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Arquivo: shepard fairey

“Exit Through The Gift Shop”


O deboche logo na entrada do cinema, em Los Angeles
fotos: URBe

Com seu documentário “Exit Through The Gift Shop” (“Saia Pela Loja de Souvenirs”, numa tradução livre), Banksy demonstra de maneira admirável sua principal característica, responsável por boa parte do seu sucesso: a habilidade de manipular a mídia.

A diferença é que dessa vez ele retratou todo o processo. Mais do que isso, expôs a volatilidade do mundo da arte, a sanha dos colecionadores pelo hype, a fragilidade dos críticos, espeta Damien Hirst e outros artistas que contam com batalhões de assistentes e exalta o próprio trabalho. Tudo num só filme. Não é pouca coisa.

Na melhor tradição dos mockumentaries, fazendo referência ao clássico “F For Fake” de Orson Welles, o filme é o “Borat” da arte de rua. O argumento é muito bom, centrado em Thierry Gueta, um francês desajustado, com obsessão por registrar todos seus momentos em vídeo e que por caminhos tortuosos obtém autorização para filmar Banksy.

O documentário fica tão ruim que Banksy, intrigado com a personalidade do francês, o estimula a produzir sua própria arte, inverte a mão e passa a documentar o processo de transformação de Thierry. Assinando como Mr. Brainwash, a nova estrela é tomada pela megalomania e faz da sua primeira exposição um gigantesco evento em Los Angeles.

Com a ajuda de Banksy, Shepard Fairey, Invader e outros na divulgação, a estréia do evento chega a capa do LA Weekly, se torna um sucesso estrondoso e boa parte das obras, vergonhamente baseadas em Andy Warhol e Banksy, são vendidas por preços inacreditáveis.

A verdade só veio a tona agora, com o lançamento do filme, sem para isso precisar abandonar a brincadeira com a verdade. Ou melhor, a grande jogada é justamente o filme se tornar um documentário ao retratar uma mentira verdadeira. Bingo.

As pistas estão de que se trata de mais um golpe de Banksy estão em toda parte, a começar pelo roteiro. Boa parte do artistas mostrados no filme como fundamentais da arte de rua (Invader, Faile ) são representados no mercado pela mesma galeria londrina, a Lazarides, responsável também pela venda de obras do Banksy. O dono da galeria, Steve Lazarides, aparece em uma entrevista, creditado como ex-porta voz do artista.

Há inclusive “furos” de roteiro. Banksy diz que permitiu Gueta filmar suas ações porque achou importante ter esses registros. No filme o ataque a Disneylândia foi o primeiro registrado por Gueta, no entanto, antes disso vemos imagens de ataques mais antigos, ao muro de Israel, por exemplo.

Com a decisão de ele mesmo fazer um filme sobre seu trabalho, Banksy resolveu duas questões. Primeiro, se livrou dos inúmeros pedidos para ser filmado. Segundo, manteve total controle do que seria comunicado, assim como e de que maneira seria retratado em um documentário. E ainda encontrou oportunidade de fazer disso mais um dos seus ataques.


Distribuição de cartazes

Na entrada das sessões, cartazes com reproduções dos trabalhos do Mr. Brainwash são distribuídos gratuitamente e são disputados. Na saída eles continuam lá, porém, estranhamente, o interesse não é mais o mesmo.

Deveria ser o contrário. É precisamente na mentira que reside o seu valor.

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No sapatinho we can

Arte do Fabio Lopez, o mesmo autor do “War in Rio”.

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Obama, menos de um ano depois


foto: @tcompagnoni

Enquanto isso, na sessão de promoções da Urban Outfitters do Soho, em NY…

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Lulama

Obamizando o Lula.

Via O Alquimista.

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Design premiado

O poster de Shepard Fairey faturou o Brit Insurance Design Award 2009 e segue construindo sua história de uma das imagens mais icônicas do século 21.

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Um pôster

Autor do pôster mais comentado dos últimos tempos, Shepard Fairey, fala da criação da peça e de como ela acabou se tornando a imagem oficial da campanha de Obama.

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Mashup e a cultura do remix


Steve Colbert comenta o caso AP vs Fairey

A discussão em torno do pôster de campanha de Obama, feito pelo artista gráfico Shepard Fairey (também conhecido como Obey Giant), vai confirmando a peça com uma das imagens icônicas desse início de século. A ilustração originou infinitas versões, um plugin de vídeo para replicar seu visual e até o Mussum entrou na onda.

Agora a Associated Press, proprietária dos direitos de reprodução da foto, ameaça um processo, assim como o fotógrafo Manny Garcia, detentor dos direitos autorais do fotograma. Shepard se adiantou e entrou com uma ação contra a AP, para se proteger de um processo vindouro.

O assunto está quente. No dia 26 de fevereiro a revista Wired promove um debate sobre a cultura do remix na biblioteca pública de Nova York, chamada “Making Art & Commerce Thrive in the Hybrid Economy” (“Fazendo arte e comércio prosperarem na economia híbrida”). O próprio Shepard Fairey estará presente, com Lawrence Lessig e Steven Johhson.

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Obama neles

Com o plugin Obamafy (pra Mac) qualquer um pode colar sua carocha no poster-ícone criado por Shepard Fairey para campanha de Barack Obama.

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Versões

O pôster criado por Shepard Fairey, remixado.

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Mudança?

A julgar pela recepção religiosa do primeiro discurso de Barack Obama como presidente eleito dos EUA na noite passada, em Chicago, ele tem em mãos a chance da verdadeira mudança que vem… hmmm… pregando.

Comandando a massa como um pastor gospel, enfatizando o bordão vitorioso yes we can ao final de suas colocações, sendo acompanhado pelo coro de milhares, Obama fez um discurso conciliador, convocando a população a participar.

De qualquer maneira, não se engane. Os interesses que ele defenderá serão, naturalmente, os do EUA. A esperança chegou, mas é para eles. Nós temos que construir nossas próprias soluções.

Até porque, isso aqui não é a Europa ou EUA e nem tudo que funciona lá, funcionaria cá. Se fosse simples assim, apenas copiar, seria até fácil, questão de dinheiro. Não é. Grande parte dos nossos problemas são culturais, de educação. Mentalidade não é coisa fácil de se cambiar.

Com a vitória nas urnas, o retrato guevaresco feito por Shepherd “Obey Giant” Fairey, se tranformará numas das imagens icônicas desse início de século. Pode apostar.

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