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A íntegra do show do Nirvana no Rio (1993)

Além dos dois shows, a passagem do Nirvana rendeu passagens memoráveis, como a entrevista do Zeca Camargo na MTV e a exclusiva do Rodrigo Lariú no hotel da banda.

Aos 15 anos, perdi a apresentação porque era aniversário de um amigo. Sério. Ah, Marcelinho…

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Mario Maria ao vivo

O Mario Maria mandou esse vídeo da sua primeira — e até agora, única — apresentação microfonada. Entre as músicas próprias, teve “Wild Combination”, do Arthur Russell. Essa eu queria ter ouvido.

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Julian Casablancas @ Seattle


foto e vídeo: Rodrigo Hermann

O Rodrigo, grande parceiro de Coachellas, e a Ana Sato conferiram o show de lançamento do “Phrazes For The Young”, do Julian Casablancas, em Seattle e contam como foi:

“Com um disco de 50 minutos, Julian até deu uma zoada enquanto olhava pro repertório: “So few options to choose from” (“tão poucas opções para escolher”). O show começou devagar com “Ludlow St”, mas não demorou muito para “River Of Brakelights” entrar e destruir. Enquanto a platéia largava as câmeras digitais e entrava na dança, a banda mostrava que manda muito bem (em especial o baterista e a menina da percussão).

“A primeira parte foi encerrada com uma versão de “I’ll Try Anything Once” (Strokes). Volta a banda e eles mandam o resto do álbum, mas talvez porque boa parte das mais agitadas já tivessem sido tocadas (“Out Of The Blue”, “Left & Right In The Dark”, “11th Dimension”) essa segunda parte não empolgou tanto. 45 minutos de show e lá se foi a banda, voltando pra um bis de uma música só, “Glass”.

“Show na medida. Perfeito pra um domingo a noite nessa friaca cinza de Seattle.”

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O Digitaldubs informa: o jamaicano Earl Sixteen, que gravou para Lee Perry, Augustus Pablo e no Studio One (tá ruim?), fará uma mini-turnê pelo Brasil em setembro. E o cantor não parou no tempo não. Sua produção recente inclui parcerias com Mad Professor, Zion Train, Dreadzone, Leftfield e Gorillaz.

Por aqui, Earl Sixteen gravou com o próprio Digitaldubs, no EP “Youth Samba”.

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Hip hop orquestra


Mulatu Astatke no Timeless


Cut Chemist no Timeless

Produzido pela Mochilla, começou nesse final de semana, em Los Angeles, a série de concertos Timeless. Na mesma linha de projetos com o “Keepintime” e “Brazilintime”, Trata-se de encontros entre grandes produtores do hip hop e compositores/arranjadores que influenciaram o gênero.

O primeiro show foi daquele que é considerado o pai do jazz etíope, Mulatu Astatke. A série segue com David Axelrod; Carlos Niño e Miguel Atwood Ferguson ( com sua “Suite for Ma Duke”, peça orquestral inspirada pelo trabalho de J Dilla) e com o brasileiro Arthur Verocai comandando uma orquestras de 30 componentes, com Madlib e DJ Nuts nos toca-discos.

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Autoramas… acústico?

Essa eu quero ver, Autoramas sem guitarra. É isso que a banda anunciou para o dia 09 de janeiro (sexta-feira), no Cinematéque, as 22h.

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Radiohead no Brasil

É isso aí, as datas do Radiohead no Brasil, em 2009, estão confirmadas: 20/03 (Rio) e 22/03 (SP), podendo pintar uma segunda data em Sampa.

As apresentações acontecem dentro de um festival chamado Just a Fest, organizado pela Planmusic, e entrada inteira custará R$200.

O que eu posso dizer… Começa a economizar que a parada é foda!


“There there”, no Victoria Park, Londres: a meia dúzia de
quarteirões da minha antiga casa…

:
“Reckoner”, no Rock Werchter, Bélgica: abarrotado, chovendo e
ainda assim, antológico

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Pinote

Kelis Rogers, aquela do “Milkshake”, embolsou a grana e simplesmente deu um bolo no show que tinha marcado no Rio, alegando que não se sentia segura para sair do hotel. Foi para o aeroporto e deu adeus.

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Wonder


Stevie Wonder, “Part-time lover”
vídeo: Bruno Natal

A O2 Arena é fria, com cara de shopping americano. O palco fica lá longe e o som (logo o que…), sem grave, não ajudava. Dava pena ver um bandão daquele (duas baterias, naipe de metais, vocais de apoio, percussão, guitarras) soando tão magro, o baixista parecia apenas alisar o instrumento.

O show ia morno, correto, alternando uma música “esquenta o sovaco” com uma “mela cueca” — técnica preferida do grande Tim Maia, como bem lembrou um amigo. Até que no final, uma fila de hits, colados um no outro, mudou tudo.

“Overjoyed”, “Signed, sealed, delivered, I’m yours”, “My cherie amour”, “You are the sunshine of my life”, “I just called to say I love you”, “Isn’t she lovely” e a infalível “Superstition” fizeram valer cada centavo.

Como suas letras, simples e diretas (é só olhar os títulos da músicas, não dá pra ser mais simples que isso), Stevie Wonder faz muito com muito pouco.

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Lady


Ladyhawke, “Paris is burning”

Nervosa como se estivesse diante da platéia mais importante da sua vida, Ladyhawke fez uma apresentação gratuita (e bem curta) na loja Pure Groove.

Ao vivo o som perde as exageradas referências oitentistas, melhorando bastante. A australiana acertou ao escolher se apresentar com uma banda em vez de apenas soltar bases eletrônicas.

Há um certo exagero nos efeitos e vocais de apois pré-gravados disparados pelo baterista. Nada que prejudique o show, surpreendentemente bem melhor do que o disco faz parecer. É que fica aquela cara de que não dá conta de fazer ao vivo.

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Dance

O MGMT dá um susto nos fãs ao escrever em seu blogue, essa semana, que se o baterista (que nem membro oficial da banda é) não se recuperar totalmente do tornozelo machucado, a banda acaba de vez. Sei.

Chegando a hora da passagem deles pelo Brasil, vale dizer que os shows podem ser frustrantes para quem é atraído apenas pelas músicas de pegada eletrônica e dançantes, como “Kids” e “Electric feel”, e não estiver disposto a ouvir algo que não seja isso. O negócio deles rock psicodélico.

Agora que os boatos de que o segundo disco seria produzido pelo Chemical Brothers foram negados (parece que ao menos uma faixa sai dessa dobradinha), esfriando a idéia de que o MGMT poderia trilhar caminhos mais próximos da pista, restam os remixes.

O Soulwax (sempre eles) mostra como seria esse caminho, ao entortar “Kids”. Sente a pressão.

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Simpatia


Friendly Fires, “Ex Lover”

Divulgando o disco de estréia, o Friendly Fires (já entrevistado aqui no URBe) fez um show na loja Pure Groove, em Londres.

Após a apresentação, os integrantes contaram sobre a apresentação no Reading Festival, em que contrataram percussionistas brasileiros para tocar com eles em “Jump in the pool” e falaram um por um, inclusive o empresário, que estão desesperados pra tocar no Brasil.

O show foi cedo, deixando tempo suficiente para correr para o Koko e conferir a Santogold.

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Espacial

Terça-feira foi a vez do Lindstrøm passar pela Rough Trade East para comemorar o primeiro aniversário da loja, aproveitando para lançar seu novo disco, “Where you go I go too”.

O norueguês se apresentou com um laptop (rodando o Live), soltando as bases e tocando alguns dos arranjos viajandões de teclado. Bem bacana.

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Kitsuné Sunday


autoKratz

A festa de aniversário da Rough Trade East continua. No domingo teve o Kitsuné Sunday, promovido pelo selo francês, com shows do autoKratz e do bizarro You Love Her Coz Shes Dead.

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“Hate to say I told you so”


Também venho falando disso faz tempo, Hives…

E o Rio continua afundando no limbo. Impressionante como num espaço tão curto de tempo a cidade conseguiu perder tanto sua relevância cultural.

De turnê marcada pelo Brasil, o The Hives cancelou a data carioca porque não toca quatro noites seguidas. Antes do Rio, o grupo passa por São Paulo, Brasília e Porto Alegre.

Tudo bem que o Hives não importa, e sem demérito nenhum as outras cidades — MESMO, essa ampliação de mercados é positiva, para todos — mas ver uma banda dessas escolher cancelar justamente sua data “in Rio”, um dos subtítulos favoritos de DVDs ao vivo internacionais, é sintomático.

O Circo se esforça e diz que continuará “a tentar arrastar pra essa cidade desenganada outras atrações internacionais de peso”.

Ainda esse ano, o Circo apresentará Justice (setembro) e Bloc Party (novembro). Quer dizer, se não pintar uma oferta mais interessante pra tocar em outro lugar qualquer.

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Rólidei, espéborachion

Aproveitando o assunto Madonna, que vai ao Brasil em dezembro com a turnê que estréia aqui em Londres no dia 11 de setembro, dá uma olhada nessa matéria do Fantástico sobre a semana da loira em sua primeira visita ao Brasil, 15 anos atrás.

É só pérola. Em tempos pré-internet, atenção para o orgulho da repórter, que enche a boca pra dizer toda vez que a equipe invadiu um espaço em que não era autorizado filmar. É o crachá.

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Dengue

Comemorando seu primeiro aniversário, a Rough Trade East está promovendo um mês de shows e eventos na própria loja, incluindo nomes como Lindstrom, Don Letts, Holy Fuck, Kitsuné Records, BLK JSK e Roots Manuva. Coisa fina.

Promovendo seu terceiro disco, “Venus on earth”, o Dengue Fever passou por lá essa semana para uma apresentação de uma hora.

Formada em Los Angeles pelos irmãos Ethan e Zac Holtzman, após uma viagem do primeiro ao Camboja, a auto-definição da sonoridade da banda fala em uma mistura de pop sessentista do Camboja, surf music e psicodelia.

Pra complicar um pouco mais as coisas, a vocalista Chhom Nimol, encontrada num bar em Los Angeles, canta em khmer. Pode parecer estranho, mas dá certo. Principalmente quando o tecladista toma conta, dedilhando escalas asiáticas hipnóticas.

Falta mesmo é alguém de frente, com carisma. Chhom Nimol, cantora de daraokê no Camboja, parece deslocada do resto dos músicos, como se estivesse fora do seu elemento.

No palco apertado, ela esbarrava nos instrumentos, se atrapalha com o microfone e é bastante tímida. Podia melhorar se ela tivesse algo pra tocar nos momentos instrumentais, quando parece totalmente perdida, sem saber o que fazer.

As circunstânicias não ajudavam, afinal o show era numa loja, cedo, com todas as luzes acesas. Pode ser que num lugar apropriado, ela se solte mais. Mesmo assim, o som é tão inusitado que supera esses pequenos problemas.

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Trovão

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foto: Beti Niemeyer/divulgação

Confirmando as suspeitas de que o desatre sonoro presenciado no show do New Order, duas semanas atrás, era fruto de uma passagem de som mal feita, Bethânia encantou com um som tinindo no Vivo Rio nesse final de semana.

Decorado com cenário e iluminação climáticas e com uma grande banda de acompanhamento, o palco, grande, fica do tamanho de um caixote de feira com a presença de Bethânia. Isso mesmo antes dela trovejar com seu vozeirão.

Teatral, a cantora domina sozinha o espaço no seu novo show, “Dentro do mar tem rio”. Divido em dois atos, o espetáculo traz músicas dos seus dois recém-lançados discos, “Mar de Sophia” e “Pirata”.

As mais de 30 canções são intercaladas por textos e poemas recitados por Bethânia. Os arranjos, potentes, são perfeitos para proposta, trazendo mais força para músicas como “Asa branca” (o que por si só não é tarefa fácil) e “Debaixo d’água”, de Arnaldo Antunes, que vira um quase-rap.

Contrariando a orientação dos produtores do show, a venda de bebidas e quitutes continuou durante toda a apresentação. Além de dispersivo e desrespeitoso com artista e público, não é exagero dizer que o vai-e-vem dos garçons com bandejas por um espaço reduzidíssimo é perigoso, embora os funcionários não tenham culpa disso.

Prova disso foi o copo de vidro que caiu na cabeça de uma pessoa sentada à minha mesa, se espatifando no chão e espalhando cacos pra todo lado. Não satisfeitos com a lambança, o gerente insistia em conversar a respeito durante o show. Quando terminou, ninguém veio sequer se desculpar.

No momento político do show, Bethânia lê o texto “Ultimatum”, de Álvaro de Campos (vulgo Fernando Pessoa), de 1917, provocando longos aplausos da platéia:

Mandado de despejo aos mandarins do mundo
Fora tu reles esnobe plebeu
E fora tu, imperialista das sucatas
Charlatão da sinceridade e tu, da juba socialista, e tu qualquer outro.

Ultimatum a todos eles e a todos que sejam como eles todos.
Monte de tijolos com pretensões a casa
Inútil luxo, megalomania triunfante
E tu Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral que nem te queria descobrir.

Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
Que confundis tudo!
Vós anarquistas deveras sinceros
Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar.

Sim, todos vos que representais o mundo, homens altos passai por baixo do meu desprezo
Passai, aristocratas de tanga de ouro,
Passai frouxos
Passai radicais do pouco!

Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa, descascar batatas simbólicas
Fechem-me isso a chave e deitem a chave fora.
Sufoco de ter só isso a minha volta.

Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo.
Nenhuma idéia grande, nenhuma corrente política que soe a uma idéia grão!

E o mundo quer a inteligência nova
O mundo tem sede de que se crie
O que aí está a apodrecer a vida, quando muito, é estrume para o futuro.
O que aí está não pode durar porque não é nada.

Eu, da raça dos navegadores, afirmo que não pode durar!
Eu, da raça dos descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir o mundo novo.
Proclamo isso bem alto, braços erguidos, fitando o Atlântico
e saudando abstratamente o infinito.

Poderia ter sido escrito ontem. Pena que não foi.

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