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3 em 1: Passion Pit, Digitaldubs + Zion Train e Tropikillaz

Fazia tempo que não dava uma dessas loooongas voltas noturnas num daqueles dias em que várias atrações se apresentam na cidade na mesma data, conferindo todos, sem fazer escolhas.

O sábado começou com Passion Pit no Circo Voador. Passados quase quatro anos, a banda melhorou muito ao vivo. Som bem passado, tudo justinho, até os falsetos que antes falhavam, melhoraram. Mas… O pop brilhoso, quase adolescente, do grupo não prende a atenção ao vivo. Quem já viu – e a banda já passou pelo Brasil – sabe e deve ser por isso que haviam apenas 300 testemunhas no recinto.

As músicas de pista do primeiro disco, como “The Reeling”, ainda sobrevivem, só que as mais novas, do disco do ano passado, são ruins de doer. Cansado daquilo ali, era hora de partir para grande atração da maratona.

Não via o Zion Train desde 2006, na primeira passagem deles por aqui e quando entrevistei Neil Perch para o “Dub Echoes”. Saí de casa disposto a ser surrado por graves e fui prontamente atendido.

Diferente do Teatro Odisséia, onde foi o outro show, o Leviano, bem em frente ao Circo, é uma pista de dança, escura e com muito mais pressão. O Digitaldubs abriu a noite tocando dancehall e nu-roots e foi bacana ver o MPC cada vez mais solto a frente desse que é um dos sound systems pioneiros do Brasil.

Tocando jamaican style, com apenas um toca-discos, MPC também danou a fazer toasts sobre as bases, dando mais personalidade ao set. O lugar estava lotado, com fila na porta, e foi uma grata surpresa ver tanta gente junta para o massacre de sub-frequências promovido pelo Zion Train.

As 2h da manhã Neil Perch deu início a uma cacetada de linhas de baixo, com teclados voando pra tudo quanto era lado (alguns soando como tecnobrega) e pancada avassaladoras no meio do peito dos presentes, amassando os problemas e massageando a alma. Praticamente sem tocar nenhuma música de seus muitos discos, o Zion Train faz um live redondo, mixando dubplates e utilizando os vocais do MC Dubdadda como mais um elemento hipnótico.

O transe deu uma pausa quando o som falhou, quase uma hora depois. Foi a deixa para ir para ir descansar. Foi então que lembraram do Tropikillaz, no Espaço Rampa (no Clube Guanabara, ao lado do Bar da Rampa, só que num ambiente fechado, melhor estruturado).

A passagem pelo lugar foi rápida, porém impressionante. O ingressinho de R$ 40 pratas assustou e já era tarde, então era mais pra dar uma conferida. Fazendo a oportunista (sem demérito) mistura entre o trap e o hip hop, o novo projeto do DJ Zégon super lotou a pista. Hip hop não falha, é impressionante.

Com a vista da Baia de Guanabara na retina e a cabeça cheia de graves, era hora de ir pra casa. Na próxima é até o sol raiar.

Propriedade intelectual pode complicar (ainda mais) o Banco Imobiliário Cidade Olímpica


Sorte?

Depois de sair aqui no URBe, o assunto foi pescado e aprofundado pelo O Dia, O Globo e até a TV Globo entrou no assunto. O Banco Imobiliário Cidade Olímpica, lançado pela prefeitura e muito criticado (a própria prefeitura gastou R$ 1 milhão comprando edições para distribuir em escolas públicas), está sendo investigado pelo Ministéro Públicoteve seu alegado valor pegagógico questionado por professores e virou piada.

E os problemas podem estar apenas começando. Recebi um email levantando umas questões interessantes (não averiguadas, importante dizer), a respeito do uso e comercialização da marca Cidade Olímpica. A pessoa pediu pra não ser identificada, mas autorizou a reprodução:

“vc deve ter ficado tão ultrajado (puto) quanto eu com essa notícia do Banco Imobiliário Cidade Olímpica, que, a propósito, o URBe furou bem antes de O Dia – apesar do excelente aprofundamento dado por esse veículo que garantiu uma repercussão adequada pra esse absurdo. naquela época acho que todo mundo ficou sem saber se era ‘sério’ ou fake o projeto. pois muito pior foi saber como a coisa toda foi feita, com requintes de pilantragem em moldes nunca antes visto…

“o idiota que teve essa ideia e o idiota que aprovou refletem bem o jeito ‘moderno’ de fazer política do Paes, que não passa de uma repaginação da velha promiscuidade entre público e privado, dos acordos e benefícios com segundas intenções, e do uso da máquina pública como instrumento político-partidário. nisso essa modernização midiática não é mais que uma fachada pra velha e suja política brasileira.

“o uso do equipamento de educação do município como disseminador de propaganda política imprópria, covarde (por que é destinada a crianças, adolescentes e familiares – geralmente de baixa renda) e pedagogicamente inadequada seria, em muitas cidades do mundo dito civilizado, motivo de processo, demissão dos envolvidos e até impeachment do alcaide irresponsável que promove (sabidamente) esse tipo de putaria (com o perdão da má palavra) na coisa pública. é bicicletinha do banco, Marina do Eike, campo de golfe doutro filhadaputa qualquer (perdi a linha), tudo isso tomando pra si a responsabilidade de decidir sobre os limites e as relações entre a prefeitura da cidade e a iniciativa privada.

“algo que não foi levantado, apesar de toda polêmica em torno do projeto, foi: será que o COB autorizou uso da marca ‘Cidade Olímpica’ na criação de um produto comercial da Estrela, sem bônus algum pra cidade?.

“esse é um aspecto dessa cagada ridícula que pode inviabilizar esse ‘produto’ e causar um belo mal estar lá em cima. pq pra usar marcas registradas relacionadas ao projeto olímpico (bem como palavras ‘Rio 2016′, ‘olimpíadas’, o adjetvo ‘olímpico’, etc) tem que ir lá beijar a mão do COB, e se a Estrela não é patrocinador oficial do evento, é o que? amiga do Eduardo Paes? por mais que essa marca seja da prefeitura, sabidamente esse cara não tem o direito (patrimonial) de emprestar esse nome pra qualquer projeto, sobretudo um pelo qual ele obviamente se beneficia.

“isso pode dar problemas, pelo seguinte:

“1º – Aplica-se a EMPRESA OLIMPICA MUNICIPAL toda a legislação que rege as atividades da Administracao Publica Indireta, inclusive o controle externo exercido pela Camara Municipal do Rio de Janeiro e pelo Tribunal de Contas do Municipio do Rio de Janeiro.
eu pesquisei aqui pra tentar entender esse embróglio… minhas questões que mesclam dúvida e suspeita são:

“- o que é essa tal ‘Cidade Olímpica’ e que direito o prefeito (ou seu gabinete) tem de manusear essa marca associando ela a uma iniciativa privada em um produto comercial?

“- qual a relação da empresa ‘Cidade Olímpica’ com o COB e o movimento olímpico? o caso em questão não fere os requisitos de proteção legal associados ao nome ‘olímpico’, protegido pelo (questionável) Ato Olímpico Municipal, Estadual e Federal, e também pela lei Pelé?

na página do COB tem algo a respeito do uso dessas expressões, visando justamente proteger o evento de empresas que querem se aproveitar do nome e denominação ‘olímpico’ para faturar em cima. e o cara simplesmente cede o direito do uso dessa porra com autorização de quem? rasgando dinheiro e beneficiando a Estrela por que?

“- que direito a Estrela tem de comercializar um produto que faz uso da imagem e do nome de diversas empresas públicas de capital fechado (RioUrbe, RioFilmes, Cidade Olímpica, etc) sem prévio conhecimento dos órgãos competentes? sem retorno financeiro algum, pelo contrário, ganhando de lambuja um contrato bem pago de fornecimento de jogos sem licitação pra secretaria de educação do município, sem que ninguém questionasse a legalidade e a necessidade dessa compra.

“obviamente que essa questão não é pro bico dum curioso, mas de um advogado especialista na coisa pública.”

A bola foi levantada. Vamos ver se alguém corta.

Transcultura #107: No Questions Asked // Deu no NYT

Meu texto da semana passada da “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Jogo No Questions Asked NYC dá dinheiro nas ruas da cidade
Enigmas são expostos por redator de programas de TV e palavras cruzadas
por Bruno Natal

De pé no parque High Line, jardim suspenso construído sobre o trecho elevado dos trilhos de uma linha de metrô desativada no sul de Manhattan, em Nova York, David Levinson Wilk aguarda calmamente alguém desvendar o enigma impresso numa grande folha de papel branca apoiada sobre um cavalete. Algumas pessoas tentam decifrar o significado da palavra “MOM” escrita oito vezes, sem sorte. Esbaforida, uma menina chega correndo e pergunta se ainda há tempo de responder. David diz que sim, e ela crava: “octomom”, mãe de octogêmeos. A resposta estava correta. Sanji, a vencedora, dá pulos de alegria e posa para a foto da vitória com o motivo de tanto esforço: uma nota de US$ 100, o prêmio por sua esperteza.

O jogo chama-se No Questions Asked NYC e tem se repetido de segunda a sexta, em algum ponto de Nova York, divulgado por Twitter, Tumblr e Facebook, com uma foto do enigma. Redator de jogos para programas de TV e palavras cruzadas por toda sua vida adulta, David queria criar seu próprio jogo.

— O objetivo era premiar as pessoas por estarem engajadas no seu próprio ambiente — conta ele. — Sabia que não podia ser um jogo baseado em conhecimentos gerais, pois os desafios não durariam tempo o suficiente. Os enigmas em formato de imagem são para atrair os olhos sem produzir uma resposta imediata.

A brincadeira começou em novembro e todas as pessoas que ganharam foram pedestres que passaram em frente ao cartaz e tentaram a sorte, David não aborda ninguém. Se alguém pergunta do que se trata, a resposta é sempre a mesma: “É um enigma. Se você for o primeiro a dar a resposta correta, ganha US$ 100.” É o suficiente para conquistar a atenção. E a conquista vicia. Sanji já faturou mais US$ 200 depois do primeiro acerto, assim como outros participantes que ganharam mais de uma vez após passarem a seguir o jogo on-line e correrem para onde o enigma estiver.

Até aqui, David pagou a conta dos prêmios sozinho.

— Após seis semanas, minha namorada disse que eu não podia mais gastar o meu, o nosso dinheiro. Ela fez bem em me fazer pensar, já estava ficando viciado em distribuir meu próprio dinheiro. Uma alternativa pode ser abrir uma campanha de crowdfunding no KickStarter para levantar fundos — diz ele.

Tantos encontros, claro, renderam boas histórias.

— A última vencedora, no Central Park, passou correndo e parou para perguntar o que eu estava fazendo. Ela estava determinada e, após 20 minutos, conseguiu. Ela se jogou no chão de felicidade, e pessoas que passavam perguntaram se eu tinha acabado de a pedir em casamento. Houve também um dia no Harlem em que duas pessoas, sem relação uma com a outra, me perguntaram se os enigmas eram instruções sobre o que fazer quando alienígenas invadissem a Terra. Sem brincadeira.
Afinal, qual é o objetivo?

Além da satisfação da brincadeira, muita gente faz a mesma pergunta. Afinal, qual é o objetivo do projeto?

— A motivação principal foi saber que seria divertido para mim e para os outros. E também ser uma ideia que eu podia produzir com total controle criativo. Crio os enigmas, escolho os lugares, tudo. Cresci em Nova York, cidade que amo muito, então é também um tributo a esse lugar. E, se transformar isso num programa de TV que dure anos, tudo bem.

Tchequirau

Uma repórter do New York Times passou uma semana no Rio com a filha de sete anos e escreveu sobre suas impressões para a sessão de viagens do jornal. A ideia era comprovar se o Rio Maravilha vendido no exterior era pra valer. Suas impressões foram muito mais próximas da realidade, claro, do que a propaganda. E nada de faniquito com as críticas feitas à cidade, hein, leitor.

Carnaval do reggae 2013

Uma programação alternativa ao alalaô.


sexta 8/2 (23h até 6h)
DIGITADUBS NO ALTO VIDIGAL
com Digitaldubs e convidado selecta T-Woc (Irlanda)
(dub & roots)
R$ 20 até 1h, depois R$ 30


segunda e terça 11 e 12/2 (16h até 22h)
FESTIVAL RIO SOUND SYSTEM
no Quiosque da Pedra do Leme
com Interfência, Leo Justi, John Woo, Bluntzzilla, Wobble, Dj Castro, Ambassodors, Cucho, Urcasônica, Omulu.
(dancehall, dubstep, funk…)
Grátis

CANCELADA
terça 12/2 (20h até 5h)
YAYA HIFI
no Studio RJ
com djs DaLua, Calbuque, MPC(Digitaldubs) e Nitcho(ISS)
(jungle, drum&bass, reggae, dancehall, dubstep)
R$ 10 até 0h, depois R$ 20

 


quarta 13/2 (19h até 1h)
DIGITALDUBS NO ARCO DO TELES
(dub & roots)
Grátis

Bando Imobiliário, a cidade olímpica e a brincadeira em má hora


Uma brincadeira de mal gosto?


O secretário gostou

O assunto do dia foi banco. Começou com a tuitada e instagramada (deve ter gostado muito mesmo) do Sergio Sá Leitão, Secretário de Cultura do Rio e Diretor-Presidente da RioFilme, congratulando e agradecendo quem teve a infeliz ideia de fazer uma versão do Banco Imobiliário chamada Cidade Olímpica – e, ao que parece, presentear algumas pessoas. Não se sabe se a fabricante de brinquedos Estrela está mesmo envolvida ou se o jogo existe pra valer (atualização: existe sim).

Uma rápida passeada pelo Facebook mostra que pegou mal. Com a cidade loteada e cheia de problemas, o mercado imobiliário nas alturas e tantos outros problemas, muitos consideraram uma brincadeira de mal gosto, piorada por ter sido propagada por um funcionário da prefeitura da cidade.

Foi a deixa para Bando Imobiliário, do Fabio Lopez, criador de outra paródia, o famoso jogo War In Rio, pipocar na rede. A resposta perfeita.


O tabuleiro do projeto Bando Imobiliário


As cartas do jogo Bando Imobiliário