OEsquema

Arquivo: rio

Gabeira, 43

Que você vai votar no Gabeira eu já sei. O lance é conversar, com calma e sem pressão, com os indecisos e com os mau informados (com “u” mesmo), que podem acabar votando no outro sujeito.

Temos em mãos uma chance histórica de mudança. Se os resultados virão, é outro papo, que vai depender tanto de você, de mim e de todos nós, quanto do Gabeira.

O início é nesse domingo.

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Carência


Sonny Rollins
fotinho fora de foco, feita lááá de longe
URBe Fotos

Para muito além da música, é impressionante como um evento cultural (como o Tim Fest) pode falar tanto de uma cidade (como o Rio) e do estado das coisas.

Um dos dias mais estranhos desse último ano em Londres foi quando descobri, por acaso e apenas no dia seguinte, que havia ocorrido uma etapa do Red Bull Air Race na cidade. No dia do evento, circulei bastante e não notei nada de diferente. Nenhum tumulto, nada de confusão. A corrida só aconteceu para quem esteve interessado em acompanhar.

Quando esse evento (ou outro do mesmo tamanho, ou até menor) acontece no Rio, a cidade pára. Não interessa se você não se importa com corrida de aviões, você está fadado a passar o domingo preso em engarrafamentos e outras alegrias do gênero.

O motivo é muito claro, tem a ver com a carência (não só) do Rio por grandes eventos minimamente bem produzidos — além, óbvio, da infra-estrutura precária. Lembrei dessa história ontem, durante o show do Sonny Rollins.

É essa carência que desperta a quantidade gigante de reclamações em relação ao evento, da produção a escalação. São tão raras as chances de se ver algo interessante que faz disparar o nível de exigência quando elas aparecem, no que em outras circunstâncias deveria ser apenas um show.

Se isso explica os ânimos exaltados em relação ao Tim Fest 2008, não justifica erros como o PA magrelo, sem graves e estalando, os atrasos e o desrespeito com as leis.

Uma das principais reclamações é em relação ao preço dos ingressos, absurdos de caro, ainda mais se comparados com os 100 reais cobrados pelo Planeta Terra pra ver todos os shows da escalação oferecida por eles.

A julgar pelos comentários que se ouvia antes do show, Sonny Rollins deve ser um dos maiores nomes da música no Brasil. A quantidade de vezes que eu ouvi “cara, não perderia esse show por nada, ele é incrível” (o adjetivo da vez, incrível, normalmente é dito com uma expressão meio blasé) faz pensar porque o show do sujeito não é uma data oficial do calendário do Rio.

Carioca é um bicho esquisito. Qual o problema de dizer que estava indo lá atrás da lenda, para conhecer mesmo? Acredito até que essa é uma das funções do evento, divulgar e criar público para a boa música. Não sou entendido em jazz (o que eu conheço um pouco mais e gosto é o samba-jazz brasileiro) e não vejo problema em admitir que se ouvi três músicas do Rollins na vida, foi muito.

O show foi OK, muito prejudicado pela tradicional má qualidade de som (fritando sem parar), por uma iluminação multi-colorida mais apropriada ao Cirque du Soléil e, principalmente, pelo tamanho do lugar. Será sempre um mistério incompreesível porque investem tanto dinheiro em cenografia em vez de equipamentos (e técnicos!) de som de qualidade, num evento de MÚSICA.

Certamente a intenção ao colocar o Sonny Rollins no maior dos palcos foi a melhor possível. Acontece que um show de jazz não cabe num lugar daqueles. Como alguém comentou, “jazz não combina com PA”. Ainda mais com os BPM lentos das músicas tocadas. Perdido, lá no fundo da tenda, entre o vai e vêm das pesssoas, a reação involuntária era a dispersão.

Nas mesas em volta a fumaça subia, sem pudor, apesar do aviso de “proibido fumar” e de uma lei em vigor no Estado. Perguntei ao segurança a respeito disso e a conversa foi curiosa.

Segundo ele, a “orientação era pra não incomodar quem estivesse fumando”. Ué, mas não é uma lei? “Pra você ver…”. Num momento em que se fala tanto em mudanças, é assustador ouvir um troço desses. Mudanças, sim. Lá no quintal dos outros, né.

Na Casa da Matriz, onde a fiscalização está batendo forte, contam que a orientação aos seguranças é bem outra. Na marca do pênalti pra perder a licença, a Casa está cumprindo a lei bonitinho. Como no exterior, além da educação, é a pena que faz a lei ser seguida. A produção do Tim Fest talvez não esteja preocupada com a fiscalização.

Como ia dizendo, um simples evento de música pode falar muito de uma cidade e sua sociedade. Vai vendo.

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Conferindo

Nos moldes da Miami Winter Music Conference, maior encontro de indústria da música eletrônica, em 2009 acontece a Rio Music Conference.

Porque praia a gente tem.

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Matriz

O Grupo Matriz, proprietário de 214 de cada dez casas alternativas do Rio, está promovendo seu festival de bandas, o Bota Pra Fazer Música.

Como prêmio, além da gravação e prensagem de um SMD (pra entulhar a casa vencedor, porque se quiser vender…), há uma turnê pelo circuito de palcos do grupo, isso sim bem mais interessante (não que seja necessariamente difícil tocar por ali).

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Saudades do Rio 02

Ver o meu Flamengo beliscando o topo da tabela do Brasileirão de longe é uma coisa. Chegar em casa e assistir um jogo ouvindo os gritos da Torcida Arco-Íris comerando o gol dos adversários é bem mais legal. Faz lembrar o quanto o Fla incomoda. E o quanto é bom infernizar os que acusam a pilha, hahaha!

Nota mental: não alivar na zoação aos tricolores. Bolaños!

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Obamasando


arte: ~guilhermec

O Rio dá um suspiro de esperança.

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Ih, rolou!


foto: O Globo

Gabeira no segundo turno, que excelente notícia! Agora vai!

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Gabeira, 43

Peço licença aos leitores de outros estados pra falar diretamente com os cariocas. Vamos tirar o Rio dess cratera!

Dez motivos para votar em Fernando Gabeira para prefeito no domingo.

1 – Não precisamos — sobretudo NÃO DEVEMOS — misturar Estado e religião e o Gabeira é o único que pode empurrar o Crivella pra fora do segundo turno. Só isso já deveria ser motivo o suficiente, depois você vota até no macaco Tião que não vai ser tão ruim.

2 – Precisamos de mudanças radicais e Gabeira pode ser radical (embora muitas vezes as pessoas reajam ao choque com preconceito).

3 – Não precisamos de mais um malandro e Gabeira é honesto.

4 – Precisamos trabalhar sério e Gabeira é sério.

5 – Não precisamos ser governados por quem não tem preparo e o Gabeira tem preparo.

6 – Precisamos discutir das drogas e o Gabeira não tem medo de falar disso.

7 – Não precisamos de mais idéias retrógradas e o Gabeira tem idéias modernas.

8 – Precisamos virar o jogo e o Gabeira pode ser essa virada.

9 – Não precisamos depender dos políticos e o Gabeira está propondo envolvimento total dos cidadãos para revertermos esse quadro desesperador do Rio.

10 – Precisamos de cada voto e já perdemos o meu, porque infelizmente não dá pra votar pra prefeito daqui de Londres.

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Discoland

Discoland
James Murphy & Pat Mahoney
Glass Candy
Ewan Pearson
Efdemin
Badenov & Gustavo MM
04 de outubro (sábado), Rio de Janeiro

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Combo

Os dois primeiros que escreverem para disalvo@segundomundo.com e falarem que souberam da festa aqui pelo URBe ganham um par de ingresso cada um.

E os 15 seguintes entram na lista amiga a R$ 15.

Lounge 69 (Rua Farme de Amoedo, 50, Ipanema)
Combo
1h – Mike Simonetti (Italians do it Better, NY)
3h – Tittsworth (T & A, Washington)
05 de setembro (sexta)
R$50, R$ 20 (na lista amiga, e-mails até 20h, www.festacombo.com)

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Progresso on line


Caetano Veloso, “Falso Leblon”

Caetano Veloso segue com a sua “Obra em progresso”, iniciada com uma série de shows em que apresentou as novas músicas que farão parte do novo disco (talvez chamado “Transamba”, corruptela com o título de um dos seus melhores trabalhos, “Transa”).

Distorcendo ainda mais a ordem dos fatores, o DVD foi gravado antes do disco. Dando continuidade a sua vontade de se mostrar transparente e escancarando os bastidores do seu processo criativo, Caetano anda publicando no saite do projeto até e-mail com questões levantadas pelo editor do documentário.

Na era dos blogues, MP3 e bandas que estouram no mundo todo com músicas que sequer estão prontas, é interessante acompanhar mais uma reinvenção do próprio personagem pelo Caetano.

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Para o alto e avante


O horrorendo não ajuda, mas essas casas são importantes e
estão sendo defendidas por alguns moradores da Gávea.

A Zona Sul do Rio não comporta mais gente, isso é um fato. Não existe planejemento urbano nenhum. O dinheiro manda.

Diferente da Europa, onde cidades como Londres ou Paris são baixas e cheias de praças e espaços livres, no Rio cada centímetro livre tem que virar um prédio ou alguma construção (90% das vezes, feia bagarai).

Por isso temos, por exemplo um longo muro correndo do Leblon a Ipanema, formato por prédios gigantescos, colados um no outro, que não deixam espaço nem para o ar circular.

A Gávea já foi um bairro tranquilo e basicamente residencial. Hoje em dia, a Marquês de São Vicente, principal rua do bairro, tem oito farmácias, quatro bancos, um mega shopping, dois pontos de ônibus, um de táxi e quantos você quiser de van, num espaço de dois quarteirões.

O fluxo de gente e carros torna o trânsito (de automóveis ou pessoas) inviável. Mesmo assim, demole-se uma casa antiga pra botar no lugar um prédio de 70 apartamentos.

Pior que isso, o bairro fica descaracterizado, perdendo todo seu comércio local, substituído por redes impessoais de qualquer coisa. Alguns moradores manifestam-se, para tentar impedir o caos.

É o progresso, dizem. E está tem toda parte.

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Episódio II

O The Twelves lançou uma nova mixtape.

Repleta de remixes inéditos para Radiohead, Lykke Li, Zeitgeist e Fleet Foxes, é garantia de arrancar suspiros molhadinhos dos blogues de MP3 desesperados para lançar as últimas novidades. “Episode II” está a um clique de distância, claro.

As músicas:

1 – Zeigeist – “Humanitarianism” (The Twelves Replay)
2 – Radiohead – “Reckoner” (The Twelves Replay)
3 – Mirwais – “Naive Song”
4 – Of Montreal – “Gronlandic Edit”
5 – David E. Sugar – “To Yourself”
6 – The Virgins – “Rich Girls” (The Twelves Replay)
7 – Daft Punk – “Voyager”
8 – Jupiter – “CHIP”
9 – Fleet Foxes – “White Winter Hymnal” (The Twelves Replay)
10 – Metronomy – “Heartbreaker
11 – The Twelves – “Works for Me” (The Twelves Replay)
12 – Lykke Li – “Dance Dance Dance” (The Twelves Replay)

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É Vipi!

Caetano Veloso repercutiu no seu show a frase abaixo, de Lobão, sobre a Zona Sul carioca:

“É um cara que não paga para ir a show. Quer ser VIP, entrar naquelas listas. Vai ao show, aporrinha o saco e ainda vai ao camarim beber meu uísque”

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“Hate to say I told you so”


Também venho falando disso faz tempo, Hives…

E o Rio continua afundando no limbo. Impressionante como num espaço tão curto de tempo a cidade conseguiu perder tanto sua relevância cultural.

De turnê marcada pelo Brasil, o The Hives cancelou a data carioca porque não toca quatro noites seguidas. Antes do Rio, o grupo passa por São Paulo, Brasília e Porto Alegre.

Tudo bem que o Hives não importa, e sem demérito nenhum as outras cidades — MESMO, essa ampliação de mercados é positiva, para todos — mas ver uma banda dessas escolher cancelar justamente sua data “in Rio”, um dos subtítulos favoritos de DVDs ao vivo internacionais, é sintomático.

O Circo se esforça e diz que continuará “a tentar arrastar pra essa cidade desenganada outras atrações internacionais de peso”.

Ainda esse ano, o Circo apresentará Justice (setembro) e Bloc Party (novembro). Quer dizer, se não pintar uma oferta mais interessante pra tocar em outro lugar qualquer.

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Rio de Janeiro forever

Não sou eu que estou dizendo, são os franceses do New Waive Beaters, desse clipe simples e eficiente acima, em outra de suas músicas, simplesmente chamada “Janeiro”.

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Saideira

Como toda boa festa, a promovida semanalmente há quatro anos pelo Digitaldubs Sound System na Casa da Matriz também chega ao fim.

A despedida será nessa quarta, 13 de agosto. Abaixo, o MPC explica a decisão de desligar o som.

URBe – Que papo é esse de última festa?

MPC – Depois de quatro anos tocando toda quarta-feira, sentimos a necessidade de
tirar umas férias da festa e ter mais tempo pra nos dedicar a outras coisas. O Digitaldubs não é só uma festa, temos um estúdio onde produzimos nosso som e também outros artistas, temos um selo, distribuição, etc. As vezes fica coisa demais pra gente fazer, chegou a hora de mudar o foco.

O fim da festa deixara um vazio na cena reggae carioca. Essa esfriada da cena não pode ser prejudicial para o próprio DD?

Com certeza vai deixar um vazio, pois atualmente éramos o único ponto semanal da cultura sound system no Rio. Mas espero que seja por pouco tempo. Hoje, diferente de quando começamos, existem vários outros grupos se movimentando por aqui. Espero que apareçam mais festas pra que o povo (e eu tambem!) possa curtir com frequência.

Você acha que com as festas semanais tava rolando uma super-exposicao, é hora de se esconder um pouco?

Pode ser que, depois de quatro anos, tenha ficado fácil demais pra ver o Digitaldubs no Rio. Tem aquela velha estória que “o jardim do vizinho é sempre mais bonito” ou que “queremos sempre o que não temos”. Talvez com a falta da festa toda semana, role uma saudade da galera.

Qual o balanço desses anos da festa na Matriz?

Muita coisa rolou mesmo. A festa semanal foi muito importate pra nossa evolução e também a evolução da cena do Rio, e talvez do Brasil mesmo.

Recebemos muita gente pra tocar na nossa festa, vários cantores, DJs, sound systems… Artistas da nossa cidade, de outros estados, de outros países… Muitos DJs, cantores e MCs se influenciaram pelo nosso trabalho e muitos também tiveram suas primeiras chances na nossa festa.

Muitas músicas foram compostas nas festa, de improviso, e depois foram gravadas no estúdio. Outras ficaram conhecidas na festa bem antes de serem lançadas.

Algumas ediçoes historicas tiveram como convidados Tippa Irie, Dj Perch (Zion Train), Mr. Catra, Black Alien, BNegão, WordSound (NY), Buguinha Dub, teve o sound clash contra o Moa Ambessa… Muita coisa pra listar aqui…

Quem quiser ver o Digitaldubs a partir de agora faz como?

O Digitaldubs está lançando disco novo em setembro (Funk Milk Riddim). Em breve vamos divulgar as datas da turnê que vai rolar em várias cidades do Brasil e também Chile, Argentina e México. Na volta, em novembro, deve rolar o lançamento no Rio.

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Alguma coisa está fora da ordem


foto: Custódio Coimbra/O Globo

A imagem acima ilustra o outdoor de divulgação do ato público em defesa da vida, que será realizado nesta quarta-feira no Rio, com o apoio do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedca).

A ilustração mostra um mãe com o filho ensaguentado nos braços, enquanto um policial observa, com um Caveirão do Bope ao fundo.

Não, ele não está lamentando junto com a mãe o assassinato do menino por bandidos. O sorriso um tanto sádico do soldado, tira qualquer possibilidade de ambiguidade da mensagem.

E de passeata em passeata, de “basta!” em “basta!”, não chegamos a lugar nenhum. Arregaçar as mangas ninguém quer, né, meus caros cariocas?

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XLR8R, maio/2005

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Matéria de capa sobre baile funk que escrevi para revista americana de música eletrônica XLR8R.

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The Funk Phenomenon
From the suburbs to the hills of the favelas, the history of the contemporary soundtrack of Rio de Janeiro

“It’s a black sound/from the favelas/but when it’s playing/no one stands still” – Alimickar & Chocolate “Som de Preto”

words:Bruno Natal
photos:Lucas Bori

Forget samba. Funk is the biggest music in the favelas (shanty towns) of Rio de Janeiro, Brazil. Not the James Brown sort of funk, something else. Call it funk carioca, favela funk, or simply funk, like the locals do.

This offspring of Miami bass, electro’s distant cousin, has been moving Rio’s youth for quite some time now. A world in itself–running independent of major labels and the media for years–funk attracts hundreds of thousands of people to balls happening all over town, sells thousands of records, and propels the biggest radio show in the country, which boasts 500,000 listeners per minute. It’s a complete culture that combines its own codes and dance styles with the clothing fads and slangs of the favelas, which often end up incorporated in the vocabulary of the whole city.

Up until the mid-‘80s, Rio’s upper class and mass media were mostly unaware of the baile funk (funk ball) phenomenon, which was promoted by soundsystem crews like Furacão 2000, Cash Box, Curtisom, and Pipo’s. Since this music was happening in the suburbs–in the poorest neighborhoods–it wasn’t perceived as relevant or important. Things begun to change when anthropologist Hermano Vianna published the book O Mundo Funk Carioca (Rio’s Funk World), the first social study of these parties, and anthems such as DJ Marlboro’s 1988 “Melô da Mulher Feia” (“Ugly Woman Song”) began receiving enormous airplay.

Funk has recently received tremendous international hype, from the massive airplay that Tejo, Black Alien & Speed’s “Follow Me, Follow Me” received in Europe (after being featured in a Nissan TV spot) to tracks on Diplo’s Favela on Blast and Piracy Funds Terrorism mixtapes reaching the ears of American hipsters. But funk isn’t brand new, and in order to understand it we have to take a few steps back.

THE BEGINNINGS OF BAILE

Brazilian culture has an anthropophagic tradition; cultural influences from all over the world are always accepted, but once they find their way in, they never stay the same. That’s what happened with samba–it fed on everything from African rhythms to waltzes to tango before it reached what is now considered the classical form; the same goes for bossa nova, which combines samba and jazz.

Funk traces its origins to the mid-‘70s, when black music parties (bailes black) began happening in the suburbs of Rio. “These parties played solely American soul music,” explains DJ Marlboro. Regarded as the godfather of favela funk, Marlboro produces a considerable amount of the tracks coming out, hosts the aforementioned radio show, and owns one of the biggest funk holdings, Big Mix, which also encompasses a label, a publishing company, a soundsystem, and a magazine. “There were other balls dedicated to rock, but by the end of the decade they went disco. When soul artists such as Kool & The Gang or The O’Jays brought a funk vibe to disco, the two bailes came together under one name: baile funk.”

Even though synthesized sounds (such as those of Kraftwerk’s “Numbers”) were already played at these parties, the real turning point was when Afrika Bambaataa’s “Planet Rock” hit the floor. The popularity of its electronically programmed beats set a whole new standard for the DJs to follow. “After 1982, with the rise of Miami bass, 2 Live Crew’s ‘We Want Some Pussy,’ Freestyle’s ‘Don’t Stop The Rock’ and ‘It’s Automatic,’ and J.J. Fad’s ‘Supersonic’ became a must,” recalls Marlboro. The bass-heavy sounds and electronic beats of these songs provided the blueprint for what was yet to come.

FAVELA TECH

Funk has always had its own distinct personality. Despite resembling the Miami sound, its hard-driving, booming reverberations seem rawer, dryer, and more metallic, the bass even more preeminent. The speakers you’ll find in Marlboro’s studio are not fancy–at first they may seem odd, cheap–but he’s not worried about how his music will sound on top-of-the-line stereos. From day one, funk has been intended for huge handmade speakers, spitting heavy bass as loud as possible.

Although Marlboro created his first tracks on a Boss DR 110, given to him by Vianna, newer drum machines (SP 1200, Roland’s TR 725 and 808) and MPCs have lead to the sampling of samba and other styles. “The most amazing aspect about funk’s use of samples is that, most of the time, [the producers] don’t have a clue about the original track,” Vianna states. “I remember once commenting to Marlboro about a ‘Rock The Casbah’ sample, but he had never heard The Clash song before. They just take things off of sample records. It’s a favela strategy–just like they don’t choose the materials they will use to build their houses, whatever is at hand gets sucked into the music.”

More meaningful than the samples are the actual lyrics. Entirely in Portuguese and with melodies closer to Brazilian folkloric chants than American rap, they have crystallized funk as its own style, while giving the slums a fresh instrument to voice their message. Funk lyrics detail ghetto realities–the struggles, the violence, the sexuality–as well as calling for peace. “All I want is to be happy/walk calmly around the favela where I was born,” say Kátia and Julinho Rasta in “Rap da Felicidade.” Of course, not all funk lyrics are quite as, uh, uplifting. Even though most of the people making funk don’t speak English, they’ve inherited 2 Live Crew’s “booty rap” vibe and down dirty lyrical content–a fact that critics can’t seem to let go of.

DANCING WITH DANGER

Rio is a city squeezed between the sea and the mountains–some of the biggest favelas are located right on Rio’s South Zone hills, where most of the upper class lives. This geographical situation means rich and poor are constantly sharing the same grounds. In 1992, a riot took place at Arpoador Beach and images of black youths running around and fighting were shown across the nation. Quickly the chaos was credited to the funkeiros, as baile goers are called.

“I have doubts about if what happened that day was really a fight,” says Vianna. “There’s a chance that maybe the crews were only reenacting the ‘theater of violence’ they do at the bailes, in the same way that punk rockers dance at concerts can be seen as violent by outsiders”.

“Notice I don’t say funkeiros,” he continues. “I say crews, groups of people from different areas. You can’t identify a funkeiro in the streets like you do with a punk rocker, for instance–unless you start calling every black, poor young kid funkeiro. Furthermore, the rivalry between these groups is a consequence of the rivalries between favelas, [which is] sometimes older than funk.”

“Society uses funk as a convenient label to unload their prejudice against the lower classes,” agrees Marlboro.

After the incident, baile funk was criminalized. Previously, bailes were held in clubs in the suburbs, where it was possible to regulate them. Suddenly, parties were forbidden, and no promoter could get a license to throw one. Promoters went to the only place they could go to get away from the officials’ eyes: the trafficker-dominated favelas.

Once funk got into the favelas, in the ‘90s, everything changed. “Before, funk was like samba, the slum singing to the rest of the city, telling them about their issues. After, it became the slum singing for the slum,” recalls Marlboro.

Some of the music developed a relationship with crime. A sub-genre of funk arose, the proibidão (very prohibited). In this gangsta rap-style funk, funkeiros sing about the drug dealers, celebrating their crime organizations. Turbulent balls began to take place with a lot of fights and gunshots. It was funk’s darkest days. Mr. Catra, one of funk’s most controversial artists, used to make proibidão tracks. “We sung what the communities wanted to hear,” he explains. “Proibidão doesn’t talk only about the drug lords, it also addresses issues of corruption, the dissatisfaction of the poor people–it’s about reality.”

Although now legal again, bailes still happen mostly in the favelas, where you can’t do anything without the drug lords’ permission. At these parties, it’s not uncommon to see 16-year-old kids with AR-15 and AK-47 automatic rifles in front of gigantic walls made of subwoofers. Out of context, this has lead some to conclude that all funk is drug trafficking music or that bailes are violent. But this is an over-simplification. Just like hip-hop and dancehall, funk is ghetto music–and the ghetto is what’s violent, not the music or the parties.

SO INTERNATIONAL

Funk had at least one chart anthem every year throughout the ‘90s, but it usually retreated back to the favelas afterwards, where it continued to appeal to millions. This trend didn’t bother Marlboro. “The best moments are when funk isn’t in the media,” he says. “When it goes mainstream, in trying to appeal to a broader audience, it moves away from its roots.”

Nothing could be further from funk’s roots than the music going international, but that’s exactly what’s happening. In the last two years, Marlboro has traveled around the world, DJing from New York’s Central Park Summer Stage to Barcelona’s Sónar Festival, as well as Boston, France, and Slovenia, among many other locations. There’s one place missing, though. “I still haven’t got a chance to play in Miami” he says. “I’d love to–it would be like visiting my own personal Africa.”

Marlboro has an explanation for all this attention. “Brazil is known worldwide for its music; ever since the electronic music explosion, people abroad have been looking out for what was gonna come from here. First came some great mixtures between drum & bass and bossa nova, but still, this was based on the past of Brazilian music blended with the present European sound. When they heard funk, they recognized it as the original Brazilian electronic music, with a Brazilian soul.” Mr. Catra, who has played in Japan, Israel, and Europe, agrees. “When we substituted the foreign beats with our own groove, it became something that could only be made here.”

BIG BALLIN’

Foreign interest in funk has helped boost a revival in the genre, which reached an important milestone with Marlboro’s 2003 performance at one of the country’s most important concerts, the TIM Festival. The general public has been paying more attention to the cultural aspects of funk, and local artists like Apavoramento, Nego Moçambique, and Tetine are bringing their own sound to it.

Lately, a lot of funk balls have flourished in clubs in Rio’s and São Paulo’s richest neighborhoods. Trailing Marlboro around to his gigs, you could be calmly sipping a beer at a club at 1AM only to find yourself deep inside a favela at 4AM. The man is an essential bridge between two worlds that desperately need to meet again to start healing the wounds of years of separation.

Meanwhile, Mr. Catra is leading the first live funk band. The sound is closer to the original ‘70s funk, but spiced up with new elements absorbed in the last decades of the music. His open rehearsals happen at Vila Show, a club located in a red light district called Vila Mimosa. When funk meets fuck, the end result is one of the most hardcore nights in town. Outsiders blend in with the regular crowd of clients and prostitutes, all of them literally shaking their asses. “It’s a way of bringing culture to a neutral ground of a divided city, where you find all kinds of people,” says Catra. “Also, it helps to elevate the self-esteem of girls who have suffered a lot.”

Marlboro welcomes the newcomers, and doesn’t resent the fact that the international support is helping to change the way Brazilians look at his music. “Samba had to go through the same process,” he acknowledges. “Funk is finally being perceived as the cultural movement that it is and one of the reasons is that the style is reaching its maturity. We are seeing the boom of a genre now, not just some songs.”

For more on funk, check the new compilations, Funk Carioca (Mr. Bongo) and Rio Baile Funk (Essay). www.mrbongo.com, www.essayrecordings.com
For more on funk, visit www.bigmix.com.br; www.fotolog.net/djmarlboro; www.fotolog.net/bailefunk
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Trabalho de formiga


foto: Lucas Bori

Sábado, 1h30 da madrugada, Praça Saes Pena, Tijuca. O aparente marasmo da praça deserta esconde muita coisa. Definitivamente, um péssimo lugar para ficar parado de bobeira, ainda mais carregando equipamentos de vídeo e fotografia. Abre o gás, risca o fósforo. A chapa vai esquentar.

O destino da noite era o morro da Formiga, para onde o “guia” DJ Marlboro levava um grupo de jornalistas para registrar um baile funk (eu e o fotógrafo Lucas Bori para uma revista, os outros da produção de um programa de TV). O objetivo das duas equipes era o mesmo: conseguir imagens de um baile de verdade, sem maquiagem. A galera que curte o som desde sempre, se divertindo à vontade.

Subindo o morro, uma série de instruções tem que ser seguidas. Todas as janelas do veículo abertas, luz interior acesas e obedecer os comandos do motoqueiro que faz a escolta até o topo. Quase lá em cima, uma barricada de lixeiras filtra a passagem, sob o olhar vigilante de rapazes portando pistolas cromadas. É a chegada.

Fora da quadra de esportes onde acontece o baile, rapazes de 16 anos, andavam com fuzis quase do seu tamanho. Na tensão do momento, só dá pra pensar: “meu irmão, esse muleque não deve fazer muita idéia de como usar esse troço, sabe tanto quanto eu: aperta o gatilho, sai bala. Se der uma cagada aqui, a polícia chegar, uma briga, vai dar merda”. Dentro da quadra, tudo mais tranquilo. Provavelmente por conta da filmagem e das fotos, não tinha nenhuma arma.

O espaço estava vazio. Devido as recentes operações policiais na região, essa era a primeira festa em dias. Os que foram, dançaram, beberam, se divertiram e foram embora. Fora a quantidade de crianças de 6, 8 anos de idade circulando pelo lugar as 3h30 da manhã, não houve nada fora do normal. Nenhuma pancadaria, nenhum proibidão, nenhuma apologia.

Embora nenhuma das equipes estivesse interessada na simplista associação funk/tráfico, as armas estão lá, não tem como ignorar. Como se sabe, o Rio é uma cidade dividida. Em certas partes — em muitas partes — não se entra sem autorização dos “donos” do lugar.

Isso não é exclusividade dos bailes funk, qualquer atividade numa favela dominada pelo tráfico é assim, incluindo os serviços públicos como coleta de lixo, gás e, claro, policiamento.

É importante entender como o funk foi parar nesse ambiente, porque nem sempre foi assim. O grande erro do Estado foi a tentativa de proibição dos bailes no começo dos anos 90, no frenesi pós-arrastão televisionado do Arpoador, quando pela primeira vez o funk foi associado de maneira direta a baderna e atividades ilegais. Obviamente, não deu certo.

Expulsas dos clubes no asfalto, as festas foram se esconder nos morros. Da maneira que acontecem hoje, é impossível fiscalizar. Uma vez dentro das comunidades, não é o Estado quem manda. O esgoto escorrendo pela rua e a quantidade de lixo pelos cantos lembram isso a toda hora.

Os bailes são frequentados tanto por trabalhadores (a maioria) quanto por bandidos. A presença de traficantes não significa que a festa seja deles ou para eles. Eles ouvem funk, como todos misturados ali, e só. O negócio do tráfico é droga, não música.

Dizer que os bailes são festas de bandido é uma generalização burra e irresponsável. Existem os proibidões, funks de exaltação a facções criminosas, entretanto esses são minoria. De qualquer forma, mesmo nos lugares onde o tráfico financia as festas, o faz porque o Estado falhou aí também, ao não proporcionar lazer.

Tentar proibir o funk, como volta e meia é proposto, é combater o efeito, não a causa. É inútil. Ainda que conseguissem acabar com os bailes, outro tipo de música animaria as festas. Porque elas continuariam acontecendo e qualquer que fosse o gênero musical, as coisas seriam exatamente iguais. Não iria demorar muito, apareceria alguém propondo proibir a música nas comunidades.

O que acontece nos morros cariocas não é muito diferente do que acontece no gangsta rap americano, brasileiro ou mesmo com o danchehall jamaicano, como bem falou um amigo. No fundo, todos esse estilos são uma coisa só: música de gueto.

Olhando de longe, parece teatro, mas eles falam sobre a realidade violenta que os cerca. Dr. Dre falando que vai “bust a cap on your ass” ou Elephant Man gritando “Pow! Pow! Pow!” enquanto canta, não é diferente de um garoto falando sobre como as 4h da madrugada “tem que ter uma granada”.

A diferença é que o hip hop e dancehall já se “afaltalizaram” e se espalharam pelo mundo. Existe uma parcela grande de gente sem contato direto com realidades criminosas produzindo esse tipo de som.

A mesma coisa vai acontecer com o funk. Já está acontecendo, timidamente, em músicas como “Quem cagüetou” (Tejo, Black Alien e Speed) ou nas produções do Tetine, Lucas Santtana, Apavoramento, Nego Moçambique ou do americano Diplo e da singalesa MIA.

Enquanto a parede de caixas de som dispara graves atordoantes, fazendo, literalmente, tudo tremer (do chão ao cérebro), fica claro o quanto o trabalho de ponte feito pelo DJ Marlboro é importante. Aproximar morro e asfalto é algo fundamental, pois quanto mais afastados, piores os problemas.

Fechar os olhos, fingir que essas questões não existem, não resolve nada. Tem que ir lá, ver o tamanho da cagada que aprontaram pra gente e, quem sabe asim, tentar fazer alguma coisa pra ajudar a mudar. Porque, se não há justificativa para violência, certamente há explicação.

Quando se fala em ausência de Estado, não está se falando somente de polícia, muito menos do velho “sobe, prende e manda fechar”. O Estado falhou e continua falhando em questões sociais básicas, como educação e oportunidades. Foram essas faltas de condições que proporcionaram o ambiente perfeito para germinação do tal “poder paralelo”.

Agora, com um cenário desses, vem gente dizer que “o funk é violento”. É simplificar demais as coisas. Não são os bailes funk que são violentos. A favela que é.

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A revanche

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foto: Joca Vidal

O inglês Norman Cook, o Fatboy Slim, chegou no Rio mordido. É que na última vez que tocou na cidade, no Free Jazz 2001, o dj fez um set pesadão que não agradou ninguém. Nem a ele mesmo. Na coletiva de imprensa, Fatboy contou que naquela noite “levou uma surra” do dj que tocou mais cedo, o mesmo Jon Carter que entrou antes dele ontem, na Praia do Flamengo.

Foi o dia de ir a forra. O primeiro evento do Nokia Trends (em setembro eles trazem para São Paulo o mega festival multimídia espanhol, Sónar) começou às 16h30 com o db dos djs Patife e Marky. John Carter entou na sequência e fez um set tão bom quanto o de 2001. Destaque para “Lithium”, do Nirvana, em versão um pouco diferente da que o 2ManyDJs tascou no TIM Fest, ano passado.

Às 19h, cerca de 160 mil pessoas se espremiam para assistir o Fatboy Slim. Ele abriu com uma versão de “Garota de Ipanema” e em seguida botou a tal música que fez para o Rio. Recheada de samples de músicas sobre a cidade, como “Rio”, do Duran Duran, o vocal repetia “Rio de Janeiro, Rio de Janeiro” insistentemente antes de explodir num break matador. Presentão.

Carismático, o dj se comunicava com a platéia escrevendo mensagens nas capas dos discos que apareciam no telão, como no DVD “Big Beach Boutique II”. Foi dessa forma que ele informou que nunca vai tocar “Rio” em outro lugar, mandou um alô para a turma que assistia a tudo de barcos ancorados na praia e disse que queria fazer amor com a platéia depois do show. Até um Elvis, fase Las Vegas, entrou no palco para dançar.

O set de duas horas, bem pop, foi eclético. Teve desde uma versão de “Groove is in the heart” (Dee Lite), citação a “Menino do Rio” (Caetano) e “Born Slippy” (Underworld), a várias ameaças de tocar músicas mais conhecidas, como “Seven Nation Army” (White Stripes) ou “The test” (Chemical Brothers). O dj deu show, esgarçou o mixer.

Dá para dividir o set em três “categorias”: os sambinhas eletrônicos (meio mais ou menos, felizmente foram poucos); os 4×4 quadradões, com batidas em linha reta; e, finalmente, a melhor parte, os breaks grooveados, alegres e sacolejantes. Nessa linha, além da música em homenagem ao Rio, Fatboy tocou seu remix para “Quem cagüetou?”, música do Tejo (Instituto), com vocais do Black Alien e Speed, que fez parte da trilha sonora do filme “O invasor”.

“Quem cagüetou?”, um Miami bass / ragga / funk, está estourada na Europa desde o ano passado, quando serviu de trilha para um comercial da Nissan. A música chamou mais atenção do que propaganda, acabou sendo lançada como single e ganhou remixes de grandes nomes da música eletrônica.

O break beat parece ser a bola da vez. A música eletrônica passa por uma crise criativa (conversei sobre isso com o próprio Fatboy, em entrevista que sai na Revista da MTV de abril) e atualmente a mistura de gêneros aparece como solução. O break beat é um estilo perfeito para esse tipo de cruzamento. Isso acontecendo, aqui no Brasil a aposta mais sensata é o Apavoramento Sound System (parece que algúem já fez a aposta). Quem viu o show deles no TIM Fest sabe bem disso.

O momento funk se estendeu com a versão de “Whoomp! There it is”, a famosa “Uh, tererê”. É impressionante como o ritmo contagia, principalmente aqui no Rio. O público, que já estava dançando bastante, pulou ainda mais ao ouvir o pancadão. Fatboy mostrou que dessa vez pesquisou bastante o que tocar e acertou em cheio.

Na área de imprensa, colada nas caixas, o som estava bom. Mas houve bastante reclamação quanto ao volume, muito baixo segundo quem estava na praia, afastado do palco. Ao invés das laterais, a área vip ocupava o espaço em frente ao palco, criando um faixa que separava os djs da platéia. Nesse ponto as opiniões do público se dividiram. Para uns a festa foi bancada pela Nokia e eles têm o direito de chamar quem quiser, para outros a multidão presente deveria ter a chance de ficar mais perto, afinal a cidade era o cenário da festa.

A noite terminou cedo, às 21h, com uma queima de fogos para emoldurar a lua cheia e um papo de “ano que vem tem mais”. Tomara.

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