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Meninada Casio


URBe TV: Casiokids, entrevista (legendada) + “Togen hule” ao vivo

Esse Casiokids foi uma das melhores coisas que vi esse ano. Em termos de música eletrônica ao vivo, fica lado a lado com o Soulwax. É muito bom ver um show em vez de assistir um sujeito no laptop.

Bati o olho num EP independente deles na na Rough Trade um tempo atrás, achei o nome curioso, mas não comprei na hora. Quando voltei, já tinha acabado. Procurando por links no Rapidshare, Zshare, Hype Machine e Google não achei anda. Sei lá como esses caras fizeram pra esconder as músicas deles on line hoje em dia.


Casiokids – “Fot i hose”

Nem vale a pena tentar definir o som do Casiokids. Tem referências bem diversas, de música africana a eletrônica maximalista. A galera no palco e a quantidade de teclados lembra o Hot Chip; a pegada alucinada de pista o Soulwax; os ruídos eletrônicos o Late of the Pier; o teatro de sombras, as cabeças de papel machê e o monstro vermelho que invade a platéia, o Flaming Lips.

A música da vídeo entrevista que abre o texto é “Togens hule”, mais calminha, logo na abertura do show. O encerramento foi com o coice “Fot i hose”, clica aí em cima e sente a pressão. A verdade é que estava querendo tanto ver esse show que filmei logo a primeira música pra ficar quicando o resto da noite.


Casiokids – “Gront lys i alle ledd”


Casiokids – “Togens hule”

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Saudades de Londres 06


URBe Fotos

Dirigir, principalmente numa cidade grande, deve estar no Top 3 de piores programas inventados pelo homem. No Rio ou em São Paulo então, nem se fala. Numa cidade onde o transporte público funciona de maneira exemplar, o carro (particular ou táxi) deixa de ser algo essencial.

O lado ruim é que a maior parte dos ônibus e o metrô param de operar por volta de meia-noite, então isso acaba funcionando como uma forma de controle social, um toque de recolher mal disfarçado.

Mesmo com os transtornos e chateações causados pelas restrições dos horários de funcionamento, poder circular pela cidade sem a dor-de-cabeça dos carros ainda é um sonho distante num certo lugar.

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Saudades de Londres 04


Borough Market, o mais conhecido


Broadway Market, um dos muitos escondidos pela cidade
fotos: URBe Fotos

Em poucos lugares do mundo você pode almoçar um sanduíche de chorizo espanhol, adoçar a boca com uma baclava turca e arrematar com um açaí brasileiro ou um suco de acerola (pra matar as saudades), enquanto passeia por barracas de queijos franceses, salsichões alemães, falafel árabes e caldos africanos. Tudo preparado com produtos originais, por pessoas desses países.

Nos mercados de comida de Londres, dos mais conhecidos, como o gigantesco Borough Market, aos menores e mais escondidos, isso é quase uma regra.

Não é tão barato quanto uma ida a feira, é um programa como, sei lá, ir ao cinema, mas vale cada centavo. Porque comer é bom demais.

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Festa estranha, com gente esquisita


Durrr e Boys Noize
URBe Fotos

Segunda, feriado em Londres, foi um dia estranho.

Começou com a organização confusa do Notting Hill Carnival, praticamente impedindo a circulação das pessoas pelas áreas que interessavam, e continuou com um quase-confronto com Tricky (irritado por ter que dividir uma mesa num restaurante em que não há outra maneira de sentar, sendo que foi ele quem chegou depois).

Já de madrugada, enquanto Andrew VanWyngarden, do MGMT, circulava pelas redondezas como se estivesse vestido para um show, uma das festas mais comentadas de Londres, a Durrr estava começando.

Surgida após o fim da Trash, a qual muitos creditam o “renascimento” do rock e o “fim” da ditadura eletrônica nos clubes, ambas foram concebidas por Erol Alkan, dessa vez um pouco mais distante, sem ocupar o posto de residente dos embalos de segunda a noite na The End.

Misturando os tais “novos sons” com pepitas da antiguidade, aparentemente foram absolvidas pela passagem do tempo, toca um pouco de tudo.

Na pista 1, o convidado da noite, Boys Noize, mostrava um techno com influências de electro, retão, sem melodias, pálido em comparação as seus remixes distorcidos. Apesar de misturar os mesmos dois estilos, não teve um pingo da elegância do eletechno de sua conterrânea, Ellen Allien.

Na pista 2, “Electric feel” (MGMT) e “Sensual seduction” (Snoop Dogg) revezavam-se a “Papa don’t preach” (Madonna) a “Buffalo stance” (Neneh Cherry), algumas das músicas em versões remixadas, com graves lá em cima e batidas quebradas e secas.

A Durrr é a única festa que acontece na The End que tem um código de vestimenta, apesar de nunca ser esclarecido exatamente que código é esse. Com isso, muita gente é barrada na porta, perguntando, um tanto humilhados, “o que está errado comigo?”.

Por algum motivo, a festa não pega. Parte da culpa é do público, posudo e preocupado demais em chocar, fantasiados de assaltei-o-armário-da-minha-avó. A outra parte pode ser creditada a produção da festa e da boate.

Na entrada, uma menina levou um belo esporro por ter ousado pagar a entrada de 6 libras em moedas (a caixa argumentava que não podia perder tempo contando moeda, pois queria dançar).

Na pista de dança, duas meninas tomaram uma chamada do segurança ao dar um pulinho para se abraçarem quando se encontraram. Na área de descanso, quem tirar um cochilo é acordado com uma faixo de luz na cara.

Nesse clima, realmente é difícil qualquer festa empolgar Pode ter sido só essa noite, mas que foi estranho, foi.

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Saudades de Londres 03


Cat & Mutton, em London Fields
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Diferente dos bares e botecos brasileiros, os pubs londrinos não costumam ter garçons, servem cerveja quase quente (as vezes sem gás) e a decoração lembra mais a de um café. Alguns deles oferecem shows de bandas que eventualmente estouram.

A bebedeira exagerada é um dos grandes problemas sociais ingleses e a rapaziada realmente pega pesado. Mesmo assim, existem algumas pérolas que parecem distante disso tudo. Cat & Mutton, Jaguar Shoes, Hoxton Grill (em Hackney) e The Old Bank of England e Ye Olde Cheshire Cheese (no centro) são visitas imperdíveis.

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Saudades de Londres 02


URBe Fotos

Não interessa se é num lugar fechado, ao ar livre, numa casa bacana ou mesmo de graça numa loja de discos: a qualidade de som nos shows é uma coisa impressionante.

O cuidado se justifica, afinal trata-se “só” do aspecto técnico e de produção mais importante de uma apresentação de música.

Depois de um ano de som sempre limpinho, bem definido e equalizado, dá arrepios só de pensar em voltar a encarar as tradicionais massarocas sonoras do Brasil, mesmo em eventos com grandes patrocínios, que supostamente teriam dinheiro pra fazer diferente.

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Eletroacústico


URBe Fotos

Inicialmente, os concertos do Stockhausen Day no Royal Albert Hall, parte do BBC Proms, estavam programados como comemorações de 80 anos do compositor alemão.

Após sua inesperada morte, em 2007, os concertos tornaram-se um tributo ao pai da música eletroacústica, um dos mais polêmicos compositores do século 20. Sua obra é tão complexa e experimental, que são as raras as chances de ouvir suas peças tocadas da maneira que foram concebidas, ou mesmo próximo disso.

No dia 02 de agosto, a sinfônica da BBC, com três orquestras tocando simultaneamente, executou duas partes de “Klang” (peça dividida em 24 partes, uma pra cada hora do dia”, “Klang, 13ª hora” (pela primeira vez no Reino Unido) e “Klang, 5ª hora” (pela primeira vez no mundo), além de “Gruppen” e “Kontakte eletrônica “Cosmic Pulses” e da eletrônica “Cosmic pulses”.

Bela homenagem para o mestre, que será novamente homenageado em Londres, em novembro, num festival no South Bank Centre.

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Família Kuti


URBe TV: Seun Kuti & Egypt 80
fotos: URBe Fotos

Talvez antes mesmo do aspecto musical, o Lovebox, festival de dois dias organizado pelos integrantes do Groove Armada, se destaca pela comida. Reunindo algumas das melhores barracas do Borough Market, quase vira uma tarde gastronômica.

No domingo, os shows de Sebastien Tellier (divertido como sempre), Roni Size (fora de lugar e com o som sem pressão), Buraka Som Sistema (sacudindo a gringalhada), Operator Please (tocando numa cabana tosca), Goldfrapp (fraquinha e brega que só ela), Flaming Lips (também com som ruim), equilibraram a equação.

Quem fez a diferença mesmo foi Seun Kuti, filho mais novo do criador do afrobeat, Fela Kuti.

A frente do Egypt 80 desde a morte de Fela em 1997, nessa que foi sua última banda, Seun Kuti prova que não é um mero herdeiro aproveitador.


Seun Kuti & Egypt 80

12 dos 16 integrantes são veteranos das longas noitadas comandadas pelo pai no The Shrine, sua própria casa de shows — diários! — em Lagos, na Nigéria. É difícil imaginar que músicos desse nível aceitassem ser comandandos por qualquer um.

O caminho escolhido por Seun é mais próximo do pai e diferente do traçado pelo filho mais velho de Fela, seu meio-irmão Femi Kuti (que tocou na derradeira edição do Free Jazz Festival, em 2000), vez ou outra acusado de amaciar o afrobeat para ouvidos estrangeiros.

É uma encruzilhada sem solução aparente: se a escolha é atualizar os camihos, é chamado de água com açucar, se a opção for dar continuidade, pode-se facilmente ser chamado de oportunista.

Felizmente, isso não está acontecendo com Seun, cujo disco de estréia “Seun Kuti & Fela’s Egypt 80″ está sendo bastante elogiado.

Além do quê, com a leva de afrobeat brotando nos EUA, através do Antibalas, Nomo, Amayo’s Fu-Arkist-Ra ou Ocote Soul Sounds, nada mais justo que o filho do homem também tenha direito a dar sua contribuição.

Durante o show, lembrei da Nação Zumbi e de como seria injusto se não tivessem tido a chance de continuar sem Chico, um direito muito bem exercido por eles. Teríamos perdido uma bela banda e um dos melhores shows brasileiros.

A relação musical de pai e filho no caso dos Kuti, é bem diferente, por exemplo, da dos Marley. Seun toca com a Egypt 80 desde os 8 anos (Femi também) e assim como o pai, foi para Inglaterra estudar música.

Ele tem carisma, energia e talento próprio de sobra, ainda que a semelhança física com Fela (menor que a de Femi) e o jeito de dançar possam criar uma atmosfera saudosista.


Fela Kuti, no Shrine, no documentário,
obrigatório, “Music is a weapon”.

Abrindo o show com uma música de seu pai, “em respeito”, como Seun mesmo disse, suas próprias músicas não ficam para trás.

As frases dos metais grudam na cabeça já na segunda volta, as levadas de guitarra, simples e funcionais fazem a cama para hipnose, enquanto o baixo e a percussão lá na frente vão empurrando o conjunto. A sonoridade solidifica-se na dança das duas vocalistas de apoio.

Se tem um lugar no Brasil onde seria interessante ver esse show acontecer, seria Salvador, talvez fora do carnaval. Seria curioso ver as reações, do público e da banda (Lucas Santtana, dê um alô sobre o assunto!).

Seguindo os politizados passos do pai, letras falam do sofrimento africano e clamam por mudanças. “Quero fazer afrobeat para minha geração. Em vez de ‘levante e lute’, será ‘levante e pense’”, disse em entrevista ao Independent.

É curioso como tanta gente gosta de música politizada, mas poucos gostam de política. Em vez de instigar a consciência, esse tipo de música faz o contrário; como se suprisse a necessidade diária de cada cidadão de se indignar. Como se ouvir um disco bastasse.

Seun Kuti segue lutando para que a música continue sendo uma arma.

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A volta


URBe TV: The Mars Volta
URBe Fotos

Até você entrar em sintonia com a aparente esquizofrenia que está acontecendo no palco, o show do The Mars Volta é um bocado assustador. Alto, agressivo e confuso.

Não é fácil de digerir a massa sonora, misturando a velocidade do speed metal com divisões de jazz, vocais de Robert Plant com trejeitos de Mick Jagger, ruídos industriais com feedbacks de guitarra, camadas de teclado perfuradas por saxofone, percussão e improvisos quilométricos.

Já haviam dito que Roundhouse, local do show, era uma das melhroes, se não a melhor, casa de Londres. E de fato, é.

Construído dentro de um antigo moinho, o espaço circular (por isso o nome, Roundhouse) oferece uma visão de 180° do palco, possibilitando assistir o show de ângulos normalmente reservados para quem está com uma credencial no peito.

Pena que a programação é muito irregular. Com a demolição do Astoria definida, quem sabe alguns shows não acabam indo parar lá.


The Mars Volta

Passados alguns minutos, um transe coletivo toma conta da platéia. A sonoridade, quase anti-social, não deixa espaço pra respirar. Uma experiência tão intensa que as pessoas quase não se movem.

Liderados pelo guitarrista Omar Alfredo Rodríguez-Lopez e pelo vocalista Cedric Bixler-Zavala, o septeto pode ir do Hurtmold ao Justice, via rock progressivo, em meio acorde.

Quando a apresentação termina, a banda sai do palco sem dizer uma palavra, como no resto do show. Se o recado era de que se tratava de uma das bandas mais originais em atividade, nem precisava falar nada mesmo.

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Rock Werchter ’08: Festa no interior


URBe TV (com excessão do Radiohead) e
URBe Fotos (inclusive as fora de foco)

Como dito anteriormente, todos os caminhos apontavam para Bélgica. O que pode ter faltado foi placas sinalizando melhor as intempéries.

Após quatro dias enfiado na lama e cercado de adolescentes bêbados, a maratona de shows do Rock Werchter 2008 ficou assim:

Vampire Weekend, The National, Shameboy, Lenny Kravitz, R.E.M., Soulwax, My Morning Jacket, Jay-Z, Duffy, The Verve, Hot Chip, Digitalism, MGMT, Band of Horses, Kings of Leon, Ben Harper, Sigur Rós, Radiohead, Hercules & Love Affair, Mark Ronson, The Racounteurs, Justice e Beck.

Uma sequência dessas apaga qualquer má impressão que um festival muito bem organizado, porém mal produzido, possa deixar — afirmação parece antagônica, mas não é. Os principais problemas foram a superlotação e a má distribuição do espaço.

O bom é que passada as chateações, ficam apenas as recordações dos shows. E que shows.

Dia 1onde os urubús tem asa


Uniforme

Werchter é uma pacata cidade, de poucos habitantes, no interior da Bélgica. Não tem nada perto, ou mesmo longe. Como é que um lugar desses faz pra reunir uma escalação desse peso — e sem o nome de nenhuma mega corporação intrometida no logo do evento — é um mistério.

Parte do intuito da ida a Bélgica era desvendar esse segredo, seguindo uma dica quentíssima de uma pessoa que por motivos profissionais já visitou praticamente todos os principais festivais do planeta (mesmo), apontando Werchter como o melhor.

Como comparação, foi dito que barrava o Coachella. É uma afirmação bem ousada, pois escalações a parte, o evento californiano tem algo que os festivais europeus não tem (tirando os espanhóis): certeza de dias ensolarados.

Nunca quis ir para o zoológico de Glastonbury justamente porque assistir a shows de galocha, com barro até os joelhos, vestindo uma capa e tremendo de frio não é exatamente meu ideal de uma tarde agradável.

A decepção com o ensopado verão europeu doeu ainda mais ao descobrir que, não apenas Werchter também é bem molhada, mas os frequentadores estão muito pouco preocupados com o que se passa nos dois palcos.

E tem também a bebida. No Coachella não é permitido circular com bebidas alcóolicas fora da área determinada, o que acaba deixando as coisas bem mais calmas. Já na Europa, os festivais são uma espécie de primos distantes do carnaval, com ênfase nos desastres.


Vampire Weekend, “A-Punk”

No primeiro dia, enquanto a maior parte do público se esbaldava nas poças e curtia o som comercial do quiosque patrocinado por uma rádio (estranhamente uma das maiores áreas do evento), o Vampire Weekend tocava na tenda.

O show é rápido e direto, emendando todas as músicas do disco sem intervalos. Animados com a reação da platéia, o vocalista do Vampire Weekend elegeu os belgas como os melhores dançarinos da turnê.

Isso porque eles ainda não foram para o Brasil. Torça para esse show aterrisar por aí, porque é coisa fina.

Antes do próximo show interessante da noite, o R.E.M., tocaram os Chatolas do The National (com “C” maiúsculo mesmo) e o farofeiro Shameboy quase levou a tenda abaixo.

Começando bem, com músicas de seus primeiros discos, Lenny Kravitz descarrilhou no final e fanfarronou como de costume. Quando finalmente chegou a vez do R.E.M., o som do palco principal deixou o público na mão. Baixo e embolado, como se fosse no Brasil, mal dava pra ouvir as músicas.

Uma pena, pois o repertório estava caprichado, abrindo com “Orange crush” e fechando com “Man on the moon”.


Soulwax, “Robot rock” + “Phantom Pt. II”

De volta a tenda, os heróis locais Stephen and David Dewaele encarnaram sua faceta de banda a frente do Soulwax.

Bastante coisa mudou no Soulwax do show no Tim Festival 2004 para cá. Se antes a banda era uma mescla de rock e electro (tendendo mais para o primeiro), sob o nome Soulwax Nite Versions ênfase é na eletrônica, tocando seus remixes ao vivo. Stephen e David se dividem entre sintetizador, vocais e ocasionalmente guitarra, com um baterista somando-se a dupla.

Emendando “Gravity’s rainbow” (Klaxons), “NY Excuse” (deles mesmo, explodindo a tenda), “Robot Rock” (Daft Punk) e “Phantom Pt. II” (Justice) fizeram uma das apresentações mais legais da música eletrônica recente (tem notado como os live PAs andam sem graça? ou é comigo?).

Os irmãos ainda voltariam mais tarde, com seu projeto mais conhecido, o 2ManyDJs, antes do show do Chemical Brothers encerrando a noite no palco principal. A essa altura, com os ossos enxarcados, o banho quente e a cama gritavam bem alto, tão alto que foi impossível não atender a seus apelos.

Dia 2lá vem o sol


Jay-Z

Vir, vir, o sol não veio, mas pelo menos a chuva também não. Começando o dia devagar, o My Morning Jacket fez um show correto, mas repetitivo e um tanto cansativo na tenda. No palco principal, e cedo, a presença mais comentada no circuito de festivais de verão desse ano mostrou que não estava a passeio.

Bom de palco que só ele, Jay-Z veio com banda, o que costuma ser a diferença entre um monólogo de rap terrívelmente insuportável e um belo show.

Sem vergonha nenhuma, botou a branquelada pra rebolar ao som de sucessos seus, com sua participação ou com seu dedo: “99 problems”, “Crazy in love” (Beyoncé), “Umbrella” (Rihanna) e a música da estação, “American boy” (Estelle).

A distância entre o Jay-Z, brincando no palco, para a insossa Duffy na tenda era maior do que a caminhada em si. Sem graça, apelando para seduções baratas e com uma voz de pato, ao vivo a loirinha não segura a onda. Aliás, nem em disco.

No palco principal (eita, vai-e-vem…), o reunido The Verve angariava seus tostões simulando um retorno do brit-pop, que nem está tão longe assim ainda.


Hot Chip, “Ready for the floor”

A nerdice tomou conta da tenda, lotada para ver os ingleses do Hot Chip. Não dá pra dizer exatamente o que é, mas falta alguma coisa ali.

Pode ser o vocal, sempre no mesmo tom e sem dinâmica, pode ser a transposição das músicas para o palco, pode ser o excesso de esforço para parecer bacanas. Pode ser qualquer coisa, a bem da verdade, mas que falta algo, falta.

O show deu uma crescida em “Over and over” e na ótima “Ready for the floor”, ficando curioso na versão de “Nothing compares 2 U”, do Prince, imortalizada por Sinead O’Connor.


Digitalism

Cheio da onda, com cenário especial e tudo mais, o Digitalism era aguardado ansiosamente na tenda, super lotada.

Devido ao excesso de empolgação dos integrantes, o show quase se perde. É um tal de vir a frente do palco pra cantar ou fazer danças esquisitas, tocar bateria eletrônica com baqueta e pedir gritinhos que fazem pensar nos clichês do que é o “DJ Ibiza”.

Entretanto, a pancadaria do som é tão forte que sossega até a dupla. Contrariando a “tendenssa” atual, nem todo show de música eletrônica é feito para ser assistido. O Digitalism certamente funciona melhor de olhos bem fechados.

Dia 3dobradinha histórica


MGMT

Provavelmente por estratégia do festival, todos os dias algumas das bandas mais esperadas tocavam bem cedo. O MGMT entrou no palco 13h25.

A impressão deixada no público no show de Londres, dois meses atrás, não foi das melhores. Grande parte saiu do show antes do fim.

É aquele negócio de banda de internet. Muita gente só conhece uma música e, talvez nivelando por baixo, espera mais dez iguaizinhas. Quando elas vem diferentes entre si — o que deveria ser uma boa coisa — a turma impaciente do hype debanda.

O MGMT é um prato cheio pra esse tipo de reação. O disco é bem diverso e ao vivo as músicas ganham roupagens de rock psicodélico que assustam quem está a fim de só “mandar um dance”. O pouco espaço de tempo entre os dois shows cancelam a idéia de uma evolucão da banda, mas o fato é que o show de Werchter foi infinitamente melhor do que o de Londres.

O repertório estava mais bem distribuído, a banda mais entrosada e o público mais atento. Os músicos fizeram tudo que o professor mandou e… Brincadeira. É que essa frase acima parecia resenha de futebol.

Show bom bagarái. Vamos ver como será recebido no Brasil.

O Band of Horses adormeceu a galera na tenda antes do Kings of Leon fazer justo o contrário no palco principal. No caso do KoL, a distância entre o fraco show no Brasil e o que a banda vem apresentando atualmente é o suficiente para apontar uma evolução.

Os integrantes tocam e parecem não estar nem aí, como se aquilo não fosse nada ou não estivessem empolgados. Vai ver não estão mesmo. Pouco importa. Com uma das músicas mais tocadas nos intervalos dos show, “On call”, e lançando um disco melhor do outro, o KoL já provou que cresceu.


Sigur Rós

Tudo que é bom tem seu preço. No caso do show do Sigur Rós, era aturar o Ben Harper destruindo, uma a uma, suas melhores músicas. É um caso ainda mais grave do que o do Lenny Kravitz. Era de se esperar que depois de três discos excelentes, o sujeito estivesse encaminhado. Mas não.

Inacreditavelmente, vieram bombas atrás de bombas (com excessão de “Woman in me”, um musicão) e, hoje, assistir um show do Ben Harper é, infelizmente, uma dureza.

Divida paga, os islandeses do Sigur Rós fizeram valer o esforço.

Com um dos cenários mais bonitos do festival e chuva de papel picado no encerramento contra um céu rosado pelo pôr-do-sol, os islandeses domaram a platéia, conseguindo silêncio geral. Até mesmo um lamentável grupo de trintões que insistia em brincar de botar um pinto de borracha na boca para aparecer no telão ficou quieto. A tarefa não era fácil, acredite.


Radiohead, “Climb up the walls”

Duas bandas tão distantes e estranhamente próximas como Sigur Rós e Radiohead, tocando uma após a outra, é pra jogar as mãos pro céu.

A grande “falta de sorte” foi que o repetório dos ingleses foi bem parecido com o da apresentação no Victoria Park, com pouquíssimas alterações.

A inclusão de “Paranoid android” fez valer o ingresso. Novamente, o clássico (é, já) “In rainbows” foi tocado quase integralmente e “Climb up the walls” surgiu numa versão dub de cair pra trás de tão boa.

Obviamente, o festival inteiro queria assistir o show colado no palco, o que ocasionou um espreme-espreme raro por essas bandas. Na tentativa de evitar o tumulto no final da apresentação, escolhi sair antes da última música pelo vão onde fica a equipe técnica, alegando que era impossível atravessar a massaroca de gente.

Sem saber, foi um prêmio. Sabe-se lá porque, o caminho levava até a boca do palco, a cinco metros da banda tocando “Everything in it’s right place”, antes da saída. Só não deu tempo de sacar a câmera pra mais uma foto fora de foco.

Dia 4arrancada final


Hercules & Love Affair

Arrebentado, com os pés doloridos das benditas galochas e mal alimentado (o Rock Werchter é o paraíso das porcarias), o último dia começou bem mal com o Hercules & Love Affair.

O grupo mal consegue ser uma paródia de si mesmo, com músicos fracos, versões magras e a ausência da voz do Anthony (and the Johnsons). Toma um baile, fácil, fácil, do Celebrare no quesito disco-music águada para casamentos.


Mark Ronson

Eis que surge Mark Ronson e sua banda gigante, os Version Players, chegando a somar 19 músicos no palco em alguns momentos. A idéia por trás do projeto é tão simples que soa até boba. A princípio. Como um DJ, Ronson comanda uma sessão de versões de hits do rock, hmmm… contemporâneo.

Lembra um pouco a proposta da Orquestra Imperial, fundada pelos produtores Berna Ceppas e Kassin e reunindo músicos amigos pra tocar músicas que influenciaram suas carreiras. A diferença é apenas cultural, o que cada um ouviu de seu país enquanto crescia.

Produtor conhecido pelo trabalho com Amy Winehouse e Lilly Allen, Mark Ronson entorta as músicas até ficarem quase irreconhecíveis, criando uma unidade sonora impensável entre “Toxic” (Britney Spears), “Just” (Radiohead), “Stop me” (The Smiths) e “God put a smile upon your face” (Coldplay).

O show é praticamente um portifólio itinerante, mostrando o talento de Mark Ronson na produção. O único detalhe é que é um show tão intenso e empolgante que as pessoas sequer pensam nas músicas originais. É como se tudo fosse material inédito.

O show agrada desde o indie mais exigente até quem nunca ouviu falar em Mark Ronson antes. Impressiona também porque, com tantas participações especias no disco, seria difícil imaginar as versões sem seus intérpretes.

A catarse provocada por “Valerie”, logicamente sem Amy Winehouse nos vocais, prova o contrário.

Mais tarde, Ronson ainda deu uma canja no palco do Kaiser Chiefs.


Racounteurs

Já em seu segundo disco, não se sabe até quando o Raconteurs será chamado de “projeto paralelo do guitarrista Jack White”. O White Stripes parece cada vez mais distante, ainda mais vendo o estrago que White pode fazer com uma banda completa.

Sem a responsabilidade de prover ao mesmo tempo a melodia e a base, White ganha mais espaço para explorar seus talentos na guitarra, no piano ou mesmo no vocal. O resto da banda também não é nada boba, resultando num show mais redondo que o do White Stripes.


Justice

O que não é um conceito. Ouvindo os zilhões de ruídos e distorções do Justice, fico pensando o que aconteceria com a dupla se vem vez da opção por um show encenado, tentassem fazer um simples DJ set com as mesmas músicas.

Se a pista ficaria vazia ou não é pura especulação. De qualquer forma, é inegável o apelo das referências ao rock e ao metal (jaquetas de couro, amplificadores Marshall e, claro, as cruzes). Como no caso do Daft Punk, não é apenas um show de música, é também uma espécie de peça teatral.

Nesse contexto, as críticas de que os shows são sempre iguais, com pouquíssimos adendos, e acusações de que é tudo pré-gravado (na montagem do palco um roadie apertou algum botão por acidente e em vez de uma nota ou algo parecido, disparou foi a base de “Genesis”, prontinha) perdem um pouco o sentido. Teatro é assim.

O perigo é os atores começarem a acreditar nos papéis e quererem se transformar nos personagens. Sinal amarelo para a pose da foto acima, que durou uns 20 segundos, mais pra Poison do que pra Metallica.


Beck

Fechando a tampa, o grande Beck, um tanto apagado e acompanhado por uma banda meio frouxa,mostrando músicas do novo disco, “Modern guilt” e alguns de suas melhores canções.

Entre “Loser”, “Devil’s haircut”, “New polution”, “Where it’s at”, o grande momento foi “Everybody’s got to learn sometime”, do The Korgis, que fez parte da trilha do filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”.

Moído, restava uma última coisa a fazer: sair correndo para escapar da sequência letal Underworld / Nightwish.

São e salvo.

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Quando menos é mais


URBe TV: Radiohead, “There, there”
URBe Fotos

A estratégia de lançamento de “In rainbows”, com vendas estritamente on line e com o preço dado pelo comprador, foi tão surpreendente que passou-se mais tempo falando disso do que do fato que trata-se de um dos melhores (e mais acessíveis) discos do Radiohead.

Tocando para uma multidão no Victoria Park, na primeira passagem da atual turnê por Londres, o quinteto conseguiu transformar as novas canções em algo ainda melhor, sem deixar quase nenhuma de fora. A abertura foi do Bat for Lashes, bem bom.

O som cristalino que saia das caixas era de chorar. Papo de ouvir os mínimos detalhes, o som dos dedos dedilhando violões ou o piano. É raro ouvir algo tão bem equalizado, principalmente ao ar livre.

Fechado em seu mundo particular, o guitarrista e programador John Greenwood divide-se entre xilofone, teclados, rádios a pilha, arco de um violoncelo e disputa atenção com o dono da banda, o vocalistaThom Yorke.

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O show é muito simples e é justamente aí que está o truque.

Das timbragens dos intrumentos a execução das canções — mesmo com as constantes mudanças de formação de palco, indo de guitarras, piano, baixo, bateria e programação para voz e violão de uma música para outra — não tem firula.

radiohead_victoriapark.jpg

O cenário resumia-se a um conjunto de luzes retangulares colodidas, pendurados do alto do palco, com um telão no fundo. Dividido horizontalmente em cinco partes, sempre mostrando detalhes dos integrantes em câmeras fixas. As imagens ganhavam mais tratamentos e diagramações nos telões laterais.

Menos é mais, as vezes dizem por aí.

radiohead_telao_victoriapark.jpg

Talvez a única crítica negativa ao show seja o exagero de marcações de palco para as câmeras funcionarem a contento. Thom Yorke também abusa dos trejeitos, mas a essa altura, já faz parte do espetáculo.

Em seu momento politizado, puxou um coro de “Free Tibet”, sentado ao teclado coberto com uma bandeira da terra dos monges, antes de desembocar “Everything in its right place” (uma mensagem subliminar?) e caminhar rumo ao encerramento, com “Idioteque”.

Com sete discos lançados, mesmo num show de pouco mais de duas horas, sempre falta muita coisa. O que é ótimo, sobram surpresas para as próximas apresentações.

obs: meu futuro vizinho virtual Gustavo Mini, a quem finalmente conheci no mundo real, fala do aspecto “verde” do show no seu Conector.

O repertório do show, fora de ordem, segundo a memória de Pedro Seiler:

“15 Step”
“Bodysnatchers”
“All I Need”
“The National Anthem”
“Pyramid Song”
“Nude”
“Arpeggi”
“The Gloaming”
“Dollars and Cents”
“Faust Arp”
“There, There”
“Just”
“Climbing Up The Walls”
“Reckoner”
“Everything In Its Right Place”
“How To Dissappear Completely”
“Jigsaw Falling Into Place”

Bis 1:

“Videotape”
“Airbag”
“Bangers ‘n Mash”
“Planet Telex”
“The Tourist”

Bis 2:

“Cymbal Rush”
“You And Whose Army?”
“Idioteque”

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Ecos-ecos-cos-cos-sssss

A primeira edição da festa Dublime na Fabric trouxe uma escalação em sintonia com um certo documentário.

De Lee Perry a Pole, passando por Don Letts, Congo Natty, Kode 9 e alguns dos principais nomes do dubstep, do jungle e do UK Roots, o evento foi um passeio pela linha evolutiva do dub, do berço jamaicano a improvável vertente alemã.

Com três pistas rolando simultaneamente, o esquema era cruel: escolhia-se um nome pra conferir, perdia-se, no mínimo, outras duas coisas muito boas.

Embora não seja uma presença rara em Londres, sendo de Leeds, o Iration Steppas teve prioridade. Tocando na menor pista, com MCs exaltando o time e um grave de amassar o peito, a versão de “Welcome to Jamrock” já valeu o set.

Don Letts fez um set pesado pacas, misturando digidubs com roots, transformando num presente o atraso para o início da apresentação do Lee Perry.

Em sua passsagem pelo Brasil, em 2007, acompanhado por uma banda que não era a sua usual, Lee Perry já fez mágica num pé só (o outro estava engessado), imagina acompanhado por Adrian Sherwood.

Além das bases e efeitos caprichados de Adrian, o grande barato da apresentação é que ela dura exatamente o tempo que Lee Perry leva para pintar um de seus quadros, no palco.

Misturando grafite com as pinceladas naïf, características da decoração do seu chamuscado estúdio, a Black Ark, Perry fala sem parar, entre improvisações e trechos de clássicos como “War inna Babylon”, “Curly locks”.

Perry é primeiramente um produtor, não um artista (embora tenha gravado várias músicas), então o ideal seria vê-lo mixando, coisa que ele já não faz mais.

O show é sim morno, mas isso pouco importa quando se está cara a cara com uma lenda da dimensão (dimensões?) de Lee Perry, com um pincel na mão, pintando os braços de quem os esticasse em sua direção.

Na outra pista, logo na sequência, o Pole tocou com um laptop, mixando e aplicando os efeitos ao vivo, através de uma mesa.

Resvalando no minimal house e mais dançante do que se poderia imaginar pelos discos, o alemão tem mesmo os dois pés no dub, por mais que diga em seu saite que é apenas uma influência.

Com os ouvidos zunindo de tanto grave, a parcela dubstep ficou pra depois.

A escalação completa da festa:

Pista 1 – ROOTS
Lee Perry Soundsystem & Adrian Sherwood (LIVE)
Dillinja (Valve Recordings)
Congo Natty aka Rebel MC (LIVE)
Caspa & Rusko (Dub Police), Loefah (DMZ/ Deep Medi)
Don Letts (Dub Cartel Sound System)
Souljazz Soundsystem
MCs Pokes, Warrior Queen & Rod Azlan

Pista 2: TEC
Pole (LIVE) (Scape/Mute)
Sleeparchive (LIVE)
Kode 9 (Hyperdub)
Scuba (Hotflush)
Pinch (Tectonic/Planet Mu)
Appleblim vs Peverlist (Skull Disco/Punch Drunk)
Downshifter (Skud/Hyponik)
MCs Flow Dan & Rogue Star

Pista 3 – POOM
Iration Steppas (Sub Dub)
Moody Boyz (Studio Rockers)
Antisocial (Deep Medi)
Blackdown & Dusk
Earl Gateshead (Trojan Sound System)
Jonny Trunk (Trunk Records)

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Pronto


fotos: URBe Fotos

A exposição de street art da Tate Modern, em Londres, está “aberta”. Como os artistas foram convidados para pintar fachada do museu, basta passar pela porta para conferir.

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A primeira vez


MGMT, “Electric Feel”
fotos e vídeo: URBe

Sob o som de um delicado dueto de flautas, os integrantes do MGMT entraram em cena, um por um, adicionando seus intrumentos ao arranjo e mostrando que o viria a seguir não seria muito parecido com o disco “Oracular Spetacular”.

Ao longo da noite, as muitas referências de Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, da disco ao folk, do pop a eletrônica, foram se desmachando no palco, até uma se sobrepor a todas as outras: o rock psicodélico

As flautas etéreas se revelaram uma comprida introdução para uma versão mais chapada de “Electric Feel”. A partir daí, foi como se o repertório do disco estivesse sendo tocado de trás pra frente, sempre com mais peso na guitarra. O resto dos hits ficaram guardados para o final.

Vestido com uma túnica colorida e faixa no cabelo, apesar de não escrever as letras, o vocalista Andrew VanWyngarden dá o tom do show. New age, neo-hippie e viajandão.

A lista de ingressos para imprensa e convidados, por exemplo, estava atrelada a uma contribuição de cinco libras para uma instituição de caridade escolhida pela banda.

Numa pausa entre as canções, o vocalista VanWyngarden, olhou o Astoria de frente e disse “nunca tocamos num lugar tão grande”. O público parecia tão assustado quanto ele.

Pode ser que o nervosismo, a falta de quilometragem na estrada ou que o som embolado tenham atrapalhado a banda, mas o fato é que muita gente saiu antes do final do show.

Antes de debandar, uma dessas pessoas teclava no celular (impossível não ler aquela telinha azul piscando na sua frente no escuro…) algo como “meu Deus, o MGMT é o pior pesadelo do Pink Floyd”.

A reação é compreensível. Ao vivo, a banda não atende as expectativas pop criadas pelas músicas de maior sucesso de “Oracular spetacular”.

Não que isso seja exatamente uma crítica negativa. Simplesmente, as músicas não surgem tão dançantes e estruturadas como em boa parte do disco.

Certamente, é bem diferente do que se pode esperar — a escolha de tocar uma versão de “Mindless child of motherhood”, do Kinks, não deixa dúvidas disso.

Isso não quer dizer que seja ruim, apenas diferente do que se espera, o que é até bom. Sabendo disso, na segunda vez possa ser ainda melhor.

Depois de saírem brevemente do palco, Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser voltaram, sozinhos, para cantar “Kids” sobre uma base pré-gravada. Em seguida, parte da banda também voltou e tocaram uma música inédita, “Dancing on the beach”.

Num bate-papo rápido após o show (que será extendido numa entrevista, a ser feita nessa sexta), Andrew van Wyngarden disse que estão muito empolgados com a ida ao Brasil, confirmando que irão tocar no TIM Fest.

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Street art na Tate Modern



fotos: URBe Fotos

A partir dessa sexta, 23 de maio, a fachada da Tate Modern se transformará numa gigante exposição gratuita de street art.

Já se vão cinco anos da mais recente onda de intervenções urbanas (não, não é uma novidade) e essa será a primeira mostra desse tamanho numa instituição do porte da Tate.

Os trabalhos já começaram. Entre os artistas convidados, estão os brasileiros Os Gêmeos e Nunca. A ausência mais sentida é a de Banksy, que recentemente organizou sua própria mostra, o Cans Festival.

Prezando pelo anonimato, provavelmente ele não toparia agir com data e hora marcada, ainda mais na Tate.

Banksy já grafitou os degraus de entrada da Tate Gallery com os dizeres “Mind the crap”, ou “Cuidado com a bosta”, fazendo trocadilho com o clássico alerta do metrô londrino “Mind the gap”, sobre o espaço entre os trens e as plataformas.

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LOTP, de novo


URBeTV: Late of the Pier
fotos e vídeo: URBe

A dica era quente, veio diretamente de um dos Digitalism, em uma mini-entrevista em novembro de 2007. Desde então, o estranho nome ficou na cabeça: Late of the Pier.

Levou alguns meses até aparecer o primeiro show, quando foram a grata surpresa da noite, abrindo para o Justice no Astoria, seguido por um como atração principal na ULU.

Com o lançamento do disco chegando perto, as apresentações começam a se tornar mais frequentes. E apesar de ainda bem pequenas, também estão ficando maiores e/ou mais relevantes. Essa semana foi a vez do Camden Barfly, um lugar para 200 pessoas. Do jeito que a gente gosta.

Foi-se o tempo em que bandas fazendo propaganda (seja na TV ou em turnês patrocinadas) era queimação de filme e certeiras acusações de vendida. Nesse estranho mundo novo, é quase um status, atestado de “grandeza”, um grupo estar envolvido em algo assim.

A noite era parte de uma turnê chamada “Levi’s: one’s to watch”, e teve ainda o Collapsing Cities (OK), The Displacements (fraco) e A Place to Bury Strangers (bizarro e bom). Na banquinha que vendia material das bandas, um passo adiante (ou atrás) na nostalgia dos compactos de vinil: fitas demo. Fazia tempo que essas não apareciam.

O LOTP não parecia cansado do péssimo show da noite anterior, em Birmingham, como contou o baixista Andrew Faley. Elétricos e derretendo no palco, talvez movidos a MDMA, o quarteto fez a mesma bagunça que vem fazendo, misturando rock, metal, eletrônica, psicodelia e histeria adolescente.

Dia 18 de maio sai o primeiro single, um Lado A duplo, com as músicas “Space and the Woods” e “Focker”. O disco cheio vem na sequência.

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De fiesta


URBe TV: Café Tacvba, “Como te extraño”

Os sinais de que o público do comportado Barbican Centre no dia 03 de maio seria um tanto diferente estavam claros desde a entrada. Era noite de show do Café Tacvba, um dos maiores nomes do México e um imã para comunidade latina.

Em vez da tradicional pontualidade britânica (que, aliás, é papo sério), a quantidade de gente chegando em cima da hora, cantando, conversando alto e bebendo, não deixava espaço para dúvidas de que seria uma noite um pouco mais caliente que o habitual.

Os brasileiros radicados em Nova York, Forró in the Dark abriram a noite. Mesmo com um pouco mais de água na mistura do que o necessário, o grupo conseguiu agradar o público que estava lá mesmo para ver os mexicanos.

O Café Tacvba esteve no Brasil em 1997, sem muito alarde, no Festival Tordesilhas, organizado pela MTV, que trouxe também os colombianos Aterciopelados e os argentinos do Illya Kuryaki. A barreira da língua provavelmente explica porque a banda não faz o mesmo sucesso na terrinha comparado com o resto da América Latina.

Liderados pelo carismático vocalista /guitarrista Rubén Albarrán, o Café Tacvba, junto coma platéia, quebrou todos os protocolos do Barbican. Flashes eram disparados sem parar, as pessoas dançavam nos corredores e ficavam em pé nas cadeiras.

Não vai ser surpresa se o grupo nunca mais puder tocar na casa. Não bastasse o descontrole dos fãs com a avalancha de éxitos, enfileirando “No controles”, “Ingrata”, “Esa noche”, “Eres”, “Las flores”, “La locomotora” (cata no YouTube, estão todas lá), o vocalista resolveu convidar a turma para subir no palco. Obviamente, foi a senha para a invasão.

No final, com todos mais calmos, encerram a fiesta com “Como te extraño”, seu maior sucesso e a música que talvez melhor ilustre o título de “Paralamas do Sucesso mexicano”.

Na platéia, pipocavam bandeiras da Argentina, Venezuela e, claro, México. Só faltou a do Brasil.

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Onda


URBeTV: Lykke Li, “Beating it up”
vídeos e fotos: URBe

É sempre uma grata surpresa quando o show de abertura é melhor que a atração principal. Quando isso não se deve ao fato da estrela da noite ser uma decepção, mas por méritos próprios do convidado, é ótimo. Se você nunca tiver escutado o artista antes, melhor ainda.

Essas três coisas aconteceram ontem, no Scala, em Londres, quando a sueca Lykke Li tocou antes do francês Sebastien Tellier (e antes dos dois, com a casa praticamente vazia, Bridgette Amofah)


URBeTV: Sebastien Tellier, “Divine”

Mesmo que parte gráfica do seu lançamento mais recente, “Sexuality”, entregasse a cafonice bem humorada do trabalho, as credenciais do Sebasiten Tellier — disco produzido por Guy-Manuel de Homem-Christo (Daft Punk), elogios de Nicolas Godin (Air) — não davam a dica do que estava por vir.

Para construir um Sebastien Tellier brasileiro, seria preciso imaginar o João Brasil, preso no corpo do Paulo César Peréio, tocando o repertório de uma parceria imaginária entre Fausto Fawcett e Reginaldo Rossi. Ou algo assim.

Dançando totalmente desajeitado, o sujeito fez amor com o piano, com o pedestal do microfone, com a guitarra, se apalpou como se fosse o Michael Jackon, ignorou os pedidos para que falasse em inglês e fez piadas em francês, para alegria dos seus muitos conterrâneos presentes e se esbaldou no temas soft-porn, revezando-se entre o piano e a guitarra, com direito a solo de metal.

É até difícil não se distrair com o personagem criado por Tellier, totalmente embuído do tema do seu disco, levando a canastrice ao limite. Prestando atenção a parte musical, percebe-se que a piada tem conteúdo. O recheio é de boas melodias, teclados oitentistas, ecos de Jean Michel Jarre e instrumentos bem tocados por uma bom trio de apoio (baixo no sintetizador, bateria repleta de pads eletrônicos e teclados).

Divertido e engraçado, sem ser engraçadinho.

A loucura orgasmástica promovida por Sebastien Tellier não parece, nem de longe, relacionada com o nome escolhido para tocar antes dele. A atitude, cada um a seu modo, talvez seja o elo entre os dois.

Com disco produzido por Björn (do Peter, Björn and John) e tocando pelo mundo com Shout out Louds e El Perro del Mar, aos 22 anos a sueca está enturmada na cena de seu país. Aos poucos, vai ampliando seu território, arrastando um público considerável (e atento) para quem era a banda de abertura.

Lykke Li não faz o estilo menininha-de-voz-rouca que tem inundado o mercado atualmente. Apesar de baixinha e loirinha, se coloca no palco sem se preocupar exatamente se o cabelo vai estar despenteado — não estava.

Ainda que soe minimalista em diversos momentos, o som é cheio de detalhes e nuances, com elementos de folk e eletrônica, sem ser exatamente uma mistura disso.

Ao vivo, acompanhada por bateria, guitarra e teclado, os graves ganham mais peso. Além de cantar, Lykke brinca com um kazoo, batuca em tamborim e agogôs e arrisca umas pancadas na bateria.

No show, durante as músicas do disco em que seu vocal é dobrado, ela usa trechos pré-gravados para produzir o mesmo efeito. O curioso é que, em alguns casos, ela escolhe fazer o vocal de apoio ao vivo, em vez da voz principal.

Vestida de preto e dançando de maneira desconpasada, o foco é mesmo na sua voz, doce e angelical, quase infantil. Com essa descrição, poderia ser um desastre, rapidamente desmentido por faixas como “Little bit”, “I’m good, I’m gone” ou “Dance dance dance”.

Tem tudo pra decolar e o hype em torno do seu nome parece estar apenas começando, após passagens pelo festival americano SXSW e pelo programa de TV inglês “Later… with Jools Holland”.

Até onde vai, é com ela mesmo. Como disse o Berna, ao passar a dica, “ela tem onda”.

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Roni Size de volta

Enquanto o retorno do Portishead monopoliza a mídia e o Massive Attack promete trabalho novo para esse ano, outra banda de Bristol corre por fora na disputa por atenção.

Comemorando dez anos do lançamento do clááássico “New Forms” (na verdade faz 11 anos, o disco é de 1997), o Roni Size Reprazent está de volta aos palcos, numa mini-turnê pela Inglaterra que pousou no Scala, em Londres.

Parece que foi ontem. E vai ver foi mesmo. Hoje em dia basta parar dois anos para já falarem em reunião.

Estão cantando essa bola há um tempo: o drum ‘n’ bass irá ressurgir. Não que tenha ido muito longe, não faz tanto tempo assim que o gênero estava no topo de qualquer lista. Na apresentação dessa terça (a melhor da estada londrina desse escriba, até aqui), Roni Size relembrou porquê.

Com o Reprazent de volta, pode ser mesmo que algo esteja borbulhando no submundo do drum ‘n’ bass.

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Pancadas

Depois de abrir para o Chemical Brother e para Klaxons em suas duas últimas passagens pela cidade, finalmente o Justice fez um show como atração principal em Londres. O curioso é que, justo esse, foi o mais estranho dos três. Quem se destacou foi a molecada do Late of the Pier.

A banda já havia sido citada por um dos integrantes do Digitalism, em entrevista pro URBe”, no final do ano passado. Pouco depois, apareceram na coletânea Kitsuné Maison 5, com um remix do Fairy Lights para boa “Broken”.

Com integrantes na média de 21 anos, o Late of the Pier faz um rock dançante e sombrio, com fortes referências oitentistas, metal e uso de sintetizadores e, claro. No palco, o quarteto utiliza bateria, guitarra, baixo (esses dois se alternando seus intrumentos com sintetizadores Mini-Korg, com vocoder) e um sampler (MPC 1000) sendo tocado, em vez de simplesmente soltar bases e efeitos.


Late of the Pier

Totalmente alucinados, ao vivo o LOTP soa melhor que nas gravações. Talvez porque o grosso do que saiu até agora (com excessão de dois singles) são versões demo. O disco cheio está previsto para o primeiro semestre desse ano e está sendo produzido por Erol Alkan.

O evento era parte da NME Shockwave Tour, organizado pela revista mais desesperada em lançar candidatos a mais-nova-maior-banda-de-todos-os-tempos (no mínimo, uma por semana). Muito lida por adolescentes, estes eram maioria esmagadora do público.

A turma da frente não parecia simplesmente estar simplesmente esperando o Justice começar. Cantando as letras e pulando sem parar, a coisa beirava o tumulto. Principalmente por conta de uns óculos distribuídos de papel distribuídos antes do show (fazendo propaganda do próximo lançamento, “The bears are coming”), semelhantes aqueles de 3D.

As lentes produziam um efeito caleidoscópico, multiplicando os integrantes, distorcendo as luzes e as cores. A foto logo acima foi tirada utilizando os óculos como filtro e dão uma leve noção. Ninguém via nada direito, desorientação total.


Justice

Pra os que (ainda) acreditam que apresentações de artistas de música eletrônica são todas iguais — “o cara aperta play no computador e depois fica vendo e-mail” — uma sequência de shows do Justice mostra que não é bem assim.

Ainda que as variações possam ser sutis, com diferentes citações ou remixes, especialmente no caso da dupla francesa, barulhenta por natureza, um outro elemento pode fazer diferença: o peso.

Fechando a noite no Astoria, o Justice sentou a mamona, no que deve ter sido uma de suas aparições mais, hmm…, metálicas. Podreira pura. Tanta, que em muitos momentos só dava pra se defender da chuva de cotovelos. Seria bom se tivesse sido um pouco mais dançante.

A levada Jackson 5 de “D.A.N.C.E.” normalmente já vai para o espaço mesmo, via remix do MSTRKRT. Dessa vez, não sobrou nada, todas as músicas foram soterradas pelas pancadas. Coitado de quem vai parar no show levado por “D.A.N.C.E.”.

Não por acaso, o encerramento foi com um remix de “Master of puppets”, do Metallica. Vendo os dois de jaqueta de couro preta, cercados por pilhas de amplificadores Marshall, estava totalmente dentro do contexto.

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Festival Indie Rock, dia 2


Lúcio Maia
foto: URBe Fotos

Tudo borrado. Assim foi o show da Nação Zumbi, ontem no Circo Voador. Em uma situação pouco usual, como banda de abertura da noite, os recifenses fizeram, sem a menor dúvida, a melhor apresentação do festival.

A situação se explica. Originalmente, a Nação Zumbi não participaria do festival. Vieram substituir o Mombojó, que cancelou sua participação devido a morte de um dos integrantes, o flautista O Rafa. A noite também contou com os catárticos Móveis Coloniais de Acaju e com o The Rakes.

Os poucos que chegaram cedo tiveram a chance de assistir um show da Nação bem perto do palco sem ter que ficar espremido na multidão. Diferente de outra clássica apresentação da banda no Rio — a esporrenta e enxarcada apresentação no TIM Fest 2003 — o show foi pra trás. Denso. Bem enfumaçado.


Nação Zumbi,
“Maracatu atômico” + “Quando a maré encher”

Os clássicos da banda surgiram em arranjos diferentes do que costumam ser tocados, a maior parte em andamentos bem mais lentos que o normal.

“Rios, pontes e overdrives” ganhou intermissões de uma guitarra carimbó, “Maracatu atômico” surgiu com uma linha de baixo totalmente diferente. A tradicional participação de Toca Ogan nos vocais veio em forma de um dub acelerado, com ecos e delays pra todo lado.

É a banda se despedindo da auto-entitulada “psicodelia em preto-e-branco” de “Futura”, seu mais recente trabalho. Foi um show especial não apenas por isso, mas também por ter sido uma escapulida do estúdio, onde estão gravando o novo disco (já batizado, mas ainda segredo), com produção de Mario Caldato Jr.

Enquanto a banda deixava o palco, Lúcio Maia, como se estivesse à frente do seu Maquinado, fuçou a pedaleira até transformar uma nota de guitarra em uma sirene hipnótica.

É o aviso. A Nação provavelmente está prestes a confirmar, novamente, porque é a melhor banda do Brasil.

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Um pra trás, dois pra frente

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fotos: URBe Fotos

A 8a edição do Skol Beats será lembrada por uma decisão difícil: se retrair para poder expandir. Após os exageros do ano passado, quando quase 60 mil pessoas foram espremidas no sambódromo paulista, gerando inúmeros incidentes, não havia outro caminho a seguir.

A nova estrutura resultou num evento menor, em todos os sentidos. Com uma divulgação bem menos agressiva do que se viu em outros anos, e sem nenhum grande chamariz de público, em 2007 as atrações do Skol Beats foram divididas em duas noites, que receberam cerca de 14 mil pessoas cada, segundo as primeiras estimativas.

Se a decisão de diminuir para poder crescer (ou simplesmente poder continuar existindo) foi acertada ou não, só o tempo dirá. O que pode se dizer é que, certamente, foi o correto a se fazer.

Outra certeza é de que “Gravity’s rainbow”, do Klaxons, remixada pelo Soulwax foi a música da noite. Tocou pelo menos três vezes, em sets diferentes.

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Telão do VJ Bijari

Lembrando a edição 2005, quando Sasha deu um bolo, o fato mais comentado da primeira noite, na sexta, não foi um set, mas exatamente a falta de um dos nomes mais aguardados do festival, o MSTRKRFT, impossibilitado de embarcar em Buenos Aires, de acordo com as informações divulgadas.

No sábado, Cuban Brothers e Bonde do Rolê tocaram para um Campo de Marte vazio, no novo local do Skol Beats (ao lado do sambódromo). Quando a dupla AddictiveTV entrou, as 23h30, as coisas não estavam muito melhores.

Resumindo bastante, os VJs do AddictiveTV montam músicas utilizando samples retirados de imagens em movimentos (filmes, programas de televisão) colados sobre bases eletrônicas. A mistura vai de Antonio Banderas estalando os dedos à Willie Nelson soltando a voz. O grande barato é que você pode literalmente ver a fonte dos sons utilizados.

O remix de Cidade de Deus, trechos do filme “Italian job” original (com Michael Caine), “Blue Monday” (New Order) com Franz Ferdinand, The Doors e locuções do Sportv (demonstrando a agilidade da dupla, sampleando localmente) divertiram durante um bom tempo.

Se isso é interessante, não é o suficiente para segurar um set de uma hora. As bases muitas vezes são pobres e de gosto duvidoso, soando datadas. A parte musical teria que estar a altura das intrincadas montagens visuais, e não simplesmente servir as imagens, para a brincadeira funcionar redonda.

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Mixhell

Formado por Iggor Cavalera e Laima Leyton, o Mixhell chama a atenção primeiro, claro, pela presença do ex-baterista do Sepultura atrás dos toca-discos.

Uma vez começada a discotecagem, a música ganha destaque. Tocando disco punk, eletro e faixas com o baixo e bumbo distorcido marcantes das atuais produções francesas, Iggor filtra e acrescenta elementos as faixas através de sua MPC.

Justice, Nine Inch Nails, Klaxons (“Gravity’s rainbow”, Soulwax remix). LCD Soundsystem misturavam a frases no telão como “this is gonna hurt you” (“isso vai te machucar”). O momento mais bacana é quando Iggor assume as baquetas e faz as batidas eletrônicas ao vivo, utilizando também pads eletrônicos na montagem da bateria.

Enquanto isso, Laurent Garnier congelava o público na tenda The End com um set esquisito, emendando o hit disco “You make me feel (Mighty Real)”, doSylvester, com drum ‘n’ bass pesado. Bem estranho.

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Crystal Method

Tidos como o “Chemical Brothers norte-americano” nos longíquos tempos em que “Busy child” (aquela música do Fifa Soccer) era uma novidade, o Crystal Method transformou-se numa pálida versão do que um dia quase foi.

Mesmo com alguns bons breaks e pegada robótica, até hoje o Crystal Method não conseguiu produzir uma música sequer próxima do que foi seu único sucesso. O resultado disso é que, dez anos depois, a faixa ainda é guardada para o final da apresentação.

Utilizando o sucesso dos outros, a dupla tocou “Smack my bitch” (Prodigy), “Gravity’s rainbow (Soulwax remix)” (Klaxons) e fechou, surpreendentemente, com “Killing in the name” (Rage Against the Machine) em versão original e na íntegra.

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Simian Mobile Disco

Dos poucos nomes atuais na escalação do Skol Beats, o Simian Mobile Disco tocou com o dia clareando, devido ao atraso acumulado de uma hora dos shows o palco. Começando devagar, a dupla foi embalando na metade final.

O SMD enfileirou vários remixes próprios (“Windowlicker”, do Aphex Twin; “Whoo! Alright…”, do Rapture; “Magick”, do Klaxons), kuduro, colagens com trechos de Cansei de ser Sexy (“Let’s make love…”), Daft Punk (“The prime time of your life”), além das próprias “Hustler” e “I believe”, fechando a apresentação, com o dia claro.

Embora tivessem direito, afinal a música original é deles, a dupla não apelou para o remix do Justice para “We are your friends”. Mas também tocaram a música número um da noite, o remix do Soulwax para “Gravity’s rainbow”, do Klaxons, banda rpoduzida por James Ford, metade do SMD.

A impressão geral do Skol Beats foi de fim de festa, uma longa festa que já dura oito anos. O formato, dedicado somente a música eletrônica produzida por live PAs e DJs, mostrou-se esgotada. É hora de se renovar, para se manter relevante.

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360°

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Kassin + 2
foto: URBe Fotos

Quarta-feira foi o lançamento oficial de “Futurismo” no Rio (a versão japonesa, com seis faixas a mais e lançada no começo de 2006, circula na rede faz tempo), disco que registra a terceira encarnação do projeto mutante +2, dessa vez com Kassin como homem de frente. Antes dele, Moreno +2 e Domenico +2 fizeram o papel de líder do não-trio. Não foi o primeiro show deles, que já haviam se apresentado no Humaitá pra Peixe 2005.

O +2 fica só no nome. No palco, a formação conta com Stephane San Juan na bateria e o baixista Alberto Continentino (do instrumental ContinenTrio). No disco, dá pra perder a conta das participações: João Donato, Los Hermanos, Adriana Calcanhoto, o parceiro Berna Ceppas, Jorge Mautner, Nelson Jacobina, Pedro Sá, a filhota Nara, Bidu Cordeiro, Daniel Carvalho, Roberto Polo e Felipe Pinaud.

O show começou cedo, as 23h, contrariando os horários insanos comuns ao Teatro Odisséia. Também na contra-mão do usual, o som estava alto o suficiente para não distorcer os instrumentos, resultando numa clareza e definição raras de se ouvir. Quando algumas boas bandas independentes finalmente entenderem que amplificador e PA no talo mais prejudicam do que ajudam, a cena vai dar um passo e tanto pra frente.

Músicas delicadas como o samba “Namorados” e as bossinhas “Pra lembrar” e “Futurismo” (e os “neurônios saltitantes” da letra), ganharam com o som bem passado. Por outro lado, o blá blá blá provocado pela social e vai-e-vêm excessivos do público, prejudicaram os que queriam simplesmente ouvir as músicas ao vivo.

Como homem de frente, Kassin se sai bem e consegue driblar sua voz pequena, imprimindo personalidade no cantar. Tímido e um tanto desajeitado, Kassin se soltou em “Ponto final”, divertindo-se com a letra, que fala: “eu quero mesmo andar pra frente / ser mais esperto, bonito e inteligente / eu quero mesmo estar na moda / fazer ginástica e andar de bicicleta”.

Kassin aproveitou a música-título do disco, cantada por Domenico Lancelloti, para ir para o fundo do palco, onde parece mais a vontade operando suas traquitanas eletrônicas e sintetizadores. Com o microfone para si, Domenico cantou algumas canções do seu disco, “Sincerely hot”. Soltou os metais de “Possibilidade” através de uma MPC e em “Aeroporto 77″ ele brincou com a letra, sublinhando a frase “só dispersão, só dispersão”, reclamando discretamente do ruído provocado pela conversa da platéia.

Moreno Veloso tambem teve seu momento +2 e com a música do seu disco “Máquina de escrever música”. Sua releitura de “Deusa do amor” (Valter Farias, gravada pelo Olodum) foi uma das mais aplaudidas da noite.

Estreiando no acompanhamento do trio, substituindo Pedro Sá, o baixista Alberto Continentino também fez as vezes de guitarrista e ganhou elogios de Kassin ao ser apresentado: “no primeiro show ele já é o melhor da banda”.

O repertório deixou de fora uma das melhores do disco, “Mensagem”, que tem uma abertura feita com um vocal sintetizado de entortar as orelhas. Ou então essa foi uma das três primeiras, quando a fila pra entrar fez algumas pessoas perderem o início do show. “Tranquilo”, gravada por Thalma de Freitas em seu EP, encerrou a festa.

O balanço da guitarrada “Água”, com samples no estilo das aparelhagens de tecno brega, a esporração das guitarras do rock “Homem ao mar” ou “Astronauta”, sambas, ruídos eletrônicos e vários outros elementos de uma música brasileira bem além do ranço da MPB se encontram no mesmo disco, complementando uns aos outros, fazendo sentido lado a lado.

Com o lançamento do disco de Kassin se encerra o primeiro ciclo do +2. “Futurismo”, show e disco, olham pra frente e para trás, pra ontem e pro amanhã, para encontrar o agora. Uma visão 360° da música brasileira. Vamos esperar a próxima volta.

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O Globo, 26/05/2006

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Luke Jenner
foto: URBe Fotos

Matéria que escrevi para o Rio Fanzine sobre os shows do Rapture e Kasabian no Nokia Trends, México.

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Além dos 15 downloads de fama

No último final de semana, dois dos mais festejados nomes do novo rock, The Rapture e Kasabian, se apresentaram na primeira edição do festival Nokia Trends no México. O novato Art Brut também tocou e o mexicano No Somos Machos fez as honras da casa. A edição brasileira está prevista para o segundo semestre, ainda sem escalação confirmada.

Ocupados com a gravação de seus novos discos, o segundo de ambos, The Rapture e Kasabian andavam sumidos dos palcos e aproveitaram pra testar músicas que só serão lançadas oficialmente em setembro. Na internet, claro, sempre chega antes. “W.A.Y.U.H”, do Rapture, já está lá.

O segundo disco é sempre um momento crucial na carreira de um artista, principalmente quando vem após uma boa estréia. É a hora de confirmar o quanto foi talento e o quanto foi sorte e mostrar se tem fôlego pra construir uma carreira. A pressão do público, da crítica e até da própria banda é grande.

Mais do que isso, nesses tempos de MP3, o passado chega rápido e poucos grupos têm conseguido se manter em evidência até o tal segundo disco. Pode parecer lógico que o sucesso logo de cara ajude a banda, mas com a voracidade que o público consome música atualmente, perder o posto de novidade pode ser fatal.

Seja pela ânsia dos ouvintes, sedentos pela nova revelação da semana, seja pela pressa das próprias bandas, que algumas vezes queimam etapas e divulgam seu material antes mesmo de estar pronto, o fato é que, hoje, para muitos artistas a fama não dura mais que 15 downloads.

Talvez com essa preocupação, o Rapture tenha aguardado três anos para preparar o sucessor de “Echoes”. Ainda sem título, o disco foi produzido por Paul Epworth (Bloc Party) e Ewan Pearson e conta com Danger Mouse no comando da mesa em duas músicas.

O Rapture acredita que a exposição da estréia ajude.

— É difícil colocar seu nome na consciência das pessoas, esse é o maior desafio. Quando você faz isso, é questão de você ser bom ou não. Acho que nós somos bons e as pessoas já ouviram falar da gente, então agora podem decidir — conta Luke Jenner, vocalista da banda.

Mas será que não ser mais novidade ajuda ou atrapalha?

— É a nossa primeira vez nessa posição. É bom porque não tem mais “você é a banda do momento e eu não sei o que pensar porque todas essas pessoas antenadas gostam e eu não tenho certeza se gosto disso” — continua Luke.

O Kasabian não esperou tanto tempo para gravar “Empire”, novo disco que chegará às lojas dois anos após seu bem sucedido disco homônimo. Eles estão confiantes que toda atenção conseguida no começo jogará a favor.

— Os fãs vão ficar felizes, excitados e orgulhosos que a banda que eles disseram pra todo mundo que é boa não os decepcionou — diz o guitarrista Sergio Pizzorno.

Parte das primeiras gerações de grupos que tanto devem à rede sua divulgação mundial, o The Rapture e o Kasabian enfrentam o segundo estágio. A julgar pelas novas músicas mostradas no show no México, ambas as bandas parecem ter conseguido manter o nível dos trabalhos anteriores. É dar tempo ao tempo e descobrir se o público ainda vai ter interesse nesse vovôs precoces do rock.

Bruno Natal edita o URBe e viajou a convite da Nokia.

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Na maciota em Maceió


Cidadão Instigado, crepe com borda de queijo, Banda Só Bonecos,
Wado… Um passeio visual pelo FMI.
fotos e vídeo: URBe

Seguindo o caminho de outras cidades do Nordeste (Recife e o Abril Pro Rock, Natal e o Mada, etc.), o Festival da Música Independente de Maceió chegou decidido a colocar Alagoas no circuito nacional.

Qualquer eventual pensamento negativo despertado pela sigla infeliz do festival (FMI), se desfez com bons shows e boa organização.

Festivais como esse são importantes para fortalecer a cena. Não apenas no que se refere aos músicos e bandas, mas também as outras funções que cercam o assunto, da produção ao jornalismo.

Por exemplo, são sempre uma boa oportunidade para reencontrar e conhecer coleguinhas de outras paradas. Estavam lá o comparsa Matias, o pernambucano Xico Sá, os paulistas Marcelo Costa, Chris e AD Luna, os mineiros Mariana e Terence, além do carioca Julin. E assim as pontes vão se formando e as idéias circulando.

Misturando atrações locais (15 no total) com atrações de outros estados, o FMI reuniu 24 nomes com o objetivo de exibir e amplificar a produção alagoana e também outros estados do Nordeste (por isso tantos convites para jornalistas de fora), origem da maioria absoluta das bandas envolvidas.

Faz sentido, afinal, se o objetivo é fomentar uma cena local — motivação declarada pelo idealizador do festival, André Frazão — é necessário artistas locais. 24 nomes, no entanto, talvez tenha sido demais, tornando a maratona de três dias um pouco cansativa. Nada grave, é a sede de mostrar serviço, compreensível em se tratando do primeiro evento de música independente desse porte em Maceió.

Na noite de abertura, Tom Zé, que havia tocado em Maceió apenas uma única vez, em 1962, foi a atração principal no centenário Teatro Deodoro, utilizado apenas na estréia do evento. Reformado em 1998, o lugar é uma beleza, com frisas e camarotes em estilo neoclássico.

O cenário de ópera caiu bem para Tom Zé e sua opereta rock sobre as mulheres, do disco “Estudando o pagode”. Depois de ensinar o público a cantar cada uma das músicas, fazer piadas e desconcertar os presentes com comentários ácidos, o baiano enfileirou seus clássicos (“Augusta, Angélica e Consolação”, “Fliperama”, etc.), muitas vezes parando no meio para começar a próxima, como que tirando o atraso de 40 e tantos anos sem visitar Maceió.

Antes dele teve o forró do Chau do Pife (AL) e depois Bonsucesso Samba Clube (PE) e Tororó do Rojão (AL), anunciado como o “tsunami do forró”. Bacana mesmo era a Banda Só Bonecos, que tocava na entrada do teatro. É o Kraftwerk brasileiro.

Disfarçada pelos bonecos do nome, trata-se de uma engenhoca de tocar forró, baião e guitarrada mecanicamente. Robôs de verdade tocando música (e sem laptop!). Programar seus pandeiros, agogôs e teclados, sem falar no leitor ótico, foi trabalho de mais de dez anos de um senhor de idade. Valeu a pena, o troço é genial.

Durante os shows que se seguiram, Tom Zé atendeu pacientemente a fila de fãs que se formou para cumprimentá-lo e pedir autógrafos nos discos e livros que compravam. É parte do trabalho do artista, claro, mesmo assim a paciência com que ele conversava com cada um, sem pressa de fazer a fila andar, significa muito para um fã que praticamente não tem chance de acompanhar seu ídolo de perto, pelo menos não em casa.

Os ingressos mais caros e o lugar pequeno da primeira noite (e que mesmo assim não lotou) deram a impressão de que o festival seria morno. Errado. Os segundo e terceiro dias, no Armazém Uzina (com capacidade para 4 mil pessoas) foram de casa cheia, ainda que, aparentemente, todas as entradas não tenham sido vendidas.

Foi nesses dias que deu pra notar a boa produção do evento. Não faltou nada. Eram dois palcos funcionando alternadamente (o principal, num espaço com ar condicionado, parecia o palco Lab, do TIM Festival), ambos com boa qualidade de som e luz, projeções, sala de imprensa equipada e praça de alimentação com frozen de cajá e um inacreditável crepe com borda de queijo.

Wado e Cidadão Instigado, as atrações mais aguardadas (fora o Tom Zé, cuja apresentação foi praticamente um evento paralelo), tocaram no sábado, segunda noite do FMI. Antes deles vieram Basílio Sé (AL), Experiência Apyus (RN), Duofel (AL/SP), e Marcelo Cabral e Trio Coisa Linda (AL), fazendo bons shows para um público ainda pequeno (Xique Baratinho — o Jethro Tull de Alagoas, Cícero Flor e Beto Batera encerram a noitada).

O Cidadão Instigado fez valer a viagem de 2 mil quilômetros de alguns — ou o preço do ingresso para outros. Catatau e sua trupe fizeram um show enxuto por conta do tempo, o que acabou privilegiando as melhores músicas do repertório. Melhor ainda foi a sorte de ter presenciado (e capturado) um momento especial no camarim, antes do show.

Conversávamos (Matias, Marcelo e eu) com o Régis Damasceno, enquanto ele afinava seu violão, quando o Catatau entrou no camarim. Ele queria passar “O tempo” com o músico que iria tocar rabeca na música. Geralmente tímido, Catatau ignorou nossa presença e o que se seguiu foi uma versão acústica de uma das melhores músicas do disco “Cidadão Instigado e o método túfo de experiências”. No final, todos estavam cantando junto, até que Catatau percebeu, deu uma risada envergonhado e se retirou (tem um trecho disso no vídeo acima).

Se tudo acontecer como tem que acontecer e o trabalho de Catatau receber o reconhecimento que merece, o FMI poderá dizer que teve em seu primeiro ano um dos principais nomes da música brasileira atual. Aliás, mesmo que a consagração não venha, azar de quem não tiver a oportunidade de conhecer o som. Vai sair perdendo.

Sem tocar na sua cidade “natal” (ele nasceu em Florianópolis e cresceu em Maceió) há dois anos, Wado conseguiu uma boa reação do público, que participou, pediu bis, o escambau. Pra resumir: mais um ótimo show do Wado, só que dessa vez com uma recepção a altura. Deu gosto de ver. Coisa que, infelizmente, nunca se viu no Rio, onde Wado morou nos últimos dois anos, se apresentando e tentando, sem sucesso, fazer o jogo virar.

Há duas semanas Wado voltou para Maceió. Descolou uma casa na praia da Guaxuma (onde fica o comentado Bar Brasil) e está tocando a vida de lá. Cansou do Rio, da apatia cultural da cidade, da dificuldade que é realizar qualquer coisa por aqui. Nas conversas com outros músicos nos bastidores do evento, a impressão era a mesma. O Rio hoje, por incrível que pareça, é considerado nulo para a maior parte das bandas.

Não dá pra deixar de pensar: como é que no Rio, supostamente uma das pontas do eixo cultural, nunca se vê um festival independente com uma estrutura dessas? Sim, há muita coisa boa por aqui, mas em geral são eventos com bons nomes, porém sem algo maior, um conceito ou o que valha, na maior parte das vezes por falta de recursos.

O Ruído costuma ter escalações interessantes, mas depende da estrutura do lugar onde estiver acontecendo (o que, no Rio, quase sempre é receita pra desastre) e ainda não conseguiu se transformar num evento de porte nacional. O Humaitá pra Peixe é o mais bem estruturado, mas sofre com o horário e tamanho do Espaço Cultural Sergio Porto, com os humores dos modismos cariocas e, conseqüentemente, com o desinteresse do público.

O público. Esse deve mesmo ser um fator determinante. Pode até ser que, depois de anos renegado, o público do Nordeste (como foi em Maceió) seja mais interessado. Ou mesmo que ter ficado fora rota dos grandes shows tenha servido de impulso para o surgimento de cenas locais. Mas é simplista afirmar que é apenas isso. Porque banda boa e gente se mexendo o Rio tem. O que não tem — e isso fica cada vez mais claro — é um público curioso. Porquê, é complicado dizer. Talvez por ser uma cidade diurna. Difícil explicar.

FMI_Maceio_2006.jpg

Aproveitando a viagem, deu para conhecer um pouco das redondezas durante o dia. Maceió deve ser a maior cidade de 900 mil habitantes do mundo. Tudo é longe. A cidade se move verticalmente, ao longo da costa, como se evitasse ir em direção ao interior e ser obrigada a encarar a dureza do sertão.

Parti com Marcelo e Matias para uma turnê relâmpago pelo litoral. No som, a trilha oficial da viagem (o “chá lá lalalá, chá lá lalalá, chá lalá…”, da ainda inédita “Novo prazer”, do Mombojó) e na janela praias, lagoas e visuais incríveis sem nenhuma máquina fotográfica pra registrar.

A primeira parada foi na Praia do Francês e seus coqueirais, cartão postal da cidade. Estava imunda. Pinicos, tampas de privada e toneladas de garrafas pet se espalhavam pela areia. Embora, verdade seja dita, a Barra de São Miguel também não estivesse limpa, é difícil acreditar que seja desse jeito sempre. Deve ter acontecido algo fora do normal.

De lá, seguindo a dica de uma das produtoras do FMI, fomos para Massagueira, um povoado de pescadores em torno de um lago, com vários restaurantes de frutos do mar. O escolhido foi o Bar do Pato, com uma escada que leva ao lago, para tomar cerveja curtindo o pôr-do-sol. Uma tristeza mesmo…

Na volta pro hotel, gravamos um algumas coisas para o podcast do Matias, o Vida Fodona.

No domingo, a última noite do evento começou com Santa Máfia (CE/RJ), Vibrações Rasta (AL), Projeto Cru (SP), o auto-explicativo Negroove (RE), Vitor Pirralho (AL) e Pedra do Raio (PE/AL).

O primeiro show a ter atenção total do público foi a psicodelia do Mopho (AL), ovacionado pela torcida local. Depois vieram Jackson Envenenado (PB) e, fechando a tampa, a sequência Sonic Junior (AL), Autoramas (RJ) e a lenda alagoana Living in the Shit, retornando aos palcos depois de anos.

O Sonic Junior mostrou produções bem interessantes. Agora sozinho (antes era uma dupla) e após derrapadas como o projeto PR5, com Paulo Ricardo, Juninho deu a volta por cima. O som totalmente voltado pra pista, com toques de db, breaks e percussão, bem poderia estar no Skol Beats.

O Autoramas fez o de sempre, arrancando pulos e gritos as 3h da manhã de uma turma que estava vendo shows desde as 19h. Encerrando o festival, o Living in the Shit tocou pra um Armazém Uzina vazio. Com apenas três músicas, a última van partiu e até mesmo a imprensa teve que ir embora. Ano que vem tem mais.

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O URBe viajou a convite da produção do festival.

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