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#MarchadaLiberdade ao vivo

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Após a pancadaria propiciada pela PM de São Paulo na Marcha da Maconha semana passada, a população se reúne na Marcha da Liberdade.

Clima tenso no ar. Mesmo podendo ir adiante, a Marcha da Liberdade, uma metamanifestação, acontece censurada, já que não se pode pedir abertamente o direito de se manifestar pela discussão da proibição da maconha. Mencionou o tema, a porrada vai cantar.

Isso é MTO maior do que legalização da maconha. É pelo direito de se manifestar, por qualquer tema. Pena que muitos artistas e personalidades que poderiam dar ainda mais visibilidade a isso tudo ficam em casa. Cadê o coxinha do FHC, nosso renascido libertário?

Força, SP! Precisamos da resistência de vocês.

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Cinco dias em SP

Fazia um bocado que não passava “tanto tempo” em São Paulo, cinco dias. Horas preenchidas com muitos shows (Planeta Terra, Paul McCartney, Martina Topley-Bird), reuniões, restaurantes e balões de taxistas (sério, recorde pessoal).

Mesmo com tantos eventos, o assunto que dominava os papos eram os boatos de que o Daft Punk estaria na cidade (1) e tocaria no Bar Secreto na sexta (2), no sábado faria um repeteco da sua participação no show do Phoenix em NY mês passado (3). Nada se confirmou, muito menos se consumou.

Estreando no Planeta Terra, confirmei o que se fala há tanto tempo: é o melhor festival do Brasil. O que não sabia é que isso, nem de longe, significa perfeição.

A circulação entre os dois palcos no Playcenter é caótica, só tem porcaria pra comer, as fichas não valem para pegar bebida fora dos bares, filas quilométricas nos banheiros e, o mais grave, o som baixo do palco principal clipava direto.

Um festival agradável é metade mérito de uma produção bem feita, metade do bom comportamento do público. E isso o Planeta Terra tem de sobra. Pessoas tranquilas, sem se espremer para ver shows shows, tratando uns aos outros com respeito, shows começando pontualmente e banheiros limpos (sempre com papel, informaram as mulheres).

A escalação não era exatamente empolgante, porém os bons shows do Phoenix, Yeasayer e Pavement fizeram valer a pena. Por outro lado, o Empire Of The Sun fez uma das apresentações mais constrangedoras já vistas.

No palco principal, o Of Montreal estava mais preocupado em chamar atenção com fantasias e aloprações do que com o som. Os hits foram bem, as menos conhecidas flutuaram num rock genérico, embora os fãs tenham saído satisfeitos.

No palco menor, onde mais cedo tocou o Holger, o Yeasayer fez um dos melhores shows do festival. As experimentações rítmicas e sonoras do grupo não sofrem ao vivo. É um show mais viajante, contemplativo, mas nem por isso menos interessante.

Uma das atrações mais aguardadas, o Phoenix fez um show correto, demonstrando algum cansaço de um ano e meio de turnê. Apesar de ter ficado lotado, a maior parte das pessoas conhecia e aguardava apenas os sucessos de “Wolfgang Amadeus Phoenix”, respondendo sem muita empolgação as músicas dos discos anteriores ou mesmo as menos pop do disco atual. Pulação mesmo só em “Liztomania” e “1901″.

Uma pena, pois o Phoenix é melhor justamente quando se distancia do “rock dançante” (ô termo…) e se aproxima mais do house francês do Daft Punk ou da eletrônica relaxada dos parceiros do Air, com camadas de sintetizadores e pulsações graves. Ainda assim, a sequência de duas partes de “Love Like a Sunset” foi tida como pausa para conversar.

Tudo bem que em alguns momentos a banda não coopera. Se levando a sério demais, na própria “Love Like…” a parada para o guitarrista tocar a frase lentamente, nota por nota, colabora com a dispersão.

Quando o vocalista Thomas Mars se jogou na galera o povo acordou. No geral, um bom show, mesmo que não muito empolgante para os que foram apenas pra conhecer.

Do Empire of The Sun não tem muito o que dizer. Batidas pré-gravadas, repetitivas e pouco criativas, serviam de fundo para um bando fantasiado com as roupas da abertura do Fantástico dançarem ao som de uma guitarra terrivelmente tocada pelo líder da banda.

O Girl Talk encheu o palco de amigos e fez uma apresentação morna, baseada no novo disco, “All Day”, lançado dias antes. O lugar muito grande, com pessoas espalhadas, não foi a ideal para o rei do mashup de hits do passado com sucessos do hip hop.

Billy Corgan tem muito o que aprender com o Pavement, que ele tanto odeia, apresentando-se imediatamente antes do Smashing Pumpkins (ou o que restou dele). Deu gosto ouvir “Shady Lane”, “In The Mouth a Desert” e “Cut Your Hair” sendo tocadas com sinceridade, agradando a multidão indie (e curiosamente indie era o nome do outro palco…) que esperou muito tempo para ver a banda.

“Tonight, Tonight”, do Smashing Pumpkins, foi a trilha da saída. Preferi não assistir o show pra não repetir a decepção da turnê do “Adore”, em 1998, borrando as boas lembranças de 1996, com a banda no auge, no Hollywood Rock.

Uma pena que a saída do festival foi tumultuada, um salve-se quem puder atrás de um táxi. A confusão foi repetida no final do show do Paul McCartney, no Morumbi no dia seguinte, quando as pessoas foram obrigadas a andar quilômetros até encontrar um carro disponível, e mesmo assim cobrando preços astronômicos e roubando os passageiros.

Dentro do estádio lotado, quem mandava era o Paul e com isso tudo estava garantido. Mesmo que as cordas e metais sintetizados, a farofice dos integrantes da banda de apoio se esforçassem, muito, para colocar tudo a perder.

O show é ótimo, porém muito longo para quem não é um fã obcecado. E mesmo para esses, muitas das músicas poderiam não estar ali, ou ao menos serem substituídas por outras melhores. Nada disso importa. O que interessa é estar no mesmo lugar que uma lenda e ter a oportunidade de ouvir algumas da canções mais bonitas já compostas.

A verdade é que fui até lá corrigir um erro histórico, quando tentando fugir do tumulto da saída do show do Paul no Coachella ano passado, perdi o segundo bis e a chuva de clássicos enquanto andava pro estacionamento dando socos na própria cabeça. Missão cumprida.

São Paulo está fervendo e na segunda-feira, no Comitê Club, Martina Topley-Bird, cantora do Massive Attack, se apresentou acompanhada do Curumin e da CéU. O lugar é muito legal, pequeno, lembrando bastante um Ballroom melhorado. O show foi bom, um pouco prejudicado pela ausência do Ninja, multi-instrumentista que acompanha Martina.

Na terça tinha Hallogallo 2010, projeto de Michael Rother (ex- Kraftwerk), relendo músicas do Neu!, acompanhado por Steve Shelley (Sonic Youth) e Aaron Mullan (Tall Firs), mas já estava de volta ao Rio. Bom pra descansar, porque se deixar, em São Paulo toda noite tem algum programa.

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Transcultura #026 (O Globo): Caribou, Gregory Isaacs

Texto da semana retrasada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Caribou ao vivo em até 140 caracteres
por Bruno Natal de São Paulo, via @URBe

@URBe No Clash Club, SP, pra assistir Gold Panda e Caribou. Como queria um lugar desses no Rio. 2 mil pessoas, som bonzão.

@URBe Peguei só um pedacinho do Gold Panda, bem bom. Camadas de ruído pulsando com vocais mântricos.

@URBe Enquanto o Caribou não comeca aqui em LondreSP, “Bitte Orca”, do Dirty Projectors, inteiro tocando.

@URBe Começa Caribou. Batera, baixo, guitarras e um teclado, por enquanto quieto. Indie desde 1900 e Manitoba.

@URBe Folktronica, eletronica, shoegaze, psicodélico, do que não foi chamado Daniel Snaith e seu Caribou?

@URBe O teclado chegou e disse pros dedos do Caribou: “Insomnia! Tan tan tch tan tan…”

@URBe Teclado e bateria na frente, baixo e guitarra atrás. A disposição do Caribou no palco também desenha o som, um pouco reto demais.

@URBe Enquanto o Caribou não pousa, Diogo 1 x 1 Ronaldo, é isso?

@URBe Snaith manda um alô pro Four Tet, vai se distanciando do experimentalismo e reconduz o show para o lado mais “pop” do disco “Swim”.

@URBe Distorcao, guitarras cheias de efeito, ruídos, o Caribou pede pra avisar: os anos 90 tão em cima.

@URBe Entao blz: a volta da eletrônica anos 90 será o retorno de estacatos de cordas synth. Os hip hops de academia estão entupido disso tbm.

@URBe Pensei que tinha me distraído no show do Field Day, mas ao vivo Caribou é dispersivo mesmo. Bastante gente já partiu.

@URBe Pra encerrar o show, “Sun”. A galera gostou. Solta o freio de mão, Caribou!

@URBe Caribou: nota dos presentes: @tcompagnoni 7,5; @pedroseiler 6,5; @fcontinentino 7; xarope 7. Dou 6,5, lugar muito melhor que o show.

Tchequirau

A semana começou muito mal, com a notícia de que Gregory Isaacs foi cantar pra Jah. Aproveite o final de semana para ouvir a discografia do Cool Ruler, ou apenas o clássico “Night Nurse”, de de 1982.

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Doc trailer: “We.Music”

“[No documentário] o músico Thiago Petit, o rapper Xis, o produtor Chernobyl, as bandas Holger, Firefriend, e os DJs Killer on the Dancefloor, Database e Pristine Blusters refletem e levantam questões acerca de temas que permeiam o cenário atual da música independente em São Paulo e no mundo. A criação coletiva é o cerne da discussão, que se desdobra em temas como remixes, samples, autoria, mercado fonográfico e processos criativos.”

A cena independente de São Paulo, agregando muita gente de outros Estados, começa a ser retratada. O documentário “We.Music” (que nome…) estreiou ontem, em SP.

Em Agosto estou querendo passar uns 10 dias em Sampa City e tava com a idéia de dar uma volta pelos diferentes núcleos que agregam esses vários artistas. Vamos ver se rola.

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Doc trailer: “Eu, o Vinil e o Resto do Mundo”

Três trechos do doc “Eu, o Vinil e o Resto do Mundo”, de Lila Rodrigues e Karina Ades, recentemente exibido no festival É Tudo Verdade e comentado pelo DJ Fábio Maia.

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Franz Ferdinand para poucos em São Paulo


Franz Ferdinand: entrevista sobre Circo vs The Week
vídeo e fotos: URBe

A passagem do Franz Ferdinand por São Paulo tinha como objetivo promover a turnê que o grupo fará pela América do Sul em 2010. Ao decidirem fazer um show fechado e escolherem a pequena The Week como palco, um elefante branco surgiu.

Não era o assunto principal — esse era como conseguir um ingresso — mas devido as semelhanças de condições (como a lotação de pouco mais de 1.000 pessoas), começou-se a falar em um repeteco do clássico show da banda no Circo Voador, em 2006.

Muitos do que estavam no Circo naquela noite dizem ter sido um dos melhores shows de suas vidas. A própria banda concorda, tendo citado diversas vezes em entrevistas esse como o melhor apresentação da história deles. Entrou num panteão além da realidade, imbatível portanto.

Por todos esses motivos a comparação seria tão desnecessária quanto injusta. Mesmo porque, passado três anos, há um terceiro disco no catálogo dos escoceses, o repertório mudou. Se bem que com a qualidade do “Tonight”, esse poderia ser o fator crucial.

Sem se preocupar com nada disso, o Franz Ferdinand simplesmente aproveitou e curtiu o momento, assim como os sortudos que conseguiram conferir uma apresentação tão especial. A pegada mais dançante do que rock das novas músicas caíram bem na The Week, ajudadas por um som redondinho, pecando apenas pela bateria um pouco baixa. Bem diferente do Coachella desse ano, ao ar livre e de dia.

Uma das poucas bandas de sua geração que não apenas conseguiram se estabelecer, mas também crescer, o Franz Ferdinand tem como trunfo um excelentes shows. Mostraram isso em suas visitas anteriores ao Brasil e dessa vez não foi diferente.

Em março eles voltam pra fazer tudo outra vez.

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De volta

Quatro dias em NY devem equivalr culturalmente a dois anos no Rio.

O show do Phoenix valeu cada centavo, bom demais, assustador de tão perfeito.

Por enquanto fica essa fotinho chulé. Estou em SP pro VMB (e ontem ainda teve o Franz Ferdinand matador na The Week), chegando em casa subo vídeos, fotos melhores, resenhas, aquele esquema que você já conhece.

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