico máximo de vendas de discos no final dos anos 90 e as coisas eram bem diferentes.

Assim, você só tem que se adaptar, calibrar e responder aos desafios. Eu não fui lançado muita coisa nos últimos tempos, mas eu pretendo dar ums gás nas produções novamente em 2011 com alguns novos vinis e outros lançamentos. Tenho uma tonelada de trabalhos inéditos à espera deve ver a luz do dia.

Viajando pelo mundo:

O que me espanta é o escopo internacional da cena – eu vou aos lugares ao redor do mundo como Londres, Europa, México, Japão, etc e vejo uma multidão semelhante de pessoas legais entrando nas vibrações, como se houvesse algum tipo de consciência global que se espalha ao redor do planeta e atrai as pessoas para essa cena dub. Mesmo em todas estas culturas e lugares diferentes, é como houvesse um fio que conectando as pessoas.

Eu adoro fazer apresentações ao vivo – a ligação com as pessoas, sentindo a vibe nas festas e experimentar novos lugares e culturas. Estou realmente animado sobre a ida ao Brasil, era número um na lista de lugares que eu queria ir há anos. Só ouço todos os meus amigos do Reino Unido os melhores relatos sobre suas experiências no Brasil – assim, eu não pode esperar para conferir a cena!

Vai ser fino.

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Transcultura #035 (O Globo): Optimo DJs, Everybody Loves Reggae

Texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

DJs da festa Ritmos Digitais entrevistam a dupla escocesa Optimo, que toca tocou no Rio este sábado
por Bruno Natal

“Amamos seus ouvidos”, esse é o lema dos escoceses do Optimo (Espacio). A dupla é responsável por uma das noitadas mais conhecidas do mundo, baptizada em homenagem a uma música do Liquid Liquid, desde 1997 no Sub Club, em Glasgow. Lá, JD Twitch e JG Wilkes receberam convidados como LCD Soundsystem, The Rapture, Franz Ferdinand e Peaches e o sucesso das festas e dos mixes levou a dupla a viajar com a festa pelo mundo. Nesse sábado, o Ritmos Digitais recebe o Optimo, no Fosfobox. Para explicar melhor o que vai acontecer, pedi para os anfitriões entrevistarem JD Twitch, metade do Optimo.

Yugo: Como DJ as vezes vivo o conflito de ser ecléctico sem perder a unidade do set. Você também? Como lida com isso?

JD: Não muito. Não penso conscientemente em ser ecléctico, mudo o set de direção porque meu pico de atenção é curto e porque gosto de muitos estilos. Só passo por isso quando estou (raramente) tocando apenas techno e fico na dúvida se o público quer ouvir coisas mais variadas. Mas isso acontece cada vez menos e geralmente me sinto a vontade pra tocar o que quiser (com um olho na pista, claro). Equilibrar expectativas enquanto divertimos o público é talvez a melhor maneira de descrever o que fazemos, mais do que “ecléctico”.

Millos: Você planeta o que vai tocar com antecedência? E o que é mais importante, mixar bem ou sua seleção musical?

JD: Posso pensar sobre que músicas quero levar, mas escolho o que tocar dependendo do momento. Tentamos ser bons tecnicamente, mas sem dúvidas a seleção musical é o mais importante.

Salim: Após 13 anos da fester, os vídeos de vocês tocando em Glasgow fazem parecer que o público vibra com qualquer coisa que vocês toquem. Como é tocar longe de casa?

JD: Varia bastante e depende de onde estamos tocando. Geralmente sacamos bem rápido o que o público está curtindo e partimos daí. Se estiver óbvio que vão tacar coisas na gente se tocarmos sete minutos de música clássica, não vamos fazer isso. O clube em Glasgow era nosso playground. Era uma noite de domingo, então as pessoas estavam mais abertas a sons diferentes e sabiam que se tocássemos coisas malucos que eles não gostassem, não seria a noite toda, já que 90% do que tocamos é pra dançar. Também tínhamos a oportunidade de tocar algo que não era obviamente feito para dançar até o público sacar. Isso é algo difícil de se conseguir em uma noite. Mas já tocamos em vários lugares do mundo onde o público tinha a cabeça bem aberta e topam qualquer coisa.

Millos: Vocês já estiveram no Brasil duas vezes. O que acham do país? Aguma história interessante?

JD: Nós amamos o Brasil, a comida, as pessoas, a atitude, o espírito, a alegria de viver, a música e o clima. Nada muito maluco aconteceu com a gente, fora enchentes e ouvir barulhos de tiro em favelas, mas acho que isso é normal. Da última vez que viemos passamos a semana com o MC5 e foi bem bacana.

Yugo: Vocês gostam ou conhecem artistas e produtores brasileiros?

JD: Amo music brasileira, especialmente a Tropicália e psicodelias setentistas. Tenho diversos discos do Tom Zé, Os Mutantes (com quem já colaborei), Gal Costa, Rita Lee, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Rogerio Duprat, Milton Nascimento, Novos Baianos, Secos e Molhados, Tim Maia, Ney Matogrosso, etc. Entre os DJs e produtoers, além do Gui Boratto, DJ Marky, DJ Patife e do nosso amigo Augusto, não conhecemos muito, lamento dizer.

Salim: Se você pudesse escolher estar numa festa, em qualquer lugar e qualquer tempo, qual seria?

JD: Amaria ter visto o Larry Levan na Paradise Garage, em Nova York, no final dos anos 70 e 80. Minha irmã teve a sorte de ter ido e diz que é exactamente tão bom quanto todos que foram costumam dizer que era.

Tchequirau

Poucos gêneros musicais são tão influentes quanto o reggae, todo bom músico ama os sons da Jamaica. Dúvida? Dá um pulo no www.everybodylovesreggae.tumblr.com.

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Transcultura #031 (O Globo): Scientist, La Cofradia de Los Corazones Solitarios


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Texto da semana passada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Aplicando ciência ao dubstep
O dub do dub que vem de londres
por Bruno Natal

O dubstep é o filho mais recente e comentado do dub. Crescido nas regiões tidas como casca-grossa de Londres, como Brixton e Hackney, as frequências graves e pesadas vão se tornando pop, tocando nas rádios inglesas, ainda que em formatos diluídos, e nomes como Rusko têm sido convidados para produzir faixas para gente como Britney Spears.

Porém, o bom dubstep é mesmo aquele curtido em clubes alternativos, escuros e enfumaçados, sem preocupações comerciais, por gente como Mala, Skream, Digital Mystic, Kode 9, Burial e tantos outros.

Curiosamente, mesmo carregando o dub no próprio nome, afora as participações de alguns toasters jamaicanos, havia pouca interação entre os universos do dubstep e dos nomes clássicos do dub. Nesse sentido, o disco “Scientist launches dubstep into outer space” é um marco (troque seu e-mail por duas faixas no saite da gravadora).

Nele, um dos principais dubmasters da História, pupilo de King Tubby (pai da coisa toda), conhecido mundialmente como Scientist, aplica a ciência da mesa de som a 12 músicas exclusivas de grandes nomes do dubstep.

A proposta é muito simples: Scientist pegou as músicas com todas as faixas separadas, abriu numa mesa de som e fez uma nova mixagem, ao vivo, adicionando efeitos como delay e reverb, valorizando ainda mais os graves e criando novas versões da gravações originais. É um dub de músicas que já nasceram dub. É quase redundante, e, em alguns casos, é mesmo. Até porque faz tempo que o mestre perdeu a pegada. Só pelo encontro, vale a audição.

Tchequirau

Niña Dioz & Li Saumet – La Cumbia Prohibida (Prod. by El Remolón & Villa Diamante) by villadiamantezzk

Formada pelos argentinos Niña Dioz, Villa Diamante e El Remolón, e pela colombiana Li Saumet (Bomba Estéreo), La Cofradia de Los Corazones Solitarios é um projeto integrado por um time de estrelas da nova cumbia.

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HR no mic

O vocalista do Bad Brains assumiu o microfone numa festa de dub, de surpresa.

Via @guiwerneck > @andre_maleronka.

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O reggae das crianças

Via @rosana fortes e @chicodub.

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BiD na Jamaica

Co-piloto do “Afrociberdelia”, do Chico Science & Nação Zumbi, fundador do Funk Como Le Gusta, o produtor BiD está na jamaica, gravando com Sizzla, Luciano, Ernest Ranglin, Heptones, U-Roy e outras estelas jamaicanas para o segundo volume do seu projeto “Bambas e Biritas”.

Entre as gravações, ele e sua equipe tem soltado vídeos com os bastidores direto do Anchor Studio (estive lá para as gravações do “Dub Echoes” e também com a Vanessa da Mata). Curioso pra ouvir o que vai sair desses encontros.

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UNDERmeSENSI no Mad Professor

É com muito orgulho que o URBe apresenta a resenha exclusiva do UNDERmeSENSI, mantendo sua diagramação característica (valeu, Marcio!), da apresentação do Mad Professor na Casa da Matriz, na quarta feira. Como previsto, o sound system do Digitaldubs quase bota a casa abaixo:


Mad Professor y MC Gra Poetisa
foto: Marcelinho da Lua anda dizendo que é dele mesmo… Sei não.
-UNDERMESENSI?
-SIM SENHOR, VERY WELL…..
ISSO AÊ,  NA NOSSA URBe, O NOSSO GOLE DE DRAMATICIDADE JAMAICANA
SMASH POTATO BOM mesmo, TEM QUE AMASSAR COM A MÃO, ENTÃO A PRIMEIRA  PRESSÃO A QUE FICA*……JAH ONTEM! *( no Marrocos se chama  zero zero e em Portugal um bom azeite)
CAPITLO 2 VERSIC⁄LO 22
… hoje que eu perco o alvará……
Cena 1
Ontem a casa da matriz, foi tomada de assalto pelo motim do Digitaldubs e sua barca sonora, isso mesmo caro ouvinte uma barca….atracou na pista principal o sistema sonoro que agrupa suas caixas de som numa formação que tem o poder e o mistério do Monolito de 2001 uma odisséia no espaço.
Pouca luz, muita fumaça (eu nunca vi tanta) onde estavamos mesmo…..ah….Eu lembro que cheguei cedo e já movido pelas baixas frequências, iniciei os meus primeiros passos de dança na pista ainda em evolução, com a chegada do meu amigo BernardoeróticoNegão ja havia tanto fumaça no ar quanto o fogo que acompanha os barcos do sec XIII nos portos do Rio Tâmisa, era a chegada de Neil Fraser, o nosso professor insano sendo anunciada, este arrivou com uma equipa pra ajudar nas suas mixagens e dubs, nunca vi uma administração de delays, echos e efx tão perfeita e musicalBernardo El Negrón e seu parceiro PedroTrumpete Selecta passearam na seara jamaicana com Mad Professor de Tiono estilo mão dada voltando da escola sob as nuvens de ganja, o astral se manteve muito bom, mesmo com a casa embotellada,não tensa, mas densa…..passa o cartão.
cena 2
Encontro o conterrâneo dj Nepal no andar de cima, assim como eu,  curtindo e pagando um ventilador de padaria no corredor, depois de descorrer, “e aí, beleza etc e tal” entre os vai e vens , veio o comentário:
- Cara ta todo mundo aí, Dalua, acho que a cidade toda, maior climão, tirando o Daniel*, que ta boladão.
-Uái?
-Bichoooooooo tá tremendo tudo, o vizinho caiu da cama, police inna helicopter e tudo mais…. falta o BOPE

Quando me dirijo pro andar inferior , orientado pela CET Rio, encontro o “mulão” , gente pelos cotovelos e o Daniel , boladão com o som, “ ja falei com todo mundo que está tremendo a casa do visinho, hoje cheguei do tribunal por causa de altura de som, ninguém respeita ….È hoje que eu perco meu alvará” , enquanto ele fala, ao nosso lado pessoas incineram os mais variados tipos de paraísos artificiais, pedem invólucros pro bigode do Sarney, bem, a noção ja tinha ido por água abaixo. Nao havia mais como proibir nada, a casa estava mais que completa e tomada pelo clima quintal em Trenchtown.
MPC, no mais rudeboy style, incitava a galera “Vocês acham que o som ta baixo?”, galera na negativa em alto e bom som e o dj mandou ”então quem está achando alto, por favor se afasta um pouco das caixas” e o grave fazia soltar a obturação da boca da moçada……
Apesar da “peleja”  entre a tripulação do Barco rub-a-dub e a alta cúpula da Casa, a música, nossos amigos da noite, a excelência da segurança da casa e a tolerância do Daniel ganharam na noite que entrou pra história do Dig-Itals Dubs….
Foi um milagre dos peixes do dub carioca…….seria a noite ideal para os Colírios Moura Brasil patrocinarem “guardar na geladeira é legal, pinga refrescando”
Nós vota mas é boladão
Criado, assinado e esmerilhado por:
Dolce & Bagana
………essa ordem tá invertida
-ta pesado?
-sÛ falta vc me pedir nota fiscal!!!!
* Daniel Koslinski dono e guerreiro da casa da Matriz….a  e meu amigo!
KD MINHA CARTELA

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Transcultura #020 (O Globo): Roots Manuva, novo Twitter

Texto da semana passada da coluna coletiva “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O rapper Roots Manuva tem a sua obra remixada em estilo dub
por Bruno Natal

Já se vão dois anos desde que Roots Manuva lançou um disco de inéditas. O último foi “Slime & reason”, de 2008, um hiato bem grande para um rapper que sempre teve bastante coisa para falar. Rodney Smith, a pessoa por trás do Roots Manuva, não é nenhum estranho para a música jamaicana. O rapper londrino tem como hábito lançar versões dub de seus discos, sempre ensopadas de linhas de baixo e graves na pressão.

Assim, “Run come save me” virou “Dub come save me” e “Awfully deep” tornou-se “Alternately deep”. “Slime & reason” veio acompanhado de um EP bônus chamado “Slime & version”. Satisfeito com o resultado do trabalho de Wrongtom (mais conhecido pelas colaborações com o Hard-Fi), neste último Roots Manuva convidou o produtor para fazer versões reggae a partir do seu catálogo.

Surgiu, então, “Roots Manuva meets Wrongtom: duppy writer”, disco que aproxima o rapper ainda mais dos sons da ilha mais marrenta do Caribe. O resultado é tão original que é como se “duppy writer” fosse um disco de inéditas – e, em muitos aspectos, realmente é.

A capa foi feita por Tony McDermott, autor dos clássicos desenhos que enfeitavam os álbuns do produtor Scientist na gravadora Greensleeves e também do Mad Professor. Isso indica que o caminho das produções é o rub-a-dub e o dubtronic. O título faz referência tanto ao clássico “King Tubby meet rockers uptown”, colaboração entre King Tubby e Augustus Pablo, e ao apelido de Lee “Scratch” Perry, também conhecido como Duppy Conqueror.

No patois jamaicano, “duppy” significa fantasma, o que define bem o papel de “escritor-fantasma” de Wrongtom na produção do disco, ajudando Rodney a se expressar a partir do material de arquivo. As novas versões, mais suaves, valorizaram as letras, tornando-as mais fáceis de serem compreendidas do que nas bases originais.

Cada faixa foi reimaginada como se tivesse sido produzida em uma década diferente do reggae, com uma predileção pelo dancehall oitentista e fazendo referências a produtores consagrados, de diversas épocas, como King Jammy, Junjo Lawes, Duke Reed e Dennis Bovell. Como Rodney nunca se preocupou em estar na moda, não há nada de dubstep (vertente mais moderna do dub) nas versões.

Mesmo quem não é familiarizado o suficiente com a discografia do Roots Manuva para perceber as mudanças dos títulos da músicas (“Juggle tings proper” ressurge como “Proper tings juggled”, “Motion 5000?” vira “Motion 82?”, “Buff Nuff” é “Rebuff”) encontrará um disco bacana. A única inédita é a parceria entre Roots Manuva e Ricky Ranking, em “Jah Warriors”.

Se esse trabalho veio só pra esquentar, fica a expectativa do disco de inéditas de Roots, que deve estar a caminho. Enquanto ele não chega, ouça ‘Duppy writer’ inteiro.

Tchequirau

O lançamento mundial da nova cara do Twitter foi dia 14 e vem sendo implementado em cada país pouco a pouco. As informações de cada perfil foram reorganizadas e será possível visualizar fotos e vídeos sem abandonar a página, reforçando o papel de agregador de notícias multimídia do saite. Não é necessário tuitar para a ferramenta ser útil para você.

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Roots Manuva Meets Wrongtom: “Duppy Writer”

Roots Manuva não é nenhum estranho a música jamaicana. Não por acaso, foi um dos primeiros nomes escalados para ser entrevistado para o documentário “Dub Echoes”.

O rapper londrino tem como hábito lançar dub versions de seus discos.Assim, “Run Come Save Me” virou “Dub Come Save Me”, “Awfully Deep” tornou-se “Alternately Deep” e seu lançamento mais recente, “Slime & Reason”, veio acompanhado de um EP bônus chamado “Slime & Version”.

Empolgado com o resultado do trabalho de Wrongtom neste último, Roots Manuva convidou o produtor para fazer versões reggae do seu catálogo. O resultado é “Roots Manuva Meets Wrongtom: Duppy Writer”, disco que aproxima o rapper ainda mais da música jamaicana.

A capa, feita por Tony McDermott, autor dos clássicos desenhos que enfeitavam os álbuns do Scientist e do Mad Professor, indica que o caminho das produções é o rub-a-dub e o dubtronic. O título faz referência ao clássico “King Tubby Meet Rockers Uptown” e ao apelido de Lee “Scratch” Perry, também apelidado Duppy Conqueror.

No patois jamaicano duppy significa fantasma, o que define bem o papel de “escritor-fantasma” de Wrongtom na produção do disco, como tem sido repetido em diversas resenhas. Ao recriar as bases em novas versões as letras do Roots Manuva foram valorizadas, ficando mais fácil de ser compreendidas sobre as bases macias do reggae do que do pontiagudo grime.

Roots Manuva ft. Riddla – ‘Butterfly Crab Walk’ by nmemagazine

Cada faixa soa como se tivesse sido produzida em uma década diferente do reggae. Wrongtom falou sobre isso nesse trecho pescado do The Line Of Best Fit:

“‘Motion 82′ is a nod to those early ’80s dancehall 12″s on Greensleeves like ‘Wah Do Dem’ and ‘Diseases’ (produced by Henry Junjo Lawes). ‘Worl’ A Mine’s’ on a Treasure Isle Duke Reed tip. Obviously all the digital stuff owes a lot to Prince Jammy with ‘Buff Nuff’ and ‘Chin Up’ heading into early ’90s dancehall territories like Patrick Roberts’ Shocking Vibes stuff or Mafia & Fluxy. I was going for a bit of a british reggae thing with ‘Dutty Rut’, (Dennis Bovell and his ilk)”.

Mesmo quem não é familiarizado o suficiente com a discografia do Roots Manuva para perceber as mudanças dos títulos da músicas (“Juggle Tings Proper” ressurge como “Proper Tings Juggled”, “Motion 5000″  vira “Motion 82″, “Buff Nuff” é “Rebuff”) encontrará um disco especial.

Há muito tempo sem lançar material inédito, é como se “Duppy Writer” fosse um disco de inéditas do Roots Manuva. E em muitos aspectos, realmente é.

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DJ Derek, o reggaeman

Clique para assistir a segunda parte do documentário sobre esse DJ de reggae sessentão.

Via @rafamrocha.

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Johnny Clarke, “None Shall Escape The Judgment”

Respira fundo que amanhã é sexta.

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Documento $onoro, “A Verdade Quer Saber”

Formado por um ex-integrante do Grave! (Leonardo Zapata) e um técnico de som com serviços prestados para o Orquestra Imperial, Ponto de Equílibrio, Elza Soares (Cheech Stavele), o Documento $onoro declara influência da bass culture dos sound systems jamaicanos, dubstep, Flying Lotus, Roots Manuva, internet e até da CNN (?). O disco “A Verdade Quer Saber” tem tudo isso, segundo eles.

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Nas & Damian Marley, “Distant Relatives”

O rapper nova-iorquino Nas e o deejay jamaicano Damian Marley juntaram forças e lançaram “Distant Relatives” Não é a primeira vez, os dois gravaram “Road To Zion” no disco “Welcome To Jamrock”, que trouxe respeito para Damian para além de ser filho de Bob Marley.

Produzido pelo irmão de Damian, Stephen Marley,   traz participações de Lil Wayne e Dennis Brown. Apesar do nome estranho, o disco é uma homenagem aos estreitos laços entre o reggae e o hip hop.

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Transcultura #002 (O Globo): Digitaldubs, Gil Scott-Heron


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Meu texto da semana para coluna coletiva que publico as sextas no jornal O Globo:

Digitaldubs em estado grave
por Bruno Natal

A situação do Digitaldubs Sound System era grave. Gravíssima. Para dar conta da gravidade da situação, só mesmo construindo seu próprio sistema de som. Cansados da magreza sonora encontrada na maioria das casas onde toca do Rio (o problema recorrente da cidade), o grupo honrou o nome e a tradição jamaicana e fez justamente isso. Desde então, as caixas de som são as estrelas das apresentações.

As baixas frequências são uma questão central no reggae. São elas que pontuam os lamentos, amaciam as pancadas da vida e emprestam peso ao discurso. Ouvir reggae sem a força dos graves é perder mais da metade da mensagem. Nesse sentido, o sistema de som do Digitaldubs presta um serviço maior que simplesmente incrementar o próprio show. Elas possibilitam ao público ouvir reggae e dub como foram pensados: com o grave bombando no peito, numa experiência tão auditiva quanto fisíca.

Projetada por eles mesmos e feita sob encomenda, as caixas cospem 4 mil watts de potência só pro grave, mais 2 mil e pouco para médios e agudos, feitas especialmente pra tocar reggae. Enquanto na Europa é normal os grupos de reggae e dub terem suas próprias caixas de som, por aqui ainda são poucos os que tem. Além do Digitaldubs, o Dubversão (de São Paulo) e o Interferência SS (também do Rio), tem as suas.

Só mesmo presenciando isso ao vivo para entender a diferença que isso faz. As ondas de grave amassam o público, atraído passo a passo, cada vez para mais perto para fonte. Próximo das caixas a pressão é tão grande que faz tremer os ossos, a pulsação chacoalha seus órãos internos, não dá pra aguentar muito tempo. Esse poder de atração e repulsão impulsiona um ciclo que movimenta a pista de dança: quem está longe quer chegar mais perto, quem está no epicentro precisa se afastar.

Até outro dia, ouvir reggae e dub de maneira apropriada era complicado. Tem que se aproveitar noites como a de hoje, em que as caixas de som se apresentam no Bar da Rampa, em Botafogo. Com participação do Digitaldubs.

Tchequirau

O disco “Bridges”, do Gil Scott-Heron e Brian Jackson, de 1977 emperrou por aqui há semanas. Uma aula de funk soul, só groove violento, Rhodes na maciota e um Scott-Heron mansinho, alviando até no discurso político.

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