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Arquivo: saudades de londres

Espreguiça

De volta ao Rio de Janeura. Enquanto vou me ajustando a fuso e as resenhas do Field Day Festival, Philip Glass e Kronos Quartet trilhando “Drácula” ao vivo, Hackney Wicked Art Festival e outras histórias não vêm, vou soltando algumas notícias que li na edição de domingo do Guardian, dia em que o jornal se chama Observer. Fico de cara toda vez que pego o jornal em mãos, é muita matéria bem feita numa edição só. As saudades de Londres estão só começando.

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Saudades de Londres – mesmo!

Chegou o e-mail avisando do show “surpresa” do Franz Ferdinand na Rough Trade East, para o lançamento do compacto de “Ulysses”. É hoje, grátis — e eu, certamente estaria lá.

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Saudades de Londres 17

Um blogue e um Flickr somente com fotos de lojas, quase todas perto de Shoreditch, pertinho de “casa”.

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Saudades de Londres 16

Os sinais são claros: hora de voltar pra casa.

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Saudades de Londres 15


Minimal Youth, “For Granted”

Praticamente em qualquer lugar você pode pedir uma xícara de açucar para o seu vizinho. Em Londres, é tanta gente trabalhando na área criativa, além de vizinhos você descola contatos. No meu caso, o de cima é produtor de música eletrônica (o clipe de uma de suas músicas, acima, foi feito pela mulher dele, no quarto de casa), os de porta são estilistas (atualmente desenhando a coleção feminina da marca de roupas do Kanye West) e mais um andar acima, um casal de fotógrafos.

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Saudades de Londres 14


foto: URBe Fotos

A facilidade de acesso a coisas relacionadas a documentário, seja o simples fato de vários deles simplesmente entrarem em cartaz, DVDs, oficinas, festivais ou as sessões especiais organizadas pela BFI, ICA ou Curzon. Sem falar que, no caso meu documentário, “Dub Echoes”, ajudou muito estar por aqui esse tempo para fazerem as coisas acontecerem.

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Saudades de Londres 13


URBe Fotos

Câmera digital, mp3 player, laptop, celular, bicicleta, tênis… você não apenas pode sair tranquilamente de casa com qualquer uma dessas coisa (ou mais de uma), como também pode utilizar livremente em público sem medo de ficar sem.

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Saudades de Londres 12


URBe Fotos

Caro, barato, rápido, demorado, ao ar livre, fechado, italiano, francês, japonês, vietnamita, brasileiro, tem de todo jeito e pra todos os gostos. Uma vida só é pouco tempo pra visitar metade das opções de restaurantes da cidade. Ir duas vezes no mesmo já é algo raro.

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Saudades de Londres 11


URBe Fotos

Acupuntura com uma chinesa que praticamente não fala inglês, um falafel direto das mãos de um sujeito do Oriente Médio, um sound system tocado por jamaicanos, comida indiana, cerveja vietnamita ou até mesmo uma feijoada brasileira. O multiculturalismo é o que dá a graça de Londres, um bom laboratório do que seria um mundo um pouco mais tolerante.

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Saudades de Londres 10

Andar pelas ruas e ver as paradas mais absurdas em termos de street art, de cartazes a batatas coloridas no teto dos pontos de ônibus. Divertido, até quando é ruim.

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Saudades de Londres 09

Brixton Academy, Koko, Scala, BFI, Barbican, Vyner Street, O2 Arena, Rough Trade East, Pure Groove, Astoria, 93 Ft. East, Hammersmith Apollo, Shoreditch, Sheperd’s Bush Empire, Cargo, Fabric, Victoria Park, Bar Fly, ICA, British Museum, Brick Lane, Electric Ballroom, Sister Ray, Tate Modern, National Gallery, Tate Britain, Royal Albert Hall, South Bank Centre, Roundhouse…

A vida cultural vai fazer uma falta danada.

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Saudades de Londres 08


Em Londres, onde há esse sinal amarelo (e ele está em toda parte),
basta pisar no asfato e os carros param para você atravessar a rua,
de dia ou de madrugada. Imagina um sistema desses no Brasil…

Bom dia, obrigado, licença, por favor, de nada, você primeiro, desculpe, sem problemas, claro, aproveite, bem vindo… A lista de poderia extender-se por linhas e linhas. Palavras tão simples quanto esquecidas.

Boa educação torna a vida em sociedade BEM mais fácil.

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Saudades de Londres 07


foto: carol*

Passar a tarde na Rough Trade East, vendo shows, ouvindo discos, escolhendo o que baixar, tomando café, lendo jornais e revistas ou navegando na internet é um programa e tanto. Se todas as lojas de disco fossem tão legais e bacanas quanto essa, talvez a indústria da música não estivesse indo tão mal.

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Saudades de Londres 06


URBe Fotos

Dirigir, principalmente numa cidade grande, deve estar no Top 3 de piores programas inventados pelo homem. No Rio ou em São Paulo então, nem se fala. Numa cidade onde o transporte público funciona de maneira exemplar, o carro (particular ou táxi) deixa de ser algo essencial.

O lado ruim é que a maior parte dos ônibus e o metrô param de operar por volta de meia-noite, então isso acaba funcionando como uma forma de controle social, um toque de recolher mal disfarçado.

Mesmo com os transtornos e chateações causados pelas restrições dos horários de funcionamento, poder circular pela cidade sem a dor-de-cabeça dos carros ainda é um sonho distante num certo lugar.

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Saudades de Londres 05

A internet encurtou distâncias e possibilitou o acesso imediato a coisas antes quase impossíveis, quanto a isso não há discussão. Porém, uma coisa também é verdade: muitas das praticidades online só podem ser totalmente experimentadas nos países do primeiro mundo, principalmente no quesito compras, é claro.

Sempre quis testar o eBay, onde diziam que se encontrava de tudo a bons preços e com entrega rápida. Sobretudo, sem os impostos e taxas de importação. E funciona que é uma beleza.

De sanduicheira a benjamim, de peças pra consertar o iPod que caiu no chão enquanto eu trocava a bateria, arrebentando o circuito interno a livros, de ingressos para shows esgotados a DVDs, de tênis a discos dá pra achar qualquer coisa, sempre mais barato do que em qualquer loja, física ou virtual.

Vai fazer uma falta…

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Saudades de Londres 04


Borough Market, o mais conhecido


Broadway Market, um dos muitos escondidos pela cidade
fotos: URBe Fotos

Em poucos lugares do mundo você pode almoçar um sanduíche de chorizo espanhol, adoçar a boca com uma baclava turca e arrematar com um açaí brasileiro ou um suco de acerola (pra matar as saudades), enquanto passeia por barracas de queijos franceses, salsichões alemães, falafel árabes e caldos africanos. Tudo preparado com produtos originais, por pessoas desses países.

Nos mercados de comida de Londres, dos mais conhecidos, como o gigantesco Borough Market, aos menores e mais escondidos, isso é quase uma regra.

Não é tão barato quanto uma ida a feira, é um programa como, sei lá, ir ao cinema, mas vale cada centavo. Porque comer é bom demais.

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Saudades de Londres 03


Cat & Mutton, em London Fields
URBe Fotos

Diferente dos bares e botecos brasileiros, os pubs londrinos não costumam ter garçons, servem cerveja quase quente (as vezes sem gás) e a decoração lembra mais a de um café. Alguns deles oferecem shows de bandas que eventualmente estouram.

A bebedeira exagerada é um dos grandes problemas sociais ingleses e a rapaziada realmente pega pesado. Mesmo assim, existem algumas pérolas que parecem distante disso tudo. Cat & Mutton, Jaguar Shoes, Hoxton Grill (em Hackney) e The Old Bank of England e Ye Olde Cheshire Cheese (no centro) são visitas imperdíveis.

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Saudades de Londres 02


URBe Fotos

Não interessa se é num lugar fechado, ao ar livre, numa casa bacana ou mesmo de graça numa loja de discos: a qualidade de som nos shows é uma coisa impressionante.

O cuidado se justifica, afinal trata-se “só” do aspecto técnico e de produção mais importante de uma apresentação de música.

Depois de um ano de som sempre limpinho, bem definido e equalizado, dá arrepios só de pensar em voltar a encarar as tradicionais massarocas sonoras do Brasil, mesmo em eventos com grandes patrocínios, que supostamente teriam dinheiro pra fazer diferente.

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Saudades de Londres 01

Ainda falta uns dois meses, mas já tá começando a bater aquelas saudades que vem antes mesmo que algo muito bom acabe. Por isso, resolvi listar os motivos.

Vou começar pelo caderno “Film & Music”, do Guardian. É uma alegria comprar o jornal as sextas-feiras e ler o suplemento cultural.

A diferença mais gritante em relação a seus pares brasileiros é a periodicidade. Note que numa cidade como Londres, onde, sem brincadeira, trocentas coisas estão acontecendo todos os dias, o caderno é semanal.

Como no Brasil, onde está cada vez mais difícil realizar qualquer coisa, consegue-se produzir um caderno desses diariamente vai além do minha capacidade de compreensão. Pior que isso, só mesmo o fato de que tudo que interessa nunca é incluído na pauta. E tome copiar release e perfis rasos de pseudo estrelas.

Obviamente, no caso do “Film & Music”, a periodicidade está intimamente ligada a qualidade do caderno, sempre trazendo reportagens interessante, bem pesquisadas, sobre temas bem além da cobertura dos últimos lançamentos.

Sem ser cabeçudo, muitas vezes pegam assuntos banais e transformam em um gancho pra falar algo de interessante sobre a indústria ou determinado artista.

Só nessa sexta, olha algumas das matérias que saíram.

- A morte de Isaac Hayes e a gravadora Stax

- “Reservoir dogs” nazista de Tarantino vaza na rede

- Cinquentona: 50 fatos pop sobre a Madonna

- Kanye West lança cadeia de hambúrgueres

- Como a Europa está conquistando o pop norte-americano

- iForward, Russia! culpam a si mesmo pelo fim da banda

- As sinceras confissões de um crítico maconheiro, comentando o filme “Pineapple express”

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