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Arquivo: rodrigo hermann

Warpaint, Broken Social Scene, Kills e mais no Bumbershoot 2011

Correspondente do URBe em Seatlle, Rodrigo conta como foi esse festival cheio de bandas a caminho do Brasil:

Domingo na meiuca do feriado em Seattle e pra ficar melhor com um solzinho aconchegante. Lá fui eu aproveitar um dois dias floridos de shows no modesto mas eficaz Bumbershoot Festival. No cardápio: Mad Rad, Broken Social Scene, Tennis, Warpaint, Toro Y Moi e The Kills. Como de costume, festival q é festival nao se consegue ver tudo, e portanto fui obrigado a deixar Toro Y Moi de lado em busca de um lugar mais juntinho do duo do de Kills.

Eis o que rolou, por ordem de chegada:

Mad Rad

Pra quem nao sabe Mad Rad é um grupo de rappers braquelos de Seattle que fazem um certo barulho por letras pesadas acompanhadas de umas batidas eletrônicas q me lembram o minimalismo do Kraftwerk. Estranho, diferente e contagiante. Divertiu bem e serviu bastante pra começar o dia.

Broken Social Scene


O Main Stage costumava ser num campo aberto esquema Apoteose, mas dessa vez transferiram pra dentro do Key Arena, considerado como o pior estádio da NBA na época que Seattle ainda tinha time de basquete. Bom, o time se foi, mas o estádio continua a mesma porcaria. Com uma acustica péssima o show do BSC saiu todo distorcido ecoando por todos os lado. No fim ainda rolou um cover do Modest Mouse (q é de Seattle) com The World At Large, mas nao foi o suficiente pra me deixar empolgado.

Tennis

Volto pro sol sem ter a menor noção do que assistiria pela frente. Dou de cara com mais uma banda querendo ser o She & Him. Meus queridos, eu já assisti Beach House, Best Coast e sei lá quantas outras bandas tentando meter esse sonzinho retrô sunset, nunca colou. Em todos eles falta o charme da Zoey e principalmente a categoria do M. Ward. Mas vamos tirar dois pontos positivos nessa história: (1) as músicas anunciadas como novas eram absurdamente melhores, ou seja, pode vir coisa boa por aí. (2) A vocalista com seus cabelos cacheados me fez lembrar os bons tempos onde eu assistia Atração Fatal no Supercine e morria de medo da Glenn Close.

Warpaint


Agora sim. Sério. QUE BANDA É ESSA MEU DEUS! Se vc pode ir nesse show, faça um favor a si mesmo e vá! As músicas se alongando, o improviso tomando conta, as meninas sorrindo entre elas, o baixo certeiro ditando o ritmo enquanto a linha de frente das guitarras passeia. Undertow pode ser o hit bonitinho delas, mas ao vivo perde importâcia tamanha a quantidade de música boa. Melhor show do dia, daqueles q vc sai com gosto de quero mais e sai assinando qualquer registro pra fã clube.

Pois é, perdi o Toro Y Moi e tive q aturar o Shithole Surfers. O telão abusando dos filmes gore conseguiu ser engraçado por quase duas músicas. Ruim demais.

The Kills


Antes do show começar eu começo a me aproximar do palco procurando um lugar mais perto, surpresa supresa, sem esforço nenhum eu grudo na grade. A unica explicacao é q o povo em boa parte saiu em direção ao Main Stage pra assistir ao Wiz Khalifa. Ahh e on a side note, quem diabos é Macklemore? Nunca vi tanta menininha de 13 anos vestindo a mesma camiseta.
Anyway, voltando ao Kills, eu esperava algo mais pancada no esquema Sleigh Bells, com um grave estourado saltando por sobre a voz da vocalista. Ledo engano, o andamento é travado como nos álbuns, a guitarra do Jamie Hince reveza com a voz limpa e fenomenal da Alison. A performance dela é de outro mundo, eu ali na primeira fila deu vontade de chorar ao fim de The Last Goodbye. Bonito pra caceta e imperdível.


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Of Montreal @ Seattle

O Planeta Terra está chegando e o Of Montreal vem aí. Nosso correspondente em Seattle, Rodrigo, viu o show há duas semanas e conta como foi:

Voltei do show do Of Montreal, no Paramount, que é um lugar fenomenal, mas o som tava UM LIXO, os caras passaram o show inteiro saindo na porrada com os microfones e guitarras.

Agora, tirando o som, a empolgação e doidera dos caras é fora do padrão, rolou desde uma simples chuva de penas até o vocalista enrabando uma mulher vestida de porca. Crowd surfing do guitarrista foram dois, e eu perdi a conta do dos coreógrafos (ou sei lá o nome de quem fica dançando igual, fantasiado no palco).

Fora isso uma cena inédita na minha história de shows:  guitarrista desce no meio da platéia e ajoelha, e com isso toda a comissão da frente da platía ajoelha junto! No fim todos pulam juntos quando a batida recomeça.

O bis foi um aburdo, com eles abrindo com “Thriller”, emendando “Wanna Be Starting Something”, do Michael Jackson.

Foi bom o show? Foi. Entrará pra história? Não. Culpa do som =(

ahhh e eu PS gigante: conhece a Janelle Monáe? Ela fez o show de abertura, canta pacas num som meio funk/soul com um sintetizador forte no fundo. Juro que teve uma hora que me senti assistindo uma coisa meio Jackson5 com Outkast.

Falta menos de uma semana para o show no Brasil.

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Belle & Sebastian @ Seattle


“Get Me Away from Here I’m Dying”

Conquistando a concorrida vaga de correspondente do URBe em Seattle (foi dele o relato do show Arcade Fire por lá), Rodrigo Hermann enviou essa resenha da apresentação do Belle & Sebastian na cidade, pra ir esquentando para o show no Circo Voador, dia 12 de novembro:

“Antes de começar o blá blá blá do que foi o show, vou tentar explicar onde o Belle & Sebastian tocou, pra ver se cai a ficha do milagre que eles fizeram.

“Esqueça um ambiente minúsculo e acolhedor, transfira para um teatro gigantesco, palco oficial da Orquestra Sinfônica de Seattle. Esqueça a animação ‘tira o pé do chão’ do público brasileiro, que aplaude até atraso, transfira para um público frio do noroeste americano, confortavelmente sentado em seus assentos marcados. Esqueça banheiros sujos e cervejas de quinta, transfira pra um bar com drinks personalizados e um sistema de som de uma qualidade que nunca vi tão limpo.

Tudo isso criava uma sensação de assistir um espetáculo da maneira mais aristocrata possível. Começou assim. Acabou o oposto.

“Stuart Murdoch contou historias do seu peixinho dourado que gostava de baseball, agradeceu Seattle por não chover, foi maqueado pela platéia, dançou no meio da platéia, colocou o público pra dançar no meio do palco, dançou daquele jeito que só gente de Glasgow sabe, e junto com a banda fez com que todos levantassem o rabo de suas cadeiras e jogassem o ar de ‘sou- VIP’ pra escanteio, saboreando um pop leve como qualquer garotinha de 15 anos apaixonada.

“Não vou ficar dando setlist aqui, mas a versão de “Judy And The Dream Of Horses”é uma das coisas mais lindas que eu já ouvi na vida.”

É, vem coisa boa por aí.

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Arcade Fire @ Seattle

O Rodrigo Hermann conferiu o Arcade Fire (banda que tanto adoro…) e conta como foi:

Começou assim:


Arcade Fire, “Ready To Start”

Seguido de uma sequência de tirar o chapéu com “Month of May”, “Keep the Car Running”, “Neighborhood #2 (Laika)” e “No Cars Go”.

O show em si nao fugiu muito do padrão e o máximo foi o sopro do Calexico (q abriu a noite) ajudando no final de “Ocean of Noise”. A platéia de Seattle também como de costume se mostrou meio parada e mais preocupada em ouvir a música do que de cantar junto. Vale lembrar que rolou até um puxão de orelha com um “You guys are too fucking polite” (“vocês são educados demais”), seguido do inicio pancada de “Neighborhood #3 (Power Out)”.

Se nos outros shows a banda explodia espancando suas percussões e correndo um pra cada lado, agora o ritmo é mais pausado lhe dando tempo pra reparar nos detalhes. A banda encarando o público de frente e randomizando uma linha de seis na frente do palco. O cenário com um telão de fundo formando uma encruzilhada de highways e outro à frente fantasiado de outdoor. Fantástico é pouco, o show é bonito demais.

E fique com “Rococo” seguido de umas fotos mequetrefes.

Obrigado, Rodrigo. Pra quem gosta, deve ter sido bom ;)

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A pós-produção de “Avatar”

Direto da sede da Microsoft em Seattle, onde trabalha, Rodrigo Hermann escreveu pra contar como foi uma palestra sobre a pós-produção de “Avatar” e de como o Gaia, programa criado em parceria, ajudou a administrar a tonelada de Petabytes gerado pelo filme:

Cerca de duas semana atrás, aqui mesmo no URBe, apareceu um texto sobre o Fernando Meirelles e seus problemas com os meios digitais por conta do exagero de material gerado e a trabalheira/grana gasta na pós producao. Eis que do nada eu tenho a chance de assistir uma palestra com quatro dos diretores artisticos do “Avatar” sobre as tecnologias criadas pro filme e como dar conta da quantidade de material gerada. Coincidências da vida e óbvio presença obrigatória.

De cara, o vencedor dor Oscar Richard Baneham disse que o fluxo de produção mudou, e se antes a montagem só rolava na pós producao, agora ela era feita na hora. O resultado é que o grosso da cena fica pronto ali mesmo, e a pós producao fica mais responsável por fazer o refinamento.

Outra mudança assustadora foi saber que enquanto antigamente toda a parte de efeitos especiais entrava depois da atuação, agora isso também passou a ser feito em paralelo. Jim Cameron filma, vê na hora o resultado com o efeitos aplicados (uma versão, crua mas suficiente), tendo a liberdade de desde refilmar a cena até opinar na arte dos efeitos, como colocar um chifre na criatura ou tirar uma árvore que andava atrapalhando o enquadramento desejado.

Com essa resposta em tempo real, a câmera virtual se torna algo tão palpável que é possivel controlá-la no mundo real. Tente imaginar o diretor segurando um monitor com localização espacial no mundo virtual, e a cada passo a frente que o diretor dá a cena projetada no monitor também avança. Pronto, você tem uma janela pro seu mundo virtual sendo usada como câmera.

Agora, imagine que esse mapeamento real/virtual não precisa ter um relacionamento um pra um, ou seja, se o diretor treme muito a câmera pode digitalmente suavizar o movimento, se o diretor anda um metro pra trás a câmera pode multiplicar esse metro por dez, um efeito de grua pode ser gerado sem colocar o diretor à metros de altura, enfim, as vantagens de se ter acesso imediato do resultado final são tão absurdas que torna no mínimo cômico imaginar como antigamente o resultado só poderia ser visto semanas depois.

Claro que todo esse material precisa ser catalogado, armazenado, replicado, seguro e principalmente ser de fácil acesso. A quantidade de dados é absurda, afinal não são só as cenas que entram na conta, considere também os modelos daquele mundo virtual gigantesco, milhoes de texturas em dezenas de resolucoes, animações para cada uma das criaturas, trocentas outras coisas que vc nem imagina e você logo logo se vê tendo que arranjar um jeito de organizar cerca de um petabyte de
dados. O que o Fernando Meireles reclama em relação a quantidade de material é pinto perto do que os produtores do Avatar encontraram pela frente.

A solução encontrada foi criar um produto em conjunto com a Microsoft responsável só pra isso. Foram necessários cerca de oito meses pra se chegar numa versao usável do Gaia, e durante todo o desenvolvimento do filme o produto continuou tendo funcionalidades adicionadas a medida que novos problemas surgiam.

A conclusão óbvia é que se nao fosse esse avanço tecnológico “Avatar” não teria conseguido sair do papel. Agora, o mais importante disso tudo e talvez não tão óbvio assim, é que foi mostrado um novo caminho a ser seguido, um novo pipeline na produção. E se não há dúvida que “Avatar” foi um sucesso de público, também não resta dúvida que esse novo processo vai revolucionar a forma de se fazer cinema daqui pra frente.

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Julian Casablancas @ Seattle


foto e vídeo: Rodrigo Hermann

O Rodrigo, grande parceiro de Coachellas, e a Ana Sato conferiram o show de lançamento do “Phrazes For The Young”, do Julian Casablancas, em Seattle e contam como foi:

“Com um disco de 50 minutos, Julian até deu uma zoada enquanto olhava pro repertório: “So few options to choose from” (“tão poucas opções para escolher”). O show começou devagar com “Ludlow St”, mas não demorou muito para “River Of Brakelights” entrar e destruir. Enquanto a platéia largava as câmeras digitais e entrava na dança, a banda mostrava que manda muito bem (em especial o baterista e a menina da percussão).

“A primeira parte foi encerrada com uma versão de “I’ll Try Anything Once” (Strokes). Volta a banda e eles mandam o resto do álbum, mas talvez porque boa parte das mais agitadas já tivessem sido tocadas (“Out Of The Blue”, “Left & Right In The Dark”, “11th Dimension”) essa segunda parte não empolgou tanto. 45 minutos de show e lá se foi a banda, voltando pra um bis de uma música só, “Glass”.

“Show na medida. Perfeito pra um domingo a noite nessa friaca cinza de Seattle.”

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