27 de maio de 2008 às 15h52
Pronto
A exposição de street art da Tate Modern, em Londres, está “aberta”. Como os artistas foram convidados para pintar fachada do museu, basta passar pela porta para conferir.
A exposição de street art da Tate Modern, em Londres, está “aberta”. Como os artistas foram convidados para pintar fachada do museu, basta passar pela porta para conferir.
A partir dessa sexta, 23 de maio, a fachada da Tate Modern se transformará numa gigante exposição gratuita de street art.
Já se vão cinco anos da mais recente onda de intervenções urbanas (não, não é uma novidade) e essa será a primeira mostra desse tamanho numa instituição do porte da Tate.
Os trabalhos já começaram. Entre os artistas convidados, estão os brasileiros Os Gêmeos e Nunca. A ausência mais sentida é a de Banksy, que recentemente organizou sua própria mostra, o Cans Festival.
Prezando pelo anonimato, provavelmente ele não toparia agir com data e hora marcada, ainda mais na Tate.
Banksy já grafitou os degraus de entrada da Tate Gallery com os dizeres “Mind the crap”, ou “Cuidado com a bosta”, fazendo trocadilho com o clássico alerta do metrô londrino “Mind the gap”, sobre o espaço entre os trens e as plataformas.
O degolador de Londres atacou novamente. Dessa vez a ação foi registrada em vídeo e o alvo foi um pouco diferente.
Em vez de outdoors e anúncios em pontos de ônibus, The Decapitator escolheu um anúncio do London Paper, jornal de grande circulação e distribuído gratuitamente todo final de tarde nas entradas das estações de metrô.
O interessante é que uma das pessoas que recebeu uma cópia do jornal aleatoriamente, reconheceu o trabalho, guardou, tirou uma foto e publicou no seu Flickr no mesmo dia, antes mesmo do autor.
Batizado pela imprensa como The East London Decapitator, esse artista gráfico anônimo tem decapitado personagens de peças de publicidade nas redondezas do mesmo bairro onde Jack, O Estripador cometeu suas barbaridades.
Apesar de estar acontecendo na região de Londres onde — dizem — a concentração de artistas é maior que a soma do resto da Europa, a ação tem chamado atenção da imprensa. As cabeças rolaram e foram parar nos saites da Wired, Complex, Wooster Collective e até em um vídeo da alemã Der Spiegel.

A escalação
Demorou mais saiu. O aniversário “oficial” é dia 28 de abril, mas a festa de 2 anos do URBe só aconteceu na quarta passada. No entanto, a escalação caprichada fez a espera valer a pena. Mais diversificada do que em 2004, misturou show de rock, live pa de breakbeat, sets the tech-house e reggae e uma exposição de arte.
Bastante gente, entre leitores, coleguinhas, amigos e até alguns perdidos passaram pelo 00 para conferir as atrações, dar os parabéns, tomar uma cerveja, trocar idéias ou fatura um adesivo do URBe (aliás, quem quiser um, dá um toque por e-mail). É sempre bom sair do mundo virtual e encontrar pessoas no plano físico. Só por esse motivo já valeria a pena fazer a festa, mas teve muito mais.

Yeah rock!
A tarefa de abrir as comemorações ficou para o Moptop, às 22h30. Gabriel Marques (voz e guitarra), Rodrigo Curi (guitarra), Daniel Campos (baixo) e Mario Mamede (bateria) fizeram uma apresentação enxuta e precisa, de apenas 40 minutos.
Apesar do lugar não possuir estrutura para shows, a qualidade do som estava boa (um obrigado à Lontra Music pelo PA e mesa de som!), o que ajudou bastante. No repertório, músicas da demo “Yeah rock!” (disponível para baixar no saite) e covers de White Stripes (“Seven Nation Army”) e Kinks (“You really got me”).
Após o show, foi minha vez de dar aquela tapeada no som. O set teve de tudo: Radio 4 (“Party crashers”), Bloc Party (“Banquet”), Les Rythmes Digitales (“What’s that sound”), Technotronic (“Pump up the jam”), Daddy Yankee (“Gasolina”), Chemical Brothers (Believe”), M.I.A. (“Galang”)… A mistureba segurou a pista direitinho por uma hora.

Exposição “Vice Versa”
A essa altura, meia-noite, a festa já estava cheia e bastante gente ficou do lado de fora batendo papo e conferindo a exposição conjunta de telas de Antonio Bokel e TOZ, intitulada “Vice-versa”. Amigos desde os tempos de faculdade, a dupla exibe trabalhos complementares em sua simbiose.
Enquanto TOZ aproxima o grafite do universo das galerias, Antonio leva suas telas para respirar o ar das ruas. A exposição foi o encontro de dois caminhos, duas respostas para a mesma questão: como enxergar a cidade através da arte.

Muchachas na pista
Enquanto isso, do lado de dentro, Spark, destaque da primeira festa e único repeteco desse ano, não decepcionou. O catarinense mandou um set irretocável de tech-house, breaks e electro. Classudo demais.

Nepal entrando, Spark saindo
No auge da festa, 1h30, Nepal assumiu o comando. Era a estréia do Neskal, live pa da dupla Nepal e Fiskal. Infelizmente, por problemas pessoais, Fiskal não pôde se apresentar, deixando tudo a cargo do Nepal. O novo projeto com a marca do Apavoramento Sound System promete breakbeat com influências do funk de George Clinton e companhia. Promete e cumpre. Cheias de balanço, as produções agradaram em cheio, congestionando a pista quase imediatamente.
O Neskal mal começou e já está dando resultados. A primeira música de trabalho, “Don’t push”, recém-lançada pelo selo Groovemasters, do DJ espanhol Nitro, e está figurando no top 10 da Streetwise Music, uma das principais lojas do estilo.

MPC e Cristiano Dubmaster
Finalizando a festa, MPC e Cristiano Dubmaster (Nelson Meirelles faltou), mais conhecidos como Digitaldubs, purificaram o ambiente alternando graves chapados do reggae setentista e pedradas de dancehall e ragga. Deve ser a tal chave de ouro.
Rumo ao ano 3!
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo. Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.
Documentarista, jornalista, carioca, boto som mas não sou DJ e provavelmente passo tempo demais online.
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falaurbe [@] gmail.com

