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Arquivo: torrent

Guia: como lucrar com o compartilhamento gratuito de conteúdo

Era pra ser um vídeo contra o compartilhamento não-autorizado de conteúdo, feito por uma cineasta como parte de uma campanha anti-pirataria.

Mas… É um atestado de como é possível monetizar na era digital mesmo cedendo o conteúdo “de graça”, uma lição de formato de negócios dada pelos piratas para um indústria que continua insistindo em operar no formato antigo.

Sinto-me confortável para falar a respeito: meu documentário “Dub Echoes” circula em torrents desde sempre (em duas versões, uma delas não finalizada, isso sim me incomoda) e não vejo como algo negativo tanta gente querendo assistir o filme. Não enxergo como vendas perdidas, mesmo porque as vendas foram muito superiores a expectativa da Soul Jazz Records.

Fico é triste assistindo isso, porque se isso fosse um formato estabelecido, o filme poderia até ter capitalizado. Pirataria sempre vai existir, mas o principal motivo desses saites estarem lucrando tanto (o que não está correto, de maneira nenhuma) é o fato do espaço não estar sendo explorado oficialmente.

Se todo filme ou disco tivesse esse planejamento, as pessoas correriam para os canais oficiais, até pela facilidade, e esse lucro poderia ser revertido para os criadores de conteúdo.

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Vodo

Vodo é um canal de distribuição de filmes via torrent focado em conteúdo disponibilizado gratuitamente pelos próprios produtores, com remuneração expontânea feita pelos usuários. Não é uma novidade, porém iniciativas como essa vão popularizando um formato de negócio que muitos apostam ser um caminho viável para o mercado independente.

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Lily Allen, troca de arquivos, olho grande e onde você entra nisso tudo


“Desconstrução”: meu primeiro milhão?

A notícia se espalhou rapidamente: a cantora Lily Allen criou um blogue e convidou os artistas contrários ao compartilhamento de arquivos para se manifestarem no novo espaço.

A atitude causa espanto, pelo simples motivo de que Lily Allen deve sua carreira justamente a internet. Um dos primeiro casos de sucesso do MySpace, foi o burburinho na rede que fortaleceu seu nome.

A decisão de criar o blogue veio em resposta ao movimento Featured Artists Coalition, que inclui nomes como Radiohead, Pink Floyd, Blur e  Robbie Williams, criado para tentar brecar a ameaça de censura na rede que ameaça o Reino Unido.

A FAC no entanto defende as trocas não comerciais de arquivos. Os que fazem uso comercial dos arquivos trocados, cobrando pelos downloas ou por streamings, por exemplo, devem ser mesmo alvo das leis já existentes.

A exemplo da França, o projeto de lei britânico utiliza a música como desculpa, mas vai bem além, pois propõe vasculhar todas as trocas de arquivos feitas na rede, as legais e as ilegais, a de quem troca músicas e a de quem nunca fez e nem pretende fazer isso na vida. Todos serão vigiados.

É uma questão de privacidade do interesse de todos. Aqui no Brasil, a ameaça é a medonha Lei Azeredo, nos mesmos moldes da França e Inglaterra.

Ao indicar que é favorável a proibição das trocas de arquivo Lily Allen pisa num terreno perigoso. E sua atitude pode (e provavelmente será) usada como bandeira de políticos com interesses duvidosos.

A cantora argumenta que é muito fácil para artista estabelecidos como os do FAC defenderam o livre compatilhamento de arquivos após terem construído suas carreiras (e fortunas) no modelo antigo, vendendo discos. Seria injusto com os novos artistas defender o “liberou geral”, privando-o dessa fonte de renda.

Como argumento, Lily diz que apesar de alguns artistas lucrarem com shows, as pessoas envolvidas no processo de gravação não seriam remuneradas.

Estou pra ver técnicos de som, designers, divulgadores e etc. que recebam participação nas vendas de discos, em todo caso, seria um problema de fácil solução, bastando que os artistas pagassem pelas gravações independente de serem comercializadas ou  não (como aliás já devem fazer).

O que parece mesmo é que Lily Allen (e outros artistas) está de olho mesmo é numa fatia de um bolo que não existe mais. Num pensamento torto, a menina deseja os lucros provenientes de um outro formato de negócio, que caminha para extinção.

Quando dirigi o documentário “Desconstrução”, sobre as gravações do mais recente disco do Chico Buarque, “Carioca”, pensei sobre a mesma coisa, embora de brincadeira.

O DVD com o filme vinha encartado com a edição especial do CD e considerando que as vendas do disco foram boas, se fossem outros tempos talvez tivesse vendido aos milhões. Teria ficado milionário com a participação nas vendas.

A pegadinha é o seguinte: se fossem os tempos pré-digitais, dificilmente teria tido a chance de sequer ter feito o filme, principalmente pelos custos de produção e falta de acesso aos equipamentos necessários. Muito menos ter lucrado alguma coisa direta ou indiretamente com ele.

Não dá pra entrar nessa viagem. São dois tempos distintos, quase sem cruzamentos. O negócio é parecido, mas mudou bastante.

Portanto, em vez de reclamar que seus discos não vendem, Lily Allen deveria simplesmente aproveitar uma carreira que, se fossem outros tempos, talvez ela sequer tivesse.

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Motim


ahã.

Semana passada, para surpresa de alguns, o Pirate Bay foi vendido para uma empresa sueca por 7,7 milhões de dólares, uma bela soma para um saite dito altruísta.

O choque se dá pelo fato do saite, sinônimo de troca de arquivos utilizando o protocolo bit torrent, pregar, muitas vezes de maneira infantil, contra quem lucra com a venda de conteúdo de entretenimento.

A discussão sobre verdadeiras motivações do Pirate Bay já vinha esquentando. Se até um partido político foi fundado para defender a filosofia da livre troca de arquivos foi feito, o fato do saite lucrar com a venda de anúncios já gerava desconfiança, por ser no mínimo incoerente com seu discurso.

Questões parecidas atormentam o YouTube. Criado para hospedar conteúdo gerado pelo usuário, o que realmente gera acesso são vídeos ripados de  programas de TV, clipes, músicas e filmes protegidos por direito autoral e disponibilizados no saite sem compensação financeira para os autores.

Não apenas as sociedades arrecadadoras de direitos autorias não concordam com os valores de pagamento propostos pelo YouTube, como também não está claramente definido os direitos e compensações sobre o uso de conteúdo inédito gerado pelos usuários.

A polêmica sobre quem paga essa conta é uma das principais discussões do setor. Fala-se muito sobre como a troca de arquivos é uma excelente forma de divulgação, de maneiras com as quais saites podem monetizar a rede que criaram e até como compensar os usuários que fazem os arquivos girarem.

Fala-se pouco sobre quem vai pagar a conta da produção dos conteúdos disponibilizados. Fala-se menos ainda sobre uma questão mais espinhosa: e quem não quiser fazer parte disso, por não enxergar essas trocas gratuitas como algo vantajoso?

Ao menos em teoria, deveria caber aos criadores de cada obra a decisão sobre a maneira como a quer ver circulando. Embora existam muitos artistas (músicos e cineastas) que espontânemente disponibilizam suas obras gratuitamente, porém, tudo indica, o que circula forte nas redes são conteúdos protegidos.

Agora que os novos donos do Pirabe Bay começam a apresentar o plano de negócios, totalmente baseado na comunidade construída no saite, fica a sensação de que os usuários eram na realidade ativos de uma empresa.

Mais do que isso, mesmo para quem não é contra a troca dos arquivos, fica agora um gosto amargo. Falo de cadeira, pois tenho vários filmes que produzi e dirigi espalhados por bit torrents, sem ver maiores problemas nisso.

Entretanto, uma coisa é ver o seu trabalho distribuído livremente, chegando a milhares de pessoas gratuitamente. Outra, totalmetne diferente, é ver gente lucrando bastante com isso.

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Pirataria

O Pirate Bay foi condenado das acusações de pirataria e agora recorrerá da sentença. Após o veredito, o Spectrial, blogue hospedado dentro do PB e que cobriu  o julgamento, sediou uma coletiva on line com um dos fundadores do saite.

A postura galhofeira e de adolescente rebelde, dos integrantes do PB não deve estar ajudando muito. Embora legítima, é preocupante que a tática tem sido alegar que não são responsáveis pelos arquivos trocados na rede ou que saites como o Google também oferecem links para conteúdo protegido.

Preferiria ver o ponto de que troca de arquivos para uso não comercial não deveria ser considerada ilegal e pronto. Porém, é compreensível que dado o alarme da situação, esse seja o primeiro passo.

O caso é complicadíssimo e está longe do fim. O futuro da era digital aguarda o resultado.

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A geração do meio


O horizonte é digital e, por agora, essa é a única certeza
foto: _ares_

Espremido entre duas eras — a passada e a que se desenha — os que hoje tem aproximadamente entre 20 e 30 anos são os que mais sofrem com a transição do formato analógico para o digital. Tateando o mundo novo, a geração do meio paga o preço de viver num tempo de inovações, correndo o risco de ser resumida a um elo entre duas épocas prósperas.

O leque é amplo, mas provavelmente afeta mais aqueles que trabalham na área de cultura/informação/tecnologia. Não à toa, o embate analógico vs digital ocupa tanto espaço no imaginário desses indivíduos .

Os que trabalharam na indústria fonográfica até um pouco além da metade dos anos 90, sentiram na pele (e ainda sentem) o baque dessa transformações. Nos nem tão distantes tempos pré-digitalização, disco era um negócio que dava dinheiro. Muito. Com as mudanças impostas pela novas mídias esse mercado encolheu, e hoje definha.

Uma coisa, porém, é um fato: bastante gente acima dos 40, de artistas a executivos e lojistas, costurou seu pé de meia nos tempos de fartura. Não se trata de uma “crise” de formatos. O que se atravessa é uma crise de continuidade, de perpetuação, da insistência por um modelo com o qual se está acostumados.

O futuro é digital, não adianta espernear. O que começou com os discos, hoje atinge a indústria do cinema, os grandes jornais, os produtores de software, enfim, se alastrou. Não há dúvida de que, em termos objetivos, essas mudanças são para o melhor.

Mais pessoas tendo condições de produzir e distribuir seu trabalho é bom para quem cria. A facilidade de acesso a esses trabalhos é bom para quem consome. O encontro dessas duas pontas, faz com que o trabalho encontre mais púbico, sem (ou com menos) intermediários, o que é bom para ambos.

Muito do que é distribuído on line voluntariamente por seus criadores tem em vista os chamados ganhos laterais. Espera-se que com a exposição surjam outras oportunidades. Para os músicos pode ser mais shows; para os jornalistas, convites para escrever em grandes publicações; para os cineastas, novos trabalhos; e assim segue.

Hoje há quem resista aos torrents, esmurrando a ponta da faca e tentando impedir a troca de arquivos. Isso não vai acontecer. O que ocorrerá, muito em breve, é justo o contrário.

Tanto os grandes conglomerados de mídia quanto os independentes brigarão por um lugar nesses espaços, simplesmente porque é ali que as pessoas estão indo buscar entretenimento. Será difícil se destacar. Estar presente no catálogo de um ripador de filmes (o sujeito que digitaliza e disponibiliza o filme on line) como o  aXXo, um dos mais respeitados e seguidos no meio (segundo me disse o Mateus), será indispensável.

A grande falha desse sistema é que ele ainda não se definiu como um formato de negócios. Se no futuro o ripador puder até vir a ser pago pelos estúdios para hospedar e distribuir seus filmes e o público tiver livre acesso ao conteúdo (o que, de fato, já tem), quem paga a conta? Porque o filme (ou o disco, o livro, fotografia, etc) continuará tendo custos para ser produzido, isso não muda.

Para estúdio de Hollywood, com dinheiro em caixa, esse modelo até pode ser viável num primeiro momento. Para os independentes, nem tanto, visto que o investimento para entrar no mercado é muito alto e nem sempre os ganhos laterais são palpáveis. Um filme, por exemplo, não tem a opção de se apresentar ao vivo.

Sendo assim, corre-se o risco de se replicar as falhas do modelo anterior, onde só quem tinha recursos financeiros próprios (ou acesso a eles) podia produzir. Seria um retrocesso. Outras opção seria essas atividades culturais tornarem-se hobbies, um tanto incerto se isso seria algo positivo ou negativo.

As primeiras respostas para essas questões normalmente passam pela publicidade, anúncios e patrocínios. É um pensamento imediatista, que faz sentido num primeiro momento. Porém, torna toda a cadeia dependente de uma única fonte de recursos, que logicamente é limitado.

O ideal, claro, seria que os consumidores pagassem diretamente aos criadores, mas isso não parece realista. Mesmo porque, devido a facilidade de acesso, por menor que fosse a quantia a ser paga, a quantidade de produtos que se consome aumentou muito, tornando inviável equilibrar essa conta. Seria ingênuo imaginar que o consumidor estará disposto a aumentar os seus gastos ou que consumirá menos para se adequar.

A solução chegará, é inevitável. O problema é para quem vive entre esses dois momentos, o passado e o futuro. São pessoas que não usufruíram dos benefícios do velho modelo e que agora esperam resistir até um novo formato de negócio se estabelecer.

É a geração do meio, a generation in between pra intercionalizar, cujo símbolo bem poderia ser o CD, uma mídia transitória, que provocou modificações tão grandes que terminaram por decretar seu próprio fim. É uma ambiguidade sem tamanho viver numa época de tantas mudanças positivas, onde coisas antes inimagináveis hoje são possíveis e, ainda assim, não enxergar perspectivas concretas.

Enquanto as resposta não vem, batuco textos nesse saite, produzo filmes de maneira independente. É tudo uma enorme aposta, onde os ganhos podem ser tão grandes quanto o prejuízo. Dedos cruzados.

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