10 de outubro de 2011 às 10h11
Gaby Amarantos, “Xirley”
A Beyoncé do Pará informa: “Pirataria é crime e pecado. Não transgrida a lei de Deus”.
A Beyoncé do Pará informa: “Pirataria é crime e pecado. Não transgrida a lei de Deus”.
Imagine se a “Mansão Thug Stronda” ficasse em Belém e fosse invadida pelo Avassaladores e o hit “Sou Foda”. Mas esse sotaque não engana, MC Metal e Cego são de Recife.
Letra, clipe, toada, o encontro do tecnobrega com o funk… Se você me chamar pra botar som por esses dias, as chances de tolar esse hit são altíssimas.
Passando a feira do Paar, a praça, dobrando pra direita no mercadinho, na penúltima casa antes da esquina, ao lado de um terreno baldio, há uma conexão de internet com tráfego de dados fora do padrão, onde se upa tanto quanto se baixa. É lá que David passa o dia inteiro sequenciando batidas no Fruity Loops, gravando vocais em uma cabine improvisada e distribuindo suas músicas via MSN para os DJs de aparelhagem e de rádios pirata. O calor é tanto que o corpo fica fraco e o raciocínio lento.
A percepção musical de David é fluida, sem divisão por gêneros. Se ele gostar de um barulhinho, uma melodia, então copia, passa um filtro e cola na próxima sequência. Demora meia hora. O que importa é a música “bater forte nas aparelhagens.”
Ao lado da casa de David, uns caras batem cimento pra levantar um muro. O pai dele era pedreiro, ele ia ser pedreiro também, mas comprou um PC usado, virou DJ David Sample e agora a renda da família vem das músicas que faz sob encomenda para equipes de amigos que vão juntos a festas, pequenos comércios e outras demandas inusitadas.
Um ano depois de realizado, Gustavo Godinho, co-diretor do doc “Brega S.A.”, lembrou de subir esse curta sobre mais um personagem do universo do tecnobrega.
O DJ Chernobyl mandou esse tecnobrega que produziu para Daniel Peixoto, vocalista do Montage.
Daniel peixoto FLEI (prod DJ Chernobyl feat Carol Teixeira) by Chernobyl
Take On Me (Dj Cremoso Remix) by Dj Cremoso
Blue Monday (Dj Cremoso Remix) by Dj Cremoso
In Bloom (Dj Cremoso Remix) by Dj Cremoso
Tem mais no Soundcloud do DJ Cremoso.
Os produtores do documentário sobre a cena tecnobrega do Pará, “Brega S/A”, dos diretores Vladimir Cunha e Gustavo Godinho, lançaram o filme para baixar sem custo no saite oficial do filme. Imperdível é pouco. Corre, corre, corre!
O livro “Tecnobrega, o Pará reinventando o negócio da música”, de Ronaldo Lemos, está a um clique de distância da sua “prateleira”.
Via O Dilúvio.
Finalmente o trailer de “Brega S/A”, documentário sobre a cena tecnobrega de Gustavo Godinho e Vladimir Cunha.

foto:Gustavo Godinho
Matéria sobre tecnobrega que escrevi para revista XLR8R.
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Brega, in Portuguese, means something of bad taste; it also refers to a genre of Brazilian popular music whose songs are usually about heartache, and include questionable use of synths and strings. Despite being virtually ignored by the media of Rio and São Paulo, brega has been hugely popular for decades with the favela dwellers of Northern Brazil, particularly in Belém do Para. Eventually, brega met electronic music, birthing the rudimentary dance music known as tecnobrega (roughly translated: “cheesy techno”).
Tecnobrega revolves around various soundsystems (aparelhagem), like Treme Terra Tupinambá (Tupinambá Ground Shaker) and Poderoso Rubi (Mighty Ruby); despite hailing from Brazili’s poorest regions, these soundsystems operate complex networks of computers, lights, special effects, and speakers.
The distribution of tecnobrega is similar to the hip-hop mixtape game in the U.S.. CDs are only sold in big, open-air markets; all copies are “pirated,” but getting music for free isn’t problem–it’s the solution. Selling mixtapes at the market is an artistic boon for the DJs, allowing them to increase their popularity and get more gigs.
To get more airplay, artists make special tracks praising radio stations and soundsystems. When you go to a concert, not only can you buy a copy of the gig as soon as it is over, but you can buy a copy beforehand, then give them your name and pay to have it shouted out during the show–the ultimate in customization. CD-Rs are so yesterday in this scene; even MP3 compilations with 10 albums on one disc are being replaced by DVD-Rs that hold multiple gigabytes’ worth of information.
Ronaldo Lemos, head of Creative Commons Brazil and professor at FGV Law School, believes tecnobrega is evidence of a new music-industry model. “In this scene, the ‘pirates’ are incorporated in the music business chain,” he says. “Nobody distributes music as cheap and as fast as they do. The appropriation of technology by the ghetto is happening globally. What’s cool is that they have created an environment where intellectual property is not an important factor in their business model.”
Belém native Vladimir Cunha–who’s directing upcoming documentary, Brega S/A–disagrees. “The only people who make money out of tecnobrega are the soundsystem owners,” he retorts. “Artists get paid really badly. On average, a six-piece band gets 150 dollars a gig. At first, piracy could be perceived as a good thing, because it’s spreading the artist’s work, but in fact they have to rely solely on live concerts to survive.”
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo. Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.
Documentarista, jornalista, carioca, boto som mas não sou DJ e provavelmente passo tempo demais online.
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falaurbe [@] gmail.com
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