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O fim do TIM


Fim de linha para o TIM Festival
foto: renateca

Apesar da Dueto, produtora do TIM Festival, ainda não ter se manifestado oficialmente sobre o fim do patrocínio, depois de um dia inteiro de buchicho, começaram a voar e-mails em tom de despedida e lamento, vindos de diferentes fontes, todas ligadas ao evento.

A pá de cal pode estar também relacionada aos problemas da última edição, constatação final de que o formato havia caducado. Os comentários da matéria do Globo Online que fala do cancelamento como uma possibilidade mostram mais descontentamento com o evento do que com o cancelamento:

“O evento virou uma bela porcaria, só besteira para cabeças ocas!!!! Quero o Free jazz de volta e produtores menos arrogantes” (a pessoa que escreveu não deve saber que os produtores do Free e do TIM são os mesmos)

“O evento a cada ano vinha caindo de atração e subindo de preço!!! Fui a todas as edições do festival e a última foi lamentável.”

“Vai começar a choradeira. Vai começar o papo furado de decadência do Rio, esvaziamento cultural, político e o escambau. Em vez de procurar outro patrocínio, vem choradeira e ameaças por aí.”

Uma pausa para o pensamento classe média carioca:

“Fazem bem..Estava virando um lixo. Enchendo de djs, musica eletronica..Estava quase chegando ao tal ‘funk carioca’. Melhor fechar mesmo!”

Seja como for, a notícia é ruim para o calendário carioca. Ruim com, pior sem. Sem falar que ficam lembranças de ótimos shows vistos no festival. Tomara que o vácuo seja rapidamente ocupado. Não dá é pra ficar sem os shows.

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Pleiba


foto: URBe Fotos

Do Globo On, sobre Kanye West no TIM:

(…) alguns músicos brasileiros teriam sido contratados para encenar a pseudo banda que, dizem, tocou atrás do cenário, onde, pelo menos na produção carioca, instrumentos foram montados. Mas a verdade é: a banda dele não veio (…) Como a imprensa paulistana levantou a suspeita do uso de playback, a produção do evento teria armado essa encenação para a noite carioca.

Acreditou na tal banda quem quis. Com aquele som, só podia ser base pré-gravada ou, no máximo, um DJ.

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Soltando o freio


URBe TV: Marcelo Camelo, “Doce solidão”

Sábado o TIM Fest tirou o a virilha da lama (porque o pé já tinha sumido lá dentro).

O grande show, em uma noite repleta de grandes shows (Gogol Bordello, Dan Deacon, Sany Pitbull, Neon Neon), foi o de Marcelo Camelo.

Sua estréia, “Sou”, tem sido duramente criticada e ninguém dava nada pela apresentação, mas Camelo cercou-se bem. E saber escalar uma banda é uma grande virtude musical.

Ao contrário do disco, onde a banda de apoio, o Hurtmold, parece andar com o freio de mão puxado, no show eles aceleram sem obstáculos. Ao vivo, as música decolam, ganham peso, nuances e uma pressão que falta nas gravações.

Bom exemplo disso é o momento em que, em vez de apresentar os integrantes individualmente, Marcelo simplesmente senta-se no chão próximo aos pedais de sua guitarra e é engolido pela catarse do septeto paulistano. Não há melhor cartão de visitas para eles.

Porém, há ma boa dose de exagero no balanço bastante positivo (e cego) que os organizadores fazem do evento.

Os problemas de som, embora suavizados, persistiram. O liberou geral dos ingressos (distribuídos aos montes) e a abertura das tendas mesmo para quem não tinha ingresso para o show, lotando o espaço com um público artificial, tumultuaram shows como o do Camelo.

Criou-se um precedente arriscado. Periga ano que vem ninguém comprar ingresso, apostando em uma nova distribuição de entradas quando bater o desespero na produção de ver as tendas vazias. É mais seguro pensar em um formato de festival de verdade (um ingresso para ver tudo) e preços mais em conta.

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Folêgo


URBe TV: Gogol Bordello, “Morena tropicana”

Os shows do Gogol Bordello exigem folêgo. Não apenas do elétrico vocalista, Eugene Hütz, mas também do público. Pulando sem parar, o ucraniano e sua banda mantém o show inteiro lá em cima, sem pausas pra respirar. O público foi junto, resultando na única catarse coletiva duradoura do festival. Um show com a cara do Rio, fanfarrão, animado e alegre.

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Neon


URBe TV: Klaxons, “Two receivers”

Contando com um cavalo na bateria segurando a onda das presepadas dos três homens de frente, Klaxons é uma boa banda, mas falta chão. Músicas como “Gravity’s rainbow”, “Atlantis to Interzone”, “Not over yet” seguram bem a onda, porém de maneira geral, falta dinâmica e melodias, porque depois de um tempo os loops cansam.

Após o show, os integrantes deixaram a Marina da Glória de táxi e acabaram parados numa blitz, onde tiveram bolsos esvaziados, viram fuzis bem de perto e saíram assustados. Que beleza.

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Sacode


URBe TV: Sany Pitbull

O maestro do funk, Sany Pitbull, sacudiu o palco aberto, encerrando o TIM Festival 2008. O cenário estava estranho, mas o Sany passa por cima de qualquer coisa.

Deu gosto ver o DJ feliz e mandando e-mail no dia seguinte amarradão, depois de tanta pancada que tomou esse ano, com a morte da sua empresária.

Sany aproveitou pra mandar o link pra baixar a sua Mixtape 2009 Pós Baile Funk e a lista de músicas:

1- Intro Gabi Conda
2 – Sany Pitbull – “Caraja’s Massacre”
3- Sany Pitbull – “Tambor Roll”
4- Sany Pitbull vs Daft Punk – “Da Funk Around the world”
5- Sany Pitbull vs Teriyaki Boyz – “Tokio Drift Funk”
6- Sany Pitbull – “Faroeste Rmx”
7- Sany Pitbull vs Madonna – “Hung up” (Baile Funk Mix)
8- Sany Pitbull – “Blues’n'Funk”
9- Sany Pitbull – “Arabian Lover Rmx”
10 – Sany Pitbull vs Deep Purple – “Smoke on the water Rmx”
11- Sany Pitbull – “Nightmare”
12- Sany Pitbull vs Daft Punk – “Technologic” (Baile Funk Mix)
13- Sany Pitbull vs Black Sabbath – “Infected” (Olelê Bass Mix)
14- Sany Pitbull feat. Dj Dedé Mandrake – “Tribos”
15- Sany Pitbull – Let your body rock – “Freestyle mix”
16- Sany Pitbull – “That P****”
17- Sany Pitbull – “Monotone” (Baile Funk Mix)
18- Sany Pitbull – “JB Beat”
19- Phabyo Dj – “Jungle Bass” (Carioca Funk Clube Mix)
20- Phabyo Dj – “Eletronic” (Carioca Funk Clube Mix)
21- Sany Pitbull feat. Juninho Carioca – “Beatch Brazil”

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Entrevista – MGMT

Uma rápida entrevista com o MGMT, na já tradicional invasão de camarim pós-show. Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser falam de suas impressões do Rio e comentam os preços insandecidso dos ingressos do TIM Fest.

A apresentação do duo e sua banda foi muito prejudicada pela péssima qualidade de som. Teve PA apagando, distorção, microfonia, estalos… O troço estava tão ruim que mais um pouco podia virar conceitual, como se o Stockhausen estivesse mixando o show. De mal humor.

O MGMT dividiu opiniões, teve gente que gostou e gente que odiou. Complicado a avaliar a banda, perdida na massaroca sonora.

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Carência


Sonny Rollins
fotinho fora de foco, feita lááá de longe
URBe Fotos

Para muito além da música, é impressionante como um evento cultural (como o Tim Fest) pode falar tanto de uma cidade (como o Rio) e do estado das coisas.

Um dos dias mais estranhos desse último ano em Londres foi quando descobri, por acaso e apenas no dia seguinte, que havia ocorrido uma etapa do Red Bull Air Race na cidade. No dia do evento, circulei bastante e não notei nada de diferente. Nenhum tumulto, nada de confusão. A corrida só aconteceu para quem esteve interessado em acompanhar.

Quando esse evento (ou outro do mesmo tamanho, ou até menor) acontece no Rio, a cidade pára. Não interessa se você não se importa com corrida de aviões, você está fadado a passar o domingo preso em engarrafamentos e outras alegrias do gênero.

O motivo é muito claro, tem a ver com a carência (não só) do Rio por grandes eventos minimamente bem produzidos — além, óbvio, da infra-estrutura precária. Lembrei dessa história ontem, durante o show do Sonny Rollins.

É essa carência que desperta a quantidade gigante de reclamações em relação ao evento, da produção a escalação. São tão raras as chances de se ver algo interessante que faz disparar o nível de exigência quando elas aparecem, no que em outras circunstâncias deveria ser apenas um show.

Se isso explica os ânimos exaltados em relação ao Tim Fest 2008, não justifica erros como o PA magrelo, sem graves e estalando, os atrasos e o desrespeito com as leis.

Uma das principais reclamações é em relação ao preço dos ingressos, absurdos de caro, ainda mais se comparados com os 100 reais cobrados pelo Planeta Terra pra ver todos os shows da escalação oferecida por eles.

A julgar pelos comentários que se ouvia antes do show, Sonny Rollins deve ser um dos maiores nomes da música no Brasil. A quantidade de vezes que eu ouvi “cara, não perderia esse show por nada, ele é incrível” (o adjetivo da vez, incrível, normalmente é dito com uma expressão meio blasé) faz pensar porque o show do sujeito não é uma data oficial do calendário do Rio.

Carioca é um bicho esquisito. Qual o problema de dizer que estava indo lá atrás da lenda, para conhecer mesmo? Acredito até que essa é uma das funções do evento, divulgar e criar público para a boa música. Não sou entendido em jazz (o que eu conheço um pouco mais e gosto é o samba-jazz brasileiro) e não vejo problema em admitir que se ouvi três músicas do Rollins na vida, foi muito.

O show foi OK, muito prejudicado pela tradicional má qualidade de som (fritando sem parar), por uma iluminação multi-colorida mais apropriada ao Cirque du Soléil e, principalmente, pelo tamanho do lugar. Será sempre um mistério incompreesível porque investem tanto dinheiro em cenografia em vez de equipamentos (e técnicos!) de som de qualidade, num evento de MÚSICA.

Certamente a intenção ao colocar o Sonny Rollins no maior dos palcos foi a melhor possível. Acontece que um show de jazz não cabe num lugar daqueles. Como alguém comentou, “jazz não combina com PA”. Ainda mais com os BPM lentos das músicas tocadas. Perdido, lá no fundo da tenda, entre o vai e vêm das pesssoas, a reação involuntária era a dispersão.

Nas mesas em volta a fumaça subia, sem pudor, apesar do aviso de “proibido fumar” e de uma lei em vigor no Estado. Perguntei ao segurança a respeito disso e a conversa foi curiosa.

Segundo ele, a “orientação era pra não incomodar quem estivesse fumando”. Ué, mas não é uma lei? “Pra você ver…”. Num momento em que se fala tanto em mudanças, é assustador ouvir um troço desses. Mudanças, sim. Lá no quintal dos outros, né.

Na Casa da Matriz, onde a fiscalização está batendo forte, contam que a orientação aos seguranças é bem outra. Na marca do pênalti pra perder a licença, a Casa está cumprindo a lei bonitinho. Como no exterior, além da educação, é a pena que faz a lei ser seguida. A produção do Tim Fest talvez não esteja preocupada com a fiscalização.

Como ia dizendo, um simples evento de música pode falar muito de uma cidade e sua sociedade. Vai vendo.

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Tim Fest 2008

Saiu a escalação da mais mansa de todas as edições do TIM Fest 2008.

Rio de Janeiro

Marina da Glória

23/10 – 20h
Rosa Passos

23/10 – 21h
Sonny Rollins

24/10 – 20h
Carla Bley / Stacey Kent / Esperanza Spalding

24/10 – 21h
Kanye West

24/10 – 22h
The National / MGMT

25/10 – 1h
Instituto apresenta “Tim Maia Racional”

25/10 – 20h
Bill Frisell / Tomasz Stanko / Enrico Pieranunzi

25/10 – 21h
The Gossip / Klaxons / Neon Neon

25/10 – 22h
Marcelo Camelo / Paul Weller

26/10 – 1h
Tim Festa: Dan Deacon / DJ Yoda / Sany Pitbull / Música Magneta / Junior Boys / Gogol Bordello / Switch / Database

São Paulo

Auditório Ibirapuera

21/10 – 20h30
Sonny Rollins

22/10 – 20h30
Carla Bley / Stacey Kent / Esperanza Spalding

23/10 – 20h30
Marcelo Camelo / Paul Weller

24/10 – 20h30
Bill Frisell / Tomasz Stanko / Enrico Pieranunzi

25/10 – 20h30
Rosa Passos

Parque do Ibirapuera

22/10 – 21h
Kanye West

23/10 – 21h
The Gossip / Klaxons / Neon Neon

24/10 – 19h
Tim Festa: Dan Deacon / DJ Yoda / Sany Pitbull / Música Magneta / Junior Boys / Gogol Bordello / Switch / Database

25/10 – 21h
Cérebro Eletrônico / MGMT/ The National

Auditório Ibirapuera – ao ar livre

25/10 – 11h
Sonny Rollins

Vitória

Teatro UFES

25/10 – 20h30
Stacey Kent / Carla Bley

26/10 – 20h30
Siba / Gogol Bordello

27/10 – 20h30
The National / MGMT

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