OEsquema

Arquivo: sociedade

Porquê homes e mulheres não podem ser amigos

Uma pesquisa séria aponta o resultado: é impossível a amizade entre sexos opostos.

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Banco foi feito pra sentar

Esquentando para o lançamento de Life Inc, Douglas Rushkoff descasca os bancos.

Via Trabalho Sujo.

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Em cima do muro


Santa Marta
foto: O Globo/Marcelo Carnaval

“Estado levanta muro no Dona Marta; na Zona Sul serão 11 mil metros de concreto”

“Favela à prova de balas: obras do PAC testam paredes de concreto e isopor que nem projéteis de fuzil atravessariam”

O milagre que torna medidas paliativas tão atraentes para os políticos é o fato de que as melhores costumam emplacar no imaginário popular exatamente pela sensação de solução imediata que oferecem, nem no entanto resolver coisa nenhuma.

E todos gostariam de soluções mágicas para grandes problemas. Só rindo mesmo… Resumindo um longo papo com o Antonio sobre esses assuntos, leia o texto do Elio Gaspari sobre a questão do muro.

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Participação

Falando em Obama, essa semana ele soltou um vídeo, chamado a população americana para se envolver diretamente no processo de aprovação do novo orçamento.

O assunto em questão pouco importa. O que interessa é observar como essas ferramentas podem ser utilizadas muito além do marketing político ou da publicidade.

Podem — e estão — sendo usadas para mudar o paradigma político vigente, em que o povo assiste (e reclama) dos governantes, mas não participa ativamente do processo, fora das eleições.

Não vai demorar muito para o esquema de representação como conhecemos, com Deputados e Senadores, ser transformado por isso. Pode começar devagar, com votações online em vez de reuniões de condomínio, por exemplo.


Menino usa YouTube para conseguir emprego para o pai. Conseguiu.

Para uma geração mais velha isso pode soar como chatice, mais uma coisa pra prestar atenção. Para geração digital isso fará parte do dia-a-dia, tanto quanto coordenar sua vida em trocentas redes sociais. A mobilização é uma realidade.

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Macho

O aplicativo IAmAMan é das coisas mais bizonhas já programadas para o iPhone. Serve simplesmente para o sujeito coordenenar simultaneamente o ciclo menstrual das mulheres que estiver saindo. É mole?

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Xerifão


foto: introspective

Na nova prefeitura do Rio, choque de ordem é o termo da vez. É infinitamente mais fácil apontar o dedo para coisas que obviamente estão erradas do que combater as causas reais. O alvo do dia são os ciclistas, logo eles que ajudam a desafogar o trânsito cada vez mais caótico.

O motivo é até justo. Aos domingos, quando as pistas da praia são fechadas ao trânsito e são utilizadas por pedestres, muitos pedalam por ali em vez de utilizar a ciclovia. O problema é que a ciclovia também fica cheia de pedestres batendo papo, carrinhos de bebê, de coco, skates, até scooters (!!!).

Falar em melhorias para os ciclistas, nem pensar. O Rio tem uma mal explorada vocação verde, com potencial inclusive para tirar a cidade do buraco. Ciclovias nos principais percussos da cidade, não apenas na beira da praia, são essenciais.

Em Londres, por exemplo, existem faixas exclusivas para os ônibus que, pasmem, é respeitada. E olha que boa parte das ruas da cidade tem apenas duas faixas, imagina a vontade dos motoristas de entrar na faixa exclusiva, livrinha…

São por essas pistas que os ciclistas transitam. Muitas vezes os ônibus tem que desacelerar e acompanhar o ritmo das pedaladas — e mesmo assim chegam ao ponto sempre na hora marcada. Agora imagina tentar isso no Rio? Boa mort… sorte.

Fazer o certo dá um trabalho… Melhor reclamar dos outros, resolver o teu e apontar o dedinho. Avante, Rio!

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Loteamento


fotos: URBe Fotos (no celular)

Nesse verão, ir à praia no Leblon é como desembarcar no meio de campanha de marketing. Salpicada de guarda-sóis amarelos, a areia parece um grande loteamento da cervejaria que presenteou os barraqueiros com material para alugarem aos banhistas.

Não bastasse começarem a berrar, oferecendo barracas desde quando você ainda está no calçadão, agora os vendedores simplesmentes cravejam a areia com os guarda-sóis desde cedo, de modo que não importa o local que você escolha para sentar, estará quase sempre próximo demais das barracas.

O mais irônico é o slogan escolhido pelos publicitários para enfeitar as barracas: “Praia S.A.”.

“Podia ser pior”, disse o Roto para o Esfarrapado. “Ao menos não tem o nome da empresa escrito, é só o logo”. Ahã. Viva a vida carioca, caótica e sem regulamentação. Ouvi dizer, inclusive, que a prática é ilegal (alguém confirma?).

Enquanto isso, em São Paulo (em SÃO PAULO!) a publicidade nas ruas continua proibida.

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As árveres samo nozes


foto: Louise Pedroso

Sem me dar conta de que o lugar estaria repleto de pessoas assistindo o show de luzes da árvore de natal no começo da noite, optei pela ciclovia da Lagoa em vez da praia, como caminho mais prático. Quando percebi, já era tarde demais.

Pra minha surpresa, em vez do tumulto, desordem e confusão comumente associados ao que acontece nas margens e no entorno da Lagoa nessa época do ano, as coisas estavam até bem calmas.

Diversas pessoas de várias partes da cidade, crianças, além de turistas brasileiros e estrangeiros, tiravam foto e caminhavam tranquilamente pela mal iluminada ciclovia. Deu gosto de ver tanta gente curtindo a cidade, numa boa.

Bastou algumas pedaladas em direção ao epicentro, perto da Faculdade da Cidade, para tudo mudar de figura: dezenas de barracas de cachorro-quente, churros e tapioca ocupavam o espaço das bicicletas, carros parados em fila dupla interrompiam o trânsito, ambulantes estressados xingavam quem estivesse na frente “atrapalhando” seus negócios…

O Rio de sempre. Com suas ilusões e realidades.

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É de lei


Teaser do doc “Cidade do funk”, ainda em produção, de Sabrina Fidalgo
(o vídeo tem 4 minutos, apesar de estar marcando 9 no contador)

Os assuntos continuam a se misturar. Agora ocupada pela Polícia Militar, estão proibidos os bailes funk na Cidade de Deus.

Independente de qualquer ilegalidade que cerque esses bailes, mesmo os que são (eram?) oferecidos pelos traficantes, uma coisa é certa: a culpa não é da música.

Respondendo a um comentário no texto falando do projeto de lei que pretende definir o funk como “forma de manifestação cultural popular”, sugeri a leitura de um texto sobre a relação entre violência e funk que havia escrito em 2005, após uma visita ao baile da Formiga.

Como o assunto se torna outra vez relevante, republico o texto. Fica aqui um trecho e o link para quem quiser ler a íntegra:

Sábado, 1h30 da madrugada, Praça Saes Pena, Tijuca. O aparente marasmo da praça deserta esconde muita coisa. Definitivamente, um péssimo lugar para ficar parado de bobeira, ainda mais carregando equipamentos de vídeo e fotografia. Abre o gás, risca o fósforo. A chapa vai esquentar.

O destino da noite era o morro da Formiga, para onde o “guia” DJ Marlboro levava um grupo de jornalistas para registrar um baile funk (eu e o fotógrafo Lucas Bori para uma revista, os outros da produção de um programa de TV). O objetivo das duas equipes era o mesmo: conseguir imagens de um baile de verdade, sem maquiagem. A galera que curte o som desde sempre, se divertindo à vontade. (clique para continuar lendo)

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Perigo


foto:Daniela Dacorso

“Seria o cúmulo da vergonha considerar um tipo de música tão vulgar e ridícula como forma de manifestação popular. É forma de manifestação do mau gosto. Isso sem falar que os bailes funk servem para ajudar a financiar o tráfico de drogas, coisa que todos sabem, com letras que fazem apologia à violência, ao crime e à prostituição” (grifo meu)

Como previsto, o projeto de lei do deputado Chico Alencar que define o funk como “forma de manifestação cultural popular” vai indignando a classe média, ao menos a parcela que vibra lendo colunas sobre gatos no Segundo Caderno — e sabe de tudo.

Violenta são essas generalizações, coisas que “todo mundo sabe”.

Não sei o que é pior, a necessidade de um canetaço para estabelecer algo óbvio ou gente esperneando, resistindo a lógica.

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“Santa Marta e o túnel escuro” (web)


URBeTV: o curta-documentário “Santa Marta, o túnel escuro”,
filmado com uma câmera fotográfica digital

doc e fotos: Bruno Natal

A notícia de que o tráfico havia sido expulso da comunidade pela polícia era tão boa que só vendo para crer. Aos pés do Santa Marta, o plano inicial sofreu uma pequena modificação.

A idéia era simplesmente chegar e subir as ladeiras, sem pedir autorização a ninguém, exatamente como se faz transitando entre bairros no asfalto da cidade.


Santa Marta

Dado o tamanho da novidade, não custava nada avaliar a situação falando com os policiais na viatura estacionada na subida da ladeira:

- E aí, é só meter o pé mesmo?

- Pode subir, tá na boa. Acabou de subir um monte de jornalistas com o comandante do 2o Batalhão, pelo bondinho.

- Então não tem bandido na área mesmo?

- Olha, subindo pelo bondinho tá tranquilo. Mas deve ter vagabundo escondido na mata ainda.


As iniciais do Comando Vermelho num muro: cicatrizes recentes

O bondinho é um plano inclinado que funciona como um elevador para os moradores da favela mais íngrime do Rio, onde vários repórteres aguardavam para ser levados ao topo do morro pela secretária de educação e pelo comandante da polícia.

A perspectiva de uma visita guiada oficial era desanimadora. Nada podia estar mais distante do objetivo original de simplesmente visitar a favela como quem vai a qualquer outro bairro da cidade. Sem falar na fila de mais de meia-hora pra subir no bondinho.

A grande revolução que pode ser promovida por uma comunidade sem tráfico é justamente possibilitar o encontro de duas realidades cada vez mais distantes.

O Rio de Janeiro precisa se tornar uma cidade só, sem separações, para se reerguer e reestruturar. O que isso pode trazer de bom é a livre circulação de pessoas e idéias.


Pierre Azevedo e dois de seus alunos de percussão

Decidi subir a pé e logo conheci o Pierre Azevedo, diretor da ONG Atitude Social. Baixista e ex-morador da comunidade, ele dá aulas de percussão para criançada na Casa de Cultura Dedé.

Tendo Pierre como guia (mas não uma escolta, pois realmente o morro estava calmo) para não me perder pelas vielas e chegar até o topo, rapidamente comecei a conversar com alguns moradores.

Por ingenuidade, não esperava o tipo de reação e as resposta que ouvi quando comecei a perguntar sobre as primeiras impressões da ocupação policial e a saída do tráfico.

Não ouvi ninguém reclamar da partida dos traficantes, porém a maior parte das pessoas, além da incredulidade, não acredita muito que isso irá durar. Mais do que isso, estão realmente incomodadas com o choque de regras.


Eletricidade no ar

Durante o passeio, ouvi diversas reclamações: que haverá horários para as coisas funcionarem e regras a serem seguidas, as bebedeiras agora vão ser vigiadas, que estouraram a central clandestina de tv a cabo, de que as novas casas e a urbanização impedem as criações de animais e hortas em chácaras…  E de como tudo isso altera o ambiente da comunidade como eles a conhecem.

É natural que seja assim. A experiência dessas pessoas com a presença do Estado é, em grande parte, negativa. Além disso, por mais paradoxal que possa soar, existe uma liberdade proporcionada pela ausência do Estado que é difícil de perder.

A frase de um morador, em resposta ao meu argumento de que as melhorias sociais e urbanísticas certamente viram acompanhadas de responsabilidades e deveres, resume bem a questão: “eu não fui criado assim”.

Esse é o ponto central de qualquer projeto que pretenda integrar as favelas ao resto da cidade. Coisa que parecem lógicas e normais no asfalto, são totalmente alienígenas na favela.

Assim como a noção de comunidade desses lugares dá um banho no resto da sociedade, onde vizinhos de porta num mesmo prédio mal se cumprimentam, o que dirá se ajudarem.


A meninada faz pose

Há, claro, também muita desconfiança em relação as reais intenções de um projeto desses.

Da maneira que são hoje, as favelas são em maior parte ocupações ilegais, sem escrituras. Portanto, mesmo algumas delas (as da Zona Sul) estando situadas em áreas nobres, a área não pode ser negociada.

Numa região sem mais um palmo de área livre pra construir, pode ser que estejam preparando o terreno para especulação imobiliária.

Estrutura-se o local e entrega-se as escrituras de posse, para depois deixar o poder aquisitivo falar mais alto, comprar essas propriedades e transformá-las em grandes (e caros) condomínios.

Não é nem um pouco improvável, o condomínio Selva de Pedra, no Leblon, surgiu de maneira até mais agressiva, através de incêndios.

O trabalho nessas comunidades é muito mais difícil do que parece e levanta discussões complexas. Expulsar o tráfico é só o início.

Como disse  José Mário, presidente da Associação de Moradores do Santa Marta, estamos entrando num túnel escuro, sem saber o que está do outro lado. Tomara que seja a luz.

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Santa Marta e o túnel escuro (vídeo)


URBeTV: o curta-documentário “Santa Marta, o túnel escuro”
doc e fotos: Bruno Natal

Devido aos problemas para subir o vídeo no YouTube e publicar junto com o texto, resolvi fazer um post separado só com o mini-doc “Santa Marta e o túnel escuro”, para os assinantes do RSS receberem o aviso.

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Pequeno


Quartel de Bombeiros da Gávea

Quando uma tragédia como as enchentes em Santa Catarina acontece, todos nós nos sentimos pequenos, impotentes para reverter um quadro desses.

Essa semana, um grupo de amigos, como tantos outros, arrecadou doações para serem entregues num quartel de bombeiros, onde a Defesa Civil está passando para recolher e distribuir o que está sendo recebido. Chegando lá, novamente você se sente pequeno.

Pequeno porque os alimentos, água e roupas que lotavam o carro somem em meio a tantas outras doações. É emocionante ver de perto que tantas pessoas, pequenas como eu e você, estão fazendo a sua parte. Bom ver que existe tanta gente preocupada e solidária, disposta a fazer a sua parte.

Não se deixe levar pela idéia de que já tem bastante gente doando. Além de Santa Catarina, agora Vitória e Campos estão enfrentando enchentes violentas e as doações que estão chegando estão sendo divididas. É preciso mais.

Não fique sentado, esperando alguém resolver os problemas. Você é parte da sociedade, participe.

Sinta-se pequeno.

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Sexo

Decidi parar para ler o tal manifesto contra a pornografia no cinema, lido pelo ator Pedro Cardoso no cinema Odeon, durante o festival do Rio, e fiquei surpreso.

Ao contrário do que estava ouvindo por aí, de que se tratava de um arroubo moralista do ator, o texto (muito bem escrito, diga-se) é bastante coerente. Curioso até que poucos colegas tenham apoiado suas palavras. Tirar as pessoas da inércia comodista não é mesmo tarefa fácil.

Do ponto de vista jornalístico, mais interessante é a história, contada minuciosamente em seu blogue, sobre os bastidores do pedido de entrevista da Playboy, por conta da repercussão do manifesto. O convite foi invertido e transformado em uma entrevista do ator com a jornalista da revista, que acabou não publicada.

As dúvidas que levanta em relação a Playboy são mais bobas do que as questões que levanta acerca do ofício de ator e a necessidade da nudez. A pecha de moralista vai colando no ator, agora que especula-se sobre sua participação direta na demissão de um professor da Escola Parque, onde estuda sua filha, por escrever poemas eróticos).

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Vai ser bom para você

A prática é comum e qualquer um envolvido na indústria criativa — sejam cineastas, designers, músicos, jornalistas, artistas plásticos, o que seja — já recebeu (ou vai receber, pode apostar) uma proposta para trabalhar de graça em troca de uma “boa exposição do seu nome/trabalho”.

O argumento normalmente é utilizado para convencer profissionais em início de carreira (mas não apenas a eles, a cara-de-pau está se alastrando) a fazer de graça um trabalho pelo qual deveriam estar sendo pagos.

Geralmente, envolve alguma grande marca e todas as pessoas envolvidas no projeto — inclusive aquela que te convida — estão recebendo, mas mesmo assim esperam que você aceite trabalhar sem cobrar, para “abrir portas”.

É a maior conversa pra boi dormir do mercado de trabalho. Até hoje não conheci ninguém que tenha atravessado as tais portas que supostamente se abririam — mesmo porque, o que de bom pode vir de uma relação profissional que começa dessa maneira?

O que isso costuma trazer como resultado para a carreira de alguém é essa pessoa passar a ser vista como alguém que trabalha de graça. Isso não é bom.

A situação se torna ainda mais absurda quando envolve a internet. Num mundo virtual, onde digitar nomedagrandeempresa.com e o endereço do seu saite levam o mesmo tempo, faz mais sentido você criar seu próprio espaço e firmar seu nome no mercado do esperar que façam isso por você.

Quando há uma marca envolvida, qualquer ação trata-se de publicidade ou estratégia de marketing (mesmo que disfarçada de um blogue bacana, concurso de banda ou qualquer outra coisa). E propaganda é o setor para o qual não se deve fazer nada sem pagamento. Pelo contrário, deve-se sempre ser muito bem pago.

Existem excessões, claro, situações em que vale a pena trabalhar de graça, principalmente para os iniciantes. As vezes também pode envolver uma viagem ou acesso a algo ou alguém que você julgue importante para o seu futuro.

A grande diferença é que, na maior parte dos casos em que esse tipo de coisa vale a pena, é o profissional que identifica essa chance e oferece seu trabalho. Quando é o contrário, pode apostar: é roubada.

Enquanto isso, se quiser uma boa exposição, procure um museu bacana.

Os que quiserem, deixem suas histórias mais cabeludas nos comentários. É no mínimo divertido ouvir os argumentos malucos que disparam por aí.

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Uniforme


Hipsters, Londres (2008)


Surfistas, Rio de Janeiro (2000)


Geeks, Londres (2008)

Os grupos sociais e seus códigos internos de vestimenta. Pra quem pensa que não usa uniforme.

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Trabalho de formiga


foto: Lucas Bori

Sábado, 1h30 da madrugada, Praça Saes Pena, Tijuca. O aparente marasmo da praça deserta esconde muita coisa. Definitivamente, um péssimo lugar para ficar parado de bobeira, ainda mais carregando equipamentos de vídeo e fotografia. Abre o gás, risca o fósforo. A chapa vai esquentar.

O destino da noite era o morro da Formiga, para onde o “guia” DJ Marlboro levava um grupo de jornalistas para registrar um baile funk (eu e o fotógrafo Lucas Bori para uma revista, os outros da produção de um programa de TV). O objetivo das duas equipes era o mesmo: conseguir imagens de um baile de verdade, sem maquiagem. A galera que curte o som desde sempre, se divertindo à vontade.

Subindo o morro, uma série de instruções tem que ser seguidas. Todas as janelas do veículo abertas, luz interior acesas e obedecer os comandos do motoqueiro que faz a escolta até o topo. Quase lá em cima, uma barricada de lixeiras filtra a passagem, sob o olhar vigilante de rapazes portando pistolas cromadas. É a chegada.

Fora da quadra de esportes onde acontece o baile, rapazes de 16 anos, andavam com fuzis quase do seu tamanho. Na tensão do momento, só dá pra pensar: “meu irmão, esse muleque não deve fazer muita idéia de como usar esse troço, sabe tanto quanto eu: aperta o gatilho, sai bala. Se der uma cagada aqui, a polícia chegar, uma briga, vai dar merda”. Dentro da quadra, tudo mais tranquilo. Provavelmente por conta da filmagem e das fotos, não tinha nenhuma arma.

O espaço estava vazio. Devido as recentes operações policiais na região, essa era a primeira festa em dias. Os que foram, dançaram, beberam, se divertiram e foram embora. Fora a quantidade de crianças de 6, 8 anos de idade circulando pelo lugar as 3h30 da manhã, não houve nada fora do normal. Nenhuma pancadaria, nenhum proibidão, nenhuma apologia.

Embora nenhuma das equipes estivesse interessada na simplista associação funk/tráfico, as armas estão lá, não tem como ignorar. Como se sabe, o Rio é uma cidade dividida. Em certas partes — em muitas partes — não se entra sem autorização dos “donos” do lugar.

Isso não é exclusividade dos bailes funk, qualquer atividade numa favela dominada pelo tráfico é assim, incluindo os serviços públicos como coleta de lixo, gás e, claro, policiamento.

É importante entender como o funk foi parar nesse ambiente, porque nem sempre foi assim. O grande erro do Estado foi a tentativa de proibição dos bailes no começo dos anos 90, no frenesi pós-arrastão televisionado do Arpoador, quando pela primeira vez o funk foi associado de maneira direta a baderna e atividades ilegais. Obviamente, não deu certo.

Expulsas dos clubes no asfalto, as festas foram se esconder nos morros. Da maneira que acontecem hoje, é impossível fiscalizar. Uma vez dentro das comunidades, não é o Estado quem manda. O esgoto escorrendo pela rua e a quantidade de lixo pelos cantos lembram isso a toda hora.

Os bailes são frequentados tanto por trabalhadores (a maioria) quanto por bandidos. A presença de traficantes não significa que a festa seja deles ou para eles. Eles ouvem funk, como todos misturados ali, e só. O negócio do tráfico é droga, não música.

Dizer que os bailes são festas de bandido é uma generalização burra e irresponsável. Existem os proibidões, funks de exaltação a facções criminosas, entretanto esses são minoria. De qualquer forma, mesmo nos lugares onde o tráfico financia as festas, o faz porque o Estado falhou aí também, ao não proporcionar lazer.

Tentar proibir o funk, como volta e meia é proposto, é combater o efeito, não a causa. É inútil. Ainda que conseguissem acabar com os bailes, outro tipo de música animaria as festas. Porque elas continuariam acontecendo e qualquer que fosse o gênero musical, as coisas seriam exatamente iguais. Não iria demorar muito, apareceria alguém propondo proibir a música nas comunidades.

O que acontece nos morros cariocas não é muito diferente do que acontece no gangsta rap americano, brasileiro ou mesmo com o danchehall jamaicano, como bem falou um amigo. No fundo, todos esse estilos são uma coisa só: música de gueto.

Olhando de longe, parece teatro, mas eles falam sobre a realidade violenta que os cerca. Dr. Dre falando que vai “bust a cap on your ass” ou Elephant Man gritando “Pow! Pow! Pow!” enquanto canta, não é diferente de um garoto falando sobre como as 4h da madrugada “tem que ter uma granada”.

A diferença é que o hip hop e dancehall já se “afaltalizaram” e se espalharam pelo mundo. Existe uma parcela grande de gente sem contato direto com realidades criminosas produzindo esse tipo de som.

A mesma coisa vai acontecer com o funk. Já está acontecendo, timidamente, em músicas como “Quem cagüetou” (Tejo, Black Alien e Speed) ou nas produções do Tetine, Lucas Santtana, Apavoramento, Nego Moçambique ou do americano Diplo e da singalesa MIA.

Enquanto a parede de caixas de som dispara graves atordoantes, fazendo, literalmente, tudo tremer (do chão ao cérebro), fica claro o quanto o trabalho de ponte feito pelo DJ Marlboro é importante. Aproximar morro e asfalto é algo fundamental, pois quanto mais afastados, piores os problemas.

Fechar os olhos, fingir que essas questões não existem, não resolve nada. Tem que ir lá, ver o tamanho da cagada que aprontaram pra gente e, quem sabe asim, tentar fazer alguma coisa pra ajudar a mudar. Porque, se não há justificativa para violência, certamente há explicação.

Quando se fala em ausência de Estado, não está se falando somente de polícia, muito menos do velho “sobe, prende e manda fechar”. O Estado falhou e continua falhando em questões sociais básicas, como educação e oportunidades. Foram essas faltas de condições que proporcionaram o ambiente perfeito para germinação do tal “poder paralelo”.

Agora, com um cenário desses, vem gente dizer que “o funk é violento”. É simplificar demais as coisas. Não são os bailes funk que são violentos. A favela que é.

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