OEsquema

Arquivo: resenha

Manuva


Roots Manuva, “Again & again”

Um Roots Manuva meio breaco passou pela Rough Trade East para um mini apresentação, infelizmente acompanhado apenas de um DJ, sem banda. Entre novas como “Again & again” e “Buff nuff”, animou mesmo — ele próprio, inclusive — com a clássica “Witness (one hope)”.

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Esse tal de nu-folk


Bon Iver
vídeo: Zarapas

Essa nova onda do folk vai se apresentando como um grande balaio sem fundo. A definição vai sendo aplicada a qualquer um que faça músicas ao violão e utilize harmonias vocais para declamar suas letras.

Liderado por Justin Vernon, o show do Bon Iver (“bom inverno” num francês americanizado), mostra como o tal nu-folk, (ou americana, como também chamam por aqui) é uma definição bastante frouxa.

Cancões como a boa “Skinny love”, em sua versão gravada, podem se enquadrar no termo e funcionam bem nesse formato. Ao vivo o som cresce.

As músicas ganham mais peso, acompanhadas por bateria (com pad eletrônico, usado discretamente), percussão, baixo, guitarra de timbres jazzísticos e um teclado hammond, passeando pela psicoldelia em alguns momentos.

Empurrado para o show e sem a menor perspectiva, foi uma boa surpresa. Pena que o disco passe longe disso.

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Cinquentona sem fôlego


“Into the groove”, num dos poucos bons momentos do
show
vídeo e texto: Carol*

A patroa foi conferir a Madonna e voltou decepcionada. Fala Carol:

Sou muito fã da Madonna e estava super ansiosa para conferir a performance dela aqui em Londres. Mas confesso que saí do show um pouco decepcionada.

Estava esperando ver a mesma Madonna da apresentação que vi no Rio, em 1993, quando ela se apresentou no Maracanã, ou do mini-show do Coachella 2006. No primeiro tinha 14 anos, mas lembro perfeitamente do show. Os bailarinos eram lindos, as coreografias interessantes, figurino original e a Madonna era ousada.

O que vi aqui foi o contrário. Uma Madonna careta, sem fôlego, e em uma tentativa quase desesperadora de se manter “moderna” para um público mais jovem, que na verdade nem estava lá.
Acho que eu era uma das mais novas na platéia.

As poucas músicas antigas que tocaram (“Into the groove”, “Like a prayer”, “Vogue”, “La isla bonita” em um momento cigano constrangedor, “Borderline”) ganharam versões diferentes, “atualizadas”, quando na verdade são boas no original. Foram essa músicas fizeram da Madonna um ícone pop.

Quase todo o tempo, enquanto Madonna cantava e dançava, o telão atrás do palco mostrava o clipe da música e participações virtuais dos parceiros: Kanye West, Justin Timberlake, Britney Spears, Timbaland… Chegou ao cúmulo de, em algumas músicas, somente aparecer o clipe e ela não estar no palco. Devia estar lá atrás descansando.

Tudo bem que ela já tem 50 anos e mesmo assim está inteirona, mas se ela não aguenta mais pular e cantar o show todo que faça um show menor, sei lá, acho mais honesto. Eu não paguei uma fortuna pra ver todos os clipes da Madonna em uma tela gigante, paguei para vê-la em ação.

Continuo fã, mas prefiro guardar na memória o show dos meus 14 anos.

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Santa

Do show do Friendly Fires, direto para a Santogold. A cantora tem sido tão comentada ultimamente que é fácil classificá-la como um grande hype, com toda carga negativa que o termo hoje carrega.

O detalhe é que, aqueles que vencerem a preguiça de conferir mais uma artista-da-vez, vão dar de cara com um bom disco. Uma coisa pode-se dizer: ninguém faz músicas como “L.E.S. artistes” e “Creator” e “Shuv it” se não tiver pelo menos algum talento. Nem que seja o de escolher bem de quem se cercar.

Depois de se juntar a Swich para produzir o disco, Santogold começa bem ao decidir se apresentar com uma banda (baixo, bateria, DJ, dois teclados e duas cantoras de apoio) em vez de apenas cantar sobre bases eletrônicas que não enchem um palco. Porém, a vontade de mostrar que é mais que uma fugaz estrela internética é tão grande que atrapalha.

A banda, uniformizada, fica espalhada pelos cantos, deixando um enorme vazio no centro do palco que Santogold, mesmo com bastante carisma, voz e simpatia, não consegue preencher. A coreografia robótica das duas cantoras de apoio, boa parte do tempo paradas como estátuas, funciona bem no começo, mas cansa rápido.

O som é bom, mas ao vivo falta pressão, o show não decola. Pode ser a grande flopada do TIM Fest 2008, maior até do que a M.I.A. em 2005. A ver.

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Simpatia


Friendly Fires, “Ex Lover”

Divulgando o disco de estréia, o Friendly Fires (já entrevistado aqui no URBe) fez um show na loja Pure Groove, em Londres.

Após a apresentação, os integrantes contaram sobre a apresentação no Reading Festival, em que contrataram percussionistas brasileiros para tocar com eles em “Jump in the pool” e falaram um por um, inclusive o empresário, que estão desesperados pra tocar no Brasil.

O show foi cedo, deixando tempo suficiente para correr para o Koko e conferir a Santogold.

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Festa estranha, com gente esquisita


Durrr e Boys Noize
URBe Fotos

Segunda, feriado em Londres, foi um dia estranho.

Começou com a organização confusa do Notting Hill Carnival, praticamente impedindo a circulação das pessoas pelas áreas que interessavam, e continuou com um quase-confronto com Tricky (irritado por ter que dividir uma mesa num restaurante em que não há outra maneira de sentar, sendo que foi ele quem chegou depois).

Já de madrugada, enquanto Andrew VanWyngarden, do MGMT, circulava pelas redondezas como se estivesse vestido para um show, uma das festas mais comentadas de Londres, a Durrr estava começando.

Surgida após o fim da Trash, a qual muitos creditam o “renascimento” do rock e o “fim” da ditadura eletrônica nos clubes, ambas foram concebidas por Erol Alkan, dessa vez um pouco mais distante, sem ocupar o posto de residente dos embalos de segunda a noite na The End.

Misturando os tais “novos sons” com pepitas da antiguidade, aparentemente foram absolvidas pela passagem do tempo, toca um pouco de tudo.

Na pista 1, o convidado da noite, Boys Noize, mostrava um techno com influências de electro, retão, sem melodias, pálido em comparação as seus remixes distorcidos. Apesar de misturar os mesmos dois estilos, não teve um pingo da elegância do eletechno de sua conterrânea, Ellen Allien.

Na pista 2, “Electric feel” (MGMT) e “Sensual seduction” (Snoop Dogg) revezavam-se a “Papa don’t preach” (Madonna) a “Buffalo stance” (Neneh Cherry), algumas das músicas em versões remixadas, com graves lá em cima e batidas quebradas e secas.

A Durrr é a única festa que acontece na The End que tem um código de vestimenta, apesar de nunca ser esclarecido exatamente que código é esse. Com isso, muita gente é barrada na porta, perguntando, um tanto humilhados, “o que está errado comigo?”.

Por algum motivo, a festa não pega. Parte da culpa é do público, posudo e preocupado demais em chocar, fantasiados de assaltei-o-armário-da-minha-avó. A outra parte pode ser creditada a produção da festa e da boate.

Na entrada, uma menina levou um belo esporro por ter ousado pagar a entrada de 6 libras em moedas (a caixa argumentava que não podia perder tempo contando moeda, pois queria dançar).

Na pista de dança, duas meninas tomaram uma chamada do segurança ao dar um pulinho para se abraçarem quando se encontraram. Na área de descanso, quem tirar um cochilo é acordado com uma faixo de luz na cara.

Nesse clima, realmente é difícil qualquer festa empolgar Pode ter sido só essa noite, mas que foi estranho, foi.

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Reis


Kings of Leon, “Molly’s chamber”

É uma longa estrada essa que leva um grupo de garotos que cantam em corais de igreja, para uma banda que toca em rodeios e, de lá, para se tornar atração principal de festivais de verão europeus.

Voando um pouco abaixo do radar, o KoL cresceu e hoje assistir esse show com 5.500 pessoas na Brixton Academy é vê-los num lugar pequeno.

Os ingressos foram pulverizados em 3 minutos no dia do início das vendas e eram vendidos por até 150 libras na porta da Brixton Academy. Ou por por um décimo disso, dependendo dos contatos.

Existe uma grande diferença entre assistir uma banda num festival, naquele show padrão de 45 minutos, e ver o mesmo grupo tocando por quase duas horas, sem se preocupar com quem veio antes ou se apressar para ceder o palco para quem vem depois.

Abrindo com a nova “Crawl”, os irmãos (e um primo) Followill aparentavam estar mais relaxados do que o normal, parecendo até estar gostando do show.

Inexplicavelmente, o KoL faz sucesso independente dos integrantes serem pouco carismáticos — e estarem poucos preocupados com isso.

Cercados por telões, globos e letreiros luminosos, o cenário era mais adequado aos estádios por onde a banda tem tocado na Europa, dando a dimensão do quanto a banda cresceu.

Enquanto em casa, nos EUA, as coisas não andem tão bem assim, o próximo show do KoL em Londres, em dezembro, será na O2 Arena, para 60 mil pessoas.

O vocalista/guitarrista Caleb brincou, ao falar que era bom tocar nos EUA (seguido de uma pequena vaia), mas que “basta um show em casa para nós querermos voltar para Londres”. O público adorou, comemorando com o tradicional e bizarro gesto de jogar para o alto copos de cerveja que custam mais de 10 Reais. Cheios.

A sequência “Milk”, “Four Kicks”, “California Waiting”, “The Bucket” e “On Call” aceleraram as coisas a um ponto que só mesmo a quietinha “Knocked up”, com sua frase hipnótica da guitarra de pegada country, para acalmar o público.

Sem se repetir e com coragem de experimentar, o mais interessante de acompanhar o KoL é que trata-se de uma das poucas bandas dessa geração que vem constantemente melhorando, seja em disco ou ao vivo.

“Only by the night”, quarto disco da banda, sai em mês e a banda já soltou um vídeo com aperitivos (confira abaixo). Se mantiver a curva ascendente, vai chover cerveja em Londres em dezembro.


Um aperitivo de “Only by the night”

O repetório do show na Brixton Academy (as músicas novas em negrito):

“Crawl”
“Black Thumbnail”
“Taper Jean Girl”
“My Party”
“Razz”
“Molly”s Chambers”
“Wasted Time”
“Sex On Fire”
“King Of The Rodeo”
“Fans”
“Arizona”
“Milk”
“Four Kicks”
“California Waiting”
“The Bucket”
“On Call”
“Mcfearless”
“Pistol Of Fire”
“Trani”
“Knocked Up”
“Manhattan”
“Charmer”
“Slow Night, Slow Long”

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Família Kuti


URBe TV: Seun Kuti & Egypt 80
fotos: URBe Fotos

Talvez antes mesmo do aspecto musical, o Lovebox, festival de dois dias organizado pelos integrantes do Groove Armada, se destaca pela comida. Reunindo algumas das melhores barracas do Borough Market, quase vira uma tarde gastronômica.

No domingo, os shows de Sebastien Tellier (divertido como sempre), Roni Size (fora de lugar e com o som sem pressão), Buraka Som Sistema (sacudindo a gringalhada), Operator Please (tocando numa cabana tosca), Goldfrapp (fraquinha e brega que só ela), Flaming Lips (também com som ruim), equilibraram a equação.

Quem fez a diferença mesmo foi Seun Kuti, filho mais novo do criador do afrobeat, Fela Kuti.

A frente do Egypt 80 desde a morte de Fela em 1997, nessa que foi sua última banda, Seun Kuti prova que não é um mero herdeiro aproveitador.


Seun Kuti & Egypt 80

12 dos 16 integrantes são veteranos das longas noitadas comandadas pelo pai no The Shrine, sua própria casa de shows — diários! — em Lagos, na Nigéria. É difícil imaginar que músicos desse nível aceitassem ser comandandos por qualquer um.

O caminho escolhido por Seun é mais próximo do pai e diferente do traçado pelo filho mais velho de Fela, seu meio-irmão Femi Kuti (que tocou na derradeira edição do Free Jazz Festival, em 2000), vez ou outra acusado de amaciar o afrobeat para ouvidos estrangeiros.

É uma encruzilhada sem solução aparente: se a escolha é atualizar os camihos, é chamado de água com açucar, se a opção for dar continuidade, pode-se facilmente ser chamado de oportunista.

Felizmente, isso não está acontecendo com Seun, cujo disco de estréia “Seun Kuti & Fela’s Egypt 80″ está sendo bastante elogiado.

Além do quê, com a leva de afrobeat brotando nos EUA, através do Antibalas, Nomo, Amayo’s Fu-Arkist-Ra ou Ocote Soul Sounds, nada mais justo que o filho do homem também tenha direito a dar sua contribuição.

Durante o show, lembrei da Nação Zumbi e de como seria injusto se não tivessem tido a chance de continuar sem Chico, um direito muito bem exercido por eles. Teríamos perdido uma bela banda e um dos melhores shows brasileiros.

A relação musical de pai e filho no caso dos Kuti, é bem diferente, por exemplo, da dos Marley. Seun toca com a Egypt 80 desde os 8 anos (Femi também) e assim como o pai, foi para Inglaterra estudar música.

Ele tem carisma, energia e talento próprio de sobra, ainda que a semelhança física com Fela (menor que a de Femi) e o jeito de dançar possam criar uma atmosfera saudosista.


Fela Kuti, no Shrine, no documentário,
obrigatório, “Music is a weapon”.

Abrindo o show com uma música de seu pai, “em respeito”, como Seun mesmo disse, suas próprias músicas não ficam para trás.

As frases dos metais grudam na cabeça já na segunda volta, as levadas de guitarra, simples e funcionais fazem a cama para hipnose, enquanto o baixo e a percussão lá na frente vão empurrando o conjunto. A sonoridade solidifica-se na dança das duas vocalistas de apoio.

Se tem um lugar no Brasil onde seria interessante ver esse show acontecer, seria Salvador, talvez fora do carnaval. Seria curioso ver as reações, do público e da banda (Lucas Santtana, dê um alô sobre o assunto!).

Seguindo os politizados passos do pai, letras falam do sofrimento africano e clamam por mudanças. “Quero fazer afrobeat para minha geração. Em vez de ‘levante e lute’, será ‘levante e pense’”, disse em entrevista ao Independent.

É curioso como tanta gente gosta de música politizada, mas poucos gostam de política. Em vez de instigar a consciência, esse tipo de música faz o contrário; como se suprisse a necessidade diária de cada cidadão de se indignar. Como se ouvir um disco bastasse.

Seun Kuti segue lutando para que a música continue sendo uma arma.

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A volta


URBe TV: The Mars Volta
URBe Fotos

Até você entrar em sintonia com a aparente esquizofrenia que está acontecendo no palco, o show do The Mars Volta é um bocado assustador. Alto, agressivo e confuso.

Não é fácil de digerir a massa sonora, misturando a velocidade do speed metal com divisões de jazz, vocais de Robert Plant com trejeitos de Mick Jagger, ruídos industriais com feedbacks de guitarra, camadas de teclado perfuradas por saxofone, percussão e improvisos quilométricos.

Já haviam dito que Roundhouse, local do show, era uma das melhroes, se não a melhor, casa de Londres. E de fato, é.

Construído dentro de um antigo moinho, o espaço circular (por isso o nome, Roundhouse) oferece uma visão de 180° do palco, possibilitando assistir o show de ângulos normalmente reservados para quem está com uma credencial no peito.

Pena que a programação é muito irregular. Com a demolição do Astoria definida, quem sabe alguns shows não acabam indo parar lá.


The Mars Volta

Passados alguns minutos, um transe coletivo toma conta da platéia. A sonoridade, quase anti-social, não deixa espaço pra respirar. Uma experiência tão intensa que as pessoas quase não se movem.

Liderados pelo guitarrista Omar Alfredo Rodríguez-Lopez e pelo vocalista Cedric Bixler-Zavala, o septeto pode ir do Hurtmold ao Justice, via rock progressivo, em meio acorde.

Quando a apresentação termina, a banda sai do palco sem dizer uma palavra, como no resto do show. Se o recado era de que se tratava de uma das bandas mais originais em atividade, nem precisava falar nada mesmo.

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A primeira vez


MGMT, “Electric Feel”
fotos e vídeo: URBe

Sob o som de um delicado dueto de flautas, os integrantes do MGMT entraram em cena, um por um, adicionando seus intrumentos ao arranjo e mostrando que o viria a seguir não seria muito parecido com o disco “Oracular Spetacular”.

Ao longo da noite, as muitas referências de Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, da disco ao folk, do pop a eletrônica, foram se desmachando no palco, até uma se sobrepor a todas as outras: o rock psicodélico

As flautas etéreas se revelaram uma comprida introdução para uma versão mais chapada de “Electric Feel”. A partir daí, foi como se o repertório do disco estivesse sendo tocado de trás pra frente, sempre com mais peso na guitarra. O resto dos hits ficaram guardados para o final.

Vestido com uma túnica colorida e faixa no cabelo, apesar de não escrever as letras, o vocalista Andrew VanWyngarden dá o tom do show. New age, neo-hippie e viajandão.

A lista de ingressos para imprensa e convidados, por exemplo, estava atrelada a uma contribuição de cinco libras para uma instituição de caridade escolhida pela banda.

Numa pausa entre as canções, o vocalista VanWyngarden, olhou o Astoria de frente e disse “nunca tocamos num lugar tão grande”. O público parecia tão assustado quanto ele.

Pode ser que o nervosismo, a falta de quilometragem na estrada ou que o som embolado tenham atrapalhado a banda, mas o fato é que muita gente saiu antes do final do show.

Antes de debandar, uma dessas pessoas teclava no celular (impossível não ler aquela telinha azul piscando na sua frente no escuro…) algo como “meu Deus, o MGMT é o pior pesadelo do Pink Floyd”.

A reação é compreensível. Ao vivo, a banda não atende as expectativas pop criadas pelas músicas de maior sucesso de “Oracular spetacular”.

Não que isso seja exatamente uma crítica negativa. Simplesmente, as músicas não surgem tão dançantes e estruturadas como em boa parte do disco.

Certamente, é bem diferente do que se pode esperar — a escolha de tocar uma versão de “Mindless child of motherhood”, do Kinks, não deixa dúvidas disso.

Isso não quer dizer que seja ruim, apenas diferente do que se espera, o que é até bom. Sabendo disso, na segunda vez possa ser ainda melhor.

Depois de saírem brevemente do palco, Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser voltaram, sozinhos, para cantar “Kids” sobre uma base pré-gravada. Em seguida, parte da banda também voltou e tocaram uma música inédita, “Dancing on the beach”.

Num bate-papo rápido após o show (que será extendido numa entrevista, a ser feita nessa sexta), Andrew van Wyngarden disse que estão muito empolgados com a ida ao Brasil, confirmando que irão tocar no TIM Fest.

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Friendly Fires – Entrevista

Entrevista exclusiva com a banda-da-vez-da-semana eleita pela volátil imprensa inglesa, o Friendly Fires.

Após o show gratuito em Londres, no 93 Ft. East — mesmo lugar onde o Radiohead também tocou de graça no começo do ano, do tamanho do Teatro Odisséia, no Rio — a banda se expremeu no banheiro e falou sobre o hype, Brasil e sobre apresentações grátis.

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O sinal

Tida como atual grande revelação do circuito independente, com um hit virtual circulando há um ano na rede e escalados para o TIM Festival 2007, o Vanguart lança seu disco de estréia, homônimo, encartado na revista OutraCoisa.

A inclinação pouco filtrada ao folk de Bob Dylan e as emulações dos vocais de Thom Yorke, duas referências imediatas (ou, juntando as duas coisas, um Radiohead fase “Pablo honey”/”The bends”), somadas a postura um tanto universitária “uhú, tô de saia na capa” que se espalha pelas letras, atrapalham o andamento de um disco com bons momentos.

Houve um tempo em que toda banda independente brasileira cantava em inglês, sem nenhum propósito além de imitar os gringos ou esconder letras ruins sob a desculpa esfarrapada de que “compor em inglês é mais fácil”.

Nos anos 90, uma leva de grupos (formada por Raimundos, Planet Hemp, Skank, Rappa e outros) se estabeleceu cantando em português, facilitando a comunicação e (re)estabelecendo outro padrão. De lá pra cá, a “regra” (ainda bem) é as bandas cantarem em português.

Com o mundo a poucos cliques de distância, ultimamente alguns grupos voltaram a cantar em inglês, de olho no mercado exterior (salve Tom Jobim!), no rastro do sucesso do Cansei de Ser Sexy (muito embora o Bonde do Rolê tenha chegado lá sem utilizar desse artifício).

O Vanguart, por sua vez, divide suas composições entre três idiomas: português, inglês e espanhol. Se o objetivo do grupo não for o sucesso internacional, não fica claro o porquê dessa opção. Sobretudo por um pequeno detalhe.

Os três grandes momentos do disco são “Semáforo” (o tal hit virtual), “Cachaça” e “Para abrir os olhos”. Não por coincidência, todas elas em português. Faz pensar que belo disco não seria se as outras músicas não tivessem seguido o mesmo caminho. Não por xenofobia, mas pelo simples fato de as composições em português serem muito superiores as outras.

Por enquanto, vale o refrão do sucesso do grupo: Só acredito no “Semáforo”.

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URBe, 4 anos


fotos e vídeo: URBe, Joca Vidal e Carol*

Mais um ano, mais uma festa, mais uma noitada e tanto. As festas do URBe são sempre bem diferentes uma das outras, principalmente pela escalação das atrações. Só tem uma coisa que é sempre igual: na noite da festa, chove.

Nessa edição, trocou-se o 00, casa das três primeiras festas, pelo Pista 3. A mudança não teve nenhum motivo especial, além da vontade de experimentar novos ares. Num lugar menor, prestigiaram a comemoração os leitores e os amigos, sem tantos “curiosos”, como das outras vezes.

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Ménage à Trois

Mantendo a tradição de se respeitar os horários divulgados na filipeta ao máximo, o show do Ménage à Trois abriu a noite com apenas 25 minutos de atraso.

Letícia Novaes (vocal), Donatinho e Pcatran (ambos comandando uma parafernália de teclados, bases e efeitos) mostraram, para os felizardos que chegaram cedo, a força da “resposta carioca ao Cansei de Ser Sexy”, como ouviu-se comentar durante a apresentação.

Enquanto Donatinho e Pcatran chamam atenção com ótimas bases — com destaque para as intervenções do filho do João Donato no teclado e em sua bateria virtual, controlada através de um joystick wi-fi do Nintendo Wii — é Letícia quem se destaca no trio.

Perfomática, a cantora/atriz/roteirista/show woman lança frases aparentemente desconexas, pedindo chupadas no umbigo e juntando a letra do seu potencial hit, “Fuck music”, com “Sexy back” (Justin Timberlake) e “Promiscuous girl” (Nelly Furtado), com a voz alterada por filtros, sobre uma batida de funk.

O BPM das músicas talvez seja muito baixo para as pistas de dança, local que parece adequado para as apresentações do trio. Acelerando as bases e ajustando as folgas, o Ménage pode ganhar mais pressão e ter um caminho surpreendente pela frente.

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A expo

A anunciada exposição “5 anos de palco”, de Joca Vidal, infelizmente acabou não acontecendo. Por problemas técnicos no projetor, a instalação criada pelo fotógrafo e curador da expo, Lucas Bori, não pode ser montada.

As fotos do Joca seriam projetadas em oito telas brancas presas na parede. Cada uma dessas telas exibiria cerca de quatro fotos diferentes, alternadamente, numa solução prática e criativa para a limitação de alguns arquivos digitais.

Tentaremos montar a exposição nessa quinta (17 de maio), no Cinematéque, quando haverá o show do Lucas Santtana & Seleção Natural. Assim que (e se) estiver confirmado, aviso aqui.

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MauVal

Num momento de honra para o URBe, Maurício Valladares assumiu os toca-discos quando a festa já estava cheia. MauVal desorientou a pista, como ele gosta de dizer, tocando de Coltrane a Curtis Mayfield.

Ouvi dizer que Maurício não havia levado discos “de pista”, porque pensou que iria abrir a festa, como se isso tivesse sido algum problema. Não fez a menor diferença. Foi uma discotecagem educativa e quem ouviu aprendeu um bocado. Só pérola.

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em cima: João Brasil e as PSG; a festa
em baixo: o público se diverte; Marcos Mion e João Brasil

Grande atração da noite, o mito João Brasil fez sua aguardada estréia nos palcos. E bota aguardada nisso. Seus novos fãs da MTV, Marcos Mion e cia, vieram de São Paulo especialmente para cobrir o acontecimento e as Pet Shop Girls causaram frenesi no Pista 3.

Abre parênteses.

Antes de mais nada, cabe aqui um adendo. Esses dias perguntaram se, apesar de muito legal, a cobertura dos passos do João não estaria um tanto excessiva no URBe. “Parece que ele é seu amigo”, disseram.

Já falei isso aqui, mas para evitar qualquer disse-me-disse, não custa relembrar: João é meu amigo sim, desde os 12 anos de idade. Além disso, minha produtora de vídeo fica no mesmo sobrado que o seu estúdio.

Nada disso, no entanto, interfere na quantidade de espaço dedicado ao João no URBe. Mesmo porque, ele não é meu único amigo que trabalha com música e nem todos eles passam por aqui. Se o que João faz não fosse genuinamente interessante, o URBe estaria falando sozinho. E, pelo que se vê, não é o que acontece.

Fecha parênteses.

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Voltando ao que interessa, João Brasil começou a milhão. Após a entrada ao som de “Carmina Burana” e uma vinheta exaltando a si mesmo, João abriu com “Baranga”, à pedidos da equipe de MTV, dançando com as loiras do programa Mucho Macho, enfiado num roupão de oncinha e de óculos escuros.

Não foi uma má idéia começar com seu grande sucesso. Com o público ganho, João emendou “Supercool” e contou a espetacular história do pau molão, para delírio dos presentes.

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Cantandoao vivo, João tocou teclado em algumas músicas, soltou as bases através de um laptop e os samples pelo midi.

Lidando com seu público cara-a-cara pela primeira vez, João falou bastante. Nervosismo de primeiro show, normal. O público entrou na onda, atendo o seu pedido e entoando “pau molão! pau molão!” entre todas as músicas.

Vieram “Elisa”, “O carnaval acabou com meu fígado” e a inédita “Cobrinha fanfarrona (ela vai te pegar)”. “Monica Valvogeu” teve direito a sample da jornalista e surpreendeu quem nunca tinha ouvido tão bela declaração de amor.

Brasil incluiu no repertório o mais recente sucesso internético, “VTNC”, de autoria desconhecida, que voou por e-mail essa semana, se consagrando em apenas três dias.

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Na parte final, João convidou seu ídolo De Leve, apresentando-o como seu rapper favorito, para juntos cantarem “Mamãe virei capitalista” e “O que que nego quer”, essa última do MC de Niterói e que tem base de João. Ao vivo, os dois funcionaram ainda melhor que nas gravações.

O encerramento triunfal veio com o bis de “Baranga”. Jogo ganho de goleada, João partiu pra festa com tudo e nunca mais foi visto.

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URBe SS

Com a pista fervendo após a catarse provocada por João Brasil, botei som por uma hora. Começando com “Pela orla dos velhos tempos” (na versão de Lucas Santanna) e partindo para “Outsiders” (Franz Ferdinand), “First gear” (Rapture), “Phanton” (Justice), “Zdarlight” (Digitalism), “Gravity’s rainbow (Soulwax remix)” (Klaxons), “Paris” (MSTRKRFT) fechando com “Fluorescent adolescent” (Arctic Monkeys).

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Mustache DJs

Na sequência, Filipe Raposo representou o Mustache DJs, desfalcado de sua metade, Breno Pineschi. E tome space disco, disco music e outros sacolejos, até as 3 e pouco da manhã, quando a pista continuava cheia.

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DJ Babão

Encerrando a festa, o DJ Babão deu um show de mixagens. A precisão de Babão é assustadora, virando músicas a cada minuto e meio, sempre acertando e fazendo a pista gritar.

Único da noite a tocar com vinis, Babão misturou “Tive razão” (Seu Jorge) com uma base de hip hop, “Bizarre love triangle” (New Order) com “Hollaback girl” (Gwen Stefani) e tocou a versão funk de “Sending all my love” (Linear) e “It’s automatic” (Freestyle).

No saldo final, a Letícia perdeu o casaco, o João os óculos, o Pcatran o suporte do teclado e muita gente perdeu a linha. O que só comprova que a jogação foi quente, a mais divertida festa do URBe até hoje. Ano que vem tem mais.

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Trovão

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foto: Beti Niemeyer/divulgação

Confirmando as suspeitas de que o desatre sonoro presenciado no show do New Order, duas semanas atrás, era fruto de uma passagem de som mal feita, Bethânia encantou com um som tinindo no Vivo Rio nesse final de semana.

Decorado com cenário e iluminação climáticas e com uma grande banda de acompanhamento, o palco, grande, fica do tamanho de um caixote de feira com a presença de Bethânia. Isso mesmo antes dela trovejar com seu vozeirão.

Teatral, a cantora domina sozinha o espaço no seu novo show, “Dentro do mar tem rio”. Divido em dois atos, o espetáculo traz músicas dos seus dois recém-lançados discos, “Mar de Sophia” e “Pirata”.

As mais de 30 canções são intercaladas por textos e poemas recitados por Bethânia. Os arranjos, potentes, são perfeitos para proposta, trazendo mais força para músicas como “Asa branca” (o que por si só não é tarefa fácil) e “Debaixo d’água”, de Arnaldo Antunes, que vira um quase-rap.

Contrariando a orientação dos produtores do show, a venda de bebidas e quitutes continuou durante toda a apresentação. Além de dispersivo e desrespeitoso com artista e público, não é exagero dizer que o vai-e-vem dos garçons com bandejas por um espaço reduzidíssimo é perigoso, embora os funcionários não tenham culpa disso.

Prova disso foi o copo de vidro que caiu na cabeça de uma pessoa sentada à minha mesa, se espatifando no chão e espalhando cacos pra todo lado. Não satisfeitos com a lambança, o gerente insistia em conversar a respeito durante o show. Quando terminou, ninguém veio sequer se desculpar.

No momento político do show, Bethânia lê o texto “Ultimatum”, de Álvaro de Campos (vulgo Fernando Pessoa), de 1917, provocando longos aplausos da platéia:

Mandado de despejo aos mandarins do mundo
Fora tu reles esnobe plebeu
E fora tu, imperialista das sucatas
Charlatão da sinceridade e tu, da juba socialista, e tu qualquer outro.

Ultimatum a todos eles e a todos que sejam como eles todos.
Monte de tijolos com pretensões a casa
Inútil luxo, megalomania triunfante
E tu Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral que nem te queria descobrir.

Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
Que confundis tudo!
Vós anarquistas deveras sinceros
Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar.

Sim, todos vos que representais o mundo, homens altos passai por baixo do meu desprezo
Passai, aristocratas de tanga de ouro,
Passai frouxos
Passai radicais do pouco!

Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa, descascar batatas simbólicas
Fechem-me isso a chave e deitem a chave fora.
Sufoco de ter só isso a minha volta.

Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo.
Nenhuma idéia grande, nenhuma corrente política que soe a uma idéia grão!

E o mundo quer a inteligência nova
O mundo tem sede de que se crie
O que aí está a apodrecer a vida, quando muito, é estrume para o futuro.
O que aí está não pode durar porque não é nada.

Eu, da raça dos navegadores, afirmo que não pode durar!
Eu, da raça dos descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir o mundo novo.
Proclamo isso bem alto, braços erguidos, fitando o Atlântico
e saudando abstratamente o infinito.

Poderia ter sido escrito ontem. Pena que não foi.

5 Comentários

Ufa!

Primeiro veio o falatório, sempre elogioso. Saiu o disco e o todo o burburinho pareceu verdade. Ainda assim, o fato da bolacha ter demorado dois anos pra ficar pronta fez pensar se não sera uma banda de estúdio. Junte a isso uma matéria na MTV com um trecho duvidoso do show no Abril Pro Rock e o hype crescente em torno dos sete rapazes (Marcelo Camelo, BNegão, Gabriel Muzak e Nelson Motta estavam lá pra conferir) e dá pra entender a importância da apresentação de ontem no Ballroom. A noite era decisiva pra mostrar qual nome faz jus a banda: o original, Mombojó, ou o apelido maldoso, Mombojovens.

As dúvidas começaram a desaparecer logo na primeira música. Eles entraram rasgando com “Deixe-se Acreditar”, melhor faixa do disco (sabe-se lá porque não foi a escolhida pro clipe). O coro do público, berrando o refrão (esse é o reino da alegriaaaa!), deixou claro: o Mombojó – pela primeira vez no Rio – estava em casa.

As músicas da banda são marcadas por quebras de andamento e nuances que poderiam facilmente se perder ao vivo. No entanto, o som bem passado, coisa rara no Ballroom, garantiu a riqueza de detalhes e as incursões psicodélicas características da sonoridade do grupo. Qualquer semelhança entre as “sirenes” disparadas pelo teclado e o secos e zumbidos nos ouvidos aditivados com loló deve ser mera coincidência.

Interessante ver como caras tão novos (não custa lembrar, o mais velho tem 21) têm tantas referências bacanas e são seguros no palco. Os moleques são umas figuras. Samuel se contorcia junto com suas linhas de baixo e o vocalista Felipe S mostrou boa presença. Se o nome do disco de estréia, “Nadadenovo”, inicialmente sugere a falta de novidade, o que se viu ontem foi exatamente o contrário. Não teve nada do que já foi feito, nada repetido, nada de novo.

Difícil destacar alguma coisa na apresentação impecável. A versão de “Faaca”, ainda melhor do que no disco, foi matadora, assim como “Cabidela”, que ganhou uma introdução mais longa, com um solo ressaltando a melódica. As músicas de levada Jovem Guarda também caíram bem e as quatro ou cinco músicas que não fazem parte do disco, uma delas inédita, mantiveram o nível.

A interação com a platéia foi tímida, típica do começo de um relacionamento. Felipe agradeceu a recepção e aproveitou pra avisar que as músicas do “Nadadenovo” continuam disponíveis online, gratuitamente. Mesmo assim, pediram para o público  comprar o disco encartado na revista OutraCoisa, justificando: “a gente pede dinheiro pra vocês pra não ter que pedir pra gravadora”. Perto do final, dando a impressão de que estavam mesmo alheios a tudo que se passava na platéia e concentrados apenas em tocar, o vocalista quis saber: “e aí, foi bom?”. Nem precisava perguntar.

O bis – de verdade, repetindo “Deixe-se Acreditar”, em vez de salvar uma do repertório pra tocar depois – teve a participação do “padrinho” China, o que não foi exatamente uma surpresa ou algo inusitado. O ex-Sheik Tosado, do qual o Mombojó era fã, é parceiro em cinco músicas. Só faltou mesmo o violonista Marcelo Campello. Ele sofreu um acidente de carro recentemente e não pode acompanhar o grupo na turnê pelo sul e sudeste.

A banda confirmou ao vivo o que ainda permanecia uma dúvida. Um alívio. O show de ontem deve repercutir, de maneira que não será surpresa se, na próxima vez que aportarem por aqui, tocarem num lugar maior.

O recado foi dado em alto e, principalmente, bom som: sem essa de Mombojovens, eles são o Mombojó.

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