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Arquivo: Vampire Weekend

O vídeo oficial do Vampire Weekend no Rio

Trechos do show e depoimentos da banda falando da mobilização que a trouxe para o Rio.

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Vampire Weekend faz calor no Circo


foto: Felipe Continentino

O Vampire Weekend ontem ferver no Circo Voador. Num calor colossal, os americanos enfileiraram quase todas as músicas dos dois discos e fizeram a festa. Tô chumbado e não vou me alongar, tem avaliação positiva do Tomnegativa do Bragatto.

No palco, a banda é tão certinha quanto fora dele. Quando se permitem uma bagunça, é calculada, arrumadinhas como os integrantes, o que as vezes tira a pressão. Porém, tanta disciplina também rende boas coisas. Show bem ensaiado, fluindo, basta ver as imagens do público pulando sem parar, até pogando.

Com esse show, lá se vão 3/4 do verão Queremos, até aqui com 100% de sucesso. Ontem a noite, mais uma vez, os Cariocas Empolgados que participaram da mobilização para trazer o VW ao Rio assistiram o show de graça. Tão ficando mal acostumados. ;)

Dia 17 tem LCD Soundsystem no Vivo Rio. Antes disso, dia 10 tem a encantada festa de 7 anos do URBe (só dez meses atrasada… hahaha!). Fora todo o resto. Preciso dormir.

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Hoje tem: Vampire Weekend (Circo Voador)


“Walcott”

Circo Voador
Vampire Weekend
03 de fevereiro (quinta-feira)
21h
R$ 100 (meia-entrada e também o preço promocional para todos que levarem doações, estiverem com o nome na lista amiga ou confirmar presença no Facebook)

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Vampire Weekend convida para o show de hoje, no Circo Voador

Direto do BB Lanches, na volta do jogo do Flamengo.

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Aquecimento Vampire Weekend 05: “The Kids Don’t Stand A Chance”


#80.2 – VAMPIRE WEEKEND – The Kids don’t stand a chance
Enviado por lablogotheque. – Clipes, entrevista dos artistas, shows e muito mais.

É hoje, 03 de fevereiro: Vampire Weekend no Circo Voador.

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Aquecimento Vampire Weekend 04: “Cousins”

É amanhã, quinta, 03 de fevereiro, Vampire Weekend no Circo Voador.

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Aquecimento Vampire Weekend 03: “Oxford Comma”

Amanhã, quinta, 03 de fevereiro, Vampire Weekend no Circo Voador.

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Aquecimento Vampire Weekend 02: As influências

Mixtape UNIVERSO VAMPIRE WEEKEND by teclamusic

Tecla Music, uma das apoiadoras do show do Vampire Weekend no Rio, preparou uma mixtape com as influência do Vampire Weekend, da música africana ao pop, para entrar no clima do show dessa quinta, 03 de fevereiro, no Circo Voador.

A lista das músicas está na página da Tecla.

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Aquecimento Vampire Weekend 01: “A-Punk” (ao vivo)

Mal deu tempo de recuperar as energias após o Two Door Cinema Club no domingo e quinta, 03 de fevereiro, já tem Vampire Weekend no Circo Voador. É o verão Queremos.

Se tem uma coisa que o Vampire Weekend, é boa de palco. Não gostava da banda até assistir pela primeira vez ao vivo, no pequeno Electric Ballroom, em Londres. Mudei de ideia na hora. Depois confirmei que a banda correspondia mesmo no Rock Werchter ’08 e no Coachella ’10.

Esse show promete.

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Conseguimos! Vampire Weekend no Rio


arte: Antonio Bokel

Missão Vampire Weekend cumprida! Não foi mole, o valor era bem alto. O show no Rio está garantido e a venda de ingressos aberta.

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Queremos Vampire Weekend no Rio!

Hora de partir pra cima do Vampire Weekend e confirmar esse show no Rio. Está indo bem, mas ainda falta um bocado, porque é preciso muita gente, então vamos nessa.

O formato você já conhece, é o mesmo que deu certo no Miike Snow, Belle & SebastianTwo Door Cinema Club: dividimos o valor total entre o público e, com o total assegurado, o show é confirmado. Depois é só torcer pra casa cheia pra receber o reembolso integral e assistir o show de graça.

Siga o @queremos no Twitter pra ficar por dentro das novidades do projeto.

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Coachella 2010, tamanho GG


fotos e vídeos: URBe
+ alguns outros encontrados no YouTube

Atmosfera hippie, nuvens, instalações, vento, fumacê e marola, poeira, sorvete de limão, engarrafamentos e, obviamente, apresentações antológicas, daquelas que fazem valer cada centavo investido na viagem.

O Coachella 2010 foi marcado pelo crescimento, tanto do festival como das bandas que por lá passaram. Desde o anúncio de suas mais de 100 atrações essa edição do festival californiano estava sendo chamada de “o maior Coachella de todos os tempos”.

Com uma escalação desesperadora de tão caprichada, decidir que apresentações perder foi mais difícil do que eleger o que ver. De qualquer forma, assimilar 30 shows ao longo de apenas três dias não é fácil. Mesmo espalhados ao longo de um ano seria bastante.

Leva algum tempo até as idéias se organizarem, os detalhes vão ressurgindo, o volume de informação se diluindo, até começar a se ter um entendimento completo do que aconteceu e o prazer de redescobrir as memórias dura um bocado.

Com a natureza enlouquecida do jeito que está , a apreensão de um terremoto atingir o sul da Califórnia durante o festival, ainda bem, não se confirmou. Porém nem assim o Coachella escapou de problemas ou mesmo dos desastres naturais.

A erupção do vulcão na Islândia interrompeu os vôos na Europa e provocou o cancelamento de vários artistas. Esse foi o menor dos problemas.

Esse ano foram vendidos 25% mais ingressos do que nas últimas edições, aumentando de 60 para 75 mil o número de frequentadores espalhados num espaço físico exatamente do mesmo tamanho de outros anos, prejudicando a tranquilidade, uma das características mais positivas do festival.

Pra agravar a situação, não houve venda de entradas avulsas, somente o pacote para o três dias, superlotando o lugar (a liberação de entrar e sair do acampamento não resolveu esse giro) e gerando vários problemas de organização, o maior deles o estacionamento, além da sujeirada.

Pode parecer chororô, até saber-se que no primeiro dia muita gente (o/) levou até quatro horas para conseguir entrar no evento e em média três para sair. Nos outros dias a situação melhorou, porém a melhor opção foi mesmo chegar muito cedo e pagar 20 dólares para utilizar um dos estacionamentos privados que pipocaram em quintais de casas das redondezas.

Para sorte dos organizadores, o que realmente será lembrado é a passagem do Jay Z pelo festival. Foi o Coachella do Hova, só dava ele, em toda parte, o tempo todo. O rapper monopolizou as atenções de uma maneira que nem Paul McCartney fez, com quase todos os artistas perguntando ao público sobre o show do rapper.

Dia 1: Chegando devagar
She & Him, Gil Scott-Heron, Them Crooked Vultures, LCD Soundsystem, Vampire Weekend e Jay Z


She & Him

Vencida a lentidão do trânsito e da fila da porta, não sobrou tempo para lamentar a perda dos shows do Wale e do Yeasayer. Já passavam das 17h e foi preciso correr pra chegar a tempo ao palco menor para conferir o She & Him.


She & Him, “Why Don’t You Let Me Stay Here”

Com o sol batendo na sua pele branquinha e refletindo no vestido azul de corte retrô, Zooey Deschanel encantou os marmanjos e as meninas com sua meiguice, bonita voz e mais entusiasmo do que técnica no teclado, pulando sem parar.

A combinação de folk, indie, anos 50, Fleetwood Mac é um acerto, mesmo que não seja realmente empolgante. Não fosse pela estrela de Hollywood, provavelmente a banda teria passado despercebida, o que só mostra como o guitarrista M. Ward, o Him da dupla, é um sujeito de visão.


Gil Scott-Heron, “Three Miles Down”

Na tenda, longe da corrida do hype, Gil Scott-Heron mostrou como se faz. Magrinho, com o rosto escondido por uma boina e parecendo frágil, o herói do funk soul chegou devagar, na classe.

Antes de começar o show, foi a frente do palco bater um papo com o público. Comentou sobre a falta de tempo para passar o som adequadamente, agradeceu a presença de todos, sentou em frente ao Rhodes e, quando abriu a boca, mostrou que sua voz grave continua firme, mesmo que um tantinho mais fraca.

Acompanhado apenas por um percussionista, outro tecladista e um saxofista/gaitista, Scott Heron transformou suas músicas em temas mântricos, como grandes introduções marcadas pelo improviso nas letras, sem nunca estourar.


Gil Scott Heron

Mostrando bom humor, Heron perguntou quem já tinha escutado a música do Common. “Fui sampleado”, disse, arrancando risos. “Não é tão ruim quanto soa e não dói, é ótimo para apresentar minha música para outras pessoas”.

E continuou: “Quando isso acontece, a primeira coisa que você faz é chegar em casa e ouvir o seu disco, pra ter certeza que está soando direito”, disse antes de emendar “Home is Where the Hatred Is” (sampleada por Common e Kanye West) e “Did You Hear What They Said?” (sampleada por Freeway). No seu novo disco, “I’m New Here”, foi Scott-Heron quem sampleou “Flashing Lights”, do Kanye West.

Após o encerramento com “In The Bottle”, algo que Scott-Heron falou logo no início fez ainda mais sentido: “para aqueles que apostaram que eu não estaria aqui, vocês perderam”. Perfeito.


Them Crooked Vultures

Já era noite e o Them Crooked Vultures foi o primeiro a arrastar uma multidão para o palco principal. Mesmo com a presença de Jon Paul Jones (Led Zeppelin) e Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters) tocando bateria, a liderança de Josh Homme é aparente, talvez até porque em seu caso o projeto seja maior que sua banda principal, coisa que não acontece com os outros.

Por mais que a contribuição dos outros integrantes seja perceptível, a sonoridade não esconde que Homme conseguiu montar uma formação dos sonhos para o seu Queens Of The Stone Age. Fosse somente mais uma banda nova, o Them Crooked Vultures já seria relevante. Poder ver Dave Grohl na bateria e Jon Paul Jones no baixo só faz tudo mais especial.


Them Crooked Vultures, “Gunman” e “New Fang”

Em casa no deserto, Hommes estava feliz da vida, dedicando música para James Murphy, líder da sua “banda favorita, LCD Soundsystem”.


LCD Soundsystem

De terno branco, foi justamente Murphy quem ocupou o palco principal em seguida. Iluminada apenas pela luz rebatida pelo globo de espelhos gigantesco pendurado em cima do palco, a entrada do LCD Soundsystem no palco principal sinalizou a grande mudança apresentada pelo Coachella 2010.

Passada a primeira década das “bandas de internet” lutando pra chegar ao seu público através de blogues e redes sociais, observa-se agora a consolidação de muitos desses nomes como grandes destaques.

Tendo estado em duas das três tendas do festival em anos anteriores, o LCD Soundsystem assumiu o palco principal como penúltima atração da noite e confirmou a aposta, echendo o lugar.


LCD Soundsystem, “Yeah”

Falante, Murphy comparou a situação com um restaurante. Se antes ele era o amendoim aperitivo, hoje ele ainda não era o filé de carne (esse era o Jay Z, disse Murphy), mas já podia ser considerado o peixe.

Num restaurante vegetariano essa comparação perderia todo sentido, como também perdeu embaixo dos holofotes. Ou Murphy tem baixa auto estima ou então até hoje não entendeu que no Coachella essa hierarquia não existe. Os diferentes palcos e tendas são somente diferentes ambientes, tanto é que Daft Punk e Madonna já tocaram nas tendas.

Em muitos momentos, a ironia de Murphy se confunde com arrogância e falsa modéstia, como antes da chatóide “Drunk Girls” debochou ao comentar sobre o vazamento online do seu terceiro disco.

Felizmente, o sujeito é bom mesmo comandando sua banda e é com isso que ele se ocupa a maior parte do tempo. As versões violentas de “Loosing My Edge” (dedicada a Gil Scott-Heron) e “Yeah”, ambas numa fúria crescente, “All My Friends” quase arrancando o dedo do pianista mostram que o LCD nunca foi amendoim.

A transmissão pelo telão estava espetacular, simplesmente não tinha um plano feio, nada mal enquadrado ou fotografado, um corte mal feito. Faz tempo que não basta uma câmera de frente para o palco para se ter um telão e o Coachella sobra nesse quesito. Cada show poderia render um DVD.

O Vampire Weekend já tocava no segundo palco quando a apresentação arrebatadora terminou, pra baixo, com “New York I Love You”.

Dava pra entender a presença da música quando a turnê era do disco em questão ou mesmo quando o LCD se apresenta em Nova York. Terminar um show tão animado dessa maneira é muito anti-climático.

O público levantou novamentequando viu pelo telão Murphy e Jay Z conversando nos bastidores, assim que o LCD saiu do palco.


Vampire Weekend, “Cousins”

Antes de Jay Z entrar em ação, a boa foi correr para assistir o que fosse possível do Vampire Weekend. Com o seu disco tendo conquistado o primeiro lugar da Billboard, em vendas físicas, não era surpresa nenhuma o quarteto lotar o lugar.


Vampire Weekend

O Vampire Weekend foi o primeiro artista a transformar o Outdoor Stage, mais intimista, numa filial do palco principal, sendo mais uma banda a mostrar que cresceu bastante. A quantidade de pessoas assistindo o show era, no mínimo, o dobro do que se costumava ver ali.

A música independente chegou as massas. Pode até ter sido que a escalação do Vampire no palco menor tenha sido proposital, forçando uma super lotação para mostrar a força da banda, essas coisas de gravadora. Eles estariam mais confortáveis no palco principal.

Mesmo tendo aumentado consideravelmente seu público, o show da banda continua no mesmo clima de antes, apenas amplificado. É uma pena que as passagens entre as músicas levem tanto tempo.


Jay Z, “99 Problems”

Pegando de onde o LCD Soundsystem deixou, o nova-iorquino Jay Z entrou em cena a la Michael Jackson, emergindo de um buraco no chão para exaltar a cidade que nunca dorme e convocar a platéia para quicar, com seus tradicionais gritos de “bounce!”.

Antes, é claro, tirou uma onda. Com 15 minutos de atraso, o telão passou a exibir uma contagem regressive de 10 minutos, ao som de “Don’t Stop Till Brooklyn” (Beastie Boys), so tema do James Bond e “Live And Let Die” (McCartney), como quem diz, “eu decido a hora que o show começa”.


Jay Z

O cenário era composto por objetos retangulares, multi-facetados, que recebiam diferentes projeções a cada música, podendo se transformar em Nova York (em “New York State Of Mind”) ou em uma torre de amplificadores (em “99 Problems”).

A banda é uma grosseria, gigante, conta com coral, metais, baixo, guitarra, duas baterias e um DJ, encorpando as versões ao vivo. A cada hit – e nos EUA são muitos – a platéia urrava, mostrando a força de um ícone americano cuja importância cultural é tremendamente difícil de transpor fora desse contexto.

Jogando pra galera, Jay Z repetiu a brincadeira do Glastonbury do ano passado tocado “Wonderwall” e convidou a primeira dama, Beyoncé, para cantar com ele “Forever Young” (Alphaville). O boato de que Dr. Dre faria uma participação nunca se confirmou.

Uma maneira ruim de encerrar um excelente show. Pior que isso, só mesmo o tumulto pra sair.

Dia 2: Coachella I love you, but you are bringing me down
Girls, Camera Obscura, Temper Trap, Edward Sharpe and The Magnetic Zeros, The xx, Hot Chip, MGMT, Devo, Aterciopelados, Major Lazer, Flying Lotus, Dead Weather, David Gueta e 2ManyDJs

O desespero pra não passar pela mesma provação do primeiro dia fez bastante gente chegar bem cedo, o que foi ótimo, já que muitas vezes bandas interessantes tem pouco público devido ao horário.

O campo de polo onde acontece o festival continuava lotado e, pela primeira vez, sujo. As latas de lixo transbordavam e garrafas de plástico, copos e latas se espalhavam pelo chão.

Logo no Coachella, um festival conhecido pelas preocupações verdes e que em pleno calor do deserto dá uma garrafa de água para quem entregar dez vazias nos postos de troca, algo que sempre fez as garrafas serem disputadas.

O segundo dia era também um dia com poucos conflitos de horários e menos shows imperdíveis, de maneira que durante boa parte do dia a boa era ficar pulando de um para o outro.

O primeiro foi o do Girls, que queimou a largada abrindo com “Lust For Life” e depois não conseguiu segurar a onda. Na tenda ao lado, o Camera Obscura fechava seu show com canções muito lentas para o início de uma maratona musical.


Temper Trap

No palco menor, coube ao Temper Trap cumprir a função de sonorizar um momento tradicional do Coachella: assistir algum show sentado na grama, bem de longe, descansando as pernas.

Com algumas boas músicas, no geral são parecidas demais com o único hit do grupo, “Sweet Disposition”, da trilha do filme “500 Dias Com Ela”.

Assim que os australianos terminaram de tocar, foi a deixa para se enfiar na multidão e pegar um bom lugar pra assistir o The xx. Pra garantir, a melhor saída era entrar já no show anterior, dos desconhecidos Edward Sharpe and The Magnetic Zeros.


Edward Sharpe and The Magnetic Zeros

Desconhecidos o quê. Uma multidão aguardava ansiosamente o insano grupo de bluegrass, uma grata surpresa, com a presença de palco do Gogol Bordello, a grandiosidade do Arcade Fire e o (des)apego a tradição do Kings of Leon. Falando assim soa melhor do que de fato é, mas “Home” é muito boa e foi cantada aos gritos.


The xx, “Shelter”

Bem colocado, estava tudo pronto para o The xx. Quer dizer, por parte da platéia, porque a banda penou um bocado. Em mais um ineditismo do Coachella 2010, até o som apresentou problemas.

Os amplificadores chiaram o show inteiro, tirando a concentração da inexperiente banda, que já tinha bastante com o que se preocupar de frente para aquela multidão.


The roof is on fire

Quando o The xx começou a se soltar, o teto do palco principal teve um princípio de incêndio, desviando a atenção de todos. Tentando manter o espírito elevado, o baixista simplesmente disse “the roof is on fire”, arrancando gargalhadas (mas nada de “burn motherfucker, let the motherfucker burn”).

Quando tudo ia se encaixando, tchanan, mais uma distração. Ninguém menos que o dono do festival, Jay Z, estava no fosso dos fotógrafos assistindo a banda com Beyoncé (o casal assistiu o Beach House do meio da platéia). Bastou mostrá-lo no telão ao lado da mulher para as mãos fazendo um diamante pipocarem no horizonte.


The xx

As músicas continuam lindas ao vivo e são muito bem executadas, tanto a voz da vocalista quanto as guitarras e o baixo tem pegada, só que falta pressão. O que não decepciona é a parte eletrônica e de programação.

O sujeito é um monstro na MPC, tocando dois samplers simultaneamente de uma maneira pouco usual, dedilhando-os como se fosse um piano.

O encerramento foi épico, com o “baterista” tocado o terror na combinação de batidas e um prato microfonado (com efeitos) sendo espancado ritmicamente pelo baixista.

Se falta chão pra banda, o caminho deve ser macio. Só a coragem de enfrentar um palco aberto com um som tão introspectivo (como foi bem dito na resenha do LA Times), mesmo sabendo que se dariam bem melhor em uma das tendas, mostra personalidade.


Hot Chip

A sequência de artistas do segundo palco só fazia o local inchar cada vez mais. Vieram Hot Chip, sempre sem convencer ao vivo, e MGMT, quando a quantidade de gente já estava insuportável.

A essa altura, o único lugar disponível para assistir o show era na praça de alimentação e mesmo assim através dos telões, que de tão distantes pareciam miúdos.

Com um bom som o MGMT melhora bastante no palco, pena que as músicas novas definitivamente não ajudam. E eles ainda inventaram de não tocar “Kids”, ousando demais.

De qualquer maneira, eram mais sinais das transformações do Coachella. Duas bandas que dois anos antes faziam shows nas tendas, sugando multidões nunca antes vistas no palco dois. Mudou o festival ou mudou o público, difícil afirmar, muito embora continue não se escutando esses grupos em toda parte.

Outra vaga cativa do Coachella é reservada para ao menos uma grande banda latina, afinal, estamos na Califórnia. Ozomatli, Café Tacuba, Los Amigos Invisibles, Manu Chao, Kinky, todos passaram por ali em algum momento. Esse ano foi a vez do Aterciopelados.


Aterciopelados

Os colombianos honraram a tradição de show bombásticos na tenda media e não se apertaram. Veteranos, sabem exatamente os atalhos do palco. Fecharam com “Baracunatana” e uma farta distribuição de frisbees de papel machê, entre mensagens de paz e amor.

No caminho para o Major Lazer deu tempo de ouvir o Devo tocando “Whip It”. A curiosidade falou mais alto, silenciando o bom senso e o trajeto até a outra tenda continuou, o que se provou um equívoco.

A tenda explodiu assim que o show começou e o projeto da dupla Diplo e Switch foi um dos mais comentados no dia seguinte. Porque, não sei.

Vestidos com ternos sem nenhum propósito aparente, já que as vestimentas não tinham nada a ver com cenário e figurino dos outros integrantes no palco, a dupla soltou um festival de bases de gosto duvidoso, um despedício de boas referências (baile funk, tecnobrega, reggaeton, dancehall), cobertas por berros do MC, trechos de Ace of Base e outras maravilhas.

David Gueta tocava na tenda ao lado, se esforçando na farofa, hits de FM e mesmo assim perdeu a disputa. O histórico de más escolhas de atrações eletrônicas do Cochella continua.


Flying Lotus, “Idioteque” (Radiohead)

Graças ao bom Deus uma verdadeira higienização auricular veio em seguida. Pela segunda vez no festival, dessa vez o Flying Lotus teve muito mais destaque. As pessoas se acotevelaram para ouvir o hip hop experimental produzido por Steven Ellison.

As batidas instrumentais tem forte influência dos graves do dub, do clima soturno do trip hop e dos blips do EBM. Utilizando apenas um laptop e sem tirar o sorriso do rosto, ao vivo o Flying Lotus entortou ainda mais suas produções.

A frente de um telão, Steven adiciona camadas de elementos uma sobre as outras de uma maneira que demoram a se encaixar, até soltar o elemento unificador e que dá a liga ao groove. Foi assim com as músicas do seu segundo disco, “Los Angeles”, assim como as reconstruções de “Idioteque” (Radiohead), “Avril 14” (Aphex Twin) ou nos passeios pelo deep house ou drum n bass.

Uma das melhores apresentações do festival, coisa fina.


Dead Weather

Na saída, ainda deu tempo de pegar o finalzinho do Dead Weather, mais um projeto bacana do Jack White, que teve seus momentos minimalistas atrapalhados pelo que vinha do palco principal, a cargo do DJ Tiesto.


2ManyDJs

Botando a tampa, o 2ManyDJs reuniu alguns dos seus principais remixes e mashups num set perfeito em que o grande destaque foi o telão. Cada faixa ganhou animações próprias, com visual de capa de disco, se adaptando conforme as mixagens avançavam.

Betty Ditto cantava na capa de um disco do Gossip, assim como MGMT, Vitalic, Joy Division e todos os outros, sempre acompanhando as mixagens. O efeito prático foi um melhor entendimento, principalmente para quem não consegue identificar cada uma das músicas utilizadas, esquentando a relação com o público.

A tempestade de papel picado indicou o fim da festa. Era hora de partir pra casa e descancar para o último e mais promissor dia.

Dia 3: Enfim, Coachella
Soft Pack, Local Natives, Rusko, Mayer Hawthorne, Florence & The Machine, Yo La Tengo, Spoon, Phoenix, Thom Yorke, Sly Stone e Gorillaz

Logo na chegada, notar que o campo de polo não mais parecia mais um formigueiro foi alentador, mesmo que pudesse ser pelo horário. O que parecia uma breve visão de tempos mais agradáveis do festival, se confirmou como o dia com mais cara de Coachella de todos.

Provavelmente muitas das pessoas obrigadas a comprar o passe para os três dias já estavam na estrada de volta pra casa a essa altura. Para contrastar com essa grande notícia, veio a triste informação de que o Hypnotic Brass Essemble havia sido cancelado.

Restou assistir o Soft Pack, legal, e o fraco Local Natives, mais um da barca do nu-folk, fortemente representada esse ano, salvando-se com a boa “Aeroplane”.

Enquanto isso, Rusko lançava dubstep em um dos cenários mais distantes daquele onde o estilo normalmente é tocado. No lugar de uma sala escura, com pessoas encasacadas, lá estava ele em plena luz do dia, as pessoas de chinelo. Uma mudança e tanto.


Mayer Hawthorne

Foi só quando Mayer Hawthorne apareceu que as coisas esquentaram, com sua músicas de baile de formatura inspiradas na Motown dos anos 50 e 60. O que poderia ser mera cópia se revela bastante criativo.

Se a voz não é exatamente avassaladora, dá conta da proposta, emitindo inclusive os falsetos do disco, coisa que o vocalista do Passion Pit não consegue chegar nem perto ao vivo. A banda de apoio, The County, é uma beleza.

Antes de “Maybe So, Maybe No”, Hawthorne contou que uma fã o perguntou no Twitter se ele iria tocar sua música favorita, aproveitando pra divulgar o seu endereço e pedir seguidores.

“Just Ain’t Gonna Work Out”, “Green Eyed Love” e até “Just A Friend”, do Biz Markie, foram mantendo o pique alto até Hawthorne sair com o público na mão e consagrado do salão.

Demorou bastante até a Florence & The Machine resolver dar as caras. O atraso somado a chatice que foi a primeira música foram a deixa para abandonar a menina e ir atrás do que realmente interessava.


Yo La Tengo, “You Can Have It All”

Há muito tempo atrás, houve um show do Yo La Tengo no extinto (e, quem diria, saudoso) Ballroom. Uma noite clássica, produzida por Rodrigo Lariú e que eu faltei. Mesmo sem ser um fã obsessivo do trio, ter perdido a chance de vê-los tão perto de casa foi uma mancada e tanto.

Anos depois, finalmente estava de frente com o Yo La Tengo. Como bem disse o Pedro, 50 minutos é muito pouco para uma banda com um repertório tão amplo, podendo ir do indie ao noise `a fofura em segundos.

Tentar fazer um show que cobrisse tantas nuances acabou prejudicando o YLT. Não tinha muita gente e a magnitude do palco principal piorou isso, uma pena, pois quem viu a coreografia de “You Can’t Have It All” (do George McCrae), feita a pedido do Sly Stone, segundo a banda, sabe o quanto foi sensacional.


Spoon

Do Spoon deu pra ver apenas cinco músicas, todas muito boas, num palco bonito, decorado com fios com lâmpadas incandescentes esperando o por do sol para serem acesas durante o show do Pavement. Assim que Jonsi, vocalista do Sigur Rós, liberou o palco, começou a corrida por um lugar para o Phoenix no Outdoor Stage.


Phoenix, “Fences”

Em nenhum momento durante a crise dos cancelamentos dos vôo na Europa passou pela cabeça a possibilidade do Phoenix não aparecer. Por isso, quando a banda entrou e contou que por pouco isso não aconteceu, mesmo já os vendo no palco, deu alívio.

Por conta das dificuldades de chegar aos EUA, a banda se apresentou sem seus iluminadores e desfalcada da decoração do palco, motivo pelo o qual eles pediram desculpas, falando que “a noite será apenas sobre a música”.


Phoenix

Provavelmente por decisão da banda, todas as luzes de palco estavam apagadas e o Phoenix se apresentou utilizando apenas algumas luzes brancas, em vários momentos coordenando a marcação, determinando de que lado para que lado deveriam ser acesas.

Era por do sol e a luz natural apenas intensificou a beleza de “Love Like A Sunset”, até no telão funcionou. Embora as vezes possa não transparecer nos textos aqui, sei exatamente o tamanho da sorte que é poder vivenciar momentos assim, e esse foi, literalmente, de chorar.


Phoenix

Enfileirando quase todas as músicas do “Wolfgang Amadeus Phoenix”, a banda fez até um bis (na verdade uma extensão do final de “1901”), coisa raramente vista no Coachella.

Em se tratando de shows, poucas coisas são melhores do que ver uma banda na turnê de um disco que você gosta. Num lugar desses, com esse visual e o astral da platéia lá em cima, todo mundo numa boa, não tem comparação. Clássico.


Thom Yorke & Atoms For Peace, “The Clock”

Se antes falei que Thom Yorke e seu Atoms For Peace teriam que rebolar muito pra não me fazer sair no meio do show para conferir o show multimídia do Ritchie Hawtin e seu Plastikman, foi exatamente isso que aconteceu.

Não sei porque, não estava esperando muito desse show. De qualquer forma, a apresentação multimídia do Plastikman ficou pra um outro dia. Nada como baixas expectativas para gerar grandes surpresas.

Pesou também o fato de, com a rapidez das atuais mudanças tecnológicas, amanhã tudo parecer uma besteira. Acredito que o experimento interativo com iPhones e iPods tenha sido demais. Porém, se há dez anos atrás houvesse tido um show utilizando SMS, hoje imagino que não seria algo do qual me lembrasse com muita empolgação.

Soltinho no palco, Thom Yorke parecia estar curtindo bem mais do que nos shows do Radiohead. Talvez eu também. As referências, principalmente pela influências mais escancaradas do dub e da música eletrônica, deixam Thom menos indie.

Depois de tantas bolas fora do Red Hot Chilli Peppers, estava com preguiça, ou ao menos não muito empolgado, para ouvir o Flea tocar. Por isso, foi uma grande alegria ter tido novamente tanto gosto em ver o baixista tocar.

Contorcendo-se no palco no compasso dos slaps, Flea fazia o instrumento estalar como se estivesse no Primus e pesar como se fosse o Robbie Shakespeare, com linhas de baixo cavalares. Até melódica o cara tocou.

O percussionista brasileiro Mauro Refosco, do Forró In The Dark, tem participação crucial na sonoridade do show. É ele quem faz a quebradeira andar com um instrumentos de percussão totalmente brasileiro, injetando batidas do zabumba e o toque do berimbau.

Nigel Godrich, produtor dos últimos discos do Radiohead, e o baterista estava mais recatados, porém precisos.

Quem esteve no Coachella esse ano vai lembrar do vento que soprou forte todas as noites e vai reconhecer os shows só pelas imagens, lembrando da brisa batendo no rosto. Durante o Atoms For Peace, a ventania se intensificou, como se fosse uma reação a pressão que saía do palco.

A decoração toda baseada em tubos de luz, lembrava a do Radiohead, porem estavam na horizontal em vez da vertical, piscando freneticamente em vez de movimentos lentos, hora pintando o palco de verde, hora de azul ou verde.


Thom Yorke, “Giving Up The Ghost”

No bis, Yorke tocou sozinho “Airbag” no violão e “Everything In It’s Right Place” no piano, coisa pra fã nenhum reclamar.

Voltando ao Plastikman, tecnologia por tecnologia, tenho a impressão que ter visto o bis de Thom Yorke, sozinho no palco com o violão, construindo um arranjo utilizando um pedal de loop, vá ter mais valor, mesmo que apenas sentimental, do que uma interação via celular.

Ao apresentar a música, Thom falou: “essa vocês não devem conhecer, a não ser que você passe tempo demais no YouTube”, tocando num ponto interessante, sobre como a busca desenfreado por saber tudo o mais rápido possível pode arruinar grande surpresas.

Felizmente, nunca tinha ouvido a canção e fui arrebatado na hora. Não estar por dentro as vezes tem suas recompensas. Foi o show do festival.


Sly Stone

Outra surpresa, justamente no sentido oposto, foi o que aconteceu no show do Sly Stone. Após um quase adiamento e uma mudança de horário, o rei do funk soul foi uma das últimas atrações do festival a tocar. O que se viu foi umas das cenas mais tristes que já presenciei na música.

A passagem de som, sendo feita na hora, prometia. Só timbre bonito, o groove rolando, a banda pronta esperando seu líder. Eis que Sly Stone adentra o palco, fantasiado de policia, com uma peruca e uma boina que impediam ver o seu rosto.

Totalmente acabado, Sly mal se aguentava em pé. Totalmente perdido, com menos 10 minutos de “show”, perguntava no microfone quanto tempo fazia que estava ali. Os músicos, principalmente uma das integrantes do coral e os roadies, faziam de tudo para cena parecer normal. Era impossível.

Sem conseguir tocar nem metade de alguma música, Sly mudava de idéia no meio das canções, dava ordens a banda e ainda apresentou ao público seus constrangedores experimentos com eletrônica. Não dá pra entender que motivo$ permitiram uma lenda da música ter sido exposta dessa maneira, uma coisa realmente deprimente. Ele não merecia isso.

Na saída, ainda deu pra conferir o final do Gorillaz, “Clint Eastwood” e “Feel Good”. Mesmo com uma banda grande no palco e cenário grandioso, Damon Albarn e sua turma pareciam xoxos e sem força, sem justificar a moral de encerrar o festival.

Exausto, restava finalmente dormir, feliz, sem nem pensar em tanta coisa ficou de fora, praticamente um outro festival (A bagunça do Club 75, Miike Snow, da turma da Ed Banger com um dos integrantes do Justice, Deadmau5, Pavement, Specials, PiL, Erol Alkan, La Roux, Faith No More, Raveonettes, Dirty Projectors, Little Boots, Plastikman, Mutemath, Julian Casablancas…).

Tudo certo. Ano que vem tem mais.

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Aquecimento Coachella ’10 (13)


The Specials, “A Message To You Rudy”


Vampire Weekend, “A-Punk”

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Vampire Weekend, “Giving Up The Gun”

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Vampire Weekend, “Cousins”

É uma regra que o Vampire Weekend conhece muito bem: clipe bom parte de uma idéia simples (o que não é sinônimo de uma execução simples). Dando sequência no ensinamento e aquecendo pro lançamento do novo disco, eles surgem com “Cousins”.

Via INMWT.

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Chegando atrasado 07: Vampire Weekend e Fleetwood Mac

Buscando alguma coisa além de  “Horchata” do “Contra”, segundo disco do Vampire Weekend que sai em 2010, encontrei essa versão que eles fizeram para “Everywhere”, do Fleetwood Mac.

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Desastre

Tô falando que esse Chromeo não segura a onda… Só de curiosidade, dá uma sacada na tragédia que é o remix eurodance da dupla para uma das melhores músicas do Vampire Weekend, “The kids don’t stand a chance”.

Vampire Weekend“The kids don’t stand a chance” (Chromeo remix)

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Os melhores discos de 2008


Late of the Pier“Fantasy black channel”: Rock e eletrônica em simbiose perfeita, chacoalhando referências de maneira inovadora, somado a melhor programação de bases do ano, há quilômetros de distância do segundo colocado (seja lá qual ele for). Pra não falar das letras alopradas.


Friendly Fires“Friendly Fires”: Alguns dos grooves mais ganchudos do ano, de fazer frente a clássicos da disco music, rock-eletrônica  em embalagem pop para as massas. Só falta multidão ser avisada para os estádios lotarem.


Vampire Weekend“Vampire Weekend”: A bateria mais criativa em muito tempo faz valer cada segundo desse disco, assim como frases de guitarra pegajosas e camadas de teclado bagaceira. Ao vivo as músicas crescem tanto que levantam o próprio disco.


MGMT“Oracular spetacular”: Paradoxalmente, a psicodelia retrô dá um passo a frente com um dos nomes mais comentados de 2008, num disco viajandão e coeso, ao mesmo tempo conservador (nas referências), inovador (na forma) e doidão (na musicalidade).


Lykke Li“Youth novels”: É música de menina para as garotas e para os rapazes. A sueca Lykke Li atualiza o formato diva para geração 2000, recheanto a performance clássica de chanteuse com atitudes e elementos estranhos ao meio, seja na escolha dos instrumentos, no formato das cancões ou na personalidade carimbada nas músicas pela intérprete.


Studio“Yearbook 2″: O remix em sua melhor forma. O segundo disco da dupla sueca reúne trabalhos com tanta personalidade que não apenas ultrapassa as versões originais, como também fazem o conjunto soar como um álbum autoral. Não é pouca coisa.


Beyond the Wizards Sleeve“Ark1″: Constantemente envolvido na produção de alguns dos melhores lançamentos de rock e eletrônica (Late of the Pier nesse ano, por exemplo), Erol Alkan esconde-se sob o pseudônimo para experimentar em um projeto prório.


Little Joy“Little Joy”: Como diversos bons discos, a estréia do Little Joy desce quadrado nas primeiras audições. Normal. Ultimamente anda tudo tão parecido que quando algo se distancia, pouco que seja, causa estranhamento. E estranhamento é bom demais.


Wado“Terceiro mundo festivo”: Chegará o dia que um disco do Wado terá a repercussão que um dos melhores compositores de sua geração merece. Pena que isso acontecerá já após esse excelente “Terceiro Mundo festivo”, onde Wado passeou com muita manha pelo universo da eletrônica, transformando beats em canções.


Curumin“Japan pop show”: O primeiro disco era legal, só que não decolava. Nesse segundo, Curumin solta o freio e desce a ladeira samba-rock, esquina com dub, quase em frente ao afrobeat. Endereço complicado, mas fácil de encontrar se o motorista for bom.


Guizado“Punx”: Instrumental cabeçudão, esquisitão, bem tocadão, bem gravadão e bonzão.

Orquestra Contemporânea de Olinda“Orquestra Contemporânea de Olinda”: O mangue bit encontra os blocos de frevo. Pernambuco pulsa, como sempre.

Kings of Leon“Only by the night”: Em seu quarto disco, o KoL quebra a linha ascendente que vinha fazendo, sem no entanto cair, faz uma curva e adentra outro terreno. Menos country rock e mais pop, os elementos caipiras deixam de ser o elemento principal, sentam no banco de trás e enfeitam a paisagem, sem perder a essência rancheira. Pode ser a pressão para estourar em casa, já que “só” fazem sucesso na Europa.

Essa é a lista, sem nenhum ordem específica além da imposta pela minha memória. Se for lembrando de outros discos (cite os seus favoritos nos comentários), adiciono.

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Melhores shows 2008

Como passei o ano fora, é uma seleção solitária, de shows que assisti longe de casa, portanto sem muita conexão com o que rolou por aqui. Foi tanta coisa boa que não deu pra encurtar a lista muito não. Em nenhuma ordem específica, segue a lista:

Radiohead (Victoria Park, Londres)

O show é muito simples e é justamente aí que está o truque. Das timbragens dos intrumentos a execução das canções — mesmo com as constantes mudanças de formação de palco, indo de guitarras, piano, baixo, bateria e programação para voz e violão de uma música para outra — não tem firula.

Vampire Weekend (Electric Ballroom, Londres)

“Bem mais pesados ao vivo do que em disco, o segredo do sucesso da banda talvez resida justamente em saber dosar as influências africanas.”

Late of the Pier (BarFly, Londres)

“O LOTP não parecia cansado do péssimo show da noite anterior, em Birmingham, como contou o baixista Andrew Faley. Elétricos e derretendo no palco, talvez movidos a MDMA, o quarteto fez a mesma bagunça que vem fazendo, misturando rock, metal, eletrônica, psicodelia e histeria adolescente.”

Friendly Fires (KCLSU,Londres)

“Vendo a banda em seu ambiente, tocando para o seu público, algo que havia passado despercebido nas outras apresentações ficou claro: a presença de palco expansiva do vocalista Ed MacFarlane. Como um Mick Jagger nerd, Ed rebola na frente do palco na abertura, com “Photobooth”, se requebra e faz caras para as meninas, que gritam de alegria.”

Stevie Wonder (O2 Arena, Londres)

“O show ia morno, correto, alternando uma música “esquenta o sovaco” com uma “mela cueca” — técnica preferida do grande Tim Maia, como bem lembrou um amigo. Até que no final, uma fila de hits, colados um no outro, mudou tudo. “Overjoyed”, “Signed, sealed, delivered, I’m yours”, “My cherie amour”, “You are the sunshine of my life”, “I just called to say I love you”, “Isn’t she lovely” e a infalível “Superstition” fizeram valer cada centavo.”

Casiokids (Hoxton Grill, Londres)

“Nem vale a pena tentar definir o som do Casiokids. Tem referências bem diversas, de música africana a eletrônica maximalista. A galera no palco e a quantidade de teclados lembra o Hot Chip; a pegada alucinada de pista o Soulwax; os ruídos eletrônicos o Late of the Pier; o teatro de sombras, as cabeças de papel machê e o monstro vermelho que invade a platéia, o Flaming Lips.”

Lykke Li (ICA, Londres)

“Imagine o susto que a M.I.A. tomaria se um dia acordasse presa no corpo da Britney aos 14 anos, de calcinha e com uma vontade incontrolável de se tornar um chanteuse. Taí uma possível descrição da Lykke Li.”

Kings of Leon (Brixton Academy, Londres)

“Sem se repetir e com coragem de experimentar, o mais interessante de acompanhar o KoL é que trata-se de uma das poucas bandas dessa geração que vem constantemente melhorando, seja em disco ou ao vivo.”

Bloc Party (Circo Voador, Rio)

“Contrariando todas as expectativas, o Bloc Party fez um show avassalador nessa segunda a noite, no Circo Voador. Já tinha visto uma vez, em 2006 no Coachella, e tinha achado frouxo. Quem viu em São Paulo nesse finde também comentou que foi morno. No Circo Voador não. O negócio foi sério.”

Cidadão Instigado (Jockey Club, Rio)

“Um dos mais talentosos compositores de sua geração, Fernando Catatau e seu Cidadão Instigado chaparam a tenda do Claro Cine com sua psicodelia, a base de Jovem Guarda, Santana, guitarrada, bagaceiras eletrônicas e letras insanas.”

Sigur Rós (Rock Werchter, Bélgica)

“Com um dos cenários mais bonitos do festival e chuva de papel picado no encerramento contra um céu rosado pelo pôr-do-sol, os islandeses domaram a platéia, conseguindo silêncio geral.”

Justice (Astoria, Londres)

“Fechando a noite no Astoria, o Justice sentou a mamona, no que deve ter sido uma de suas aparições mais, hmm…, metálicas. Podreira pura. Tanta, que em muitos momentos só dava pra se defender da chuva de cotovelos. Seria bom se tivesse sido um pouco mais dançante.”

Soulwax Nite Versions (Rock Werchter, Bélgica)

“Emendando “Gravity’s rainbow” (Klaxons), “NY Excuse” (deles mesmo, explodindo a tenda), “Robot Rock” (Daft Punk) e “Phantom Pt. II” (Justice) fizeram uma das apresentações mais legais da música eletrônica recente (tem notado como os live PAs andam sem graça? ou é comigo?).”

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Rock Werchter ’08: Festa no interior


URBe TV (com excessão do Radiohead) e
URBe Fotos (inclusive as fora de foco)

Como dito anteriormente, todos os caminhos apontavam para Bélgica. O que pode ter faltado foi placas sinalizando melhor as intempéries.

Após quatro dias enfiado na lama e cercado de adolescentes bêbados, a maratona de shows do Rock Werchter 2008 ficou assim:

Vampire Weekend, The National, Shameboy, Lenny Kravitz, R.E.M., Soulwax, My Morning Jacket, Jay-Z, Duffy, The Verve, Hot Chip, Digitalism, MGMT, Band of Horses, Kings of Leon, Ben Harper, Sigur Rós, Radiohead, Hercules & Love Affair, Mark Ronson, The Racounteurs, Justice e Beck.

Uma sequência dessas apaga qualquer má impressão que um festival muito bem organizado, porém mal produzido, possa deixar — afirmação parece antagônica, mas não é. Os principais problemas foram a superlotação e a má distribuição do espaço.

O bom é que passada as chateações, ficam apenas as recordações dos shows. E que shows.

Dia 1onde os urubús tem asa


Uniforme

Werchter é uma pacata cidade, de poucos habitantes, no interior da Bélgica. Não tem nada perto, ou mesmo longe. Como é que um lugar desses faz pra reunir uma escalação desse peso — e sem o nome de nenhuma mega corporação intrometida no logo do evento — é um mistério.

Parte do intuito da ida a Bélgica era desvendar esse segredo, seguindo uma dica quentíssima de uma pessoa que por motivos profissionais já visitou praticamente todos os principais festivais do planeta (mesmo), apontando Werchter como o melhor.

Como comparação, foi dito que barrava o Coachella. É uma afirmação bem ousada, pois escalações a parte, o evento californiano tem algo que os festivais europeus não tem (tirando os espanhóis): certeza de dias ensolarados.

Nunca quis ir para o zoológico de Glastonbury justamente porque assistir a shows de galocha, com barro até os joelhos, vestindo uma capa e tremendo de frio não é exatamente meu ideal de uma tarde agradável.

A decepção com o ensopado verão europeu doeu ainda mais ao descobrir que, não apenas Werchter também é bem molhada, mas os frequentadores estão muito pouco preocupados com o que se passa nos dois palcos.

E tem também a bebida. No Coachella não é permitido circular com bebidas alcóolicas fora da área determinada, o que acaba deixando as coisas bem mais calmas. Já na Europa, os festivais são uma espécie de primos distantes do carnaval, com ênfase nos desastres.


Vampire Weekend, “A-Punk”

No primeiro dia, enquanto a maior parte do público se esbaldava nas poças e curtia o som comercial do quiosque patrocinado por uma rádio (estranhamente uma das maiores áreas do evento), o Vampire Weekend tocava na tenda.

O show é rápido e direto, emendando todas as músicas do disco sem intervalos. Animados com a reação da platéia, o vocalista do Vampire Weekend elegeu os belgas como os melhores dançarinos da turnê.

Isso porque eles ainda não foram para o Brasil. Torça para esse show aterrisar por aí, porque é coisa fina.

Antes do próximo show interessante da noite, o R.E.M., tocaram os Chatolas do The National (com “C” maiúsculo mesmo) e o farofeiro Shameboy quase levou a tenda abaixo.

Começando bem, com músicas de seus primeiros discos, Lenny Kravitz descarrilhou no final e fanfarronou como de costume. Quando finalmente chegou a vez do R.E.M., o som do palco principal deixou o público na mão. Baixo e embolado, como se fosse no Brasil, mal dava pra ouvir as músicas.

Uma pena, pois o repertório estava caprichado, abrindo com “Orange crush” e fechando com “Man on the moon”.


Soulwax, “Robot rock” + “Phantom Pt. II”

De volta a tenda, os heróis locais Stephen and David Dewaele encarnaram sua faceta de banda a frente do Soulwax.

Bastante coisa mudou no Soulwax do show no Tim Festival 2004 para cá. Se antes a banda era uma mescla de rock e electro (tendendo mais para o primeiro), sob o nome Soulwax Nite Versions ênfase é na eletrônica, tocando seus remixes ao vivo. Stephen e David se dividem entre sintetizador, vocais e ocasionalmente guitarra, com um baterista somando-se a dupla.

Emendando “Gravity’s rainbow” (Klaxons), “NY Excuse” (deles mesmo, explodindo a tenda), “Robot Rock” (Daft Punk) e “Phantom Pt. II” (Justice) fizeram uma das apresentações mais legais da música eletrônica recente (tem notado como os live PAs andam sem graça? ou é comigo?).

Os irmãos ainda voltariam mais tarde, com seu projeto mais conhecido, o 2ManyDJs, antes do show do Chemical Brothers encerrando a noite no palco principal. A essa altura, com os ossos enxarcados, o banho quente e a cama gritavam bem alto, tão alto que foi impossível não atender a seus apelos.

Dia 2lá vem o sol


Jay-Z

Vir, vir, o sol não veio, mas pelo menos a chuva também não. Começando o dia devagar, o My Morning Jacket fez um show correto, mas repetitivo e um tanto cansativo na tenda. No palco principal, e cedo, a presença mais comentada no circuito de festivais de verão desse ano mostrou que não estava a passeio.

Bom de palco que só ele, Jay-Z veio com banda, o que costuma ser a diferença entre um monólogo de rap terrívelmente insuportável e um belo show.

Sem vergonha nenhuma, botou a branquelada pra rebolar ao som de sucessos seus, com sua participação ou com seu dedo: “99 problems”, “Crazy in love” (Beyoncé), “Umbrella” (Rihanna) e a música da estação, “American boy” (Estelle).

A distância entre o Jay-Z, brincando no palco, para a insossa Duffy na tenda era maior do que a caminhada em si. Sem graça, apelando para seduções baratas e com uma voz de pato, ao vivo a loirinha não segura a onda. Aliás, nem em disco.

No palco principal (eita, vai-e-vem…), o reunido The Verve angariava seus tostões simulando um retorno do brit-pop, que nem está tão longe assim ainda.


Hot Chip, “Ready for the floor”

A nerdice tomou conta da tenda, lotada para ver os ingleses do Hot Chip. Não dá pra dizer exatamente o que é, mas falta alguma coisa ali.

Pode ser o vocal, sempre no mesmo tom e sem dinâmica, pode ser a transposição das músicas para o palco, pode ser o excesso de esforço para parecer bacanas. Pode ser qualquer coisa, a bem da verdade, mas que falta algo, falta.

O show deu uma crescida em “Over and over” e na ótima “Ready for the floor”, ficando curioso na versão de “Nothing compares 2 U”, do Prince, imortalizada por Sinead O’Connor.


Digitalism

Cheio da onda, com cenário especial e tudo mais, o Digitalism era aguardado ansiosamente na tenda, super lotada.

Devido ao excesso de empolgação dos integrantes, o show quase se perde. É um tal de vir a frente do palco pra cantar ou fazer danças esquisitas, tocar bateria eletrônica com baqueta e pedir gritinhos que fazem pensar nos clichês do que é o “DJ Ibiza”.

Entretanto, a pancadaria do som é tão forte que sossega até a dupla. Contrariando a “tendenssa” atual, nem todo show de música eletrônica é feito para ser assistido. O Digitalism certamente funciona melhor de olhos bem fechados.

Dia 3dobradinha histórica


MGMT

Provavelmente por estratégia do festival, todos os dias algumas das bandas mais esperadas tocavam bem cedo. O MGMT entrou no palco 13h25.

A impressão deixada no público no show de Londres, dois meses atrás, não foi das melhores. Grande parte saiu do show antes do fim.

É aquele negócio de banda de internet. Muita gente só conhece uma música e, talvez nivelando por baixo, espera mais dez iguaizinhas. Quando elas vem diferentes entre si — o que deveria ser uma boa coisa — a turma impaciente do hype debanda.

O MGMT é um prato cheio pra esse tipo de reação. O disco é bem diverso e ao vivo as músicas ganham roupagens de rock psicodélico que assustam quem está a fim de só “mandar um dance”. O pouco espaço de tempo entre os dois shows cancelam a idéia de uma evolucão da banda, mas o fato é que o show de Werchter foi infinitamente melhor do que o de Londres.

O repertório estava mais bem distribuído, a banda mais entrosada e o público mais atento. Os músicos fizeram tudo que o professor mandou e… Brincadeira. É que essa frase acima parecia resenha de futebol.

Show bom bagarái. Vamos ver como será recebido no Brasil.

O Band of Horses adormeceu a galera na tenda antes do Kings of Leon fazer justo o contrário no palco principal. No caso do KoL, a distância entre o fraco show no Brasil e o que a banda vem apresentando atualmente é o suficiente para apontar uma evolução.

Os integrantes tocam e parecem não estar nem aí, como se aquilo não fosse nada ou não estivessem empolgados. Vai ver não estão mesmo. Pouco importa. Com uma das músicas mais tocadas nos intervalos dos show, “On call”, e lançando um disco melhor do outro, o KoL já provou que cresceu.


Sigur Rós

Tudo que é bom tem seu preço. No caso do show do Sigur Rós, era aturar o Ben Harper destruindo, uma a uma, suas melhores músicas. É um caso ainda mais grave do que o do Lenny Kravitz. Era de se esperar que depois de três discos excelentes, o sujeito estivesse encaminhado. Mas não.

Inacreditavelmente, vieram bombas atrás de bombas (com excessão de “Woman in me”, um musicão) e, hoje, assistir um show do Ben Harper é, infelizmente, uma dureza.

Divida paga, os islandeses do Sigur Rós fizeram valer o esforço.

Com um dos cenários mais bonitos do festival e chuva de papel picado no encerramento contra um céu rosado pelo pôr-do-sol, os islandeses domaram a platéia, conseguindo silêncio geral. Até mesmo um lamentável grupo de trintões que insistia em brincar de botar um pinto de borracha na boca para aparecer no telão ficou quieto. A tarefa não era fácil, acredite.


Radiohead, “Climb up the walls”

Duas bandas tão distantes e estranhamente próximas como Sigur Rós e Radiohead, tocando uma após a outra, é pra jogar as mãos pro céu.

A grande “falta de sorte” foi que o repetório dos ingleses foi bem parecido com o da apresentação no Victoria Park, com pouquíssimas alterações.

A inclusão de “Paranoid android” fez valer o ingresso. Novamente, o clássico (é, já) “In rainbows” foi tocado quase integralmente e “Climb up the walls” surgiu numa versão dub de cair pra trás de tão boa.

Obviamente, o festival inteiro queria assistir o show colado no palco, o que ocasionou um espreme-espreme raro por essas bandas. Na tentativa de evitar o tumulto no final da apresentação, escolhi sair antes da última música pelo vão onde fica a equipe técnica, alegando que era impossível atravessar a massaroca de gente.

Sem saber, foi um prêmio. Sabe-se lá porque, o caminho levava até a boca do palco, a cinco metros da banda tocando “Everything in it’s right place”, antes da saída. Só não deu tempo de sacar a câmera pra mais uma foto fora de foco.

Dia 4arrancada final


Hercules & Love Affair

Arrebentado, com os pés doloridos das benditas galochas e mal alimentado (o Rock Werchter é o paraíso das porcarias), o último dia começou bem mal com o Hercules & Love Affair.

O grupo mal consegue ser uma paródia de si mesmo, com músicos fracos, versões magras e a ausência da voz do Anthony (and the Johnsons). Toma um baile, fácil, fácil, do Celebrare no quesito disco-music águada para casamentos.


Mark Ronson

Eis que surge Mark Ronson e sua banda gigante, os Version Players, chegando a somar 19 músicos no palco em alguns momentos. A idéia por trás do projeto é tão simples que soa até boba. A princípio. Como um DJ, Ronson comanda uma sessão de versões de hits do rock, hmmm… contemporâneo.

Lembra um pouco a proposta da Orquestra Imperial, fundada pelos produtores Berna Ceppas e Kassin e reunindo músicos amigos pra tocar músicas que influenciaram suas carreiras. A diferença é apenas cultural, o que cada um ouviu de seu país enquanto crescia.

Produtor conhecido pelo trabalho com Amy Winehouse e Lilly Allen, Mark Ronson entorta as músicas até ficarem quase irreconhecíveis, criando uma unidade sonora impensável entre “Toxic” (Britney Spears), “Just” (Radiohead), “Stop me” (The Smiths) e “God put a smile upon your face” (Coldplay).

O show é praticamente um portifólio itinerante, mostrando o talento de Mark Ronson na produção. O único detalhe é que é um show tão intenso e empolgante que as pessoas sequer pensam nas músicas originais. É como se tudo fosse material inédito.

O show agrada desde o indie mais exigente até quem nunca ouviu falar em Mark Ronson antes. Impressiona também porque, com tantas participações especias no disco, seria difícil imaginar as versões sem seus intérpretes.

A catarse provocada por “Valerie”, logicamente sem Amy Winehouse nos vocais, prova o contrário.

Mais tarde, Ronson ainda deu uma canja no palco do Kaiser Chiefs.


Racounteurs

Já em seu segundo disco, não se sabe até quando o Raconteurs será chamado de “projeto paralelo do guitarrista Jack White”. O White Stripes parece cada vez mais distante, ainda mais vendo o estrago que White pode fazer com uma banda completa.

Sem a responsabilidade de prover ao mesmo tempo a melodia e a base, White ganha mais espaço para explorar seus talentos na guitarra, no piano ou mesmo no vocal. O resto da banda também não é nada boba, resultando num show mais redondo que o do White Stripes.


Justice

O que não é um conceito. Ouvindo os zilhões de ruídos e distorções do Justice, fico pensando o que aconteceria com a dupla se vem vez da opção por um show encenado, tentassem fazer um simples DJ set com as mesmas músicas.

Se a pista ficaria vazia ou não é pura especulação. De qualquer forma, é inegável o apelo das referências ao rock e ao metal (jaquetas de couro, amplificadores Marshall e, claro, as cruzes). Como no caso do Daft Punk, não é apenas um show de música, é também uma espécie de peça teatral.

Nesse contexto, as críticas de que os shows são sempre iguais, com pouquíssimos adendos, e acusações de que é tudo pré-gravado (na montagem do palco um roadie apertou algum botão por acidente e em vez de uma nota ou algo parecido, disparou foi a base de “Genesis”, prontinha) perdem um pouco o sentido. Teatro é assim.

O perigo é os atores começarem a acreditar nos papéis e quererem se transformar nos personagens. Sinal amarelo para a pose da foto acima, que durou uns 20 segundos, mais pra Poison do que pra Metallica.


Beck

Fechando a tampa, o grande Beck, um tanto apagado e acompanhado por uma banda meio frouxa,mostrando músicas do novo disco, “Modern guilt” e alguns de suas melhores canções.

Entre “Loser”, “Devil’s haircut”, “New polution”, “Where it’s at”, o grande momento foi “Everybody’s got to learn sometime”, do The Korgis, que fez parte da trilha do filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”.

Moído, restava uma última coisa a fazer: sair correndo para escapar da sequência letal Underworld / Nightwish.

São e salvo.

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Vampire Weekend e a arte de saber dosar


Vampire Weekend, “Mansard roof”
vídeo e fotos: URBe

Antes da apresentação do Vampire Weekend, a abertura do White Williams (será a do Piquet?) foi pouco animadora. O quadro, porém, estava prestes a mudar.

Começando por uma vomitada colossal de uma menina, abrindo um clarão pertinho do palco e garantindo uma boa visão do show.

O bloqueio mental causado pelo excesso de hype em torno de algumas bandas é bem difícil de ser superado. As vezes, tanta falação pode ter o efeito contrário, gerando antipatia antes até de se escutar a primeira música.

Recebendo todos os elogios imagináveis na imprensa por seu disco de estréia, o homônimo “Vampire Weekend”, os nova-iorquinos sofrem desse mal. O pior para eles é que não cabe as bandas controlar a dose exata de buchicho para evitar a ressaca.

Enquanto pensava estar ignorando solenemente o Vampire Weekend, após repetidas audições no MySpace da banda enquanto lia as tais matérias a seu respeito, as músicas foram crescendo e a curiosidade aumentando.

Isso — somado ao fato de que só existe uma maneira realmente eficaz de se analisar uma banda: o palco — serviu de impulso para ir a porta do Electric Ballroom tentar a sorte .

Os ingressos estavam esgotados há meses, não se encontrava nem no eBay. Na porta, estavam pedindo 40 libras por uma entrada que originalmente custava 12 libras.

Os agressivos cambistas londrinos são uma turma complicada, tentam inclusive impedir a negociação entre pessoas que querem vender ingressos uma para as outras sem valores extorsivos.

Com sorte, consegue-se comprar pelo preço correto. E quando isso acontece, costuma ser sinal de uma noite boa vindo pela frente.


Vampire Weekend

O Vampire Weekend entrou em cena ovacionado. Vestidos como os garotos formados em faculdades da Ivy League que são, o visual era suéter e sapato, com uma postura levemente nerd. O vocalista estava com a mesmíssima roupa que tocou no Jimmy Kimmel Live. Figurino calculado?

Sem cerimônias, o Vampire Weeend abriu a apresentação com duas de suas músicas mais conhecidas, “Mansard roof” e “Cape Cod Kwassa Kwassa”, essa última sintetizando as intenções do quarteto.

Ezra Koenig centraliza as atenções da formação simples (guitarra, teclado, baixo e bateria), não apenas por ser o cantor. Sua guitarra é o que mais se destaca no diferencial na sonoridade do grupo: as influências do pop africano, de juju music nigeriada ao soukous congolês, também explorados por Peter Gabriel no passado.

Sem se basear nos riffs ou power chords dos onipresentes grupos de rock, o teclado e a guitarra fazem frases, repetidas diversas vezes, indo e voltando, como num mantra pop.

Bem mais pesados ao vivo do que em disco, o segredo do sucesso da banda talvez resida justamente em saber dosar as influências africanas.

A mistura é apenas o bastante para tornar o som diferente do resto. Sem cabecismos, mas também sem atalhos. E, o mais importante, permanecendo pop.

Além de “Oxford comma”, “A-Punk”, “One (Blake’s got a new face)”, “The kids don’t stand a chance” e todo o repertório do disco, vieram também duas músicas novas. Ambas devem fazer parte do novo trabalho, em processo inicial de composição, como o vocalista disse durante o show.

Uma delas, tinha pegada parecida com a de uma guitarrada paraense. Seria interessante saber o que aconteceria se o Vampire Weekend topasse com os mestres Vieira, Curica, Aldo Sena ou mesmo com o La Pupuña.

No palco, o Vampire Weekend confirma o burburinho, obrigando os detratores a darem o braço a torcer. A banda é mesmo boa.

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